Por favor, abram no livro de Hebreus.
Portanto, santos irmãos, participantes da vocação celestial, considerai o Apóstolo e Sumo Sacerdote da nossa confissão, Jesus.
Agora, por favor, abram no livro de Mateus.
E, chegando Jesus às regiões de Cesareia de Filipe, perguntou aos Seus discípulos, dizendo: Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?
E eles disseram: Uns dizem João Batista; outros, Elias; e outros, Jeremias ou algum dos profetas.
Disse-lhes Ele: Mas vós, quem dizeis que Eu sou?
E Simão Pedro, respondendo, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.
E Jesus, respondendo, disse-lhe: Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas: porque não foi carne e sangue que te revelaram isso, mas Meu Pai, que está nos céus.
E Eu também te digo que tu és Pedro, e sobre esta rocha edificarei a Minha igreja; e as portas do Hades não prevalecerão contra ela.
Dar-te-ei as chaves do reino dos céus: e tudo o que ligares na terra será ligado nos céus; e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus.
Então ordenou aos discípulos que a ninguém dissessem que Ele era o Cristo.
Desde então começou Jesus a mostrar aos Seus discípulos que Lhe era necessário ir a Jerusalém, padecer muitas coisas dos anciãos, dos principais sacerdotes e dos escribas, ser morto e ressuscitar ao terceiro dia.
E Pedro, tomando-O à parte, começou a repreendê-Lo, dizendo: Longe de Ti tal coisa, Senhor: isso nunca Te acontecerá.
Ele, porém, voltando-Se, disse a Pedro: Para trás de Mim, Satanás: tu és uma pedra de tropeço para Mim: porque não cogitas das coisas de Deus, mas das coisas dos homens.
Então disse Jesus aos Seus discípulos: Se alguém quiser vir após Mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me.
Porque aquele que quiser salvar a sua vida perdê-la-á: e aquele que perder a sua vida por Minha causa achá-la-á.
Pois que aproveitará ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua vida? Ou que dará o homem em troca da sua vida?
Vamos fazer uma oração.
Querido Senhor, como Te louvamos e Te agradecemos por Tua presença entre nós. Agradecemos-Te por nos dares a oportunidade e o privilégio de nos lembrarmos de Ti à Tua mesa. Senhor, como nos tens amado, e amado até o fim.
Nós Te adoramos. Proclamamos o Teu nome. Tu és verdadeiramente nosso Senhor, nosso Rei e nosso tudo. Queremos dar-Te toda a glória e todo o louvor que Te são devidos.
E, querido Senhor, nós Te agradecemos porque continuas conosco e estás disposto a falar conosco por meio da Tua Palavra. Por isso, pedimos-Te, Senhor, que o Teu Espírito sopre sobre a Tua Palavra e a torne viva e operante na vida de cada um de nós.
Que a Tua Palavra não apenas nos prove e nos examine, mas também nos encoraje e nos edifique, para que estejamos onde Tu desejas que estejamos. Senhor, que nossa vida na terra Te glorifique e cumpra o Teu propósito.
Assim, entregamos este tempo em Tuas mãos, confiando que o Teu Espírito Santo fará a Sua obra para a glória de Deus. Pedimos em Teu precioso nome. Amém.
Irmãos e irmãs, nós agradecemos ao Senhor porque somos participantes da vocação celestial. Pensem nisso. Nós, que estávamos mortos em pecados e transgressões, nós, que éramos inimigos de Deus; ainda assim, Deus, em Sua grande misericórdia, nos chamou com uma vocação celestial.
Quando recebemos um chamado tão elevado, uma vocação celestial, convém considerarmos a nossa confissão.
Nós confessamos que nosso Senhor Jesus não é apenas o nosso Apóstolo. Ele veio a este mundo, enviado por Deus para uma missão especial: vir, buscar e salvar o perdido.
Agradecemos a Deus porque Ele também é o nosso Sumo Sacerdote. Enquanto estava na terra, Ele era o nosso Apóstolo. Ele realizou essa obra de salvação na cruz. Agora Ele está no céu, mas continua trabalhando em nosso favor. Ele é o nosso Sumo Sacerdote.
A Bíblia diz que Ele intercede por nós incessantemente, dia e noite, sem cessar, para salvar plenamente aqueles que se achegam a Ele. E essa é a nossa confissão.
Por isso, nesta manhã, gostaria de compartilhar novamente com os irmãos e as irmãs sobre essa boa confissão.
