Testimony Ministry LogoChristian Testimony MinistryCTM
  • Home
  • Speakers
  • Venues
  • Topics
  • Scripture
  • Fellowship Finder
THAT THE WORD OF THE LORD MAY RUN AND BE GLORIFIED
About CTMContact CTMPrivacy PolicyRelated Ministries
    How Vision Becomes Vocation © 2026 Christian Testimony Ministry
    0:00
    How Vision Becomes Vocation
    How Vision Becomes Vocation
    Kaung, Stephen

    Da visão à vocação

    Por favor, abram a carta aos Efésios. Efésios 3.

    Vamos ler Efésios 3:14-21 e, depois, Efésios 4:1.

    Por esta causa, dobro os meus joelhos perante o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo,
    de Quem toda família nos céus e na terra recebe o nome,
    para que, segundo as riquezas da Sua glória, Ele vos conceda
    que sejais fortalecidos com poder pelo Seu Espírito no homem interior;
    que Cristo habite, pela fé, em vossos corações;
    a fim de que, estando arraigados e alicerçados em amor,
    possais compreender, com todos os santos,
    qual seja a largura, o comprimento, a altura e a profundidade,
    e conhecer o amor de Cristo, que excede todo conhecimento,
    para que sejais cheios de toda a plenitude de Deus.
    Ora, Àquele que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos,
    segundo o poder que opera em nós,
    a Ele seja a glória na igreja e em Cristo Jesus,
    por todas as gerações, para todo o sempre. Amém.

    Rogo-vos, pois, eu, o prisioneiro no Senhor, que andeis de modo digno da vocação com que fostes chamados.

    Vamos fazer uma oração.

    Querido Senhor, enquanto permanecemos em Tua presença, nossos corações se prostram diante de Ti. Nós Te louvamos e Te agradecemos por nos salvares, por nos chamares a Ti.

    Ó querido Senhor, como desejamos ouvir Tua voz, ver Tua face, conhecer Tua vontade e seguir Teus passos. Por isso, ao nos reunirmos aqui nesta manhã, queremos abrir nossos corações a Ti.

    Por favor, fala conosco — com cada um de nós pessoalmente, individualmente e coletivamente — e leva-nos aonde Tu queres que estejamos, para que Teu nome seja exaltado, para que o testemunho seja estabelecido e para que a glória se manifeste. Pedimos em Teu precioso nome. Amém.

    A dimensão prática da vontade de Deus

    Nosso Deus é um Deus prático. Ele é a vontade suprema no universo e, mesmo antes da fundação do mundo, determinou em Si mesmo a Sua vontade. Ele a determinou segundo o Seu beneplácito.

    E qual é essa vontade? Nós a chamamos de vontade eterna de Deus. Não há nada mais importante do que essa vontade, e ela diz respeito ao Seu Filho amado. Ele quer que Seu Filho seja tudo e em todos, especialmente para nós, Sua igreja.

    Deus é prático. Tudo o que Ele quer, Ele realiza. Não é apenas uma teoria; é uma realidade.

    Por isso, agradecemos a Deus porque, quando Ele nos revela Seu pensamento, Sua intenção não é que apenas contemplemos. Sua intenção é nos conduzir à Sua vontade, à Sua visão, e fazer dessa visão uma vocação para cada um de nós.

    Portanto, irmãos e irmãs, temos compartilhado diariamente sobre essa questão da visão celestial. É algo que o povo de Deus precisa ver, porque, sem essa visão, não temos direção, não temos alvo e não temos força. Não sabemos como prosseguir.

    Mas, com essa visão celestial, sabemos para onde estamos indo e sabemos o que devemos fazer. Portanto, a visão é para a vocação. A visão não é apenas para a contemplação.

    Quando Deus, em Sua misericórdia e graça, nos dá visão e revelação, não devemos nos contentar apenas em ter essa visão. Precisamos prosseguir até que a visão se torne uma vocação para nós.

    José: a transformação da visão em vocação

    Nesta manhã, gostaríamos de compartilhar juntos sobre esta questão: como uma visão pode se tornar uma vocação?

    Mais uma vez, sinto que não devemos abordar isso apenas do ponto de vista da verdade, mas do ponto de vista da experiência. A verdade está ali, mas precisamos experimentar a verdade.

