Por favor, abram em 1 Tessalonicenses, capítulo 4. Vamos ler a primeira parte de 1 Tessalonicenses 4:3.
Porque esta é a vontade de Deus: a vossa santificação.
Agora, 1 Tessalonicenses 4:7:
Porque Deus não nos chamou para a impureza, mas para a santificação.
E, por favor, passem para o capítulo 5. Vamos ler 1 Tessalonicenses 5:16-18.
Regozijai-vos sempre;
Orai sem cessar;
Em tudo dai graças: porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco.
Vamos fazer uma oração.
Querido Senhor, ao nos reunirmos aqui nesta manhã, nossos corações estão cheios de gratidão. Ao nos lembrarmos de Ti à Tua mesa, Senhor, vemos a nossa indignidade; mas nós Te louvamos e agradecemos porque vemos ainda mais a Tua dignidade.
Quem somos nós, para que olhes para nós e nos ames até o fim? Ó querido Senhor, Tu tocaste nossos corações. Somos Teus para sempre, Teus; e estamos dispostos, pela Tua graça, a seguir-Te até o fim.
Seja qual for o Teu propósito em nossas vidas, Senhor, realiza-o, para que sejas glorificado. Nós Te agradecemos por nos dares esta oportunidade de compartilhar a Tua Palavra. A Tua Palavra é vida, viva e operante.
E confiamos que o Teu Espírito Santo vivifique a Tua Palavra em nossos corações. Que a Tua Palavra seja a nossa vida, para que sejas glorificado. Entregamos este tempo em Tuas mãos, confiando no Teu próprio agir. Pedimos em Teu nome. Amém.
Creio, irmãos e irmãs, que todos conhecemos o tema deste encontro. Ele foi extraído de 1 Tessalonicenses 2:12:
Andai de modo digno de Deus.
E ontem pela manhã compartilhamos um pouco sobre o que é o reino de Deus. O reino de Deus é onde Deus governa. O reino de Deus é onde Sua soberania é respeitada e obedecida. O reino de Deus recebe seu caráter do próprio Deus. Quem Deus é e o que Deus é determinam a natureza do Seu reino.
Também falamos sobre o reino de Deus ser chamado de reino do Filho do amor de Deus. É o mesmo reino, porque o propósito de Deus está centrado em Seu Filho unigênito. Ele deu o reino ao Seu Filho. Constituiu Seu Filho Rei dos reis e Senhor dos senhores, e devemos obedecer a Ele, submetendo-nos inteiramente ao Seu governo.
O reino de Deus não é deste mundo. É o reino dos céus, porque ali, em Seu reino, os céus governam os assuntos dos homens.
Nosso Senhor Jesus disse:
O Meu reino não é deste mundo.
Eu vim para dar testemunho da verdade.
Portanto, o reino de Deus é um reino espiritual. Não é comida nem bebida; é justiça, paz e alegria no Espírito Santo.
Irmãos e irmãs, quando cremos no Senhor Jesus, ao sermos salvos, provavelmente todo o nosso pensamento se concentra no que Ele fez por mim e no que recebi Dele. Essa é a nossa ênfase.
Mas, quando nosso Senhor Jesus começou a pregar o evangelho, Ele pregou o evangelho do reino de Deus. Mesmo depois de Sua ressurreição, durante os quarenta dias em que apareceu aos Seus discípulos, Ele lhes falou a respeito do reino de Deus.
Foi Ele Quem deu início a essa mensagem, e vemos que os apóstolos a seguiram e a reforçaram. Deus usou milagres, prodígios e distribuições do Espírito Santo para confirmá-la.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, o evangelho, conforme o conhecemos na Palavra de Deus, é uma salvação tão grande. É aquilo que nosso Senhor pregou, que Seus discípulos e Seus apóstolos pregaram; e esse é o evangelho que devemos proclamar.
Quando somos salvos, acontece algo que vai muito além do âmbito pessoal. Antes de sermos salvos, como já dissemos, estávamos mortos em pecados e transgressões. Seguíamos o curso deste mundo. Não podíamos evitar isso, porque, por trás do mundo, há o poder das trevas que governa e controla a todos.
Éramos inimigos de Deus. Essa era a nossa posição antes de crermos no Senhor Jesus. Mas, graças a Deus, como vemos em Colossenses 1:13, Deus nos transportou do reino das trevas para o reino do Filho do Seu amor.
Portanto, irmãos e irmãs, quando cremos no Senhor Jesus, há algo além daquilo que ganhamos pessoalmente ao crer no Senhor. Há uma mudança de posição.
