Abram comigo em uma ou duas passagens das Escrituras: primeiro, em 1 Samuel 2:11.
E Elcana foi a Ramá, à sua casa. E o menino ministrava ao Senhor perante o sacerdote Eli.
Depois, em 1 Samuel 3:1:
E o menino Samuel ministrava ao Senhor perante Eli.
Agora, abram comigo no Novo Testamento, na carta de Paulo aos Colossenses, em Colossenses 1:14-20.
Em Quem temos a nossa redenção, o perdão dos nossos pecados:
O Qual é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação;
Porque Nele foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades; todas as coisas foram criadas por meio Dele e para Ele;
E Ele é antes de todas as coisas, e Nele todas as coisas subsistem.
E Ele é a cabeça do corpo, a igreja: Ele, Que é o princípio, o primogênito dentre os mortos; para que em todas as coisas tenha a preeminência.
Porque foi do agrado do Pai que Nele habitasse toda a plenitude;
E, por meio Dele, reconciliar Consigo mesmo todas as coisas, havendo feito a paz pelo sangue da Sua cruz; por meio Dele, digo, quer as coisas sobre a terra, quer as coisas nos céus.
Também, na Nova Aliança, no Evangelho de Marcos, em Marcos 12:28-31.
E aproximou-se um dos escribas, que os ouvira discutir e, sabendo que Ele lhes havia respondido bem, perguntou-Lhe: Qual é o primeiro de todos os mandamentos?
Jesus respondeu: O primeiro é: Ouve, ó Israel; o Senhor, nosso Deus, o Senhor é um:
E amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças.
O segundo é este: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes.
Amado Senhor, queremos agradecer-Te nesta noite por nos encontrarmos aqui, na Tua presença, adorando-Te. E, Senhor, estamos tão felizes por estarmos um pouco mais perto da Tua vinda.
Por mais distante ou próxima que ela esteja, estamos esses poucos dias mais perto da Tua vinda. E, por isso, nós Te agradecemos e Te adoramos.
Agradecemos-Te pela salvação que realizaste na cruz e na qual, pelo Espírito Santo, nos introduziste.
Pedimos-Te, Senhor, agora que estamos aqui reunidos e chegamos ao ministério da Tua Palavra: unge a proclamação da Tua Palavra. E unge também o nosso ouvir.
Que uma porção dobrada seja nossa nesta noite, para que não haja sonolência nem acomodação, mas para que sintamos como se o Senhor estivesse falando diretamente conosco.
E pedimos isso em nome do nosso Messias, o Senhor Jesus. Amém.
Como vocês sabem, nestes dias em que estamos juntos, estamos considerando o que significa ser um elo com o Senhor quando uma nova era, ou uma nova fase da história divina, está começando.
Seja qual for o nome que queiramos dar — época, era ou fase —, parece que o Senhor encontra uma pessoa em cada momento decisivo da história. Seja Abraão, seja Moisés, seja Samuel, seja Davi, seja João Batista, para onde quer que você se volte, descobrirá que, nos momentos decisivos da história divina, houve um servo do Senhor, ou servos do Senhor, ligados ao poder do céu, à vontade do céu e ao trono de Deus, e que foram usados, por assim dizer, para introduzir aquela mudança.
Agora, minha responsabilidade é falar sobre Samuel. Li para vocês aquelas observações interessantes sobre Samuel que encontramos na Palavra de Deus: ele ministrava ao Senhor.
Muitas pessoas simplesmente passariam por cima disso. Não pensariam a respeito. Mas é muito interessante que, ainda menino — provavelmente com não mais de sete ou oito anos, se tanto —, ele seja descrito como alguém que ministrava ao Senhor.
Não ministrava ao templo, não ministrava a Eli, o sumo sacerdote, não ministrava à obra, à organização ou a qualquer outra coisa, mas ministrava ao Senhor.
Por que as Escrituras dizem de Samuel que ele ministrava ao Senhor? Ele fazia coisas muito comuns, cuidava das coisas. Por que é descrito assim, como alguém que ministrava ao Senhor?
Como eu disse ontem à noite, em nossa tradição judaica, Samuel é tratado com reverência e enorme respeito. Há algo em seu caráter e em sua estatura espiritual que deixou uma impressão nos rabinos ao longo da nossa história.
