Jesus começou a pregar e a dizer:
Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus.
Vamos fazer uma oração.
Amado Senhor, queremos agradecer-Te por nos reunires novamente em Tua presença. Oramos para que nos concedas o espírito de sabedoria e de revelação no pleno conhecimento de Deus.
Como Te louvamos e Te agradecemos por nos teres mostrado que Jesus é o Senhor. E oramos, Senhor, nesta manhã, para que nos reveles ainda mais a Tua mente e o Teu coração, a fim de que sejamos atraídos para o Teu propósito e glorifiquemos o Teu nome.
Entregamos este tempo em Tuas mãos e esperamos em Ti para que operes em cada um de nossos corações. Para a glória de Deus, pedimos em Teu nome. Amém.
Creio que todos os irmãos e irmãs aqui sabem que o motivo de nos reunirmos neste ano é concentrar nossa atenção no Rei e no reino.
Nosso irmão, ontem à noite, nos deu uma visão do Rei, e esperamos que essa visão não apenas permaneça conosco, mas também se amplie durante esta semana.
Fui designado para falar sobre a igreja e o reino. Antes de tudo, precisamos saber qual é o significado bíblico da igreja, bem como do reino, para que, ao prosseguirmos compartilhando, saibamos exatamente do que estamos falando.
A palavra igreja é muito comum entre o povo de Deus. Infelizmente, porém, essa palavra em si não é uma tradução exata do original grego.
Na verdade, a palavra inglesa church, que usamos hoje para designar a igreja, vem de outra palavra grega, que significa “pertencente ao Senhor”. Em outras palavras, ela pode ser entendida como a assembleia dos cristãos ou pode ser usada para designar o lugar onde eles adoram.
Acho que, para a maioria das pessoas hoje, a igreja é um edifício onde os cristãos se reúnem. Essa parece ser a ideia comum. Portanto, não é uma tradução precisa e, por causa disso, creio que, ao longo dos séculos, o povo de Deus não tem compreendido com exatidão o que realmente significa a igreja que nosso Senhor Jesus está edificando.
A palavra traduzida como “igreja” vem da palavra grega ekklesia. Ekklesia significa “os chamados para fora, reunidos”. Aqueles que são chamados para fora do mundo se reúnem ao nome de nosso Senhor Jesus, e é exatamente isso que a igreja realmente significa.
Nosso Senhor Jesus disse:
Sobre esta pedra edificarei a Minha igreja;
e as portas do Hades não prevalecerão contra ela.
Nosso Senhor mencionou essa palavra, igreja, numa fase posterior de Sua vida. Depois de ser rejeitado por Seu povo, Ele Se retirou para a região de Cesareia de Filipe, que era uma cidade gentílica.
Ali, Ele fez uma pergunta aos Seus próprios discípulos:
Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?
É claro que Seus discípulos tinham ouvido muitos rumores. Mas, por respeito ao Mestre, não Lhe contaram tudo. Só Lhe contaram as coisas boas. Alguns diziam: “Tu és Elias, aquele grande profeta”. Outros diziam: “Tu és Jeremias”, porque Tu choras. Alguns não conseguiam identificar Quem Ele era e diziam que Ele era um dos profetas.
Tudo isso eram boas opiniões, mas nosso Senhor Jesus não ficou satisfeito. Sabe, costumo dizer que, para um chinês, se alguém disser que você é como Confúcio, acho que esse é o maior elogio. Provavelmente você dirá: “Não, não, não sou digno disso”.
Mas, quando Seus discípulos relataram ao nosso Senhor Jesus todas essas avaliações maravilhosas — do ponto de vista humano, não poderiam fazer elogios maiores do que esses —, nosso Senhor Jesus não ficou satisfeito, porque não O conheciam.
Então nosso Senhor Jesus Se voltou para Seus próprios discípulos e disse: “Vocês têm estado Comigo há alguns anos, dia e noite. Deveriam Me conhecer melhor. Então, Quem vocês acham que Eu sou?”
E, graças a Deus, Simão Pedro disse:
Tu és o Cristo,
o Filho do Deus vivo.
Quanto à Sua pessoa, Tu és o Filho do Deus vivo. Quanto ao Seu ministério, Tu és o Cristo, o Ungido de Deus, enviado para realizar um propósito definido.
