Por favor, abram no livro de Apocalipse.
E ao anjo da igreja em Filadélfia escreve:
Estas coisas diz Aquele que é santo, Aquele que é verdadeiro, Aquele que tem a chave de Davi, Aquele que abre, e ninguém fechará, e que fecha, e ninguém abre:
Conheço as tuas obras; eis que tenho posto diante de ti uma porta aberta, a qual ninguém pode fechar; porque tens pouca força, e guardaste a Minha palavra, e não negaste o Meu nome.
Eis que te dou alguns da sinagoga de Satanás, dos que se dizem judeus e não são, mas mentem; eis que farei que venham e se prostrem diante dos teus pés, e saibam que Eu te amei.
Porque guardaste a palavra da Minha paciência, também Eu te guardarei da hora da provação, daquela hora que há de vir sobre o mundo inteiro, para provar os que habitam sobre a terra.
Venho sem demora: conserva o que tens, para que ninguém tome a tua coroa.
Ao que vencer, Eu o farei coluna no templo do Meu Deus, e dali nunca mais sairá: e escreverei sobre ele o nome do Meu Deus, e o nome da cidade do Meu Deus, a nova Jerusalém, que desce do céu, da parte do Meu Deus, e o Meu novo nome.
Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.
Amado Senhor, ao continuarmos juntos em Tua presença, nossos corações se humilham diante de Ti. Senhor, o que tens a nos dizer? Fala; Teus servos ouvem.
Entregamos este tempo em Tua mão, confiando que Teu Espírito Santo nos abrirá a Tua Palavra. Abre nossos corações, fala conosco e realiza Tua maravilhosa obra de transformação em nossa vida, para o louvor da Tua glória. Pedimos em Teu nome. Amém.
Sim, todos sabemos que, nas últimas semanas, temos considerado esta questão da casa de Deus. É por isso que me sinto dirigido a compartilhar com vocês, queridos irmãos e irmãs, a respeito da igreja em Filadélfia.
Será que algum de vocês já leu aquele livro de Watchman Nee chamado A Ortodoxia da Igreja? Ele apresentou essas mensagens em 1943, em Chongqing, a capital durante a guerra. Era inverno, e eu me lembro vividamente.
Nós nos reuníamos em um pequeno espaço na casa de um irmão. Aquela sala no andar de baixo comportava apenas quarenta pessoas, que ficavam apertadas umas contra as outras, sentadas em banquinhos.
Algumas irmãs moravam na Colina Norte, que ficava do outro lado de Chongqing. Elas precisavam sair a pé, descer aquela colina, atravessar o rio, subir até Chongqing e percorrer toda a cidade até o seu ponto mais alto. Era ali que nos reuníamos.
Cerca de cem pessoas se reuniam. Quarenta ficavam na sala; algumas se sentavam na escada dos fundos, e outras, em bancos colocados no beco. Pensem nisso: era inverno.
Mas havia tamanha fome e sede pelo Senhor. As pessoas não se importavam em vir de longe e fazer todo aquele caminho a pé. Noite após noite, elas vinham. Se me lembro bem, acho que nos reunimos durante oito noites.
Durante aquele período, nosso irmão nos apresentou essas mensagens sobre A Ortodoxia da Igreja, que tratam das sete igrejas da Ásia encontradas em Apocalipse 2 e 3.
Agora, irmãos e irmãs, sabemos que há algumas maneiras diferentes de olhar para essas sete igrejas.
Primeiro, podemos olhar para elas do ponto de vista local. Isto é, no final do primeiro século, existiam essas sete igrejas na Ásia Menor.
Na verdade, sabemos que, naquela época, havia mais de sete igrejas na Ásia Menor. Vocês se lembram da igreja em Hierápolis e da igreja em Colossos, mas elas não foram mencionadas aqui.
Deus escolheu essas sete igrejas de propósito. Mas lembrem-se: eram igrejas locais reais, na Ásia Menor, no final do primeiro século.
Segundo, como o livro de Apocalipse é um livro de profecia, podemos olhar para essas sete igrejas do ponto de vista profético. Isto é, elas mostram a condição das igrejas desde o primeiro século até agora, até a vinda do Senhor.
Podemos realmente ver como essas sete igrejas retratam de maneira maravilhosa a igreja ao longo dos séculos.
Terceiro, podemos olhar para essas sete igrejas do ponto de vista espiritual, ou seja, aprender com elas as lições espirituais que Deus quer que aprendamos.
