Abram no livro de Hebreus, capítulo 8. Nesta manhã, vamos ler Hebreus 8:10.
Porque esta é a aliança que farei com a casa de Israel
Depois daqueles dias, diz o Senhor;
Porei as Minhas leis na sua mente,
E também sobre o seu coração as escreverei:
E Eu lhes serei por Deus,
E eles Me serão por povo.
E depois temos Filipenses, a carta aos Filipenses, capítulo 4, versículo 13: Filipenses 4:13.
Posso todas as coisas Naquele que me fortalece.
Vamos fazer uma oração.
Amado Senhor, como desejamos louvar-Te e agradecer-Te por nos teres trazido a esta última parte da conferência. Agradecemos pela Tua presença conosco. Agradecemos pela Tua presença conosco nesta manhã.
E, ao nos aproximarmos do Teu trono da graça, agradecemos por nos dares essa ousadia, por causa do sangue derramado de nosso Senhor Jesus e do novo e vivo caminho que abriste para nós. Sabendo que Tu és o nosso grande Sumo Sacerdote, que intercede por nós, Senhor, é inteiramente por Ti e por meio de Ti que temos essa ousadia de entrar na própria presença do nosso Deus.
Oramos, Senhor, para que continues a nos dar o espírito de sabedoria e de revelação no pleno conhecimento de Deus. Ilumina o nosso entendimento, para que todos possamos entrar em tudo o que preparaste para nós em Cristo Jesus.
Esperamos em Ti, Senhor. Completa a Tua obra em nós, para o louvor da Tua glória. Pedimos em Teu precioso nome. Amém.
Graças a Deus por nos conduzir até este ponto. Ontem à noite, tivemos a Ceia do Senhor. Sempre que participamos da Ceia do Senhor, quando aquele cálice nos é passado, sabemos de uma coisa: Deus fez uma nova aliança conosco.
Essa aliança é segura, porque está selada pelo próprio sangue de nosso Senhor Jesus. Ele a concedeu a nós. Ele disse:
Bebei todos em memória de Mim.
Irmãos e irmãs, ao tomarmos o cálice e bebermos dele, o que vocês sentiram no íntimo? Perceberam realmente que essa nova aliança da graça lhes foi concedida? Quando vocês bebem do cálice, demonstram que a aceitaram — que a aceitaram com gratidão.
Assim, num sentido muito real, toda vez que nos achegamos à mesa do Senhor, somos fortalecidos pela fé de que estamos vivendo na nova aliança. A antiga aliança da lei passou. A nova aliança da graça é, para nós, o caminho da vida.
Portanto, creio, irmãos e irmãs, que, ao nos reunirmos aqui nesta manhã, todos sabemos qual é a nossa posição e como está o nosso relacionamento com Deus. Hoje, tudo o que Deus faz em Seu trato conosco é segundo a nova aliança. Ao mesmo tempo, todo o nosso trato com Deus deve ser segundo a nova aliança.
Tudo o que está fora da nova aliança está fora da vontade de Deus. Portanto, é assim que devemos aprender a viver a nossa vida cristã.
Agora, já mencionamos que, ao nos aproximarmos do trono da graça, entramos primeiro no átrio exterior. Ali vemos aquele enorme altar de bronze. Ele tipifica a cruz de nosso Senhor Jesus — como Ele sofreu por nós, como derramou Seu sangue por nós, e por uma razão: perdoar os nossos pecados.
E não apenas perdoar, mas esquecer. Deus tem uma memória maravilhosa, mas, curiosamente, há uma parte de Sua memória que parece estar ausente. Porque, depois que os nossos pecados foram cobertos pelo sangue do Senhor Jesus, Ele não pode vê-los e não pode se lembrar deles.
Nós não temos uma memória perfeita, mas temos uma memória que se ocupa das coisas erradas. Às vezes, é como se todos os nossos pecados passados voltassem para nos atormentar. Sabemos que isso é uma artimanha do inimigo, porque o inimigo é o acusador.
Vocês se lembram da história de Martinho Lutero? Certo dia, ele viu Satanás se aproximar e lhe apresentar um documento. No documento estava escrito: “Os pecados de Martinho Lutero”. Esse documento estava cheio de palavras, por dentro e por fora. Satanás começou a rir de Martinho Lutero: “Você é um homem tão pecador. Como ousa fazer a obra da Reforma?”
