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    The Character Of The Kingdom © 2026 Christian Testimony Ministry
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    The Character Of The Kingdom
    The Character Of The Kingdom
    Lambert, Lance

    O caráter do Reino

    Vocês poderiam abrir comigo em uma passagem muito conhecida do Evangelho de João, capítulo 3? João 3:1 em diante.

    Ora, havia entre os fariseus um homem chamado Nicodemos, um dos principais dos judeus: este foi ter com Ele de noite e Lhe disse: Rabi, sabemos que és Mestre vindo de Deus; porque ninguém pode fazer estes sinais que Tu fazes, se Deus não estiver com ele. Jesus respondeu e lhe disse: Em verdade, em verdade te digo: se alguém não nascer de novo, não pode ver o Reino de Deus. Nicodemos Lhe disse: Como pode um homem nascer, sendo velho? Pode entrar uma segunda vez no ventre de sua mãe e nascer? Jesus respondeu: Em verdade, em verdade te digo: se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no Reino de Deus. O que é nascido da carne é carne; e o que é nascido do Espírito é espírito. Não te maravilhes de Eu te haver dito: Necessário vos é nascer de novo.

    Quero acrescentar a essa passagem Mateus 20:24 em diante.

    E, quando os dez ouviram isso, indignaram-se contra os dois irmãos. Mas Jesus, chamando-os para junto de Si, disse: Sabeis que os governantes dos gentios os dominam, e os seus grandes exercem autoridade sobre eles. Não será assim entre vós: mas quem quiser tornar-se grande entre vós será vosso ministro; e quem quiser ser o primeiro entre vós será vosso servo: assim como o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a Sua vida em resgate por muitos.

    Quero acrescentar mais uma última passagem das Escrituras nesta noite, na segunda carta do apóstolo Paulo aos coríntios, em 2 Coríntios 3:17 em diante.

    Ora, o Senhor é o Espírito: e onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade. Mas todos nós, com o rosto descoberto, contemplando como em um espelho a glória do Senhor, somos transformados na mesma imagem, de glória em glória, como pelo Senhor, o Espírito.

    A necessidade atual do caráter do Reino

    Queridos irmãos e irmãs, a parte que me cabe nesta conferência é o caráter do Reino.

    Estamos vivendo dias de trevas, tumulto, confusão e revolução. Acho que essas trevas vão aumentar. Acho que todos os problemas econômicos, financeiros e climáticos que estamos enfrentando vão aumentar cada vez mais.

    Estamos nos últimos dias. Estamos próximos daquele tempo em que o anticristo aparecerá. E, bendito seja o Senhor, estamos próximos do tempo em que o Senhor Jesus voltará.

    Precisamos do caráter do Reino. Não basta nascer de novo. O Senhor Jesus disse:

    Se alguém não nascer de novo, não pode ver o Reino de Deus.

    Mas depois Ele acrescentou que precisamos nascer de novo para entrar no Reino de Deus.

    Uma vez que nascemos de Deus, há um sentido em que nascemos do Rei. Ele nos salvou. Mas é interessante que a Palavra de Deus fala de entrar no Reino por meio de muita tribulação. Em outra passagem, fala de nos ser concedida uma entrada ampla no Reino.

    Por isso, quero compartilhar com vocês nesta noite, e nas outras oportunidades que terei, mais alguns pensamentos. Quero compartilhar com vocês apenas duas questões que são essenciais.

    O caráter do Rei e do Reino

    A primeira é muito simples. Acho que até a pessoa mais simples aqui deve compreendê-la: o caráter do Rei é o caráter do Reino.

    Sinceramente, sinto que tudo o que eu deveria fazer seria dizer: “Ouçam o Dana”, porque tudo o que ele diz diz respeito ao caráter do Rei. Esse é o caráter do Reino.

    Permitam-me avançar um pouco mais nisso. O caráter do Reino deriva do caráter do Rei.

    É muito interessante que, na segunda carta do apóstolo Paulo aos coríntios, ele fala de contemplarmos, como em um espelho, a glória do Senhor e de sermos transformados na mesma imagem, de glória em glória.

    Essa palavra grega é interessante: metamorfose. Nós a temos em inglês. “Transfigurado” é outra maneira de expressá-la em inglês; “transformado” é mais uma maneira; “mudado” é outra. Tudo isso significa a mesma coisa.

