Bom dia, irmãos e irmãs.
Disseram-me que temos uma novidade nesta manhã. Temos uma câmera apontada para esta luz verde grande — nem tão grande assim —, mas agora alguns não terão apenas de me ouvir; terão também de me ver.
Mas, sabem, o que desejamos em nosso coração, acima de tudo, é ver Cristo Jesus. Ele é o único que queremos ver, que ansiamos ver, que queremos ouvir; queremos que Ele fale. Essa é a única razão, creio eu — estou convencido disso —, para o ministério; o único valor que ele tem.
Então, vamos ler alguns versículos. Eu tenho… O que foi que fiz? Minha luz está apagada. Tenho duas luzes verdes.
Bem, há vários versículos, e vamos examiná-los, mas não quero ler todos eles. Quero apenas ler alguns no início. São versículos conhecidos.
O primeiro texto, que vou ler na tradução de J. N. Darby, é 1 Samuel 13:13-14. Sei que todos vocês conhecem esse texto. Ele vem logo após a rejeição de Saul e a escolha de Davi.
E Samuel disse a Saul: Procedeste nesciamente:
não guardaste o mandamento do Senhor, teu Deus, que Ele te ordenou;
pois agora o Senhor teria estabelecido o teu reino sobre Israel para sempre.Mas agora o teu reino não subsistirá:
o Senhor buscou para Si um homem segundo o Seu coração.
Sei que vocês conhecem esse texto, mas deixem-me ler essa parte novamente:
O Senhor buscou para Si um homem segundo o Seu coração.
O próximo versículo que gostaria de ler está no livro de Atos. Também está em Atos 13, assim como acabamos de ler em 1 Samuel 13. Vou fazer o contrário do que fez o irmão Sheridan. Ele disse que normalmente lê a NASB, a New American Standard Bible, e às vezes lê Darby. Bem, vocês me conhecem: normalmente leio Darby, mas, nesse versículo, gosto especialmente da versão New American Standard.
Lembro-me de que, anos atrás, uma irmã leu esse versículo em uma reunião, na versão New American Standard, e de como ele tocou profundamente meu coração. Desde então, tem sido algo profundamente guardado em meu coração.
Atos 13:36:
Pois Davi, depois de ter servido ao propósito de Deus em sua própria geração, adormeceu, foi sepultado junto de seus pais e sofreu decomposição.
Agora, esse é o ponto central. Essa é a essência: Davi serviu ao propósito de Deus em sua própria geração. Não quero que vocês se concentrem na parte que diz “sofreu decomposição”. Quero que se concentrem na primeira parte.
Senhor, somos tão gratos pela Tua Palavra. Nós Te dizemos novamente: as Tuas palavras são espírito e vida. Sem a Tua Palavra, perecemos. A Tua Palavra nos vivifica. A Tua Palavra nos muda e nos transforma, como ouvimos em uma oração antes da reunião desta manhã.
A Tua Palavra nos conduz àquele lugar espaçoso em Cristo Jesus de que ouvimos falar. Por isso, oramos, Senhor: não retenhas de nós a Tua Palavra nesta manhã.
Em completa dependência, aproximamo-nos como Pedro e dizemos — tantas vezes repetimos isso:
Senhor, só Tu tens as palavras de vida eterna.
Para quem iremos?
Oramos para que vivifiques as Tuas palavras. Oramos para que o Teu coração seja expresso, de alguma maneira, por meio de vasos de barro, e para que ouçamos o que o Espírito está dizendo às igrejas nesta hora, nesta hora tão avançada.
Pois pedimos isso juntos, no precioso nome do Senhor Jesus. Amém.
Bem, minha responsabilidade — deixem-me ao menos começar por aqui —, nas últimas vezes em que falei, tem sido compartilhar este encargo que o Senhor colocou em meu coração. Demos a ele o título: “O homem que Deus escolhe e usa para o Seu propósito”.
Já compartilhamos sobre duas pessoas: Abraão e Moisés. Acho que deve estar bastante claro para vocês que hoje vamos falar sobre Davi.
Talvez vocês se perguntem por que escolhi esses três personagens, porque, se lerem a Bíblia, verão que ela está cheia de homens e mulheres que Deus escolhe e usa para cumprir o Seu propósito. Isso é algo glorioso. A Bíblia não trata apenas de princípios. Às vezes, pensamos que a Bíblia contém apenas princípios e mandamentos, mas a glória da Bíblia é que nela vemos pessoas de carne e osso como nós.
Tiago diz que eles estavam sujeitos às mesmas paixões. Os mais elevados, os maiores dentre eles, estavam sujeitos às mesmas paixões — exatamente como nós. Mas, de alguma maneira, Deus, em Sua misericórdia, escolheu e usou esses vasos para a Sua glória.
Foi bastante simples a maneira como selecionei esses três do Antigo Testamento. Em primeiro lugar, provavelmente são os mais proeminentes. Vocês podem discordar um pouco disso, mas, para mim, parecem ser os mais proeminentes do Antigo Testamento. Certamente, quando chegamos ao Novo Testamento, eles são os três personagens do Antigo Testamento mais mencionados.
Vocês podem pesquisar e fazer a contagem. Eu fiz, e eles são os mais mencionados no Novo Testamento. Essa foi a razão.
Então, se vocês estão se perguntando aonde vamos chegar, chegaremos ao Novo Testamento. Teremos mais uma mensagem sobre o apóstolo Paulo. Vamos considerar o apóstolo Paulo, e acho que é evidente por que alguém o escolheria ao chegar ao Novo Testamento.
