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    He Loved Them To The Uttermost © 2026 Christian Testimony Ministry
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    He Loved Them To The Uttermost
    He Loved Them To The Uttermost
    Graham, Mac

    O Amor de Cristo em Sua Plenitude

    Vamos abrir nesta manhã em João 13. Leremos o primeiro versículo deste capítulo. Conhecemos o contexto: nosso Senhor está Se preparando para aquela Última Ceia com os Seus queridos discípulos.

    Leitura Bíblica: João 13:1

    Ora, antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que já era chegada a Sua hora de passar deste mundo para o Pai, como havia amado os Seus, que estavam no mundo, amou-os até o fim.

    Ou podemos ler essa última expressão assim:

    Amou-os em toda a plenitude do Seu amor.

    Oração Inicial

    Senhor, somos tão gratos porque, no espírito desse júbilo pela maravilhosa vitória que temos em Ti, podemos continuar em Tua presença. Senhor, somos tão gratos pela provisão que temos em Cristo Jesus. Somos gratos pelo Espírito Santo, pelo poder que nos capacita e que nos deste tão livremente. Somos gratos pela Tua Palavra.

    E, Senhor, olhamos para Ti, pedindo que sopres sobre este tempo, para que, por esse coração de amor com que desejas nos atrair a Ti de maneira mais plena e profunda, nossos corações sejam atraídos a Ti. Que nossos corações estejam abertos e que não haja nada entre nós — nada que possa impedir a ação da Tua Palavra.

    Somos gratos, Senhor, pelo sangue do Cordeiro, que nos purifica de todos os nossos pecados e de toda injustiça. Viemos hoje nos entregar a Ti, em Teu precioso nome. Amém.

    A Crise e a Preparação dos Discípulos

    Enquanto pensava nos dias em que estamos vivendo, evidentemente são dias de crise, e ninguém precisa nos dizer isso. Fui levado a esta passagem de João 13 porque os discípulos estavam prestes a atravessar a maior crise de suas vidas.

    Esses queridos discípulos realmente haviam deixado tudo. Haviam deixado suas famílias, suas casas e suas ocupações porque tinham sido conquistados por Alguém. Alguém havia chegado, falado a cada um deles e dito: “Venha, siga-Me”. Em diferentes momentos e de diferentes maneiras, esses preciosos discípulos vieram, seguiram nosso Senhor e deixaram tudo o mais para trás.

    No entanto, embora Ele lhes dissesse que teria de partir e seria crucificado, a realidade daquilo ainda não estava sendo compreendida. Mesmo quando alguém lhe diz algo antecipadamente, até que você passe pela experiência, não sabe realmente o que terá de enfrentar.

    As pessoas perguntam: “Como você reagiria a um terremoto?”. Bem, até algumas semanas atrás, a maioria das pessoas na Virgínia não fazia ideia. Elas acham que agiriam de um jeito ou de outro, mas, até que você realmente passe por alguma coisa, não sabe como vai agir. É em meio à crise que a realidade se revela.

    Nosso Senhor Jesus estava prestes a preparar Seus discípulos para a crise de suas vidas. Ele veio a eles neste capítulo, e aquilo que lhes disse e fez por eles realmente os preparou. Aquilo que Ele lhes dizia é também o que prepara nossos corações.

    Estamos vivendo dias de tremenda crise. Parece que o mundo muda de uma hora para outra, e tudo se espalha tão depressa. Pode haver uma ocupação em Wall Street, um grupo de pessoas protestando, e, de repente — bum! —, aquilo se espalha pelo mundo inteiro. As coisas acontecem rapidamente nestes últimos dias. Vemos o caos.

    O que mais preocupa meu coração não é tanto o mundo, mas a igreja e o povo de Deus. Estamos em crise nestes dias. É trágico ver quantas coisas levam o nome de cristão e de cristianismo, mas estão tão distantes daquilo que realmente está em Seu coração e corresponde ao Seu desejo.

    Estamos em um dia de crise e de grande abalo. Mas, louvado seja Deus, como ouvimos na semana passada, podemos ser gratos pelo abalo, porque ele nos mostra aquilo que não pode ser abalado. Ele remove todas as outras coisas de nossa vida, se conseguirmos enxergar esse abalo como uma expressão do amor do Senhor.