Graças a Deus, Martinho Lutero conhecia o sangue do Senhor Jesus. Então, pegou uma pena e escreveu sobre o documento:
O sangue de Jesus Cristo purifica de todo pecado.
Imediatamente, Satanás desapareceu.
Portanto, irmãos e irmãs, em nossa vida cristã, às vezes o inimigo vem nos acusar. Na verdade, algumas das coisas de que ele nos acusa podem ser verdadeiras, embora a maioria de suas acusações seja falsa. Mas, sejam verdadeiras ou falsas, damos graças a Deus pelo sangue do Senhor Jesus.
À medida que crescemos na vida cristã, cresce também o nosso apreço pelo sangue de nosso Senhor Jesus. Como se costuma dizer, até as lágrimas do nosso arrependimento precisam ser purificadas pelo sangue do Senhor Jesus. Nunca chegará um dia em nossa vida em que não precisaremos mais do sangue do Senhor Jesus.
Louvado seja Deus, Seu sangue não apenas purificou os nossos pecados passados, mas nos purifica dia após dia, hora após hora. Como é poderoso o sangue do Senhor Jesus! Quanto mais vocês vivem a vida cristã, mais apreciam o precioso sangue do Senhor Jesus.
Mas isso é apenas uma preparação para algo muito maior. Porque o propósito de Deus para nós é glorioso. Ele quer que nós — pensem nisso —, Ele quer que nós, pecadores salvos pela graça, sejamos transformados e conformados à imagem de Seu Filho amado.
Que propósito glorioso Deus estabeleceu para cada um de nós! Portanto, quando somos salvos, irmãos e irmãs, isso não é o fim; é o começo. Não pensem que basta serem salvos do inferno e terem um passaporte para o céu, e pronto. Não. O propósito de Deus é glorioso.
Depois de experimentarmos aquela última cláusula da nova aliança:
Perdoarei os vossos pecados,
E não Me lembrarei mais das vossas transgressões.
Graças a Deus por isso. Mas, depois de experimentarmos isso, o que vem a seguir?
Encontramos a segunda cláusula:
Não precisais que alguém vos ensine: “Conhece o Senhor”,
Porque cada um de vós, desde o menor até o maior, O conhecerá em seu íntimo.
Em outras palavras, irmãos e irmãs, esse é o começo da nossa vida cristã.
Como vamos viver como cristãos? Como conhecemos a Deus? Como conhecemos a Sua vontade? Não pelo ensino exterior, mas pelo conhecimento interior, intuitivo.
O Espírito Santo, Que habita em cada um de nós, está ali em nosso espírito para nos ensinar, para nos mostrar a vontade de Deus e para nos capacitar a andar de acordo com ela. Portanto, assim que nos tornamos cristãos, Deus nos coloca num caminho de vida interior.
Infelizmente, no cristianismo, estamos sendo conduzidos pelo exterior. Dizem-nos: “Faça isto. Não faça aquilo”. Mesmo que sejamos bons e obedeçamos a todos os mandamentos, irmãos e irmãs, tudo isso é exterior. A vida cristã não é um modo de viver exterior. A vida cristã é um modo de viver interior.
Assim que somos salvos, começamos a experimentar a unção — o Espírito Santo, Que é aplicado sobre nós como um unguento. Quando Ele aplica esse unguento sobre nós, percebemos algo no profundo do nosso espírito. Com isso, começamos a conhecer a mente de Deus e aquilo que Lhe agrada.
Então temos o desejo de agradar a Ele. Assim como disse o apóstolo Paulo, ele não tinha ambição alguma, a não ser uma: agradar ao Senhor. Creio que todo crente tem essa ambição. Queremos agradar ao Senhor. Mas como vocês vão agradar a Ele? Fazendo a Sua vontade.
Como vocês vão conhecer a Sua vontade? Aquietando-se diante Dele e permitindo que aquela voz mansa e suave lhes fale. Se forem obedientes, estarão andando na vontade de Deus.
Agora, ao falarmos desse caminho de vida interior, penso que provavelmente precisamos de certa cautela. A Bíblia nos diz que temos a unção dentro de nós, e Ele está ali para nos ensinar todas as coisas — as grandes e as pequenas.