Quando nosso Senhor Jesus ouviu isso, disse: “Simão, você é bem-aventurado, porque isso não é algo que seres humanos possam lhe dizer. Carne e sangue jamais Me conhecerão dessa maneira. Tudo o que podem saber, provavelmente, é que Eu sou como Elias ou algum outro profeta. Mas foi Meu Pai, Que está nos céus, Quem revelou isso a você”.
Irmãos e irmãs, somos bem-aventurados porque, dentre milhões de pessoas, Deus olhou para nós e revelou Seu Filho não apenas a nós, mas em nós.
Então o Senhor revelou o que ocupava o primeiro lugar em Seu coração. Em outras palavras, Ele veio a este mundo para buscar e salvar o perdido, mas havia algo além disso em Seu coração.
Foi então que o Senhor começou a revelar o que realmente estava em Seu coração. Essa foi a primeira vez que nosso Senhor Jesus mencionou a palavra igreja. Ele disse:
Tu és Pedro,
e sobre esta pedra edificarei a Minha igreja;
e as portas do Hades não prevalecerão contra ela.
Aqui está algo tremendo. Aqui está algo que ocupa o primeiro lugar no coração de nosso Senhor Jesus. Aqui está aquilo para o qual nosso Senhor Jesus realmente veio a este mundo.
Ele não veio apenas para buscar e salvar o perdido. Esse é somente o primeiro passo. A razão de Sua vinda é edificar Sua igreja.
A maneira pela qual Ele edificará Sua igreja é celestial; não é mundana de modo algum. Por quê? Porque Ele disse:
Tu és Pedro,
e sobre esta pedra edificarei a Minha igreja.
Em outras palavras, o fundamento da igreja é a confissão de Cristo. O fundamento da igreja é o próprio Cristo.
Mas aqueles que serão edificados sobre esse fundamento não são Simão; são Pedro. Em outras palavras, a igreja não é edificada com o homem natural, com a carne. A igreja é edificada com aquilo que é espiritual, com aquela vida que Deus nos deu.
Em outras palavras: “Você é Pedro. Minha vida está em você, e é com isso que edificarei Minha igreja”.
E contra aquilo que Ele edificou, nem mesmo as portas do Hades prevalecerão. Isso é algo que Deus desejou antes mesmo da fundação do mundo. É por isso que Deus enviou Seu Filho a este mundo. Foi para isso que o Filho veio.
Por ser algo de tão grande importância para Deus, vocês verão que todas as portas do Hades se abrem contra isso, para impedi-lo. Mas nosso Senhor Jesus disse: “Porque Eu estou edificando Minha igreja, as portas do Hades não prevalecerão contra ela”.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, isso é a igreja. A igreja é o que Deus deseja para Seu Filho amado.
A igreja deve ser o corpo de Cristo, como encontramos em Efésios 1:22-23:
E sujeitou todas as coisas debaixo dos Seus pés,
e O deu à igreja como Cabeça sobre todas as coisas,
a qual é o Seu corpo,
a plenitude Daquele Que enche tudo em todos.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, a igreja não é algo pequeno. Não podemos brincar de igreja. A igreja é algo que está no íntimo do coração de Deus, no coração de nosso Senhor Jesus.
Isso não é algo que o homem possa edificar. A razão de encontrarmos as chamadas igrejas sendo destruídas pelo inimigo ao longo dos séculos é que elas não são a igreja que o próprio Cristo está edificando. Se ela for edificada pelo próprio Senhor Jesus, o inimigo não poderá prevalecer contra ela.
Graças a Deus, ao lermos a Palavra de Deus, vemos que nosso Senhor Jesus mencionou a palavra igreja apenas duas vezes em Sua vida terrena: uma em Mateus 16 e outra em Mateus 18.
Ele disse que, se um irmão pecar contra você, você deve ir e procurar restaurá-lo. Se ele lhe der ouvidos, graças a Deus. Se não, sua responsabilidade ainda não terminou. Você precisa procurar outros dois irmãos, provavelmente respeitados por aquele que pecou, e ir novamente até ele, com duas ou três testemunhas, mostrando-lhe o que fez de errado.