Em certa passagem, está escrito:
Ainda que Abraão, Moisés e Samuel intercedessem, Eu não ouviria.
Isso significa que esses três tinham uma estatura espiritual extraordinária.
Portanto, minha responsabilidade é dizer alguma coisa sobre Samuel.
Ontem à noite, falei sobre os três Ts:
Foi isso que tornou Samuel tão grande. Ele foi aquele que estabeleceu o rei. Foi quem introduziu o rei — Davi. Saul foi um erro, mas Davi era o verdadeiro rei que o Senhor procurava.
Nesta noite, quero falar sobre esta expressão: “ministrar ao Senhor”.
Desde o princípio, Samuel ministrava ao Senhor. Não poderia ter sido tão fácil. Sua mãe o deixou num ambiente que, para ele, devia ser um tanto austero e estranho.
Ele estava diariamente com o sumo sacerdote. Os dois filhos de Eli eram corruptos. Em muitos aspectos, não poderia ter sido fácil para esse menino crescer como cresceu. Mas nos é dito que ele ministrava ao Senhor.
Ele não ministrava apenas ao sumo sacerdote ou ao templo, como já disse, mas ministrava ao Senhor.
É perfeitamente possível ministrar à obra, ao sistema, à organização, até mesmo a um movimento, e não ao Senhor.
Os vencedores se distinguem de todos os demais porque, no coração do seu serviço, há um ministério ao Senhor. Eles não ministram apenas às coisas, à organização, ao templo, ao tabernáculo ou à igreja, mas ao próprio Senhor.
É possível trabalhar para o Senhor e não com o Senhor. Sabe, eu encontro muitas pessoas. Agora, já tenho certa idade — não sou tão velho quanto o irmão Stephen —, mas tenho idade suficiente para ter visto um número enorme de obreiros cristãos que trabalham para o Senhor, mas não trabalham com o Senhor.
Há uma diferença enorme entre trabalhar para o Senhor e trabalhar com o Senhor. Quando você trabalha para o Senhor, está o tempo todo divulgando suas necessidades. Está o tempo todo procurando ajuda, apoio e mil e uma outras coisas.
Mas, quando você trabalha com o Senhor, de repente descobre que Deus provê plenamente tudo o que é necessário para aquilo que Ele ordena. Quando o Senhor é Quem realiza a obra e você é um cooperador do Senhor, pode confiar Nele para tudo.
Esse é realmente o coração dessa questão de ministrar ao Senhor: trabalhar com o Senhor.
Ele é o Mestre. Ele é o Senhor. Ele é a chave de toda a obra. São as Suas ordens que seguimos, e é a tarefa que Ele nos atribui que realizamos. Mas, em última análise, é na obra do Senhor que estamos envolvidos.
Espero estar sendo claro nesta noite. Há uma diferença enorme entre ministrar à igreja, à obra do evangelho ou às atividades evangelísticas e ministrar ao Senhor.
Se eu pudesse aprofundar ainda mais o assunto, diria que não pode haver ministério ao Senhor sem aqueles três Ts de que falei ontem à noite.
Se não houver um compromisso incondicional e total com o senhorio de Jesus — com a pessoa de Jesus —, não pode haver ministério ao Senhor. Pode haver ministério às coisas, mas não ministério ao Senhor.
Se não houver uma rendição total da minha vontade à Sua vontade, estarei fazendo o que eu mesmo quero, com o nome do Senhor atrelado a isso.
Quando minha vontade se rende à Sua vontade, começo a ministrar ao Senhor.
Deixem-me dar mais um passo. Se não houver obediência total à Sua vontade, não há ministério ao Senhor. Então, meu trabalho se torna uma atividade que satisfaz a mim mesmo. É algo que pode se tornar centrado em mim mesmo.
Alguns de nós somos por natureza — de modo algum todos, mas muitos de nós —, bem, não sei como dizer isso sem incomodar todo mundo, mas somos uma espécie de viciados em trabalho. Essa é a melhor maneira de dizer. Temos um vício em trabalhar.