Normalmente, se somos fiéis nas pequenas coisas, também seremos fiéis nas grandes. Se obedecemos à unção, ao ensino da unção, o que acontece? Permanecemos em Cristo.
Certo dia, perguntei a alguns jovens: “Como podemos permanecer em Cristo?” Com isso, eu queria dizer que, em nossa vida diária, vivemos em Cristo e continuamos em Cristo. Como vocês podem fazer isso?
Alguns jovens disseram: “Bem, se você quer permanecer em Cristo, precisa orar. Ore bastante, e então permanecerá em Cristo”. Outros disseram: “Não, você precisa ler a Bíblia. Quanto mais ler a Bíblia, mais permanecerá em Cristo”.
Mas, irmãos e irmãs, é muito simples. Se queremos permanecer em Cristo, basta ouvir o ensino da unção. É só isso.
Algumas pessoas dirão: “Bem, não tenho essa experiência. Se eu tentar ouvir, posso ouvir errado. Então, o que acontecerá?”
É muito curioso. Ao lerem as Escrituras, vocês descobrem que a promessa do ensino da unção é dada aos pequeninos em Cristo — às criancinhas. Não foi dada aos pais, nem aos jovens, mas às criancinhas.
As criancinhas normalmente vivem pela intuição, porque não têm todas essas informações. Por que as criancinhas evitam certas pessoas, enquanto parecem se aproximar de outras? Por quê? Porque, intuitivamente, percebem alguma coisa.
Irmãos e irmãs, como criancinhas em Cristo Jesus, temos essa capacidade intuitiva divina. Nós a conhecemos.
Mas suponham que estejamos errados. Então, o que acontecerá? Deus já providenciou algo para nós. Na mesma passagem de 1 João, está escrito:
Tendes a Palavra permanecendo em vós.
Em outras palavras, se não temos certeza de que aquilo que percebemos interiormente é a palavra de Deus, a Palavra escrita irá confirmá-lo ou refutá-lo. É assim que se mantém o equilíbrio.
Além disso, essa é a razão pela qual, como criancinhas, somos humildes: reconhecemos que não sabemos tudo. As criancinhas são humildes.
Vocês se lembram de nosso Senhor Jesus em Mateus 11? Depois de Ele ter pregado àquelas cidades, elas se recusaram a se arrepender. Nosso Senhor Jesus voltou Seu coração para Deus e disse:
Pai, graças Te dou, porque escondeste estas coisas dos sábios e prudentes,
Mas as revelaste aos pequeninos.
É por essa razão que o Senhor Jesus disse que, se vocês não se converterem e não se tornarem como criancinhas, não poderão ver o reino de Deus. O maior no reino de Deus é como uma criancinha — humilde como uma criancinha.
Lembro-me de que, na China, tínhamos um antigo provérbio. Fiquei surpreso quando o mencionei a alguns chineses neste país, até mesmo a adultos, e eles não conheciam aquele provérbio. Mas, quando eu era menino, era um provérbio muito popular. Deixem-me tentar explicá-lo em inglês.
Ele diz: “Quanto mais sábio você é segundo o mundo, menor é a sua capacidade intuitiva”. Se nos consideramos sábios e prudentes, essa capacidade intuitiva dentro de nós começa a diminuir. Mas, se vocês se considerarem como criancinhas, humildes diante do Senhor, essa capacidade intuitiva aumentará em vocês.
É por essa razão que, como cristãos, devemos ser como crianças, mas não infantis. Sabem, Zinzendorf foi grandemente usado por Deus no movimento morávio. Ele era muito semelhante a uma criança diante de Deus — simples.
Mas sua simplicidade chegou a tal ponto que, ao longo de sua história, ele gradualmente se tornou infantil. Por fim, pela graça de Deus, foi liberto disso. Portanto, irmãos e irmãs, precisamos ser como criancinhas diante de Deus — humildes diante de Deus.
Com isso, nosso conhecimento intuitivo aumentará. Sempre que o Espírito de Deus começar a mover-Se em seu espírito, esse é o momento de aprender a conhecer a vontade de Deus.
Na verdade, quando o Espírito de Deus Se move, normalmente Ele toca primeiro em algumas coisas exteriores — talvez em algum velho hábito que temos. O Espírito de Deus começa a tocar nessas coisas. Por exemplo, a sua cama.