Se prestarem atenção, perceberão que as três primeiras igrejas, do ponto de vista profético, parecem suceder umas às outras. Mas, quando chegamos a Tiatira, vemos que as quatro últimas fazem referência à vinda do Senhor.
Em outras palavras, perto do fim e por ocasião da vinda do Senhor, há na terra quatro tipos diferentes de igrejas. Há a Igreja Católica, representada por Tiatira; há a igreja em Sardes, que representa a Igreja Protestante; e, além das igrejas Católica e Protestante, encontramos igrejas como Filadélfia e Laodiceia.
Portanto, creio que as duas últimas igrejas têm uma relação especial conosco hoje. Mas, nesta manhã, gostaríamos de concentrar nossa atenção na igreja em Filadélfia.
Antes de tudo, acho que todos sabemos o que significa Filadélfia, pois Filadélfia significa amor fraternal.
Então, minha pergunta é: temos amor fraternal? O que vocês entendem por amor fraternal?
Vamos tomar como exemplo os doze discípulos no tempo do nosso Senhor Jesus. Vocês acham que havia amor fraternal entre os doze discípulos?
Vocês acham que Pedro tinha amor fraternal? Talvez digam: “Bem, quem sabe Pedro tivesse amor fraternal”. Por quê? Porque vocês se lembram de que, certa vez, ele veio ao Senhor e disse: “Meu irmão peca contra mim sete vezes, e eu o perdoo. Isso é suficiente?”
Para Pedro, aquilo era uma grande conquista, pois sabemos que ele era uma pessoa impulsiva, falante e extrovertida. Uma pessoa assim conseguir perdoar seu próprio irmão sete vezes é uma proeza e tanto.
Pedro estava muito orgulhoso de si mesmo, por isso veio ao Senhor e disse: “Isso seria suficiente?” E o Senhor disse, em Mateus 18:22:
Não te digo que até sete vezes, mas até setenta vezes sete.
É perdoar de verdade. Continuar perdoando.
O amor natural nunca pode corresponder ao amor fraternal. Isso está além da natureza humana. Tem de ser um amor que tenha sido disciplinado, tratado e purificado.
Vocês também se lembram de que os doze discípulos estavam sempre discutindo e brigando entre si. É evidente que todos queriam ser o maior dentre eles. Como discutiam entre si o tempo todo!
Até na Ceia do Senhor, ainda discutiam sobre quem era o maior. Aquilo era amor fraternal? Certamente não.
Mas, graças a Deus, por meio de Pedro aprendemos o que realmente é o amor fraternal. Depois de ser tratado pelo Senhor, ele passou a compreender o que de fato era o amor fraternal.
Agora, por favor, abram em 2 Pedro 1:5-7.
E, por isso mesmo, empregando toda a diligência, acrescentai à vossa fé a virtude; e à virtude, o conhecimento;
e ao conhecimento, o domínio próprio; e ao domínio próprio, a paciência; e à paciência, a piedade;
e à piedade, o amor fraternal; e ao amor fraternal, o amor.
Aqui vemos que o amor fraternal é algo desenvolvido em nossa vida espiritual. Não é algo natural em nós. Não o possuímos naturalmente.
Quantas vezes consideramos que temos amor fraternal. Mas será que realmente o temos, se compreendermos o que o amor fraternal de fato significa?
Vocês se lembram de que nosso Senhor Jesus, por ocasião da Última Ceia, nos deu um novo mandamento, em João 13:34:
Um novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como Eu vos amei, que também vós vos ameis uns aos outros.
Ora, isso é amor fraternal. O amor fraternal é sobrenatural. Vem do Senhor; é a Sua vida. Assim como Ele nos amou, nós também amamos uns aos outros.
Em outras palavras, não se trata de amarmos uns aos outros com nosso amor natural, mas de amarmos uns aos outros depois que nosso amor natural foi disciplinado e purificado.
É realmente o amor do próprio Cristo que foi edificado dentro de nós, e é a partir dele que podemos ter amor fraternal.
Aqui encontramos: empreguem toda a diligência. Acrescentem à fé a virtude. Em outras palavras, tudo começa com a fé. Sem crer no Senhor Jesus, não há nada.
Mas a fé precisa ser desenvolvida e acrescida de virtude, isto é, de nossa conduta, de nossa vida, da maneira como realmente vivemos.