Se ele lhes der ouvidos, você ganhará um irmão. Se não, então vá e diga à igreja.
Agora, irmãos e irmãs, a igreja é universal. Desde a primeira pessoa que creu no Senhor Jesus até a última antes de Sua volta, todos compõem a igreja. Ela se estende através do tempo e do espaço. Como você pode ir e dizer à igreja? Onde pode encontrá-la?
Aqui vemos que a igreja tem outro aspecto. Ela não possui apenas um aspecto universal; universalmente, a igreja é uma só. Desde a primeira pessoa que creu no Senhor Jesus até a última, somos todos membros do mesmo corpo, e nosso Senhor Jesus é o Cabeça da igreja.
Todos os princípios espirituais da igreja podem ser encontrados na igreja universal, como a autoridade de Cristo como Cabeça e a cooperação entre os membros do corpo de Cristo. Esses são princípios da igreja universal.
Mas ainda estamos neste corpo humano e, enquanto estivermos neste corpo humano, seremos limitados pelo tempo e pelo espaço. Embora espiritualmente tenhamos comunhão com todos os membros do corpo de Cristo ao longo dos séculos, fisicamente somos limitados pelo tempo e pelo espaço.
É por isso que a igreja tem outro aspecto: a igreja local, como a igreja em Jerusalém, a igreja em Antioquia, a igreja em Éfeso, e assim por diante. Isso se deve à nossa limitação humana.
Em Mateus 18, o Senhor Jesus nos mostrou o outro aspecto da igreja. Ele disse em Mateus 18:20:
Porque onde estiverem dois ou três reunidos em Meu nome,
aí estou Eu no meio deles.
Essa é a expressão mais simples da igreja local. Em outras palavras, vivemos em uma comunidade. Quando nosso Senhor Jesus estava na terra, Ele visitava cidades e aldeias. Lembrem-se: as cidades daquela época não eram como as nossas cidades de hoje.
As nossas são cidades metropolitanas que incluem muitas, muitas comunidades. Mas, naquela época, uma cidade era uma unidade, e uma aldeia era uma unidade, onde as pessoas se reuniam, se conheciam e viviam juntas.
Assim, nosso Senhor Jesus disse:
Onde estiverem dois ou três reunidos.
Esse é o menor número adequado. Há dois ou três que creem no Senhor Jesus, e eles se reúnem.
Eles não se reúnem sob nenhum outro nome. Reúnem-se ao nome de nosso Senhor Jesus.
Irmãos e irmãs, às vezes tratamos um nome com muita casualidade, como se ele quase nada significasse. Mas, para Deus, um nome é muito importante.
A igreja local se reúne ao nome de nosso Senhor Jesus. Isso significa simplesmente que, quando você assume o nome do Senhor Jesus, você O recebe como seu Cabeça.
Você permite que Ele tenha pleno controle sobre sua vida. Esses dois ou três se colocam sob a autoridade de Cristo como Cabeça e se reúnem para adorá-Lo, servi-Lo e glorificá-Lo.
O Senhor Jesus disse: “Isso é uma igreja local”. Portanto, irmãos e irmãs, basicamente, essa é a igreja da qual estamos falando.
Agora, quanto ao reino, nosso irmão já mencionou ontem à noite que a ênfase do reino não está no território; está na pessoa, no Rei.
Creio que o irmão T. Austin-Sparks disse que a palavra reino não é compreendida corretamente. Se você realmente compreender o que o reino significa, verá que significa simplesmente governo soberano.
Em outras palavras, quando você pensa no reino, não pensa primeiro no território. Você pensa primeiro no Rei. Na verdade, o Rei caracteriza o que o reino é.
Portanto, quando falamos do reino, como nosso irmão já mencionou, o foco está realmente no próprio Rei, no próprio Senhor Jesus.
Quanto ao reino de Deus, esse termo é muito abrangente. De eternidade a eternidade, Ele é Deus. Portanto, tudo o que Ele criou é Seu reino. Seu governo está sobre tudo.
Podemos encontrar isso em Salmos 145:13:
O Teu reino é um reino eterno,
e o Teu domínio permanece por todas as gerações.