    À medida que vemos o Rei, à medida que contemplamos algo da Sua glória, ainda que apenas como em um espelho — isto é, um reflexo da Sua glória —, somos transformados à Sua semelhança.

    Se não está ocorrendo nenhuma mudança nos crentes deste auditório, não há Reino. O Reino de Deus significa que vocês e eu, se nascemos de novo, se queremos entrar nesse Reino de fato, precisamos passar por uma mudança. Temos de ser transformados, mudados, transfigurados. De alguma maneira, essa obra maravilhosa do Espírito Santo precisa ser realizada em cada um de nós.

    Quando foi a última vez que você deu um passo no Senhor? Quando foi a última vez que o Senhor desafiou você?

    É tão fácil ter um cristianismo confortável. Vamos às reuniões pelo menos uma vez por semana. Se somos bons, vamos à reunião de oração. Se não somos tão bons, vamos ao estudo bíblico.

    Temos uma espécie de cristianismo confortável, rotineiro. Nada jamais nos perturba. É como se tivéssemos a ideia de que estamos sendo levados suavemente para a glória do Senhor, de que, de uma maneira ou de outra, estamos sendo carregados em um leito de rosas para dentro do Reino de Deus.

    Querido filho de Deus, isso é uma ilusão. Você e eu precisamos ser mudados. Precisamos ser transformados, e precisamos ser transformados à Sua imagem, à Sua semelhança, ao Seu caráter.

    Vocês conseguem imaginar o que aconteceria em todas as famílias aqui representadas, em todos os locais de trabalho aqui representados e nas comunidades de pessoas não salvas entre as quais vivemos, se cada um de nós estivesse sendo transformado à imagem do Senhor Jesus? Se houvesse movimento em nossa vida, uma mudança acontecendo?

    O apóstolo Paulo coloca a questão assim: estamos sendo transformados à Sua semelhança, de glória em glória. Mas T. Austin-Sparks costumava dizer: “Querido filho de Deus, isso significa de tribulação em tribulação, de uma aflição a outra”.

    Será que isso é duro demais para todos nós? Você e eu, por natureza, somos criaturas tão amantes do conforto que nunca seremos mudados, a menos que o Senhor nos incomode por meio dos relacionamentos, nos incomode por meio das circunstâncias e nos incomode permitindo que o inimigo mexa conosco.

    “Ah”, você diz, “Jesus jamais permitiria que o inimigo fizesse isso.” Bem, não sei que tipo de evangelho você tem, mas o fato é que, se você é filho de Deus, nasceu em meio a uma guerra.

    O que está em disputa nessa guerra? Está em disputa se o inimigo consegue manter você como a pessoa que era quando foi salvo, em vez de permitir que você se torne a pessoa que Deus quer que seja.

    Acho que não poderia deixar essa questão mais clara do que isso.

    Também é interessante ver que o mundo percebe as pessoas que estão sendo transformadas à semelhança do Senhor Jesus. Muitas vezes, eles nos chamam de hipócritas. Eles nos veem como religiosos. E, muitas vezes, é verdade: somos cristãos religiosos.

    Mas, quando estamos sendo transformados à Sua semelhança, é o propósito de Deus que está se cumprindo em nossa vida.

    Então o Senhor toma todas as circunstâncias, os relacionamentos, as dificuldades, as tribulações e as aflições, e usa tudo isso para nos incomodar até que demos mais um passo no Senhor — e outro passo, e outro passo, e outro passo.

    A Palavra de Deus nos diz que devemos andar pela fé. O que é andar? É tão simples. Posso demonstrar para vocês, se eu não cambalear e cair. Vejam: um, dois, três, quatro, cinco. Dei cinco passos. Como dei esses passos? No meu caso, pela fé.

    Dei esses passos pela fé. Ninguém jamais dá mais um passo no Senhor, no processo de ser mudado e transformado à Sua semelhança, a não ser por meio da fé viva, que é o dom de Deus para você.

    Então você está entrando, e está usando justamente as coisas que deveriam destruí-lo. Elas estão sendo usadas para levar você à semelhança, ao caráter, do Senhor Jesus.

    Em Atos 14:22, está escrito que entramos no Reino de Deus por meio de muitas tribulações.

    Penso na primeira carta do apóstolo Pedro. Agora, vou citar primeiro a antiga versão King James:

    A provação da vossa fé.

