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THAT THE WORD OF THE LORD MAY RUN AND BE GLORIFIED
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    The Character Of The Kingdom #3 © 2026 Christian Testimony Ministry
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    The Character Of The Kingdom #3
    The Character Of The Kingdom #3
    Lambert, Lance

    O caráter do Reino

    Vocês poderiam abrir comigo no Evangelho de Marcos 12:28? Vou começar a leitura nesse versículo.

    E aproximou-se um dos escribas que os ouvira discutir e, sabendo que Ele lhes havia respondido bem, perguntou-Lhe: Qual é o primeiro de todos os mandamentos?
    Jesus respondeu: O primeiro é: Ouve, ó Israel; o Senhor nosso Deus, o Senhor é um:
    e amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças.
    O segundo é este: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes.
    E o escriba Lhe disse: É verdade, Mestre; bem disseste que Ele é um; e não há outro além Dele:
    e amá-Lo de todo o coração, de todo o entendimento e de todas as forças, e amar o próximo como a si mesmo, é muito mais do que todos os holocaustos e sacrifícios.
    E Jesus, vendo que ele havia respondido com entendimento, disse-lhe: Não estás longe do Reino de Deus.

    Agora gostaria de acrescentar uma passagem do Evangelho de Lucas 10:29. Vou começar a leitura nesse versículo.

    Mas ele, querendo justificar-se, disse a Jesus: E quem é o meu próximo?
    Jesus respondeu e disse: Certo homem descia de Jerusalém para Jericó; e caiu nas mãos de salteadores, que o despojaram e espancaram, e se retiraram, deixando-o meio morto.
    E, por acaso, certo sacerdote descia por aquele caminho: e, ao vê-lo, passou pelo outro lado.
    Da mesma forma, também um levita, chegando ao lugar e vendo-o, passou pelo outro lado.
    Mas certo samaritano, estando de viagem, chegou onde ele estava: e, ao vê-lo, moveu-se de compaixão,
    e aproximou-se dele e atou-lhe as feridas, derramando sobre elas azeite e vinho; e, colocando-o sobre o seu próprio animal, levou-o a uma hospedaria e cuidou dele.
    E, no dia seguinte, tirou duas moedas de prata, deu-as ao hospedeiro e disse: Cuida dele; e tudo o que gastares a mais, eu te pagarei quando voltar.
    Qual destes três te parece ter sido o próximo daquele que caiu nas mãos dos salteadores?
    E ele disse: Aquele que usou de misericórdia para com ele. E Jesus lhe disse: Vai e faze tu o mesmo.

    E, por último, quero ler na carta do apóstolo Paulo aos Filipenses, a partir de Filipenses 2:1.

    Portanto, se há alguma exortação em Cristo, se alguma consolação de amor, se alguma comunhão do Espírito, se alguns ternos afetos e compaixões,
    completai a minha alegria, tendo o mesmo modo de pensar, o mesmo amor, sendo unidos de alma, tendo um só pensamento;
    nada fazendo por espírito de facção ou por vanglória, mas, em humildade, cada um considerando os outros superiores a si mesmo;
    não olhando cada um somente para os seus próprios interesses, mas também para os interesses dos outros.
    Tende em vós este mesmo sentimento, que houve também em Cristo Jesus:
    o Qual, existindo na forma de Deus, não considerou o ser igual a Deus algo a que Se devesse apegar,
    mas esvaziou-Se a Si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-Se semelhante aos homens;
    e, sendo encontrado em figura humana, humilhou-Se a Si mesmo, tornando-Se obediente até a morte, sim, a morte de cruz.
    Por isso também Deus O exaltou sobremaneira e Lhe deu o nome que está acima de todo nome;
    para que, ao nome de Jesus, se dobre todo joelho, dos que estão nos céus, na terra e debaixo da terra,
    e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para a glória de Deus Pai.

    Oração inicial

    Apenas uma breve oração.

    Amado Senhor, Tu vês que estamos todos reunidos aqui nesta manhã, em Tua presença. Temos Te adorado. Senhor, nossa oração agora é que venhas ao nosso encontro. Só Tu podes tocar nosso coração. Senhor, alcança-nos. Temos ouvido muitas coisas nestes dias.

    Senhor, nesta manhã oramos para que tomes este assunto do caráter do Reino e alcances nosso coração. Onde estamos aquém do que deveríamos ser, nós Te pedimos, Senhor: fala conosco.

    Nós Te agradecemos, querido Senhor, porque há uma unção tanto para falar como para traduzir e ouvir. Firmamo-nos nessa unção, nessa graça e nesse poder que Tu mesmo, nosso Senhor Jesus, conquistaste para nós no Calvário.

    Que isso seja uma realidade para nós nesta manhã: para mim, ao falar; para aqueles que traduzem para o português ou para o chinês; e para todos nós, ao ouvir. E teremos o cuidado de Te dar todo o louvor e toda a adoração do nosso coração por responderes a esta nossa oração, que fazemos em nome do nosso Messias, o Senhor Jesus. Amém.