Depois, à virtude, o conhecimento. Chegamos a um conhecimento mais claro, um conhecimento espiritual, o conhecimento de Deus. E do conhecimento vem a temperança, o domínio próprio. Isto é, o controle do Espírito.
Depois vem a perseverança, a paciência; e, depois da perseverança, a piedade: ser semelhante a Deus, porque isso procede de Deus. Somente depois da piedade encontramos o amor fraternal e, depois do amor fraternal, o amor.
Portanto, aqui vemos que a igreja em Filadélfia tem amor fraternal. Isso é algo que realmente vem de Deus. Não é algo que eles possuem naturalmente.
Mas, porque estão dispostos a se colocar sob a disciplina do Espírito Santo e são conduzidos pelo Senhor, buscando-O sinceramente, sem se acomodarem como se já tivessem o suficiente, eles são pacientes e humildes. Permitem que o Espírito Santo trabalhe em sua vida até que o amor fraternal comece a aparecer.
Assim como Davi disse em Salmos 133:1:
Oh! Quão bom e quão suave é
Que os irmãos vivam em união!
Ali encontramos o Espírito Santo, e ali vemos a vida chegando a eles.
Assim, ao pensarmos na igreja em Filadélfia, creio que, antes de tudo, precisamos considerar esta questão do amor fraternal. Como precisamos nos humilhar diante do Senhor, sem nos orgulharmos como se tivéssemos amor fraternal.
Não, naturalmente não o temos. Precisamos ser conduzidos pelo Espírito Santo, aprender a tomar a cruz e seguir o Senhor. Se buscarmos o Senhor com sinceridade e diligência, esse amor fraternal nos será dado. Ora, isso é Filadélfia.
Como sabemos, em cada carta o Senhor começa com uma revelação de Si mesmo. À igreja em Filadélfia, Ele diz, em Apocalipse 3:7:
Estas coisas diz Aquele que é santo, Aquele que é verdadeiro, Aquele que tem a chave de Davi, Aquele que abre, e ninguém fechará, e que fecha, e ninguém abre.
Essa é a descrição do nosso Senhor. Quando o Senhor apresenta uma descrição, revelando o que Ele é a determinada igreja, essa revelação, essa visão do Senhor, torna-se o testemunho da igreja.
Nenhuma igreja, sozinha, pode dar testemunho de tudo o que diz respeito ao nosso Senhor Jesus, mas apenas de alguns aspectos Dele. Aqui vemos que à igreja em Filadélfia é dada a revelação de que nosso Senhor é o Santo.
Santo significa separado, diferente, inteiramente diferente. Este é o nosso Deus. Nosso Deus é o Deus santo. Ele é diferente de qualquer outro.
Vocês se lembram de Hebreus 12:14: sem santidade, ninguém pode ver o Senhor. Em outras palavras, a Bíblia nos diz, em 1 Pedro 1:16:
Sede santos, porque Eu sou santo.
O padrão de santidade é o próprio Deus: separado, inteiramente diferente, único, sem igual.
É isso que Deus quer que sejamos. Humanamente falando, gostamos de ser como as outras pessoas. Gostamos de seguir a corrente. Gostamos de ser aceitos pelo mundo.
Mas aqui vemos que nosso Deus é o Deus santo. Ele quer que sejamos diferentes. Ele quer que sejamos como Ele é. Isso é santidade.
Em segundo lugar, vemos que Ele diz: “Aquele que é verdadeiro”. Deus é a verdade. Sua Palavra é verdadeira.
Vocês se lembram de que, em 2 Coríntios 1:20, o apóstolo Paulo disse que todas as promessas de Deus são “Sim e Amém” em Cristo Jesus. Nosso Deus é verdadeiro, e Sua Palavra é verdadeira.
Portanto, isso diz respeito à nossa necessidade de guardar a Palavra de Deus. Tudo o que Ele diz é Sim e Amém. Tudo é verdadeiro, e tudo se cumpre e se realiza em Cristo Jesus.
Em terceiro lugar, Ele tem a chave de Davi, como lemos em Apocalipse 3:7:
Aquele que abre, e ninguém fechará; e que fecha, e ninguém abre.
Ora, sabemos que Davi é rei, portanto isso mostra que se trata do reino dos céus. Nosso Senhor Jesus tem a chave do reino.
