Vocês poderiam abrir comigo em 1 Samuel 12? Vamos ler a partir do versículo 19.
E todo o povo disse a Samuel: Roga pelos teus servos ao Senhor, teu Deus, para que não morramos; porque a todos os nossos pecados temos acrescentado este mal, de pedirmos para nós um rei.
Então disse Samuel ao povo: Não temais; vós tendes cometido todo este mal; contudo, não vos desvieis de seguir o Senhor, mas servi ao Senhor com todo o vosso coração:
E não vos desvieis; pois seguiríeis coisas vãs, que não podem aproveitar nem livrar, porque são vãs.
Pois o Senhor não desamparará o Seu povo, por causa do Seu grande nome, porque aprouve ao Senhor fazer de vós um povo para Si.
E, quanto a mim, longe de mim que eu peque contra o Senhor, deixando de orar por vós; antes, vos ensinarei o caminho bom e direito.
Tão somente temei ao Senhor e servi-O em verdade, com todo o vosso coração; pois considerai quão grandes coisas Ele vos tem feito.
Porém, se perseverardes em fazer o mal, perecereis, tanto vós como o vosso rei.— 1 Samuel 12:19-25
Agora, vamos abrir no livro de Atos, os Atos dos Apóstolos, no capítulo 4, a partir do versículo 23.
E, tendo sido soltos, foram para os seus e relataram tudo o que os principais sacerdotes e os anciãos lhes haviam dito.
E, ouvindo eles isso, levantaram unanimemente a voz a Deus e disseram: Ó Senhor, Tu que fizeste o céu, a terra, o mar e tudo o que neles há:
Que, pelo Espírito Santo, por boca de nosso pai Davi, Teu servo, disseste: Por que se enfureceram os gentios, e os povos imaginaram coisas vãs?
Os reis da terra se levantaram, e os governantes se ajuntaram contra o Senhor e contra o Seu Ungido:
Porque, verdadeiramente, nesta cidade se ajuntaram contra o Teu santo Servo Jesus, a Quem ungiste, tanto Herodes como Pôncio Pilatos, com os gentios e os povos de Israel,
Para fazerem tudo o que a Tua mão e o Teu conselho predeterminaram que se fizesse.
Agora, pois, Senhor, atenta para as suas ameaças; e concede aos Teus servos que anunciem a Tua palavra com toda a ousadia,
Enquanto estendes a Tua mão para curar; e para que se façam sinais e prodígios pelo nome do Teu santo Servo Jesus.
E, tendo eles orado, moveu-se o lugar em que estavam reunidos; e todos foram cheios do Espírito Santo e anunciavam a palavra de Deus com ousadia.— Atos 4:23-31
Por último, abram no último livro da Bíblia, Apocalipse. Vamos ler no capítulo 8, a partir do versículo 3.
E veio outro anjo e pôs-se junto ao altar, tendo um incensário de ouro; e foi-lhe dado muito incenso, para que o acrescentasse às orações de todos os santos sobre o altar de ouro que estava diante do trono.
E da mão do anjo subiu diante de Deus a fumaça do incenso, com as orações dos santos.
E o anjo tomou o incensário, encheu-o do fogo do altar e o lançou sobre a terra: e houve trovões, vozes, relâmpagos e um terremoto.— Apocalipse 8:3-5
Apenas mais uma palavra de oração.
Amado Senhor, estamos tão felizes por estar aqui nesta noite. Tu tens estado tão presente conosco, falando a nós em cada uma destas reuniões. Nós Te agradecemos, Senhor. É a Tua misericórdia e a Tua graça.
E agora, Senhor, chegamos a esta noite. Já oramos por ela. Agora, querido Senhor, tudo o que queremos Te dizer é que, sem essa unção, nada podemos fazer — nem ao falar, nem ao ouvir. Mas, quando a unção está presente, então ouviremos a Tua voz.
E, Senhor, de uma maneira muito real, nossos corações serão tocados. Tu vês os dias em que estamos vivendo: a confusão, as trevas, a deterioração, a paganização que está acontecendo por todos os lados. Senhor, precisamos de Ti.
Alcança-nos nesta noite. Nós Te pedimos isso em nome de nosso Senhor Jesus, o Messias. Amém.
Bem, creio que vocês não precisam que eu lhes diga que o tema destes encontros tem sido, muito simplesmente, a nossa necessidade de estar ligados ao Senhor no céu, especialmente quando há um ponto de transição na história divina.
Vários de nós falaram diversas vezes sobre esses pontos de transição — seja com Abraão, Moisés, Samuel, Davi, João Batista ou, antes de João Batista, Daniel. Há também outros, como Neemias e Esdras, que representaram pontos de transição menores, mas muito reais, no propósito divino.