    O caráter do Rei e do Reino

    Bem, como creio que todos vocês já sabem, minha parte nesta conferência tem sido o caráter do Reino. Temos dito repetidamente — não apenas eu, mas também os outros que têm ministrado a nós — que o caráter do Rei é o caráter do Reino.

    Há muitas outras características sobre as quais eu deveria falar, mas não temos tempo para isso. Ficaríamos aqui o dia inteiro e o dia de amanhã inteiro se fôssemos tratar de todas as características do Reino. Mas quero abordar mais três características essenciais:

    1. O amor de Deus.
    2. Um espírito de compaixão.
    3. A humildade.

    Que o Senhor nos ajude ao considerarmos essas características.

    O amor de Deus

    É muito interessante. Em Colossenses 1:13, está escrito que Ele nos libertou do poder, ou domínio, das trevas e nos transferiu para o Reino do Filho do Seu amor. Vocês ouviram isso? Fomos libertos do domínio das trevas e transferidos para o Reino do Filho do Seu amor.

    O Senhor Jesus é, acima de tudo, o Rei do amor. Vocês não estariam aqui nesta manhã se não fosse por esse amor de Deus Pai, esse amor de Deus Filho e esse amor do Espírito Santo, que, juntos, os trouxeram à salvação de Deus.

    Como é incrível que Jesus me ame e que Jesus ame você. Não sei quanto a vocês, mas fico maravilhado toda vez que penso nisso. Por que o Senhor haveria de me amar? Ele poderia Se sair muito melhor sem mim. Sou um reclamão, alguém que dá trabalho. Estou o tempo todo indo ao Senhor e incomodando-O, às vezes com as coisas mais ridículas, quando Ele tem tantas outras coisas com que Se preocupar.

    Mas Charles Wesley escreveu vários hinos nos quais usou a expressão: “Jesus, que amas minha alma”. Por que o Senhor não desiste de nós? Por que Ele não desistiu de uma raça caída? Por que não desistiu de Adão e Eva quando eles caíram e introduziram em nossa constituição não apenas o pecado, mas também uma vida do eu desenfreada?

    Por que Ele não desistiu? Foi o amor de Deus — inexplicável. Inexplicável — sublinhem isso —, o amor de Deus.

    É claro que talvez você pense que é a criaturinha mais doce, mais modesta e mais querida que já pisou na face desta terra, e que o Senhor quase tropeçou em Si mesmo porque você era tão belo, tão amoroso e tão puro. Não foi assim.

    Aos olhos de Deus, você é feio, sem modéstia, egocêntrico e pecador. Mas Ele nunca desistiu de você. Este Reino de Deus é um Reino de amor inexplicável.

    Desse amor brotam todas as misericórdias de Deus. Desse amor brota a compaixão de Deus. Desse amor brota a fidelidade de Deus. Este Reino não é nada se não for um Reino de amor divino.

    Ele começou no coração de Deus, no amor de Deus. Foi conquistado por meio do amor do Filho, e tem sido o Espírito Santo Quem administra e supervisiona tudo isso.

    Não consigo me lembrar da palavra… supervisor. Obrigado. Ela não é apenas uma boa candidata ao casamento; às vezes é muito prestativa. Quando me falta uma palavra, ela a encontra para mim.

    O Espírito Santo é o administrador e o supervisor. Toda esta terra foi criada por meio do Filho e para o Filho, e Nele toda a criação se mantém unida.

    Mas vocês se lembrarão de que, em Gênesis 1:2, era o Espírito Santo Quem pairava sobre os destroços, sobre o vazio, a ausência de tudo e as trevas. Foi o Espírito Santo Quem trouxe tudo à existência.

    Pai, Filho e Espírito Santo: ao longo de toda a antiga aliança, foi o Espírito Santo Quem administrou e supervisionou o propósito de Deus — o propósito de Deus no Senhor Jesus e para o Senhor Jesus. Ele encheu o tabernáculo com a glória de Deus. Ele encheu o templo com a glória de Deus. Ele veio sobre profetas, patriarcas e reis para falar Sua palavra. Mas nunca habitou em nenhum deles. Ele os usou.

    Foi o Espírito Santo Quem fez com que o Senhor Jesus fosse concebido no ventre de Maria. Foi o Espírito Santo Quem veio sobre o Senhor Jesus como uma pomba em Seu batismo e permaneceu sobre Ele. A pomba era uma figura de sacrifício — duas rolas, a forma mais comum de sacrifício entre o povo judeu.

    João compreendeu o significado. Ele disse:

    Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.

    Foi o Espírito Santo Quem capacitou Jesus, na cruz, a oferecer-Se sem mácula pelo seu pecado e pelo meu pecado. Foi o Espírito Santo Quem O ressuscitou dentre os mortos ao terceiro dia. E foi esse Espírito Santo que o Messias, que havia subido aos céus, ressuscitado e glorificado, derramou naquele primeiro dia de Shavuot — Pentecostes.