Outras pessoas têm um vício em dormir — um vício em ficar deitadas, sem fazer nada, apenas desfrutando a vida. Mas também há aqueles que são viciados em trabalho, e não tenho certeza de qual é a maior ameaça ao reino de Deus: uma pessoa viciada em trabalhar ou alguém viciado em dormir.
A obra do Senhor pode muito facilmente se tornar uma forma de expressão pessoal, de realização pessoal, algo que tem a ver comigo mesmo.
Essa pequena expressão contém a chave do verdadeiro serviço. O que tornou Samuel tão grande foi o fato de ele ministrar ao Senhor, e isso desde uma idade extraordinariamente pequena.
Deixem-me colocar de outra maneira. O ministério ao Senhor só pode existir quando o Senhor é o centro e a circunferência da nossa vida.
Quando nossa vida está abarrotada de tantas outras coisas, não há como ministrarmos a Ele. Ele precisa ser não apenas o centro, mas também a circunferência. Ele precisa ser tudo.
Vocês perceberam a passagem que li da carta de Paulo aos Colossenses? É extraordinário quando você realmente para e pensa no que ele disse.
Ele começou simplesmente dizendo:
Nele […] temos a redenção.
Isto é, em Cristo. Mas depois passa a falar do Senhor Jesus como a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação.
Então, ele diz que não há nada feito no universo, neste planeta, no universo, nos universos — nada que tenha sido feito por Deus que não tenha sido feito por meio do Senhor Jesus e para o Senhor Jesus.
Depois, ele faz esta declaração extraordinária:
Nele, todas as coisas se mantêm unidas.
Subsistem. Essa é uma declaração fabulosa.
Tudo se mantém unido Nele. Vocês se lembram de que, quando crucificaram Jesus, às nove horas da manhã, Ele morreu às três horas da tarde.
Antes de morrer, Ele clamou:
Deus Meu, Deus Meu, por que Me desamparaste?
Foi o momento em que o pecado do mundo foi colocado sobre Ele, e a serpente entrou no Cordeiro.
Naquele momento, o sol retirou a sua luz. Agora, as pessoas que não entendem essas coisas pensam que foi um eclipse, mas nenhum eclipse jamais durou tanto quanto naquele dia da crucificação.
Foi como se uma espada atingisse o coração do Pai. E, naquele momento, porque todas as coisas se mantêm unidas e subsistem no Senhor Jesus, o próprio sol deixou de brilhar.
É admirável considerar a grandeza do Senhor Jesus.
Você percebe que Aquele Que o salvou é tão grande? Percebe que tudo o que pode ver foi feito por meio Dele e para Ele? Percebe que Ele é a energia e o poder invisíveis que mantêm todo este universo unido? E percebe que Ele é o seu Salvador?
Se Ele é tão grande, há alguma coisa impossível para Ele? Há alguma coisa que Ele não possa fazer? Há alguma necessidade que Ele não possa suprir? Há algum obstáculo que Ele não possa superar? Algum problema que Ele não possa resolver?
Se, de fato, tudo foi criado por meio Dele e para Ele, e se mantém unido Nele, então, para Este Que é seu Salvador e Senhor, nada é impossível.
Pense novamente. Isso significa simplesmente o seguinte: se você não O reconhece como Senhor, se não está totalmente comprometido com Ele, se sua vontade não está rendida a Ele, se você não Lhe é obediente, mas desobediente, então sua vida, no fim, se torna uma confusão.
Mesmo sendo cristão, filho de Deus, você crê em tudo, mas nada funciona. Porque a chave de tudo está na pessoa do Senhor Jesus.
Ele é o centro e a circunferência de tudo. E a maravilha é que Ele Se tornou homem para morrer por você e por mim, para nos salvar e, depois, nos preparar para a eternidade que virá.
Quando você está totalmente comprometido com Ele, Ele pode realizar Sua obra em você. Pode produzir caráter espiritual em você.
Quando você rende sua vontade — que é a coisa mais difícil de todas — à Sua vontade, Ele não tem nenhuma dificuldade com você. Ele pode lidar com você. Pode moldá-lo. Pode formá-lo.
Quando você Lhe é obediente, o caminho para conformá-lo à imagem de Seu Filho está aberto.