Agora, espero que tenhamos recebido algo destas reuniões. Minha responsabilidade tem sido falar sobre Samuel. Samuel ocupa uma posição muito elevada na tradição judaica. É realmente impressionante o quanto se atribui a Samuel, e já falei a vocês sobre isso.
Nesse ponto de transição, Samuel foi o homem que o Senhor usou. Já falei sobre as três totalidades. Nós as vemos em Samuel:
Obrigado; alguém me ouviu da última vez. Obediência ao Senhor Jesus.
Deixem-me dizer uma coisa: se essas três totalidades estiverem presentes na vida de vocês, vocês não fracassarão. Estão no caminho para se tornar vencedores.
Não há como estar total e absolutamente comprometido com a pessoa do Senhor Jesus e não vencer. Não há como render a sua vontade — que tantas vezes é todo o problema que enfrentamos — à vontade Dele e não prosseguir até o fim. Você vencerá.
E, se você for totalmente obediente à voz Dele, às Suas ordens, certamente vencerá. É simples assim.
O engraçado é… bem, não é realmente engraçado. Para usar uma boa e antiga palavra inglesa, shakespeariana: trágico. O trágico é que fazemos uma enorme confusão com a nossa vida cristã.
Mal somos salvos, começamos a recuar diante de qualquer compromisso total com a pessoa do Senhor Jesus. Travamos batalhas em torno da nossa vontade — a minha vontade e a vontade Dele. Com quem devo me casar? Que carreira devo seguir? Onde devo morar? Como será o futuro?
A minha vontade e a vontade Dele podem ser duas coisas muito diferentes. Ficamos completamente confusos com isso porque temos, dentro de nós, uma guerra civil.
Vimos os resultados da guerra civil na Líbia e na Síria. Mas muitos cristãos têm uma guerra civil acontecendo em sua vida. Nunca renderam a sua vontade ao Senhor Jesus — nunca renderam a sua vontade à vontade Dele. O resultado é confusão, fracasso e derrota.
Procurei falar um pouco sobre tudo isso. Mas, nesta noite, quero tratar de mais uma questão. Ontem à noite, falei sobre o ministério ao Senhor.
Isso jamais poderá se cumprir na sua vida e na minha se esses três T não estiverem presentes. Posso profetizar, sem qualquer receio de ser contradito — pelo menos pelo céu —, que, se vocês não seguirem essas três totalidades, jamais ministrarão ao Senhor Jesus.
É impossível sem uma entrega total a Ele. Você precisa estar sob o Seu senhorio. Uma coisa é conhecê-Lo como Salvador; outra é conhecê-Lo como Senhor; e outra ainda é conhecê-Lo como Cabeça. Isso implica um corpo. Implica outros membros.
Tudo volta a essa questão. Falamos sobre o ministério ao Senhor: adorar o Senhor, servi-Lo verdadeiramente com amor. Isso é ministrar ao Senhor.
Ministério ao templo, ministério ao tabernáculo, ministério à obra, ministério ao sistema, à organização — nós nos envolvemos em todo tipo de coisa. Mas o ministério ao Senhor vem em primeiro lugar, acima de tudo, e é isso que vemos na vida de Samuel.
Ele era totalmente comprometido com o Senhor, totalmente rendido à vontade do Senhor e totalmente obediente ao Senhor. Ministrou ao Senhor desde pequeno, ao longo de toda a sua vida, até a morte.
Mas há mais uma questão, e é nela que quero me deter nesta noite. Agora, não percam o interesse assim que ouvirem sobre o que vou falar, porque muitos dizem: “Ah, ele não vai falar disso, vai?”
É a questão da intercessão.
Isso resplandece na vida de Samuel. Li o relato em que ele disse que não pecaria deixando de orar por um povo difícil e contradizente. Samuel é um dos maiores exemplos de intercessor na Palavra de Deus.
Infelizmente, essa palavra, intercessão, ou intercessor, foi desvalorizada. As pessoas falam de intercessão, mas o que realmente querem dizer é oração. A verdadeira intercessão está em outra dimensão.
Uma das maiores lições que aprendemos com a vida de Samuel é a sua intercessão. Ele era, acima de tudo, um intercessor.
Não podemos ignorar o fato de que todos aqueles que o Senhor usou em um ponto de transição — uma nova era, uma nova fase, uma nova época, seja qual for o nome que você dê — na história divina, todos eles foram intercessores. Não dá para ignorar isso. Isso salta aos olhos.