Também em 1 Crônicas 29:11-13:
Tua é, Senhor, a grandeza, e o poder, e a glória, e a vitória, e a majestade;
porque tudo quanto há nos céus e na terra é Teu.
Teu é, Senhor, o reino,
e Tu Te exaltaste como Cabeça sobre todos.
Riquezas e honra vêm de Ti, e Tu dominas sobre tudo;
na Tua mão há força e poder;
e na Tua mão está o engrandecer e o dar força a todos.
Agora, pois, ó nosso Deus, nós Te damos graças,
e louvamos o Teu glorioso nome.
Quando você pensa no reino de Deus, ele se estende de eternidade a eternidade e abrange os céus e a terra, porque nosso Deus é o Criador e Governante de tudo.
Mas, quando você fala do reino dos céus, que é uma expressão específica, só a encontra em Mateus.
Agora, se você examinar as Escrituras, poderá encontrar outras duas passagens — uma no Antigo Testamento e outra no Novo Testamento — que expressam o mesmo pensamento. Por exemplo, em Daniel 4, está escrito que os céus dominam. No Novo Testamento, você encontra isso em 2 Timóteo 4, perto do final, onde o apóstolo Paulo aguarda o reino celestial.
Mas, fora essas passagens, essa é uma expressão específica usada no Evangelho segundo Mateus.
Agora, queridos irmãos e irmãs, quando pensamos no evangelho, geralmente pensamos no Evangelho segundo Lucas. Por quê? Porque em Lucas encontramos o evangelho da graça: nosso Senhor Jesus veio buscar e salvar o perdido.
Ele visa à nossa salvação. É graça do princípio ao fim. Assim, quando pensamos no evangelho, na verdade pensamos apenas na graça e em nada mais.
Mas, segundo o pensamento de Deus, o Evangelho segundo Mateus foi soberanamente colocado antes do Evangelho de Lucas. Do ponto de vista do homem, o evangelho é o Evangelho de Lucas, o evangelho da graça. Mas, do ponto de vista de Deus, o evangelho é o evangelho do reino dos céus.
Portanto, em Mateus, vemos que essa expressão é muito específica. Agora, o reino de Deus e o reino dos céus não são exatamente a mesma coisa. O reino dos céus está dentro do reino de Deus.
O reino de Deus é o governo abrangente de Deus. Mas, dentro desse governo abrangente, há uma parte que chamamos de reino dos céus. Essa parte começa com a primeira vinda de Cristo.
Quando nosso Senhor Jesus veio, começou a pregar:
Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus.
Sua primeira vinda introduziu o reino dos céus, e ele será consumado em Sua segunda vinda. Em Sua segunda vinda, Ele estabelecerá Seu reino dos céus nesta terra. Em outras palavras, naquele tempo, o céu governará sobre esta terra.
Portanto, quando falamos do reino, nossa ênfase está mais especificamente no reino dos céus. Por quê? Porque ele tem uma relação especial conosco.
Todos sabemos que este mundo no qual vivemos hoje passou por uma catástrofe. Não sabemos quando isso aconteceu, mas sabemos disso ao examinar as Escrituras.
Como encontramos em Gênesis 1:1:
No princípio, Deus criou os céus e a terra.
Irmãos e irmãs, quando Deus criava alguma coisa, jamais a deixava pela metade. Quando criava algo, Ele falava, e estava feito. Por isso, cremos que, quando Deus criou os céus e a terra, os céus e a terra estavam completos.
Como encontramos no livro de Jó, quando Deus lançou os fundamentos da terra, as estrelas da manhã — que se referem aos anjos — cantaram de alegria.
Nos céus e na terra originais, havia harmonia. Deus governava sobre tudo e era adorado sem nenhum problema.
Infelizmente, porém, vemos em Gênesis 1:2 que a terra se tornou sem forma e vazia. Em outras palavras, uma catástrofe, em tempos pré-históricos, havia atingido este mundo.
Não queremos entrar nesse assunto, mas, se vocês quiserem saber a respeito, examinem Isaías 14. Ali encontrarão Lúcifer, o arcanjo, e como ele se rebelou contra Deus. Essa é a razão de a terra ter passado por uma catástrofe e ter sido coberta pelas águas. Tudo estava morto.
