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THAT THE WORD OF THE LORD MAY RUN AND BE GLORIFIED
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    Finishing Well #2 © 2026 Christian Testimony Ministry
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    Finishing Well #2
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    Graham, Mac

    A perseverança para concluir bem a caminhada

    Gostaria que abríssemos nesta noite em Filipenses 3. Quero ler alguns versículos desse capítulo que lemos na outra noite: Filipenses 3:12-14.

    Não que já a tenha alcançado, ou que seja perfeito; mas prossigo para alcançar aquilo para o que também fui alcançado por Cristo Jesus.
    Irmãos, quanto a mim, não julgo que o haja alcançado; mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que atrás ficam e avançando para as que estão diante de mim,
    Prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus.

    Vamos orar.

    Senhor, ao continuarmos em Tua presença nesta noite, somos sempre gratos pelas oportunidades que temos de lembrar Tua morte à mesa. Senhor, como isso coloca a vida na perspectiva correta! Isso nos leva de volta aos pés da cruz. Deixa tudo o mais de lado e conduz nosso coração a Ti. Que privilégio! Que bênção temos!

    Senhor, também somos gratos porque Tu não nos deixaste desamparados, mas enviaste o Auxiliador, o Consolador, o Paráclito. Senhor, nesta noite nos achegamos olhando para Ti, para que possas falar e trabalhar no coração de cada um de nós de uma maneira que Te glorifique.

    Senhor, se Tu não fores glorificado e satisfeito nesta noite, este tempo será simplesmente em vão. Temos dentro de nós um grande desejo de que, ao abrirmos Tua Palavra e olharmos para Ti, Senhor, Tu fales e nós ouçamos — não apenas adquirindo conhecimento a Teu respeito, mas verdadeiramente tocando em Ti em vida e permitindo que Aquele que vive dentro de nós nos fale de maneira mais ampla e plena. Em Teu nome oramos. Amém.

    A necessidade de concluir bem a caminhada

    Como compartilhei na outra noite, o que tem estado em meu coração recentemente é essa questão de concluir bem a caminhada. Não vou dizer quantos anos tenho. Vocês terão de ouvir a fita e descobrir. Mas, enfim, à medida que vou ficando mais velho, começo a ter esse desejo de concluir bem, e todo esse pensamento de prosseguir.

    Porque vemos como, ao avançarmos na vida cristã, podemos ter uma grande tendência a nos acomodar. Quando eu era bem mais jovem, passei boa parte dos meus primeiros vinte e cinco anos praticando esportes. A cada ano, eu praticava dois ou três esportes diferentes. Lembro-me de como era difícil. Não importava o esporte, o fundamental era terminar bem.

    Você começa o quarto período cansado, exausto. Parece que aquele período demora uma eternidade, mas você quer terminar bem. Você chega à sétima ou à oitava entrada do jogo de beisebol. Parece que o jogo já foi longo demais e que você não tem mais de onde tirar forças, mas quer terminar bem. Porque, no mundo dos esportes, é isso que realmente distingue os campeões: são aqueles que conseguem terminar bem.

    E, irmãos e irmãs, isso está no coração do Senhor. Na mesa da qual acabamos de participar, Ele fez toda a provisão para que pudéssemos concluir bem a caminhada. Aos olhos Dele, cada um de nós é um campeão. Somos tão gratos por termos o Campeão ao nosso lado! Ele deseja muito que terminemos de uma maneira que Lhe traga glória.

    Por isso, nestes dias, tenho realmente no coração o desejo de que possamos encorajar uns aos outros a prosseguir de verdade. Não é preciso ser um cristão muito sensível — até um velho contador consegue perceber — para notar que os dias em que vivemos são bastante difíceis. Há muita coisa sendo abalada.

    Se ouvíssemos cada pessoa nesta sala hoje à noite, acho que todos teriam um testemunho de algo que precisaram vencer só para estar aqui. Seriam coisas muito variadas, mas todos tiveram de perseverar e superar alguma coisa. Para a maioria de nós, as coisas não caíram simplesmente no colo, permitindo que viéssemos até aqui de maneira tranquila e fácil. Foi preciso seguir adiante, vencendo as dificuldades.

    É isso que o Senhor realmente procura em nossa vida: que recebamos a graça de Deus que Ele colocou à nossa disposição e permitamos que ela nos conduza a uma medida mais plena Dele, conhecendo-O de maneira mais plena e profunda.

    Calebe como exemplo de perseverança

    Para nos ajudar a aprender algumas dessas lições, temos considerado Calebe no Antigo Testamento. Calebe foi alguém que, podemos dizer, concluiu bem a caminhada. Ele precisou perseverar em muitas circunstâncias difíceis. Em certos momentos, viu-se rejeitado por todos os outros irmãos e irmãs. Viu-se obrigado a permanecer naquele deserto por muitos anos e percebeu que precisava de uma paciência que não vinha dele mesmo.

    Mas, graças a Deus, no fim Calebe concluiu bem e permaneceu firme no caminho. Como conversamos na outra noite, quando eles saíram do Egito e estavam se preparando para entrar na terra prometida, aqueles doze espias foram à terra prometida. Todos os doze foram ao mesmo lugar. Percorreram os mesmos territórios. Tiveram as mesmas experiências e, naturalmente, viram tudo de maneira semelhante.

    Viram como os frutos eram grandes. Disseram: “Esta é uma terra que mana leite e mel”. Mas Calebe viu algo diferente. Os olhos de seu coração foram iluminados. Ele chegou àquele lugar chamado Hebrom. No sul dos Estados Unidos, pronunciamos “Hebrom” de um jeito. Sei que algumas pessoas pronunciam de outro, mas eu sou do grupo que usa a pronúncia do sul, está bem? Só para esclarecer. É assim que falamos, só para corrigir o restante de vocês.

    Quando chegou àquele lugar de comunhão e intimidade com Deus, os olhos de seu coração foram iluminados. Ele tinha ouvido Moisés falar muito sobre como aquela terra havia sido prometida a Abraão, Isaque e Jacó, e sobre tudo o que Deus queria fazer naquela terra. Ele tinha ouvido falar disso.

    Mas, quando entrou naquele lugar de comunhão em Hebrom, foi como se os olhos de seu coração fossem abertos. Todas as promessas feitas a Abraão, a respeito do desejo de Deus para aquela terra e de que aquele povo habitasse nela e fosse um testemunho na terra para todas as nações, tornaram-se o testemunho de Calebe.

    Aquela promessa tomou conta de seu coração. Tornou-se sua herança. Já não era apenas de Abraão, de Isaque ou mesmo de Moisés. Tornou-se de Calebe. Aquela preciosa promessa de tudo o que Deus desejava fazer por meio daquela nação, para que fosse um testemunho e uma luz brilhando em todo o mundo, tornou-se tão real para ele.