Abraão: Deus o chamou de “Meu amigo”. Chegou a dizer, em certa ocasião: “Ocultarei de Abraão o que vou fazer?” Vocês conhecem a história.
Quando o Senhor disse: “Estou farto do pecado e da iniquidade de Sodoma e Gomorra, e vou julgá-las”, Abraão começou a sua intercessão. Vocês conhecem a história.
É muito interessante. Ele foi baixando de cinquenta pessoas para quarenta e cinco, depois para quarenta. Foi uma negociação bem judaica: baixando mais um pouco — trinta, vinte. A cada vez, o Senhor dizia: “Se houver vinte pessoas, Eu Me conterei; não julgarei”.
Mas Abraão nunca chegou a cinco, e havia apenas cinco pessoas justas em Sodoma. Talvez fosse uma lição a aprender; isso eu não sei.
Moisés era um intercessor. O humor do Senhor é algo que me fascina. Quando eu era jovem, pensava que Deus não tinha senso de humor, mas descobri que Deus tem um enorme senso de humor.
Acho impressionante quando o Senhor disse a Moisés: “Afaste-se, Moisés. Vou destruir este povo. Estou farto deles: murmuradores, obstinados, criticando o tempo todo, nunca agradecidos pelo que fiz por eles. Afinal, Eu os tirei do Egito, virei todo o Egito de cabeça para baixo para salvá-los, e eles passam o tempo murmurando”.
Então Ele disse a Moisés, creio que com enorme senso de humor: “Está tudo bem, Moisés. Farei de você uma nova nação”. Ele sabia muito bem que estava colocando Moisés à prova.
Moisés não era uma pessoa comum — criado na casa de Faraó, instruído no mais alto nível no Egito, um herói militar. Aprendemos tudo isso com a nossa tradição. Nem todas essas tradições são tolas; essas coisas são até mencionadas no livro de Atos.
Eu teria imaginado que Moisés, se tivesse sequer um pequeno compromisso consigo mesmo, com o seu próprio futuro, com a realização da sua própria vontade, teria obedecido ao Senhor e dito: “Bem, Senhor, acho essa Tua ideia muito interessante. Eu também estou um pouco farto deste povo. Talvez possas começar de novo comigo e com a família — Arão e Miriã. Somos de uma linhagem melhor do que esses outros”.
Mas não Moisés. No momento em que o Senhor disse isso, ele argumentou com o Senhor. Era um intercessor. Suplicou ao Senhor que perdoasse o povo e disse: “O que dirão as nações? Tu tiraste este povo com braço estendido, com poderosos milagres, e elas dirão: ‘Tu os tiraste para destruí-los’”.
E o Senhor voltou atrás. Creio que Ele sabia, desde o começo, que Moisés já havia abandonado qualquer ideia grandiosa a respeito de si mesmo.
Chegamos a Samuel. Ele se colocou entre o Senhor e o povo que pecava. Se fôssemos dizer isso hoje, não se trataria apenas de uma nação não salva; diríamos que ele se colocou entre o Senhor e a igreja — os redimidos, o povo de Deus — e suplicou ao Senhor por eles.
Recentemente, tenho lido os Salmos e fico impressionado com o quanto Davi era um intercessor. Repetidas vezes, em seus salmos, quando fala dos juízos do Senhor sobre Israel, ele suplica ao Senhor que Se lembre das Suas alianças com os pais e das promessas que fez a respeito desse povo.
Essa era a base da sua intercessão. Mas, para onde quer que você olhe, pode ir ainda mais longe, até Neemias. Quando lê o relato do ministério de intercessão de Neemias, você fica sem palavras. Ele chorou diante do Senhor. Colocou-se entre o Senhor e o povo. Era um intercessor.
Ele viu os muros de Jerusalém completamente reconstruídos. E Esdras foi outro irmão extraordinário, ou como vocês preferirem chamá-lo. Ele restaurou a Palavra de Deus e a lei de Deus ao seu devido lugar, no coração do povo.
Bem, não preciso mencionar Daniel, porque temos todo o registro em Daniel 9. Tão extraordinário foi o ministério de intercessão de Daniel.
Se vocês são bons estudantes da Bíblia, olhem Daniel 9:1 e verão que a data é indicada: “No primeiro ano de Assuero, eu, Daniel, descobri, lendo o rolo de Jeremias, os setenta anos determinados para a desolação de Jerusalém”.
Se observarem essa data e voltarem algumas páginas, até outro capítulo e seu primeiro versículo, encontrarão: “No primeiro ano do imperador Assuero, certos sátrapas” — isto é, príncipes — “vieram ao rei e disseram: ‘Ó rei, tu és Deus em carne. Decretarás que ninguém pode orar senão a ti?’”