    Mas, na verdade, no grego, não se trata da provação ou do teste da sua fé; trata-se da comprovação da sua fé. Em outras palavras, Deus está comprovando que você tem fé viva.

    Algo está sendo feito em você. Às vezes, pensamos nisso como se estivéssemos sendo testados, sendo provados. Mas, na verdade, o Senhor é tão amoroso — ouçam-me com atenção —, o Senhor é tão amoroso que jamais colocará você em uma prova que o destrua. Ele só colocará você em uma prova que comprove que você tem fé viva.

    Pensem, então, nisto: qual é o caráter do Reino de Deus? É o caráter do Senhor Jesus. E você e eu estamos sendo transformados nesse caráter do Rei.

    Como você está indo? Você me ouviu? Como você está indo? Há algum movimento em sua vida? Há algum progresso em sua vida? Está acontecendo alguma coisa em você?

    Agora, é muito interessante tomar o apóstolo Paulo como exemplo. Em uma de suas primeiras cartas, ele fala de si mesmo como um pecador. Mas, em sua última carta, fala de si mesmo como o principal dos pecadores.

    Isso não é extraordinário? Vocês pensariam: aqui está o apóstolo que começou vendo o Rei da glória, sendo derrubado pelo Messias Jesus, ressuscitado e glorificado. Vocês pensariam: “Bem, isso não é tremendo?” Ele passou por todas essas dificuldades. Temos todo o registro dos açoites, das prisões e das diferentes coisas que lhe aconteceram.

    Pensaríamos que, no fim, ele diria: “Queridos amigos, estou tão feliz por ter sido transformado à semelhança do Senhor Jesus”. Em vez disso, ele se chama de principal de todos os pecadores.

    Isso significa que o Senhor sabe que há orgulho em cada um de nós. Assim que vencemos algumas batalhas e sentimos que talvez sejamos vencedores, imediatamente começamos a nos envaidecer. Sabe, achamos que somos alguma coisa. “Eu consegui”, sabe?

    Mas o Senhor nos mantém extremamente humildes quando está nos transformando à imagem do Senhor Jesus.

    Então estamos aprendendo do Senhor. Estamos sendo transformados à Sua semelhança. Seu caráter está sendo desenvolvido em nós. Mas só temos consciência de como somos incapazes, de como somos pobres, de como somos pequenos e de como estamos muito aquém daquilo que sentimos que deveríamos ser.

    O caráter do Reino é o caráter do Senhor Jesus, e esse caráter precisa ser formado em nós.

    O valor eterno do caráter

    Sabem, não há uma pessoa nesta sala que não tenha vindo nua a este mundo. Pensem nisso. Você não estava vestido quando nasceu. Estava nu.

    E, quando chegar a hora de ir estar com o Senhor — ou, para dizer de maneira mais direta, quando você morrer —, estará nu novamente. Todos aqueles diplomas e títulos, todas aquelas joias, todas as coisas que você possuiu e construiu, os negócios, as casas — você deixará tudo.

    Você veio nu a este mundo e sairá dele nu. A única coisa que levará consigo é aquilo que o Senhor fez em você.

    Quando o Senhor produz caráter em nós, isso é para sempre. Tem a ver com o Reino de Deus. Tem a ver com o trono de Deus. Tem a ver com serviço — serviço eterno.

    Pensem. Eu costumava me perguntar por que Deus enxuga as lágrimas. Está escrito no penúltimo capítulo de Apocalipse:

    E Deus enxugará todas as lágrimas.

    Por que Ele estaria enxugando lágrimas?

    Acho que é porque nunca permitimos que o Senhor fizesse em nós o que Ele queria fazer. Passamos a vida inteira girando em torno de nós mesmos. Toda a nossa vida cristã está centrada em nós mesmos.

    Estamos felizes por sermos salvos porque é o nosso próprio eu que foi salvo. Estamos felizes por sermos filhos de Deus. Estamos felizes por conhecer o Senhor porque Ele vai consertar todas as confusões que fazemos.

    Não é de admirar que choremos quando o Senhor disser: “Procurei transformar você à semelhança do Meu Filho, e você não quis”.