    Bem, tudo o que estou tentando dizer a vocês é isto: é o Espírito Santo Quem aviva o amor de Deus em nosso coração. É o Espírito Santo Quem é um fogo em nossos ossos. Onde não há fogo, onde não há paixão, também não há determinação para seguir até o fim com o Senhor.

    Esse amor do Rei é o princípio e o fim do Reino.

    O maior mandamento

    Era um escriba inteligente, que havia prestado atenção em Jesus. Ele estava no meio da multidão. Observava-O. Pensou: “Ele está respondendo incrivelmente bem”. E Lhe fez esta pergunta: “Qual é o maior mandamento?”

    Agora, nós que somos judeus sabemos muito bem que existem centenas de mandamentos, e que é preciso guardar todos eles para ser salvo. Seiscentos, creio eu, pela contagem rabínica — talvez 684, se estou me lembrando com exatidão. Ele perguntou ao Senhor Jesus: “Qual é o maior?”

    Jesus lhe respondeu com aquilo que chamamos de Shemá. Está nos lábios de um judeu ortodoxo todos os dias:

    Ouve, ó Israel: o Senhor nosso Deus, o Senhor é um:
    e amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração,
    e de toda a tua alma,
    e de todo o teu entendimento,
    e de todas as tuas forças.

    Não há como escapar disso. É tremendo. O amor exige amor.

    Por que o Senhor amou Israel, eu nunca entenderei. Provavelmente muitos de vocês já fizeram a mesma pergunta: por que Ele os amou? Está escrito no livro de Deuteronômio — Moisés disse, por revelação, creio eu — que o Senhor os escolheu dentre todos os povos do mundo, não porque fossem grandes, ricos ou poderosos, mas porque os amava.

    Foi por isso que o Senhor escolheu você: porque o amou. Não me peçam para explicar o amor. Às vezes vejo pessoas se apaixonando uma pela outra e me pergunto: “O que, afinal, fulano vê nela?” Ou: “O que ela vê nele?” É claro que, de vez em quando, consigo perceber o que veem um no outro. Mas fico pensando.

    O amor é algo extraordinário. Você não pode colocá-lo sob uma lupa nem dissecá-lo. Deus ama porque ama.

    O amor ao próximo

    Então o Senhor Jesus acrescentou algo que não está no Shemá. Ele disse:

    E o segundo é semelhante a este: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.

    Na verdade, esse é um mandamento de Levítico. Jesus uniu os dois.

    Você ama o Senhor com tudo o que há em seu ser e ama o próximo como a si mesmo. Bem, todos nós amamos a nós mesmos. É por isso que nos preservamos. É por isso que procuramos nos engrandecer. É por isso que temos metade dos problemas na igreja: gente demais ama a si mesma.

    As pessoas amam tanto a si mesmas que, se sentem que foram menosprezadas, ou que sua reputação foi manchada por outra pessoa, por fofoca ou maledicência, ficam cheias de amargura e ressentimento. Todos nós amamos a nós mesmos.

    Acho que o Senhor era um psicólogo extraordinário. É incrível que Ele não tenha dito apenas: “Amarás o teu próximo”. Ele disse:

    Amarás o teu próximo como a ti mesmo.

    Essa é uma qualidade do Reino de Deus.

    Para onde quer que você olhe, encontra esse amor pelo Senhor e esse amor pelo próximo. Agora, fazemos a mesma pergunta que o escriba fez, registrada no Evangelho de Lucas: “Quem é o meu próximo?” Ele disse isso porque achou que o Senhor teria dificuldade para responder a essa pergunta.

    E então Jesus contou uma história. Certo homem estava a caminho de Jerusalém para Jericó, que fica cerca de mil e duzentos metros abaixo de Jerusalém. No caminho, caiu nas mãos de salteadores. Eles o deixaram como morto. Roubaram tudo o que ele tinha, inclusive o animal em que estava montado, e o deixaram sangrando e à beira da morte.

    Certo sacerdote passou por ali e, quando o viu, estremeceu, afastou-se ainda mais, deu a volta e seguiu viagem. Depois veio o levita. Viu o homem à beira da morte e deu a volta por ele. Não tocaria em ninguém — nunca se sabe, você pode ficar impuro. Então precisaria de um batismo judaico, uma mikvá, para restaurar sua pureza.

    Por que se dar ao trabalho de cuidar dele? Ele está morrendo mesmo. Muitas pessoas morrem de qualquer maneira, então qual é o problema?

    Então veio algo que só Jesus poderia ter dito: Ele escolheu alguém do povo mais desprezado em todo Israel — um samaritano.

    Ele disse que, quando o samaritano viu o homem naquela condição terrível, desceu do cavalo ou do jumento, foi até ele e tentou confortá-lo. Lavou suas feridas, colocou-o em seu próprio jumento ou mula e, com o braço ao redor dele para que não caísse, ajudou-o a chegar à hospedaria.

    Cuidou dele durante uma noite inteira. Ao que parece, dormiu no mesmo quarto. No dia seguinte, disse ao hospedeiro: “Aqui está o dinheiro para cuidar dele até que fique bem. Quando eu voltar, acertarei a conta se houver mais alguma coisa a pagar”.