Lembro-me de uma missionária chamada senhorita Groves, que conheci. Ela dizia que a batalha do cristão é entre ele e sua cama. Agora, o que isso significa? Você ama tanto a sua cama que não consegue se levantar cedo para ter um tempo a sós com o Senhor.
Como você ama a sua cama, continua dormindo. Quando se levanta, já está quase na hora de ir trabalhar ou estudar, e não tem tempo para o Senhor. É uma batalha entre a sua cama e você. Isso é muito verdadeiro.
É assim que o Espírito Santo começa a trabalhar em sua vida. Você pode ter outros hábitos — maus hábitos —, e o Senhor começará a tratar desses hábitos.
Eu era filho de pastor, mas adorava filmes. Quando o jornal chegava, a primeira coisa que eu lia eram as notícias de cinema. Eu não ousava ir ao cinema no domingo, mas no sábado estava lá.
Naquela época, eu tinha um amigo cuja família era dona de um cinema, então podia assistir a um filme sem pagar. Depois que fui salvo, continuei passando meu tempo nos cinemas.
Mas então o Espírito de Deus começou a tocar em mim. Ele me fez uma pergunta: “É certo você, um cristão, ir aos cinemas e apoiar essas pessoas ímpias?”
Tentei argumentar com Deus. Disse: “Está bem, só vou assistir a filmes religiosos”. Mas o Espírito de Deus continuou a me repreender. Então eu disse ao Senhor: “Está bem, vou tentar não ir ao cinema”.
Pela graça de Deus, durante cerca de três ou quatro meses, consegui ficar sem ir ao cinema. Mas então veio a tentação. Chegou um filme religioso. Era A Arca de Noé.
Estava em cartaz num cinema de primeira categoria, e enviaram ingressos à minha família. Aquilo era uma verdadeira tentação para mim. Argumentei comigo mesmo: “Consegui durante quatro meses, mas agora essa tentação, essa oportunidade, é boa demais. Não posso perdê-la”. Então fui.
Fiquei sentado ali por duas horas. Exteriormente, estava assistindo ao filme; interiormente, travava-se uma grande batalha. Eu desejava que o filme acabasse logo, para poder sair do cinema, mas não saí. Continuei sentado ali durante duas horas. A grande batalha continuava intensa.
Quando terminou, saí do cinema, e aquilo foi o fim. Minha tia dizia: “Vocês, jovens, divirtam-se um pouco. Vão assistir a um filme. Eu lhes dou o dinheiro”. Mas, graças a Deus, eu dizia em meu coração: “A senhora não sabe. Eu tenho algo muito melhor”.
Irmãos e irmãs, normalmente o Espírito Santo começa a tratar conosco nessas pequenas coisas exteriores. Ele conhece a nossa medida, então ajusta Seu ensino a ela. Ele nos ensina gradualmente a deixar o mundo para trás, a deixar a nós mesmos para trás e a entrar em todas as gloriosas riquezas de Cristo Jesus.
Ao longo da sua vida cristã, você perceberá que a atuação da unção se torna cada vez mais interior. Primeiro, Ele pode tocar apenas em nossos hábitos exteriores, talvez em nossas amizades.
Depois que um cristão crê no Senhor Jesus, acontece algo curioso: mudamos de amigos. Não no sentido de abandonarmos deliberadamente os nossos antigos amigos, mas, de alguma forma, à medida que prosseguimos com o Senhor, percebemos que há algo diferente.
Gradualmente, o Senhor começa a nos dar novos amigos. Até mesmo em nossas amizades, vocês perceberão uma mudança.
O Espírito de Deus continuará a trabalhar em nossa vida até que sejamos libertos daquilo que não é de Deus e transformados à imagem de Cristo. Essa é a obra de transformação.
Portanto, irmãos e irmãs, assim que cremos no Senhor Jesus, começamos esse caminho de vida interior. Há um trato entre nós e Deus. Às vezes, somos desobedientes e teimosos, mas percebemos como isso afeta a nossa comunhão com o Senhor, até que nos rendemos e conseguimos segui-Lo.
Então você percebe que está um passo mais perto do Senhor.