Graças a Deus, vemos que o Espírito de Deus pairava sobre a face do abismo. Seu amor veio sobre esta terra arruinada e a tornou novamente habitável.
Em seis dias, Deus criou e tornou esta terra habitável. Somente no sexto dia vemos que o homem, tal como nós, foi criado.
Mas, quando Deus criou o homem, foi maravilhoso, porque Ele criou o homem de uma maneira que nunca havia usado antes. Ele nunca havia criado os anjos dessa maneira. Embora os anjos fossem espíritos, quando Ele criou o homem, criou-o segundo Sua própria imagem, conforme Sua própria semelhança.
Por que foi assim? Porque Deus tinha um propósito por trás disso. Ele queria usar o homem, um pouco menor que os anjos, para derrotar o anjo rebelde.
Deus não recebe glória simplesmente por destruir Satanás. Mas recebe grande glória quando pode usar alguém inferior aos anjos, que se submeta a Ele de tal maneira que se torne o instrumento para derrotar Seu inimigo.
Essa é a razão primordial pela qual nosso Senhor Jesus veio ao mundo. Deus enviou Seu Filho a este mundo para ser o Homem que derrotaria Seu inimigo.
Portanto, irmãos e irmãs, quando nosso Senhor Jesus veio a este mundo pela primeira vez, começou a pregar. O evangelho que Ele pregou foi o evangelho do reino.
Ele disse:
Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus.
Irmãos e irmãs, Ele veio a este mundo como Rei.
Mas, naquele momento, Ele ainda não tinha um reino. Em outras palavras, o Rei havia chegado, mas onde estavam os cidadãos, o povo do reino?
É por isso que, quando nosso Senhor Jesus tinha trinta anos, apresentou-Se e começou a pregar o evangelho — o evangelho do reino dos céus:
Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus.
Ele disse que o reino se havia aproximado porque o Rei estava aqui. Mas Ele ainda não tinha um povo. Por isso, estava aqui pregando o reino dos céus, procurando encontrar um povo para Si.
Em Colossenses 1:13, está escrito:
Ele nos libertou do poder das trevas,
e nos transportou para o reino do Filho do Seu amor.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, essa é a razão primordial pela qual nosso Senhor Jesus veio. Ele veio nos libertar do reino das trevas, do poder das trevas.
Sabemos que, desde o pecado de Adão, todos estávamos sob o poder das trevas. Vocês encontram isso em Efésios 2.
Quando nosso Senhor Jesus veio, Ele veio nos libertar do poder das trevas. Irmãos e irmãs, isso é mais do que algo pessoal. Graças a Deus, é pessoal, porque estávamos mortos em pecados e transgressões, desamparados, sem Deus e sem esperança.
Graças a Deus, em Seu amor e misericórdia, Ele enviou Seu Filho amado para vir nos salvar. Por Seu sangue, nossos pecados foram perdoados. Por Sua morte, Sua vida foi liberada e nos foi dada. Hoje somos nascidos de novo.
Fomos libertos no que diz respeito à nossa posição. Mas, irmãos e irmãs, isso não é apenas pessoal; é coletivo. Fomos libertos do poder das trevas. Já não estamos sob o poder das trevas como antes.
Ele nos libertou e nos transportou para fora desse poder, para o reino do Filho do amor de Deus. Essa é a nossa posição hoje.
Portanto, em certo sentido, quanto à nossa posição, irmãos e irmãs, todos estamos no reino dos céus.
Então, quando chegamos a Mateus 11, o Senhor Jesus começou a dizer que o reino dos céus sofre violência, e os violentos se apoderam dele.
Em outras palavras, aqui vemos que nosso Senhor Jesus já havia chamado pessoas e tinha discípulos. Havia pessoas que não apenas criam Nele, mas se submetiam a Ele e O seguiam.
Então Ele disse: “O reino dos céus não está apenas próximo agora; o reino dos céus já está aqui”. Como você pode entrar no reino dos céus em realidade — não apenas em posição, mas em realidade? Ele disse:
Os violentos se apoderam dele.
Essas são palavras muito fortes, quase palavras de batalha. É preciso apoderar-se do reino dos céus. Não é algo em que você entra simplesmente se deixando levar. Não é algo que seja automaticamente seu.