    E Jesus disse: “O que você acha? Destes três, quem você acha que foi o próximo?” O escriba disse: “O samaritano”. Foi preciso um esforço para o escriba dizer isso — para colocar isso em palavras. E Jesus disse: “Você está certo”.

    Vai e faze tu o mesmo.

    Em outras palavras, o amor de Deus precisa se expressar. Agora, não é impressionante? Às vezes já temos bastante dificuldade para amar uns aos outros, mas aqui devemos amar o mundo — as pessoas não salvas deste mundo, as pessoas que estão morrendo ao nosso redor, as pessoas que vivem em meio à dor, à tristeza, ao luto e a circunstâncias esmagadoras. Esses são os nossos próximos.

    Posso ir além? Já estive em lugares onde havia montanhas enormes de lixo, que fediam de maneira insuportável, e milhares de pessoas vivendo naquele lixo.

    Nunca consegui entender como os crentes podem se reunir ao redor da mesa do Senhor e adorá-Lo, mas nunca visitar aquelas pessoas, nem uma vez. Nenhuma ação para alcançá-las, nenhuma preocupação, nada. Mas, segundo o Senhor Jesus, elas são o próximo que devemos amar.

    O que há de errado conosco, para pensarmos que estamos agradando ao Senhor e amando-O quando estamos amontoados ao redor de alguma doutrina? Será que realmente acreditamos que isso satisfaz o Senhor?

    Se vocês olharem para a história da igreja, verão que, todas as vezes em que o Senhor lançou uma iniciativa para trazer o povo de Deus de volta ao centro de Sua vontade, isso incluiu um enorme impacto sobre os não salvos — os mais abandonados, os mais desesperançados, os mais pobres e os menos instruídos.

    Olhem por toda parte: vocês encontrarão essa verdade registrada. No momento em que a igreja perdeu seu objetivo e começou a degenerar em religião, deixou de haver preocupação com os perdidos. Este é o caráter do Reino.

    A permanência no primeiro amor

    Eu poderia dizer muito mais, mas não quero ficar falando sem parar. Preciso deixar que o Espírito Santo fale conosco.

    Mas Jesus disse em João 15:9, creio eu:

    Permanecei no Meu amor.

    Esse amor que trouxe você à salvação — permaneça nele.

    Se você permanecer nesse amor, não demorará muito para começar a se preocupar com aqueles que não conhecem o Senhor. Nem todo filho de Deus precisa ir aos confins da terra, mas podemos atravessar a rua para chegar a alguém que não é salvo e está passando por uma necessidade terrível. Podemos orar por essas pessoas. Podemos amá-las. Podemos demonstrar nosso amor de maneiras simples.

    Sabem, preciso passar ao segundo ponto, mas deixem-me dizer apenas isto. Às vezes ouço as coisas mais incríveis sobre os fariseus. Quero dizer, sou judeu, então conheço muito bem os fariseus.

    Às vezes os fariseus são descritos como pessoas duras, religiosas e sem coração. Vocês sabem como os fariseus começaram? Sabem o que essa palavra significa em hebraico? Significa “puritano”.

    Os fariseus começaram como um grande movimento do Espírito de Deus durante os quatrocentos anos de silêncio. Se não fosse por Simão, o Justo — Shimon ha-Tzaddik —, Israel teria se perdido. Mas Deus levantou esse homem, e ele foi o fundador do partido puritano em Israel.

    Agora, é claro, cem anos depois, tudo havia se tornado uma questão de coisas minúsculas: onde você se sentava, como se sentava na sinagoga, como se vestia, se jejuava corretamente, se guardava as leis alimentares kosher. Jesus disse que eles quebravam a cabeça com a menor coisinha e engoliam um camelo.

    Vocês encontrarão esse farisaísmo em todas as épocas da igreja, ao longo de toda a sua história. Na Noruega, isso deu origem a um ditado: “É mais fácil usar meias pretas do que ter um coração puro”. Em outras palavras, você pode parecer piedoso e se vestir de maneira piedosa, mas não ter um coração puro.

    Ah, como deveríamos buscar o Senhor por um novo batismo de amor. O que Jesus disse à melhor igreja — à igreja que chegou mais perto do coração de Deus no Novo Testamento, a igreja em Éfeso? Ele disse:

    Tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor.

    Então Ele não disse: “Acorde”. Ele disse:

    Arrepende-te; ou então virei a ti e removerei o teu candeeiro.

    Foi exatamente o que aconteceu com a igreja em Éfeso. É a história da igreja. Repetidas vezes, o Senhor precisou mover o candeeiro, e tudo começou com a perda do primeiro amor.

    O primeiro amor não é uma paixonite, como creio que já disse muitas vezes a vocês. É aquele amor que você tinha no começo, quando conheceu a pessoa que amava. Você podia percorrer quilômetros para vê-la e nunca reclamava. Nunca chegava depois de percorrer trinta quilômetros e dizia: “Espero que você perceba que percorri trinta quilômetros para ver você”.