Agora, nesta manhã, gostaríamos de chegar à primeira cláusula. Quando experimentamos esse conhecimento interior do Senhor, é como se tivéssemos entrado no Lugar Santo. Começamos a ver que Deus é luz.
Se andarmos na luz, como Ele na luz está,
Temos comunhão uns com os outros,
E o sangue de Jesus nos purifica de todos os nossos pecados.
Começamos a perceber que Cristo é a nossa vida. Como os pães da proposição, Cristo é a nossa vida, e vivemos pela vida de Cristo.
Também entramos em comunhão com o Senhor em oração. Assim, parece que agora entramos no Lugar Santo. Mas, irmãos e irmãs, isso não é o fim.
Atrás daquele véu está o Santo dos Santos. É ali que está a arca, onde está o propiciatório. É ali que Deus tem comunhão com Seu povo, e Seu povo vive em Sua própria presença. Esse é o propósito de Deus para nós.
Aqui vocês encontram a primeira cláusula da nova aliança:
Escreverei a Minha lei na vossa mente e no vosso coração.
Eu serei o vosso Deus,
E vós sereis o Meu povo.
Irmãos e irmãs, isso é o inverso da antiga aliança da lei. Sob a antiga aliança da lei, Deus disse:
Farás isto.
Não farás aquilo.
Então sereis o Meu povo,
E Eu serei o vosso Deus.
A responsabilidade estava sobre nós.
Mas, nesta nova aliança da graça, Deus diz:
Escreverei a Minha lei na vossa mente
E a inscreverei no vosso coração.
Isso é tão diferente da antiga aliança, porque a antiga aliança foi escrita em pedras — sem sentimento.
Mas a nova aliança é escrita em nosso coração e em nossa mente. Deus nos deu um novo coração. Amamos a vontade de Deus. Antes, tínhamos medo da vontade de Deus; odiávamos a vontade de Deus. Mas agora amamos a vontade de Deus.
Também com a nossa nova mente, a nossa mente despertada, compreendemos qual é a vontade de Deus. Portanto, irmãos e irmãs, agora estamos num nível mais elevado.
Assim como o apóstolo Paulo, quando escreveu Romanos 7, estava nos contando sua experiência. Creio que não era sua experiência antes de ser salvo. Na verdade, ele estava escrevendo sobre sua experiência depois de se converter, depois de ser salvo.
Por quê? Porque ele disse: “Com a minha mente despertada, sei qual é a vontade de Deus. Com o meu novo coração, amo fazer a vontade de Deus”. Aqui vocês encontram um tipo diferente de vida. Antes, ele odiava a vontade de Deus e não queria conhecê-la. Mas agora amava conhecer a vontade de Deus e queria fazê-la.
Isso não é verdade em cada um de nós, quando fomos salvos? Intuitivamente, sabemos qual é a vontade de Deus e, no profundo do nosso coração, amamos fazê-la.
Mas o problema é este: sabemos qual é a vontade de Deus, mas não temos poder para fazê-la. O apóstolo Paulo disse:
O querer está presente em mim,
Mas o realizar o bem, não.
Irmãos e irmãs, depois que cremos no Senhor Jesus e à medida que avançamos Nele, todos passamos por essa fase. É como se estivéssemos numa guerra civil. Há uma guerra dentro de nós.
Dito de outra forma: parece que há duas pessoas, duas vidas, dentro de nós. No profundo do nosso espírito, Cristo vive. Ele é a nossa vida. Mas também há a nossa alma. Adão ainda está ali — aquela velha natureza, aquela natureza caída, aquela natureza egoísta —, ainda é a vida da nossa alma.
Sabem, Martinho Lutero disse certa vez: “Não tenho medo do papa, de todos esses cardeais e de todos esses duques e condes, mas tenho medo do velho Adão em mim”.
O teólogo da Reforma Filipe Melanchthon disse: “O pequeno Melanchthon não é páreo para o velho Adão”. Portanto, todos eles percebiam essa guerra civil dentro de si.
Irmãos e irmãs, vocês estão começando a ter esse tipo de experiência? Se estão, isso não significa que estejam retrocedendo. Significa que estão avançando. Não fiquem desanimados com isso, porque vocês têm a oportunidade de ser plenamente libertos.