    Como dissemos na outra noite, a herança que Calebe tinha — aquela preciosa e magnífica promessa — entrou em seu coração muito antes de ele entrar de fato no lugar de sua herança. Nesta noite, veremos como ele toma posse de sua herança, mas ela já estava em seu coração.

    Porque sua herança estava em seu coração, ele conseguiu atravessar aqueles quarenta e cinco anos difíceis. Havia algo que o mantinha firme. Havia algo que o capacitava a prosseguir. Sua herança o preservou em todos os momentos difíceis que precisou enfrentar e em todas as muitas provações.

    Vimos que sua fidelidade não o protegeu de muitos problemas. Não o protegeu da dor. Ele precisou atravessar o deserto. Precisou comer o maná. Precisou suportar todo mundo. Não era como se houvesse um carro especial no qual o transportassem; ele teve de passar por tudo aquilo dia após dia.

    Quando penso nessa questão da vida diária, penso em Calebe, porque, dia após dia, ele era alguém que verdadeiramente seguia o Senhor com fidelidade. Na verdade, daqui a pouco leremos o testemunho de que Calebe seguiu plenamente o Senhor. Esse era seu testemunho, e ele fazia isso todos os dias, dia após dia, perseverando.

    Se queremos ser daqueles que perseveram para a glória de Deus e ser o testemunho que Ele deseja que sejamos nesta hora, precisamos ter isso firmado em nosso coração: o chamado de Deus e o propósito de Deus, por que estamos aqui e tudo o que Ele deseja realizar. Então poderemos prosseguir quando tudo se levantar contra nós.

    Quando tudo ao redor diz: “Não, você não ouviu direito. Não, você está sendo tolo. Não, é difícil demais. É complicado demais”, isso nos faz questionar o que vimos e ouvimos. Mas, se tivermos esse fundamento seguro, firme e inabalável, conseguiremos atravessar tudo isso. E não apenas de qualquer maneira, mas triunfantemente Nele. É isso que vemos na vida de Calebe.

    A herança de Calebe em Hebrom

    Então, nesta noite, gostaria que abríssemos em Josué. Aqui eles já estão na terra, e Calebe está se preparando para tomar posse. Vamos abrir primeiro em Josué 14. Leremos Josué 14:6-12.

    Há algumas coisas às quais devemos prestar atenção ao ler esses versículos. Ouçam como o Senhor fala de Calebe ter seguido plenamente o Senhor. Observem também quantas vezes se faz referência à Palavra de Deus. Calebe tinha aquela Palavra em seu coração, e ela o sustentava. Ouviremos essa palavra ser mencionada repetidas vezes.

    Então os filhos de Judá se chegaram a Josué em Gilgal; e Calebe, filho de Jefoné, o quenezeu, lhe disse: Tu sabes a palavra que o Senhor falou a Moisés, homem de Deus, acerca de mim e de ti em Cades-Barneia.
    Da idade de quarenta anos era eu, quando Moisés, servo do Senhor, me enviou de Cades-Barneia a espiar a terra; e lhe trouxe resposta, como sentia no meu coração.
    Mas meus irmãos, que subiram comigo, fizeram derreter o coração do povo; eu, porém, perseverei em seguir ao Senhor meu Deus.
    Então Moisés naquele dia jurou, dizendo: Certamente a terra que pisou o teu pé será por herança a ti e a teus filhos para sempre, pois perseveraste em seguir ao Senhor meu Deus.
    E agora eis que o Senhor me conservou em vida, como disse, estes quarenta e cinco anos, desde que o Senhor falou esta palavra a Moisés, andando Israel ainda no deserto; e agora eis que hoje sou da idade de oitenta e cinco anos.
    E ainda hoje estou tão forte como no dia em que Moisés me enviou; qual a minha força então era, tal é agora a minha força, para a guerra, e para sair e para entrar.
    Agora, pois, dá-me este monte de que o Senhor falou naquele dia; pois tu naquele dia ouviste que os anaquins estão ali, e grandes e fortes cidades: porventura o Senhor será comigo, para os expulsar, como o Senhor disse.

    E Josué o abençoou e deu a Calebe, filho de Jefoné, Hebrom em herança.
    Portanto Hebrom foi de Calebe, filho de Jefoné, o quenezeu, em herança até ao dia de hoje; porquanto perseverara em seguir ao Senhor, Deus de Israel.

    Agora, mais alguns versículos, em Josué 15:13-14:

    Mas a Calebe, filho de Jefoné, deu uma parte no meio dos filhos de Judá, conforme o mandado do Senhor a Josué: a cidade de Quiriate-Arba, sendo Arba pai de Anaque; esta é Hebrom.
    E Calebe expulsou dali os três filhos de Anaque: Sesai, Aimã e Talmai, filhos de Anaque.

    A obediência de todo o coração

    É interessante observar esses versículos e ver como, seis vezes, se diz de Calebe: “Ele seguiu plenamente o Senhor. Ele seguiu plenamente o Senhor”. Mas o que realmente significa seguir plenamente o Senhor?

    Em primeiro lugar, isso revela o estado caído em que nos encontramos. É trágico que, para descrever nossa condição, tenhamos de acrescentar — tenhamos de usar advérbios. Às vezes confundo todos esses termos. Acho que isso é um advérbio.

    Por que não podemos simplesmente dizer: “E ele seguiu o Senhor”? Mas isso deixaria uma pequena margem, porque conhecemos a nós mesmos. O Espírito Santo coloca essa palavra ali: “Ele seguiu plenamente o Senhor”. Ele a colocou por causa de nossa fraqueza, porque poderíamos encontrar maneiras de dizer: “Bem, ele seguiu o Senhor na maior parte do tempo. Ele quase sempre seguiu o Senhor — nos dias bons, ele estava seguindo o Senhor”.

    Não. Para remover e eliminar qualquer dúvida, está escrito que ele seguiu plenamente o Senhor. O maravilhoso é que ele O seguiu com simplicidade. Às vezes podemos tornar o seguir ao Senhor tão complicado, especialmente nos dias de hoje. Gostamos de complicar as coisas.

    Mas Calebe era alguém que, na simplicidade da fé, apenas dizia sim a Deus e não ao próprio eu. Ele dizia sim a Deus. Em Romanos, Paulo chama isso de obediência da fé. Quando Deus falava, ele simplesmente respondia. Respondia à graça e à fé que vinham de Deus.

    O irmão Sparks diz que seguir plenamente o Senhor é simplesmente ir até o fim, concluir bem a caminhada. Como queremos ser assim! Gostaria de poder dar esse testemunho de minha vida: que segui plenamente o Senhor. Essa é uma das coisas que nunca poderei dizer. Mas ainda posso testemunhar da graça de Deus.