Deus nos libertou do poder das trevas, assim como salvou os filhos de Israel: Ele os libertou da tirania de Faraó e os transportou para a terra que mana leite e mel. Da mesma maneira, vemos que, ao crermos no evangelho, Deus faz o mesmo conosco.
Nossa posição hoje já não é debaixo do poder das trevas. Agora, quanto à nossa posição, fomos transportados para o reino do Filho do amor de Deus.
Mas, irmãos e irmãs, posição é uma coisa; posse é outra. A posição nos dá a possibilidade, o potencial; mas a posse é a herança efetiva.
Então, quando Deus nos transportou para o reino do Filho do Seu amor, o que havia em Seu coração? Ele não quer que tenhamos apenas uma posição. Quer que possuamos o reino. Quer que sejamos transformados e conformados à imagem de Seu Filho amado, para que entremos em nossa herança.
É como aconteceu com os filhos de Israel: Deus lhes prometeu a terra de Canaã, mas eles precisavam entrar nela. Onde colocassem os pés, aquele lugar lhes pertenceria.
Da mesma maneira, irmãos e irmãs, não pensem que, por termos uma posição no reino de Deus, o reino de Deus já seja nosso. Ele nos foi prometido. Foi destinado a ser a nossa herança. Mas algo mais é necessário: precisamos colocar os pés nele. Precisamos pisá-lo. Precisamos reivindicá-lo para possuí-lo.
Portanto, a ênfase deste encontro está em andar de modo digno do reino de Deus. Quando você lê a palavra andar, imediatamente percebe que não se trata apenas de uma posição. Esse andar se baseia em uma posição, e você começa a andar nela; isso é experiência.
Não significa que, por você ter recebido essa posição no reino de Deus, o reino de Deus seja automaticamente seu. Você pode possuí-lo, e ele foi destinado a você. Essa é a vontade de Deus para você. Mas você pode perdê-lo. Pode deixar de alcançá-lo.
Como nosso irmão mencionou ontem à noite, lembrem-se de Esaú e Jacó. Esaú nasceu primeiro. Ele tinha o direito de primogenitura. Entre os judeus daquela época, o direito de primogenitura era muito importante, porque o primogênito era o sacerdote da família. Cabia a ele dar continuidade às promessas de Deus a Abraão.
E ele tinha a porção dobrada da herança. Esse era o seu direito; aquilo lhe pertencia. Mas, infelizmente, vemos que Esaú, embora tivesse a posição de primogênito, a perdeu.
Ele a perdeu por uma tigela de sopa de lentilhas. Desprezou o direito de primogenitura e, mesmo depois, chorou e clamou, mas não pôde recuperá-lo.
Portanto, irmãos e irmãs, há uma esperança, uma esperança gloriosa, apresentada a cada um de nós: temos o privilégio de tomar posse daquilo que nos pertence. Temos o privilégio do filho primogênito. Mas isso não significa que seja automaticamente seu. Precisamos andar de modo digno do reino de Deus.
Agora, é claro, sabemos que andar de modo digno do reino de Deus é algo que está além da nossa capacidade.
Nosso irmão mencionou o Sermão do Monte. Algumas pessoas consideram o Sermão do Monte uma lei mais elevada. Precisamos cumpri-lo, assim como os filhos de Israel: Deus lhes deu os Dez Mandamentos, a lei. “Farás; não farás.” Você precisa obedecer. Precisa fazer. Se fizer, então vocês serão o Meu povo, e Eu serei o seu Deus. É condicional.
De alguma forma, esse tipo de impressão está profundamente arraigado em nosso pensamento. Pensamos que, para alcançar o reino, para andar de modo digno do reino, precisamos nos esforçar ao máximo. Se tentarmos, talvez o alcancemos; se não tentarmos, certamente não o teremos.
Lembro-me de quando eu era menino, um adolescente. Isso foi na década de 1930. Um movimento estava começando na Inglaterra e se espalhou pelo mundo. Chegou até à China. Era chamado de movimento do Grupo de Oxford.
Foi fundado por Frank Buchman. Eles tomaram o Sermão do Monte como seu objetivo. Enfatizavam quatro absolutos. Agora, esqueci três deles; só consigo me lembrar de um, que era a pureza absoluta.
Então, procuravam viver de acordo com o Sermão do Monte: absolutamente puros, absolutamente honestos, absolutamente autênticos. Quando chegaram à China, alguns cristãos da classe alta aderiram ao movimento do Grupo de Oxford.