O reino dos céus é o que nosso Senhor pregou enquanto estava na terra. O reino dos céus é o evangelho; Ele quer que entremos nesse reino, pois tem a chave dele. Ele o abriu para nós e nos chama a vir e entrar no reino dos céus.
Ao lermos o livro de Mateus, consideramos: como podemos entrar no reino dos céus? Quando nosso Senhor Jesus veio a esta terra, Ele veio trazer o reino dos céus à terra.
Mas, quando veio pela primeira vez, Ele proclamou, em Mateus 4:17:
Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus.
Embora Ele já tivesse vindo, o reino ainda não havia se tornado uma realidade. Por quê? Porque Ele não tinha um povo.
A razão pela qual Ele veio a este mundo não foi apenas salvar os perdidos. Havia um propósito: trazer-nos para o Seu reino e fazer de nós filhos e filhas do reino.
Mas como podemos entrar nesse reino? Quanto à nossa posição, estamos nele, pois Colossenses 1:13 nos diz que Ele nos transferiu do poder das trevas para o reino do Filho do Seu amor.
Mas, em nossa experiência, estamos nele? Estamos no reino dos céus? Somos realmente filhos e filhas do reino? Como podemos entrar no reino dos céus?
Mateus 11:12 nos diz que os violentos o tomam pela força. Isso não se refere a ser violento com outras pessoas. Infelizmente, somos violentos com os outros e mansos e bondosos conosco mesmos.
Mas o que precisamos fazer é negar a nós mesmos, tomar a cruz e seguir o Senhor. Isso é ser violento, e os violentos o tomam pela força.
Em outras palavras, entrar no reino dos céus não é algo que fazemos naturalmente. É algo de que precisamos nos apoderar, e somente os violentos se apoderam dele.
Portanto, aqui vemos que essa é a mensagem à igreja em Filadélfia. O Senhor quer que os membros de Sua igreja sejam violentos consigo mesmos a fim de seguir o Senhor.
Depois de o Senhor revelar a Si mesmo à igreja, vemos que Ele examina a igreja. Todos nos lembramos daquela visão das sete igrejas, em que há Alguém andando no meio delas.
Nosso Senhor Jesus, no céu, é o Sumo Sacerdote. Ele ministra não apenas a nós individualmente, mas também à igreja como um todo. Ele examina a igreja para ver se ela realmente O representa e se realmente mantém o testemunho de Jesus.
Graças a Deus, à igreja em Filadélfia Ele disse, em Apocalipse 3:8:
Conheço as tuas obras.
O Senhor sabe de tudo, irmãos e irmãs.
Nós realmente não conhecemos a nós mesmos. Nosso julgamento não é exato. O que pensamos de nós mesmos talvez não seja o julgamento correto. O único julgamento correto vem do Senhor.
Como é uma bênção quando nosso Senhor Jesus diz, em Apocalipse 3:8:
Conheço as tuas obras.
Tens pouca força.
Agora, irmãos e irmãs, todos buscamos poder. Mas o que é poder? O que é o verdadeiro poder?
Vocês se lembram de Zacarias 4:6:
Não por força, nem por poder, mas pelo Meu Espírito, diz o Senhor dos Exércitos.
Em outras palavras, o poder não está em nós mesmos. A força não está em nós mesmos. Está no Espírito Santo.
Aqui vemos que essas pessoas têm pouca força. Hoje buscamos grande poder, mas quanto desse grande poder é verdadeiro poder? Estes são dias de coisas pequenas, como diz a Bíblia.
Em outras palavras, eles têm pouca força, mas essa força é real. Não é produzida pelo homem; vem do Espírito Santo. Como eles realmente dependem do Espírito Santo, sem depender de si mesmos de maneira alguma! É isso que o Senhor deseja.
Ele também disse, em Apocalipse 3:8:
Guardaste a Minha palavra.
Sabem, irmãos e irmãs, nosso problema é que, quando a Palavra de Deus nos convém, nós a aceitamos. Quando ela parece não corresponder ao nosso gosto, tentamos ignorá-la ou interpretá-la de uma maneira que nos livre de suas exigências.
Mas, quando nos aproximamos da Palavra de Deus, sabemos que ela é soprada por Deus. Cada palavra das Escrituras é soprada por Deus.
Portanto, precisamos nos aproximar da Palavra de Deus de maneira direta. Isto é, o que ela diz é o que é. Não porque gostamos, nem porque pensamos que já possuímos aquilo de que ela fala.