    O maravilhoso é que, mesmo que não sigamos plenamente o Senhor, por causa do sangue do Cordeiro sempre podemos nos levantar e voltar à corrida. É por isso que somos gratos. Somos gratos por termos exemplos como Calebe.

    Às vezes olhamos para essas pessoas, e isso pode nos fazer sentir condenados. Mas não significa que Calebe fosse impecável, perfeito, sem pecado. Ele conhecia o Senhor e, quando pecava, voltava, arrependia-se e permitia que o Senhor o restaurasse. É isso que queremos: permitir que o Senhor nos restaure.

    O inimigo está tentando nos tirar da corrida de qualquer maneira. Uma das principais maneiras de fazer isso é começar a nos acusar. Muitas das coisas de que ele nos acusa são verdadeiras. “Eu sou isso, isso e aquilo”, e o inimigo diz: “Você é aquilo, aquilo e aquilo”. Você responde: “Bem, isso encerra a discussão”.

    Mas, graças a Deus, o Senhor sabia disso e, nesta mesa, fez provisão para nós, para lidar com tudo. Podemos nos levantar e continuar na corrida. Graças a Deus por isso.

    Enquanto pensava nessa afirmação de que Calebe seguiu plenamente o Senhor, percebi que precisamos descrevê-la assim porque, como disse, nesse estado caído podemos relativizar as coisas. Você já disse a alguém: “Olhe, ali na frente há uma placa de ‘Pare’. Naquela placa, você precisa parar completamente”?

    Por que é preciso dizer “parar completamente”? É como dizer: “Olha, é melhor você parar de verdade”. É porque vamos tentar passar devagar, sem parar. Se fazemos aquela parada em que o carro continua andando, acabamos passando direto, e o policial está ali para nos dar a multa por não parar. Mas nós simplesmente vamos deslizando.

    O Senhor nos dá essas palavras para nos ajudar a manter as coisas na perspectiva correta, e somos gratos por isso.

    A consagração como resposta à graça

    Ao pensarmos em seguir o Senhor e segui-Lo plenamente, havia em Calebe, como eu disse, um espírito de obediência. Obedecer era simplesmente responder à graça de Deus. Aquela obediência era completa. Não era uma obediência parcial.

    Muitas vezes gostamos de obedecer parcialmente. Lembro-me de que, quando era criança, minha mãe me dava duas ou três coisas para fazer. Se eu fizesse algumas delas, achava que estava muito bom. Mas ela nunca ficava satisfeita. Queria que eu cumprisse a lista inteira.

    Vocês se lembram de como, no Antigo Testamento, Samuel disse a Saul que matasse todos os amalequitas? “Destrua tudo. Não traga nada de volta.” Mas Saul tinha sua própria ideia. Ele ia guardar o melhor para Deus. Um grande exemplo de obediência parcial. Não estava seguindo plenamente. Se Deus disse isso, nós fazemos. Não nos apoiamos em nosso próprio entendimento.

    Assim era Calebe. Quando Deus dizia alguma coisa, ele simplesmente obedecia e fazia. Quem dera, ao ouvirmos a voz de Deus, ao ouvirmos aquela voz que habita em nós falando conosco, pudéssemos simplesmente obedecer! Talvez não compreendêssemos plenamente tudo o que estava acontecendo, mas poderíamos, em uma obediência simples, apenas dizer sim. “É assim que essa voz que habita em mim está me conduzindo, e quero segui-la e fazer isso.” Graças ao Senhor por isso.

    Outra palavra, quando falamos de seguir plenamente o Senhor, é a palavra favorita de todos. Não se pode participar de uma conferência sem ouvi-la. É a palavra consagração. Sabe, todos precisamos ouvir a mensagem de consagração pelo menos uma vez em cada conferência.

    Mas, se realmente pararmos para pensar, o que é consagração? É simplesmente resolver a questão de quem governa nossa vida. Muitas vezes ouvimos falar disso como se precisássemos fazer alguma coisa, porque estamos tão presos à antiga aliança, à antiga lei e a tudo isso.

    Mas consagração não é fazer alguma coisa para Deus. É permitir que Ele faça alguma coisa por meio de nós. Não é nos entregarmos a Ele para realizar algo, mas nos entregarmos a Ele para que possa viver por meio de nós, para que tenha liberdade de viver Sua vida por meio de nós e expressá-la.

    Mais uma vez, consagração é simplesmente responder à graça e às misericórdias de Deus. Nós as vemos, respondemos e dizemos: “Senhor, quero entregar minha vida a Ti, para que Tu a vivas por meio de mim”. Não fazendo minha própria vontade, não tentando descobrir como fazer isso ou aquilo, mas simplesmente permitindo que Tu me conduzas e me guies.

    As oportunidades para Deus demonstrar Sua fidelidade

    Uma das coisas trágicas a respeito dos dez espias que trouxeram o relato ruim foi que, em sua vida, negaram ao Senhor a oportunidade de demonstrar quem Ele era. Josué e Calebe permitiram que o Senhor lhes demonstrasse Sua fidelidade, mas aqueles dez perderam uma oportunidade maravilhosa.

    Disseram: “Deus não é capaz de vencer esses gigantes”, porque olharam as coisas com seus próprios olhos e disseram: “Somos apenas gafanhotos. Esses gigantes, tudo isso… É difícil demais, Senhor. Não podemos continuar”. Disseram não e pararam. Negaram a Deus a oportunidade de demonstrar quem Ele era.

    Será que, às vezes, nos encontramos em situações nas quais estamos negando a Deus a oportunidade de demonstrar quem Ele é? Uma das maneiras mais maravilhosas pelas quais Deus pode fazer isso é por meio dos problemas.

    Quando temos problemas em nossas congregações, quando temos problemas nos relacionamentos entre irmãos e irmãs, uns com os outros, essa é uma oportunidade maravilhosa para Deus demonstrar Sua fidelidade — demonstrar que Ele é o Deus que deseja reconciliação e restauração.

    Mas será que estamos dizendo: “Não, Deus não pode. Essa situação entre mim e aquele irmão não tem solução. Desisto. Vou embora”? Naquele exato momento, estamos negando a Deus essa oportunidade.

    Daremos a Ele essas oportunidades de trabalhar em meio aos tempos difíceis? Ao nos humilharmos diante Dele, permaneceremos firmes e prosseguiremos, permitindo que Sua graça nos conduza? O que realmente acontece é que, ao atravessarmos essas situações impossíveis, o relacionamento é fortalecido. Há um testemunho mais forte. Graças a Deus por isso.

    Não neguemos a Deus a oportunidade de realizar a obra que deseja fazer na vida de cada um de nós. Ele nos chama, assim como chamou Pedro, assim como chamou Calebe. Ele diz: “Segue-Me”.