    Não custava nada viajar trinta quilômetros. Não custava nada fazer uma porção de outras coisas. Esse é o primeiro amor. Nada é trabalhoso demais. Nada é difícil demais. O amor torna tudo fácil.

    Os deveres que você precisa cumprir, quando são realizados em amor, são cumpridos com um cântico no coração. Mas, quando o primeiro amor se vai, tudo em que conseguimos pensar é como é difícil servir ao Senhor, como é difícil edificar a igreja e como é difícil contribuir com qualquer coisa. O amor se foi.

    Um espírito de compaixão

    Bem, deixem-me prosseguir. Quero falar sobre um espírito de compaixão.

    Não é interessante? Amar o próximo como a si mesmo. Vocês conseguem acreditar que um sacerdote passou por ali sem nenhuma compaixão? Conseguem acreditar que um levita passou por ali sem nenhuma compaixão — preocupado apenas em estar ritualmente puro?

    Compaixão. Jeremias disse:

    As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos,
    porque as Suas compaixões não falham.
    Novas são cada manhã;
    grande é a Tua fidelidade.

    Querido filho de Deus, se essas compaixões estão no Rei, e quanto a nós? Temos compaixão em nosso coração? Somos tocados pelos problemas daqueles que não conhecem o Senhor? Pensem. Este é um assunto tremendo.

    Não sei qual é a melhor maneira de expressar isso. Vou tentar dizer assim: meu amado Senhor, o seu amado Senhor, era cheio de compaixão.

    A compaixão de Jesus

    Deixem-me contar apenas uma ou duas coisas. É tudo o que posso fazer. Vocês se lembram daquele leproso? Daquele pobre homem que, sem culpa alguma, havia contraído lepra? Naquele momento, foi expulso de casa e afastado da família, segregado de toda a sociedade.

    Moro em um lugar em Jerusalém, nas encostas do vale de Hinom, de onde vem a palavra Geena — o vale de Hinom, o inferno. Era o lugar das prostitutas, dos excluídos da sociedade e dos leprosos.

    Muitas vezes penso: quantas vezes Jesus caminhou por aquele vale? Aqueles leprosos que vieram a Ele não poderiam ter se aproximado Dele em meio à sociedade comum, quando Ele estava na cidade ou no templo. Não, não, não: nenhum leproso podia entrar pelos portões.

    Então será que Ele descia até onde todo o lixo era despejado, naquele mau cheiro? Será que ia procurar leprosos? Não sei. Mas esse homem era leproso. Havia sido expulso de casa e provavelmente havia perdido o emprego, mesmo que antes tivesse ocupado uma posição elevada.

    Desde o momento em que contraiu lepra, ninguém voltou a tocá-lo. Então Jesus o encontrou, e é isto que o relato diz:

    Se quiseres, podes tornar-me limpo.

    E Jesus o tocou, e ele foi curado.

    Agora, a Palavra de Deus é muito clara a respeito da lepra: não devemos tocar nela, para não contraí-la. Mas o Senhor Jesus, movido de compaixão, tocou aquele leproso. Foi a primeira vez que alguém o tocou em todos os anos em que havia sido leproso.

    E aquela mulher que entrou na casa do fariseu, ungiu o Senhor Jesus com suas lágrimas e enxugou Seus pés com os cabelos? O fariseu, o dono da casa, disse: “Como este homem pode ser profeta, se permite que uma prostituta O toque?”

    Ele não havia beijado Jesus porque não queria contrair nenhuma impureza. Não conseguia entender aquela mulher das ruas. Mas, de alguma maneira, ela havia ouvido Jesus, e isso a tocara. Ela foi salva.

    Os fariseus diziam que o problema com o Senhor Jesus era que Ele bebia com publicanos e pecadores. Sempre penso que isso mostra um lado de Jesus que nós, como cristãos, muitas vezes preferimos esquecer.

    Havia algo tão maravilhoso em Jesus que as pessoas do mundo podiam se sentar com Ele. Conheço muitos cristãos de quem as pessoas do mundo fogem. Não conversariam com eles. Nenhum pecador jamais se aproximaria de uma pessoa assim, e alguns acham isso muito bom. “É assim que deve ser. Você é tão puro, tão santo, que põe medo no coração dos pecadores.”

    Não era assim com Jesus. Eles se sentavam com Ele, e os fariseus diziam: “É repugnante. Como Ele pode ser profeta e Se sentar com toda essa gente, rindo e brincando com eles?”

    Quando Lázaro morreu, Jesus chorou. Ele sabia muito bem que iria ressuscitá-lo dentre os mortos, então por que chorou? Chorou por causa da dor de todos aqueles que tinham ligação com Lázaro — toda a dor da morte. Isso tocou Jesus de tal maneira que Ele chorou. Ou você, querido cristão, acha que Ele estava fazendo teatro, derramando algumas lágrimas para que todos se lembrassem do versículo mais curto da Bíblia?

    Jesus chorou.

    Mas, quando Jesus viu Jerusalém em outra ocasião, Ele disse:

    Ó Jerusalém, Jerusalém, quantas vezes quis Eu ajuntar-te, como a galinha ajunta os seus pintinhos debaixo das asas, e vós não quisestes!