Havia um homem muito conhecido na China, no meio literário cristão, respeitado pelas pessoas, que aderiu ao movimento. Mais tarde, durante a guerra, nós nos encontramos em Chongqing. Embora ele fosse muito mais velho do que eu, nós nos reunimos, e ele abriu seu coração para mim.
Era uma pessoa muito honesta, muito respeitada. Mas me disse que, toda vez que ficava fisicamente debilitado, todos os seus pecados passados voltavam à sua lembrança e o perturbavam. Precisava confessar cada pecado, repetidas vezes, para conseguir paz. Uma alma atormentada.
Procurei compartilhar com ele a preciosidade do sangue do nosso Senhor Jesus. Uma vez que purificou, purificou para sempre. Deus disse:
Eu perdoarei e Me esquecerei.
Mas, de alguma forma, ele não conseguia assimilar isso. Que pena.
Se não tentarmos cumprir o Sermão do Monte, provavelmente nos sentiremos melhor. Podemos até nos enganar, pensando que somos melhores do que qualquer outra pessoa. Está tudo bem conosco. Mas, quando você realmente tenta seguir o Sermão do Monte — se você tentar —, isso vai matá-lo.
Em um sentido muito real, irmãos e irmãs, o reino de Deus é tão celestial, tão espiritual, tão próprio de Deus, tão próprio de Cristo Jesus, que está além da capacidade de qualquer pessoa cumprir essa lei.
Portanto, antes de tudo, creio que precisamos ter muita clareza: andar de modo digno do reino de Deus não é andar por nossa própria força, por nós mesmos. Antes, usávamos a nós mesmos para cometer pecados; agora mudamos e dizemos que usaremos nossa própria carne para cumprir a lei de Deus. Tentem. Ninguém consegue.
Como diz a Bíblia, isso é impossível aos homens. Mas não significa que seja impossível para Deus. Portanto, irmãos e irmãs, andar de modo digno do reino de Deus é uma questão de graça.
A graça inicia nossa vida espiritual, e a graça a leva à sua conclusão. Desde o primeiro dia em que cremos no Senhor Jesus até o último dia, quando O veremos face a face, tudo é graça — graça sobre graça.
O que nosso Senhor Jesus fez na cruz do Calvário nos deu a posição. Ele disse:
Está consumado.
Isso significa que não resta nada a ser feito no que diz respeito à salvação de Deus. Tudo foi feito. Você não pode acrescentar nada; não pode retirar nada.
O que Cristo fez nos dá a posição. Ele nos conduziu para dentro do Seu reino. Ele fez isso. Mas, para que tudo o que Cristo fez se torne nossa experiência pessoal — em outras palavras, para que aquilo que Cristo fez há dois mil anos se torne aquilo que Ele está fazendo em você e em mim hoje —, é preciso haver uma aplicação.
Aquilo que Ele declarou consumado fora de Jerusalém, no Calvário, é, por assim dizer, transferido, aplicado, e se torna experiência pessoal e operante em nossas vidas pelo Espírito Santo. Isso é experiência.
Posso colocar desta maneira? O que Cristo fez na cruz do Calvário é a verdade objetiva — toda a verdade, nada além da verdade. Você não pode retirar nada dela; não pode acrescentar nada. Essa é a salvação que nosso Senhor Jesus realizou por nós.
Mas Cristo se torna real dentro de nós pelo Espírito Santo. É por isso que, quando somos salvos, Deus não apenas renova nosso espírito:
O que é nascido do Espírito é espírito.
Ele também coloca Seu próprio Espírito dentro do nosso espírito.
Por quê? Porque Ele está ali para realizar a obra de transferir, de traduzir para o nosso próprio ser, aquilo que Cristo fez há dois mil anos. Ele se torna nossa experiência diária. Cristo se torna real e vivo para nós, e somos capacitados a dizer, como Paulo:
Para mim, o viver é Cristo.
Irmãos e irmãs, essa é a obra do Espírito Santo. Portanto, por meio das duas obras — uma realizada pelo Filho de Deus, outra pelo Espírito Santo —, vemos que tomamos posse daquilo que nos pertence. É assim que podemos andar de modo digno do reino de Deus.
Agora, tendo dito isso, veremos como Paulo consolou esses jovens cristãos em Tessalônica e lhes deu testemunho.
Sabemos que Paulo era fariseu, mas ele não instruiu nem ajudou aqueles jovens cristãos em Tessalônica como um fariseu — isto é, como alguém que se senta no trono, que não move nem um dedo, mas apenas instrui, ordena e dá leis para as pessoas obedecerem. Era assim que os fariseus ensinavam as pessoas.