Há algumas coisas fundamentais a respeito deste encargo sobre as quais precisamos falar. Deus é um Deus de propósito. Espero mesmo que nunca nos cansemos de ouvir isso.
Às vezes, temos um propósito, e as coisas não vão tão bem. Isso acontece comigo; talvez não aconteça com vocês. Então mudamos esse propósito. Bem, Deus não é assim. Ele não tem um propósito que acaba não dando muito certo, para então modificá-lo e começar com um propósito inteiramente novo. Nem chega ao fim e se contenta com o que conseguiu. Não é assim que Deus trabalha.
Deus é um Deus de propósito, e tudo o que Ele faz tem esse propósito em vista. No fim, Ele cumprirá o Seu propósito para a glória de Deus. Essa é a boa notícia.
Outra coisa essencial, central a este encargo, é esta: esse propósito é cristocêntrico. Talvez essa seja uma palavra de que vocês não gostem ou que não compreendam, mas ela simplesmente significa isto: o propósito de Deus está centrado em Cristo Jesus.
Efésios 1:9-10 diz que o propósito de Deus, a Sua vontade que Ele estabeleceu desde os séculos, é reunir — ou, como gosto da maneira pela qual Darby expressa, colocar sob uma só Cabeça — todas as coisas em Cristo Jesus. É cristocêntrico. Tem a ver com Cristo.
Tudo isso — o Senhor, esse lugar vasto de que ouvimos falar nesta manhã, esse lugar espaçoso em Cristo Jesus — é o propósito eterno de Deus.
Mas há outra coisa central que precisamos ter em mente ao falar desses homens: o Seu propósito inclui o homem. Pensem nisso. Esse grande propósito, eterno e imutável, do qual Deus jamais se desviará, que sempre esteve em Seu pensamento antes do início do tempo — esse propósito tem a ver com o homem.
Ora, isso não é glorioso? Vocês conseguem imaginar esse privilégio? Em Hebreus, diz até que Ele não escolheu os anjos caídos, mas escolheu o homem.
Vocês se lembram daquele versículo de Salmos 8:4 que Jim compartilhou na semana passada:
Que é o homem, para que Te lembres dele?
E o filho do homem, para que o visites?
Isso não é glorioso? Não sei — talvez vocês sejam daqueles que têm seus altos e baixos. Talvez não acreditem, mas eu sou um pouco assim. Em um momento, estou na glória; em outro, posso estar um pouco abatido e deprimido.
Mas devemos estar sempre encorajados. Uma parte central do propósito de Deus não inclui apenas o Seu Filho, mas também nos inclui. Descobrimos em Romanos 8:28 que, no fim, Ele predeterminou que todos nós fôssemos conformados à imagem de Seu Filho, para que houvesse muitos filhos na glória.
Outra coisa é que, sem o homem — de alguma forma, isso é um mistério —, Ele não cumprirá o Seu propósito. Ele enviou o Filho do Homem, Seu próprio Filho amado, ao mundo. Enviou Seu único Filho, não apenas como Deus, mas como homem. Seu Filho veio ao mundo, e Seu Filho cumpriu o Seu propósito. Ele fez toda a Sua vontade.
Da mesma maneira, porém, esse propósito deve ser cumprido por meio da nossa união com Deus. É por isso que Ele quer escolher o homem e usar o homem para o Seu propósito.
Espero que isso lhes dê uma ideia da razão do que estamos fazendo. Agora, não quero rever tudo sobre Abraão e Moisés. Direi apenas isto: Abraão certamente foi alguém que Deus escolheu. Abraão foi o homem de fé.
Creio que o Senhor está procurando homens e mulheres de fé hoje. É impossível não se lembrar das palavras do Senhor:
Quando vier o Filho do Homem, achará fé na terra?
Abraão é o padrão.
O justo viverá pela fé.
As ilustrações do Novo Testamento tratam da fé de Abraão — uma fé como a de Abraão, nosso pai.
Pensem em Moisés. Moisés tinha um título que considero extraordinário. Amo títulos assim. Ele era chamado de Moisés, o homem de Deus. Pensem nisso.
Imagino que, se no fim da sua vida alguém dissesse a seu respeito: “Jerry, o homem de Deus”, você sentiria ao menos certa satisfação por ter vivido bem. Mas, repetidas vezes, diz-se de Moisés: “Moisés, o homem de Deus”. E, por fim, Deus diz diretamente:
Moisés, Meu servo.
Moisés, o servo de Deus.
Em Hebreus, conclui-se que o aspecto importante desse serviço era que Moisés foi fiel em toda a Sua casa. Fico pensando: o resumo de um homem de Deus, de um servo de Deus, não é justamente este — será ele fiel? Fiel em toda a Sua casa.
Foi até aí que chegamos, e hoje vamos começar a considerar Davi.
Acho que Davi é um personagem de quem temos uma visão completa. Às vezes, quando olhamos para um homem, não é tão bonito ter uma visão completa dele. Acho que o mesmo vale para Davi. Não sei se quero que vocês tenham uma visão completa de mim.
Mas Davi foi um personagem extraordinariamente complexo e multifacetado. Não podemos entrar em toda essa complexidade. Dissemos que o encargo original consistia em fazer um esboço desses personagens — uma ministração, um esboço, e não um retrato completo.
Outra coisa que dissemos, uma impressão que foi colocada em meu coração, é que cada um desses personagens — e isso deve encorajar vocês e a mim — tinha falhas. Ainda assim, Deus os escolheu e os usou para o Seu propósito.