    Gostaria de encontrar um exemplo nas Escrituras. É claro que nosso Senhor Jesus é o exemplo perfeito. Mas talvez pensemos que, por Ele ser o Filho de Deus, nunca poderemos chegar lá.

    Mas, irmãos e irmãs, quando encontramos nas Escrituras exemplos de pessoas que são exatamente como nós e que, ainda assim, pela graça de Deus, conseguem transformar sua visão em vocação, creio que isso nos dá força e encorajamento. Se Deus pode fazer isso com uma pessoa como nós, quem somos nós para não alcançarmos o mesmo resultado?

    Por isso, estou pensando em José, no Antigo Testamento.

    Os primeiros sonhos de José

    Todos nós sabemos como José nasceu. Sua mãe era estéril e, por isso, orou ao Senhor. O Senhor respondeu à sua oração. Assim, encontramos em Gênesis 30 como Deus respondeu à sua oração e lhe deu um filho, e ela chamou esse filho de José.

    Depois, no livro de Gênesis, de Gênesis 37 a Gênesis 50, apenas Gênesis 38 não fala de José. De Gênesis 37 até Gênesis 50, Deus usa treze capítulos para nos contar a história desse homem, José.

    Creio que todos nós sabemos que José, quando era jovem, teve dois sonhos.

    Primeiro, ele sonhou que estavam atando feixes no campo, e o seu feixe se levantou. Então, onze feixes o cercaram e se inclinaram diante daquele feixe.

    José era tão inocente. Seus irmãos o odiavam porque seu pai o amava mais do que a todos os outros, mas ele era tão ingênuo e inocente. Depois de ter aquele sonho, contou-o aos irmãos.

    Quando seus irmãos ouviram isso, disseram: “Você quer dizer que todos nós vamos nos inclinar diante de você? Você será nosso rei?” Por esse motivo, eles o odiaram.

    Então José teve outro sonho. Nesse sonho, o sol, a lua e onze estrelas o cercavam e se inclinavam diante dele.

    Mais uma vez, ele foi tão ingênuo. Contou aos irmãos e também ao pai. Quando seu pai ouviu isso, disse: “O que você está dizendo? Quer dizer que sua mãe, seu pai e todos os seus irmãos vão se inclinar diante de você?”

    Por causa disso, seus irmãos o odiaram ainda mais; mas seu pai guardou aquelas palavras no coração. Foi assim que tudo começou. Em outras palavras, ele começou com dois sonhos.

    É claro, irmãos e irmãs, que todos nós já sonhamos, mas nem todos os sonhos vêm de Deus. Geralmente, podemos estar pensando em alguma coisa durante o dia e, à noite, de alguma maneira, nossa mente começa a trabalhar e nos traz sonhos. Esses sonhos não significam nada.

    Mas, graças a Deus, na Bíblia encontramos ocasiões em que Deus realmente dá sonhos às pessoas. Por que isso acontece? Será porque, quando estamos acordados, estamos tão ocupados e ouvimos tantas vozes que não conseguimos ouvir a Sua voz?

    Deus certamente está falando conosco todos os dias, mas não conseguimos ouvi-Lo. Por isso, às vezes, no silêncio da noite, Deus dá sonhos e nos permite ouvir Sua voz.

    Na Bíblia, encontramos muitos sonhos registrados, e esses sonhos vieram de Deus. Em outras palavras, Deus estava revelando àquele jovem Seu propósito para a vida dele.

    A provação da fé de José

    Mas, irmãos e irmãs, o fato de Deus lhe ter dado esses sonhos e mostrado o que queria que ele fosse não significava que, por ter sonhado, ele já possuísse a realidade. De modo nenhum. Mas aquilo foi o começo de sua vida espiritual.

    Vocês sabem, quando Deus nos dá uma visão, é para nos mostrar Seu coração e Seu propósito. Isso realmente nos eleva, por assim dizer, ao terceiro céu. Mas, irmãos e irmãs, ao mesmo tempo, há um tremendo desafio diante de nós.

    Assim, vemos na vida de José que, depois de receber aqueles sonhos, ele entrou numa vida de grandes dificuldades. Seus irmãos o odiavam e queriam se livrar dele, para que seus sonhos não se tornassem realidade.

    Vocês se lembram de como a Bíblia nos conta que seu pai o enviou para saber como estavam seus irmãos, que haviam saído para apascentar as ovelhas. José, obedecendo ao pai, foi procurar seus irmãos.