Sabem, estamos vivendo um momento muito empolgante, porque a Bíblia nos diz com muita clareza que vivemos numa época em que há um grande abalo por toda parte. Uma vez, Deus abalou a terra, mas agora Ele está abalando os céus e a terra. Isso é um prelúdio da segunda vinda de nosso amado Senhor.
Mas, enquanto vivemos nesta era, neste tempo de grande abalo, tudo ao nosso redor é abalado. Até a nossa vida é abalada, para que tudo o que possa ser removido pelo abalo seja removido. Nada pode permanecer, a não ser aquilo que não pode ser abalado. Isso permanecerá, e receberemos o reino de Deus.
Portanto, queridos santos, irmãos e irmãs, creio que todos percebemos que estamos vivendo um tempo muito conturbado. Mas, em outro sentido, este é um tempo empolgante. É um tempo em que Deus está nos preparando para entrar gloriosamente em Seu reino.
Assim, tudo o que pode ser removido pelo abalo em nossa vida, mais cedo ou mais tarde, poderá ser removido, para que permaneça apenas aquilo que não pode ser abalado, e possamos, pela graça de Deus, entrar de maneira gloriosa e abundante no reino dos céus.
Esse é o propósito de Deus. Mas, quando estamos vivendo num tempo como este, creio que é muito importante que cada um de nós olhe para o seu fundamento. É hora de examinarmos o nosso fundamento, para ver se ele é sólido e pode resistir a todos os abalos, ou se há alguma falha nele, de modo que provavelmente venhamos a sofrer alguma perda.
Por isso, nesta manhã, gostaria de compartilhar com vocês, queridos irmãos e irmãs, algo muito básico e fundamental. Queremos examinar o nosso fundamento para ver se realmente temos uma boa confissão e até que ponto somos fiéis a essa confissão.
Agora, para tratar disso, não gostaríamos de abordar o assunto do ponto de vista teológico. Creio que já ouvimos o suficiente — até demais. Gostaríamos de abordá-lo do ponto de vista da experiência. Como vamos experimentar essa boa confissão e ver, pela experiência, como o Senhor nos conduzirá a ela?
Então, pessoalmente, sinto que não há nada melhor do que usar alguns exemplos. E o exemplo que gostaríamos de escolher para hoje é Pedro.
Sabem, Pedro antes se chamava Simão, filho de Jonas. Ele era judeu. Era pescador. Mas era um daqueles judeus que, naquela época, aguardavam o Messias.
Um dia, seu irmão André ouviu João Batista dizer, quando nosso Senhor Jesus passava:
Eis o Cordeiro de Deus.
Ao ouvir isso, André e seu companheiro João deixaram João Batista e seguiram o Senhor Jesus.
E o Senhor Se voltou e disse:
Que buscais?
Sabem, eles Lhe deram uma resposta muito estranha:
Onde moras?
Em outras palavras, queriam conhecer mais o Senhor. Tinham ouvido que Ele era o Cordeiro de Deus, mas queriam descobrir até que ponto isso era real. Então ficaram com o Senhor Jesus naquela noite e, graças a Deus, vieram a conhecê-Lo como o Messias.
André, depois de encontrar o Messias, foi procurar seu irmão Simão e o levou ao Senhor. E creio que todos vocês se lembram do relato no Evangelho de João.
Sabem, Simão era uma pessoa extrovertida. Todos nós temos temperamentos diferentes, irmãos e irmãs. Costumo dizer que essa é a maravilha de Deus. Não somos diferentes apenas fisicamente — até os gêmeos podem enganar outras pessoas, mas não seus pais. Cada pessoa é diferente.
Mas, sabem, há outra diferença que às vezes negligenciamos: o nosso temperamento. O temperamento é a forma da nossa alma. Nossa alma tem uma forma, e ela se expressa em nosso temperamento. Alguns são rápidos, outros são lentos; alguns são extrovertidos, outros são introvertidos. Cada pessoa é diferente.
Mas, queridos irmãos e irmãs, essa é a maravilha da criação. Não tentem imitar outra pessoa. O temperamento que Deus lhes deu é o adequado para vocês, e Ele pode usar esse temperamento para a Sua glória.
Ele governará o seu temperamento, e o seu temperamento servirá ao propósito de Deus. Mas, se usarmos nosso temperamento por conta própria, prestaremos um desserviço a Deus e causaremos danos. Portanto, não tentem imitar ninguém. Sejam vocês mesmos.
Todos temos temperamentos diferentes. Mas, graças a Deus, seja qual for o nosso temperamento, podemos experimentar nosso Senhor Jesus da mesma maneira. Nossas experiências são diferentes, de acordo com nossos diferentes temperamentos, mas aquilo que está por trás da nossa experiência do Senhor é o mesmo.
