Bem, bom dia.
Às vezes, não sabemos tudo o que está por trás dos hinos que cantamos. Esse hino foi escrito, creio eu, por um irmão escocês. Talvez eu esteja enganado quanto a essa parte. Ele estava numa pequena localidade onde havia apenas alguns santos, mas eles amavam muito o Senhor. Tinham pouco ou quase nada; viviam em verdadeira pobreza.
Finalmente, chegou sua grande oportunidade, por assim dizer, como o sistema às vezes gosta de encarar essas coisas. Foi-lhe oferecida uma igreja enorme, creio que na Inglaterra, e ele estava prestes a partir. Já tinha arrumado tudo. A carroça estava carregada. Ele e a esposa estavam na carroça, e aqueles santos, um por um, saíram para cumprimentá-lo, abraçá-lo e demonstrar seu amor.
Ele ficou profundamente comovido. Profundamente comovido. Não conseguia acreditar que existisse aquele tipo de comunhão — verdadeira comunhão. Então disse à esposa: “O que vamos fazer?” Desceram da carroça. Descarregaram tudo. Ele disse: “Isto é comunhão divina”, voltou para casa e escreveu aquele hino. Foi assim que ele surgiu.
Bem, às vezes é bom saber. Há uma história real; há pessoas de carne e osso por trás de algumas dessas canções que cantamos — histórias reais, glórias reais, triunfos reais.
O que eu gostaria de compartilhar com vocês hoje é essa questão da comunhão suprema. Escolhi essa palavra de propósito, e talvez vocês estejam cansados dela quando terminarmos de compartilhar, mas é comunhão suprema — de propósito.
De propósito, gostaria que lêssemos apenas um versículo: 1 Coríntios 1:9. Sei que a maioria de vocês conhece esse versículo, mas, se não o conhecem, vou lê-lo de qualquer maneira. O apóstolo Paulo escreveu:
Fiel é Deus,
pelo Qual fostes chamados à comunhão de Seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor.
Agora, vamos fazer uma oração.
Senhor, abrimos juntos a Tua Palavra nesta manhã e desviamos o olhar de tudo o mais. Pedimos que nos fales algo real, algo que alcance o coração, algo que nos faça realmente compreender essa comunhão divina sobre a qual nosso irmão escreveu e sobre a qual cantamos.
Senhor, lembramos a Ti, vez após vez: somente Tu tens as palavras da vida eterna. Para quem iremos? Se Tu não falares, Senhor, não haverá nada — nada de valor. Fala, Senhor. O Teu servo ouve. Como Samuel disse, nós repetimos e pedimos que nos fales hoje algo que amplie nossa compreensão dessa comunhão suprema.
Pedimos isso juntos, em nome do nosso bendito Senhor Jesus. Amém.
Bem, esse encargo começou há alguns meses, quando falei aos jovens na Conferência de Jovens de Willow Run. Portanto, originalmente, essa palavra foi dirigida aos jovens. Depois, talvez vocês se lembrem, compartilhei uma palavra de abertura em nosso grupo no Dia do Senhor e, mais tarde, falei sobre comunhão à mesa do Senhor. O encargo continua crescendo, e eu gostaria de compartilhar um pouco mais com vocês nos próximos dois domingos.
Quanto a esse encargo da comunhão, uma das primeiras coisas em que pensei foi que usamos essa palavra o tempo todo. É uma palavra comum. Faz parte da nossa maneira de falar. Sabe, dizemos: “Estamos tendo comunhão”. “Estamos em comunhão.” Até usamos a palavra para nos referir a um lugar: “Vamos à comunhão” ou “Fomos à comunhão ontem”.
Podemos fazer todas essas coisas. Isso é verdade. Espero que estejamos tendo comunhão. Espero que estejamos em comunhão. Espero que, quando formos juntos a um lugar como expressão coletiva de Cristo, o resultado seja comunhão — comunhão viva.
Mas penso que, às vezes, não compreendemos tudo o que está contido nessa palavra, comunhão. Tenho apenas um encargo. Vou deixá-lo com vocês, e talvez ele permaneça em seus corações nestas próximas duas semanas.
Em primeiro lugar, espero que compreendamos mais plenamente a comunhão conforme ela é apresentada na Palavra de Deus. Não quero dar a vocês minhas opiniões sobre o que penso que seja comunhão. Não quero que vocês me deem suas opiniões sobre o que é comunhão. Prefiro que examinemos a Palavra de Deus e vejamos: o que a Palavra de Deus diz que é comunhão? É nessa comunhão que devemos estar.
A segunda coisa que espero que compreendamos nestas próximas duas semanas é que, depois de ouvirmos um pouco sobre comunhão, isso não fique apenas em algum registro, em papéis, em anotações ou numa pasta. Que não seja apenas informação. Mas que, tendo ouvido sobre essa comunhão suprema, possamos entrar mais plenamente na realidade dela e, ainda mais, experimentá-la juntos.
Esse é o encargo geral, em resumo, se posso colocá-lo assim.
Agora, a comunhão é um assunto imenso. Acho que vocês concordarão comigo nisso. É um assunto imenso. Em certo sentido, penso que podemos dizer que é o assunto de toda a Palavra de Deus.
Talvez vocês discordem de mim. Muitas pessoas já discordaram de mim, e muitas se sentem à vontade para me dizer que discordam. Portanto, sei que vocês podem discordar. Talvez digam: “Irmão, o assunto de toda a Palavra de Deus é o amor”. Eu não discutiria isso com vocês.