    Finalmente, ele os encontrou. Mas, quando seus irmãos o viram chegando, disseram uns aos outros: “Lá vem esse sonhador. O que faremos com ele? Vamos matá-lo. Vamos nos livrar dele. Então veremos se os seus sonhos se realizarão.”

    Quando José chegou, eles tiraram sua túnica de muitas cores, que era uma expressão do amor do pai e do desejo do pai de que ele fosse o herdeiro. Tiraram aquela túnica e o colocaram numa cisterna.

    Vejam seus irmãos. Depois de colocá-lo na cisterna, sentaram-se para comer.

    Por acaso, alguns mercadores, os ismaelitas, estavam passando por ali. Judá, um dos irmãos, sugeriu: “José é nosso irmão. Não vamos matá-lo. Que proveito teremos se o matarmos? Vamos vendê-lo a esses mercadores.”

    Então tiraram José da cisterna e o venderam aos mercadores. A Bíblia nos conta, mais adiante, como eles se lembraram de que José lhes havia implorado, mas não quiseram ouvi-lo. Venderam-no àqueles mercadores, e os mercadores foram para o Egito.

    Os mercadores venderam José como escravo a um oficial de Faraó, o chefe de sua guarda pessoal. José se tornou escravo naquela casa.

    Agora, irmãos e irmãs, se estivéssemos no lugar dele, como reagiríamos a uma situação assim? O amado do pai havia se tornado escravo de outras pessoas. Ele estava acorrentado.

    Como ser humano, aquilo deve ter sido muito doloroso para esse jovem. Deus lhe deu um sonho tão glorioso, e, no entanto, aconteceu em sua vida exatamente o contrário.

    Se estivéssemos no lugar dele, no que estaríamos pensando? Como nos sentiríamos? Duvidaríamos de Deus? Culparíamos a Deus? Lamentaríamos a perda do nosso lar e a nossa situação? É claro que poderíamos fazer isso.

    Não sabemos se José foi tentado da mesma maneira, mas encontramos nas Escrituras que tudo o que ele passou — sendo lançado de uma posição tão elevada para uma posição tão baixa — deve tê-lo ferido profundamente.

    Mas, graças a Deus, sua fé em Deus nunca foi abalada. Ele creu em Deus. Ele confiou em Deus. Aceitou aquela posição como se lhe tivesse sido dada por Deus.

    Mesmo sendo escravo naquela casa, ele serviu com tanta fidelidade que seu senhor percebeu como seu escravo era fiel. Não apenas isso: seu senhor percebeu que tudo o que José fazia prosperava, e a casa se tornou próspera. Ele percebeu que isso acontecia por meio de José.

    Por fim, fez de José praticamente o administrador da casa. Tudo estava nas mãos de José, exceto o próprio senhor.

    Irmãos e irmãs, só podemos dizer que Deus age de maneira maravilhosa para realizar Seus prodígios. Mas ali estava um homem que cooperava com Deus. Ele não olhava para as circunstâncias; olhava para Deus.

    Ao olhar para Deus, ele percebeu que Deus certamente tinha uma razão para aquilo. Em outras palavras, percebeu que Deus o estava treinando. Deus estava formando nele o caráter de um rei.

    A tentação e a prisão de José

    Mas Deus permitiu que ele fosse tentado. Quando ele já era praticamente o segundo na casa, a esposa de seu senhor pôs os olhos nele, pois era um jovem bonito.

    José a evitava e disse à esposa de seu senhor que não ousava pecar contra Deus. Deus havia colocado tudo naquela casa em suas mãos, exceto a esposa; como, então, ele ousaria pecar contra Deus?

    Mas, finalmente, numa ocasião, quando entrou na casa para fazer seu trabalho, não havia ninguém ali. A esposa de Potifar o agarrou e disse: “Deite-se comigo.” José fugiu, e sua roupa ficou nas mãos daquela mulher.

    Aquela mulher a usou como prova contra ele. Quando seu senhor voltou, ela acusou José, e José foi colocado na prisão.

    Irmãos e irmãs, isso não é estranho? José descia cada vez mais. Ser escravo já era uma posição bastante baixa, mas, sendo escravo, ser colocado na prisão era ainda mais baixo.