    Deus precisa de candidatos para o Seu Reino. Ele está procurando pessoas que possam reinar com Ele pelos séculos vindouros — pessoas que possam reinar com o Senhor Jesus, pessoas que tenham o mesmo caráter do Senhor Jesus.

    Esse é o caráter do Reino: o caráter do Senhor Jesus.

    Se você e eu não estamos sendo conformados à imagem, ou à semelhança, do Senhor Jesus, que sentido há em nosso estudo da Bíblia, em nossas orações, em nosso testemunho? Que valor há em nossa vida humana se não estamos sendo transformados à semelhança do Senhor Jesus?

    Não, deixem-me colocar isso de outra maneira. Parece-me um desperdício de vida humana se não formos transformados à semelhança do Senhor Jesus.

    Você tem apenas uma vida. Agora, se for como nosso irmão Stephen, viverá até os noventa e sete anos. Mas, se for como outras pessoas, talvez viva apenas até os trinta, quarenta, cinquenta, sessenta, setenta ou oitenta anos.

    Essa sua pequena vida é um pontinho comparado à eternidade. É como poeira. É tão pequena, mesmo que você viva tanto quanto o querido Stephen ou outras pessoas que conheci — como F. F. Bruce, cento e quatro anos neste ano. Quero dizer, é um pontinho comparado à eternidade. Não é nada.

    Por que você e eu desperdiçamos a oportunidade que temos, nesse pontinho de vida que Deus nos deu, de sermos transformados à semelhança do Senhor Jesus?

    Os católicos creem no purgatório, aquele lugar onde você é colocado em fornos e assado e transformado, por assim dizer, porque acham que muitas pessoas precisam de um pouco mais de tempo do que esta pequena vida oferece. Por isso, creem no purgatório.

    Mas eu não acho que exista um purgatório. Pelo que entendo, você tem uma única vida, e não sabe qual é o tempo determinado por Deus para essa vida.

    Satanás tem uma tremenda máquina de propaganda, porque ele diz a você: “Você não precisa começar a levar o Senhor a sério agora. Espere; você é jovem. Há bastante tempo. Espere mais um pouco”.

    Então você se casa, e o inimigo vem e diz: “Não, veja, preste atenção aqui, por favor. Você tem preocupações demais agora. Está casado. Tem uma família com filhos pequenos. Não leve isso tão a sério. Deixe para depois. Vai dar tudo certo. Quando estiver na meia-idade, terá bastante tempo”.

    Então, quando você chega à meia-idade, a vida se tornou confortável. Você leva tudo com tranquilidade. O inimigo diz: “Você não precisa ficar tão perturbado com essas coisas. Gente tola como aquele pregador, falando com você sobre ser transformado à semelhança do Senhor Jesus. Espere mais um pouco”.

    Então você espera até mal conseguir enxergar, já não conseguir ouvir e andar cambaleando por aí. Aí pensa: “Agora estou um pouco velho demais para mudar”.

    Como o inimigo é esperto ao fazer isso conosco — ao nos enrolar durante toda a vida.

    Que coisa maravilhosa é quando o Senhor usa nossas circunstâncias e relacionamentos, nossa vida profissional, nossa vida familiar e até a vida nacional do país de onde você vem para nos transformar à Sua semelhança.

    Essa é a primeira coisa que quero dizer nesta noite.

    O chamado supremo ao serviço

    Aqui está a segunda coisa: o chamado supremo do Rei e do Reino é para o serviço.

    Recentemente, a Grã-Bretanha celebrou o jubileu da rainha Elizabeth II. Ela havia reinado por sessenta anos. Acho que ela tem sido um exemplo de serviço para todo o povo britânico.

    Ela se levanta cedo pela manhã. Lê todos os documentos do gabinete. Não consigo acreditar em como ela faz isso — são tão entediantes! Mas ela lê todos esses documentos do gabinete. Lê tudo o que os diferentes membros do Parlamento disseram. Tudo fica registrado.

    Depois sai para inaugurar hospitais, lares de crianças ou outras grandes instituições, e para receber convidados. Ninguém trabalhou tanto quanto ela.

    Quem vive em uma república, se me permitem a ousadia de dizer isso — especialmente à luz do Dia da Independência —, não compreende plenamente o que significa ser um verdadeiro rei ou uma verdadeira rainha. Pensam que é algo como Cláudio: ficam sentados em tronos de ouro, levantam a mãozinha, e algum lacaio sai correndo para buscar alguma coisa e trazê-la de volta sobre uma almofada.