Pensem naquele versículo do Novo Testamento. Ele está no centro de tudo o que vivemos, e nós compreendemos isso:
Porque Deus amou o mundo de tal maneira,
que deu o Seu Filho unigênito,
para que todo aquele que Nele crê não pereça,
mas tenha a vida eterna.
Certamente, do começo ao fim da Palavra de Deus, o assunto é o amor. Mas penso que precisamos distinguir entre a motivação e a missão, se me permitirem usar essas palavras. Precisamos distinguir entre a Pessoa e o propósito.
Se vocês olharem 1 João 4:8 e 1 João 4:16, verão que, duas vezes, está escrito: “Deus é amor”. Essa é uma declaração tremenda. Deus é amor. Essa é a Sua Pessoa. Essa é a motivação por trás de tudo o que Ele fez, de tudo o que Ele faz e de tudo o que conhecemos Dele. Sua motivação é o amor.
Mas, se vocês olharem mais adiante, se olharem um pouco mais profundamente, começarão a compreender que Ele tem uma missão. Ele tem um propósito. O que Ele é, é amor; mas esse propósito e essa missão, no fim, são comunhão. Trata-se de trazer Sua criação para essa comunhão divina — essa comunhão suprema, se quiserem — e permitir que Sua criação entre na própria experiência dessa comunhão suprema.
Essa é a Sua missão, e esse é o Seu propósito. Penso que isso fica claro quando lemos a Palavra de Deus.
Eu estava lendo uma mensagem antiga do irmão T. Austin-Sparks. Alguns de vocês conhecem o irmão T. Austin-Sparks. Stephen conheceu T. Austin-Sparks pessoalmente. Os demais talvez o tenham visto em alguma ocasião. Mas eu estava lendo uma mensagem dele, de 1964, intitulada O Chamado à Comunhão, e ela reforçou essa impressão que eu tinha. Toda a Palavra de Deus parece tratar dessa questão abrangente, dessa tremenda questão da comunhão.
Ele disse o seguinte, e vou citar:
Essa é uma questão profunda e inesgotável: a comunhão com Deus. Mas pode-se dizer que toda a Bíblia trata de Deus buscando ter o homem, Sua criação, em comunhão Consigo mesmo. A Bíblia inteira trata disso.
E, se o cristianismo é a síntese espiritual da Bíblia, como sem dúvida é, então o cristianismo repousa sobre esta única coisa: a comunhão com Deus.
Então ele fez uma pausa e repetiu: “Comunhão com Deus”.
É um assunto imenso. É o objetivo final do Seu pensamento e do Seu coração para Sua criação — essa comunhão suprema.
Ela está por trás da criação. Quando o homem — esse instrumento coletivo, homem e mulher; nunca se esqueçam de que era um instrumento coletivo — foi criado, ele foi criado em amor, mas criado para a comunhão. Nunca se esqueçam disso.
Depois, vocês se lembram, não demorou muito para que essa comunhão fosse quebrada por causa do pecado. Foi isso que entristeceu o Senhor. Está escrito que o Senhor andava no jardim pela viração do dia e que, depois de pecarem, eles se esconderam da presença do Senhor.
Naquele momento, Ele tinha apenas uma pergunta. Disse:
Onde estás?
Onde estás? O que aconteceu com essa comunhão suprema? Para onde ela foi? Esse é o resultado do pecado: a comunhão com Deus é quebrada.
Vocês podem pensar em cada ação de Deus ao longo da Sua Palavra. Pode ser Noé. Pode ser Abraão. Todas eram uma tentativa de restaurar essa comunhão com o homem. Era disso que se tratava, o tempo todo.
Ou podem pensar na nação de Israel. A nação de Israel tinha um lugar específico na economia de Deus. Foi formada como um povo separado, um povo escolhido por Ele — não um povo maior do que as outras nações, nem um povo digno disso —, mas um povo no qual Ele demonstraria como Deus vive em comunhão com o homem e no qual teria uma expressão do testemunho de Deus na terra.
Era isso que Israel deveria ser.
Ou podemos chegar ao Novo Testamento. Acho que todos nós sabemos que esse é o coração do Novo Testamento. Quando chegamos ao Novo Testamento, o Senhor Jesus aparece na terra e está buscando comunhão. Está buscando Sua igreja. Temos aqueles que foram chamados para fora. Foram chamados para a comunhão.
O Senhor Jesus busca, em última instância, que essa igreja seja a expressão Dele mesmo em comunhão, o Corpo de Cristo. E, por fim — por fim, essa ideia de “supremo” da qual vocês vão se cansar —, a igreja se tornará Sua noiva: essa comunhão suprema, íntima, permanente e eterna.
É assim que a Bíblia termina. Portanto, é justo dizer que toda a Bíblia trata dessa questão da comunhão. É justo dizer que a Bíblia começa com a comunhão quebrada e termina com a comunhão restaurada. Isso não é belo?
Vemos a Nova Jerusalém descendo como uma noiva preparada para seu esposo, e lemos aquelas palavras gloriosas:
Eis o tabernáculo de Deus com os homens,
e Ele habitará com eles,
e eles serão os Seus povos,
e o próprio Deus estará com eles e será o seu Deus.
Comunhão suprema e ininterrupta por toda a eternidade. Essa é a missão e o propósito.
Bem, esse versículo com o qual começamos — esse único versículo com o qual começamos — contém duas verdades supremas. Duas verdades supremas.
A primeira é bastante clara, mas, por favor, não passem por ela tão depressa que deixem de perceber seu significado mais profundo. Ela diz simplesmente estas palavras: Deus é fiel.