Mas não era assim com nosso Senhor Jesus. Nem com Paulo. Vemos na primeira carta aos tessalonicenses, no primeiro capítulo, como Paulo mencionou que, quando estava entre eles, era como uma ama entre eles — não apenas um mestre, mas uma ama.
Há uma grande diferença entre uma ama e um mestre. A ama também ensina as crianças, mas cuida delas. Ela as cria. Podemos dizer que compartilha sua vida com as crianças e as ajuda a crescer.
E ele também mencionou que, quando estava entre eles, era como um pai para eles. Há uma diferença entre a maneira como um pai ensina seus filhos e a maneira como um mestre ensina as crianças. Espera-se que um pai crie seus filhos na admoestação e na disciplina do Senhor.
Você vê que o pai dá o exemplo. Ele vive diante de seus filhos. Em tudo o que ensina aos filhos, ou sempre que os disciplina, ele é o modelo; é um exemplo. É por isso que os filhos obedecem.
Agora, se o pai não dá esse exemplo e tenta ensinar os filhos, então eles dizem: “E você?” Essa é a diferença.
Assim, vemos que, quando o apóstolo Paulo instruiu e ajudou esses jovens cristãos tessalonicenses e lhes deu testemunho, apresentou-se diante deles como exemplo. Embora seu tempo com eles tenha sido curto, se vocês lerem 1 Tessalonicenses, verão como ele viveu entre eles, como trabalhou com as próprias mãos para não lhes ser um peso e como se apresentou a eles como exemplo.
Vocês veem como ele os amava e estava disposto a dar até a própria vida por eles. Irmãos e irmãs, em tão pouco tempo, ele deixou uma impressão tão profunda nos crentes tessalonicenses. Não é de admirar que tenham seguido seu exemplo.
Portanto, irmãos e irmãs, como ensinamos os outros a andar de modo digno do reino de Deus? Você não pode ensiná-los apenas como um fariseu. Isso não vai funcionar. Precisa ensiná-los como uma ama e como um pai.
Assim, vemos que, quando nosso Senhor Jesus estava na terra, era dessa maneira que Ele discipulava Seus discípulos. Ele lhes dava o exemplo. Tudo o que dizia correspondia ao que Ele era. Por isso, quando ouviam o que Ele dizia, criam e O seguiam.
Então, irmãos e irmãs, como andamos de modo digno do reino de Deus? Andar é algo que fazemos dia após dia. Não é uma corrida de cem metros; é um prosseguir diário e contínuo.
Depois de sermos salvos e transportados para o reino de Deus, é ali que devemos andar com paciência, continuamente, constantemente, sem cessar, segundo o caminho do reino.
Andar no caminho do reino não é algo que possamos fazer por nós mesmos. Ao andarmos, andamos segundo a vida de Cristo que está dentro de nós. Ele anda conosco e fala conosco. É assim que podemos andar de modo digno do reino de Deus.
Agora, ao lerem 1 Tessalonicenses, vocês encontrarão algumas coisas que o apóstolo Paulo mencionou especialmente àqueles crentes tessalonicenses. Nosso irmão já mencionou uma delas ontem à noite.
Em 1 Tessalonicenses 4:3, ele diz:
Esta é a vontade de Deus: a vossa santificação.
E, novamente, ele diz:
Não fostes chamados para a impureza, mas para a santificação.
Portanto, irmãos e irmãs, depois de termos sido justificados, Deus espera que sejamos santos, assim como Ele é santo. Esse é o nosso andar. Já não podemos andar como as pessoas deste mundo.
Não podemos procurar ser amigos do mundo nem buscar as coisas do mundo — a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida.
Isso não é uma armadilha apenas para os jovens. Muitas vezes ouvimos os jovens dizerem: “Vocês, mais velhos, já experimentaram o mundo. Nós ainda não. Deixem-nos experimentar.”
Não ameis o mundo, nem as coisas do mundo.
Porque, se amamos as coisas do mundo, o amor do Pai não está em nós.
Santificação significa simplesmente ser santo. Ser santo significa simplesmente ser separado — separado do mundo e separado para Deus. Isso é santidade.
Agora, graças a Deus, quando cremos no Senhor Jesus, Ele diz que já nos santificou. Quando vocês leem 1 Coríntios 1, Paulo escreve aos crentes coríntios:
Santificados em Cristo Jesus, chamados para ser santos.
Hoje, se alguém chamasse você de santo, qual seria sua reação? “Ah”, você diria, “ainda não estou pronto.” Por quê? Porque a Igreja Católica fez de certas pessoas os chamados santos, e esses chamados santos são aqueles que, enquanto viviam neste mundo, viveram de maneira tão piedosa.