Então, aqui encontramos Simão. Ele era tão diferente de seu irmão André. Sabemos que André era uma pessoa muito quieta, mas muito observadora. Em meio a milhares de pessoas, ele notou um menino que tinha um pouco de comida.
Mas Simão era muito diferente. Era impulsivo, falava sem rodeios e estava sempre à frente. Antes de pensar, já estava falando. Sim, esse era Simão.
Mas vocês notarão algo muito estranho. Quando ele foi levado ao Senhor Jesus, não disse uma palavra. Porque, quando ele chegou ao Senhor Jesus, a Bíblia diz que o Senhor olhou para ele.
E a palavra olhar, no grego original, indica um olhar intenso. Quer dizer, nosso Senhor Jesus o olhou de alto a baixo, e novamente de alto a baixo. E, quando Simão foi olhado daquela maneira pelo Senhor, ficou sem palavras. Por quê? Porque o Senhor olhou para dentro dele.
E o Senhor começou a dizer:
Tu és Simão, mas serás chamado Pedro.
Em outras palavras, por natureza ele era Simão, um homem feito de pó. Mas o Senhor disse:
Serás chamado Pedro.
E Pedro, em grego, significa uma pequena pedra.
Agora, qual é a diferença entre pó e pedra? A pedra é algo sólido. Há algum elemento na pedra que a torna forte, sólida, imutável.
Assim, vemos que, quando ele veio ao Senhor Jesus, o Senhor olhou para ele e disse: “Você será transformado”. Foi assim que Simão encontrou o Senhor Jesus pela primeira vez.
E então, é claro, no relato dos Evangelhos, vemos que Simão e seu irmão André começaram a seguir o Senhor Jesus, mas não de maneira constante. Às vezes estavam com o Senhor Jesus; às vezes, não.
Quando João Batista foi preso e nosso Senhor Jesus começou a exercer plenamente o Seu ministério, Ele passou a chamar discípulos. E, quando viu Simão e seu irmão André, eles estavam lançando as redes. O Senhor os chamou:
Vinde e segui-Me.
E eles deixaram o barco e seguiram o Senhor.
Mas isso não foi constante. Por quê? Porque, embora Simão tivesse começado a seguir o Senhor Jesus para se tornar Seu discípulo, enquanto seguia o Senhor, descobriu que não era apto. Ele era tão diferente de seu Senhor. Considerava-se incapaz de ser verdadeiramente Seu discípulo.
Vocês se lembram de Lucas 5, quando nosso Senhor foi à cidade dele? Sabem o que ele havia feito? Tinha voltado a pescar. Mas, durante a noite inteira, não conseguiu apanhar nada.
Então o Senhor usou o barco dele, sentando-Se nele para pregar às pessoas que estavam em terra, porque eram muitas. Tudo isso aconteceu usando o barco de Simão. Nosso Senhor nunca fica devendo nada a ninguém.
Como Simão ainda não era plenamente Seu discípulo, o Senhor iria pagar pelo uso daquele barco. Então nosso Senhor disse a Simão:
Faze-te ao largo, e lançai as vossas redes para pescar.
Bem, Simão disse: “Tu não és pescador. Eu sou pescador. Tu podes conhecer as coisas celestiais, mas eu conheço as coisas terrenas. O que sabes sobre pesca?”
Mas, para agradar a Ele, Simão disse: “Está bem, vou fazer isso, mas não espero nada”. Não havia peixes. Contudo, quando lançaram a rede, apanharam uma rede cheia de peixes. Tiveram de chamar seus companheiros para ajudar, e encheram os dois barcos.
E, quando Simão viu isso, percebeu algo. Percebeu que era pecador. Mas, por outro lado, percebeu que o Senhor podia fazer algo sobrenatural.
Ora, se o Senhor era capaz de lhe dar uma rede tão cheia de peixes a partir do nada, certamente era capaz de fazer dele, que não era nada, alguma coisa. Mas ele percebeu como era inadequado.
Vocês se lembram de como ele se ajoelhou diante do Senhor e disse:
Senhor, sou um pecador. Afasta-Te de mim.
Mas, em seu coração, ele queria ser aceito pelo Senhor.
Então o Senhor olhou para o coração. O Senhor nunca será enganado por suas palavras. Ele conhece o seu coração. Por isso, o Senhor disse:
Não temas. Eu te farei pescador de homens.
E, a partir daí, vemos que Simão se tornou um companheiro constante de nosso Senhor Jesus.