    Se isso acontecesse com vocês ou comigo, o que pensaríamos? Como reagiríamos? Murmuraríamos novamente contra Deus? Nós nos rebelaríamos contra Deus?

    Mas aqui encontramos José. Mesmo quando foi colocado numa situação dessas, o Salmo 105 diz que sua alma entrou em ferros. Não apenas seus pés estavam presos em grilhões, mas sua alma entrou em ferros. Isso mostra o quanto ele sofreu.

    Mas, mais uma vez, vemos que ele se ergueu acima das circunstâncias. Recebeu aquilo como vindo de Deus. Submeteu-se ao que Deus havia determinado, embora não entendesse. Mas ele creu e confiou.

    Quando estava na prisão, ele foi fiel. Por fim, o carcereiro lhe confiou todos os assuntos daquela prisão. Novamente, ele estava no comando. Em outras palavras, apesar das circunstâncias, ele estava no comando. Esse era seu caráter real.

    Irmãos e irmãs, não são as circunstâncias que fazem o homem; é o homem que faz as circunstâncias.

    A paciência e a exaltação de José

    Enquanto ele estava ali, dois servos de Faraó foram colocados na prisão. Um era responsável por sua comida, e o outro, por seu vinho. José recebeu a ordem de cuidar deles.

    Certo dia, ambos tiveram sonhos. Como não conseguiam entender os sonhos, ficaram tristes. Quando José entrou para servi-los, viu que estavam abatidos e perguntou: “Por que vocês estão tristes?”

    Eles disseram que haviam tido sonhos, mas não conseguiam explicá-los. Vocês se lembram de como, por fim, contaram os sonhos a José, e José os explicou.

    Aquele que era responsável pelo vinho — o copeiro — geralmente era um amigo próximo do rei, porque precisava beber o vinho antes de o rei bebê-lo. Se houvesse veneno e alguém quisesse assassinar o rei, seu melhor amigo morreria por ele.

    De acordo com o sonho, José lhe disse que seria libertado e reconduzido à sua posição original. Então José disse: “Quando você for reconduzido ao seu cargo, lembre-se de mim. Sou hebreu e fui vendido para cá. Fui colocado na prisão sem motivo. Quando você for libertado, fale bem de mim diante de Faraó.”

    Mas, irmãos e irmãs, vocês veem que as Escrituras dizem que aquele homem foi libertado, mas se esqueceu de José. Esqueceu-se dele por dois anos.

    Se isso acontecesse com vocês e comigo, como reagiríamos? Pareceria que Deus estava abrindo uma porta, mas a porta se fechou. Que decepção.

    Mas não foi assim com José. Por causa de sua fé em Deus, ele acreditava que Deus certamente tinha uma boa razão para aquilo. Recebeu aquilo como vindo do Senhor. Foi paciente diante de Deus. Esperou e esperou.

    Até que, finalmente, vocês se lembram, Faraó teve um sonho. Deus deu sonhos a Faraó, e ninguém conseguia explicá-los.

    Foi naquele momento que o copeiro se lembrou. Ele disse: “Hoje me lembro das minhas faltas”, e contou a história.

    Então José foi libertado e se apresentou diante do rei. O rei perguntou: “Você pode explicar isso para mim?” José respondeu: “Isso não está em mim. É Deus Quem dirá a Faraó o que acontecerá.” Ele deu toda a glória a Deus.

    José explicou os dois sonhos a Faraó, e tudo aconteceu conforme sua interpretação. Saindo da prisão, ele se tornou praticamente o primeiro-ministro daquela grande nação, o Egito.

    Ali vemos que seu sonho se tornou realidade. Ele estava realmente no comando da maior nação do mundo. Mas esse não foi o fim.

    O perdão de José e seu caráter real

    Havia uma grande fome por toda a terra. Ela afetou não apenas o Egito, mas também Canaã. Jacó disse aos filhos: “Ouvi dizer que há alimento no Egito. Vão ao Egito e comprem alimento, para que não morramos.”

    Os dez irmãos foram ao Egito. Seu pai não se atreveu a deixar Benjamim ir com eles, por causa do que havia acontecido no passado. Eles foram ao Egito comprar alimento.

    Eles não reconheceram José, mas José os reconheceu.