Isso não é tremendo, irmãos e irmãs? A comunhão se baseia nisto: Deus é fiel. Não se baseia em você ser fiel. Não se baseia em eu ser fiel. Toda a comunhão começa e termina nesta questão: Deus é fiel.
Que encorajamento tremendo isso nos traz.
Talvez vocês pensem que essa palavra introdutória sobre comunhão, que o apóstolo Paulo colocou em 1 Coríntios, esteja fora de lugar. Afinal, por que está na carta de 1 Coríntios? Não poderia haver uma igreja mais cheia de problemas, dificuldades, divisões e contendas do que a igreja de Corinto.
De modo geral — e acho que vocês concordarão comigo —, a carta de 1 Coríntios é uma carta de correção. Mas ela começa com esse foco, não nos problemas, e sim, claramente, no propósito de Deus. É assim que começa.
Sabe, irmãos e irmãs, com muita frequência — e Linda diz que muitas vezes sou apenas um otimista —, nós nos concentramos nos problemas quando pensamos na igreja. Paulo não começou se concentrando no problema. Paulo começou essa grande carta, essa carta de correção, essa carta cheia de instruções, com essa questão da comunhão.
O propósito estava claro. Ele deveria erguê-los acima de seus problemas, não apenas se concentrar nos problemas, mas concentrar-se no que estava no coração de Deus.
Portanto, este é o começo: Deus é fiel — uma verdade suprema. Essa é uma verdade na qual vocês podem confiar. É, inegavelmente, uma das maiores verdades de toda a Bíblia.
A fidelidade de Deus percorre toda a Bíblia, do começo ao fim. É por causa da fidelidade de Deus, como lemos na Sua Palavra, que não somos consumidos. Se não fosse pela Sua fidelidade, onde estaríamos?
Há pessoas nesta sala que passaram por momentos muito sombrios. Aliás, há pessoas nesta sala que estão passando por momentos incrivelmente sombrios. A única coisa à qual podem se apegar, a única coisa que devem saber acima de tudo, é que Deus é fiel.
Isso é o mais importante. Esse é o começo da comunhão. Não se pode sequer começar a falar de comunhão sem falar de “Deus é fiel”. Foi isso que o apóstolo Paulo disse.
Campbell Morgan disse o seguinte, e gostei do que ele disse, então vou citá-lo:
Essa é a afirmação fundamental. É isso que nós, como crentes, precisamos compreender fundamentalmente quando começamos a tratar dessa questão da comunhão: somente Deus é fiel. E, dessa fidelidade, tudo procede. Ele é o começo, Ele é o fim e Ele é tudo o que está entre os dois. Deus é fiel.
Penso que essa é uma palavra que precisamos lembrar acima de tudo. Ele disse: “É a afirmação fundamental de toda a carta”. Estava falando do versículo inteiro, mas depois disse que essa declaração poderia ser retirada — referindo-se a 1 Coríntios 1:9 — sem aparentemente interferir no desenvolvimento da carta. Talvez vocês concordem com isso.
No entanto, ela é suprema. Essa foi a palavra dele: suprema. Toda a carta, do começo ao fim, baseia-se nas declarações que o apóstolo fez ali. Tudo o que ele escreveu depois, tanto em termos de correção nos primeiros onze capítulos quanto de edificação nos capítulos 12 a 15, recebe sua força dos fatos extraordinários contidos nessa grande declaração.
Essa é a afirmação fundamental. Que verdade: Deus é fiel. Esse é nosso ponto de referência. Esse é nosso começo.
Eu a chamo de fidelidade inabalável, porque, enquanto nós oscilamos de um lado para outro, entrando e saindo da comunhão, entrando e saindo da fidelidade, Deus nunca Se desvia. É uma fidelidade inabalável ao longo de toda a Palavra de Deus.
Somente isso pode nos sustentar nos dias mais sombrios e nos piores dias. Essa é a primeira verdade suprema que esse versículo sobre comunhão nos apresenta.
Lightfoot disse:
O fato de terdes sido chamados por Deus a uma comunhão com Cristo é uma garantia segura de que Cristo levará essa boa obra a um resultado favorável; pois somente em Deus se pode depositar confiança.
Outro irmão disse que isso significa que Deus é absolutamente confiável. Não sei se vocês já encontraram alguma coisa absolutamente confiável. Pensem nisso.
Lembro-me de que, quando eu era jovem, nós mesmos consertávamos nossos carros. Aliás, isso foi na época em que ainda era possível mexer nos carros. Não sei se algum de vocês se lembra daqueles tempos antigos. John se lembra.
Lembro-me de que conseguíamos nos enfiar debaixo do capô para trabalhar nos carros antigos, porque havia muito espaço. Agora você abre o capô e não vê nada além de eletrônica e computadores de ponta a ponta.
Lembro-me de que meu pai era um mecânico das antigas, e nós trabalhávamos nos motores e os reconstruíamos. Ele me disse: “Filho” — do jeito que papai falava, era aquela voz de pai; quando se é criança, é preciso se acostumar com ela —, “filho, a única bateria absolutamente confiável é uma DieHard da Sears”.
Lembro-me disso. Acreditei nele. Então sempre comprava aquela bateria DieHard absolutamente confiável. Mas, vejam bem, eu não disse “nunca morre”. Descobri isso na prática.
Eu dizia às pessoas: “É, quando se trata de veículos, a única coisa absolutamente confiável é uma bateria DieHard”. Então John acabou com a minha ilusão. Disse: “Sabe, as baterias são fabricadas em apenas alguns lugares do mundo. Eles fabricam para todo mundo”. Ah, foi terrível. Que maneira terrível de acabar com a minha ilusão.