Agora, irmãos e irmãs, ele se parece com vocês ou comigo? Quando viemos ao Senhor Jesus pela primeira vez, sempre houve esse tipo de situação. Por um lado, percebemos que Ele é o nosso Salvador. Somos gratos a Ele. Queremos segui-Lo.
Mas, por outro lado, à medida que O seguimos, percebemos como somos diferentes Dele, como somos inadequados. Ficamos pensando se vamos conseguir ou não. E, às vezes, tentamos nos afastar discretamente.
Mas o amor de nosso Senhor Jesus está constantemente sobre nós. Não somos nós que não O deixamos ir; é Ele Quem não nos deixa ir. Graças a Deus por isso.
Se dependesse de nós, irmãos e irmãs, onde estaríamos hoje? Mas, quando Deus nos escolhe e nos chama, Ele nos conduz até o fim. Aquele que chama é capaz de nos fazer entrar nessa vocação.
Foi assim que Simão Pedro começou sua vida com o Senhor. E então vemos nas Escrituras que, depois de nosso Senhor ter exercido Seu ministério por algum tempo, os judeus, como nação, O rejeitaram.
Eles não conseguiam compreendê-Lo. Embora aguardassem um Messias, sua ideia do Messias era terrena. Queriam que o Messias viesse, derrubasse o Império Romano, os libertasse daquele domínio e os tornasse uma grande nação. Esse era o tipo de Messias que esperavam.
Por isso, quando nosso Senhor Jesus veio e buscou as almas dos homens, em vez de sua grandeza material, eles se decepcionaram com Ele. Eles O rejeitaram.
Mas, enquanto O rejeitavam, a Bíblia nos diz que Ele Se retirou para a região de Cesareia de Filipe. Cesareia de Filipe era uma cidade gentílica. E, quando estava naquela região, Ele fez uma pergunta aos Seus discípulos. Disse:
Quem dizem os homens que Eu, o Filho do Homem, sou?
Agora, é claro, os discípulos tinham ouvido muitos comentários, a maioria ruins e talvez alguns bons. Então, como discípulos, não iriam contar ao Senhor Jesus todos os comentários ruins. Procuravam agradar ao seu Mestre.
Assim, disseram: “Bem, alguns dizem que Tu és João Batista que voltou à vida. Outros dizem que Tu és Elias. Outros dizem que Tu és Jeremias, porque choras. Outros dizem que Tu és como Isaías, o grande profeta. E, às vezes, dizem que Tu és um dos profetas”.
Em outras palavras, todos esses eram comentários favoráveis. Mas nosso Senhor não ficou satisfeito.
Costumo dizer: se você é chinês e algumas pessoas dizem: “Bem, você é como Confúcio”, como se sentiria? Você se sentiria honrado além da medida. “Ah, eu não sou digno”, não é?
Se nosso Senhor Jesus fosse apenas um homem, deveria ter ficado satisfeito. Mas Ele não ficou. Ele é mais do que um homem.
Então nosso Senhor Jesus disse: “Agora, vocês já estão Comigo há algum tempo. Deveriam Me conhecer melhor”.
Quem dizeis que Eu sou?
E, é claro, Simão Pedro era como um porta-voz. Ele respondeu de imediato:
Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.
Essa é a sua confissão.
Irmãos e irmãs, sabem o que nosso Senhor Jesus disse? Ele disse:
Simão Barjonas, tu és bem-aventurado.
Por quê? Ele disse: “Porque isso não é algo que seres humanos possam lhe dizer”.
Porque o mundo, no máximo, só consegue vê-Lo como Elias. É tudo o que pode fazer. Só consegue ver o exterior; não consegue ver o interior.
Então nosso Senhor Jesus disse: “Foi Meu Pai, que está nos céus. Ele revelou isso a você”.
Queridos irmãos e irmãs, como somos bem-aventurados. Um dia, algo — uma revelação — nos foi dado. Antes estávamos em pecados e transgressões; éramos inimigos de Deus. E, ainda assim, o Pai celestial nos revelou Jesus como o Cristo, como o Filho de Deus.
Cristo — o próprio nome Cristo fala de Sua missão. Ele foi enviado por Deus para cumprir uma missão especial, e essa missão é nos salvar, e nos salvar plenamente.
Quando nosso Senhor Jesus foi crucificado, antes de morrer, Ele clamou:
Está consumado.
Em outras palavras, a missão estava cumprida. E então inclinou a cabeça e entregou-Se ao Pai. Irmãos e irmãs, Ele é o Cristo.
