Bom dia, irmãos e irmãs.
Gostaria de pedir que abrissem no último livro da Bíblia, a Revelação, como é chamado. Este é o último livro sobre o qual temos ouvido nestas semanas, e nesta manhã continuaremos a partir de uma perspectiva um pouco diferente.
Quero ler alguns versículos, começando em Apocalipse 1:4:
João às sete assembleias que estão na Ásia.
Sei que algumas das versões de vocês trazem “igrejas”.
Apocalipse 1:11:
O que vês, escreve num livro e envia às sete assembleias: a Éfeso, a Esmirna, a Pérgamo, a Tiatira, a Sardes, a Filadélfia e a Laodiceia.
Apocalipse 1:12-13:
E voltei-me para ver a voz que falava comigo;
e, tendo-me voltado, vi sete candeeiros de ouro.
E, no meio dos sete candeeiros, Um semelhante ao Filho do Homem.
Apocalipse 1:17-20:
E, quando O vi, caí aos Seus pés como morto.
E Ele pôs sobre mim a Sua mão direita, dizendo: Não temas;
Eu sou o primeiro e o último, e Aquele que vive;
e estive morto, e eis que vivo pelos séculos dos séculos,
e tenho as chaves da morte e do Hades.
Escreve, pois, o que tens visto,
e as coisas que são,
e as coisas que hão de acontecer depois destas:
o mistério das sete estrelas que viste na Minha mão direita,
e dos sete candeeiros de ouro.
As sete estrelas são os anjos das sete assembleias,
e os sete candeeiros são as sete assembleias.
Quero apenas ler mais alguns versículos, um para cada igreja.
Ao anjo da assembleia em Éfeso escreve.
Ao anjo da assembleia em Esmirna escreve.
Ao anjo da assembleia em Pérgamo escreve.
Ao anjo da assembleia em Tiatira escreve.
Ao anjo da assembleia em Sardes escreve.
Ao anjo da assembleia em Filadélfia escreve.
Ao anjo da assembleia em Laodiceia escreve.
Senhor, nós nos achegamos a Ti e sempre sentimos tamanha dependência ao ler a Tua Palavra: precisamos que o Espírito Santo dê vida à Tua Palavra. Tu tens as palavras de vida eterna. Sempre penso em Pedro. Ele disse:
Para quem iremos? Só Tu tens as palavras de vida eterna.
Mais uma vez, dizemos: Senhor, se Tu não falares conosco, se Tu não abrires a Tua Palavra, não a ungires nem a tornares viva, não teremos ideia alguma do que o Espírito está dizendo às igrejas.
Por isso, nós Te convidamos a estar em nosso meio nesta manhã. E dizemos: Senhor, antes de tudo, assume o controle deste tempo. Assume o controle do falar, do ouvir e da resposta, para que tudo o que for dito e feito, e tudo o que vier depois, seja para o Teu louvor e a Tua glória. Pois pedimos juntos, em nome do Senhor Jesus. Amém.
Bem, creio que alguns de vocês sabem que, nas últimas três vezes em que tive a responsabilidade de compartilhar, tenho compartilhado a partir do Antigo Testamento: a Palavra do Senhor no fim da era.
Minha impressão tem sido esta: as últimas palavras são de importância vital. Sabem, alguns de nós que somos pais — sempre digo isso —, quando estamos prestes a deixar nossos filhos sozinhos ou com alguma grande responsabilidade, sempre temos aquelas últimas palavras a dizer: “Não se esqueça disso”. É claro que eles podem acabar esquecendo, mas sempre colocamos uma urgência e uma ênfase adicionais em nossas últimas palavras.
Nas Escrituras não é diferente. Nas últimas palavras do Senhor, em Suas palavras finais no Antigo Testamento e, agora, hoje, em Suas palavras finais no Novo Testamento, essa urgência adicional está presente. Essas últimas palavras são tão importantes.
Sabem, isso me faz lembrar de Mateus 28, se vocês quiserem abrir ali. Vou usar isso apenas como ilustração, para dar um pouco de ênfase. Todos conhecem as palavras finais do Evangelho de Mateus. Elas não são apenas as palavras finais do Evangelho de Mateus, mas também as palavras finais de nosso Senhor Jesus no Evangelho de Mateus.
Mateus 28:18-20:
E Jesus, aproximando-Se, falou-lhes, dizendo:
Toda a autoridade Me foi dada no céu e na terra.
Ide, pois, e fazei discípulos de todas as nações,
batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo:
ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado:
e eis que Eu estou convosco todos os dias, até à consumação do mundo.
Ora, essas são palavras finais. Com base nessas últimas palavras, toda a obra cristã ao longo dos séculos tem sido realizada:
Ide, pois, e fazei discípulos.
Batizando em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-lhes o que o Senhor disse.
E essas últimas palavras têm sido o maior consolo ao longo das eras. Sabem, Suas palavras de despedida não eram palavras de afastamento. Ele fez esta declaração extraordinária:
Estarei convosco até o fim da era.
Suas palavras de despedida, Suas últimas palavras, eram uma promessa de Sua presença permanente conosco. Que consolo essas últimas palavras, essas palavras finais, têm nos dado ao longo das eras.
Os irmãos me lembraram de que, como já faz algum tempo, eu precisaria fazer uma pequena introdução. Então, se vocês tiverem um pouco de paciência comigo, quero apenas abordar algumas coisas antes de examinarmos a Revelação.
Temos compartilhado sobre três profetas: os últimos três livros do Antigo Testamento — Ageu, Zacarias e Malaquias. Para aqueles de vocês que não ouviram nada, tudo isso será novo.