Louvado seja Deus, o apóstolo Paulo teve a mesma experiência. É uma experiência dolorosa, porque ele disse: “Aquilo que quero fazer para agradar a Deus, não consigo fazer. Não tenho poder para fazê-lo. Mas o velho Adão dentro de mim é tão forte”.
“Ele me obriga, por assim dizer, a fazer aquilo que não gosto de fazer.”
Miserável homem que eu sou!
Quem me livrará do corpo desta morte?
Irmãos e irmãs, vocês já chegaram a esse ponto? Ou chegaram a um ponto em que começam a perceber a guerra civil dentro de vocês, mas ainda estão lutando — tentando, tentando e tentando de novo? E, mesmo assim, percebem que há mais derrotas do que vitórias.
Até que vocês chegam a um ponto em que perdem toda a esperança em sua própria força e dizem:
Miserável homem que eu sou!
Quem me livrará do corpo desta morte?
Quando Paulo chegou a esse ponto de desespero, graças a Deus, a salvação estava próxima. Em Romanos 7:24, ele clamou:
Miserável homem que eu sou!
Quem me livrará do corpo desta morte?
Então, o versículo seguinte, Romanos 7:25, diz:
Dou graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor.
Agora, como se chega a essa transição? Há algo na cruz de nosso Senhor Jesus que temos ignorado, algo que nos está faltando.
Quando cremos no Senhor Jesus, em que cremos? Cremos que nosso Senhor Jesus levou todos os nossos pecados em Seu próprio corpo e que ali morreu por nós.
Deus fez pecado por nós Aquele Que não conheceu pecado,
Para que nos tornássemos justiça de Deus.
É nisso que cremos.
Mas a cruz de nosso Senhor Jesus é muito mais do que isso. Há outro aspecto de Sua cruz. Quando nosso Senhor Jesus foi crucificado, Ele foi crucificado como o último Adão.
Aos olhos de Deus, há apenas duas pessoas. O primeiro homem é Adão. O segundo Homem é Cristo. Cristo não é apenas o segundo Homem, mas também é o último Adão. A Bíblia O chama de último Adão.
Quando o último Adão morreu, a raça adâmica chegou ao fim — não mais. Quando Ele ressuscitou dentre os mortos, surgiu a nova raça. Ela está em Cristo.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, quando Cristo morreu na cruz, levou o velho homem com Ele para a cruz. Isso está em Romanos 6:6. Há algo que precisamos saber: saber que o nosso velho homem foi crucificado com Cristo na cruz.
Se vocês leram Contra a Maré, a biografia de Watchman Nee, encontrarão ali uma ilustração. Para os chineses, ela é muito real, porque se considera que o povo chinês descende do Imperador Amarelo.
Certa vez, o Imperador Amarelo travou uma batalha com seu inimigo, Chiyou. Durante aquela batalha, havia uma neblina muito densa. Como seria possível lutar sob uma neblina tão densa? Mas o Imperador Amarelo teria sido o inventor da bússola.
Por meio dela, venceu seu inimigo e matou Chiyou. É por essa razão que o povo chinês continuou a existir. Agora, suponham que o Imperador Amarelo tivesse sido morto por Chiyou. Haveria algum chinês no mundo? Não, é claro que não.
Foi realmente isso que aconteceu. Aos olhos de Deus, há apenas duas pessoas: Adão e Cristo. Eles são as cabeças federais. Todas as pessoas do mundo vieram de Adão, e todos os que creem no Senhor Jesus vieram de Cristo.
Portanto, nós, que cremos no Senhor Jesus, precisamos ver o que o Senhor fez por nós. Ele fez mais do que simplesmente levar os nossos pecados e removê-los de nós. Quando Ele morreu na cruz, toda a raça adâmica chegou ao fim.
Quando Ele ressuscitou dentre os mortos, houve uma nova raça. Todos os que creem no Senhor Jesus ressuscitaram com Ele.
É por isso que precisamos do batismo. Algumas pessoas dizem: “Bem, se você crê no Senhor Jesus, está salvo. Por que precisa ser batizado?” É por essa razão.
No batismo, descemos às águas como um símbolo. Isso significa morte e sepultamento. Nosso velho homem, no batismo, entrou na água e foi sepultado, ficando fora de vista.
Então, quando saímos da água, ressuscitamos com Cristo Jesus em uma nova vida. Para Deus, aquilo que nosso Senhor Jesus realizou na cruz — Sua obra consumada — é eternamente verdadeiro.