    O Amor em Sua Plenitude

    Assim como nosso Senhor preparava Seus queridos discípulos, Ele deseja nos preparar da mesma maneira. Ele preparou Seus discípulos amando-os em toda a plenitude do Seu amor.

    Ele os amou em toda a plenitude do Seu amor. Irmãos e irmãs, o que nos fará atravessar estes dias é realmente conhecer o amor de Cristo de maneira nova e real — não apenas saber coisas a respeito Dele, não apenas conhecer todos os Seus ensinamentos, embora essas coisas sejam importantes.

    Há uma coisa realmente necessária: permitir que o amor de Cristo nos conquiste plenamente. Gosto dessa expressão, em toda a plenitude. A nota à margem também diz “eternamente”, porque a New American Standard traz:

    Amou-os até o fim.

    Não gosto tanto dessa expressão, porque parece que estamos estabelecendo uma fronteira ou um limite para o amor de Deus. Sabemos que Seu amor não tem fim.

    G. Campbell Morgan traduz esse pequeno versículo, em seu comentário sobre João, assim:

    Ele os amou ao longo de todo o caminho.

    Ao longo de todo o caminho. Irmãos e irmãs, foi isso que Ele fez com os discípulos, e é isso que faz conosco.

    Ele nos ama ao longo de todo o caminho — em tudo o que atravessamos, seja o que for que esteja diante de nós. Ele nos ama durante todo esse percurso. Está presente para cuidar de nós e nos acompanha até atravessarmos tudo aquilo.

    As Dimensões do Amor de Cristo

    Quando pensamos no amor de Cristo, sou levado a Salmos 139:8-10. Para mim, essa passagem fala da imensidão do amor de Cristo. O amor de Cristo tem um propósito: atrair-nos e conduzir-nos a Ele, para que possa completar em nós a obra que começou.

    Essa passagem corresponde a Efésios 3:18, que fala da largura, do comprimento, da altura e da profundidade do Seu amor.

    Se subir ao céu, Tu aí estás;
    Se fizer no Seol a minha cama, eis que Tu ali estás.
    Se tomar as asas da alva,
    Se habitar nas extremidades do mar;
    Até ali a Tua mão me guiará,
    E a Tua destra me susterá.

    Se subir ao céu, Tu aí estás.

    Isso não fala da altura do amor de Deus? Se estamos nos lugares celestiais com Ele, naquela maravilhosa presença do Senhor, Ele está ali.

    Penso em Pedro no monte da transfiguração. Ele ficou tão impressionado com aquela cena e tão maravilhado com tudo o que via que acabou se distraindo. Mas Deus interveio e, em outras palavras, disse: “Mantenha os olhos no Meu Filho, Pedro. Não se preocupe com Moisés e Elias. Há Um para Quem você precisa olhar”. E ele viu somente Jesus.

    Até as bênçãos de Deus podem nos distrair do próprio Cristo. Ao experimentarmos as alturas do Seu amor, que não tiremos os olhos Daquele que nos é tão precioso e que nos amou primeiro.

    Então, Salmos 139 diz:

    Se fizer no Seol a minha cama, eis que Tu ali estás.

    Acho que esse é um dos maiores versículos das Escrituras, porque, se formos honestos, cada um de nós, em algum momento, já fez sua cama no inferno. Fizemos uma bagunça de nossa vida. Fizemos besteira; estragamos tudo.

    Mas, louvado seja Deus pela profundidade do Seu amor — não somente pela altura, mas pela profundidade a que Ele está disposto a descer para nos trazer de volta a Si. O inimigo mente e diz: “Você fez algo tão ruim que não há esperança para você”. Mas, louvado seja Deus, irmãos e irmãs, a profundidade do amor de Deus nos alcança lá embaixo e nos atrai de volta.

    Não podemos usar isso de maneira irresponsável como desculpa para fazer o que quisermos, pensando que Ele nos trará de volta. Não. Mas, quando percebemos que o amor de Cristo nos conquistou, como podemos abandoná-Lo? Ele nunca nos abandona, mas, tragicamente, muitas vezes acabamos por abandoná-Lo.

    O salmo continua:

    Se tomar as asas da alva…

    Isso mostra a largura do Seu amor.

    Se habitar nas extremidades do mar…

    Isso mostra o comprimento do Seu amor. A altura, a profundidade, a largura e o comprimento do Seu amor revelam até onde Ele está disposto a ir.