O rei, é claro, achou a ideia maravilhosa. E eles disseram: “É melhor preparar a cova dos leões para qualquer um que desobedecer a essa regra. É a lei dos medos e dos persas, que não pode ser alterada”.
Em outras palavras, Satanás estava tão incomodado com o ministério de intercessão de Daniel que preparou uma estratégia incrível para prender Daniel numa armadilha e matá-lo. Mas Daniel seguiu em frente.
Abriu as venezianas da sua janela em direção a Jerusalém e se firmou na palavra do rei Salomão: se alguém no exílio orar em direção a esta cidade e a esta casa, sobre a qual é invocado o Teu nome, ouve-o, responde-lhe e faze-o voltar do seu cativeiro.
Esse tipo de ministério de intercessão é extraordinário. Se Daniel não tivesse cumprido seu ministério de intercessão, Jerusalém não teria sido reconstruída, a casa do Senhor não teria sido reconstruída, Belém não teria sido reconstruída, Nazaré não teria sido reconstruída — nada mais teria sido reconstruído.
Mas tudo precisava ser reconstruído para a vinda do Desejado, porque Miqueias profetizou:
Mas tu, Belém Efrata, pequena entre os milhares de Judá, de ti Me sairá Aquele que há de governar em Israel.
— Miqueias 5:2
Esse é Jesus. Ah, pensem em Isaías, quando falou do caminho do mar, a Via Maris. Tão interessante — passando logo ao norte de Cafarnaum e logo ao sul de Nazaré —, falando daqueles que estavam nas trevas: eles verão uma grande luz.
Mas não havia Nazaré. Não havia Cafarnaum. Tinham sido destruídas. Precisavam ser reconstruídas. Esse ministério de intercessão do querido Daniel — talvez ele pensasse que dizia respeito apenas ao retorno do povo judeu à sua terra, mas, na verdade, dizia respeito à vinda do Messias.
Não importa para onde nos voltemos: descobrimos que eles são intercessores. É quase como se o Senhor estivesse dizendo algo em alta voz. Se você e eu vamos ser um elo, precisamos nos tornar intercessores.
Nós também estamos diante da segunda vinda do Messias. Nós também temos diante de nós ruína, deterioração e paganização, especialmente nas chamadas nações cristãs.
Isso está acontecendo com uma velocidade tão incrível que só pode ter uma causa espiritual — seres angélicos caídos são os responsáveis. O que devemos fazer?
Podemos falar até o fim dos tempos e não chegar a lugar nenhum. O fato é que essa questão da intercessão é absolutamente estratégica. É vital para a vinda do Senhor.
E, se você e eu, por mais frágil que seja a matéria-prima que somos, não formos transformados em intercessores pela graça de Deus, perderemos muito.
Portanto, tudo o que quero fazer nesta noite é dizer algo sobre a intercessão. Em primeiro lugar, é uma questão de caráter espiritual.
Por que o Senhor chama intercessores? Porque o intercessor tem dentro de si um caráter espiritual que está sendo formado pelo Espírito Santo.
Essas características que vemos em Abraão, em Moisés, em Samuel, em Davi, em Daniel e em João Batista — essas características precisam ser encontradas em nós.
Ou, perdoem-me por ser tão direto, esperamos ser carregados em camas confortáveis até a chegada do reino? Achamos que o Senhor vai nos mimar e simplesmente nos carregar? Mas o Senhor está procurando nos treinar.
Por que a intercessão é tão importante? Tenho dito muitas vezes que você nunca será um intercessor se não reconhecer que este mundo é essencialmente, essencialmente, um lugar espiritual.
Não se trata apenas do que você toca, do que vê, do que ouve ou do que sente. É algo espiritual. São as coisas invisíveis que são poderosas. Todas essas realidades eternas são invisíveis.
Até que nossos olhos sejam abertos para vermos que nascemos em um mundo espiritual, nunca perceberemos a necessidade de ser intercessores.
Já disse a vocês antes — vocês me ouviram — que o Senhor poderia ter feito, e poderia fazer, a obra muito mais facilmente sem nós. Quero dizer, agora já tenho idade suficiente para poder dizer que o povo do Senhor é o problema.
Minha nossa, o Senhor já teria voltado há muito tempo, se não fosse por nós. Murmuramos, recuamos, seguimos a nossa própria vontade, fazemos as coisas do nosso jeito e depois pedimos ao Senhor que arrume a confusão. Então fazemos outra confusão e pedimos a Ele que a arrume de novo. E nunca aprendemos.