Cristo Jesus morreu na cruz mais de dois mil anos antes de nascermos. Ainda não tínhamos cometido pecado algum. E, no entanto, irmãos e irmãs, quando cremos no Senhor Jesus — que Ele levou os nossos pecados em Seu corpo, morreu na cruz e derramou Seu sangue para a remissão dos nossos pecados —, cremos nisso e recebemos isso.
Por que não fazer o mesmo? Crer que, quando Cristo morreu na cruz, nós também morremos; e que, quando Ele ressuscitou dentre os mortos, ressuscitamos com Ele. Por que não fazer o mesmo? É a mesma coisa — a mesma fé.
Se vocês conhecem Romanos 6:6, então o que fazem? Consideram-se mortos para o pecado e vivos para Deus, como diz Romanos 6:11.
Depois de conhecermos a verdade de Romanos 6:6, tentamos nos considerar assim. Considerar, nesse sentido, significa simplesmente fazer uma conta. A contabilidade é algo extremamente exato, porque um mais um é igual a dois. Você não pode acrescentar nem tirar nada.
Deus diz que, quando Cristo morreu na cruz, nosso velho homem foi crucificado com Ele. Portanto, consideramos isso verdadeiro. Mas, irmãos e irmãs, vocês têm essa experiência? Quanto mais se consideram mortos, mais vivos estão.
“Estou morto. Estou morto. Estou morto.” Mas vocês estão cada vez mais vivos.
Vocês conhecem Hudson Taylor. Ele foi o fundador da Missão para o Interior da China. Somos eternamente gratos a ele. Ele foi à China como missionário. Foi o primeiro a abrir o interior da China à obra missionária.
Naquela época, ele já estava na China havia vários anos. Havia fundado a Missão para o Interior da China. Tinha cooperadores na China. Mas, em determinado momento, sentiu que sua vida espiritual não estava normal. Sentiu que não era o que deveria ser. Então buscou o Senhor com muita intensidade a esse respeito.
Tentou dedicar tempo à oração. Chegou até a jejuar. Mas, por mais que tentasse, sua vida espiritual não melhorava. Então, certo dia, seu cooperador, que também estava buscando aquela vida santa, descobriu o segredo.
Então escreveu a Hudson Taylor. Disse: “Não é tentando, mas crendo”.
Certo dia, Hudson Taylor estava lendo João 15:
Eu sou a videira; vós sois os ramos.
Permanecei em Mim, e Eu em vós,
E dareis muito fruto.
Hudson Taylor orou intensamente. Disse: “Senhor, coloca-me na videira, para que eu possa receber todo o alimento da videira e ser vitorioso em minha vida cristã”. Mas, por mais que orasse, não conseguia entrar.
Até que, finalmente, o Senhor abriu seus olhos. Certo dia, o Senhor lhe disse: “Por que você está tentando entrar na videira? Você não está na videira, e a videira em você? Você já está ali”.
De repente, seus olhos foram abertos, e ele simplesmente agradeceu ao Senhor por essa realidade. Daquele momento em diante, sua vida mudou. Mesmo durante a Revolta dos Boxers, em 1900, quando muitos missionários da Missão para o Interior da China foram martirizados, ele estava doente e fraco, em repouso, mas havia paz em seu coração.
Irmãos e irmãs, Deus fez toda a provisão para nós. Esse é o evangelho para o cristão. Cristo não apenas tomou os nossos pecados, levou-os sobre a cruz e morreu por nós, para que nos tornássemos justiça de Deus.
Se cremos, a mesma coisa é verdadeira: quando Cristo morreu na cruz, Ele removeu o velho Adão. Portanto, agora, pela fé, podemos declarar que estamos mortos para Adão e vivos para Deus. Se assumirmos essa posição, veremos como isso opera em nossa vida.
Isso é fé viva. Agora, o que é fé? O único lugar onde encontramos algo como uma definição de fé é Hebreus 11:1.
Na versão de Darby, que é uma tradução quase literal, está escrito:
Ora, a fé é a substanciação das coisas que se esperam,
A convicção das coisas que não se veem.
O que é fé? A fé é a substanciação das coisas que se esperam. Aquilo que vocês esperam, a fé torna real para vocês.