    Até ali a Tua mão me guiará,
    E a Tua destra me susterá.

    Louvado seja Deus por essa mão perfurada pelos cravos. Onde quer que estejamos, Sua mão nos segura, nos orienta e nos conduz.

    Sua mão nos sustenta e nos conduz porque Ele tem um propósito. Ele não nos ama apenas para que conheçamos Seu amor. Ele nos ama para que respondamos a esse amor e permitamos que Ele nos conforme à Sua imagem. Ele deseja um povo preparado, um povo que apresse Sua volta neste tempo.

    Cristo como Revelação do Amor

    Quando pensamos no amor de Cristo, muitas vezes perguntamos: “O que é o amor de Cristo?”. Já se disse que não podemos realmente definir o amor de Cristo, porque defini-lo é confiná-lo. Como podemos estabelecer limites para o amor de Cristo?

    Tudo o que podemos fazer é descrever o amor de Cristo. E, quando pensamos nesse amor, precisamos olhar para a pessoa de nosso Senhor Jesus. Quando pensamos no amor de Cristo, olhamos para Ele, porque Ele é amor. É Sua própria vida, e é isso que Ele deseja que contemplemos.

    Às vezes, olhamos para o amor de Cristo com uma visão romantizada e pensamos que tudo é belo, maravilhoso, caloroso e acolhedor. Louvado seja Deus, é mesmo. Mas também há um aspecto do amor de Cristo que vemos em Sua vida.

    Ele foi tão tomado pelo amor ao Pai que deixou o esplendor do céu e veio a esta terra em humildade, nascendo em Belém. Quando pensamos em ser amados, não necessariamente gostamos da humildade. A humildade não nos é natural. Queremos ser vistos; queremos que as pessoas nos notem.

    Mas, quando somos conquistados pelo amor de Cristo, a humildade começa a surgir — não de nós mesmos, mas à medida que Seu caráter se expressa em nós. Nosso Senhor, por causa de Seu grande amor pelo Pai, estava disposto a viver aqueles anos em ocultamento. Podia parecer que Ele não estava fazendo nada na terra, mas o Pai estava operando de maneira poderosa.

    Então:

    Veio para os Seus, e os Seus não O receberam.

    Ele sofreu rejeição. Isso é o amor de Cristo, irmãos e irmãs. Muitas vezes, quando compartilhamos algo ou fazemos alguma coisa por alguém e somos rejeitados, nosso amor termina ali mesmo. Mas o Senhor veio para os Seus, os Seus não O receberam, e isso não afetou Seu amor de maneira alguma.

    Ele continuou amando em toda a plenitude do Seu amor. Amou ao longo de todo o caminho até o Getsêmani, onde pôde orar, por nossa causa, por causa de Seu Pai e por causa da igreja:

    Não se faça a Minha vontade, mas a Tua.

    Estamos tão conquistados pelo amor de Cristo que, neste momento, estamos dizendo: “Não a minha vontade”? Somos pessoas tão obstinadas. Mas o Senhor diz que a maneira de desfrutarmos plenamente do júbilo e da vitória que temos Nele é dizer: “Não se faça a minha vontade, mas a Tua”.

    Então Ele foi ao Calvário, a maior demonstração de amor na história do universo. Quando vemos o amor de Cristo operando em nós e sendo manifestado por nosso intermédio, ele nos conduz à cruz. Ele produz um grande conflito entre nosso amor por nós mesmos e o amor de Cristo.

    Esse amor por nós mesmos, que quer fazer as coisas à sua maneira, entra em conflito com o amor de Cristo. Louvado seja Deus, há vitória. Como lembramos à mesa nesta manhã, o amor de Cristo venceu. Podemos dizer não ao nosso eu. Podemos permitir diariamente que a cruz opere em nós.

    Assim como nosso Senhor Jesus chegou ao trono, nós chegamos à própria presença de Deus. Desfrutamos da vitória do amor de Cristo. Há esse júbilo e essa vitória que temos Nele, e somos tão gratos por isso.

    Mas, muitas vezes, queremos a vitória de Cristo sem estar dispostos a percorrer o caminho de Cristo. Se vamos chegar até o fim e entrar na plenitude de tudo aquilo para o que Ele nos chamou, não precisamos enxergar somente a vitória, mas também o caminho. O que nos permite percorrer esse caminho é Seu amor nos governando e prevalecendo em nossos corações.