    Ficam ali sentados, sendo admirados por todos. As pessoas não percebem quanto trabalho de verdade um rei ou uma rainha realmente bons realizam. A rainha Vitória reinou por sessenta e três anos. Foi uma mulher notável, que deu à vida do povo britânico um tom espiritual.

    Qual é a ideia de Deus a respeito de um rei? “Ah”, você diz, “alguém poderoso, alguém com autoridade, alguém que pode governar, alguém que é o centro de tudo, que levanta a mão e tudo se faz.”

    A ideia de Deus a respeito de um rei é que ele seja um servo. Vocês ouviram o que Mateus registrou?

    Pois o Filho do Homem veio para servir.

    É muito interessante que, naquela passagem que li para vocês, em Mateus 20:24 em diante, Stephen mencionou nesta manhã aquela pequena discussão que eles tiveram. Sabem, a mãe de Tiago e João era prima de Maria.

    O que ela estava dizendo a Jesus era: “Jesus, Tu deverias manter tudo isso na família”. Agora, vocês que são chineses vão me entender: mantenha na família; não deixe sair da família.

    E, é claro, quando os outros ouviram aquilo, ficaram indignados. Stephen nos contou tudo a respeito disso nesta manhã.

    Então o Senhor Jesus disse algo. Ouçam. Ele disse: “Se vocês querem ser alguma coisa no Reino, precisam ser como servos”.

    Ele disse: “Se vocês querem ser os primeiros, precisam ser escravos”. Então disse:

    Pois o Filho do Homem veio para ser esse Servo e dar a Sua vida em resgate por muitos.

    Há duas palavras no grego que, em nossas traduções inglesas, são traduzidas como “servo”. Uma se refere a um servo contratado; a outra, a um escravo.

    Há um mundo de diferença entre um servo contratado e um escravo. Um servo contratado tem direitos. Um servo contratado tem horário de trabalho e horário de folga. Um servo contratado recebe salário.

    Um escravo pertence ao seu senhor vinte e quatro horas por dia, nos sete dias da semana, em todas as cinquenta e duas semanas do ano, em todos os anos da sua vida, até o ano do jubileu. Ele está inteiramente à disposição do seu senhor.

    Jesus disse algo incrível aqui. Às vezes, recebo perguntas de pessoas que querem ser servos do Senhor. Com isso, querem dizer que desejam ter autoridade sobre outros crentes. Nós treinamos pessoas para essa tarefa. Quero dizer, temos todo um sistema.

    Jesus disse: “Sim, se vocês querem ser alguma coisa, podem ser como servos contratados. Tenham seus direitos, tenham seus horários, tenham seus salários. Mas, se querem ser os primeiros de todos, precisam ser escravos”.

    Agora, não é interessante que, em Filipenses 2:6-7, esteja escrito que Jesus, sendo igual a Deus, não considerou isso algo a que devesse Se apegar, mas humilhou a Si mesmo e Se tornou escravo?

    Portanto, ser transformado à semelhança de Jesus é estar disposto a ser escravo. Isso choca você?

    É muito interessante que vários dos apóstolos — não todos, mas vários deles —, quando escreveram suas cartas, chamaram a si mesmos de servos. Vocês lerão “servos” em inglês, mas a palavra é “escravo”: um escravo de Deus e do Senhor Jesus, o Messias.

    À inteira disposição dEle. Totalmente dEle. Pronto para fazer qualquer coisa que Ele disser, pequena ou grande.

    Qual é o caráter do Reino? Acima de tudo, é serviço. Não é um serviço em que você tem horário e folgas, um serviço do qual pode se aposentar ao chegar a determinada idade.

    É um serviço que toma todo o seu ser. Fui claro? Isso está desanimando vocês?

    Sabem, imaginem o Senhor Jesus sendo descrito como escravo. Pensem. Não é de admirar que esteja escrito:

    Pelo que também Deus O exaltou soberanamente, e Lhe deu o nome que está acima de todo nome; para que, ao nome de Jesus, se dobre todo joelho, e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor.

    Seu Salvador foi escravo. Seu Senhor foi escravo. Ele fez isso por você. Ele fala repetidas vezes de Si mesmo como Aquele que serve ao Senhor, Seu Pai, Deus Pai.