Esse evangelho é tão simples e, no entanto, tão mal compreendido.
Muitos cristãos não têm absolutamente nenhuma ideia da pessoa do Senhor Jesus. Pensam Nele como uma pessoa, mas não com a grandeza que Ele tem. Ele é o centro de tudo.
Quando se trata de vida eterna, Ele é o princípio e o fim. Ele é o centro e a circunferência. Ele é a vida eterna. Quando você O recebe, recebe a vida eterna.
Ele é a salvação de Deus. Seu próprio nome, Yeshua, significa salvação. Ele é o princípio e o fim da salvação. Ele é seu início, seu progresso, seu desenvolvimento e sua consumação.
Pegue sua Bíblia. Esse Senhor Jesus está em toda parte na sua Bíblia. Não há um sequer dos sessenta e seis livros e cartas que compõem a Bíblia em que o Senhor Jesus não seja o princípio e o fim. Ele é o Alfa e o Ômega. Ele é o alfabeto divino. Ele é a Palavra de Deus.
Você talvez olhe para mim e diga: “Ora, de que ele está falando?” Bem, quero dizer, vocês têm liberdade para dormir, se quiserem. Mas o extraordinário é isto: Quem era Aquele Que andava no jardim do Éden, na viração do dia, todos os dias? Quem?
Ninguém jamais viu a Deus.
Quem, então, foi que Adão e Eva viram, se não foi o Senhor Jesus?
Quem foi que Moisés viu face a face e com Quem falou? Quem foi que Abraão viu — o Deus da glória Que lhe apareceu e em Quem ele viu a cidade da glória? Isso mudou a sua vida, e Deus o chamou de “Meu amigo”.
Não há testemunho maior acerca do caráter de Abraão do que o fato de o Deus Todo-Poderoso chamá-lo de “Meu amigo”.
Quem foi que Se pôs no templo e disse:
Samuel, Samuel.
A Quem foi que Samuel disse:
Fala, Senhor; o Teu servo ouve.
Quem foi que transformou Jacó em Israel, e a respeito de Quem Jacó disse:
Vi a face de Deus, e vivi.
Quem foi que Isaías viu no templo, alto e sublime, com a orla de Suas vestes enchendo o templo? Quem?
Eu poderia continuar e continuar. Sua Bíblia, minha Bíblia, nossa Bíblia — o Senhor Jesus é central em cada parte dela. Ele é o princípio e o fim.
Agora, se você quer conhecer a Bíblia, a única maneira de conhecer sua Bíblia é estar inteiramente comprometido com o Senhor Jesus — com a pessoa do Senhor Jesus, não com a religião cristã, não com a teologia cristã.
A única maneira de conhecer sua Bíblia é por meio do Senhor Jesus. É conhecer a pessoa do Senhor Jesus. É ministrar ao Senhor.
Preciso ter cuidado, porque me empolgo com esse tipo de coisa. Quero dizer, é algo tão grandioso.
Ouçam isto. É assim que ele conclui:
E Ele é a cabeça do corpo, a igreja; para que em todas as coisas tenha a preeminência.
Agora, pense no seu corpo e na sua cabeça. Cabeça e corpo pertencem um ao outro. Você corta a própria cabeça — ou alguém a corta por você — e está acabado.
O próprio fato de a Bíblia falar da igreja como o corpo do Senhor não significa que seja algum tipo de descrição da igreja existindo por si só. É algo que tem a ver com o Senhor Jesus.
Nosso maior problema é quando servimos às coisas, à organização, apenas à teologia, quando não servimos ao Senhor.
Em última análise, nossa devoção ao Senhor é a chave — nossa devoção à pessoa do Senhor Jesus.
Posso ir ainda mais longe. Posso dizer: o Senhor Jesus não é um agente impessoal. Ele não é uma força. Ele não é um instrumento. Ele não é uma “coisa”. Ele é uma pessoa.
Agora, deixem-me perguntar uma coisa: vocês estão conhecendo essa Pessoa?
Lembro-me de que, anos atrás, eu estava numa conferência em Honor Oak. O senhor Sparks era o dirigente daquela conferência, e um irmão veio de outro país, muito distante. Era uma pessoa muito interessante, muito enérgica, em alguns aspectos bastante dinâmica.