Mas, mesmo conhecendo-O como o Cristo, será que realmente O conhecemos como o Cristo? Quanto está incluído no fato de Ele ser o Cristo?
Vocês se lembram do que aconteceu depois que Ele morreu, ressuscitou e subiu às alturas? No dia de Pentecostes, lembram-se de que Pedro proclamou que Deus O havia feito tanto Cristo como Senhor.
Portanto, o próprio significado de Cristo é tão abrangente, tão inclusivo. Irmãos e irmãs, estamos apenas começando a conhecê-Lo como o Cristo. Estamos apenas começando a conhecer Sua obra.
E continuamos conhecendo Sua obra, participando dela e desfrutando daquilo que Ele fez por nós. Isso não tem fim.
E Ele é o Filho de Deus — isso diz respeito à Sua pessoa. Quanto à Sua pessoa, Ele é o Unigênito do Pai. Ele é um com o Pai. Ele é o Herdeiro de todas as coisas. Todo o coração de Deus Pai está voltado para Ele e está Nele.
Mal O conhecemos como o Filho de Deus. Estamos apenas começando a conhecê-Lo. E não basta uma vida inteira para conhecê-Lo como o Filho de Deus; é necessária a eternidade para conhecê-Lo.
Porque, na verdade, Deus é o único que O conhece plenamente, e Ele está continuamente nos revelando Seu Filho. E essa é a alegria emocionante da vida cristã.
Mas, irmãos e irmãs, pelo menos há um começo. Aqui vemos que Simão teve um bom começo. Ele disse:
Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.
Uma boa confissão.
E, com base nisso, o Senhor começou a revelar algo mais. Sabem, se vocês não têm a revelação do Pai a respeito de Seu Filho, não haverá mais revelação.
Mas, se vocês têm a revelação do Pai de que nosso Senhor Jesus é o Cristo, o Filho do Deus vivo, então há algo mais que Ele poderá nos revelar.
Então vemos que o Senhor Jesus disse: “Bem, você é Pedro. Você é uma pequena pedra, um pedaço da rocha. Agora, o que vou fazer com você?” O Senhor disse:
Edificarei a Minha igreja sobre esta rocha.
Agora, é claro, a Igreja Romana pensa que a igreja é edificada sobre o fundamento de Pedro por causa desse versículo. Mas todos nós sabemos hoje que isso é um engano. Por quê? Porque Pedro é apenas uma pequena pedra, um pedaço da rocha. E a rocha é o próprio Senhor Jesus. Ele é a Rocha Eterna.
E todos os que creem Nele se tornam pedaços dessa rocha. Em outras palavras, nós, que cremos no Senhor Jesus, recebemos Sua vida.
Assim, embora haja tamanha diferença — uma grande diferença entre uma pequena pedra e uma rocha enorme —, a natureza é a mesma, porque a pedra é um pedaço daquela grande rocha.
Irmãos e irmãs, por que o Senhor Jesus nos salvou? Há um significado tremendo por trás disso. Ele não nos salva apenas para que possamos ir para o céu.
Sempre me lembro de um irmão que disse: “Se meus dois pés estiverem para dentro da porta do céu, estou satisfeito”. Bem, espero que vocês não estejam satisfeitos.
Porque Deus nos chamou por Sua glória e virtude, e não de acordo com a nossa necessidade. Ele precisa satisfazer a Si mesmo. Para que Deus seja satisfeito, vocês podem ver como é grande a nossa salvação. Ele quer que O conheçamos cada vez mais.
Então nosso Senhor Jesus disse: “Agora você é um pedaço da rocha. Você se tornou uma pedra viva. Vou usar todas essas pedras vivas para edificar sobre Mim mesmo, e essa é a igreja”.
Quem está edificando a igreja? Hoje encontramos pessoas que se intitulam edificadores de igrejas. Não é de admirar que haja tantos problemas na chamada igreja hoje.
Sabem, os homens só conseguem construir a torre de Babel. Os homens não podem edificar a igreja. O próprio Senhor Jesus disse:
Eu edificarei a Minha igreja.
Agora, se ela é edificada pelo próprio Senhor, as portas do Hades se abrirão contra ela, mas não poderão prevalecer. Se ela for obra humana, basta que uma porta do inferno se abra para vencê-la.
Então aqui vemos uma revelação adicional, e essa revelação constitui parte da nossa boa confissão. O Senhor disse:
Edificarei a Minha igreja sobre esta rocha.