    Se isso acontecesse com vocês, o que fariam? Deus lhes havia dado a oportunidade de se vingarem. Talvez considerássemos aquilo uma oportunidade dada por Deus.

    Ou vocês encarariam aquilo à maneira de Deus? Deus sabia de tudo, por isso enviou José adiante deles, para preparar tudo para aqueles anos de fome e livrar a família.

    José queria ensinar uma lição a seus irmãos. Vemos como ele lidou com eles — não para feri-los, mas para levá-los ao arrependimento, ao momento em que perceberiam que havia sido seu pecado que os levara àquela situação.

    Por fim, José se revelou a eles, reconciliou-se com eles e trouxe a família para o Egito. Essa é a história de José.

    Em certo sentido, creio que a maior coisa nessa história não é apenas o fato de José ter se tornado o segundo no Egito, mas o fato de, ao lidar com seus irmãos, ele os ter amado em vez de odiá-los.

    Repetidas vezes, ele lembrou aos irmãos que havia sido o Senhor Quem o levara até ali por causa da família, e não apenas por causa dele mesmo. Isso é caráter real.

    A necessidade da realidade espiritual

    Irmãos e irmãs, o mesmo acontece quando descobrimos o pensamento de Deus a respeito de cada um de nós. Sempre que Ele nos revela Seu pensamento, nos mostra Sua vontade e nos dá Sua visão, é porque deseja nos conduzir para dentro dessa visão.

    Portanto, queridos irmãos e irmãs, não podemos dizer que, por termos visão, temos tudo. Como dissemos na semana passada, se temos apenas visão e não temos a realidade, tornamo-nos meros visionários. Isso é pior do que não ter visão.

    Vocês sabem, quando viajamos pelo deserto, sentimos muita sede e procuramos água. Dizem que, quando as pessoas estão viajando pelo deserto e sentem muita sede, conseguem ver adiante algo que parece ser água. Mas, quando chegam àquele lugar, não há água. É uma miragem.

    Quantas vezes encontramos entre o povo de Deus pessoas vivendo numa miragem, e não na realidade. Portanto, isso é algo de que devemos nos lembrar.

    As orações de Paulo em Efésios

    Se, pela graça de Deus, Ele nos dá visão, devemos considerar o que encontramos em Efésios: há duas orações do apóstolo Paulo. Ele estava compartilhando a visão celestial com os crentes de Éfeso.

    Ele lhes mostrou que o mistério de Deus é Cristo, e o mistério de Cristo é a igreja. Isso era algo que ele não podia compartilhar com os crentes de Corinto, porque eram carnais; mas podia compartilhar com os crentes de Éfeso, porque eles realmente amavam o Senhor.

    Enquanto procurava compartilhar com eles essa visão, percebeu que aquilo estava além da capacidade humana. Por mais que vocês falem, as pessoas não a verão nem a experimentarão até que Deus faça alguma coisa.

    Por isso, na carta aos Efésios, ele fez duas orações. Em Efésios 1, a primeira oração foi para que Deus lhes desse sabedoria e revelação.

    Ele sabia que tudo o que é de Deus está além da capacidade humana. Por mais sábios que vocês sejam, podem compreender em sua mente, mas isso não significa que estejam vendo.

    Irmãos e irmãs, precisamos ser lembrados repetidas vezes de que, quando se trata de coisas espirituais, elas estão além do ser humano. Não é por serem sábios, racionais ou instruídos que vocês serão capazes de conhecer as coisas espirituais.

    Vocês podem conhecer os termos. Podem conhecer a chamada verdade. Mas, se não é real, não é verdade. É apenas o chamado ensinamento. Por mais dispostos que estejam a aprender, vocês permanecem fora da esfera das coisas espirituais.

    Creio que precisamos perceber que devemos chegar ao fim de nós mesmos, deixando de confiar em nossa própria capacidade e indo ao Senhor como um bebê, como uma criança. Então Ele nos revelará Seu pensamento.

    Depois de fazer a primeira oração — para que Deus lhes desse sabedoria e revelação para o pleno conhecimento de Deus — e de compartilhar essas coisas com eles, ele novamente se ajoelhou diante de Deus e fez a segunda oração.

    Na segunda oração, vemos que ele não estava orando por visão ou revelação. Estava orando para que eles compreendessem, conhecessem e experimentassem aquilo.