Mas, irmãos e irmãs, o único absolutamente confiável é o próprio Senhor. Vocês podem depender Dele. Ele nunca falha. Está sempre na hora certa. Talvez não seja a hora que você espera, mas Ele está sempre presente. Nunca está ausente.
De fato, o salmista expressou isso assim:
Aquele que te guarda não tosquenejará.
Eis que Aquele que guarda a Israel
não tosquenejará nem dormirá.
Linda acha que eu durmo muito. Toda vez que me sento na minha poltrona reclinável: “Lá vai ele de novo”. Mas esse Deus absolutamente confiável nunca cochila nem dorme.
Deus é fiel. Fidelidade inabalável.
Vocês podem ver isso no Antigo Testamento. Deus diz em Deuteronômio 7:9 que Ele é o Deus fiel. Podem olhar o Novo Testamento, em 1 Tessalonicenses 5:24:
Fiel é O que vos chama,
O Qual também o fará.
Vocês podem se apegar a esse versículo. Ele os chamou para essa comunhão. Ele pode realizá-la.
Quanto ao crente individualmente, vocês podem olhar Filipenses 1:6, aquelas palavras que o apóstolo Paulo disse:
Tendo por certo isto mesmo:
que Aquele que em vós começou a boa obra
a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo.
Ou podem pensar nos momentos mais sombrios. Deixem-me ler Isaías 43:2-3. Sei que vocês conhecem esses versículos, mas essa passagem tem lembrado as pessoas, vez após vez, da extraordinária fidelidade de Deus:
Quando passares pelas águas,
Eu serei contigo;
e, quando pelos rios,
eles não te submergirão:
quando passares pelo fogo,
não te queimarás;
nem a chama arderá em ti.
Porque Eu sou o Senhor, teu Deus,
o Santo de Israel, o teu Salvador.
Deus é fiel. Essa é a verdade suprema. Podem contar com isso sem nenhuma dúvida. Ele é fiel — tão fiel que vocês podem depender inteiramente Dele.
Vocês conhecem aquele hino que cantamos, “Grande É a Tua Fidelidade”. Thomas Chisholm escreveu esse hino. É um hino que tem encorajado as pessoas ao longo dos anos: Deus é fiel nos melhores e nos piores momentos.
Grande é a Tua fidelidade!
A cada manhã, novas misericórdias vejo.
Como esse hino nasceu de uma palavra: um irmão descobriu esse princípio fundamental, essa verdade absoluta, esse fato supremo, e escreveu um hino firmado nessa certeza. Ao longo dos anos, temos nos alimentado da fidelidade de Deus por causa disso. É assim que Ele é.
Finalmente, quando chegamos ao fim da Bíblia, há uma cena — acho que vocês a conhecem; Jerry tem estudado Apocalipse conosco. Está em Apocalipse 19:11:
E vi o céu aberto;
e eis um cavalo branco,
e O que estava assentado sobre ele chama-Se Fiel e Verdadeiro.
Eu me emociono com isso. Há uma irmã aqui entre nós que está sofrendo muito. Enquanto tenho orado por ela, vez após vez, recebi apenas uma palavra. O Senhor continuava dizendo: “Eu sou fiel”.
Por isso, tenho sussurrado ao ouvido dessa querida irmã, vez após vez: “Deus é fiel”.
Esse é o começo da comunhão. Essa é a verdade suprema. É aquilo pelo qual podemos viver. É aquilo com que vocês podem contar.
Bem, há uma segunda verdade suprema e inegável nesse versículo, e ela está na segunda parte:
Somos chamados à comunhão de Seu Filho, Jesus Cristo, nosso Senhor.
Vocês têm um grande chamado sobre sua vida. Algumas pessoas, de alguma maneira, têm a ideia de que receberam um chamado para pregar ou para servir — e talvez tenham recebido. Algumas pensam que seu chamado é ir para a África, ou ir para este ou aquele lugar.
Mas, antes de tudo, o chamado supremo, a verdade suprema, é que vocês foram chamados à comunhão do Filho de Deus, Jesus Cristo, nosso Senhor. Todo serviço deve nascer desse chamado.
Se ele nasce porque você tem um coração generoso, ou porque teve a ideia de servir de determinada maneira, ou — como frequentemente ouço as pessoas dizerem — porque “este é o meu dom”, então, se você serve a partir de qualquer outra coisa, não estará servindo com a perspectiva correta.
Tudo procede disto: vocês foram chamados à comunhão do Filho de Deus, Jesus Cristo, nosso Senhor. Essa é a segunda verdade suprema.
Essa palavra, comunhão, como penso que vocês sabem, é koinonia em grego. Ela é traduzida de várias maneiras em inglês, com palavras que expressam comunhão, participação e outros sentidos semelhantes. Mas significa ter todas as coisas em comum.
Agora, conseguem imaginar? Em primeiro lugar, Deus nos chama à comunhão de Seu Filho para que possamos ter todas as coisas em comum com Ele. Conseguem imaginar?
Se eu fizesse isso com vocês e os chamasse à minha comunhão — seja lá o que isso fosse; tenho certeza de que vocês não estão fazendo fila para entrar —, e vocês tivessem todas as coisas em comum comigo, não seria muita coisa.
Mas, se vocês têm todas as coisas em comum com o Cristo vivo, pensem na abundância que possuem. É quase indescritível. É quase indescritível.
Alguém disse: “Deus é fiel”, e traduziu esse versículo desta maneira:
Deus é fiel,
o Qual vos chamou à condição
de ter todas as coisas em comum
com Jesus Cristo, nosso Senhor.