    E Ele chorou.

    Se houvesse um pouco mais de choro por parte dos crentes pelo mundo de pecado em que vivemos, talvez acontecesse algo mais.

    Expressões históricas de compaixão

    Sabem, o Senhor fez coisas extraordinárias na história da igreja por meio das iniciativas que lançou. Penso nos quakers, tão desprezados. É claro que os quakers de hoje não se parecem em nada com os quakers de George Fox e de outros como ele.

    Em certa época, dois terços dos pregadores quakers na Grã-Bretanha estavam na prisão. O que fizeram? Viveram o evangelho na prisão, pregaram o evangelho na prisão e levaram centenas de criminosos ao Senhor.

    Depois fizeram outra coisa: começaram uma escola bíblica na prisão, de modo que das prisões saíram novos pregadores e mestres. Os quakers eram cheios de compaixão.

    Florence Nightingale, a fundadora da enfermagem moderna, era quaker. Ela foi e viu com seus próprios olhos a maneira terrível como os soldados eram deixados para morrer. Como cristã, não conseguiu suportar aquilo. Sua compaixão a consumiu, e ela começou a trabalhar com enfermagem.

    Foram os quakers que finalmente conseguiram reformar as prisões, para que deixassem de ser antros de morte. Compaixão.

    Foi Wesley quem pregou aos mineiros. Aos olhos da igreja, ele era como a escória. “Como você pode pregar ao ar livre? Repugnante! Pregar ao ar livre — repugnante!”

    Em certa ocasião, ele ficou em pé sobre o túmulo do próprio pai, quando o pároco o expulsou da igreja junto com toda a congregação. Estava pregando do púlpito, mas o pároco não gostou do que ele dizia. O responsável pela igreja pôs todos para fora, e Wesley ficou em pé sobre o túmulo do pai e disse: “Esta propriedade é da minha família. Ninguém pode me tirar daqui”. Assim começou a pregação ao ar livre de John Wesley e dos outros grandes pregadores.

    Em certa ocasião, Wesley pregou aos mineiros. Sabem, eles eram considerados subumanos pela sociedade britânica. Quase sempre estavam cobertos de fuligem, não tinham instrução, viviam em buracos debaixo da terra, extraindo carvão.

    Quando Wesley pregou certa vez a mais de três mil mineiros, foi tentado a pensar: “Não está acontecendo nada. É melhor eu me calar”. Mas continuou, e então viu algo extraordinário.

    De repente, viu que todos os rostos estavam pretos e brancos. Ficou se perguntando o que seria aquilo. Estaria doente? Estaria vendo alguma coisa estranha? Mas era a fuligem dos mineiros, marcada pelas lágrimas que escorriam pelo rosto.

    Hoje, os historiadores geralmente consideram que, se não fosse pelo primeiro grande despertamento evangélico na Grã-Bretanha, a Revolução Francesa teria chegado à Grã-Bretanha. Mas foi a salvação de pessoas como aqueles mineiros — sem instrução, a escória do mundo, considerados como se mal tivessem alma — que impediu isso.

    Charles Wesley escreveu aqueles hinos maravilhosos, e eles os aprendiam por repetição — frase após frase; depois cantavam a frase inteira e passavam à linha seguinte —, para que a Palavra de Deus entrasse neles. Isso mudou a face da Grã-Bretanha. Eu poderia continuar sem parar. Quero dizer: compaixão.

    A compaixão dos morávios

    Eu mesmo vi isso. Já mencionei os morávios, mas vi o espírito de compaixão dos morávios com meus próprios olhos.

    Gladys Roberts, que estivera com a família Husseini durante os anos da guerra, estava morando em Ramallah. Ela me disse: “Lance, há três missionárias idosas que moram numa montanha, não muito longe de Ramallah. Elas adorariam vê-lo. Seria uma bênção tão grande se você pudesse encontrar tempo para visitá-las”.

    Então reservei um tempinho. Não pensei muito a respeito. Eu estaria em Ramallah, então por que não ir? Colocaram-me num carro. Eu já havia visto várias vezes aquele pequeno grupo de casas brancas na encosta da montanha. Não estava preparado para o que senti.

    Encontrei uma pequena colônia de leprosos e três irmãs de oitenta anos, separadas de sua terra natal, na Morávia, pela Cortina de Ferro, e privadas de suas fontes de sustento e também de apoio em oração.

    Três irmãs idosas, de oitenta anos, cuidavam de todo um pequeno grupo de leprosos. Elas os carregavam até o banheiro, davam-lhes banho, enxugavam-nos e os traziam de volta. Davam-lhes comida porque eles não tinham mãos. Em alguns casos, não tinham nariz. Suas orelhas haviam caído.

    Eu não conseguia acreditar. Elas tratavam aqueles leprosos como se fossem o Senhor Jesus. Amavam-nos. Cuidavam deles. E eu sentia como se o próprio Jesus estivesse presente.