Sabem, Pedro entendeu isso com muita clareza, porque, quando lemos suas epístolas, em 1 Pedro 2, ele nos diz que nosso Senhor Jesus é a rocha, a pedra, o fundamento. Quando nos achegamos ao Senhor, todos nos tornamos pedras vivas, para sermos edificados juntos e nos tornarmos uma santa habitação de Deus.
Portanto, Simão Pedro sabia disso muito bem, mas, infelizmente, o mundo não entendeu. De qualquer modo, vemos que todos os que creem no Senhor Jesus devem ser edificados juntos para serem a casa de Deus.
Essas são as revelações, e essa é a nossa confissão. Graças a Deus por isso.
Mas, irmãos e irmãs, não pensem que, por terem ouvido isso, por terem recebido a revelação de que Jesus é o Cristo, o Filho do Deus vivo, e por nosso Senhor Jesus também lhes ter revelado que Ele está edificando vocês com outros para serem Sua casa, vocês já chegaram lá.
Receio que muitos cristãos estejam satisfeitos apenas por terem sido salvos. Não querem entrar na plenitude que Deus planejou para nós.
Mas Deus não está satisfeito. Ele continuará trabalhando em nós até que Seu propósito completo em vocês e em mim seja realizado.
Então vemos que, depois de nosso Senhor Jesus revelar essas coisas aos Seus discípulos, Ele lhes disse que não contassem a ninguém. Por quê? Porque Ele quer que as pessoas recebam a revelação do Pai.
Então a Bíblia diz que nosso Senhor Jesus começou a lhes revelar algo mais. Ele disse: “Vou a Jerusalém. Serei julgado. Serei morto. Mas, ao terceiro dia, ressuscitarei dentre os mortos”.
Sabem, é como se os discípulos não tivessem ouvido quando Ele disse: “Ressuscitarei dentre os mortos”. Só ouviram que Ele iria a Jerusalém, sofreria e morreria.
Então vocês sabem o que Pedro fez. Ele agarrou o Senhor. Sabem, a palavra usada ali é muito forte. Ele agarrou o Senhor, sacudiu-O e disse: “Não, Senhor, não. Isso nunca Te acontecerá. Tem compaixão de Ti mesmo. Tu não precisas disso”.
Ele fez isso com boa intenção. Diríamos que fez isso porque amava o Senhor. Mas, na verdade, naquele amor natural, ele estava amando a si mesmo.
Mas o Senhor sabia de tudo. Ele sabia que Satanás estava usando aquele homem que acabara de fazer uma confissão tão boa. E, se Ele desse ouvidos àquilo, tudo estaria acabado. Não haveria salvação.
Então nosso Senhor Se voltou, encarou-o e disse:
Para trás de Mim, Satanás: porque não cogitas das coisas de Deus, mas das coisas dos homens.
Então o Senhor começou a lhes ensinar uma lição. Ele disse:
Se alguém quiser seguir-Me, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me.
Se você ama a sua vida da alma, vai perdê-la. Se a perder por amor a Deus, vai ganhá-la para a eternidade. O que é mais precioso? Mesmo que você ganhe o mundo inteiro e perca a sua alma, nada se compara a ela.
Há uma lição que todos precisamos aprender.
Então, irmãos e irmãs, vemos que, embora tenhamos recebido alguma revelação e entendido que Ele é o Cristo, o Filho do Deus vivo, ainda há algo a aprender. Nós O chamamos de Senhor. Mas olhem para a nossa vida — como contradizemos Seu senhorio em nossa vida diária.
Ainda queremos fazer as coisas à nossa maneira, não apenas para nós mesmos, mas até impondo a nossa maneira ao Senhor. É nesse ponto que estamos.
Como precisamos aprender essa bênção da cruz. Sabem, se não houvesse cruz, não haveria Cristo. A razão pela qual Ele é o nosso Cristo é que Ele foi à cruz.
E o mesmo se aplica a nós. Se seguimos o Senhor Jesus, temos de carregar a cruz. Se não há cruz, isso mostra que não estamos seguindo o Senhor.
Por quê? Porque, depois que Deus criou o homem, o homem caiu em pecado. A vida da alma, a vida natural, é uma vida pecaminosa. É uma vida sob a influência do príncipe da potestade do ar. É rebelde.
Por isso, nossa vida da alma precisa passar pela cruz para ser purificada. Em vez de permitirmos que o inimigo se assente no trono da nossa vida da alma, ele precisa ser destronado e substituído por Cristo Jesus.