    Consegui fazer vocês compreenderem isso de verdade?

    O sacrifício vivo como adoração e serviço

    Ouçam isto. Aqui está novamente o apóstolo Paulo, e ele escreve o seguinte em Romanos 12:1.

    Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.

    Temos aqui várias traduções diferentes do grego. “Vosso serviço racional”, diz uma. “Vossa adoração”, diz outra.

    Anos atrás, quando examinei isso, tínhamos um professor de Cambridge em nossa comunhão, e eu estava confuso a respeito dessa passagem. Por fim, fui até ele e disse: “Sim, mas eu não entendo”. Ele respondeu: “Bem, é extremamente difícil de entender”.

    Ele disse: “Ser um sacrifício vivo é a sua adoração e o seu serviço espiritualmente inteligentes”. Eu havia perguntado a ele: “Eu poderia dizer que é a sua adoração espiritualmente inteligente? Porque essas são as palavras usadas no grego”. Ele disse: “Não, a menos que você acrescente ‘e serviço’ — sua adoração e seu serviço espiritualmente inteligentes”.

    Em outras palavras, minha adoração, sua adoração, meu serviço, seu serviço — se forem apenas emocionais, se vierem apenas da nossa carne — não significam nada.

    É quando você, de maneira consciente e deliberada, se torna um sacrifício vivo que isso é a sua adoração e o seu serviço espiritualmente inteligentes, e nada menos que isso.

    “Ah”, você diz, “esse padrão é alto demais para nós.” Não posso fazer nada a respeito.

    Esse é o caráter do Reino: um sacrifício vivo.

    “Ah”, você diz, “o que isso significa?” O que você acha que era um sacrifício vivo sob a antiga aliança? Aquele pobre animal que estava sendo sacrificado estava vivo. Seu sangue estava sendo derramado. Sua vida estava terminando.

    Na verdade, seria um holocausto. Subiria em fumaça.

    Isso põe por terra toda essa ideia de que devemos consagrar todos os nossos talentos e tudo o mais para ajudar o Senhor, de que vamos nos colocar ao lado do Senhor e abençoá-Lo com nossos talentos e com tudo o mais que temos. A igreja tem sofrido tanto com o talento de seus membros.

    Ah, que tivéssemos o tipo de serviço que significa que você e eu somos sacrifícios vivos! Metade das brigas que temos na igreja, dos confrontos que temos na igreja e das dificuldades que encontramos uns com os outros desapareceria se todos fôssemos sacrifícios vivos.

    E é exatamente isso que o apóstolo diz, pois ele prossegue dizendo que vocês devem ser transformados pela renovação da sua mente.

    Você nunca pode ser transformado, a não ser tornando-se um sacrifício vivo. Entendeu? É demais?

    Você nunca, nunca será alguma coisa no Reino de Deus se não for um sacrifício vivo.

    Vejam isto. O apóstolo Paulo escreveu a maior exposição do evangelho no Novo Testamento — na Bíblia, incluindo o Antigo e o Novo Testamento. Essa carta aos romanos é reconhecida por todos como a maior exposição do evangelho.

    Ele dedica oito capítulos a descrever, desde o início, o pecado e seu horror, seguindo até o sacrifício do Senhor Jesus, e termina com aquelas palavras maravilhosas:

    Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus.

    Depois ele entra em outro assunto. Por que fez isso? O que isso tem a ver com o evangelho? Três capítulos inteiros sobre eleição. “Ah”, você diz, “não toque nesse assunto.”

    Mas aqui está ele. Todo o problema que o apóstolo enfrenta nessa questão do evangelho é: o Senhor pode eleger e depois deixar de eleger? Pode salvar e depois deixar de salvar?

    Ele toma Israel, o povo judeu, como o exemplo extraordinário dessa eleição de Deus. Depois fala de todos os gentios eleitos entrando na salvação de Deus.

    Então, na parte final, ele diz que os dons e o chamado de Deus são irrevogáveis. Ele diz, com aquelas palavras imortais:

    Não quero, irmãos, que ignoreis este mistério,

    — o mistério de Israel —

    para que não sejais sábios aos vossos próprios olhos: que o endurecimento veio em parte sobre Israel, até que a plenitude dos gentios haja entrado; e assim todo o Israel será salvo.

    Misericórdia.