    Essa compaixão… Eu não conseguia acreditar que, centenas de anos depois do grande avivamento morávio, ainda houvesse morávios com aquele espírito de amor e compaixão.

    Reformas motivadas pela compaixão

    Penso em lorde Shaftesbury, um aristocrata britânico que era tão cheio de compaixão pelos menininhos enviados para dentro das chaminés para limpá-las, e que muitas vezes morriam de infecção.

    Eles eram comprados de famílias pobres. Ninguém se importava com eles. Não tinham instrução nem experiência de vida — menininhos desta altura, que, com a ajuda de um adulto, podiam subir por dentro da chaminé e limpá-la.

    Foi lorde Shaftesbury, do movimento dos Irmãos, quem apresentou às Casas do Parlamento uma lei para que nenhuma criança voltasse a ser usada na limpeza de chaminés. Compaixão.

    O que mais posso dizer sobre isso? Acho que nos falta tanto.

    Lembro-me da história do Exército de Salvação. Agora, não gosto muito de bandas de metais e desse tipo de coisa, então nunca dei muita atenção ao Exército de Salvação. Mas descobri algo extraordinário: William e Catherine Booth eram metodistas.

    Eram tão cheios do amor de Deus e da compaixão de Deus que tentaram trazer pessoas para a Igreja Metodista. A Igreja Metodista havia nascido, como já descrevi, por meio daqueles mineiros e de tantas outras pessoas sem instrução. A salvação dessas pessoas foi o começo do grande despertamento evangélico.

    Mas agora já haviam se passado uns duzentos anos, e o metodismo se tornara muito respeitável. Havia bancos reservados para as famílias e assentos confortáveis, acolchoados. E William Booth trazia para o meio deles mendigos, andarilhos e pessoas abandonadas.

    Isso causou uma confusão terrível, porque as pessoas diziam: “Talvez tenham pulgas. Talvez tenham percevejos. O que mais ele está trazendo para dentro da igreja? Repugnante!”

    A situação chegou a tal ponto que foi levada à conferência dos ministros metodistas. William Booth e Catherine foram chamados a comparecer. Ouviram toda a discussão, ministro após ministro dizendo que aquilo era uma vergonha, que estavam perturbando a igreja e causando grandes problemas.

    William Booth ouviu aquilo e pensou consigo mesmo: “Que coisa terrível. Estou dividindo a igreja”. Então apresentou uma ideia — uma solução de compromisso — que significaria não trazer mais para dentro da igreja pessoas abandonadas, andarilhos e mendigos.

    Mas parecia que aquilo não daria certo. Então Catherine, Deus a abençoe — essas mulheres às vezes são incríveis quando o Espírito de Deus atua nelas —, levantou-se na galeria e disse apenas uma palavra: “William”.

    William Booth se recompôs e disse: “Está tudo bem. Vou me retirar”. Assim começou o Exército de Salvação.

    Os últimos mártires na Grã-Bretanha foram em 1916. Três jovens do Exército de Salvação foram linchadas e assassinadas por uma multidão embriagada em Kent.

    Há mais? Penso em C. T. Studd, que estava sempre escrevendo coisas para incomodar todo mundo. Ele escreveu estes versinhos terríveis:

    Alguns gostam de viver ao som
    dos sinos da capela;
    eu prefiro manter um posto de resgate
    a um passo do inferno.

    Esse era C. T. Studd falando sobre essa questão da compaixão.

    A lição de compaixão de Lady Ogle

    Deixem-me contar uma história. Preciso ficar de olho no tempo. Tem a ver com Lady Ogle. Foi uma grande bênção para mim ter conhecido Lady Ogle.

    Lembro-me de uma história que ela me contou. No começo, achei muito engraçada, mas, no final, fiquei profundamente comovido.

    Ela se candidatou para ser missionária na Missão Geral do Egito. Lady Ogle era incrivelmente rica, e a diretoria da missão se reuniu com ela, todos de gravata-borboleta e colarinho engomado, e a entrevistou. Ela respondeu muito bem.

    Então um deles perguntou: “A senhora ama os egípcios?” Ela deixou toda a diretoria espantada ao dizer: “Não, não amo”.

    Houve consternação. Outro disse: “Mas, por favor, diga-nos: como pode ir para o Egito se não os ama?” Lady Ogle respondeu: “Bem, não os amo, mas creio que Deus me dará amor por eles se eu obedecer ao Seu chamado”.

    Bem, é claro, não quero ser maldoso, mas o fato de ela ter uma quantidade colossal de dinheiro, e de que isso poderia significar ajuda para a missão, fez com que a aprovassem. Ela foi aceita.

    Ela foi para o Egito e disse: “Quanto mais eu via do Egito, menos conseguia amá-los”. A condição das mulheres, a maneira como eram tratadas, as condições de falta de higiene em que viviam — tudo aquilo a horrorizava.

    Um dia, ela estava na base missionária de um lugar chamado Bilbeis, uma cidade murada no delta do Nilo. O médico missionário disse: “Irmã, você precisa vir comigo. Acabamos de receber a notícia de que a senhora fulana desmaiou no portão da cidade. Preciso que você a segure. Vou ter de lhe dar uma injeção”.