    Mais uma vez, vamos simplesmente responder a esse chamado para segui-Lo. Calebe O seguiu plenamente. Que permitamos que Ele, como nosso Senhor e Mestre, nos conduza até o fim. Ele nos conduz em vida. Ouvimos falar dessa unção nesta manhã. Há uma vida que nos conduz.

    Ao segui-Lo, ao simplesmente mantermos os olhos Nele, estamos seguindo-O. Não estamos à Sua frente. Não estamos ao Seu lado, dando-Lhe uma mãozinha. Estamos atrás Dele. Simplesmente avançamos e O seguimos.

    Estamos seguindo uma Pessoa. Não estamos seguindo um ensinamento. Não estamos seguindo uma experiência. Não estamos seguindo uma doutrina. Estamos seguindo uma Pessoa. Estamos seguindo o Cristo vivo, que nos conduz adiante.

    Ele nos conduz de vitória em vitória. Ele nos conduz por todos os momentos difíceis, para que possamos aprender Dele e ser o testemunho que Ele quer que sejamos.

    O caminho de seguir a Cristo

    Mais uma vez, como mencionamos na outra noite, seguir nosso Senhor nem sempre será um mar de rosas. Pensem em segui-Lo enquanto Ele estava nesta terra — em tudo o que precisou enfrentar.

    Pensem na humilhação que Ele precisou sofrer ao nascer ali em Belém. Estamos dispostos a passar por esses momentos de humilhação ao segui-Lo? Haverá esses momentos. Ninguém entenderá. Seremos mal compreendidos. Alguns se aproveitarão de nós. Estamos dispostos?

    Nosso Senhor estava disposto a passar por aquela humilhação de nascer como um bebê em um cocho. Estamos dispostos? Falamos em seguir o Senhor. Estamos dispostos a trilhar esse caminho? Estamos dispostos a passar pelo caminho de Nazaré, por aqueles trinta e poucos anos de vida oculta?

    Como ouvimos na outra noite, esse é o tempo de treinamento — Cristo sendo formado em nós. Uma das coisas que a carne mais odeia é essa questão da vida oculta. Queremos ser vistos.

    Alguns de nós, às vezes, somos tão habilidosos nisso. Sabemos que deveríamos permanecer ocultos, mas queremos que as pessoas nos vejam. Então aprendemos certas maneiras de contornar isso, até que, de repente, alguém diga: “Ah, lá está o Mac”. “Ah, eu não sabia que você estava me vendo. Não sabia que tinha me visto fazendo isso.”

    Talvez estejamos lá no fundo limpando a sala e, de repente, damos um chute na lixeira para fazer um pouco de barulho, de modo que as pessoas se virem e vejam: “Nossa, olha o Matt limpando a sala”. Sabe, existe uma vida oculta. Somos tão astutos!

    Mas o Senhor trata de todas essas coisas. Ele não fica surpreso. Ele trabalha em meio a isso, e esse é o treinamento oculto de passar por tudo aquilo.

    Depois disso, Ele veio para a Judeia.

    Veio para o que era Seu, e os Seus não O receberam.

    Que tragédia! Aqueles mesmos a quem Ele veio não O receberam.

    Sabemos que Calebe passou pela rejeição. Ele e Josué voltaram. Deram o relato. Todos os rejeitaram. Estavam prontos para apedrejá-los. Estamos dispostos a passar por esses momentos de rejeição?

    É por isso que precisamos ter aquela promessa tão firme em nosso coração. Precisamos conhecer o chamado e o propósito de Deus em nosso coração; caso contrário, quando começarmos a passar por esses momentos de rejeição, desistiremos. Não conseguiremos atravessá-los. Mas Ele nos deu essa graça. Essa graça está à nossa disposição, para que respondamos a ela e sejamos conduzidos por ela.

    Mais uma vez, ao segui-Lo, chegamos ao Getsêmani. Precisamos chegar àquele ponto em nossa vida em que dizemos:

    Não se faça a minha vontade, mas a Tua.

    Não a minha vontade — em agonia, realmente clamando por isso.

    Sabemos que, do Getsêmani, vamos ao Calvário, àquela morte. Paulo, ao escrever para nós, nos encoraja a morrer diariamente. Não nos importamos de morrer de vez em quando, mas morrer todos os dias… Às vezes dizemos: “Senhor, preciso de uma pausa”.

    Está bem: você quer um verdadeiro alívio? Quer ficar livre de si mesmo? Morra um pouco mais. Como diz o irmão Lance, os problemas que enfrentamos na vida cristã não estão em viver, mas em morrer. Se aprendêssemos a morrer, muitos de nossos problemas seriam resolvidos.

    Estamos tentando viver essa vida. Não conseguimos vivê-la. Mas, à medida que morremos, Sua vida pode se manifestar e nos conduzir na força que está Nele. Graças a Deus por isso.

    Finalmente, graças ao Senhor, não termina no Calvário. Dali podemos segui-Lo até o trono. Ali está o trono de Deus, com toda aquela vitória e todo aquele esplendor.

    Ah, irmãos e irmãs, se tivermos esse fim em vista, se enxergarmos o propósito de Deus em tudo o que Ele deseja fazer — reunir um povo, não apenas indivíduos, mas Seu desejo de nos reunir, de nos preparar para sermos aquela noiva que Ele deseja —, isso nos impulsionará tanto!

    Bem, não tenho muita experiência em ser noiva, mas percebo que, quando as pessoas estão se preparando para casar, ficam concentradas. Ficam concentradas, e cada pequeno detalhe é cuidado.

    De repente, coisas que antes não importavam passam a importar. A cor disto, a cor daquilo, quantos disso, quantos daquilo — todos esses detalhes, toda essa preparação. Tudo converge, porque há algo em seu coração que estabeleceu um foco.

    Irmãos, temos esse foco do Senhor em nosso coração, conduzindo-nos a tudo o que Ele deseja que sejamos? Graças a Deus. Calebe tinha isso. Há tantos que tiveram isso, e quem dera nós também o tivéssemos, para que isso nos conduzisse até o fim.

    O contentamento nas circunstâncias e a fome por Cristo

    Como lemos aqui em Josué 14, Calebe tinha muita clareza a respeito da força em sua vida. Qual era a força da vida de Calebe? Ou talvez devêssemos formular assim: Quem era a força da vida de Calebe? O Senhor era a força de Calebe.

    Quando Calebe tinha quarenta anos, não era simplesmente que estivesse em boa forma e que, durante os outros quarenta e cinco anos, tivesse continuado a se exercitar no deserto. Não havia uma academia Gold’s Gym espalhada pelo deserto, à qual ele pudesse ir todos os dias para continuar levantando peso, fazendo aeróbica e pilates, e mantendo a forma.