Irmãos e irmãs, não sei quanto a vocês, mas isso me traz grande encorajamento. Pensem em Davi. F. B. Meyer disse que Davi foi um pecador abominável.
Agora, se vocês me chamassem de abominável, fosse no que fosse, acho que eu ficaria ofendido — passaria alguns dias de cara amarrada, talvez até gritasse com vocês. Quem sabe? Mas Davi foi um pecador abominável. Ainda assim, Deus o escolheu. Deus o usou para cumprir o Seu propósito. Precisamos ter isso em mente.
Davi foi pastor, músico, soldado, rei, marido, pai e pecador. Puxa, vemos um retrato completo desse homem.
Ao falarmos de Davi nesta manhã, não estou interessado apenas em examinar um registro histórico. Vocês podem fazer isso, e acho que há muito proveito nisso. Na verdade, se não fizerem isso, não sei como poderão extrair as preciosidades de uma vida.
Mas vocês precisam ir além do registro histórico desses personagens. Precisam enxergar o coração deles. Precisam ver que característica Deus usou. O que Deus viu neles para que pudesse escolhê-los e usá-los para o Seu grande propósito?
Dessa maneira, isto não é apenas um estudo histórico. É, na verdade, uma aplicação: o que Deus procura em uma vida? O que Ele busca na sua vida e na minha? Não se trata apenas da vida de Davi, de Abraão, de Moisés ou de Paulo. O que Ele está procurando?
Se pudermos extrair alguns desses princípios — aquilo que Ele procura —, talvez sejamos ajudados a enxergar o que Deus busca no homem.
Não se pode considerar um personagem do Antigo Testamento e seu impacto no Antigo Testamento sem considerar Davi. Não se pode. Ele ocupa uma posição da mais elevada honra no Antigo Testamento.
Dean Stanley disse que nenhum outro personagem se compara a Davi na complexidade de seus elementos: sua paixão, sua ternura, sua generosidade e sua ferocidade. Um personagem complexo.
Conhecemos os detalhes; conhecemos sua vida. Devemos considerar os aspectos significativos dela. Sua relevância nas Escrituras é tão grande que nunca a enfatizaríamos demais.
Pensem no nome Davi. Significa amado, amado do Senhor, ou Seu amado. Ele é o único na Bíblia que tem esse nome.
Sei que vocês poderiam argumentar comigo e dizer: “E quanto a Filho de Davi?” Bem, ainda assim, Davi é o único na Bíblia com esse nome, e ele significa amado do Senhor, ou Seu amado.
Creio, irmãos e irmãs, que isso não é verdade apenas a respeito de Davi. Quando Paulo escreveu aquela grande epístola aos Romanos, chamou-os, na introdução, de amados de Deus, chamados santos — Romanos 1:7, acho, se vocês quiserem conferir direitinho. Não dependam da minha memória.
Cada um de nós é amado de Deus, não apenas Davi. Cada um de nós é amado. Podemos acabar pensando: “Davi, Abraão, Moisés — esses grandes patriarcas —, eles eram os amados de Deus”.
Certamente podemos pensar em Daniel. Quando ele concluiu sua oração em Daniel 9, foi-lhe dito:
Tu és muito amado.
Mas vocês sabem que também são muito amados? Vocês foram chamados, assim como os crentes de Roma. Foram escolhidos, assim como os crentes de Roma. Ele quer usá-los, assim como os crentes de Roma, para cumprir o Seu propósito.
Salmos 78:70-71 diz isto, falando de Deus:
E escolheu Davi, Seu servo,
e o tirou dos apriscos das ovelhas;
de após as ovelhas que amamentavam, Ele o trouxe,
para apascentar Jacó, Seu povo, e Israel, Sua herança.
Ele escolheu Davi. O texto diz:
Ele buscou para Si um homem.
Esse é o principal versículo sobre Davi: Deus buscou um homem. Em Salmos 78, Ele escolheu Davi. Bem, Ele nos escolhe, e é isso que precisamos ter em mente.
Por que Saul foi rejeitado e Davi foi escolhido? Pensem nisso. Creio que tudo se resume a uma coisa: seu coração.
Saul era um homem da carne. Em todos os aspectos, ele se destacava. O povo o queria. Deus permitiu. Ele era mais alto do que todos os outros, dos ombros para cima. Era um homem admirado pelos homens. Parecia ser o rei perfeito, mas era um homem da carne, e seu coração acabou não sendo reto.
Assim, no fim, Saul foi rejeitado e Davi foi escolhido. Quando se trata de Davi, é, antes de tudo, uma questão de coração.
Outra coisa sobre a relevância de Davi: suas últimas palavras estão registradas em 2 Samuel 23:1-7. Não vamos ler o texto, mas ele se refere a si mesmo como o suave salmista de Israel. Esse foi o título que deu a si mesmo.
Se vocês já são cristãos há algum tempo, começam a apreciar o valor dos Salmos. Davi provavelmente escreveu metade dos Salmos. Dos 150 salmos, acredita-se que Davi escreveu 73. Bem, isso é quase a metade.
Eu faço matemática avançada — não como Jim, receio. Adoro essas palavras: cálculo, derivadas, equações diferenciais parciais. Não digo que entendo, mas adoro. Então, 75 seria a metade — matemática avançada.
Mas Davi escreveu os Salmos, e, por meio desses salmos, temos uma janela para a vida desse homem. Essa janela nos mostra, de maneira inequívoca, como era seu coração.
Muitos de nós não conseguiríamos adorar a Deus sem os Salmos. Conseguiríamos, mas vocês entendem: os Salmos nos têm ajudado. A adoração do próprio Davi tornou-se a nossa adoração.