Era muito interessante ouvi-lo. Fui ouvir cada uma das sessões. Ele falou do Senhor Jesus como alimento. Falou do Senhor Jesus como bebida. Falou do Senhor Jesus como ar para respirar. Falou do Senhor Jesus como um exercício para os seus músculos espirituais.
Disseram-me que aquele homem causava impacto. Seu ministério era muito forte, muito incisivo.
Lembro-me de conversar com um maravilhoso irmão idoso em Honor Oak. Seu nome era Oliphant. O irmão Watchman o havia chamado de “o ventre da igreja” ali.
Ele disse: “O que você achou, Lance?” E eu disse: “Fiquei muito impressionado. Aquele homem é tão poderoso, e a maneira como falou, tão incisiva. Achei maravilhoso pensar no Senhor Jesus”.
Percebi que sua expressão ficou um pouco sombria. Então ele disse: “Bem, há um problema”.
Ele disse: “Quando Jesus é o alimento que você come, quando Jesus é a água que você bebe, quando Jesus é o poder do qual você se vale, quando Ele é um instrumento para você avançar, como você O adora?”
Ele disse: “De certa forma, é uma espécie de adoração a si mesmo, porque Ele está em você”.
Fiquei muito — não chocado —, fiquei muito surpreso. Agora, com a sabedoria dos anos, muito, muito tempo depois, percebi que o irmão Oliphant havia colocado o dedo num problema.
Você não pode adorar alguém que é uma “coisa”. É claro que o Senhor Jesus é alimento; Ele é o pão da vida. É claro que Ele é água, a água da vida. É claro que crescemos à medida que O recebemos, à medida que tomamos posse do que é nosso Nele.
Mas e quanto ao ministério a Ele? Como você ministra a alguém que está apenas em você?
É quando você vê o Senhor como o Senhor, e em Sua grandeza, que cai aos Seus pés como morto. Isso é ministrar ao Senhor.
O que é ministrar ao Senhor? É adorar.
Agora, se vocês me permitirem, aqui nesta região da Virgínia, falar sobre a palavra inglesa worship, “adoração”: worship é uma antiga palavra inglesa que também veio para cá, e originalmente significa worth-ship, o reconhecimento do valor.
Quando você adora, reconhece o valor da pessoa a quem está adorando.
É por isso que, na antiga cerimônia de casamento episcopal, quando o marido faz seus votos, diz: “Com meu corpo, eu te adoro”. Muitas pessoas diriam: “Meu Deus, o quê? Ele está adorando a mulher?” Mas, na verdade, ele está dizendo: “Com meu corpo, reconheço o teu valor”.
Isso é adoração. Ninguém jamais ministrou verdadeiramente ao Senhor sem saber como adorá-Lo.
A verdadeira adoração, quando brota do seu coração, é algo que deixa você maravilhado. Acho que é uma palavra que vocês usam bastante deste lado do Atlântico: é algo impressionante.
De uma forma ou de outra, você é elevado para além de si mesmo. Quando tiver experimentado uma adoração assim, nunca mais será o mesmo.
Esse é o coração essencial do ministério ao Senhor. É adorá-Lo, reconhecer o Seu valor, adorar com todo o seu ser.
Essas pessoas que estão nos momentos decisivos da história divina são aquelas que realmente adoram o Senhor.
Há nessas pessoas uma devoção absoluta ao Senhor. Foi assim com Samuel. Custou-lhe tudo ficar do lado do Senhor contra o rei Saul, e ele fez isso repetidas vezes.
Mas sua devoção absoluta à pessoa do Senhor Jesus significava que ele não podia agir de outra maneira. Não podia negar o Senhor. Não podia comprometer seu relacionamento com o Senhor.
Esse é o extraordinário poder desse ministério ao Senhor.
Você conhece alguma coisa desse ministério ao Senhor? No seu momento devocional, o que importa é aquilo que você recebe? “Me dá, me dá, me dá”, e ainda mais? Ou seu momento devocional é um ministério ao Senhor? Você está adorando a Ele.