É inacreditável. Vocês conseguem compreender isso? Conseguem começar a assimilar essa verdade suprema: que Deus, nessa grande comunhão, nos chamou a uma posição na qual podemos ter todas as coisas em comum, compartilhando-as com o Senhor Jesus?
Isso parece bom demais para ser verdade, mas é precisamente a segunda verdade que surge desse versículo. Devemos ter todas as coisas em comum.
A natureza desse chamado é participar de tudo o que Cristo é. Conseguem imaginar?
Pensem em versículos como aqueles de Colossenses:
Porque Nele habita corporalmente toda a plenitude da Divindade,
e Nele estais completos.
Tremendo. Não há absolutamente nenhuma falta ali. Não há absolutamente nenhuma carência. Tudo está ali. Esse é o chamado que vocês receberam. Essa é a natureza do nosso chamado.
Romanos 8:28-29 diz que somos chamados segundo o propósito e que, em última instância, esse propósito é sermos conformados à imagem de Seu Filho, Jesus Cristo, nosso Senhor, o Qual será o Primogênito entre muitos irmãos.
Conseguem imaginar? Mais uma vez, conseguem compreender isso? Essas verdades supremas parecem estar muito além de tudo. Nosso Deus é realmente assim? Sim, Ele é. É isso que vemos.
Fomos chamados. Não fomos nós que O escolhemos.
Muitas pessoas perguntam: “Você escolheu o Senhor?” Quero contar um pequeno segredo: você não escolheu o Senhor. O Senhor escolheu você, e o Senhor chamou você.
Talvez você tenha respondido ao Senhor em determinado momento, quando o Espírito Santo estava trabalhando em seu coração. Talvez tenha respondido ao Senhor e, portanto, feito uma escolha naquele momento — mas foi porque Ele escolheu você.
Vocês se lembram de quando Ele estava com Seus discípulos, bem no final, compartilhando aquelas palavras tão preciosas? Ele disse:
Não Me escolhestes vós a Mim,
mas Eu vos escolhi a vós.
E Ele nos chamou para essa comunhão.
Bem, acho que vocês compreendem como isso é grandioso. Deixem-me dizer mais algumas coisas. Essa palavra, supremo — trata-se do privilégio supremo.
Não sei se pode haver privilégio maior do que ser chamado à comunhão do Filho de Deus, Jesus Cristo, nosso Senhor.
Talvez você seja uma daquelas pessoas selecionadas para entrar em algum clube, círculo de convivência, associação ou grupo que considera o máximo — o privilégio supremo.
Justin vai saber do que estou falando. Na UVA, a Universidade da Virgínia, há um grupo chamado Seven Society, a Sociedade dos Sete. É uma honra muito elevada ser membro da Sociedade dos Sete.
Se vocês andarem pelo campus, começarão a ver alguns símbolos estranhos e provavelmente acharão que parecem símbolos de alguma seita. Há números sete, e às vezes eles os desenham ao longo dos degraus. É um sete enorme, com o símbolo do infinito acima dele e as letras gregas alfa e ômega do outro lado.
É a mais exclusiva, a mais secreta e a mais prestigiada de todas as organizações da Universidade da Virgínia. Eu não sou membro. Só quero que vocês saibam disso.
O engraçado é que ninguém sabe quem são os membros — ninguém além dos outros Sete. Não consigo imaginar o que fazem, que aperto de mão usam ou sobre o que conversam.
Mas, na verdade, é uma boa sociedade. Não comecem a imaginar coisas místicas e achar que estou falando de algo estranho. Na verdade, é uma sociedade filantrópica que doa dinheiro à universidade e presta ajuda, mas é muito reservada. Ninguém, além dos outros membros, sabe quem é um Sete. Ninguém.
É realmente uma grande honra ser um Sete. Eu nem sequer aspiro a ser um Sete. Prefiro ser chamado à comunhão do Filho de Deus, Jesus Cristo, nosso Senhor.
Mas fica ainda mais engraçado. A única maneira de os outros saberem que você é um Sete é quando você morre. Pensem nisso. Que privilégio! Todo mundo diz: “Ah, ele era um Sete”.
Meu sócio mais antigo sempre brinca que ele e um sujeito que estudou na UVA fizeram uma pequena conspiração. Vão colocar a coroa dos Sete, de magnólias negras, no caixão daquele que morrer primeiro, para que alguém pense que ele era um Sete.
Então os sinos da capela da universidade tocam no dia sete, e talvez isso saia no jornal. Essa é a maior honra à qual as pessoas podem aspirar na UVA. Conseguem imaginar? Você é um Sete morto, recebe uma coroa de magnólias negras no formato de um sete, e alguém finalmente descobre que você era um figurão que fazia parte dos Sete.
Eu prefiro ser chamado à comunhão do Filho de Deus. Conseguem imaginar? É o privilégio supremo. É a maior honra.
Não é apenas para os ricos e bem posicionados, nem apenas para a elite da sociedade. É para todos nós. Todo aquele que nasceu do Espírito de Deus, todo aquele que é filho de Deus, tem esse privilégio supremo de ser chamado à comunhão do Filho de Deus.
É o mais elevado e supremo privilégio.
Lembro-me de que, anos atrás, nosso irmão Stephen compartilhou uma série. Gostaria de encorajá-los a voltar e ler essas mensagens. Era uma mensagem para cada livro, tanto do Antigo quanto do Novo Testamento. Irmãos e irmãs, isso lançou o fundamento do que somos hoje. Deu-nos uma visão geral de cada livro.