Eles são considerados profetas menores, normalmente por causa do volume daquilo que falaram. Mas esses profetas menores realizaram uma grande obra. Por meio de seu ministério e de seus esforços, o testemunho de Deus foi restaurado na terra. Não apenas o testemunho de Deus foi restaurado na terra, mas também o povo de Deus foi preparado para a primeira vinda do Senhor.
Essa é a importância dessas últimas palavras. Sem essas últimas palavras, o testemunho de Jesus não teria sido reavivado, restaurado e recuperado entre o povo de Deus. Sem essas palavras finais, eles jamais teriam sido preparados para a vinda do Senhor.
Eles foram profetas pós-exílicos porque vieram depois do exílio na Babilônia. Após Israel ter sido levado cativo para a Babilônia, esses profetas foram os instrumentos usados na restauração do pleno propósito de Deus, mesmo com o que parece ter sido um trabalho tão pequeno.
Irmãos e irmãs, não podemos subestimar a importância do ministério de Ageu, a importância do ministério de Zacarias e a importância do ministério de Malaquias. Sem eles, o Novo Testamento não teria acontecido. Não creio que isso seja um exagero.
Quando penso nas palavras finais do Antigo Testamento, sempre me lembro do que Paulo disse aos crentes de Corinto em 1 Coríntios 10:11. Ele estava falando de Moisés e dos filhos de Israel em sua experiência no deserto. Ele disse esta coisa profunda:
Ora, estas coisas lhes aconteceram como exemplos;
e foram escritas para nossa admoestação,
para nós, sobre quem os fins das eras têm chegado.
Elas foram escritas para nossa admoestação — vocês entendem isso? Mais do que isso, foram escritas para aqueles sobre quem o fim das eras chegou. Essa é a importância dessas palavras finais.
Em Ageu, vimos um profeta idoso com um ministério breve. Ele ministrou por apenas quatro meses e deu apenas quatro mensagens. Pensem nisso. Vocês podem pensar: “Como ele poderia ter um impacto tão grande?”. Mas, irmãos e irmãs, quando Deus está em algo, não importa quão breve ou curto seja. Ele pode fazer algo maravilhoso, extraordinário, arrebatador.
Em apenas quatro meses após o cativeiro babilônico, com quatro mensagens muito curtas — ao contrário das minhas —, ele transformou o povo de Deus: de um povo que já não se importava em um povo usado para restaurar o próprio propósito de Deus. Pensem nisso. Creio que Ageu teve um dos ministérios mais poderosos do Antigo Testamento.
Vimos como Deus confronta o Seu povo. Às vezes, não gostamos de falar sobre Deus nos confrontando, mas graças a Deus por Sua misericórdia que nos confronta. Ele disse ao Seu povo:
Considerai os vossos caminhos.
O que aconteceu com eles? Voltaram para reconstruir a casa de Deus. Depois, quando se envolveram com os afazeres e as preocupações da vida, ficaram sobrecarregados e abandonaram completamente a construção da casa de Deus. Suas prioridades mudaram, toda a sua ênfase mudou, e eles pararam de fazer exatamente aquilo para o qual haviam sido chamados.
Foi naquele momento de urgência que Ageu foi levantado. Com esta única palavra, “Considerai”, ele conseguiu inspirá-los a retomar a reconstrução da casa de Deus.
Também vimos que Deus consola o Seu povo. Em meio às grandes dificuldades que enfrentaram — e, irmãos e irmãs, eles enfrentaram grandes dificuldades quando voltaram para construir a casa de Deus —, Deus os consolou. Construir a casa de Deus não é fácil. Ele nunca disse que seria fácil.
Em meio àquele grande conflito, Ele lhes deu duas palavras idênticas de consolo:
Eu estou convosco, diz o Senhor dos Exércitos.
Não sei quanto a vocês, mas poderia haver palavras de consolo mais preciosas do que essas? Imaginem se o Senhor tivesse dito: “Vocês estão por conta própria. Façam o melhor que puderem. Eu apareço mais tarde”. Mas Suas palavras de consolo, duas vezes — não apenas uma, para que eles realmente entendessem —, foram:
Eu estou convosco, diz o Senhor.
Foi assim que Deus consolou o Seu povo. E Deus completa o Seu propósito. Essa é a beleza disso. Quando o Senhor conseguiu chamar a atenção deles, quando esse profeta de ministério tão breve foi usado por Deus para despertar novamente o espírito daquele remanescente, eles voltaram à tarefa para a qual haviam sido chamados.
Em um período muito curto, a casa de Deus foi construída. Irmãos e irmãs, essa é a glória disso: Deus é capaz de completar o Seu propósito.
Podemos pensar que temos anos. Podemos pensar que temos décadas. Podemos pensar, insensatamente, que temos séculos. Deus é capaz de completar o Seu testemunho no mais breve dos períodos.
Depois, examinamos Zacarias. Diferentemente de Ageu, que era um profeta idoso e havia visto a glória do templo de Salomão, Zacarias era um jovem. Ele teve um ministério mais longo — talvez tivesse mais vigor; vocês podem pensar o que quiserem —, mas ministrou durante dois anos inteiros.
Como ele foi usado para encorajar, transformar e equipar o povo de Deus a ocupar-se dos assuntos do Pai! Examinamos algumas coisas.
Primeiro, havia uma grande visão. A restauração do propósito de Deus em tempos difíceis começa com visão. O problema da maioria de nós, como povo de Deus — e creio que é justo dizer isso, incluindo a mim mesmo —, é que nos falta visão daquilo que está no coração do Senhor.
Zacarias foi um homem de grande visão. Quando vocês leem Zacarias, veem que ele teve visões de Cristo incomparáveis nas Escrituras, quase como Isaías, que escreveu um volume muito maior. Vejam as visões que Zacarias teve do Senhor Jesus. Sua grande visão era uma visão de Cristo.