    Agora ele resume todos esses onze capítulos de uma única maneira maravilhosa. Ouçam:

    Rogo-vos, pois.

    O Dr. Martin Lloyd-Jones disse: “Prestem sempre atenção às pequenas palavras: ‘por isso’, ‘portanto’, ‘mas’, e assim por diante, porque muitas vezes muita coisa depende delas”.

    Por que ele disse:

    Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus?

    Pelo sacrifício do Senhor Jesus, que Se tornou pecado por nós, para que nos tornássemos justiça de Deus. As misericórdias que Deus manifestou a nós — e, depois, a eleição.

    Vocês conseguem acreditar que Deus pudesse ser tão fiel a pessoas infiéis? Como Ele poderia fazer isso? Misericórdia. Essa palavra maravilhosa no grego — eleos — e, no hebraico, chesed. Essa palavra maravilhosa é usada centenas de vezes no Antigo Testamento e centenas de vezes no Novo Testamento.

    Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo.

    Disso vem a experiência de comprovar qual é a boa, perfeita e agradável vontade de Deus. Disso vem a igreja. Leiam em Romanos 12:1-8.

    Queridos irmãos e irmãs, esse é o caráter do Reino. Isso expõe o que há em vocês? Expõe o que há em mim?

    Preciso terminar. Já entediei vocês por tempo suficiente.

    O conde von Zinzendorf e o testemunho morávio

    Havia um homem, um nobre, um aristocrata. Seu nome era Nicolau, conde von Zinzendorf. Ele não era salvo. Era morávio — daquela região que hoje chamamos de República Tcheca e Eslováquia.

    Um dia, ele entrou em um museu, caminhou por ali olhando as várias coisas e, de repente, viu um quadro. Era um quadro de Cristo crucificado.

    Ele ficou diante daquele quadro por duas horas inteiras, sem se mover. Embaixo, escritas em alemão, estavam as palavras: “Eu fiz tudo isso por você. O que você fez por Mim?”

    O conde von Zinzendorf se converteu. Daquele momento em diante, tornou-se um sacrifício vivo. Nada de cristianismo pela metade para ele; nada de cristianismo confortável, nada de cristianismo centrado em si mesmo.

    Ele se tornou escravo de Deus, do Senhor Jesus. Transformou suas propriedades na Morávia em um lugar de refúgio para todos os crentes perseguidos que fugiam da perseguição católica.

    O que aconteceu entre aquelas pessoas é um dos capítulos mais gloriosos da história da igreja.

    Quando o Espírito Santo veio sobre eles, depois de uma grande discussão que todos tiveram — o que é normal entre cristãos —, aconteceu algo enorme. Foi o início da reunião de oração que durou cem anos.

    Sabem, aquelas pessoas que foram cheias do Espírito naquele dia se tornaram missionárias nas regiões mais improváveis da Terra. Foram aos esquimós. Foram ao Tibete.

    Chegaram a contrair lepra — não por vontade própria, mas enquanto cuidavam de leprosos — e depois se alegraram no Senhor porque agora eram leprosos, capazes de falar aos leprosos com compreensão.

    Até se venderam como escravos em navios negreiros, junto com africanos cativos que estavam sendo levados para o Novo Mundo e para a Grã-Bretanha. De fato, tornaram-se escravos para alcançar escravos.

    Esse é um dos capítulos mais gloriosos da história da igreja.

    John Wesley e a influência morávia

    Mas esperem um pouco. Havia um velho legalista chamado John Wesley. Ele fazia tudo por método. Por isso, chamaram seus seguidores de metodistas. Tudo era feito por método.

    Ele sentia, mesmo sem ser salvo, que deveria pregar o evangelho. Decidiu que deveria pregar o evangelho aos indígenas norte-americanos. Então foi à Holanda e encontrou um navio que atravessaria o Atlântico rumo às colônias, das quais vocês conquistaram a independência que celebrarão daqui a alguns dias.

    Ele pregou o evangelho àqueles indígenas por toda parte. Esgotou-se pregando o evangelho. No fim, concluiu que ele mesmo não tinha esperança, muito menos os indígenas.

    Escreveu em seu diário: “Ó Deus, vim salvar os indígenas, mas quem pode me salvar?”