Ser um intercessor é ter os olhos abertos para o fato de que este mundo é essencialmente um mundo espiritual. Uma vez abertos esses olhos, você estará, pelo menos, pronto para a formação à qual o Senhor deseja conduzi-lo.
A intercessão, a meu ver, é o chamado mais elevado que qualquer filho de Deus pode receber. As pessoas pensam que o chamado mais elevado é ser apóstolo, mestre, pastor ou evangelista. Mas, acima de todos esses, está o intercessor.
Por que o Senhor atribui tanto valor ao intercessor? Porque o intercessor precisa aprender a reinar com Cristo aqui embaixo, nas condições de um mundo caído.
Precisa aprender a distinguir e discernir a vontade de Deus em qualquer situação e, então, orar para que ela se cumpra.
Oração é simplesmente, em grego, o derramar do coração. Você simplesmente se derrama. Está cheio de emoção, cheio de aflição, cheio de ansiedade e derrama tudo isso. O próprio Senhor disse:
Nada tendes, porque não pedis.
Então você pede. Foi o Senhor Quem disse.
Tenha cuidado com o que pede, porque Ele pode lhe dar o que pediu e enviar sequidão à sua alma. Mas o fato é que isso é oração. Qualquer pessoa pode orar.
A intercessão está em outra dimensão. Primeiro, você precisa saber qual é a vontade de Deus em determinada situação. Isso significa que precisa ser capaz de discernir a vontade de Deus nessa situação. Precisa aprender a ouvir o Senhor falar.
Precisa aprender como, em comunhão com outros crentes, você descobre que essa questão de conhecer a vontade de Deus é coletiva.
Por que o Senhor considera tão importante essa questão da intercessão, de ser intercessor? Porque tudo isso tem a ver com reinar com Cristo.
Primeiro, é descobrir a vontade de Cristo: conhecer o encargo que está em Seu coração e qual é a Sua vontade. Depois, é a capacitação do Espírito Santo para perseverar até que isso seja realizado, até que seja cumprido.
Nosso querido Senhor nos deu uma oração-modelo, e há muitos mal-entendidos a respeito dela. Algumas pessoas acreditam que devem repeti-la o tempo todo, como um mantra budista, como se, de alguma forma, ela adquirisse valor à medida que é repetida.
Mas nosso Senhor disse — e tudo está no presente —: “Pai nosso, que estás nos céus”. Isso está em Mateus 6:9-13.
Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o Teu nome.
Venha o Teu reino. Seja feita a Tua vontade, assim na terra como no céu.
O pão nosso de cada dia nos dá hoje.
E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós também temos perdoado aos nossos devedores.
E não nos conduzas à tentação, mas livra-nos do maligno.— Mateus 6:9-13
Santificado seja o Teu nome.
Que o Teu nome seja santificado. Isso é presente.
Venha o Teu reino. Seja feita a Tua vontade, assim na terra como no céu.
O pão nosso de cada dia nos dá hoje.
Presente.
Perdoa-nos as nossas ofensas, assim como perdoamos aos que nos têm ofendido.
Presente.
Não nos conduzas à tentação, mas livra-nos do maligno.
Presente.
Não é extraordinário que tomemos essa frase — “Venha o Teu reino. Seja feita a Tua vontade, assim na terra como no céu” — e a relacionemos a algo situado num futuro tão distante? Bem, talvez no fim de tudo: que venha o Teu reino e que seja feita a Tua vontade, assim na terra como no céu.
Mas nosso Senhor quis dizer isso de outra maneira. Quando você está em situações em que o maligno o incomoda, quando enfrenta problemas impossíveis, quando há perseguição, deterioração e apostasia:
Venha o Teu reino.
Em outras palavras, ouçam com atenção: as pessoas que vivem numa república, de modo geral, não têm ideia do que é um reino. O reino tem tudo a ver com um trono, e esse trono é o centro da autoridade. Quem se assenta nele é rei ou rainha.
Em outras palavras, quando oramos “Venha o Teu reino”, estamos dizendo: “Que a vontade do Messias entronizado seja feita nesta questão”. Seja qual for a situação, estamos entrando nela em nome do Senhor.
Estamos enfrentando algo que é deterioração e não é a vontade do Senhor. Mas primeiro precisamos saber: qual é a vontade do Senhor? O que o Rei no trono, com o cetro da Sua força em Sião, governando no meio dos Seus inimigos, nos diz?
Por que deveríamos jogar a toalha e dizer: “Ah, é difícil demais”? Não devemos fazer isso. O Senhor tem um propósito a cumprir, até o próprio dia da Sua vinda.
Não está escrito na profecia de Joel:
Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo.
Portanto, sabemos que, até o último momento, pessoas serão salvas. Mas como poderão ser salvas se não conhecerem o nome que devem invocar para a salvação?