Creio que é isso que tem movido nosso irmão Jerry a compartilhar conosco. Mas não apenas isso: Zacarias teve uma visão de um candeeiro todo de ouro. Quando a visão de Cristo lhe foi aberta, algo do propósito de Deus em Seu povo também lhe foi aberto. Essas duas coisas juntas constituíam a grande visão.
Segundo, ele ofereceu grande encorajamento. Não consigo enfatizar o suficiente como aquele período foi difícil para eles. Podemos achar que estamos passando por alguma dificuldade quando não temos sobremesa depois da refeição. Esses irmãos e irmãs realmente abriram mão de muita coisa pelo propósito de Deus.
Eles devem ter se sentido sobrecarregados. Devem ter pensado: “Como é que vamos conseguir edificar o testemunho de Deus em nosso meio?”. E ele disse estas palavras conhecidas:
Não por força, nem por poder, mas pelo Meu Espírito, diz o Senhor.
Irmãos e irmãs, se alguma vez pensarmos que a obra de Deus depende do nosso poder e da nossa força, então já estamos perdidos desde o começo. Essa foi a palavra de encorajamento que ele deu.
Por fim, Zacarias mostrou que havia um grande chamado. Há uma lição vital em Zacarias 4, quando ele apresenta o chamado para os filhos do azeite. Creio que Deus está chamando hoje por filhos do azeite.
Os filhos do azeite faziam apenas duas coisas. Derramavam de si o azeite de ouro no candeeiro, para iluminar o testemunho de Deus. Estavam dispostos a ser derramados. Eram ungidos e derramavam o azeite de ouro. Aquele não era o azeite deles; era o azeite de ouro vindo do próprio Deus.
A segunda coisa que faziam, segundo o texto, era permanecer ao lado do Senhor de toda a terra. Era só isso que faziam.
O Senhor está procurando hoje, assim como quando os filhos de Israel fizeram concessões, o bezerro foi feito, houve uma separação, e Ele disse:
Quem está do lado do Senhor?
Ele está procurando aqueles que estão dispostos a ser derramados — filhos do azeite — e aqueles que estão dispostos a permanecer do lado do Senhor.
Se algum de nós ouvir esse chamado, creio que essa é a palavra final que Zacarias deu.
Por fim, falamos sobre Malaquias. Malaquias é um livro sobre o qual eu realmente não queria falar, porque, quando o li, pensei: “Ele está cheio demais de juízo”. Não sei quanto a vocês, mas às vezes não gosto de falar muito sobre juízo.
Mas, depois que comecei a ler esse livro, descobri algo inteiramente diferente. Ele é a palavra final do Antigo Testamento. Começa com uma explicação única de quem Deus é e do que Deus faz:
Eu vos tenho amado, diz o Senhor.
É isso. Essa é a única explicação. Vocês não podem me dar outra explicação. Não podem dividi-la, separá-la e desdobrá-la, e dizer que existe outra explicação para quem Deus é.
O apóstolo João, sob a unção, disse em 1 João 4:8:
Deus é amor.
Depois, ele não se conteve; repetiu novamente em 1 João 4:16:
Deus é amor.
Isso é tudo o que Ele é. Essa é a grande explicação.
O amor divino é a grande explicação. É quem Ele é, e está por trás de tudo o que Ele faz.
Depois, examinamos o juízo divino. Como cristãos, não gostamos de juízo; gostamos de falar de amor. Mas Malaquias mostra a verdadeira condição do povo de Deus. Era uma condição muito baixa.
Havia sete perguntas. Não vou entrar nelas novamente. A primeira foi esta:
Eu vos tenho amado com amor eterno.
E eles disseram:
Em que nos tens Tu amado?
Vocês conseguem imaginar? Sete vezes: “Em que?”.
O povo de Deus não tinha consciência disso. Então Ele julgou — não para rejeitar. O juízo para o povo de Deus visa à restauração. Nunca visa à destruição. Essa é a diferença.
Se vocês lerem o livro de Malaquias, há um belo versículo:
Ele Se assenta como o refinador.
É o fogo do refinador. Todos os Seus juízos para com o povo de Deus visam a nos refinar, formar e transformar naquilo que Ele deseja.
Para mim, é disso que trata o livro de Malaquias. Depois, falamos sobre o desejo divino. Examinamos Malaquias 3:16, onde Deus está procurando um povo que fale frequentemente de Seu nome, um povo que ame a comunhão, um povo para o qual Ele possa escrever um livro de memória, um povo sobre o qual Ele possa dizer: “Este é o Meu tesouro particular”.
Hoje, vamos examinar pelo menos o começo e, em mais uma ocasião, concluiremos o Novo Testamento. A Revelação — e continuarei enfatizando isso; vocês verão por quê daqui a pouco — é a palavra final de Deus no Novo Testamento.
Há opiniões variadas sobre quando ela foi escrita. Se vocês gostam da posição de Graham Scroggie — e muitos gostam, e eu também —, ela foi o primeiro dos escritos de João, seguido pelas epístolas e, por último, pelo Evangelho: por volta de 68 a 70 d.C., antes da destruição de Jerusalém.
Há aqueles que defendem com igual firmeza a posição oposta: que ela foi o último livro a ser escrito, por volta de 98 a 100 d.C., no fim do primeiro século. Irmãos e irmãs, eles são igualmente firmes nessa posição. Eu não a adoto, mas vocês podem dizer: “E o que você sabe?”.
O ponto é este: deixem isso de lado por um momento. Podemos ficar inteiramente presos à questão de o grego ser bom ou não. Um dos argumentos que Graham Scroggie usou foi que o grego de Apocalipse não é muito bom; é muito melhor em 1 João, 2 João, 3 João e no Evangelho de João. Ele também apontou para as menções a Jerusalém, sugerindo que Jerusalém ainda não havia sido destruída.