Salmos 103:1-2 diz:
Bendize, ó minha alma, ao Senhor;
e tudo o que há em mim bendiga o Seu santo nome.
Bendize, ó minha alma, ao Senhor,
e não te esqueças de nenhum dos Seus benefícios.
Por meio da voz de Davi, muitos de nós nos tornamos adoradores. Muitos de nós não saberíamos como orar se não fosse por Davi.
Vocês se lembram daquele salmo de arrependimento, Salmos 51, depois daquele grande pecado com Bate-Seba. Quantas vezes vocês foram levados a fazer da oração de Davi a sua própria oração?
Salmos 51:10 diz:
Cria em mim, ó Deus, um coração puro;
e renova dentro de mim um espírito firme.
Quantas vezes deveríamos orar assim! Muitos de nós não saberíamos como nos arrepender devidamente se não fosse por Davi. Salmos 51:4 é tão direto. É a essência do que o pecado faz:
Contra Ti, contra Ti somente, pequei,
e fiz o que é mau aos Teus olhos.
Muitos de nós jamais conheceríamos a bênção do perdão se não fosse por Salmos 32:1, de Davi:
Bem-aventurado aquele cuja transgressão é perdoada,
cujo pecado é coberto.
Diz-se que Salmos 32 estava escrito nas paredes do quarto de Agostinho. Ele conhecia a bênção do perdão.
Lembro-me de quando fui salvo, quando era jovem — os jovens gostam de dizer “hippie cabeludo” — e tinha vinte anos. Na noite em que fui salvo, não consigo explicar a vocês, mas isto ficou gravado de maneira inequívoca em minha memória: o sentimento, a sensação de estar limpo, de ter os pecados removidos e aquele fardo levado embora, e a alegria no espírito naquele momento.
Davi disse:
Bem-aventurados aqueles cuja transgressão é perdoada.
Pensando na relevância de Davi, o Novo Testamento começa com um versículo sobre ele:
Livro da geração de Jesus Cristo, Filho de Davi, Filho de Abraão.
— Mateus 1:1
É assim que o Novo Testamento começa. Agora, acho isso estranho. Acho que Mateus errou. Não entendo o que Mateus estava pensando. Ele não sabia que Abraão veio antes de Davi? Como poderia errar tanto?
Livro da geração de Jesus Cristo, Filho de Davi. Isso está ali por uma razão. Esse homem ocupa um lugar significativo nas Escrituras, ao qual devemos prestar atenção e cujo exemplo devemos procurar seguir.
Até quando o Senhor encerrou o livro — Seu último testemunho a respeito de Si mesmo em Apocalipse 22:16 —, Ele disse:
Eu, Jesus, enviei o Meu anjo para vos testificar estas coisas nas igrejas.
Eu sou a raiz e a descendência de Davi, a brilhante estrela da manhã.
A última coisa que Ele disse a respeito de Si mesmo. Puxa, devemos prestar atenção nisso.
Mas, acima de tudo, se não enxergarmos o coração de Davi, não compreenderemos nada a respeito desse homem. Lembrem-se daquelas palavras em 1 Samuel. Deus está dizendo:
Busquei um homem.
Salmos 78 diz:
Escolhi Davi.
E Ele diz:
Um homem segundo o Meu coração.
O coração é a chave para compreender Davi. É sua característica mais significativa. Se vocês enxergarem todos os seus atos e não enxergarem o coração, perderão a essência. Se enxergarem seus pecados e não enxergarem o coração, perderão o que Deus tem a dizer.
Aqui está o problema de Saul, e aqui está o problema dos irmãos de Davi. Jessé, pai de Davi, tinha oito filhos. Quando Samuel foi chamado para ungir aquele que seria rei, apenas sete foram trazidos à sua presença. Davi foi deixado para trás e recebeu tão pouca consideração.
Vocês conseguem imaginar? Não sei se vocês tinham sete filhos, dois ou três, mas, se saíssem de férias e levassem dois filhos quando tinham três, deixando um em casa — conseguem imaginar?
Mas onde eu estava? Nos filhos de Jessé, certo? Vocês se lembram de Eliabe? Ah, ele se destacava. Até Samuel foi enganado. Samuel disse: “É este o homem. É ele. É perfeito”. Parecia mesmo que aquele era o escolhido.
Mas o Senhor precisou corrigi-lo com estas palavras, em 1 Samuel 16:7:
Não atentes para a sua aparência, nem para a altura da sua estatura; porque o rejeitei:
pois o Senhor não vê como vê o homem;
porque o homem olha para a aparência exterior, mas o Senhor olha para o coração.
Aí está a chave. Se vocês a perderem, perderão tudo a respeito de Davi. Deus olha para o coração. Essa é a característica mais proeminente de Davi.
Logo Samuel disse: “É só isso? Já passamos pelos sete. Não há mais ninguém?” Ah, Jessé se lembrou do pequeno Davi, lá no campo com as ovelhas — esquecido até pelo próprio pai.
Não é de admirar que o próprio salmo de Davi diga:
Quando meu pai e minha mãe me desampararem,
então o Senhor me acolherá.
Ele sabia disso. Era sua experiência.
Então, irmãos e irmãs, Deus olha para o coração. Acho que há uma palavra que define o coração de Davi: paixão. Acho que Dean Stanley acertou ao escolher essa palavra como sua primeira descrição de Davi — sua paixão.
Usamos esta expressão quando falamos das pessoas: “Ele ou ela é todo coração”. Às vezes, queremos dizer isso de maneira sentimental. Mas, de fato, Davi era todo coração. Davi era cheio de paixão.