Então, temos aqui algo tremendo. Continuo dizendo “tremendo” — desculpem; simplesmente fiquei preso a essa palavra. Mas o fato é que vocês têm algo tremendo aqui. Por favor, ouçam-me.
Não pode haver intercessão sem os três T: compromisso total com a pessoa do Senhor Jesus, rendição total da minha vontade à vontade Dele e obediência total ao que Ele diz.
É daí que vem a intercessão. Você pode ser a pessoa mais jovem neste lugar nesta noite, mas Deus o conduzirá, por fim, a ser um intercessor. Ele pode começar a sua formação agora mesmo.
Você pode ser a pessoa mais velha neste edifício nesta noite e sentir que já passou muito da idade para isso, e que falhou muito com o Senhor. Mas o Senhor ainda pode transformá-lo, nos seus últimos dias, em um intercessor. Ouça-me: você começa a perceber como essa questão é importante.
Não pode haver intercessão, nem ministério de intercessão, sem negar a si mesmo, abrir mão de todo direito sobre si mesmo, tomar a sua cruz e segui-Lo.
A passagem que eu citaria é Marcos 8:34-35. Ele chamou a Si a multidão, juntamente com os Seus discípulos — tamanha é a importância dessa questão — e disse:
Se alguém quiser vir após Mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me.
Porque qualquer que quiser salvar a sua vida perdê-la-á; mas qualquer que perder a sua vida por amor de Mim e do evangelho salvá-la-á.— Marcos 8:34-35
Esse é o começo do ministério de intercessão. É quando você está pronto para abrir mão de todo direito sobre si mesmo, quando está pronto para se comprometer com a pessoa do Senhor Jesus, quando está pronto para seguir o Cordeiro por onde quer que Ele vá.
Tão simples, mas tão profundo — e, para a maioria dos cristãos, desconhecido na experiência.
Intercessão não é apenas dizer algumas palavras, nem ler uma pequena oração litúrgica. Intercessão é dores de parto.
O apóstolo Paulo escreveu em sua carta aos gálatas, em Gálatas 4:19:
Meus filhinhos, por quem de novo sofro as dores de parto, até que Cristo seja formado em vós.
— Gálatas 4:19
Acho interessante que a pequena expressão ali seja de novo. Portanto, ele havia sofrido essas dores de parto pelo nascimento espiritual deles; agora estava novamente em dores de parto para que o Senhor Jesus fosse plenamente formado neles. Misterioso.
Essa palavra grega significa a agonia do parto. O apóstolo está dizendo que intercessão não é apenas derramar o coração; são dores de parto — um encargo concebido pelo Espírito Santo em seu espírito, que não pode vir à luz sem intercessão.
Quando você se ajoelha e ora de todo o coração com outros, sente como se um reservatório de água tivesse sido esvaziado. Levanta-se e sente que terminou. Mas, no dia seguinte, a água voltou a subir, e a pressão permanece sobre você até que aconteça o nascimento.
Às vezes me pergunto se a razão de termos tão poucos crentes que avançam para a maturidade é haver tão poucos irmãos e irmãs que sofrem dores de parto por eles, para que Cristo seja plenamente formado neles.
Agradeço a Deus porque tive várias pessoas mais velhas que oraram por mim ao longo dos anos. Elas sofriam dores de parto no lugar secreto. Eu não sabia de nada; elas nunca me contaram. Só descobri mais tarde que oravam dia e noite.
Precisamos desse tipo de ministério de intercessão. A razão de termos tão pouca maturidade, tão pouco crescimento espiritual, tão poucos que se tornam soldados de Cristo e tão poucos que chegam a assumir responsabilidade nas coisas de Deus é que não houve pessoas que sofressem dores de parto por nós. Acho isso tremendo.
A intercessão, portanto, começa com o conhecimento da vontade de Deus. Sabemos qual é a vontade de Deus para a igreja. Sabemos que é que a casa de Deus seja edificada, que o corpo do Senhor Jesus seja plenamente formado e edificado em amor. Sabemos disso.
Temos uma maravilhosa janela para essa questão no livro de Apocalipse, onde nos é dito:
A noiva já se preparou.
Há fundamento para a intercessão. Há uma base para a intercessão. Temos a vontade revelada de Deus para a igreja.
Mas o que vemos? Vemos apostasia por todos os lados — uma apostasia terrível. Nessa recente votação do Parlamento britânico, tanto na Câmara dos Comuns como na Câmara dos Lordes, a favor do casamento entre pessoas do mesmo sexo e dos direitos dos homossexuais, um líder evangélico, porta-voz dos evangélicos, chegou a elaborar uma cerimônia de casamento para evangélicos e casais do mesmo sexo.