Vocês sabiam que nós, seres humanos, fomos criados para adorar? Sei que muitas senhoras idosas frequentemente me dizem que os pássaros estão adorando o Senhor, mas, na verdade, alguns desses pássaros estão cantando porque tudo tem a ver com território. Tudo tem a ver com marcar seu território, e é maravilhoso ouvi-los.
Mas os animais não foram criados para adorar. Pássaros, peixes, cães, gatos, cavalos — eles podem desenvolver um relacionamento com os seres humanos, mas não há adoração, nem mesmo da parte de um cão. Eles são os mais obedientes de todos.
Mas os seres humanos foram criados para adorar. E, enquanto um ser humano não adora, ainda não cumpriu o sentido e o significado daquilo para o qual foi constituído.
No momento em que começar a adorar, você descobrirá que nunca mais será o mesmo.
Acho que isso nos leva, finalmente, àquela passagem que li no Evangelho de Marcos. Fizeram ao Senhor Jesus uma pergunta para colocá-Lo à prova: “Qual é o maior de todos os mandamentos?” Os rabinos estavam sempre discutindo isso.
Jesus disse:
O primeiro e maior mandamento é este: Ouve, ó Israel; o Senhor, teu Deus, o Senhor é um.
Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todas as tuas forças.
E, a partir disso:
Amarás o teu próximo como a ti mesmo.
Mateus coloca desta maneira:
Destes dependem toda a lei e os profetas.
Marcos disse:
Este é o maior de todos os mandamentos.
Ministrar ao Senhor é expressar nosso amor por Ele, nossa adoração. Isso é ministrar ao Senhor.
Além disso, quando começamos a amar o Senhor dessa maneira, certamente todas as tarefas que precisamos realizar em nosso serviço ganham um brilho especial. De uma forma ou de outra, esse amor permeia tudo o que fazemos.
Esse é o amor de Deus derramado em nosso coração.
Vocês sabem, é claro, melhor do que eu, que o apóstolo Paulo atingiu alturas extraordinárias em sua carta aos Coríntios, quando disse que, se eu pregar ou profetizar sem amor, nada sou — apenas um címbalo que tine e retine. Se eu entregar meu corpo para ser queimado sem amor, isso não significa nada.
Acima de tudo, ele estava dizendo isto: a chave é estar apaixonado pelo Senhor. Foi por isso que Ele procurou você. Foi por isso que Ele salvou você. E essa é a única coisa, a única mesmo, que O satisfará: quando você corresponder a esse amor e seu serviço se tornar um serviço permeado pelo amor do Senhor Jesus.
Lembro-me de uma passagem no livro de Êxodo — minhas anotações não estão muito boas —, mas todos vocês que conhecem sua Bíblia vão se lembrar. Moisés disse ao Senhor:
Se a Tua presença não for conosco, não nos faças subir daqui.
Então o Senhor disse algo extraordinário. Ele disse, em hebraico:
A Minha presença irá, e Eu te darei descanso.
Ele não acrescentou “conosco”, que está na tradução inglesa de vocês, porque não parecia ser um bom inglês deixar isso de fora. Mas, em hebraico, faz todo o sentido:
A Minha presença irá.
Em outras palavras, essa obra do Senhor acontece quando Sua presença vai. E, quando Sua presença vai, nós vamos com ela. E, quando vamos com ela, encontramos descanso.
Onde não há amor, não há descanso. E, onde o amor de Deus está presente com poder, encontramos descanso.
Preciso encerrar. Mas vocês se lembram de que o Senhor Jesus dirigiu uma palavra a uma das melhores igrejas da época do Novo Testamento, a igreja de Éfeso?
Ele disse:
Tenho isto contra ti: abandonaste o teu primeiro amor.
Arrepende-te; ou virei a ti e removerei de ti o teu candeeiro.
Isto é, o testemunho de Jesus.
Esse primeiro amor é tão importante. Não se trata de popularidade; trata-se de uma qualidade de amor. Quando uma pessoa está apaixonada, não fala de quanto custa, de quão longe precisa ir para ver a pessoa amada ou de tudo o que passou. Isso não significa nada, porque o amor, de alguma forma, transforma tudo.
Esse primeiro amor, que a igreja em Éfeso tinha, ela perdeu. É interessante que o Senhor tenha destacado que eles estavam fazendo tantas outras coisas boas, mas o ministério ao Senhor havia cessado. Agora era um ministério às coisas.