A razão pela qual Deus pôde escolhê-lo, a razão pela qual Deus pôde usá-lo, foi sua paixão. Paixão tornou-se uma palavra malvista. Não sei quem se apropriou dessa palavra e a roubou, mas, em nossa geração, isso parece estar acontecendo muito.
Mas paixão simplesmente se refere às coisas profundas que estão em seu coração. Refere-se às coisas que se destacam em seu coração, às coisas que ocupam o primeiro lugar em seu coração, às coisas que se sobrepõem a todas as outras em seu coração. Isso é paixão.
Davi não era perfeito. Acho que já lhes disse isso. Mas as Escrituras dizem que ele tinha um coração perfeito para com Deus. Agora, pensem nisso. Isso não os encoraja?
Pensamos que Deus está procurando perfeição. Deus não está procurando perfeição. Se estivesse, não teria escolhido vocês nem a mim. Ele está procurando um coração cheio de paixão. Essa é a diferença. Era isso que Davi tinha.
Quero que consideremos, no pouco tempo que nos resta, três paixões. Ao meditar ao longo dos anos e pensar: “Por que Davi ocupa um lugar tão significativo diante de Deus e nas Escrituras, a ponto de o Senhor Jesus dizer: ‘Eu sou a raiz e a descendência de Davi’?”, parece-me que tudo se resume a estas três coisas:
Para mim, esse é um breve esboço da vida de Davi. Vocês podem encaixar tudo nessas categorias. Talvez tenham uma visão mais ampla e melhor do que a minha, mas, ao menos, podem compreender Davi a partir dessas três perspectivas.
Agora, vamos considerar a primeira: uma paixão pelo próprio Deus. Creio que esse é um elemento essencial que falta em grande parte do cristianismo hoje. Muitos de nós não temos uma paixão pelo próprio Deus. Mas Davi, de fato, tinha uma paixão pelo próprio Deus.
A paixão é essencial para o sucesso neste mundo. Muitas vezes, falamos de pessoas apaixonadas pelo que fazem. Não é diferente na economia de Deus. A paixão é essencial, e a paixão essencial é pelo próprio Deus.
Se vocês deixarem de fora essa paixão, não poderão ser alguém que Deus escolhe. Não poderão ser alguém que Deus usa para o Seu propósito. Isso, para mim, revela como era Davi.
Não eram apenas as coisas de Deus. Não era apenas aquilo que Deus fazia por ele. Não eram apenas os benefícios, os livramentos ou as vitórias. Era uma paixão pelo próprio Deus.
Irmãos e irmãs, se eu puder deixar alguma impressão em vocês hoje, ao me sentar, espero que esse pensamento fique profundamente gravado em seu espírito, porque acho que é a coisa mais importante. Deixem-me colocar assim: creio que essa é a joia que coroa um coração voltado para Deus.
Se vocês negligenciarem isso, mesmo que façam todas as outras coisas, prestem todo o restante do serviço e tenham toda a doutrina correta, deixarão de compreender o coração de Deus e, certamente, o impacto de Davi.
Muitos de nós podemos dizer que conhecemos a direção do Espírito. Acho que muitos nesta sala poderiam dizer isso. Às vezes, algumas pessoas dizem isso, quer conheçam essa direção, quer não.
As pessoas vêm a mim e dizem: “O Senhor me dirigiu a fazer isto”. Sempre recuo um pouco e penso: “O que vou dizer?” Elas vêm pedir aconselhamento e dizem: “O Senhor me dirigiu a fazer isto”. Bem, eu logo digo: “Então é melhor fazer. Para que você veio? Qual é o propósito de ter vindo?”
Mas normalmente digo: “Certifique-se de que foi o Senhor Quem o dirigiu”.
Todos nós conhecemos a direção do Espírito, mas ouçam o que Davi disse. Esta é a paixão pelo próprio Deus. Em Salmos 23:1, o salmo do pastor — todos o conhecem —, Davi disse:
O Senhor é o meu pastor; nada me faltará.
Davi não disse apenas: “O Espírito de Deus me dirigiu. Percebi Sua direção aqui e ali. Ele me conduziu por aquele lugar”. Ele disse enfaticamente:
O Senhor é o meu pastor.
Vocês conseguem perceber a diferença? Há uma diferença.
Essa era a chave da vida de Davi.
Muitos crentes, espero que todos os crentes, podem dizer: “Sou salvo”. Certamente, vocês devem saber se são salvos e ter a certeza da salvação. Se não sabem, em primeiro lugar, como devem ser infelizes; e, em segundo lugar, duvido que sejam cristãos. Vocês precisam da certeza da salvação.
Muitos crentes podem dizer: “Sou salvo”, mas o que Davi disse em Salmos 27:1?
O Senhor é a minha luz e a minha salvação;
a quem temerei?
Vocês percebem a diferença? Ele não disse apenas: “O Senhor me salvou”. Ele disse:
O Senhor é a minha salvação.
Isso é diferente. Isso é uma paixão pelo próprio Deus.
Muitos podem dizer que encontraram força no Senhor, graças a Deus. Quantas vezes vocês conheceram a misericórdia do Senhor ao livrá-los quando estavam em uma situação difícil? Todos nós conhecemos momentos em que achávamos que não conseguiríamos passar por aquilo — quase não sabíamos se conseguiríamos.
Mas, no fim, vocês puderam se alegrar no Senhor e dizer: “O Senhor me livrou daquela situação”. Muitos podem dizer isso. O Senhor os fortaleceu em muitas horas sombrias.