Mesmo que ela seja contrária a nós, mesmo que pareça nos acusar, precisamos ter esta atitude: ela é a Palavra de Deus. Se é a Palavra de Deus, mesmo que não nos seja agradável, ainda assim nos curvaremos diante dela.
Aqui vemos esses irmãos e irmãs em Filadélfia: eles guardam a Palavra de Deus, seja qual for o seu conteúdo.
Talvez tenham de sofrer por causa dela. Talvez tenham de ser tratados por ela. Mas não fogem dela. Aceitam-na como ela é e permitem que a Palavra de Deus trabalhe em sua vida, para libertá-los de si mesmos.
Ele também disse, em Apocalipse 3:8:
Não negaste o Meu nome.
Vocês se lembram de Mateus 18:20:
Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em Meu nome, aí estou Eu no meio deles.
Dois ou três reunidos em Seu nome.
Em outras palavras, qual é o significado da igreja? A igreja existe quando as pessoas se reúnem em torno do nome do nosso Senhor, não no sentido de simplesmente usar um nome exteriormente, mas no sentido de nos colocarmos sob o nome do nosso Senhor.
A realidade da igreja é que cada irmão e cada irmã se coloca sob a autoridade de Cristo. Isso é o encabeçamento de Cristo. Na igreja, o homem não é a cabeça; Cristo é a Cabeça.
Todos procuramos nos manter firmemente ligados à Cabeça. Se fizermos isso, todos os membros do Corpo estarão unidos e ministrarão uns aos outros.
Por outro lado, se nos reunirmos em torno de qualquer outro nome, como vemos hoje — igrejas que recebem o nome de uma pessoa espiritual extraordinária, como Lutero ou Wesley, e assim por diante —, ou se nos reunirmos em torno de algum tipo de sistema ou ensino, isso não é realmente nos mantermos firmemente ligados à Cabeça e sermos fiéis ao nome do nosso Senhor Jesus.
O único em torno de Quem a igreja se reúne é Cristo. Todos O respeitamos e O honramos como a Cabeça da igreja.
Se fizermos isso, o resultado será que estaremos unidos e realmente seremos capazes de ministrar uns aos outros. Acho que isso é algo que de fato fala ao nosso coração.
Além disso, encontramos em Apocalipse 3:10:
Porque guardaste a palavra da Minha paciência.
Aqui encontramos, de modo especial, a palavra da Sua paciência. Ora, o que isso significa?
Quando nosso Senhor Jesus estava na terra, uma das coisas que realmente O distinguiam era Sua paciência: como Ele era paciente conosco, até mesmo com Seus discípulos.
Quando nosso Senhor Jesus falava com Seus discípulos, muitas vezes eles não conseguiam entender. Não apenas isso: entendiam mal; interpretavam as coisas de maneira diferente. Nosso Senhor Jesus precisava ser paciente com eles. Ele nunca desistiu deles.
Ele permaneceu com eles. Continuou procurando conduzi-los a um nível mais elevado. Era paciente com eles.
Nosso Senhor foi paciente com este mundo. Como o mundo O tem rejeitado e, ainda assim, Ele tem sido tão paciente, paciente até o século XXI.
A tribulação produz perseverança, paciência. Portanto, queridos irmãos e irmãs, precisamos aprender a palavra da Sua paciência.
Quantas vezes tentamos desistir. Desistimos de nossos irmãos e irmãs e até de nós mesmos. Mas, graças a Deus, Ele nunca desiste. Ele é paciente conosco.
Esses irmãos e irmãs guardaram a palavra da Sua paciência. Em outras palavras, não se separaram simplesmente porque discordavam ou não estavam satisfeitos. Continuaram juntos, aprenderam uns com os outros e foram pacientes uns com os outros, sabendo que é assim que nosso Senhor nos ensina.
Agora, vemos que nosso Senhor Jesus promete duas coisas à igreja em Filadélfia.
Uma delas se encontra em Apocalipse 3:10:
Porque guardaste a palavra da Minha paciência, também Eu te guardarei da hora da provação, daquela hora que há de vir sobre o mundo inteiro, para provar os que habitam sobre a terra.
Agora, vocês percebem o que nosso Senhor Jesus está dizendo aqui? Haverá uma hora de provação que virá sobre todo o mundo habitado, para provar os que habitam sobre a terra.