Nunca pensei que algo assim pudesse acontecer. É espantoso. Mas, se temos a Palavra de Deus, há fundamento para intercedermos. Temos a Palavra de Deus.
Não me surpreende que o apóstolo Paulo tenha dito a Timóteo:
Milita a boa milícia.
Provavelmente, ele estava se referindo a uma expressão em hebraico que não faz muito sentido em sua tradução atual para o inglês, mas que, em hebraico, diz: “É a guerra do serviço de Deus”. Isso dizia respeito aos levitas e aos sacerdotes.
O que estou dizendo desperta alguma reação no coração de vocês? Chegamos a uma situação em que não temos intercessores suficientes. Temos pessoas que oram em número suficiente, mas onde estão os intercessores?
A intercessão coletiva é um dos instrumentos mais poderosos na mão de Deus. Quando o Senhor Jesus, pelo Espírito Santo, como Cabeça da igreja, consegue tornar conhecido o Seu pensamento aos membros do corpo e harmonizá-los — colocá-los em sinfonia —, de modo que comecem a orar em sintonia uns com os outros, sabemos que esse tipo de oração, por fim, será atendido.
Temos aqui, então, algo pelo qual orar. E aqui está outra coisa:
E este evangelho do reino será pregado em todo o mundo, para testemunho a todas as nações; e então virá o fim.
— Mateus 24:14
Portanto, temos um fundamento absoluto para a intercessão: orar pela obra do evangelho em todo o mundo, para que homens e mulheres cheguem a um conhecimento salvador do Senhor Jesus, mesmo na última hora. Está no Livro; não estamos inventando isso. Está lá.
Ah, pensem em Israel. A Palavra de Deus diz claramente que os ramos naturais serão enxertados novamente em sua própria oliveira.
Somos informados de que, quando entrar o número completo dos gentios, Deus Se voltará novamente para o povo judeu e o salvará. Portanto, agora temos um fundamento para a intercessão. Sabemos que é a vontade revelada de Deus salvar esse povo — não necessariamente todos eles, mas salvá-los e enxertá-los novamente em sua própria oliveira, que, na verdade, é a igreja.
Se você é um ramo de oliveira brava, foi enxertado na boa oliveira, o que é contrário à natureza. Mas o maravilhoso é que os ramos naturais foram postos de lado por um período, e está chegando o dia em que serão enxertados novamente.
Esse é o fim do ciclo da redenção. É o último capítulo, o capítulo final — o último parágrafo, se preferirem.
Há muitas outras coisas na Palavra de Deus sobre as quais eu poderia falar, que são a Sua vontade revelada. Mas o nosso maior problema — e com isso encerro — é que cultivamos um tipo de cristianismo para o qual a verdadeira intercessão é algo estranho.
Fico pensando no que teria acontecido se aquelas duas irmãs que oravam pelo mundo islâmico nunca tivessem orado. Eu as conheci. Vi o ministério de intercessão delas.
Nunca era monótono. Era sempre de uma para a outra, depois de volta — uma espécie de partida de tênis, na verdade —, indo e vindo o tempo todo, até que uma delas dizia: “Já chegamos lá?” E a outra respondia: “Ainda não”.
Na verdade, eu tinha a impressão de que elas estavam numa posição de artilharia, girando o canhão e derrubando aviões inimigos. Nunca me esqueci disso. Havia pessoas de todo o Oriente Médio ligadas a elas: de Bagdá, Argel, Casablanca, Benghazi, Trípoli, de todo o Egito, de toda parte — Beirute. Eu poderia continuar.
Eu costumava pensar: “O que é isso? Essas duas senhoras idosas deveriam estar aposentadas, mas estão mais ocupadas do que pessoas muito mais jovens”. O que elas estão fazendo?
Lembro-me de uma vez ter perguntado à tia Alex. Ela era estoniana, e eu lhe disse: “Tia, você está no Egito há todos esses anos. Quantas pessoas levou ao Senhor?”
Ela olhou para mim e levantou a mão: cinco. E eu, jovem e arrogante, disse: “Cinco? Você está aqui há quarenta ou cinquenta anos e só viu uma pessoa chegar ao Senhor a cada dez anos?”
Nunca me esqueci da resposta dela. Ela não me repreendeu. Simplesmente disse — porque eu não sabia nada sobre intercessão, absolutamente nada —: “Virá um dia em que milhares e milhares de muçulmanos encontrarão o Senhor”.
Vivi para ver isso: tantos milhares de muçulmanos encontrando o Senhor. Incrível. Não dá para acompanhar tudo.