Mas foi isto que Davi disse, também em Salmos 27:1:
O Senhor é a força da minha vida;
de quem me recearei?
Vocês percebem a diferença? O Senhor é a força da minha vida. Que paixão pelo próprio Deus!
Acho isso tremendo. Davi provavelmente foi o homem mais perseguido da história. Vocês podem argumentar que Osama bin Laden também estaria entre os primeiros. Deus o abençoe — ele já se foi. Desculpem a referência à política.
Davi foi perseguido por Saul. Saul foi levado à loucura. Vocês se lembram de quando as mulheres cantaram aquela pequena canção:
Saul feriu os seus milhares,
e Davi, os seus dez milhares.
Isso levou Saul à loucura. Traziam Davi dos campos, de junto das ovelhas, e o deixavam cantar e tocar sua lira. Aquela coisa demoníaca que vinha sobre Saul se acalmava, e Saul voltava ao seu estado normal.
Então Saul lançou sua lança contra Davi — não uma vez, mas duas —, e Davi foi livrado. Saul, movido pelo ciúme, perseguia Davi. Davi já havia sido ungido rei, mas vivia fugindo e morando em buracos e cavernas, na caverna de Adulão com os quatrocentos homens.
Ele foi perseguido até pelo próprio filho, Absalão. Uma coisa é o velho Saul, cheio de ciúme, lançar lanças contra mim e tentar me matar. Outra coisa completamente diferente é meu filho estar caçando a minha cabeça. Perseguido. Muito perseguido. Grandes dificuldades.
Ainda assim, Davi fez esta grande descoberta em Salmos 18:2:
O Senhor é a minha rocha, a minha fortaleza e o meu libertador;
meu Deus, minha rocha, em Quem me refugiarei;
meu escudo, a força da minha salvação e minha torre alta.
Foi isso que ele descobriu. Isso é uma paixão pelo próprio Deus.
Muitos poderiam dizer: “O Senhor me deu isto, e o Senhor me deu aquilo”, e seria verdade. Mas Davi fez uma descoberta preciosa a respeito do próprio Senhor. Pergunto-me se nós também a fizemos.
Salmos 142:5 diz:
A Ti clamei, ó Senhor:
disse: Tu és o meu refúgio,
a minha porção na terra dos viventes.
Minha porção na terra dos viventes.
Pedi a Ken que cantasse um coro que significou tanto para nós nos primeiros anos. Costumávamos cantá-lo o tempo todo. Perdoem-me se vocês acham que, por estarmos aqui há tanto tempo, pensamos que já entendemos tudo. Não entendemos. Eu jamais insinuaria isso.
Mas posso lhes dizer que houve uma descoberta a respeito do Senhor — o próprio Deus ser a nossa paixão — que foi real. Lembro-me de que nos reuníamos e, às vezes, no Espírito, simplesmente cantávamos ao Senhor:
Ó Senhor, Tu és nossa porção,
o Cristo e Rei que há de vir;
de toda a Tua graça e glória
para sempre havemos de cantar.
Pois em breve serás coroado
em poder e majestade.
Ó Senhor, Tu és nossa porção
por toda a eternidade.
Cantávamos isso repetidas vezes, e aquilo tinha significado.
Eu vim de um contexto carismático e me lembro de grandes bênçãos. Não quero diminuir aquilo que o Senhor me deu e me mostrou, mas lembro-me da primeira vez em que compartilharam comigo: “Ele mesmo”. O que isso significou para nós como um grupo de irmãos! Era uma paixão pelo próprio Deus.
Lembro-me de como costumávamos cantar e ler:
Antes era a bênção,
agora é o Senhor;
antes era o sentimento,
agora é a Sua Palavra;
antes eu queria o Seu dom,
agora tenho o Doador;
antes eu buscava a cura,
agora somente Ele.
Irmãos e irmãs, esse era Davi. É isso que, creio eu, Deus está procurando.
Davi expressou isso desta maneira em Salmos 27:4:
Uma coisa pedi ao Senhor, e a buscarei:
que eu possa habitar na casa do Senhor todos os dias da minha vida,
para contemplar a beleza do Senhor
e inquirir no Seu templo.
Vocês podem dizer isso?
Uma coisa desejei.
Não sei. Ao longo dos anos, tive algum vislumbre disso, e esse versículo marcou profundamente meu coração.
Esse era alguém que tinha uma paixão pelo próprio Deus e podia dizer:
Uma coisa desejei; essa buscarei.
Vocês podem desejá-la, mas irão buscá-la como ouro e prata — persegui-la?
Seu desejo era habitar na casa do Senhor todos os dias de sua vida, com este único propósito: contemplar a beleza do Senhor.
Irmãos e irmãs, acho que isso é o primeiro amor. Muitas vezes, perguntamo-nos o que o Senhor quis dizer quando repreendeu a igreja de Éfeso em Apocalipse 2:
Deixaste o teu primeiro amor.
Creio que é isto.
Não é tão complicado. O serviço deve continuar. O trabalho deve continuar. Os estudos devem continuar. Todas essas coisas são boas, mas, se perdemos essa paixão pelo próprio Deus, o que resta? Para mim, esse é o primeiro amor, e é isso que Ele está procurando.
Davi não tinha apenas uma paixão pelo próprio Deus; ele tinha uma paixão pela casa de Deus. Talvez vocês não achem isso importante, mas, se pensam que não é importante, terão de cortar a maior parte da vida de Davi.