Então Sua vida entrará em nossa própria alma e usará nossa emoção, nosso pensamento e nossa vontade para glorificar a Deus. Caso contrário, quando usamos nossa vontade, quando usamos nosso pensamento, quando usamos nossa emoção, fazemos isso sob a influência de Satanás. É assim tão sério.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, precisamos considerar a nossa vocação. Precisamos considerar a confissão que fizemos. Será que realmente fazemos a boa confissão? Esse será o nosso testemunho. Mas onde estamos hoje?
Sabem, na vida de Pedro, vemos repetidas vezes que Deus o interrompeu. Ele tinha tantas sugestões, e Deus precisava interrompê-lo.
Nosso Senhor Jesus não apenas pareceu interrompê-lo logo depois de sua confissão; vemos também que, mais tarde, quando o Senhor o levou ao monte da transfiguração, ele viu a glória do Senhor, o reino, o reino vindouro.
E ele ficou tão feliz. Então, mais uma vez, sugeriu fazer três tendas: uma para o Senhor, uma para Moisés e uma para Elias; e ele dormiria ao relento. Que sacrifício!
Mas, enquanto ele falava, Deus o interrompeu. A glória Shekinah de Deus veio e o envolveu, e uma voz disse:
Este é o Meu Filho amado: ouvi-O.
Não é hora de você falar, mas de ouvir. O Pai o interrompeu.
E então vemos, novamente, que, quando ele estava na casa de Cornélio pregando o evangelho, estava apenas no começo da pregação — ele era uma pessoa que falava longamente —, e o Espírito Santo o interrompeu. O Espírito Santo desceu sobre todos aqueles gentios, e ele não pôde continuar falando.
Irmãos e irmãs, sabem, isso é discipulado. É por isso que nós, que cremos no Senhor Jesus, precisamos ser discipulados dia após dia pelo próprio Senhor.
Precisamos aprender a negar a nós mesmos. Precisamos aprender a obedecer ao Senhor. Precisamos aprender a abrir mão de nós mesmos e permitir que a vontade do Senhor se realize em nós. Esse é o nosso exercício diário.
Isso diz respeito à revelação que ele recebeu do Senhor como o Cristo, como o Filho de Deus. Em outras palavras, ele precisava de uma vida inteira para continuar aprendendo o que significa Cristo, o que significa o Filho de Deus. Precisava de uma vida inteira para experimentar Jesus como o Cristo. E essa é a nossa experiência diária.
Agora, e quanto à igreja? Vocês se lembram de que Deus levantou Pedro para ser aquele que abriu a porta do evangelho aos judeus e aos gentios.
Mas, como ele era um judeu que observava as normas de pureza — em outras palavras, seguia tudo de acordo com a lei, até mesmo na alimentação —, vocês se lembram do que aconteceu quando ele estava à beira-mar. Era quase meio-dia, e ele estava com fome.
Ele subiu ao terraço da casa, porque as casas judaicas naquela época tinham telhados planos. Subiu ao terraço para orar, enquanto esperava a refeição. E então entrou em êxtase; em outras palavras, sua alma parecia sair, e ele teve uma visão.
Era a visão de um grande lençol, registrada em Atos 10: um grande lençol descendo do céu, suspenso pelos quatro cantos. E, quando chegou à terra, ele olhou e viu naquele lençol toda espécie de animais quadrúpedes, toda espécie de répteis e aves.
Então ouviu uma voz:
Pedro, levanta-te e come.
E a reação de Pedro foi: “Senhor, nunca comi nada impuro. Como posso fazer isso?” E o Senhor lhe disse:
Não consideres comum aquilo que Deus purificou.
E isso aconteceu três vezes. Vocês podem ver como Pedro era teimoso. Mesmo quando Deus falava com ele, ele não conseguia ouvir, porque insistia em fazer as coisas à sua maneira.
Então aquele lençol voltou para o céu. Enquanto ele refletia: “O que isso significa?”, os mensageiros de Cornélio estavam batendo à porta.
Então ele foi à casa de Cornélio. Naquela época, um judeu que observava as normas de pureza não entraria na casa de um gentio. Mas ele entrou.
E lhes disse: “O Senhor me mostrou que, em todo lugar, Ele Se lembrará das pessoas que temem a Deus e fazem Sua obra”.
Então Pedro começou a pregar o evangelho e abriu a porta do evangelho aos gentios.
Irmãos e irmãs, qual é a igreja que Deus vai edificar?
Onde não pode haver grego e judeu, circuncisão e incircuncisão, bárbaro, cita, escravo, livre: mas Cristo é tudo e está em todos.
Em outras palavras, a igreja que nosso Senhor Jesus está edificando está acima de todas as distinções humanas.