    Agora, durante sua viagem para as colônias, uma terrível tempestade atingiu o navio. O capitão e os marinheiros estavam todos convencidos de que o navio iria virar e afundar. Jogaram ao mar toda a carga, tudo o que podiam, mas isso não resolveu nada. Tinham certeza de que o fim estava chegando — e John Wesley também.

    Então ele ouviu cânticos e pensou: “Ah, eu me afoguei. Estou no céu”. Depois viu uma luz brilhando por uma porta entreaberta.

    Foi até ela e a abriu suavemente. Para seu espanto, havia quarenta morávios nas profundezas do navio, sentados por todo aquele aposento — com bebês nos braços e crianças pequenas no colo —, cantando hinos.

    Ele pensou: “Quem são essas pessoas, que têm tamanha fé?”

    Essa foi a semente que criou raízes na vida de John Wesley. Depois ele voltou a Londres, um missionário fracassado. Ouviu falar de um pregador morávio que pregaria na Fleet Street e pensou: “Vou ouvi-lo”.

    Naquela altura, ele já era um pároco, então foi ouvir o pregador morávio, que, na verdade, estava lendo um comentário de Martinho Lutero sobre uma das epístolas de Paulo.

    Enquanto o pregador morávio lia, John Wesley disse: “Senti um estranho aquecimento em meu coração”. Era o início do primeiro grande despertamento evangélico. John Wesley finalmente havia sido salvo.

    Sabem, aquele homem viveu até os noventa e quatro anos. Viajou por toda a Grã-Bretanha a cavalo. Era uma figura muito conhecida. Mesmo à noite, as pessoas costumavam ouvir o cavalo passando velozmente com John Wesley.

    Ele pregava quatro vezes por dia, em qualquer condição climática, o que não é pouca coisa, se vocês conhecem alguma coisa do clima britânico. O clima de vocês, americanos, não se compara. Às vezes, o nosso é terrível.

    Aos noventa e quatro anos, ele pregava quatro vezes por dia, às vezes percorrendo trinta ou quarenta milhas a cavalo entre um lugar e outro.

    Uma amante do rei George, que foi em parte responsável pela revolta furiosa de vocês, disse àquele velho tolo — que, na verdade, não acreditava em Deus —: “Majestade, não pode fazer alguma coisa a respeito desses pregadores terríveis?”

    “Que pregadores?”, ele perguntou. Ela disse: “John Wesley e Whitefield, George Whitefield, ficam por toda parte pregando. Milhares de pessoas vão ouvi-los ao ar livre — não pregam nas igrejas, mas ao ar livre. É repugnante, Majestade”.

    Então ele pensou por um momento e disse: “Bem, eu poderia torná-los bispos. Isso deve apagar o fogo deles”.

    Quando Wesley finalmente foi estar com o Senhor, o Senhor havia mudado a face da Grã-Bretanha e a salvado da Revolução Francesa.

    Incrível. Ele era um sacrifício vivo, um escravo de Deus Pai e do Senhor Jesus, o Messias.

    Quando ele morreu, aquele velho rei que não acreditava em Deus decretou que houvesse três dias de luto em toda a Grã-Bretanha e que Wesley fosse sepultado na Abadia de Westminster.

    Querido filho de Deus, esse é o caráter do Reino.

    São pessoas como essas, que abriram mão de tudo para se tornar um sacrifício vivo, para servir ao Senhor, para estar sob o Seu comando, para ser totalmente obedientes a Ele.

    Sacrificaram a carreira. Sacrificaram a própria vontade. E, ao fazer isso, tornaram-se vencedores.

    Esse é o caráter do Reino. Esse é o caráter do Senhor Jesus.

    Oração

    Vamos orar?

    Senhor, reconhecemos que, na verdade, muitas vezes não temos esse tipo de caráter em nós. Mas, Senhor, nós Te pedimos: faz algo em nossa vida. Desafia-nos.

    Que possamos entregar ao Senhor Jesus tudo o que somos. Que Ele possa escolher o caminho que seguiremos. Ele escolherá nossa carreira. Ele escolherá tudo para nós, e nós O serviremos de coração.

    Se for assim, Ele assumirá plena responsabilidade por você em tudo. Ele abençoará você. Ele protegerá você. Ele proverá para você. Ele será tudo de que você precisar.

    Faz isso, Senhor, nós Te pedimos, por cada um de nós. Pedimos em nome de Jesus. Amém.