Acumularam tantos méritos que esses méritos não apenas os ajudariam a ir para o céu, mas ainda lhes sobrariam. Então, dizem que, se você usar um rosário e orar aos santos, um santo poderá lhe ceder alguns de seus méritos excedentes e tirá-lo do purgatório mais depressa.
E, mesmo recentemente, têm procurado tornar um papa santo. Dizem que ele precisa realizar alguns milagres depois de morrer, e então poderá receber o título de santo. Mas, de qualquer maneira, se vocês lerem a Bíblia, verão que todos nós somos chamados santos, porque fomos santificados por Deus.
Em outras palavras, Deus já nos separou do mundo. Já nos separou para Si mesmo. Pertencemos a Ele. Pertencemos a outro mundo — o reino de Deus. Portanto, nossa posição é uma posição santificada.
Mas, tendo uma posição santificada, deveríamos viver uma vida impura — uma vida não santificada, sem santidade? Não seria uma contradição?
Graças a Deus, Ele não é apenas Aquele que nos dá a posição; ao nos dar a posição, também fez toda a provisão necessária para que a assumamos e a tornemos nossa posse.
Deus já nos deu todas as coisas que dizem respeito à vida e à piedade. Deu-nos promessas preciosas para que nos tornemos participantes de Sua natureza divina e sejamos libertos da nossa carne.
Assim, vocês encontram em 1 Tessalonicenses 5:23-24:
E o próprio Deus de paz vos santifique inteiramente;
e o vosso espírito, alma e corpo sejam conservados íntegros e irrepreensíveis na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo.
Fiel é Aquele que vos chama, o Qual também o fará.
Portanto, irmãos e irmãs, precisamos experimentar a santificação — a santidade, o ser separado para Deus — dia após dia, hora após hora, minuto após minuto, em todo o nosso ser: espírito, alma e corpo sendo santificados.
Agora, é claro, segundo a maneira como Deus constituiu o homem, o homem é formado por três partes: o espírito, a alma e o corpo.
O espírito é aquilo por meio do qual nos comunicamos com Deus. É por isso que o homem pode adorar a Deus em espírito e em verdade.
E Deus nos deu uma alma. O homem tornou-se alma vivente. Isso faz com que você tenha consciência de si mesmo. Você tem seus sentimentos, suas emoções, sua mente, seus pensamentos, sua vontade e sua capacidade de decidir. Essas faculdades representam sua alma.
A alma faz de você quem você é. Ela lhe dá personalidade. Faz com que você seja diferente de todas as outras pessoas. Costumo dizer que temos uma forma da alma, assim como temos uma forma do corpo. Cada pessoa é diferente, e cada alma é diferente. Temos uma determinada forma que nos caracteriza individualmente.
Depois, é claro, temos um corpo. O corpo é feito de pó, feito da terra; por isso, está em contato com o mundo, com o ambiente ao redor. Por meio dos seus cinco sentidos, você entra em contato com o mundo.
A Bíblia nos diz que a salvação não é algo que acontece apenas de uma vez por todas. Em outras palavras, quando você é salvo, isso não significa que todo o seu ser esteja completamente salvo.
O que queremos dizer quando afirmamos que uma pessoa é salva? Estritamente falando, significa isto:
O que é nascido do Espírito é espírito.
Você nasceu do alto.
Seu espírito morto, morto em pecados e transgressões e separado de Deus, agora é purificado e renovado pelo sangue do nosso Senhor Jesus — um espírito novo diante de Deus. Assim, seu novo espírito e o Espírito Santo dentro de você clamam juntos a Deus: “Aba, Pai.”
Portanto, irmãos e irmãs, vocês sabem que têm um espírito novo? O Espírito Santo habita em seu espírito, e Cristo é a vida do seu espírito.
Mas, quando você é salvo, muda completamente? Não. Seu corpo muda? Quando você foi salvo, seu corpo foi transformado de um corpo mortal em um corpo imortal? Não.
Ainda é o mesmo corpo, sujeito ao ataque de bactérias, do pecado e até da morte. Bem, talvez haja uma mudança superficial: um rosto comprido pode se tornar um rosto redondo. Mas isso é superficial. Muito em breve, aquele rosto comprido reaparecerá.
Enquanto vivermos nesta vida, ainda viveremos neste velho corpo. Mas, graças a Deus, como Romanos 8 nos diz, um dia este corpo mortal será transformado em um corpo imortal.