Embora você tenha essa posição, isso não significa que tenha essa posse. Como você realmente tomará posse do reino dos céus? Ele diz que é necessário haver violência.
A palavra violento é uma palavra muito negativa para nós, porque tem conotações muito negativas. Mas, rigorosamente falando, a palavra violento é neutra. Depende de contra quem você exerce essa violência.
Se você exerce violência contra outras pessoas, isso é realmente pecaminoso. Mas, se exerce violência contra si mesmo, isso é algo louvável.
Basta olhar para nosso Senhor Jesus. Ao longo de Sua vida, Ele exerceu violência contra Si mesmo. Nunca procurou satisfazer Sua carne. Nunca procurou fazer nada para agradar a Si mesmo. Até o momento de agir não estava em Suas próprias mãos.
Irmãos e irmãs, vemos que nosso Senhor Jesus viveu uma vida em que exerceu violência contra Si mesmo. Ele abriu mão de Si, submeteu-Se e obedeceu ao Pai até a morte, sim, a morte de cruz.
Vocês encontram a luta no jardim do Getsêmani, porque Ele era humano. Mas ali O vemos dizendo:
Não se faça a Minha vontade,
mas a Tua.
Que violência Ele exerceu contra Si mesmo! Irmãos e irmãs, porque Ele exerceu violência contra Si mesmo, trouxe o reino até nós.
É por isso que, se você deseja realmente ganhar o reino, há um preço que precisa pagar.
Agora, nesta manhã, gostaríamos de falar sobre como o reino edifica a igreja.
Sabe, ao olhar para a igreja hoje, provavelmente você ficará decepcionado. Na verdade, se olhar honestamente para si mesmo, ficará decepcionado consigo mesmo.
Por que não somos o que deveríamos ser? Por que a igreja não está edificada? Para onde quer que você olhe, há decadência. Mesmo quando olha para si, há derrota.
Por que é assim? Precisamos ser assim? Há alguma esperança para a igreja?
Creio que essa é uma questão muito urgente, não apenas para nós individualmente, mas também coletivamente. Por que a igreja não está edificada? Ou, colocando de maneira positiva, como a igreja pode ser edificada? Mesmo pessoalmente, como posso ser edificado em Cristo?
A igreja é edificada pelo reino. Se permitirmos que a verdade do reino realmente opere em nossa vida, então veremos que a igreja será edificada.
Por exemplo, gosto de usar uma fórmula simples. Sabe, na década de 1960, o irmão Sparks, o irmão DeVern e eu costumávamos ministrar juntos na Conferência de Mahanaim.
Certo ano, estávamos falando sobre isso, e tentei ajudar os irmãos e irmãs a chegar a uma compreensão clara do que a igreja realmente é. Então me voltei para o irmão Sparks e disse: “Você precisa me desculpar, porque sei que o irmão Sparks é tão espiritual que é contra todas as fórmulas”.
Então eu disse: “Vou usar uma fórmula. Se neste mundo vocês tivessem apenas três cristãos, e esses três cristãos fossem os melhores cristãos do mundo — por exemplo, Pedro, João e Tiago —, nada poderia ser melhor do que isso”.
“Agora, vocês concluiriam que, com essas três pessoas juntas, teriam uma igreja gloriosa.” Mas creio que, se vocês lerem as Escrituras, verão que isso não é verdade.
Pedro sempre gostava de ser o cabeça. João e Tiago não eram diferentes, porque, quando viram a última oportunidade, quando nosso Senhor Jesus estava a caminho de Jerusalém, acharam que o Senhor seria coroado.
O que poderiam fazer? Eles haviam disputado entre si durante todos aqueles anos, mas nada havia acontecido. Então vemos que recorreram à mãe deles.
Humanamente falando, a mãe deles era tia de nosso Senhor, e a palavra de uma tia tem peso. É claro que a mãe deles ficou contente em fazer isso. Ela levou os dois filhos até o Senhor Jesus e disse: “Temos um pedido”.
“Promete que nos atenderás.” Acho que não se sentiram muito à vontade ao dizer isso. Estavam um pouco envergonhados, mas queriam aquilo demais.