Até hoje me lembro daqueles livros do Antigo Testamento — das mensagens e das coisas que nosso irmão falou. Depois, na série Cristo no Novo Testamento, quando falou sobre 1 João, ele disse que o assunto daquele livro é ver Cristo na comunhão cristã.
É disso que trata 1 João. João, aquele que sempre voltava aos princípios; João, aquele que sempre compartilhava o que era supremo; João, que sempre voltava e dizia: “É isto que está no coração de Deus”. Quando escreveu uma de suas últimas cartas, escreveu sobre a comunhão cristã.
Meu irmão disse o seguinte, e eu amo a maneira como ele colocou isso. Stephen, seria mais fácil dizer isso se você não estivesse aqui, mas ele disse: “Deus estendeu essa comunhão a nós”.
Que boa palavra. Pensem nesse privilégio. Vocês podem pensar em Ester e no rei: ele estendeu o cetro de ouro a Ester, e ela recebeu o direito de se levantar e permanecer diante do rei.
Ou podem pensar no apóstolo Paulo, quando falava de si mesmo e de Barnabé em Gálatas 2:9. O que o apóstolo Paulo disse foi que aquelas colunas da igreja — Tiago, Cefas e João — lhes estenderam a mão direita da comunhão.
Irmãos e irmãs, Deus estendeu a vocês a mão direita da comunhão com Seu Filho. Pensem nisso. Mais elevado do que qualquer privilégio que terão, mais elevado do que qualquer organização à qual possam pertencer, mais elevado do que qualquer honra que conhecerão, é esse privilégio supremo.
Parece-me que esse é o centro da questão.
Agora, deixem-me ir um pouco mais adiante, porque quero que isso fique bem claro antes de encerrarmos. Comunhão — a palavra koinonia — significa parceria.
Conseguem imaginar? Deus nos chamou para uma parceria.
Nunca vou me esquecer daquele dia na empresa. Era 1983 — isso talvez comece a revelar minha idade —, e o sócio principal me chamou ao escritório para me entregar um cheque de gratificação. Naquela época, nós realmente recebíamos gratificações. Ainda recebemos, graças a Deus.
Ele me deu meu aumento e o cheque da gratificação, e disse: “Kenny, quero que você entre na sociedade”. Foi um dos maiores dias da minha vida. Pensei: “Que privilégio”. Ele não me deu muita coisa, mas eu fazia parte da sociedade.
Vocês estão em parceria com o Filho de Deus. Por isso, Coríntios diz que somos cooperadores. Somos companheiros, se vocês olharem Hebreus. Se olharem Romanos, verão que somos herdeiros e coerdeiros com Cristo.
Essa parceria para a qual vocês foram trazidos não é uma parceria humana. É a parceria de Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo. Ele trouxe vocês para os Seus negócios divinos.
Vocês se lembram de quando o Senhor Jesus tinha doze anos e Sua família estava voltando para casa, mas Ele ficou no templo? Lembram-se disso? O Senhor estava no templo, fazendo perguntas e respondendo.
Os pais, aflitos, voltaram — vocês podem imaginar —, e imagino que tenham dito algumas palavras ao Senhor naquela ocasião, algumas palavras bem firmes. E Ele disse: “Vocês não compreendem?”
Convém que Eu trate dos negócios de Meu Pai.
Quero dizer, parceria com Ele — é para isso que vocês foram chamados. Penso que esse é um privilégio tremendo e supremo.
Há um pensamento solene a respeito desse privilégio supremo, e é este: esse privilégio supremo exigiu o custo supremo.
O Senhor Jesus nunca havia conhecido a comunhão quebrada até aquele momento na cruz, quando pronunciou aquelas palavras que passaram por Seus lábios pela primeira vez:
Eli, Eli, lamá sabactâni?
Que, traduzidas, significam:
Deus Meu, Deus Meu,
por que Me desamparaste?
Vocês acham que receberam esse privilégio supremo sem custo? Ele custou ao Filho de Deus, o Qual nunca havia conhecido sequer uma interrupção nessa comunhão.
Ele declarou, no Evangelho de João:
Eu estou no seio do Pai.
Também declarou:
Tudo o que vejo o Pai fazer, isso faço.
Tudo o que ouço o Pai dizer, isso falo.
Ele nunca havia conhecido a comunhão quebrada.
Agora, sei que, para mim — vou falar por mim mesmo —, isso não é fácil de assimilar, porque grande parte da minha vida é marcada por uma comunhão interrompida. Sabe, de vez em quando: “Ah, sim, preciso orar ao Senhor sobre isso. Preciso pensar nisso junto com o Senhor. Preciso voltar ao Senhor a respeito disso”.
Posso passar horas absorvido em minhas próprias coisas, em minha própria vida, sem ter sequer um pensamento passageiro sobre o Senhor Jesus. Então, de repente, percebo: fui chamado para essa comunhão suprema.
Mas, irmãos e irmãs, pensem nisso. Meditem nisso. Foi necessário o custo supremo para que vocês entrassem nessa comunhão.
Está escrito em 2 Coríntios 5:21:
Àquele que não conheceu pecado, Ele O fez pecado por nós.
Foi naquele momento de trevas que Ele pronunciou aquelas palavras indizíveis que nunca havia pronunciado antes. Esse foi o custo. O pecado quebrou a comunhão do Pai e do Filho naquele momento.
Que custo. Penso naquele hino, “Quão Grande És Tu”. Nós o cantamos muito, mas frequentemente tenho pronunciado estas palavras em oração:
E, quando penso que Deus, não poupando Seu Filho,
O enviou para morrer, mal consigo compreender.