    Não. Deus era sua força aos quarenta anos, e Deus era sua força aos oitenta e cinco. Muitas vezes sabemos que o Senhor é nossa força em determinado momento, mas, ao avançarmos, começamos a ficar um pouco autoconfiantes. Pensamos que conseguimos lidar com as coisas. De repente, descobrimos que não: estamos tentando fazer tudo por nós mesmos.

    Mas Calebe havia aprendido. Sabia que o Senhor era sua força naquela época e que o Senhor era sua força agora. Se Deus havia dito, Deus o faria naquela época e o faria agora. Isso não dependia de Calebe ser velho ou jovem. Ele tinha confiança.

    Ele conhecia a alegria do Senhor. Conhecia aquela alegria — era sua força. Não era a alegria de Calebe pelo Senhor; era a alegria do Senhor. Ele sabia que a alegria do Senhor era ter um povo para Si. Havia um propósito. Essa era a alegria do Senhor.

    É interessante observar essa história de Calebe. Gosto muito de Josué 14:12. Diz:

    Agora, pois, dá-me este monte de que o Senhor falou naquele dia.

    Não foi como se ele tivesse percorrido a terra e dito: “Está bem, consegui atravessar o deserto. Sei que, quando tinha quarenta anos, queria aquela grande região montanhosa, mas agora só quero um pedacinho de terra tranquilo aqui. Posso plantar algumas verduras, cuidar das coisas e simplesmente viver uma vida sossegada pelo resto dos meus dias”.

    Ele disse: “Não”. Sabia que Deus havia falado em seu coração. Deus havia dito: “Calebe, essa é sua herança”. Por isso, ele não se contentava com nada menos.

    Irmãos e irmãs, será que às vezes nos contentamos com menos do que tudo aquilo que Deus deseja? Como lemos naqueles versículos de Paulo em Filipenses 3:12-14, ele disse: “Estou prosseguindo. Fui alcançado por Deus para um propósito, e estou prosseguindo para alcançar tudo aquilo para o que fui alcançado”.

    Agora, se olharmos Filipenses 4:11, há outro versículo em que Paulo testemunha:

    Aprendi a contentar-me com o que tenho.

    Quando lemos em Filipenses 4 sobre Paulo estar contente em todas as circunstâncias e olhamos Filipenses 3, onde ele prossegue, isso parece um paradoxo.

    Espere um pouco: ele aprendeu a estar contente, mas continua prosseguindo. O que está acontecendo com Paulo? Mas, se observarmos bem, não havia paradoxo algum.

    Paulo havia aprendido a estar contente nas circunstâncias da vida. Ele podia aprender a Cristo. Aprendia cada vez mais daquilo que o Senhor tinha para ele. Mas nunca se contentava com seu conhecimento do Senhor pela experiência.

    Ele nunca se contentava com aquele conhecimento do Senhor pela experiência. Em qualquer circunstância em que estivesse, sabia que o Senhor era sua paz e seu descanso, e podia descansar e estar contente ali. Mas, quanto a conhecer o Senhor de maneira prática, na realidade daquela vida interior crescendo nele, sabia que havia muito mais.

    Repetidas vezes, nos escritos de Paulo, ele diz que há muito mais. Em Romanos, mesmo quando fala de justificação, há muito mais sobre justificação que vocês precisam aprender. Há muito mais sobre santificação. Há muito mais de Cristo que precisamos aprender.

    Como podemos nos acomodar e ficar contentes com tão pouco! Ah, quem dera fôssemos verdadeiramente daqueles que têm fome e sede! Muitas vezes invertemos as coisas. Ficamos contentes com nossa vida cristã no ponto em que estamos, mas depois ficamos descontentes com as circunstâncias da vida.

    Temos uma boa vida agora, mas ficamos descontentes com nosso emprego, com a situação em casa e com todas as circunstâncias da vida. Elas nos tiram do descanso, mas, quanto à vida cristã, estamos satisfeitos. Precisamos inverter isso.

    Precisamos ser daqueles que prosseguem para conhecê-Lo e que aprendem a ter aquela paz e aquele contentamento em qualquer circunstância. Paulo disse: “Aprendi a estar contente”. Ao permitir que o Senhor viesse ao seu encontro, ele aprendeu a estar contente.

    Lemos sobre aquelas várias provações. Ele disse: “Aprendi a estar contente em meio a um naufrágio. Aprendi a estar contente em qualquer lugar onde sofresse maus-tratos e tivesse de padecer”. Ele não disse que era fácil, mas sabia que Deus estava no trono. Sabia que o Senhor estava lhe ensinando alguma coisa por meio daquilo, e por isso queria aprender tudo o que pudesse.

    Ah, quem dera fôssemos daqueles que aprendem a estar contentes! Mesmo quando somos muito fiéis no Senhor, podemos dizer: “Ah, bem, isso foi bom”. Podemos ter esta conferência maravilhosa nesta semana e depois dizer: “Ah, foi bom”.

    Sempre aprecio o que Paulo escreveu à igreja em Tessalônica. Deixem um dedo em Josué e voltem para 1 Tessalonicenses — ou eu leio para vocês. É 1 Tessalonicenses 4:9-10. Paulo os está elogiando.

    Quanto, porém, à caridade fraternal, não necessitais de que vos escreva; porque vós mesmos estais instruídos por Deus que vos ameis uns aos outros;
    Porque também já assim o fazeis para com todos os irmãos que estão por toda a Macedônia. Exortamo-vos, porém, a que ainda nisto aumenteis cada vez mais.

    Que testemunho maravilhoso! Ele disse: “Vocês não precisam ser ensinados sobre o amor aos irmãos, porque já ouviram e estão praticando”. Mas não para aí. Continua com o restante do versículo:

    Exortamo-vos, porém, a que ainda nisto aumenteis cada vez mais.

    Continuem prosseguindo. Sim, temos amor pelos irmãos. Sim, nos importamos com eles. Mas ainda há muito mais. Ainda podemos crescer mais nisso. Às vezes pensamos: “Bem, já servi o suficiente. Já amamos essa pessoa o suficiente. Já fiz o suficiente”.

    Ah, o Senhor diz: “Graças a Deus pelo que vocês fizeram, mas cresçam ainda mais”. Esse crescer mais, esse muito mais, conquistou o coração de Calebe. É por isso que ele queria aquela região montanhosa. Não iria se contentar simplesmente com um pedaço de terra fácil de ocupar.

    Ele sabia que Deus havia dito: “Calebe, é aqui que você vai viver. Seu pé esteve em Hebrom, e foi ali que a revelação de Deus chegou até você. É aqui que você vai viver”. Calebe continuava dizendo: “É isso que eu quero”. Mesmo com aqueles gigantes ali, mesmo sendo um lugar difícil: “Estou prosseguindo. É isso que quero para minha vida”.