O Senhor nunca assina um cheque em branco. O Senhor disse: “O que vocês realmente querem?”
Então ela respondeu: “Meus dois filhos, quando Tu Te assentares no trono, um à Tua direita e outro à Tua esquerda”.
O Senhor disse: “Isso não é algo que Eu possa conceder. Meu Pai o concederá. Mas vocês podem beber o cálice que Eu vou beber? Podem ser batizados com o batismo com que Eu vou ser batizado?”
Sem realmente saberem o que era, disseram: “Podemos”. Mas o Senhor disse: “Cabe ao Meu Pai conceder isso”. E vocês sabem que os outros dez ficaram indignados. Por quê? Aqueles dois irmãos haviam passado à frente deles.
Portanto, irmãos e irmãs, se vocês tiverem os melhores cristãos do mundo para formar a igreja, terão um problema.
Então eu disse: “Agora, se não é assim, vamos usar outra fórmula. O que é a igreja? O Cristo em Pedro, mais o Cristo em João, mais o Cristo em Tiago, é igual à igreja. Está certo?”
Muitas pessoas disseram: “Sim”. Bem, vocês dizem que sim. Ah, não. Eu disse: “Não”. Por quê? Porque, mesmo que vocês tenham o Cristo nessas três pessoas, o que dizer dessas três pessoas fora de Cristo? Elas também estão ali.
Enquanto elas estiverem ali, haverá um problema. Por melhor que você seja, enquanto a carne estiver presente, sempre haverá um problema.
Então, finalmente, eu disse: “Agora, o que é a igreja? A igreja é Cristo em Pedro menos Pedro, Cristo em João menos João, Cristo em Tiago menos Tiago: isso é igual à igreja”. E todos disseram: “Amém”.
Irmãos e irmãs, a edificação da igreja não é tão simples quanto pensamos. Se o Senhor nos pedisse para edificar uma igreja, qual seria o resultado? O resultado seria uma torre de Babel. Isso é tudo o que podemos fazer.
Quanto ao problema de a igreja não estar edificada, muitas vezes dizemos que Satanás é o problema. Mas, rigorosamente falando, ele não é o problema. O problema sou eu, é você, somos nós mesmos. Esse é o problema.
Esse é o maior problema para nosso Senhor Jesus. Ele não tem problema para lidar com Satanás nem para lidar com o mundo, mas tem um problema para lidar conosco. Nós somos o problema.
Por mais amável que você seja, você é o problema. É por isso que a exigência é elevada.
Nada pode realmente edificar a igreja, a não ser a verdade do reino. Quando a verdade do reino realmente penetra em nosso coração e sabemos o que ela exige, então, irmãos e irmãs, a menos que exerçamos violência contra nós mesmos, não poderemos nos apoderar dele.
Esse é o único caminho: o caminho da cruz.
É por isso que, ao considerarmos a Grande Comissão em Mateus 28, muitas vezes dizemos que estamos obedecendo à Grande Comissão: “Vão ao mundo e evangelizem o mundo”. Essa é a Grande Comissão.
Mas, irmãos e irmãs, se vocês lerem com muita atenção, verão que estão enganados. Não que Deus não queira que saiamos pelo mundo e o evangelizemos. Esse é o primeiro passo; isso é verdade.
Mas, quando vocês leem com atenção, o que diz a Grande Comissão?
Ide, fazei discípulos de todas as nações,
batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo;
ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado:
e eis que Eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos.
Essa é a Grande Comissão. A Grande Comissão é o discipulado. Mas não é possível alguém se tornar discípulo se não for crente. Ele precisa ser crente para ser discipulado.
Mas ser crente e ser discípulo — essas duas coisas andam juntas. Você não pode separá-las. Nosso problema hoje é que separamos o crente do discípulo. Pensamos que podemos ser crentes sem ser discípulos.
Mas, no coração de Deus, na vontade de Deus, essas duas coisas andam juntas.
O que significa ser discipulado? Mais uma vez, podemos entender isso de maneira muito equivocada. Pensamos que somos enviados para discipular todas as nações — isto é, para fazer delas nossos próprios discípulos.
Ora, isso é um grande erro. De certa forma, neste país, na década de 1960, houve o movimento carismático, um grande movimento. Muitas pessoas foram salvas — protestantes, católicos, ortodoxos. Um começo glorioso.