1 Coríntios 15 nos diz a mesma coisa: este corpo corruptível se torna incorruptível. Nós nos revestimos de um corpo novo, um corpo espiritual, assim como o corpo que nosso Senhor Jesus assumiu quando ressuscitou. Maravilhoso.
Portanto, ainda precisamos ser salvos quanto ao nosso corpo. Mas, durante este tempo, enquanto ainda estamos neste corpo mortal, como vamos lidar com ele? Como vamos usar nosso corpo? Como vamos andar de modo digno do reino de Deus?
Vocês se lembram de 1 Coríntios 6:19-20. Ali nos é dito que este corpo, embora ainda seja um corpo mortal, é o templo do Espírito Santo — o Espírito Santo que vem habitar em nós.
Este corpo já não é nosso, porque fomos comprados por um preço. Quem nos comprou? Deus nos comprou. Por qual preço? Seu único Filho amado. Ele pagou o preço mais alto para redimir nosso corpo.
Não pertencemos a nós mesmos; pertencemos a Ele. Portanto:
Glorificai a Deus no vosso corpo.
Assim, irmãos e irmãs, não tratem seu corpo como se ele lhes pertencesse. Já não lhes pertence. Mesmo este velho corpo, este corpo corruptível, este corpo que se deteriora, pertence a Deus.
Ele é o Dono, e espera que O glorifiquemos em nosso corpo.
O apóstolo Paulo diz em 1 Coríntios 9 que estamos em uma corrida; estamos em uma luta. Como precisamos disciplinar nosso corpo! Ele diz:
Esmurro o meu corpo e o reduzo à servidão.
Colocando de uma maneira bem vívida: “Bato no meu corpo até deixá-lo cheio de hematomas, para que, depois de ter pregado aos outros, eu mesmo não venha a ser rejeitado.” Em outras palavras, este corpo tenta governar sobre nós. Nós é que devemos governar sobre nosso corpo.
Não devemos dar ouvidos ao nosso corpo, aos desejos do corpo. Devemos dar ouvidos ao Espírito Santo e até deixar o corpo cheio de hematomas. Em outras palavras, você não permite que seu corpo seja o seu dono.
As pessoas deste mundo vivem para o corpo: “O que vou comer? O que vou beber?” Mas nós devemos viver buscando primeiro o reino de Deus e Sua justiça, e todas essas coisas nos serão acrescentadas.
Irmãos e irmãs, como estamos vivendo hoje? Ainda estamos satisfazendo todos os nossos desejos? Ainda estamos vivendo para o corpo? Ou estamos realmente vivendo para glorificar a Deus, mesmo neste corpo mortal?
Foi isso que São Paulo fez, e ele encorajou os jovens cristãos tessalonicenses a fazerem o mesmo.
Repito: não é pela nossa própria força. Quem não ama seu corpo? Quem não cuida de seu corpo? Mas somente o amor de Deus, a graça de Deus, nos capacita a manter nosso corpo em sujeição, para que glorifiquemos a Deus.
Para usar um exemplo bem pequeno, como disse uma irmã, a batalha é entre você e sua cama. Conseguir levantar cedo para passar tempo com o Senhor, ou amar tanto seu corpo que você apenas se vira na cama — isso é uma batalha.
Agora, pergunto-me quantos irmãos e irmãs aqui ainda estão nessa batalha. Vocês estão perdendo? Estão vencendo? Esse é o nosso corpo.
Um dia, esse corpo se revestirá de imortalidade e incorruptibilidade, tornando-se um corpo espiritual, vivendo para todo o sempre. Somente naquele momento você poderá realmente viver para Deus sem nenhuma dificuldade. Não é uma batalha até o fim?
E não apenas isso, mas vemos que não só fomos libertos da grande morte — isto é, nosso espírito nasceu de novo —, como também estamos sendo libertos hoje. A salvação está acontecendo em nossa alma hoje.
Mesmo depois de termos crido no Senhor Jesus, e de Ele ter vindo habitar em nosso espírito para se tornar nossa vida, irmãos e irmãs, ainda há outra vida inteira que permanece em nossa alma.
Em outras palavras, quando Cristo é nossa vida no espírito, o eu é a vida em nossa alma. Ainda existe aquele eu egoísta, vivendo para si mesmo, centrado em si mesmo, com muitas opiniões, muitas ideias, muitos raciocínios e muitas resistências.
A carne é inimiga do Espírito. Não pode obedecer a Deus e não pode compreender a Deus. É inimiga de Deus.
Portanto, irmãos e irmãs, depois de sermos salvos, o que acontece? Descobrimos que há uma guerra interior em nós. Há duas vidas dentro de nós. A lei da vida de Cristo em nós nos diz uma coisa, e a vida do eu nos diz outra.