    Portanto, queridos irmãos e irmãs, ter visão é uma coisa. É o começo. Mas não parem aí. Vocês precisam entrar na realidade dessa visão.

    A vontade de Deus é que, quando Ele nos dá visão, junto com essa visão haja um chamado. Somos chamados a entrar nessa visão. Somos chamados a fazer parte da visão. Somos chamados a permitir que essa visão se torne parte de nós.

    Em outras palavras, Deus dá visão por razões práticas, para que ela se torne real para nós. Portanto, irmãos e irmãs, nós a compreendemos? Nós realmente a conhecemos por experiência? Essa é a realidade.

    O fortalecimento do homem interior

    Mas como podemos realmente entrar nisso? Na segunda oração, vemos como Paulo orou. Ele orou para que Deus lhes concedesse, segundo as riquezas da Sua glória, serem fortalecidos com poder pelo Seu Espírito no homem interior.

    Em outras palavras, ele orou pelo fortalecimento do homem interior. Todos nós sabemos que o homem interior se refere ao nosso novo espírito.

    Graças a Deus, quando cremos no Senhor Jesus, temos um novo espírito. Nesse novo espírito, Cristo Jesus habita. Ele habita em nosso espírito, em nosso homem interior. Ou, em outras palavras, Cristo é a vida do nosso homem interior.

    Mas essa vida de Cristo em nós está apenas no começo e, por essa razão, precisa crescer até a maturidade.

    Deus nos deu Seu Espírito, e Seu Espírito Santo habita em nosso homem interior. Por quê? Para garantir que nosso homem interior — a vida do nosso homem interior, Cristo em nós — cresça até a maturidade.

    Essa é a missão do Espírito Santo que habita em nós. Essa é a missão da unção dentro de nós. Irmãos e irmãs, Deus fez toda a provisão para nós.

    Como encontramos em 2 Pedro 1, no que diz respeito à vida e à piedade, Ele fez toda a provisão para nós. Essa provisão é o Espírito Santo que habita em nós.

    Na segunda oração, o pedido é que o Espírito Santo, com o poder de Deus, fortaleça nosso homem interior. À medida que nosso homem interior é fortalecido, qual será o resultado? Que Cristo habite, pela fé, em seus corações.

    O coração como centro da vida espiritual

    Agora, irmãos e irmãs, o que significa o coração? O coração físico é o centro do nosso ser físico, mas o coração, nas coisas espirituais, é o centro do nosso ser espiritual.

    Ao lerem as Escrituras, vocês perceberão que o coração realmente inclui quatro coisas. Inclui a consciência do espírito, assim como as três principais faculdades da alma: a mente, a emoção e a vontade.

    Portanto, o coração é uma passagem entre a alma e o espírito. Mas, infelizmente, depois que pecamos, a vida da nossa alma caiu. A vida adâmica caiu. É a vida de Adão, sua vida caída, que constitui a vida da nossa alma.

    Depois de crerem no Senhor Jesus, vocês têm uma dupla personalidade. No espírito habita Cristo; na alma habita Adão — vocês mesmos, o velho eu.

    Essa é a razão pela qual, depois de crermos no Senhor Jesus, todos temos aquele tipo de experiência que chamamos de guerra civil. Por quê? Porque ela acontece dentro de nós.

    Segundo seu espírito, vocês amam a Deus. Querem fazer Sua vontade e sabem qual é a Sua vontade. Desejam intensamente fazê-la. Mas, infelizmente, em sua alma há outra vida que os puxa para baixo, que os afasta de Deus. Ela quer seguir seu próprio caminho.

    Muitas vezes, percebemos que a alma, o velho Adão, está há tanto tempo em nós que é mais forte, por assim dizer, do que o Cristo ainda jovem em nós. Muitas vezes queremos fazer a vontade de Deus, mas tentamos e falhamos.

    Mas não desistam, porque esse é um processo necessário. Deus está nos treinando. Ele está nos treinando para sermos reis. É somente por meio desse treinamento que começamos a crescer em caráter real.

    A tribulação e o desenvolvimento do caráter

    Portanto, irmãos e irmãs, se vocês lerem Romanos 5:1-5, encontrarão estas palavras:

    Justificados, pois, pela fé,
    temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo;
    por meio de Quem também obtivemos acesso, pela fé, a esta graça
    na qual estamos firmes;
    e nos gloriamos na esperança da glória de Deus.