Mal consigo compreender. Que custo. Esse privilégio supremo vem acompanhado de um custo supremo.
A comunhão também é a provisão suprema. Sabe, o Senhor fez a provisão para que estivéssemos em comunhão, para que fôssemos chamados à comunhão e para que permanecêssemos em comunhão. Ele fez a provisão.
Não é nossa força. Não é nossa sabedoria. Não é nosso trabalho árduo. Não é nosso esforço. Não é manter uma postura impassível diante das dificuldades, como os britânicos gostam de dizer. Tudo depende da provisão suprema que o Senhor Jesus fez.
Vejam comigo 2 Pedro 1:4. Vamos ver se consigo encontrar. Minha Bíblia parece estar se desfazendo na parte de Pedro. Primeira Pedro, Segunda Pedro, capítulo um, versículo quatro.
Pelas quais Ele nos tem dado Suas preciosas e grandíssimas promessas;
para que por elas vos torneis participantes da natureza divina,
havendo escapado da corrupção que, pela concupiscência, há no mundo.
Essa palavra, participantes, expressa comunhão — é outra palavra para comunhão. Essa é a provisão suprema.
Em primeiro lugar, é pelo Seu poder divino. Não é pelo seu poder. Não vivemos a vida cristã pelo nosso próprio poder. Seria impossível. Na melhor das hipóteses, seria um esforço desperdiçado. Vivemos a vida cristã pelo Seu poder divino.
Não apenas isso: o texto diz que Ele nos deu todas as coisas — não algumas coisas. Sabe, se você tem um amigo muito generoso, ele talvez lhe dê alguma coisa. Mas essa palavra extraordinária que Pedro disse é que Ele nos deu todas as coisas que dizem respeito à vida e à piedade. Tudo.
Não há escassez. Não há falta de provisão quando se trata de sermos chamados e mantidos nessa comunhão. Ele continua dizendo a coisa mais extraordinária: tornamo-nos participantes — pessoas em comunhão — da natureza divina.
Conseguem imaginar? Conseguem imaginar uma provisão mais elevada do que essa?
Penso que a Bíblia só pode ser compreendida à luz disso. O cristianismo só pode ser compreendido à luz disso. Não se trata de quem você é, mas de Quem Cristo é. Não é apenas Cristo por nós, mas Cristo em nós e nós em Cristo. É isso que torna a vida cristã possível. Caso contrário, ela é impossível.
Essa comunhão será quebrada vez após vez sem esse segredo: tornamo-nos participantes da natureza divina, e agora Cristo está em nós pelo Espírito Santo.
Outro dia, quando compartilhou, Jerry falou sobre a “vida do mas” — não entendam isso de maneira errada. A primeira vez que ouvi essa expressão foi com T. Austin-Sparks, que costumava dizer: “Prestem atenção aos ‘mas’ das Escrituras”.
Penso que o maior “mas” das Escrituras está em Gálatas 2:20:
Já não vivo eu, mas Cristo vive em mim.
Esse é o segredo. Essa é a provisão.
Ele não lhe deu apenas um pouco de graça. Não lhe deu apenas um pouco de amor. Não lhe deu apenas uma dose de paciência — aliás, a maioria de nós precisa de mais do que uma dose. Ele não nos deu apenas um pouco de perseverança, um pouco de esperança ou uma porção disto ou daquilo, como se fosse uma grande loja onde você vai buscar todas essas pequenas coisas de que precisa e, assim, obtém a vida cristã.
Essa provisão suprema, se vocês conseguirem assimilá-la, se conseguirem compreendê-la, é que Ele deu a Si mesmo para viver em nós pelo Seu poder divino. Tornamo-nos participantes da Sua natureza divina.
Isso não é extraordinário? Penso que é a coisa mais extraordinária. Isso me dá esperança de que podemos permanecer nessa comunhão, porque esses são os recursos que temos.
Lembro-me de ter cursado Economia 101 e 102 na faculdade. Sei que as pessoas pronunciam essa palavra de maneiras diferentes em inglês. Linda vai me corrigir, então é melhor eu já dizer: há duas maneiras de pronunciar “economia” em inglês — vocês podem até consultar na internet —, portanto podem usar qualquer uma delas. Não é nada demais.
Não me importa se vocês algum dia vão cursar Economia 101 ou 102. Aprendi muito pouco nessas disciplinas — alguma coisa sobre macroeconomia e microeconomia. A maior surpresa que tive foi quando me disseram que o número do desemprego não representava, na verdade, todas as pessoas que estavam desempregadas.
Fiquei muito surpreso. Pensei que aquilo fosse o desemprego. Mas o número se refere apenas às pessoas que estão procurando emprego. O desemprego é muito maior. Dei uma pequena desviada para a política; perdoem-me.
Mas lembro-me de que, em Economia 101, o professor disse algo que me marcou. Sei que já falei disso antes, mas significa muito para mim. Ele disse: “Economia é o estudo de como as nações lidam com recursos limitados”.
Vocês compreendem isso? A comunhão é exatamente o contrário. Não são recursos limitados; são recursos ilimitados. É tudo o que Cristo é.
Vocês foram trazidos para uma parceria com tudo o que Ele é, e agora Ele está compartilhando com vocês todos os Seus recursos. Isso é extraordinário. Esse é o privilégio supremo que temos em Cristo Jesus.
Campbell Morgan expressou isso assim:
Todos os Seus recursos estão à nossa disposição.
Penso que isso é maravilhoso.