Sem dúvida, essa é a grande tribulação: os três anos e meio de grande tribulação.
Todos sabemos que a grande tribulação está chegando. Até o mundo percebe isso. Até o mundo diz que o fim deste mundo está chegando.
Mas aqui há uma promessa preciosa. O Senhor prometeu à igreja em Filadélfia, àqueles que O seguem tão fielmente, que, quando a hora daquela grande tribulação vier sobre todo o mundo habitado, Ele os manterá fora daquela hora.
O que isso significa? Não significa que o Senhor os guardará durante a hora da tribulação. Significa que, quando chegar a hora da grande tribulação, Ele já os terá levado para junto de Si.
Portanto, esse é o primeiro arrebatamento. É o que encontramos em Apocalipse 12:5: o filho varão foi arrebatado para o trono antes que viesse a grande tribulação.
A grande tribulação não virá até que a trindade do mal esteja nesta terra. Satanás será lançado sobre esta terra, o anticristo aparecerá e o falso profeta aparecerá.
Assim, quando a trindade do mal estiver nesta terra, o que podemos esperar senão a grande tribulação? Mas, graças a Deus, há uma promessa preciosa de que Ele os livrará da hora daquela grande tribulação.
Irmãos e irmãs, não é essa a nossa esperança, a nossa expectativa? Não é isso que estamos aguardando? Não estamos aguardando a morte. Não estamos aguardando a grande tribulação. Estamos aguardando ser levados para o trono.
É uma comitiva de recepção para a segunda vinda do nosso Senhor Jesus. Portanto, essa é a primeira promessa.
Depois daquela primeira promessa, encontramos outra, em Apocalipse 3:12:
Ao que vencer, Eu o farei coluna no templo do Meu Deus, e dali nunca mais sairá: e escreverei sobre ele o nome do Meu Deus, e o nome da cidade do Meu Deus, a nova Jerusalém, que desce do céu, da parte do Meu Deus, e o Meu novo nome.
Em outras palavras, há uma promessa a respeito do reino milenar, de mil anos: o reino dos céus quando vier sobre esta terra.
Eles reinarão com Cristo. Haverá ali uma coluna. Isso não será apenas durante a era do reino, mas se estenderá até a eternidade.
Portanto, vemos que, especialmente na promessa à igreja em Filadélfia, há não apenas a promessa do reino milenar, mas também uma promessa que se estende à eternidade. A Nova Jerusalém não aparecerá na terra antes da eternidade.
Queridos irmãos e irmãs, é isso que lemos a respeito da igreja em Filadélfia.
Agora, há uma questão. Um dia, um irmão me perguntou: “Você acha que a igreja em Filadélfia é uma igreja ideal?”
Quando vocês ouvem falar da igreja em Filadélfia e começam a compreender o que realmente é uma igreja como Filadélfia, qual é a sua reação? Acham que é possível? Pode ser real? Ou é apenas uma igreja ideal?
Em outras palavras, todos temos nossos ideais em nossa mente, mas eles são algo que não pode ser alcançado. Fazemos deles um alvo, mas nunca os alcançamos. Irmãos e irmãs, é essa a impressão de vocês?
Eu acho que não. Por quê? Porque, no final do primeiro século, o Senhor já havia obtido na terra essa igreja em Filadélfia.
Em outras palavras, ela é uma realidade. Não é um ideal.
Espero, irmãos e irmãs, que não a consideremos um ideal, mas que a vejamos como uma realidade: que, pela graça de Deus e pelo poder do Espírito Santo, isso seja real também entre nós. Essa deve ser a nossa oração.
Portanto, espero que, ao considerarmos novamente essa igreja em Filadélfia, todos tenhamos esta oração: “Senhor, que Tua graça venha sobre nós de tal maneira que possamos estar diante de Ti como uma igreja em Filadélfia, para o louvor e a glória de Deus”.
Amado Senhor, nós nos humilhamos diante de Ti, reconhecendo, Senhor, que estamos longe de ser o que a igreja em Filadélfia é, aquilo que Tu esperas de nós.
Ó amado Senhor, pedimos que nos dês tal espírito de humildade que possamos nos curvar cada vez mais diante de Ti e permitir que trabalhes em nossa vida, até que nos eleves ao Teu próprio padrão.
É a Tua obra. És Tu, não nós. Senhor, olhamos para Ti. Tem misericórdia de nós. Pedimos em Teu precioso nome.