Isso entrou cedo em seu coração. Ele era um pastor no campo. Vocês se lembram daquele grande salmo do pastor, Salmos 23. Como ele o concluiu?
Certamente que a bondade e a misericórdia me seguirão
todos os dias da minha vida;
e habitarei na casa do Senhor
para sempre.
Irmãos e irmãs, ele poderia ter dito qualquer coisa. Poderia ter concluído aquela obra-prima da literatura — mesmo que vocês a vejam apenas assim — com qualquer coisa. Mas concluiu com esta única coisa: que habitaria na casa do Senhor para sempre.
Vejam Salmos 84:1. Este é um salmo que Davi escreveu para os filhos de Corá:
Quão amáveis são os Teus tabernáculos,
ó Senhor dos Exércitos!
Agora, “amáveis” é uma palavra que alguns de nós não usamos muito nesse sentido. Nunca acordo de manhã e digo: “Linda, você está amável”. Ela talvez me bata. Mas significa simplesmente: “Quão belos”.
Salmos 84:2 diz:
A minha alma anseia, sim, desfalece
pelos átrios do Senhor:
o meu coração e a minha carne clamam
pelo Deus vivo.
Se vocês não acham que isso está falando de paixão, não entenderam o ponto. Nós dizemos: “Senhor, quão belos são os Teus átrios! Quão bela é a Tua casa! Meu coração, minha carne clamam. Minha alma anseia pelos átrios do Senhor”?
A maioria das pessoas compreende o cristianismo no contexto da própria vida e do próprio relacionamento com o Senhor Jesus. Irmãos e irmãs, estou lhes dizendo: isso não é suficiente.
É importante. É vital. Vocês não podem viver sem um relacionamento pessoal, comprometido e profundo com o Senhor Jesus no Espírito. Não podem viver sem isso. É indispensável.
Mas não podem cortar a outra metade daquilo que está no coração de Deus: Seu anseio por uma habitação. Essa é uma paixão que entrou nos pensamentos daquele jovem pastor enquanto ele contemplava os céus, olhava para as estrelas e para as maravilhas que Deus havia feito.
Isso entrou em seu coração. Ninguém lhe falou dessa casa de Deus. Creio que, à medida que nos aproximamos do Senhor, Ele começa a compartilhar conosco Seus segredos.
Somos Seus amigos. Vocês se lembram de Abraão, o homem de fé. O Senhor disse:
Por que esconderia Eu de Abraão o que faço?
Tiago chamou Abraão de amigo de Deus.
Deus revelou Seus segredos mais profundos a Abraão. Moisés, o homem de Deus, falava face a face com Deus. Quando vocês leem sobre a vida de Moisés, encontram repetidas vezes: “Deus falou a Moisés”. Ele tinha um relacionamento face a face.
No monte, na sarça ardente, Ele falou face a face com Moisés e compartilhou Seus segredos mais profundos. Muitas pessoas acreditam que, quando Moisés subiu ao monte Horebe, tudo dizia respeito à lei. Mas essa era apenas uma parte.
Deus disse:
E Me farão um santuário;
para que Eu habite no meio deles.
— Êxodo 25:8
Esse era o Seu segredo. Ele o compartilhou com o homem de Deus.
No Novo Testamento, somos amigos de Deus. Lembrem-se do Senhor Jesus, antes de partir, em João 15. Ele disse aos Seus discípulos:
Eu vos chamo amigos.
Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor.
Compartilhei convosco tudo o que o Pai compartilhou Comigo.
Seus segredos.
Irmãos e irmãs, acho que o segredo que Ele compartilhou com Davi foi essa questão da casa de Deus.
Vocês se lembram da história em 1 Crônicas 17:1-2:
E aconteceu que, habitando Davi em sua casa, disse ao profeta Natã:
Eis que eu habito em uma casa de cedros,
mas a arca da aliança do Senhor habita debaixo de cortinas.Então Natã disse a Davi:
Faze tudo o que está em teu coração;
porque Deus é contigo.
Era isso que estava em seu coração: construir um templo para a casa de Deus.
Vejam 2 Crônicas 6:7-8. Aqui é Salomão falando de seu pai, Davi:
Ora, estava no coração de Davi, meu pai,
edificar uma casa ao nome do Senhor, Deus de Israel.
Mas o Senhor disse a Davi, meu pai:
Porquanto estava em teu coração edificar uma casa ao Meu nome,
bem fizeste em ter isso no teu coração.
Aqui é Deus falando. Foi bom que isso estivesse em seu coração. Mais tarde, Deus explicou: “Não compartilhei isso com homem algum”. Mas Davi, como amigo de Deus que tinha uma paixão pelo próprio Deus, aproximou-se de Deus, e Deus compartilhou com ele o segredo mais profundo de Seu coração.
Foi como o Senhor Jesus em Cesareia de Filipe. John compartilhou recentemente sobre isso. Ele compartilhou os segredos mais profundos. Foi um ponto de virada.
Se vocês não compreenderem Mateus 16 como um ponto de virada no Evangelho, não compreenderão o Evangelho de Mateus. Quando o Senhor Jesus parou Seus discípulos e perguntou: “Quem dizem os homens que Eu sou?”, Pedro recebeu a revelação:
Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.
Essa era a coisa mais profunda no coração de Deus. Então o Senhor compartilhou outra coisa das mais profundas em Seu coração:
Pedro, tu és uma pedra.
Essa pedra Eu escolhi. Essa pedra Eu usarei.
Sobre essa rocha edificarei a Minha igreja,
e as portas do Hades não prevalecerão contra ela.
Foi isso que Ele compartilhou — um ponto de virada, o que havia de mais profundo em Seu coração.