    Os gigantes exteriores e interiores

    Ao olharmos Josué 15:13-14, vemos como Calebe sobe até ali e começa a tomar aquela terra. Quando chega, os gigantes estão lá. Eles estão lá. Isso mostra a importância daquela situação, porque agora ele precisa entrar em uma grande batalha.

    Há gigantes do lado de fora e, irmãos e irmãs, também há gigantes dentro de nós. Há gigantes exteriores e gigantes interiores, e precisamos lutar.

    Na verdade, o maior obstáculo para concluirmos esta corrida, nosso maior obstáculo para concluirmos bem, é a batalha interior — aquele eu tentando nos puxar para um lado ou para outro. O Senhor tem a vitória sobre o inimigo. Às vezes precisamos atravessar a luta, mas Ele tem essa vitória.

    Mas aquele eu — é ali que a maioria de nós tem suas maiores lutas. Conheço em minha própria vida essa batalha com o eu, querendo fazer isto ou aquilo. Ah, é aí que podemos ser impedidos de concluir bem.

    Vamos considerar esses três gigantes que Calebe teve de enfrentar, porque, na verdade, eles são falsificações daquilo que está no coração e no propósito de Deus. Deus tem um caráter e características que deseja ver em Seu povo. O inimigo sabe disso e introduz algumas falsificações.

    Sesai: a falsa liberdade

    O primeiro se chama Sesai. Está em Josué 15:14. Sesai. Traduzindo seu nome de maneira simples, significa apenas “livre” ou “liberdade”.

    Graças a Deus, quando somos salvos, o Senhor nos liberta. Mas aqui há uma falsa liberdade que se levanta contra o povo de Deus, e vemos isso tanto hoje. Na verdade, é a liberdade do eu para fazer o que quiser. É aquela liberdade de fazer a própria vontade. Não é uma liberdade para se submeter ao senhorio de Cristo.

    Quando olhamos essa palavra, livre, nas Escrituras, vemos que fomos libertos do pecado para ser servos da justiça. Fomos libertos do pecado para ser servos de Cristo. Fomos libertos da lei do pecado e da morte para estar sob a lei do Espírito da vida.

    Sim, temos uma liberdade, mas ela não é para nós. É para que Ele opere. Graças a Deus.

    Nas últimas duas noites, nosso irmão começou com aquele maravilhoso versículo de 2 Coríntios 3:17:

    Ora, o Senhor é o Espírito; e onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade.

    Mas para quem é essa liberdade? Em nosso modo egocêntrico de pensar, entendemos que é para nós. “Ah, essa é uma liberdade para eu fazer o que quiser.” Não. A liberdade ali, onde está o Espírito do Senhor, é a liberdade para o Espírito trabalhar.

    Porque, ao olharmos o versículo seguinte, ele fala de sermos transformados na glória e na imagem de Jesus Cristo. É aquela obra do Espírito de que nossos irmãos falaram nesta manhã.

    Ah, como vemos essa falsa liberdade permeando o cristianismo hoje: “Sou livre para fazer o que quiser”. Não, não somos. Ele nos libertou. Ele nos libertou com um propósito. Ele nos libertou para que pudéssemos ser Seus servos, para que pudéssemos servi-Lo, e não servir a nós mesmos.

    Ah, graças a Deus pela liberdade! Fomos libertos do pecado que tanto nos enreda. Graças a Deus, não precisamos nos submeter a ele. Há uma batalha, porque pensamos que somos livres e podemos fazer nossa própria vontade. Mas não: é uma liberdade com propósito.

    Responderemos a esse propósito e daremos ao Espírito Santo liberdade para trabalhar dentro de nós? Damos ao Espírito Santo liberdade para trabalhar quando declaramos que Jesus Cristo é Senhor sobre nós, que Ele é o Mestre. Esse Espírito realiza a obra de nos transformar à imagem de Cristo.

    Essa é uma grande liberdade, irmãos e irmãs. Isso nos torna verdadeiramente livres, porque somos livres das coisas deste mundo. Somos livres de tantas coisas que nos enredam, e somos livres para servir ao Senhor e desfrutar Dele de maneira mais plena.

    Mas o inimigo introduziu uma falsificação entre nós, e ela nos rouba muito da glória de Deus. É trágico, porque muitos não receberam a verdadeira liberdade. Quando chegamos ao tempo de Juízes, sabemos que está escrito que não havia rei em Israel e que cada um fazia o que parecia certo aos seus próprios olhos.

    Eles tinham uma liberdade do eu. Rejeitaram o Rei. Não havia rei em Israel, e cada um fazia o que parecia certo aos seus próprios olhos. Infelizmente, ao olharmos o cristianismo hoje, às vezes precisamos perguntar: “Há um Rei, ou cada um está apenas fazendo o que parece certo aos seus próprios olhos?”

    Que aprendamos a nos submeter à Sua autoridade como Cabeça, a nos submeter àquele domínio, para conhecermos a gloriosa liberdade dos filhos de Deus! Graças a Deus. Que ela seja recuperada nesta hora e que seja retomado das mãos do inimigo tudo o que ele roubou ao mentir para nós sobre isso.

    Aimã: a falsa fraternidade

    O segundo é Aimã, e seu nome significa “irmão do homem”. Somos tão gratos porque, no corpo de Cristo, fomos feitos irmãos e irmãs em Cristo. Uma das coisas mais preciosas que temos é essa relação de irmãos e irmãs que compartilhamos em Cristo.

    Mas essa mentira, essa falsificação que entra, nos tira do relacionamento que temos em Cristo e o rebaixa a um nível natural. Ela quer roubar a glória do Senhor e nos levar a nos relacionar uns com os outros com base em nossas preferências e aversões naturais e em todas as semelhanças que temos.

    Ela nos coloca na escravidão dos rudimentos deste mundo, como diz Gálatas. Já não somos governados pelo Espírito de Cristo, vendo Cristo uns nos outros, mas formamos nossos relacionamentos com base em quantos gostam dos Yankees, quantos gostam dos Dodgers e quantos gostam dos Giants. Temos todos esses relacionamentos naturais.

    Não há problema em tê-los, mas precisam estar na ordem correta: Cristo primeiro. Porque estamos em Cristo, podemos desfrutar Dele juntos. Talvez haja outras coisas, mas elas não devem ter a primazia de modo algum.

    O Senhor deseja tanto que experimentemos esse relacionamento que temos Nele! Tenho desejado cada vez mais experimentar a relação de irmãos e irmãs que temos em Cristo, e não conhecer uns aos outros tanto segundo nossas preferências e aversões naturais.