Mas depois, à medida que o movimento prosseguia, o discipulado começou a entrar. Quando esse ensino sobre discipulado surgiu, as pessoas tentaram colocá-lo em prática. Em vez de discipular as pessoas para Cristo, tentaram fazer delas discípulos de homens.
Isso causou um grande problema entre o povo de Deus. Quase desfez o movimento carismático.
Irmãos e irmãs, o que significa ser discípulo? Ser discípulo significa simplesmente deixar tudo para trás, colocar-se inteiramente sob a autoridade do seu Mestre e permitir que Ele o mude e o transforme, até que você se torne quase como Ele.
Isso é discipulado. Irmãos e irmãs, nosso Senhor Jesus é nosso único Mestre. Ele disse: “Não chamem as pessoas de mestre. Vocês têm apenas um Mestre”.
O próprio Senhor é nosso Mestre. Podemos orientar as pessoas, ajudá-las a buscar o Senhor e levá-las ao Senhor. Isso é tudo o que podemos fazer. Não podemos mudar ninguém.
Mas podemos levá-las ao Senhor. Se as levarmos ao Senhor e deixarmos que o Senhor as discipule, que o Senhor as transforme, então, irmãos e irmãs, vocês verão a obra que Ele pode fazer.
Portanto, a igreja deve ser edificada pelo reino. Primeiro: a pregação do reino.
A pregação do reino dos céus precisa ser retomada e precisa prosseguir. Quando alcançar o mundo inteiro, então virá o fim. Isso foi prometido por nosso Senhor em Mateus 24.
Quando o evangelho do reino dos céus tiver alcançado o mundo inteiro, até os confins da terra, então virá o fim. Antes de tudo, precisamos espalhar o evangelho do reino dos céus.
Segundo: não se trata apenas de pregar. Quando ouvimos que o reino dos céus está vindo, o que devemos fazer?
Temos uma posição nesse reino, mas estamos de posse desse reino? Se queremos possuir o reino, há apenas um caminho: precisamos exercer violência contra nós mesmos.
Não satisfazer a nós mesmos, mas nos colocar inteiramente sob o governo soberano e absoluto de Cristo e permitir que o Espírito Santo nos guie e nos conduza.
Sabe, quando Ele trata conosco, trata com muita delicadeza. Deus nunca trata de algo de uma maneira que quase leve você à morte. Não.
Quando o Espírito Santo trata conosco, Ele trata com delicadeza, suavemente, mas de modo constante.
Quando Deus apareceu a Elias, ele ouviu o vento, mas Deus não estava ali. Viu o fogo, mas Deus não estava ali. Viu o abalo, o terremoto, mas Deus não estava ali. Porém, numa voz mansa e suave, Deus veio.
Portanto, irmãos e irmãs, quando nosso Senhor Jesus, por Seu Espírito em nós, trata conosco para nos levar à realidade do reino dos céus, Ele vem de maneira tão suave.
Ele avalia nossa condição. Sabe exatamente quanto pode operar em nós, mas trabalhará fiel e persistentemente em nossa vida até que a obra esteja concluída.
Então perguntamos: “Como a igreja pode ser edificada?” Ela é edificada pelo reino. Que o Senhor prepare nosso coração para realmente nos entregarmos em Suas mãos.
Não há nada melhor, nada mais doce do que isso.
Deixem-me compartilhar um segredo com vocês. Como podemos suportar tamanha violência? Não podemos.
Mas, graças a Deus, quando o Espírito Santo nos conduz à morte, Ele nos revela o amor de Deus. Somente Seu amor nos faz atravessar isso. Esse é o segredo.
Portanto, que o Senhor nos ajude. Vamos orar?
Amado Senhor, reconhecemos que em nós mesmos não há bem algum.
Revela-nos agora o Teu amor de tal maneira que ele derreta nosso coração e nos permita fazer aquilo que não podemos fazer.
Para que hoje possamos nos entregar inteiramente, a fim de que Tu possas realmente edificar a Tua igreja, e as portas do Hades não prevaleçam contra ela.
Glorifica a Ti mesmo. Pedimos em Teu nome. Amém.