Outro dia, estávamos conversando sobre a conferência de duas edições atrás. Não sei se vocês são como eu; a gente tende a esquecer as mensagens. Mas nunca esquecerei Stephen compartilhando sobre Mateus 16. Ele compartilhou que o Senhor Jesus revelou aquilo que ocupava o lugar mais proeminente em Seu coração.
Foi isso que Davi viu. Temos uma paixão pela casa de Deus? Acho que isso é essencial.
Por fim, Davi tinha uma paixão pelo propósito de Deus. Já li o versículo em Atos:
Pois Davi, depois de ter servido ao propósito de Deus em sua própria geração, adormeceu e foi sepultado junto de seus pais.
— Atos 13:36
Irmãos e irmãs, às vezes palavras demais obscurecem a realidade. Acho que o resumo de Davi no Novo Testamento está nesse único versículo. Qual era sua paixão suprema? Ele serviu ao propósito de Deus em sua geração.
Agora, deixem-me lhes dizer uma coisa. Sei que já ouviram isso antes, mas esta é a única vida que vocês têm. Ela passou tão depressa! Eu era um rapaz quando cheguei aqui, aos vinte anos — quarenta e dois anos atrás. Um rapaz. Não consigo lhes dizer para onde foram esses quarenta e dois anos, mas, puxa, eles se foram.
Vocês têm uma vida. Outro dia, ouvi um irmão pregando dizer: “Vocês não têm uma segunda tentativa”. É só esta.
Às vezes, gosto de ter uma segunda tentativa. Toda vez que vou ao campo de golfe, normalmente na primeira saída, quando estou tão tenso, tão enrolado como um elástico esticado, a bola sai disparada para o mato. Eu digo: “Posso tentar de novo, por favor? Um mulligan, só um. É tudo o que peço neste buraco”.
Vocês não têm uma segunda tentativa.
Davi sabia de uma coisa. Sabia que, em sua geração, a única coisa que queria fazer, a única paixão que estava em seu coração, era servir ao propósito de Deus em sua geração.
Irmãos e irmãs, esse é o seu legado. Que legado!
Digo às pessoas o tempo todo: gostaria que alguns dos meus colegas dissessem: “Ele era um bom engenheiro”. Gostaria que meus amigos dissessem: “Ele era um sujeito muito bom”. Certamente, eu detestaria que meus filhos dissessem: “Ele era péssimo”.
Mas, puxa, se pudessem dizer de mim — e de vocês — como disseram de Davi: “Ele serviu ao propósito de Deus em sua geração e depois adormeceu”, creio que teríamos de concluir que essa foi uma vida bem vivida.
Creio que esse é o legado de Davi.
Deus disse: “Busquei um homem”. Deus disse: “Encontrei um homem”. Em Salmos 78, Ele diz: “Escolhi um homem”, e esse homem era Davi. Ele escolheu esse homem. Usou esse homem. Por meio desse homem, cumpriu a Sua vontade.
Agora, irmãos e irmãs, temos essa paixão pelo próprio Deus? Vou resumir isso em três pontos. Se vocês não conseguirem se lembrar de todas as outras coisas — e sei que é difícil; é por isso que faço anotações —, isso ajuda a se concentrar e a voltar ao que foi dito.
Temos uma paixão pelo próprio Deus? Não apenas pelas coisas de Deus, não apenas pelas bênçãos, não apenas pelos livramentos, mas pelo próprio Deus?
Temos uma paixão pela casa de Deus, ou isso está meio fora do nosso repertório? Pensamos apenas em mim e em Deus? A comunhão é gloriosa. Vou lhes dizer uma coisa: quando são apenas vocês e Deus, a comunhão é sempre gloriosa.
A vida da igreja não é o lugar mais fácil para viver, mas é a paixão de Deus. Ele a compartilha com Seu amigo e está procurando aqueles que têm isso no coração. Ele dirá a respeito deles:
Foi bom que isso estivesse em teu coração.
Então, a última pergunta é: temos uma paixão pelo propósito de Deus? Temos?
Minha oração é que, de alguma maneira, a tenhamos. Se vocês sentem que estou falando de cima para baixo, não estou. Estou junto com vocês. Por favor, não fiquem com essa impressão.
Mas quero lhes dizer: façamos desta a nossa oração: “Senhor, em nossa geração, podemos servir ao Teu propósito?” Isso será suficiente.
Vocês podem ter muitas outras bênçãos, muitas outras provações, muitas outras experiências, mas, se esse for o legado de sua vida, vocês serão pessoas que Deus escolhe e pessoas que Deus usa para cumprir o Seu propósito.
Pai, simplesmente entregamos estas palavras a Ti. Sabemos que somente o Espírito Santo pode tomar palavras e torná-las reais. Mais uma vez, suplicamos a Ti pela Tua unção, para fazer o que não podemos fazer — de alguma maneira, tornar viva a Tua Palavra.
Que ela se apodere de nós como se apoderou daquele jovem pastor, que foi escolhido e usado de maneira tão grandiosa.
Queremos novamente nos oferecer a Ti. Sabemos que, de alguma forma, como acontece na vida, nossa paixão morre. Senhor, Tu és um Deus disposto a renovar nossa paixão.
Por isso, dizemos:
Renova em nós um espírito reto.
Faze com que seja assim conosco, como foi com Davi.
Mais uma vez, nos oferecemos a Ti pelo Espírito de Deus, para que faças esta obra em nós. Em resposta, nós Te oferecemos louvor e adoração.
Em Teu precioso nome. Amém.