    Graças a Deus, fomos justificados pela fé. O que temos? Temos paz com Deus por meio de Jesus Cristo. Essa é a nossa posição. Agora desfrutamos do favor de Deus, porque somos aceitos no Amado.

    Nós nos gloriamos na esperança da glória de Deus. Temos uma bendita esperança. Qual é a nossa bendita esperança? É que, um dia, possamos fazer parte da noiva do Cordeiro.

    Hoje, a igreja é o corpo de Cristo, e vocês são membros desse corpo. Mas, quando o corpo estiver plenamente desenvolvido, o Noivo, Cristo, virá receber esse corpo como Sua noiva. Essa é a nossa bendita esperança.

    Aqui encontramos toda a bênção e a esperança que Deus nos deu. Mas esse é apenas um lado. Não se esqueçam desse lado, porque, sem esse lado abençoado, provavelmente perderíamos a esperança, perderíamos a fé e perderíamos o amor.

    Sempre que pensamos no que Deus preparou para nós, isso nos traz bênção e força. Então encontramos, em Romanos 5:3:

    E não somente isso, mas também nos gloriamos nas tribulações.

    Aqui encontramos o outro lado: a tribulação. Vocês talvez pensem que, por crerem no Senhor Jesus, a tribulação acabou. Podem dizer que a tribulação proveniente do mundo, do pecado e do inimigo acabou.

    Mas, graças a Deus, há outro tipo de tribulação que vem até nós. Em outras palavras, passaremos por sofrimento por causa do reino.

    Isso não significa que, por termos uma esperança tão bendita, o caminho seja um mar de rosas. Significa que, para alcançarmos essa bendita esperança, precisamos passar por muitas tribulações e muitas dificuldades.

    Por que é assim? Porque ainda temos esse velho Adão. Ele nos causa problemas. Mas, sem essas dificuldades e tribulações, ele não desistirá. Ele não morrerá, porque, humanamente falando, sempre tomamos o partido de Adão.

    Mas Deus está procurando nos libertar dessa vida adâmica. Como podemos ser libertos? Sabemos que, nessa libertação, haverá tribulação, dor e algo a que renunciar.

    A menos que estejamos dispostos a renunciar a nós mesmos, não há como entrar na visão que Deus nos deu. Esse é o preço que precisamos pagar.

    Portanto, aqui vemos que nos gloriamos na tribulação. Sabemos o que a tribulação significa. Quando o mundo olha para a tribulação, tem medo dela, porque a tribulação produz morte. Mas, para nós, a tribulação traz vida.

    Paulo diz:

    Sabendo que a tribulação produz perseverança.

    Como podemos suportar? Perseverança significa simplesmente que, quando a pressão sobre vocês equivale a cem libras, vocês a suportam porque são capazes de suportar cento e dez libras. Isso é perseverança.

    É assim que a perseverança se desenvolve. A tribulação realmente desenvolve a perseverança. Sem tribulação, não temos perseverança.

    Com a tribulação, é como se recebêssemos força e perseverança, para sermos capazes de suportar — de ir além da própria tribulação.

    Então, com a perseverança, vem a experiência. É assim que adquirimos experiência. Experimentamos o conflito espiritual. Experimentamos a vitória espiritual.

    Com a experiência, vem a bendita esperança, porque o amor de Deus é derramado em nossos corações pelo Espírito Santo. Portanto, vemos que é assim que o caráter se desenvolve.

    O crescimento espiritual e a confirmação da vocação

    Agora, por favor, abram em 2 Pedro 1. Vamos ler 2 Pedro 1:5-11.

    E, por esta mesma razão, empregando de vossa parte toda a diligência,
    acrescentai à vossa fé a virtude; e à virtude, o conhecimento;
    e ao conhecimento, o domínio próprio; e ao domínio próprio, a perseverança;
    e à perseverança, a piedade;
    e à piedade, a fraternidade;
    e à fraternidade, o amor.
    Porque, se estas coisas são vossas e abundam,
    fazem com que não sejais inativos nem infrutíferos
    no conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo.
    Pois aquele em quem estas coisas não estão presentes é cego, vendo apenas o que está perto,
    tendo-se esquecido da purificação dos seus antigos pecados.
    Portanto, irmãos, empenhai-vos ainda mais
    em tornar firmes a vossa vocação e eleição:
    pois, se fizerdes estas coisas, jamais tropeçareis:
    porque assim vos será amplamente concedida
    a entrada no reino eterno
    de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

    Portanto, irmãos e irmãs, isso é formação de caráter. Sem a formação do caráter, não seremos capazes de entrar de maneira abundante no reino dos céus.