Bem, a última coisa que quero compartilhar com vocês é esse propósito supremo. Falamos frequentemente sobre propósito. Sei que alguns de vocês se cansam dessa palavra, porque nos dizem isso.
Mas penso que, se você não tem propósito — deixem-me falar apenas em termos gerais —, se você não tem propósito, não tem foco. O propósito é essencial para que sua vida individual tenha uma direção definida, e é muito mais importante, na vida cristã, compreender qual é seu chamado, qual é seu propósito e qual é o propósito de Deus.
Isso é absolutamente essencial. Se você não o compreende, é um navio sem leme. Está navegando no oceano, mas não tem um rumo a seguir. O propósito é, sem dúvida, uma das coisas mais importantes das Escrituras, se não a mais importante.
Agora abram em Efésios 3:8-11. Quero que vocês olhem esses versículos. Alguns manuscritos usam essa palavra, e vou ler na versão King James porque ela usa a palavra comunhão.
A mim, que sou menos do que o menor de todos os santos,
foi dada esta graça:
anunciar aos gentios
as riquezas insondáveis de Cristo;
e fazer todos verem
qual seja a comunhão do mistério,
que desde os séculos esteve oculto em Deus,
o Qual criou todas as coisas.
Essa é a palavra koinonia. Seu único propósito, seu propósito singular, seu propósito abrangente, era fazer todos compreenderem essa questão da comunhão.
Então ele prosseguiu:
Para que agora, aos principados e potestades nos lugares celestiais,
seja conhecida, por meio da igreja,
a multiforme sabedoria de Deus,
segundo o eterno propósito
que Ele estabeleceu em Cristo Jesus, nosso Senhor.
Caso vocês estejam se perguntando de onde tiramos essa expressão — o propósito eterno —, aí está ela. Esse é o propósito supremo. A comunhão, a comunhão do mistério, é o propósito supremo. É o que Deus tinha em mente.
Quando lemos Romanos 8, esse “chamados segundo o propósito” se refere a esse propósito declarado pelo apóstolo Paulo. É o propósito supremo. É o maior propósito. É o propósito para o qual fomos chamados.
Irmãos e irmãs, não há propósito mais elevado do que esse. Talvez vocês pensem que têm um propósito muito elevado, mas não há propósito mais elevado do que esse.
Esse propósito é tão grandioso que o Espírito Santo levou o apóstolo Paulo a chamá-lo de propósito eterno. Pode haver muitos propósitos, mas há um único propósito eterno.
Podemos vê-lo nesse versículo de 1 Coríntios 1:9: Deus é fiel, o Qual nos chamou à comunhão de Seu Filho, Jesus Cristo, nosso Senhor. Esse é o propósito supremo.
Irmãos e irmãs, deixem-me concluir com este pensamento. É isto que sempre esteve no coração de Deus: estender essa comunhão suprema à Sua criação.
Agora, observem: se vocês lerem o livro de Hebreus, verão que Ele não a estendeu aos anjos caídos. Por que o homem recebeu tamanho privilégio?
Nós caímos. Abrimos mão dessa comunhão. A comunhão foi quebrada pelo pecado. Ainda assim, Ele mesmo determinou que aqueles que têm tão pouco em comum com Ele, por fim, compartilhassem todas as coisas em comum com Ele.
Vocês conseguem assimilar isso? Essa é a comunhão suprema.
Deus é fiel, o Qual chamou vocês à comunhão de Seu Filho, Jesus Cristo, nosso Senhor. É o privilégio supremo. Não há honra maior.
Para tornar a comunhão possível, Ele fez a provisão suprema. Ele não está esperando que vocês vivam a vida cristã por si mesmos.
Já não vivo eu, mas Cristo vive em mim.
Ele nos deu tudo o que diz respeito à vida e à piedade, e nos tornamos participantes — pessoas em comunhão — da natureza divina. É isso que torna a comunhão real e possível.
Finalmente, esse é o Seu propósito supremo. No fim, é isso que Ele busca. No encerramento desta era, irmãos e irmãs, quando entrarmos no reino, esse propósito supremo que Ele estabeleceu começará a se realizar durante mil anos e se estenderá pela eternidade.
Toda sombra e tudo o que tornou essa comunhão obscura e interrompida desaparecerão para sempre. Teremos comunhão suprema e ininterrupta para sempre.
É para isso — para isso — que fomos chamados. Não consigo pensar em algo mais glorioso.
Aquele único versículo — lembro-me de quando eu era um crente jovem e fui pela primeira vez a uma reunião na casa dos Miller, e aquele versículo foi lido. Pensei: “É isto”.
Fiel é Deus,
pelo Qual fostes chamados à comunhão
de Seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor.
Vamos orar.
Senhor, pensamos que, mesmo depois de termos compartilhado tanto, nossa compreensão talvez ainda seja pequena. Por isso, pedimos que realmente nos ajudes. Isso precisa vir por revelação.
Transforma-nos, Senhor, para que comecemos a compreender como é imenso esse nosso chamado. Não permitas que sejamos apenas aqueles que se concentram nos problemas, Senhor, mas que sejamos aqueles que se concentram no propósito.
Senhor, ajuda-nos a ver o que fizeste para tornar isso possível, o que isso Te custou. Escreve isso em nossos corações, para que tenhamos aquela adoração que teve a mulher que derramou aquele frasco de perfume precioso.
Senhor, somos tão gratos por esse privilégio. Somos tão gratos por essa provisão e somos tão gratos pelo Teu propósito. Que Tu nos ilumines e que possamos entrar mais plenamente nele pela graça de Deus. Amém.