    No caminho, enquanto iam o mais depressa possível, o outro médico missionário disse: “Essa mulher é prostituta. Estará em uma condição terrível. Você precisará segurá-la pelos ombros enquanto eu aplico a injeção”.

    Eles chegaram e a encontraram deitada junto ao muro, ao lado do portão. O médico disse a Lady Ogle: “Irmã, segure-a, porque ela ficará aterrorizada com a injeção”.

    Lady Ogle se ajoelhou e a segurou pelos ombros. O cheiro, o fedor que vinha daquela pobre alma fez com que Lady Ogle tivesse vontade de vomitar. Ela ficou enjoada e, em seu coração, disse: “Senhor” — nunca disse isso em voz alta —, “como podes amar essas pessoas, que chegam a um estado desses por causa do pecado?”

    E o Senhor lhe disse: “Beije-a”.

    Lady Ogle se inclinou e beijou a mulher na testa. Naquele momento, seu coração foi inundado de amor pelo povo egípcio. Compaixão.

    A humildade

    Bem, preciso terminar. E quanto à humildade? Sim, e quanto a ela? É a qualidade que está faltando. Vocês conhecem alguém que seja realmente humilde?

    Li aquela passagem de Filipenses:

    Tende em vós este mesmo sentimento, que houve também em Cristo Jesus,
    o Qual não considerou o ser igual a Deus algo a que Se devesse apegar,
    mas humilhou-Se e tornou-Se um servo.
    Então humilhou-Se ainda mais, até a morte de cruz.

    A última característica do Reino é a humildade, e é a qualidade menos encontrada entre os crentes.

    Não é interessante que, quando o Senhor fala conosco sobre esse assunto, Ele diz: “Humilhai-vos”? Mas nós meio que dizemos: “Como posso me humilhar?” Ainda assim, o Senhor diz:

    Humilhai-vos, e sereis exaltados.

    Podemos nos dar todo tipo de ares de importância, mas isso não significa muita coisa. É quando sabemos que somos pecadores salvos pela graça que, pela primeira vez, a humildade entra em nosso ser.

    Há uma quantidade colossal de justiça própria entre os cristãos. Cresci numa igreja que acreditava na separação do mundo. Isso significava nada de cosméticos, nada de batom, nada de esporte, nada de ópera, nada de teatro, nada de televisão, nada de cigarro e, é claro, nada de álcool.

    Naquela comunidade, vi mais do mundo do que no próprio mundo: amargura entre uns e outros, ciúmes, maledicência, fofoca. Era o mundo. Como resultado disso, minha vida cristã perdeu o chão.

    Fiquei tão horrorizado. Quando vi pela primeira vez aqueles rostos radiantes cantando os maravilhosos hinos de Wesley e outros, costumava pensar: “Ah, que maravilha. Todas essas pessoas salvas, transformadas pelo Espírito de Deus”. Mas descobri que seus rostos só eram radiantes quando estavam cantando.

    Na prática, travavam verdadeiras batalhas uns com os outros. Alguns eram tão separados do mundo que nem sequer sabiam qual era o cheiro da fumaça de cigarro. Agora, não estou defendendo que se fume.

    Mas não há algo estranho se somos tão separados do mundo que não podemos tocar o mundo nem circular entre as pessoas do mundo?

    Humildade é saber que você é um pecador salvo por Deus. Como o Senhor recebeu você? Ele o recebeu como um pecador sem esperança. É assim que devemos receber uns aos outros.

    Bem, acho essa questão da humildade tremenda. Parece que, assim que recebemos uma posição na igreja, um ministério ou qualquer tipo de responsabilidade, imediatamente começamos a nos envaidecer e a dizer: “Sabe, eu sou alguém. Cheguei lá”.

    Humildade é quando você sabe que é o Senhor Quem lhe concede os dons e é o Senhor Quem o capacita. Então você dirá: “Sou apenas um vaso”. Ele me chamou, e Ele será a graça e o poder para o cumprimento de qualquer responsabilidade que eu tenha.

    Querido filho de Deus, há um “por isso” naquela passagem que li em Filipenses.

    Humilhou-Se até a morte, e morte de cruz.
    Por isso também Deus O exaltou sobremaneira e Lhe deu um nome que está acima de todo nome,
    para que, ao nome de Jesus, se dobre todo joelho e toda língua confesse.

    Este é o caráter do Reino: precisamos descer para subir. Quanto mais descemos, mais o Senhor pode nos elevar.

    Oração final

    Que o Senhor fale ao nosso coração sobre esse caráter do Reino, para o qual, por Sua graça, Ele nos trouxe. Que seja assim com cada um de nós.

    Vamos orar. Amado Senhor, apaga tudo o que não deveria ter sido dito e guarda em nosso coração tudo o que Tu disseste. Concede, Senhor, que sejamos aqueles que Te servem em amor, com compaixão e humildade.

    Pedimos isso em nome do nosso Messias, o Senhor Jesus. Amém.