    Vemos que essa é a maneira de Deus nos treinar.

    A disciplina divina e a condição de filhos

    É por isso que encontramos em Hebreus 12:5:

    Filho meu, não menosprezes a disciplina do Senhor,
    nem desanimes quando por Ele és repreendido.

    Quando o Senhor nos conduz à tribulação, é porque nos trata como filhos. Se não fôssemos Seus filhos, Ele não nos trataria dessa maneira.

    Mas, porque somos Seus filhos, Ele nos ama. Portanto, deseja nos edificar até que esse caráter real seja formado em nós.

    Vocês não poderão ter esse caráter real a menos que passem por certas experiências. Se viverem uma vida muito fácil, sem desafios, sua vida será pobre.

    Mas, se passarem por uma vida difícil, com desafios por todos os lados, isso os tornará fortes.

    Portanto, irmãos e irmãs, Deus nos ama como Seus filhos, e essa é a razão pela qual permite que passemos por certas experiências. Não necessariamente coisas exteriores; o mais importante é o interior.

    O que Deus está realizando dentro de vocês é mais importante do que aquilo que está realizando fora de vocês. Sim, às vezes Deus usa o ambiente para trabalhar em vocês, mas a verdadeira obra é realizada pelo Espírito que habita em vocês. Ele os ensina em todas as coisas.

    A resposta à disciplina divina

    Portanto, a primeira exortação é: não desanimem.

    Podemos desanimar sempre que há um conflito. Sempre sentimos que aquilo é difícil demais para nós e clamamos a Deus: “Tira isso de nós.” Desanimamos debaixo daquela pressão.

    Mas a exortação é: não desanimem, porque Ele nos ajuda.

    Agora, se não desanimarmos, a outra coisa que podemos fazer é desprezar a disciplina. Nós a desprezamos; em outras palavras, não a aceitamos.

    Vocês sabem, a cruz é algo que podemos evitar, se quisermos. Quando Deus determina que uma cruz entre em sua vida, ela contraria seus pensamentos, contraria seus sentimentos e contraria suas decisões.

    Mas, se é uma cruz, ela pode ser evitada. Ainda assim, pela graça de Deus, vocês estão dispostos a negar a si mesmos, tomar sua cruz e segui-Lo?

    Se vocês não a desprezarem, considerem-na um favor de seu Pai, porque Ele está formando em vocês o caráter real. Pela graça de Deus, não desanimem debaixo da pressão.

    Em Hebreus 12:11, ele diz:

    Toda disciplina, no momento, não parece ser motivo de alegria, mas de tristeza;
    contudo, depois produz fruto pacífico naqueles
    que por ela têm sido exercitados,
    o fruto de justiça.

    Conclusão: o chamado para entrar na visão

    Portanto, queridos irmãos e irmãs, quando falamos sobre visão, lembremo-nos de que a visão, por si só, não é suficiente. Ela precisa ser seguida pela vocação.

    Estamos dispostos a nos oferecer ao Senhor e dizer: “Senhor, Tu estás lidando comigo como Teu filho. Dá-me graça para que eu esteja disposto a permanecer sob Tua disciplina e permitir que ela cumpra seu propósito”?

    Que todos nós entremos em nossa vocação, no sentido de que Cristo verdadeiramente seja tudo e em todos em nossa vida, e de que a igreja verdadeiramente seja nossa esperança.

    Que o Senhor tenha misericórdia de nós. Vamos orar?

    Querido Senhor, queremos Te agradecer por nos amares. Tu nos amas com um amor verdadeiro. Tu nos amas para que sejamos verdadeiros filhos de Deus, para que realmente sejamos Teu corpo, Tua noiva.

    Portanto, Senhor, abre nosso entendimento. Dá-nos essa disposição, para que estejamos dispostos a negar a nós mesmos, tomar nossa cruz e seguir-Te. Que consideremos isso uma grande recompensa.

    Nós Te adoramos em Teu precioso nome. Amém.