Mas esta é a única coisa em que eles concordam: este livro de Apocalipse é, em espírito, a palavra final do Novo Testamento. Portanto, no cânon das Escrituras, ele é o último.
Há razões para a Revelação vir por último. Em espírito, conceito e conteúdo, ela é a última declaração de Deus ao Seu povo antes do fim da era. Não creio que alguém discorde disso.
Graham Scroggie disse que a palavra-chave é consumação. Ela nos mostra a consumação de todas as coisas. Cronologicamente, talvez não seja o último livro, mas, em conteúdo, certamente é.
Começamos examinando o tema central da Revelação. Não sei quantos de vocês tinham tanto medo de apresentar trabalhos sobre livros quanto eu. Ainda me lembro de quando estava na terceira série e tive de fazer minha primeira apresentação oral sobre um livro. Se vocês querem saber o que é terror, suor e medo… Deve ter sido pior do que as trevas exteriores.
Nunca vou me esquecer. Naquele momento, soube que jamais seria alguém capaz de falar em público. Minha professora tinha um aparelhinho simpático chamado gravador. Ela começou a gravar, e eu fui lá para a frente e tive um branco completo. Fiquei me atrapalhando, tentando lembrar qual era o tema do livro e como poderia apresentá-lo à turma. Irmãos e irmãs, foi um constrangimento total.
Então, para acrescentar agonia à agonia, ela reproduziu a gravação e me fez ouvi-la inteira de novo. É por isso que sou engenheiro. Isso diz tudo sobre mim e meu amor pela língua inglesa.
Mas todo livro tem um tema central. Se perdermos o tema central do livro, perderemos a ênfase do autor.
Muitas vezes, é isso que fazemos. Olhamos para Apocalipse e vemos frascos, taças e guerras. Vemos pragas e acontecimentos do fim dos tempos. Vemos guerra no céu e guerra na terra. Temos todos esses temas percorrendo o livro.
Mas, na verdade, há apenas um tema central na Revelação. Apenas um. É por isso que ela é chamada a Revelação.
Ela não se chama “Revelações”, como se o livro estivesse no plural. O livro não está no plural. O livro é Revelação. Na verdade, é ainda melhor do que isso. É mais do que “Revelação”. É a Revelação, porque é a revelação de Jesus Cristo.
O apóstolo João não deixou dúvida alguma sobre o tema desse livro. Ele não era como eu, todo confuso e incapaz de lembrar qual era o seu tema. Apocalipse 1:1 diz:
A Revelação de Jesus Cristo.
Esse é o tema central. Não há outra coisa. Esse é o tema: a Revelação.
Agora, vou brincar um pouco com vocês — vou mostrar minha tolice. Nós, os Wahoos, chamamos nossa instituição de a Universidade da Virgínia, para dar ênfase. E a Universidade Estadual de Ohio — vocês sempre ouvem o pessoal de lá dizer a Universidade Estadual de Ohio. Mas essa é a ênfase aqui: a Revelação.
É uma revelação singular. Não se refere meramente a acontecimentos, épocas, milagres e à passagem do calendário até que Ele venha novamente. Refere-se ao desvelamento do Senhor Jesus Cristo.
Se vocês perderem esse ponto singular — que ela se refere ao desvelamento do Senhor Jesus Cristo —, perderão tudo aquilo de que esse livro trata.
Creio que nosso irmão Jerry deixou muito claro do que trata esse livro. Creio, de fato, como nosso irmão disse, que esta é a nossa necessidade: que nossos olhos sejam abertos para essa visão da Pessoa do Senhor Jesus.
Se houver restauração em nossa geração, ela acontecerá porque teremos visto mais do Senhor Jesus. Esse é o tema central. Não existem dois temas.
Ela é a palavra final de Deus. Na explicação mais breve que posso dar, o Novo Testamento está centrado em uma única coisa — e hesito em dizer “uma coisa”. Ele está centrado em uma Pessoa.
Isso sempre esteve no coração de Deus. Nunca podemos nos esquecer disso. Entraremos no erro. Sairemos dos trilhos. Entraremos em perigo. Perderemos o barco — usem a analogia que quiserem. Isso acontecerá conosco se nos desviarmos do tema central deste escrito, desta palavra final.
Pensei na palavra preeminência. A palavra traduzida para o inglês como “preeminência” ocorre apenas três vezes na Bíblia. Achei isso curioso. Uma palavra tão grandiosa — preeminência — e, no entanto, apenas três vezes.
A primeira vez está em Eclesiastes 3:19:
Porque o que sucede aos filhos dos homens sucede aos animais;
uma mesma coisa lhes sucede:
como morre um, assim morre o outro;
todos têm o mesmo fôlego;
e o homem não tem preeminência sobre os animais:
porque tudo é vaidade.
Esse é o primeiro lugar: o homem não tem preeminência.
O último lugar está em 3 João 1:9:
Escrevi alguma coisa à igreja:
mas Diótrefes, que gosta de ter a preeminência entre eles, não nos recebe.
Vocês conseguem imaginar se isso fosse dito de vocês? “Aquele irmão gosta de ter a preeminência.” Creio que, infelizmente, isso poderia ser dito de alguns de nós.
Mas há um belo versículo. Vocês não precisam procurar muito longe; está logo ali, atrás do meu ombro esquerdo. É Colossenses 1:18:
E Ele é a cabeça do corpo, a igreja:
Ele, Que é o princípio, o primogênito dentre os mortos;
para que em todas as coisas Ele tenha a preeminência.
Ele é o tema central da Revelação. Nossa maior necessidade é que nossa visão de Cristo se torne clara. Essa é a nossa maior necessidade.