Vou terminar lembrando vocês da maneira como o quarto Evangelho termina. Talvez o Evangelho de João seja o mais notável dos quatro Evangelhos. É uma revelação. Acho que a maioria de vocês sabe que ele não é um relato histórico como os outros três Evangelhos.
João seleciona as declarações do Senhor Jesus:
Eu sou o pão da vida.
Eu sou o caminho, a verdade e a vida.
Eu sou a videira verdadeira.
Sempre disse que o Evangelho de João é o mais judaico dos quatro Evangelhos — muito mais judaico do que Mateus. “Eu sou” é o nome impronunciável de Deus, ligado ao pão da vida, ao caminho, à verdade e à vida, ao fato de Ele ser a porta, de ser a videira verdadeira. É extraordinário.
E a maneira como esse Evangelho termina é extraordinária. O Senhor encontrou Seus discípulos no lago da Galileia e preparou o café da manhã para eles.
Então disse a Pedro:
Simão Pedro, amas-Me mais do que estes?
Pedro, gaguejando, depois de ter negado o Senhor três vezes, disse:
Sim, Senhor; Tu sabes que Te amo.
Mas usou outra palavra para amor.
Então o Senhor disse pela segunda vez:
Amas-Me?
Quando disse isso pela primeira vez, Ele disse:
Alimenta os Meus cordeiros.
Pela segunda vez, Ele disse:
Amas-Me mais do que estes?
E Pedro disse:
Tu sabes que Te amo.
E Ele disse:
Cuida das Minhas ovelhas.
E, na terceira vez, Ele desceu ao nível de Pedro e usou a mesma palavra para amor que Pedro estava usando. Ele disse:
Amas-Me mais do que estes?
Pedro ficou incomodado por Ele ter dito isso pela terceira vez, e disse:
Tu sabes que Te amo.
E então Ele disse:
Cuida das Minhas ovelhas.
Em outras palavras, era um ministério ao Senhor.
Era como se o Senhor Jesus estivesse simplesmente dizendo: “Você não pode alimentar Meus cordeiros nem cuidar das Minhas ovelhas, a menos que, primeiro, esteja apaixonado por Mim”.
Você Me ama mais do que qualquer outra coisa? Então seu serviço será um serviço e um ministério ao Senhor.
É esse tipo de serviço, e somente esse, que determina se uma pessoa se torna o tipo de pessoa que o Senhor pode usar num momento decisivo da história.
De certa forma, isso é bastante desafiador, porque revela quem realmente somos. É muito mais fácil nos envolvermos com a doutrina, que é boa e essencial, até mesmo com a teologia, com as coisas de Deus, com o serviço — com tudo o que é exigido no serviço.
É muito mais fácil do que permanecer no primeiro amor. Mas, em última análise, a questão é se esse amor de Deus derramado em nosso coração é dirigido, antes de tudo, à pessoa do Senhor Jesus e, depois, ao nosso próximo.
Que o Senhor nos ajude, ao alimentar os cordeiros, cuidar deles, alimentar e cuidar das ovelhas, a saber que isso não significa nada, a menos que, antes de tudo, estejamos apaixonados pelo Senhor Jesus.
Que Ele nos ajude a ministrar a Ele. Vamos orar?
Amado Senhor, nós nos curvamos na Tua presença. Estamos tão aquém do que deveríamos ser. E, particularmente, Senhor, queremos pedir o Teu perdão se abandonamos nosso primeiro amor e passamos a viver, de alguma forma, na rotina, e se as coisas tomaram conta de nossa vida, em lugar de um ministério a Ti mesmo.
Senhor, ouve o nosso clamor. Renova nosso primeiro amor. Aviva a chama do Teu amor em cada coração. Aviva-a até que se torne um grande fogo.
Senhor, ouve-nos. Não há outra maneira de esta nação ser tocada, nem outra maneira de esse terrível colapso de tantas coisas nesta nação ser detido, a menos que nosso coração esteja cheio de um amor renovado por Ti mesmo.
Faze isso, Senhor, nós Te pedimos. Pedimos em Teu nome. Amém.