Ou penso na querida Margaret Barber e em sua sobrinha. Ela foi desacreditada na missão com a qual foi para a China. Havia ciúme na missão, e não gostavam do enorme carinho que as meninas da escola tinham por ela.
Começaram a espalhar histórias sobre ela até que, por fim, ela teve de se desligar da missão. Depois, teve de deixar a China. Quando voltou à Grã-Bretanha, foi a Keswick e ouviu o bispo Handley Moule, um homem piedoso. Pediu para conversar com ele.
Ela lhe contou toda a história. Ele disse: “Irmã, você pecou?” Ela respondeu: “Bem, fiz algumas coisas em meus pensamentos, mas certamente nunca fiz as coisas de que sou acusada”.
Ele perguntou: “Você crê que Deus a chamou para a China?” Ela respondeu: “Sim”. E ele disse: “Então, para a China você irá”.
Então ela protestou: “Como posso ir? A missão está contra mim. Eles mancharam meu nome. Como posso ir?” Ele disse: “Vá com Deus”.
Então ela levou sua sobrinha e foi para a China. Passou aqueles anos no ministério de intercessão. Orava para que Deus levantasse um homem chinês como ministro da Palavra de Deus, para conduzir o povo de Deus na China. Bem, vocês conhecem o restante da história.
Eu poderia dar muitos outros exemplos de intercessão. Incrível. De Deus não se zomba.
Lembro-me da querida Lady Ogle — Daisy, Lady Ogle — e da senhorita Sinclair. Elas me contaram como Deus as conduziu à Índia, a uma casa em Bangalore. Ali, as duas começaram a orar pela Índia. Estavam muito aflitas com a condição espiritual do país.
Começaram a orar para que um homem indiano fosse levantado como homem de Deus e conduzisse pessoas ao Senhor. Oraram, oraram e oraram. Era verdadeira intercessão.
Então, um dia, ouviram falar de um sikh que havia encontrado o Senhor, fora expulso de casa e cuja esposa o havia deixado. Souberam que ele iria pregar em Bangalore, então foram ouvi-lo.
Enquanto ele pregava, o Senhor disse às duas, separadamente — elas só descobriram isso quando voltaram para casa —: “Este é o homem por quem vocês oraram”. Era Bakht Singh.
Vejam, de Deus não se zomba. Essa questão da intercessão continuará até a própria vinda do Senhor.
Creio que ser intercessor é ser vencedor. É simples assim.
Que o Senhor nos desafie. Se você se pergunta o que deve fazer — se é jovem e pensa: “Isso que ele está dizendo é um pouco estranho; o que devo fazer?” —, ou se é mais velho e sente: “Bem, certamente não tenho sido um intercessor assim”, eu diria: em um momento de quietude, ofereça-se ao Senhor.
Compromisso total com a pessoa Dele. Rendição total da sua vontade à vontade Dele. Obediência total ao que Ele lhe diz.
E você começará uma jornada que terminará no trono de Deus.
Que o Senhor o desafie nestes dias de trevas, apostasia e deterioração. Sabemos que a vinda do Senhor está mais próxima, mas não somos escapistas. Não estamos simplesmente esperando, pensando: “Bem, queremos sair de tudo isso”.
Estamos aqui, de uma maneira muito real, para ser intercessores até o último dia da nossa vida nesta terra: para que outros cheguem ao Senhor, outros sejam edificados, outros cresçam, e para que se cumpra o propósito de Deus para a Sua igreja; o propósito de Deus para o evangelho nas nações; e o propósito de Deus para Israel.
Que o Senhor os desafie nesta noite. Vamos orar?
Amado Senhor, Tu conheces os nossos corações. Temos falado sobre ser elos, Senhor. Queremos ser esse elo Contigo. Queremos, Senhor, ser o elo neste ponto de transição da história. Queremos ser intercessores.
Ajuda-nos, Senhor. Tu vês como somos tolos, como demoramos a aprender. Tantas vezes, Senhor… tem misericórdia de nós. Alcança-nos e coloca em nossos corações uma disposição para sacrificar, para abrir mão de todo direito sobre nós mesmos, tomar a cruz e verdadeiramente seguir-Te.
Ajuda-nos, Senhor, a abrir mão da nossa vida centrada em nós mesmos, para que a encontremos para a vida eterna. Pedimos isso em nome de nosso Senhor Jesus. Amém.
Quero reservar mais alguns momentos, mais uma vez, para levar tudo isso à oração. Se o seu coração realmente recebeu esse encargo, talvez você possa fazer uma oração silenciosa por esta noite. Então teremos alguns momentos de oração.