Recentemente, precisei ir ao oftalmologista. Meu médico vinha insistindo por causa destes óculos velhos, então fui. Ele corrigiu minha visão; ela estava um pouco desajustada.
Lembro-me dele alternando aquelas lentes. Não sei — isso é uma implicância pessoal —, mas aquilo me deixa maluco, porque ele troca as lentes rápido demais: “Assim está melhor ou assim? Assim está melhor ou assim?”. Por fim, comecei simplesmente a dizer: “Bem, assim está bom”.
Mas ele conseguiu tornar minha visão mais nítida, para que eu enxergasse as coisas como deveria. Ele me disse — e eu não conseguia acreditar nisso para um velho como eu —: “Com correção, consigo fazer você chegar a 20/15 nos dois olhos”. Pensei: “Que legal”.
Nossa visão precisa ser nítida. Nossa visão precisa ser novamente focalizada. Quando João estava na ilha de Patmos por causa da Palavra de Deus e do testemunho de Jesus, a primeira necessidade — a necessidade preeminente — era ver Cristo. Cristo é o tema central.
Nunca vou me esquecer do nosso irmão DeVern Fromke. Alguns de vocês são jovens demais para se lembrar de DeVern Fromke. Mas ele provavelmente nos ajudou de muitas maneiras tanto quanto qualquer outro irmão. Talvez tenha sido apenas por um breve período no começo, como Ageu ou Zacarias, enquanto outros têm estado conosco por mais tempo e nos ajudado durante um período muito maior.
Mas lembro-me de que o irmão Fromke disse isto — e, na outra noite, discutimos qual seria a formulação exata —: “O principal é manter o principal como principal”.
Se vocês conseguirem se lembrar disso, seu foco ficará mais nítido. O principal é o próprio Senhor Jesus — não o que vai acontecer, não a igreja. O principal é o Senhor Jesus.
Nossa única incumbência é manter o principal como principal. Se não mantivermos o principal como principal, falharemos nessa questão.
A segunda coisa sobre a qual gostaria que pensássemos é esta: vocês não veem apenas, em primeiro lugar, essa visão do Senhor Jesus, diante da qual João caiu como morto; vocês começam a ver a preocupação de Cristo nesse livro.
Vocês não veem apenas que Cristo é o tema central da Revelação. Começam a ver algo mais no primeiro capítulo desse livro: qual era a preocupação do Senhor Jesus.
Deixem-me ler alguns versículos. Apocalipse 1:10-11:
Escreve num livro e envia-o às sete igrejas.
Essa foi a ordem dada a João. João viu aquela visão e então começou a escrever. Ele disse:
Eu, João, às sete igrejas que estão na Ásia.
Depois, em Apocalipse 1:17, está escrito:
E, quando O vi, caí aos Seus pés como morto.
E Ele pôs sobre mim a Sua mão direita, dizendo: Não temas;
Eu sou o primeiro e o último, e Aquele que vive.
Ele continua falando das chaves da morte e do Hades:
Escreve, pois, o que tens visto.
Escreva o que você viu.
Depois, em Apocalipse 1:11:
O que vês, escreve num livro,
e envia-o a estas sete assembleias:
a Éfeso, a Esmirna, a Pérgamo, a Tiatira,
a Sardes, a Filadélfia e a Laodiceia.
Irmãos e irmãs, se vocês conseguirem enxergar isso, não apenas a centralidade de Cristo é todo o foco, mas também a preocupação de Cristo é trazida à luz. Pergunto-me se estamos vendo isso.
Isso me faz lembrar de Mateus 16, em Cesareia de Filipe. Vocês se lembram de como Pedro teve essa visão da centralidade de Cristo, dada por Deus, e disse:
Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.
Mas então o Senhor Jesus começou a revelar ao mesmo Pedro qual era a Sua preocupação. Ele disse:
Sobre esta pedra edificarei a Minha igreja;
e as portas do Hades não prevalecerão contra ela.
Em outras palavras, junto com a centralidade de Cristo vem aquilo com que Ele Se preocupa. Lembro-me de quando o irmão Stephen compartilhou neste verão. Aquilo me atingiu de uma maneira nova, porque eu nunca o tinha ouvido usar essa palavra antes. Ele disse que, naquela visão em Cesareia de Filipe, depois que Pedro teve essa visão do Cristo, o Senhor começou a compartilhar o que ocupava o primeiro lugar em Seu coração.
O que ocupava o primeiro lugar?
Irmãos e irmãs, eu me pergunto: temos visto a preocupação de Cristo? Eu me pergunto: temos a preocupação de Cristo? Pergunto-me se ela nos atingiu com o mesmo impacto.
Isso está neste livro: a urgência do Senhor Jesus. Vocês precisam enxergar a urgência do Senhor Jesus. Se não perceberem Sua urgência, não perceberão qual é a Sua preocupação.
Ele disse: “Escreve”. Depois, para cada uma daquelas igrejas, lemos:
Ao anjo da assembleia em Éfeso escreve.
Ao anjo da assembleia em Esmirna escreve.
Ao anjo da assembleia em Pérgamo escreve.
Ao anjo da assembleia em Tiatira escreve.
Ao anjo da assembleia em Sardes escreve.
Ao anjo da assembleia em Filadélfia escreve.
Ao anjo da assembleia em Laodiceia escreve.
Vocês percebem algo da preocupação do Senhor? Percebem o que é mais urgente em Seu coração?
Irmãos e irmãs, perdoem-me. Temo que tenhamos feito da vida cristã algo quase exclusivamente relacionado à nossa vida individual.
Creio que nossa vida individual é muito importante. Certa vez, apresentei uma série inteira em torno disto: sem a vida cristã individual, o cristianismo é impossível. Vocês precisam ter esse relacionamento vivo.