    Paulo, ao dar testemunho de Timóteo em Filipenses, disse: “Não tenho ninguém mais com o mesmo sentimento”. Se pararmos para pensar nisso por um instante, é uma afirmação impressionante de Paulo a respeito de Timóteo.

    Se olharmos Paulo e Timóteo, são duas pessoas totalmente diferentes. Paulo era aquele homem instruído, que havia estudado aos pés de Gamaliel. Timóteo tinha sido ensinado em casa pela avó e pela mãe — um aluno de ensino domiciliar, veja só. E ali estava Paulo, aquele homem tão instruído.

    Mesmo olhando para suas origens, Paulo era aquele hebreu de hebreus, da tribo de Benjamim. Ah, ele era um puro-sangue. Timóteo era apenas um pequeno mestiço. Seu pai era grego. Ele nem sequer era inteiramente judeu. O que tinham em comum?

    Tinham uma coisa em comum: Cristo. Era aí que havia o mesmo sentimento. Paulo e Timóteo podiam seguir adiante e servir juntos, não por alguma afinidade natural, mas por causa de Cristo em Paulo e de Cristo em Timóteo. Estavam unidos.

    Paulo podia dizer: “Não tenho ninguém mais com o mesmo sentimento”. Paulo era alguém que entrava no meio de uma multidão, enfrentava a situação e tentava salvar as pessoas. Timóteo, se você olhasse para ele e dissesse “Buuu!”, desmaiaria. Mas eles não tinham nada em comum, a não ser Cristo.

    Isso era tudo de que precisavam, e é tudo de que precisamos. Como nossas congregações e nossos relacionamentos podem seguir adiante em unidade? Não é estabelecendo mais relacionamentos na esfera natural, mas conhecendo Cristo de maneira mais plena e profunda em cada irmão e irmã.

    Preciso confessar que, para alguns de nós, isso é difícil: olhar além dessa aparência exterior e conseguir enxergar Cristo uns nos outros. É aí que os olhos de nosso coração precisam ser iluminados. Quando vemos Cristo, tudo ganha uma perspectiva completamente diferente, e conseguimos prosseguir.

    Que o Senhor possa realmente nos encorajar nisso! Não cedamos a esse inimigo que deseja dividir e nos rebaixar a um nível inferior.

    Talmai: a falsa ousadia

    O terceiro inimigo que ele precisou vencer foi Talmai. Talmai significa “ousado”. Há uma insolência ali.

    Vemos essa insolência, essa ousadia, entre o povo de Deus, porque Deus havia dito àquela tribo, à nação de Israel: “Entrem e possuam a terra”. Eles disseram: “Não, não vamos. É difícil demais”. Pararam, e Ele precisou discipliná-los.

    Vemos como, nos dias de hoje, há uma grande exaltação da autoconfiança e da importância que o homem atribui a si mesmo. Quantas vezes ouvimos isso! É tão trágico: “A Bíblia diz isto, mas eu penso aquilo”.

    Há hoje no mundo, e na cristandade, uma ousadia e uma insolência que atacam tudo o que Deus representa. Vemos que isso é realmente uma característica do fim desta era.

    Se olharmos o fim do Antigo Testamento, o livro de Malaquias, Deus os confronta. Ele diz: “Eu vos amei”, e eles têm a ousadia de dizer: “Como Tu nos amaste?” Ele diz: “Vocês Me profanaram”. Eles dizem: “Como Te profanamos?” Ele diz: “Suas palavras Me cansaram. Suas palavras são arrogantes”.

    Eles respondiam com ousadia. Talvez não tivessem pronunciado isso com os lábios, mas seu coração dizia aquilo. Se olharmos o fim do Novo Testamento, na igreja de Laodiceia, há o mesmo espírito. Eles disseram: “Somos ricos. Não precisamos de nada”.

    Isso é uma arrogância insolente. É uma completa falta de visão de Quem é o Senhor e de nossa grande necessidade e dependência Dele. Como vemos, nos dias de hoje, isso tentando agir, se espalhar e nos atrair, roubando de Deus o lugar que Ele deveria ocupar em nosso meio!

    Calebe como contraste verdadeiro

    Graças a Deus, Calebe venceu esses três. Em muitos aspectos, se quiséssemos comparar, Calebe é um contraste. Temos a falsificação daquele que é livre, irmão do homem e ousado. Mas, em Calebe, vemos o verdadeiro.

    Em Calebe, vemos alguém verdadeiramente livre. Ele está livre de si mesmo. Está livre dos impedimentos e das impressões humanas. Está livre para servir ao Senhor. Tem ousadia para servir, ousadia para defender aquilo que o Senhor o está chamando a fazer.

    Ele se posiciona em favor de todos os irmãos. Está ali como um verdadeiro irmão, defendendo os interesses do Senhor. Ah, que o Senhor sonde nosso coração nestes dias! Onde permitimos a entrada de algum desses inimigos, onde eles ainda não foram tratados, que permitamos ao Espírito Santo trabalhar em nós, para que possamos continuar prosseguindo.

    Eles estarão presentes, e precisamos avançar vencendo essas coisas. Mas, graças a Deus, há graça e há um caminho para fazer isso.

    A transmissão da herança

    Graças a Deus, Calebe tomou plena posse de sua terra. Mas a história não termina aí. Calebe possuiu sua terra plenamente. Apropriou-se dela, mas tinha um desejo. Viu o coração de Deus de tal maneira que quis transmitir sua herança.

    Isso não parou em Calebe. Calebe não se via como o centro, mas enxergava o coração de Deus e Seus interesses de uma maneira que o fazia querer transmitir aquilo, porque sabia que Deus usaria esse povo de modo maravilhoso para cumprir todo o Seu propósito.

    Então, voltando a Josué 15, leremos Josué 15:15-19.

    E dali subiu aos habitantes de Debir; e fora antes o nome de Debir Quiriate-Sefer.
    E disse Calebe: Quem ferir a Quiriate-Sefer e a tomar, lhe darei a minha filha Acsa por mulher.
    Tomou-a, pois, Otniel, filho de Quenaz, irmão de Calebe; e deu-lhe a sua filha Acsa por mulher.
    E sucedeu que, vindo ela a ele, o persuadiu a que pedisse um campo a seu pai; e ela se apeou do jumento, e Calebe lhe disse: Que é o que tens?
    E ela disse: Dá-me uma bênção; pois me deste terra seca, dá-me também fontes de águas. Então lhe deu as fontes superiores e as fontes inferiores.

    Calebe viu que Deus tinha um propósito naquela terra que desejava realizar. Sabia que morreria e que aquele testemunho precisaria continuar.