Deixem-me usar esta ilustração. Estamos aqui neste auditório, e há aquele quadro ali. Como vocês sabem que há um quadro? O quadro é uma realidade para vocês. Por quê? Porque têm olhos para ver.
Seus olhos têm a capacidade de tornar aquilo real para vocês. O quadro tem existência concreta, mas seus olhos têm a faculdade de torná-lo real para vocês. Vocês olham para ele, veem-no, e ele passa a fazer parte da sua experiência.
A fé é a mesma coisa. Há algo que vocês não veem, algo que apenas esperam, mas, se têm fé, podem torná-lo real para vocês e fazê-lo parte da sua experiência.
A obra consumada de Cristo é uma realidade concreta. Não há nada mais real do que a obra consumada de Cristo. Ela é eterna, para sempre. É exatamente como aquele quadro aqui: a realidade está ali.
Se vocês não têm fé, não conseguem ver. Está ali, mas não está aqui dentro de vocês. Porém, se têm olhos para ver, então não está apenas ali, mas também aqui dentro de vocês. Isso é experiência cristã.
Portanto, irmãos e irmãs, vejam como a fé é importante. Creiamos naquilo que o Senhor realizou na cruz do Calvário — nada menos do que isso. Tudo está ali. Está apenas esperando que vocês o tornem real em sua experiência pela fé.
Agora, irmãos e irmãs, no que diz respeito à nossa experiência cristã, cada pessoa é diferente. Costumo dizer que Deus ama a variedade. Vocês nunca veem duas pessoas iguais.
Pensem no rosto de vocês. É apenas uma pequena área, com poucos elementos: duas sobrancelhas, dois olhos, um nariz, duas orelhas — só isso. Mas Deus consegue colocar essas poucas coisas numa área tão pequena, e não há duas pessoas com o mesmo rosto. Isso não é maravilhoso?
Nem mesmo entre gêmeos. Podemos nos enganar, mas os pais não se enganam.
Vocês sabem que a sua alma também tem uma forma? Não é apenas o corpo que tem uma forma; a nossa alma também tem uma forma. Qual é? O temperamento.
Deus nos criou de tal maneira que não há duas pessoas com exatamente o mesmo temperamento. Todos os nossos temperamentos são diferentes. Algumas pessoas são extrovertidas. Outras são mais voltadas para o interior. Algumas são rápidas; outras são lentas. Todos são diferentes.
Isso afeta a nossa experiência cristã. O problema hoje é que, quando as pessoas ouvem essas histórias de como outros alcançaram a vitória, tentam ter a mesma experiência.
Se vocês estiverem apenas buscando uma experiência, não a terão, porque são diferentes. A maneira como Deus trata com cada um é diferente. O princípio é o mesmo, mas a experiência é diferente.
Algumas pessoas têm uma experiência marcante. Outras não têm uma experiência marcante, mas, de alguma forma, gradualmente, atravessam um Rubicão. O fato é: se a realidade está presente, está presente. Vocês não precisam se preocupar com o tipo de experiência que têm.
Sempre que falamos da vida vitoriosa, as pessoas procuram algo espetacular e se perguntam por que não o têm. Bem, o seu temperamento pode ser diferente, e a maneira como o Senhor conduz você é diferente.
Mas, graças a Deus, se vocês buscarem com sinceridade, mais cedo ou mais tarde isso se tornará uma realidade para vocês. Queridos irmãos e irmãs, não é maravilhoso que tudo para a nossa vida cristã já tenha sido providenciado?
Tudo é pela graça, por meio da fé. Isso não vem de vocês mesmos; é a misericórdia de Deus. Essa é a nova aliança.
Irmãos e irmãs, graças a Deus, Ele fez toda a provisão para que vivamos para a Sua glória. Que o Senhor ajude cada um de nós. Vamos orar?
Amado Senhor, nós nos prostramos em adoração, ao vermos que fizeste toda a provisão para nós, para a vida e a piedade, dentro daquilo para o qual nos chamaste.
Tu não apenas nos chamaste, mas também fizeste provisão para nós. Oramos para que nos dês fé para crer, a fim de entrarmos em tudo o que preparaste.
Que sejamos conformados à Tua própria imagem, para a glória de Deus. Pedimos em Teu nome. Amém.