Mas continuei dizendo que, sem a vida cristã coletiva, a vida cristã é incompleta.
Há aqueles que não têm absolutamente nenhuma preocupação com aquilo que preocupa o Senhor. Pergunto-me o que o Espírito de Deus está dizendo nesta última declaração, nesta Palavra final de Deus no Novo Testamento, nesta Palavra final para as eras. Não seria esta simples palavra: Vocês compartilham da Minha preocupação?
Creio que é isso. Se eu estiver errado, vocês podem me ajudar. Mas creio que é isso que ocupa o primeiro lugar em Seu coração.
Alguns de nós conseguem viver sem os outros. Alguns de nós nem sequer gostam uns dos outros, e sei que isso acontece. Lembro-me do grande filósofo que disse: “Quanto mais conheço as pessoas, mais gosto do meu cachorro”. Quem foi? Foi Sócrates? Vocês podem me corrigir.
Mas, irmãos e irmãs, aqui está a preocupação do Senhor. Nós a vemos? Ela nos atingiu com o mesmo impacto com que atingiu Pedro em Cesareia de Filipe? Ela nos atingiu com o mesmo impacto com que atingiu João?
João sabia que havia visto o Senhor Jesus, mas depois ficou tomado pela instrução de escrever.
O Senhor é visto, inclusive, em pé no meio de Sua igreja. Vocês podem dizer: “Bem, o Senhor está no céu”. Mas a cena que João viu era diferente. Ele estava em pé no meio da assembleia.
Onde vocês estão? Creio que essa é a preocupação de Cristo.
Espero que tenhamos uma visão ampliada do Senhor Jesus. Mas espero que também tenhamos uma preocupação maior com aquilo que O preocupa.
Não sou diferente de vocês, irmãos e irmãs. Não estou aqui na frente para dizer que entendo tudo. Mas sei que a vida é difícil. Linda e eu já compartilhamos isto antes: nossa expressão favorita é: “A vida acaba atrapalhando”. Já disse isso tantas vezes que vocês provavelmente estão cansados de ouvir.
Mas às vezes precisamos agir com rigor contra nós mesmos. O reino de Deus é tomado com violência. Ora, isso não é violência física, mas os que usam de força se apoderam dele, diz a Palavra em Mateus.
Precisamos lutar com nossa agenda. Precisamos lutar com nossas prioridades. Precisamos lutar com aquilo que nos preocupa. Precisamos ter em nosso coração algo daquilo com que o Senhor Se preocupa.
Creio que esta é a Palavra final de Deus em todo o Novo Testamento.
Onde estamos? Temos orado nas noites de quarta-feira pela condição das igrejas. Creio que, se tivéssemos essa preocupação, aquela reunião estaria repleta de participantes.
Temos orado para que o Senhor faça algo, para que a glória daquilo que está em Seu coração — que Cristo e a igreja expressem essa multiforme glória de Deus, como diz Efésios 3:10 — se torne realidade em nossa geração.
Deveríamos nos achegar ao Senhor e dizer: “Senhor, faz com que seja assim. Essa não é a nossa preocupação. Essa é a Tua preocupação. Faz isso acontecer. Restaura essa glória”.
Deixem-me concluir com a condição das igrejas. Em seguida, vocês começam a ver a condição das assembleias locais.
Há diferentes opiniões sobre o significado dessas sete cartas ou epístolas. Existem algumas posições bastante contrastantes. Não vou convencer vocês de uma ou de outra. Mas creio que todos concordam que elas expressam a condição da igreja.
Campbell Morgan disse que isso pode ser entendido de duas maneiras. Primeiro, a Revelação revela diferentes condições da igreja ao longo de toda a era cristã. Segundo, essas cartas abrangem períodos sucessivos da era da igreja.
Bem, creio que há uma terceira posição. Creio que eram igrejas reais, na condição que existia no primeiro século. Mas também creio nessas outras duas coisas.
Irmãos e irmãs, precisamos ver qual é a condição da igreja. É disso que trata esta palavra final. O Senhor enviou mensageiros pessoais — anjos, ou mensageiros — a cada assembleia, com Suas palavras e com Sua descrição da verdadeira condição delas.
Seja qual for o significado que vocês atribuam a isso, há sete igrejas. O número sete é sempre o número perfeito nas Escrituras. Significa plenitude.
O que creio que a Palavra do Senhor no fim da era, no Novo Testamento, está dizendo é isto: ela nos dá um quadro completo da condição de Sua igreja.
Algumas dessas coisas podem ser verdadeiras a nosso respeito. Outras também podem ser verdadeiras a nosso respeito. Pode ser que uma represente uma era e a seguinte represente outra era.
Nunca vou me esquecer de uma ocasião em que estava em Nova Jersey. Depois que eu disse que gostava da ideia de que isso representa as eras sucessivas, um irmão veio falar comigo e disse: “Irmão, fico muito feliz que você não tenha se detido naquela doutrina repreensível de que isso representa períodos sucessivos ao longo das eras”. Pensei que ele não devia ter ouvido muito bem.
Mas creio que há algo de válido nisso. Aqueles que adotam essa posição dizem que vivemos na era laodiceana da igreja. Creio que realmente há algo de válido nisso. Mas, se não consigo convencê-los disso, deixem-me ao menos convencê-los de que essa é a condição das igrejas.
Há uma palavra-chave na condição das igrejas, e essa palavra é: Eu conheço.
Para cada igreja, há a palavra “escreve”, e, para cada igreja, há a palavra “Eu conheço”.
Em Apocalipse 2:2, para Éfeso:
Eu conheço.
Em Apocalipse 2:9, para Esmirna:
Eu conheço.
Em Apocalipse 2:13, para Pérgamo:
Eu conheço.