Infelizmente, como disse Filipe Melâncton, o teólogo da Reforma: “O velho Adão é demais para o jovem Melâncton.” Martinho Lutero disse a mesma coisa: “Não tenho medo do papa, dos cardeais, de todos esses reis e governantes, mas tenho medo do tirano dentro de mim.”
Vocês têm esse sentimento? Não é isso que parece impedir seu crescimento espiritual?
É por isso que nosso Senhor Jesus parece ser tão exigente ao dizer que aquele que ama pai ou mãe mais do que a Ele, irmão ou irmã, filhos ou pais, e até sua própria vida mais do que a Ele, não pode ser Seu discípulo.
Se seguirmos nosso próprio pensamento, não podemos ser Seus discípulos. Se insistirmos em nossa própria vontade, não podemos ser Seus discípulos. Em outras palavras, nossa alma precisa ser salva, purificada. Esse processo de santificação está acontecendo dia após dia, sem cessar.
Sempre que o Espírito Santo dentro de nós, a vida de Cristo em nós, nos diz uma coisa, e a vida do eu em nossa alma insiste em outra, forma-se uma cruz. Esse é o momento de ver se estamos dispostos a negar a nós mesmos, tomar a cruz e seguir o Senhor.
Se não conseguimos, então não podemos ser discípulos do nosso Senhor Jesus. Mas, pela graça de Deus e pelo amor de Deus, se estivermos dispostos a negar a nós mesmos, tomar a cruz e segui-Lo diariamente, nossa alma estará sendo salva.
Aquele que hoje salva a vida da sua alma para si mesmo a perderá;
mas aquele que perde a vida da sua alma por Minha causa e por causa do evangelho a ganhará para a eternidade.
É isso que 1 Pedro chama de salvação da alma.
Muitos cristãos conhecem apenas a salvação inicial, a salvação do nosso espírito. Mas precisam conhecer a salvação da nossa alma e a salvação do nosso corpo. Irmãos e irmãs, a salvação de Deus é perfeita.
Portanto, não se surpreendam com o fato de a cruz não poder ser separada do cristão, assim como a cruz não pode ser separada de Cristo. Se você tem um Cristo sem cruz, não tem Cristo algum. Se você tem um cristão sem cruz, não está vivendo como cristão.
Louvado seja Deus: para nós é impossível, mas para Ele todas as coisas são possíveis. Quando o amor de Cristo nos constrange, nos recusamos a viver para nós mesmos e vivemos para Ele. Sua graça — graça, graça sobre graça.
Agora, e quanto ao nosso espírito? Nosso espírito pode ser contaminado? Sim. É por isso que vocês encontram em 2 Coríntios 7:1:
Purifiquemo-nos de toda impureza da carne e do espírito, aperfeiçoando a santidade no temor de Deus.
A influência da nossa alma pode penetrar em nosso espírito e fazer com que ele deixe de ser puro. Por isso Paulo diz:
Purificai o vosso espírito no temor de Deus.
Em outras palavras, não permitam que nenhuma influência de fora, nem mesmo da sua alma, penetre e invada seu espírito, para que vocês possam obedecer a Deus de todo o coração.
Graças a Deus, essa é a obra que Deus diz que fará. Ele a fará pelo Espírito Santo que habita em nós. Mas ela exige nossa cooperação. Exige nossa entrega, nossa obediência. Você está disposto a fazer isso?
Sede santos; porque Eu sou santo.
Em segundo lugar, encontramos em 1 Tessalonicenses 3:12-13:
E o Senhor vos faça crescer e abundar em amor uns para com os outros e para com todos, assim como também nós para convosco;
a fim de que Ele confirme os vossos corações irrepreensíveis em santidade diante de nosso Deus e Pai,
na vinda de nosso Senhor Jesus com todos os Seus santos.
Graças a Deus, a igreja em Tessalônica, embora fosse uma igreja jovem, era conhecida por seu amor a Deus. Eram conhecidos por seu trabalho de amor. Eram conhecidos por seu amor aos irmãos.
Mas Paulo não os elogiou dizendo: “Bem, vocês já chegaram lá.” Não. Porque o amor não tem fim. Deus é amor. Se esse amor vem Dele, então não há limite para esse amor.
A Bíblia diz:
A ninguém devais coisa alguma, a não ser o amor uns para com os outros.
Nunca chegará o dia em que você poderá dizer: “Já amei o suficiente.” Você nunca poderá dizer: “Já amei a Deus o suficiente”, nem poderá dizer: “Já amei meus irmãos e irmãs o suficiente. Basta. Não vou amar mais.”