    Sabia que, para dar continuidade, seria necessário alguém cujo caráter e natureza tivessem sido verdadeiramente conquistados pelo Senhor. Temos esse desafio diante de nós hoje. Estamos transmitindo nossa herança? Estamos realmente nos importando com pessoas que sejam levantadas para servir ao propósito de Deus em sua geração?

    Lembro-me do Salmo 48. Vou abrir aqui e ler um trecho. Se olharmos o Salmo 48, é interessante: ele é, na verdade, um dos cânticos dos filhos de Corá.

    Esse salmo tem uma conclusão preciosa, que nos encoraja:

    Rodeai Sião, e cercai-a;
    Contai as suas torres.
    Notai bem os seus antemuros,
    Considerai os seus palácios,
    Para que o conteis à geração seguinte.

    Por que vocês estão fazendo isso? Por que estão olhando para Sião? Por que estão contemplando o lugar onde Deus escolheu colocar Seu nome? Sião — quando pensamos em Seu senhorio, em Seu reinado, naquele lugar de habitação de Deus —, vocês a estão considerando, meditando nela, enxergando o domínio de Sião. Por que fazemos isso? Para que possamos contá-lo à próxima geração.

    Não se tratava apenas de nós compreendermos, adquirirmos tudo e aprendermos cada vez mais do que está no coração de Deus. Também temos a responsabilidade de transmitir isso. Calebe enxergou essa responsabilidade.

    Graças a Deus, vemos ao longo das Escrituras que Moisés teve um Josué, Paulo teve um Timóteo e Calebe teve um Otniel. Quem são aqueles nesta geração que darão continuidade a esse testemunho?

    Nós, que já estamos aqui há algum tempo, temos clareza a respeito de Sião? Temos clareza sobre o que ela é? Temos clareza a respeito do coração, do propósito e do testemunho de Deus? Se não, continuemos a caminhar ao redor dela. Vamos observá-la. Vamos considerá-la. Permitamos que o Senhor a mostre e a esclareça em nosso coração, para que possamos falar dela à próxima geração.

    Aquela seria uma geração que busca Sua face, uma geração que serve ao propósito de Deus. Se o Senhor demorar, seria aquela geração que apressa Sua volta.

    É maravilhoso ver como Calebe, mesmo depois de possuir a terra, não parou. Continuou prosseguindo.

    Às vezes pensamos em Calebe como um velho durão. Foi assim que dissemos que seu nome é “cão bravo” e tudo mais. Mas acontece que ele também era um pai muito bom. Importava-se com sua filha. Não iria entregá-la a qualquer um.

    Era um pai típico. Disse: “Vou garantir que minha filha encontre um bom homem”. Disse: “Aqui está o teste. Vá até lá e, se vencer essa batalha, você terá minha filha”. O bom e velho Otniel foi até lá e venceu a batalha.

    Vocês sabem quem é Otniel? Ele é o primeiro juiz. Vejam o livro de Juízes. O povo de Deus havia seguido seu próprio caminho. Tinha sido dominado, e os reis da Mesopotâmia e da Síria haviam entrado.

    Otniel estava ali para restaurar o povo de Deus à posição em que deveria estar. Ele foi um bom juiz. Julgou o povo durante quarenta anos.

    A continuidade da posse da terra

    Por causa disso, Calebe tinha esse desejo. Sabia que haveria tempos difíceis pela frente. Também conhecia um dos versículos mais trágicos do livro de Josué:

    Ainda muitíssima terra ficou para possuir.

    Calebe sabia disso. Queria que houvesse pessoas ali que continuassem a tomar posse de mais terra. Há muitos anos, esse versículo tem me confrontado profundamente em minha própria vida, porque sei que ainda há muita terra a ser possuída dentro de mim. Sei que, em nossas congregações, ainda há muita terra a ser possuída.

    Mas, graças a Deus, há um caminho e há provisão. À medida que continuamos, dia após dia, a experimentar o Senhor e a recorrer a Ele, posicionando-nos em favor de Seu coração e de Seu propósito, aquela terra vai sendo possuída gradualmente.

    Um dia, aquela noiva estará pronta. Um dia, haverá aquele glorioso retorno. Queremos ser encontrados entre os que apressam Sua volta. Não queremos ser daqueles que a retardam.

    Penso muitas vezes em como Calebe precisou esperar quarenta e cinco anos por sua herança. Vocês já pararam para pensar em quanto tempo nosso Senhor tem esperado pela Dele? O problema não está do lado Dele. Nós temos causado essa demora.

    Oro para que despertemos neste tempo e para que o Senhor realmente trabalhe em nós de uma maneira que possamos apressar Sua volta.

    A fé diária e a renovação da resposta

    Calebe simplesmente andou pela fé. Ao atravessar Hebrom pela primeira vez, estava apenas obedecendo a Deus. Em sua obediência veio a revelação. Ao andarmos diariamente na luz de Sua luz, haverá essa revelação.

    Ao andarmos diariamente com Ele, Ele mostrará as coisas em nosso coração que precisam ser tratadas. Não precisamos procurá-las. Ele as apontará, porque nos ama tanto. Ele as apontará.

    Ele nos mostrará aquelas coisas que estão retardando Sua volta e trabalhará em nós para Sua glória e honra.

    Existe aquele velho ditado que todos esses — como é que se chamam? Quero chamá-los de palestrantes promocionais, mas são motivacionais. Essa é a palavra: motivacionais. Eles dizem: “Hoje é o primeiro dia do resto da sua vida”.

    Provavelmente todos já ouvimos isso naquelas palestras de incentivo e coisas assim. Mas, em muitos aspectos, há verdade nisso. Hoje, cada dia em que acordamos, é o primeiro dia do resto de nossa vida.

    A cada dia, quem dera a provisão que temos Nele fosse nova e fresca para nós — para que respondêssemos e aprendêssemos Dele todos os dias.

    Porque, como Mordecai disse a Ester quando ela estava em uma situação difícil: “Você está aqui para um tempo como este”. Não estamos aqui por acaso. O Senhor colocou cada um de nós aqui, nestes dias em que vivemos, para um tempo como este.

    Queremos responder como Ester:

    Se perecer, pereci.

    Mas que a vontade de Deus seja feita.

    Vamos orar.

    Senhor, somos tão gratos por um amor que não nos deixa ir. Paulo testemunhou que era constrangido pelo amor de Cristo, que já não queria viver para si mesmo, mas viver para Aquele que o havia amado e morrido por ele.

    Senhor, quando participamos de Tua mesa mais cedo, vimos esse grande amor. Também oramos para que sejamos daqueles que são constrangidos pelo amor de Cristo, para que Tu possas trabalhar em nós, tanto individualmente quanto em nossas congregações, de maneiras que realmente Te tragam glória e honra. Em Teu nome oramos. Amém.