Em Apocalipse 2:19, para Tiatira:
Eu conheço.
Em Apocalipse 3:1, para Sardes:
Eu conheço.
Em Apocalipse 3:8, para Filadélfia:
Eu conheço.
E, em Apocalipse 3:15, para Laodiceia:
Eu conheço.
A repetição de palavras na Bíblia é muito importante. A Palavra do Senhor no fim da era é: “Eu conheço a condição de vocês”.
Há aqueles entre nós que acham que conhecem a própria condição. Mas o texto não diz: “Vocês conhecem”.
Tenham cuidado com pessoas que sempre dizem: “Eu sei”. Somente a Cabeça da igreja conhece realmente nossa verdadeira condição. Ele é o único. Ninguém mais.
Vocês podem ter alguma ideia. Podem até ter discernimento sobre uma situação; não vou censurá-los por isso. Mas, durante anos, temos sido incomodados por pessoas que chegam e dizem: “Eu sei quais são os problemas de vocês. Se vocês simplesmente fizessem isto, acertariam”.
Sou grato pelo fato de que, nos primeiros anos, o irmão Stephen nos ajudou muito nisso. Houve alguns que chegaram no começo e disseram: “Eu sei. Eu sei”. Tivemos de nos posicionar e dizer: “Como vocês sabem? Vocês nem sequer nos conhecem”.
Somente a Cabeça da igreja conhece nossa verdadeira condição.
Vocês olham para todas essas igrejas. Se a condição da igreja fosse responsabilidade de vocês, já teriam desistido da maioria delas há muito tempo, não é? Creio que provavelmente teriam.
Mas a bênção para mim — a Palavra do Senhor no fim da era — é que Ele nunca desiste de Sua igreja. Ela pode estar nas piores condições, nas piores condições, e Ele nunca desiste. Ele está sempre chamando. Está sempre procurando uma resposta. Está sempre esperando.
Pode ser Éfeso. Éfeso tinha grandes coisas pelas quais podia ser elogiada. Tinha uma coisa pela qual devia ser censurada:
Tenho, porém, contra ti que abandonaste o teu primeiro amor.
Algumas pessoas gostam de ler isso como: “Você perdeu seu primeiro amor”. Não é isso que está escrito. Newell fez uma distinção. Ele disse: “Você o abandonou, não o perdeu”. Em outras palavras, vocês podem abandonar algo e voltar a ele.
Vocês podem abandonar aquela expressão viva e voltar a ela. Mas às vezes podem perdê-la. Se a perderem, nunca mais poderão encontrá-la.
O Senhor nunca desiste de Sua igreja. Lembro-me de quando era uma criancinha, de três anos — lá em Oregon Hill. Talvez eu fosse mais velho. Não sei se consigo me lembrar de ter três anos, mas estava naquela fase de quatro ou cinco anos.
Eu tinha um pequeno soldadinho de metal de que gostava muito. Provavelmente ninguém tem mais esses brinquedos. Eu o carregava comigo para todo lado, e o perdi. Lembro-me de tê-lo perdido. Nunca mais o encontrei.
Eu procurei. Dei voltas por Oregon Hill. Dei voltas por Oregon Hill. Dei voltas por Oregon Hill durante horas. Ele estava perdido e havia desaparecido para sempre.
Mas o Senhor disse:
Abandonaste o teu primeiro amor.
Lembra-te, pois, de onde caíste, e arrepende-te;
ou virei a ti e removerei o teu candeeiro do seu lugar.
Depois, vocês podem pensar em Esmirna. Ela poderia representar a era da perseguição. É a primeira igreja sem qualquer sinal de condenação. Eles são a assembleia sofredora.
Quando li O Testemunho Cristão ao Longo das Eras, de T. W. Carron, neste último ano, fiquei impressionado com o quanto muitos de nossos irmãos e irmãs sofreram por Cristo. Nós não temos sofrido muito. Podemos vir a sofrer. Na verdade, quando o Senhor fala sobre os dias que virão, sobre o fim da era, Ele diz que tudo começará com perseguição.
Mas observem: essa assembleia sofreu, e Ele disse:
Mas tu és rico.
Vocês poderiam imaginar que diríamos: “Nossa, temos tanta pena deles”. Ele diz:
Mas tu és rico.
E Ele diz:
Sê fiel até à morte,
e dar-te-ei a coroa da vida.
Nenhuma condenação.
Vocês podem pensar em Pérgamo. Ela poderia representar a idolatria e o sistema clerical. O texto traz algumas palavras bastante fortes:
Habitas onde está o trono de Satanás.
Vocês conseguem imaginar dizer isso a respeito da igreja? Muitas vezes penso naquelas placas cristãs nos prédios das igrejas. Elas têm frases engenhosas e estão sempre tentando atrair as pessoas. Vocês conseguem imaginar se dissessem: “Venham se reunir conosco onde Satanás habita”?
Mas o Senhor disse isso. Ele não desistiu deles. Não os rejeitou. Eles eram Sua preocupação.
Irmãos e irmãs, essa é a condição da igreja: o clero ganha destaque; uma classe profissional realiza todo o serviço; e o sacerdócio dos crentes é perdido.
Ou vocês podem pensar em Tiatira: o poder do papado e do catolicismo. O texto fala de Jezabel. Jezabel significa simplesmente o sistema religioso.
Mais adiante, para a glória de Deus, lemos em Apocalipse 17 sobre Jezabel sendo julgada. Mas, irmãos e irmãs, creio que essa foi a Idade das Trevas, quando tudo no mundo e na igreja estava tão escuro quanto a noite.
Mas o Senhor, em Sua misericórdia, não deixou as coisas assim. Ele levantou Martinho Lutero. Isso não é uma boa notícia?