Encontramos ali grego e judeu — essa é uma distinção de nacionalidade. Os judeus consideravam que somente eles eram o povo escolhido de Deus. Viam os gentios como cães, como impuros.
E, é claro, como reação, os gregos, os gentios, desprezavam os judeus e os consideravam insignificantes. Não havia comunicação entre judeus e gentios. A separação era completa.
Sabem, até no templo havia um muro. No muro, estava escrito: “Pare aqui. Não avance”. Em outras palavras, eles podiam chegar até certo ponto no templo, mas só até ali. Os gentios eram completamente excluídos.
Mas a igreja que nosso Senhor Jesus está edificando não tem distinções: nem judeus, nem gentios. Se você chegar à igreja e perguntar: “Há algum judeu aqui?”, alguém responderá: “Não há judeu”. Então: “Há algum gentio aqui?” “Não há gentio”. Mas quem são eles? São cristãos.
Portanto, todas as distinções de nacionalidade precisam ficar fora da igreja.
E não apenas isso: encontramos também circuncisão e incircuncisão. Isso era muito importante para os judeus, porque o Senhor usou a circuncisão como sinal de que eles pertenciam ao povo de Deus.
Mas aqui vemos que, na igreja, sua origem religiosa não tem lugar. Tudo o que pertence ao passado, até mesmo sua origem religiosa, fica fora dos limites da igreja.
E não apenas isso: há também os bárbaros. Acho isso muito, muito curioso. O texto não diz “bárbaros e civilizados”, porque, aos olhos de Deus, ninguém é civilizado. Gregos, judeus — são bárbaros. Era isso que nós éramos antes.
Mas aqui vemos que todas essas distinções desaparecem. E não há escravo nem livre, porque, naquela época, sob o Império Romano, havia mais escravos do que pessoas livres.
Mas, na igreja, não há escravos — todos são livres.
Ainda me lembro dos tempos antigos, quando estávamos em Xangai. O irmão Watchman Nee tinha um empregado que o amava muito. Se nosso irmão dissesse: “Este prato é muito bom”, todos os dias ele teria aquele prato.
Mas ele tinha tanto respeito pelo irmão Nee que, quando nos reuníamos à mesa do Senhor, entrava e procurava onde o irmão Nee estava sentado. E, se visse que o irmão Nee estava sentado à frente, sentava-se atrás, porque se considerava um servo.
E o irmão Nee o procurava; quando o via ali, ia buscá-lo e o fazia sentar ao seu lado.
Irmãos e irmãs, na igreja não há escravo nem livre. Todas essas distinções humanas precisam ficar fora da igreja.
Em outras palavras, quando entramos na igreja, passamos pela cruz. E a cruz corta todas essas distinções naturais. Somos um em Cristo.
Por isso, a Bíblia diz:
Cristo é tudo e está em todos.
Ele é tudo em todos.
Irmãos e irmãs, quando vocês vão à igreja, veem algum chinês? Se veem, isso é muito lamentável.
Quando vocês vêm à igreja de Deus, nenhuma dessas distinções mundanas pode atravessar seus limites. Todas desaparecem. Por quê? Porque, na igreja, vocês veem somente Cristo.
É por isso que a igreja é chamada de “o Cristo” em 1 Coríntios 12:12. Embora sejamos muitos, o corpo é um. Há muitos membros, mas, embora haja muitos membros, eles são um só corpo. Assim também é o Cristo.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, vemos que, mesmo tendo ouvido ou recebido a revelação de que Jesus é o Cristo, o Filho do Deus vivo; mesmo tendo ouvido e recebido a revelação de que a igreja é edificada por Cristo, sobre Ele mesmo, precisamos de uma vida inteira para aprender de fato o que é a nossa confissão.
Estamos aprendendo diariamente a nossa boa confissão. E o Senhor está procurando pessoas que façam uma boa confissão Dele e de Sua vontade.
E, irmãos e irmãs, essa é a razão pela qual estamos aqui. Caso contrário, não temos fundamento para estar aqui.
Portanto, que o Senhor tenha misericórdia de nós. Irmãos e irmãs, prossigamos — prossigamos para o alvo. Nunca deixem de avançar, porque sempre há algo mais, algo além.
Que o Senhor abençoe cada um de vocês. Vamos orar?
Querido Senhor, como Te louvamos e Te agradecemos porque Tu és o Infinito. Tuas riquezas não têm fim.
Por isso, Senhor, não nos deixes ficar parados. Não nos deixes retroceder. Mas pedimos que continues a nos atrair, e correremos após Ti.
Ó querido Senhor, tem misericórdia de nós. Pedimos em Teu precioso nome. Amém.