Isso não é amor. O amor nunca acaba.
Nosso amor é limitado. Nosso amor é centrado em nós mesmos. Nosso amor sempre encontra uma razão para amar. Mas o amor de Deus é ilimitado — não precisa de uma razão; simplesmente ama.
Às vezes ouvimos pessoas se vangloriarem de seu amor. Então você se pergunta: é amor natural, como o de Pedro, ou é amor divino, como o de Cristo?
Portanto, irmãos e irmãs, há uma coisa com a qual nunca devemos estar satisfeitos, nem da qual devemos nos orgulhar. Devemos sempre sentir que não amamos o suficiente. Não amamos a Deus o suficiente. Não amamos nossos irmãos e irmãs o suficiente. O amor não conhece fim.
Então, continuemos.
Em terceiro lugar, vocês encontram em 1 Tessalonicenses 5:16-18:
Regozijai-vos sempre;
Orai sem cessar;
Em tudo dai graças: porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco.
Há três coisas que são a vontade de Deus em Cristo Jesus para vocês. Isto é, se vocês andam de modo digno do reino de Deus, é da vontade de Deus que esses três elementos não faltem.
Regozijai-vos sempre.
Agora você dirá: “Como posso me alegrar sempre? Às vezes eu me alegro, mas, na maior parte do tempo, não. As coisas ao meu redor me deixam triste, e também estou insatisfeito comigo mesmo.”
Mas há uma diferença entre contentamento e alegria. Você pode estar contente, mas isso é superficial. Regozijar-se é algo profundo, interior.
Como diz a Bíblia:
A alegria do Senhor é a vossa força.
Não é uma alegria que vem de fora. Não é uma alegria porque você desfruta intensamente de alguma coisa, sua alma fica satisfeita, e isso o deixa contente ou feliz. Essas coisas mudam.
Quando o próprio Senhor é a sua alegria, essa alegria nunca muda.
Assim, o apóstolo Paulo, quando escreveu a carta aos filipenses, apesar de suas circunstâncias terríveis, insuportáveis, mencionou a palavra alegria em todos os capítulos.
Por quê? Os crentes filipenses realmente amavam uns aos outros, exceto duas irmãs que estavam em rivalidade, e isso trouxe tristeza sobre eles. Se olharmos para o ambiente ao nosso redor, não nos alegraremos sempre. Mesmo se olharmos para dentro de nós, não encontraremos alegria.
Mas, toda vez que você pensa no próprio Senhor, a alegria está ali. Ninguém pode tirá-la. Essa alegria se torna nossa força e nos capacita a atravessar qualquer tipo de circunstância. Esse é o caminho da vida, a vontade de Deus para você e para mim.
Orai sem cessar.
A oração não é apenas algo que se faz uma vez por dia, duas vezes por dia, ou mesmo três vezes por dia.
A oração é algo que está acontecendo dentro de nós o tempo todo. Em outras palavras, estamos em contato com o céu.
E deem graças em todas as coisas. Agora, somos capazes de fazer isso por nós mesmos? Não. Às vezes damos graças quando consideramos o que Deus nos concedeu, mas muitas vezes não somos gratos.
Esta geração, em especial, é uma geração ingrata. Mas, para andarmos de modo digno do reino de Deus, Ele espera que demos graças em todas as coisas — coisas boas, coisas ruins, todas as coisas —, porque essa é a vontade de Deus em Cristo Jesus para vocês.
Agora, somos capazes de fazer isso por nós mesmos? Não. Mas, quando olhamos para o Senhor, vemos que é assim que Ele é, e é dessa maneira que podemos andar de modo digno do reino de Deus.
Finalmente, em 2 Tessalonicenses 1:5, o apóstolo Paulo disse:
O que é sinal manifesto do justo juízo de Deus;
para que sejais considerados dignos do reino de Deus,
pelo qual também sofreis.
Assim, aqui vemos que eles sofreram. Sofrer com fé é um sinal seguro de que eles possuem o reino.
Portanto, que o Senhor use estas palavras para nos encorajar, nos fortalecer e nos impulsionar a prosseguir. Vamos orar.
Querido Senhor, realmente queremos Te louvar e agradecer. Do começo ao fim, tudo é Tua graça. Não há nada que possamos fazer.
Mas podemos abrir nossos corações e receber graça sobre graça, para que Tu mesmo sejas manifestado até em nosso andar diário. Torna-nos dignos do Teu reino. Pedimos em nome do nosso Senhor Jesus Cristo. Amém.