Depois, penso em Sardes: o protestantismo morto.
Tens nome de que vives, e estás morto.
Lang disse que Sardes é “um cadáver com aparência de carne viva”. Palavras bastante fortes. Vocês conseguem imaginar acordar e dizer: “Vocês todos são um cadáver com aparência de carne viva”?
Mas sem vitalidade. Assim como vocês, já fui a muitos velórios e funerárias. As pessoas olhavam para o cadáver e diziam: “Nossa, como ele está com uma aparência boa!”. Muitas vezes penso: “Não, ele parece morto”.
Ele pode ter aparência de carne viva, mas está morto.
Irmãos e irmãs, este é o encorajamento: Ele pode ressuscitar os mortos. Pode soprar vida nos ossos secos. A condição da igreja não é irreparável.
Pode ser a nossa condição. Certa vez, uma irmã disse isso a nosso respeito. Mais tarde, ela se tornou uma das irmãs mais preciosas para mim, mas lembro-me de que, durante um longo intervalo que tivemos, ela disse: “Irmão, vocês são Sardes” — não eu pessoalmente; ela estava falando de nós.
Mas, graças a Deus, Ele ressuscita os mortos. Ele é um Deus de ressurreição e pode soprar vida nos ossos secos. Essa é Sardes.
Ah, vocês podem pensar em Filadélfia. Acho interessante que o texto diga que Filadélfia tinha pouca força. Examinei essas sete igrejas e me perguntei: “Onde está a igreja com grande poder?”. Ela não aparece na lista.
Estamos sempre procurando a igreja com grande poder. Mas me parece que o Cristo vivo, Cuja preocupação é a igreja, encontrou a igreja com pouca força e ficou satisfeito.
Irmãos e irmãs, que possamos ser como Filadélfia. Talvez nunca tenhamos grande força. Talvez tenhamos apenas pouca força. Mas isso é suficiente.
Não havia condenação para aquela igreja em Filadélfia.
Agora, aquela com a qual quero terminar é Laodiceia. Laodiceia significa mornidão. Ele diz:
Estou a ponto de vomitar-te da Minha boca.
Essa é uma linguagem forte. Porque vocês não são quentes nem frios, mas mornos:
Estou a ponto de vomitar-te da Minha boca.
Palavras fortes. Muito fortes.
Eles não percebiam sua verdadeira condição. Achavam que eram ricos e que não precisavam de nada. Então, ao concluir, Ele lhes diz:
Eis que estou à porta e bato:
se alguém ouvir a Minha voz e abrir a porta,
entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele Comigo.
Vocês observam que isso está no tempo presente?
Estou à porta.
Se alguém ouvir a Minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele Comigo.
Agora, irmãos e irmãs, nós transformamos isso em uma mensagem evangelística, e graças a Deus por isso. Conheço muitas almas que foram salvas por meio dela. Quando eu pregava nas ruas perto da VCU, costumava dizer: “Ele está à porta, batendo à porta do seu coração”.
Mas essa não é a porta do seu coração. Essa é a porta da igreja.
Vocês conseguem imaginar? Sua própria possessão especial havia fechado a porta. Vocês conseguem imaginar? Essa é a condição.
Muitos dizem que a condição laodiceana é a condição em que vivemos agora. É por isso que o texto está no tempo presente:
Estou à porta e estou batendo.
Essa é a condição da igreja.
Isso me faz lembrar de quando o Senhor veio a Jerusalém. Vocês se lembram de Mateus 23:37, quando Ele diz:
Ó Jerusalém, Jerusalém,
quantas vezes quis Eu ajuntar os teus filhos,
como a galinha ajunta os seus pintinhos debaixo das asas,
e vós não quisestes!
Pergunto-me: essa é a nossa resposta? “Mas nós não quisemos.”
Irmãos e irmãs, Ele está batendo hoje. Ele está batendo hoje. Essa é a condição da igreja: Ele está do lado de fora.
Ele está dizendo:
Se alguém ouvir a Minha voz e abrir essa porta, entrarei e cearei com ele.
Se alguém estiver disposto a compartilhar dessa preocupação que Eu tenho, se houver alguma resposta, Eu entrarei. A comunhão com Ele terá uma nova dimensão.
Mas eu me pergunto: somos tentados a dizer: “Mas nós não quisemos”?
Bem, esse é o encargo que o Senhor colocou em meu coração. Creio que isso, ao menos de alguma maneira, é o pensamento final de Deus no Novo Testamento.
Ele é o centro de todas as coisas? Ele tem a preeminência?
Temos alguma percepção daquilo que O preocupa?
Conhecemos nossa verdadeira condição? Ele conhece. E Ele nunca para de bater.
Ele nunca desistirá. Se fosse você, posso garantir — se fosse eu —, diria: “Desista”.
Existe aquela expressão: “Tape os ouvidos”, e dizemos: “Não estamos ouvindo”. Acho que às vezes somos assim.
Que o Senhor Jesus tenha misericórdia. Ele está esperando. Ele está chamando.
Esse é o encerramento da Palavra do Senhor no Novo Testamento. Ele está chamando Sua igreja a responder.
A pergunta é: qual será nossa resposta? Será: “Não quisemos”? Ou será: “Sim”? Sim, mais, sempre buscando mais. Que o Senhor nos ajude.
Senhor, entregamos estes pensamentos a Ti. Pedimos que sopres um pouco de vida neles e nos ajudes a ouvir o que o Espírito diz às igrejas.
Confessamos nossa incapacidade, mas pedimos Àquele Que sabe todas as coisas que faça uma obra que nós não podemos fazer e nos conduza à compreensão de qual é a Tua Palavra para nós nesta hora.
Pois pedimos no precioso nome do Senhor Jesus. Amém.