    Três Questões a Respeito do Amor de Cristo

    Ao considerarmos isso, tenho três perguntas sobre as quais gostaria que refletíssemos:

    1. Estamos conscientes do amor de Cristo?
    2. Conhecemos plenamente o caráter do Seu amor?
    3. Estamos cooperando com Seu amor ou sendo governados por ele?

    A Consciência do Amor de Cristo

    Estamos conscientes do Seu amor? Talvez você diga: “Por que é preciso fazer essa pergunta? Somos cristãos. Todos conhecemos o amor de Cristo. Não estaríamos aqui se não conhecêssemos o amor de Cristo”.

    Mas a verdadeira pergunta é se o amor de Cristo está sendo visto em nossa vida. Nós o conhecemos apenas intelectualmente ou estamos conscientes do amor de Cristo todos os dias de nossa vida, permitindo que ele nos transforme de maneira maravilhosa?

    Temos toda a história contra nós. Uma das maiores histórias de amor que podemos encontrar está no Antigo Testamento. Ao longo de todo ele, o Senhor amou Seu povo, mas eles se voltaram e Lhe deram as costas.

    Temos estudado Gênesis. Desde o princípio, no jardim, vemos Seu amor em tudo o que desejava realizar em Seu propósito. Mas vemos o homem pecando e abandonando-O. Isso pôs fim ao amor de Deus? Não. Vemos uma grande redenção.

    Com o tempo, eles acabaram no Egito. Louvado seja Deus, o Senhor os libertou do Egito. Eles se lembraram disso? Esqueceram-se tão depressa daquele amor. Lembravam-se dos alhos-porós e dos alhos do Egito e murmuravam no deserto.

    Mais uma vez, experimentaram Seu maravilhoso amor ao entrar na terra prometida. Mas o que fizeram? O que nós fazemos? Adoramos outros deuses e nos tornamos desobedientes. Ainda assim, Deus, em Seu maravilhoso amor, permaneceu com eles em todas as provações.

    Ele estabeleceu Seu reino sob Davi e Salomão. O esplendor e a glória de Deus apareceram na terra, e a glória de Deus veio habitar entre os homens naquele glorioso templo. Mas não se passaram muitos anos até que, em lugar de Salomão e da glória de Deus, houvesse Acabe e Jezabel. Como caímos depressa e abandonamos o amor de Cristo.

    No final do Antigo Testamento, em Malaquias, o Senhor disse:

    Eu vos tenho amado.

    Como o povo respondeu?

    Em que nos tens amado?

    O Senhor os havia guardado em tudo o que tinham atravessado e os havia trazido de volta à terra prometida. Eles haviam experimentado Sua fidelidade, mas ainda assim O questionaram e disseram:

    Em que nos tens amado?

    Eles não estavam conscientes do Seu amor. Por não estarem conscientes do Seu amor, não estavam conscientes de sua verdadeira condição. Quando estamos conscientes do amor de Cristo, também nos tornamos conscientes de nossa condição. Em Sua luz, vemos a luz. Vemos a verdade e a realidade.

    Muitas vezes, pensamos que há algo errado com Deus, que Ele nos deixou e nos abandonou. Mas não; nós nos afastamos e não estamos enxergando nossa verdadeira condição.

    No final do Novo Testamento, o Senhor confronta a igreja em Éfeso, em Apocalipse 2:4:

    Deixaste o teu primeiro amor.

    Eles ficaram completamente perplexos.

    O que significa essa questão do primeiro amor? Para mim, o primeiro amor é simplesmente estar consciente de como Ele nos amou primeiro — estar consciente do Seu amor, responder a ele e ser conquistado por ele. Não é uma qualidade que possuímos; é nossa resposta ao Seu amor.

    Thomas Manton, o escritor puritano, disse: “O amor é como um eco; ele retorna ao lugar de onde veio”. O Senhor derramou Seu amor sobre nós. Ao nos lembrarmos Dele nesta mesa, Ele está simplesmente buscando uma resposta, um retorno a Ele.

    É permitir que Seu amor entre, flua por nosso intermédio e retorne a Ele. É isso que nos sustenta até o fim. É isso que nos guardará.

    Não é nosso amor por Ele que nos guarda. Sim, devemos amá-Lo, mas nosso amor tem limites. Vimos isso na vida de Pedro. Pedro disse: “Senhor, vou Te amar até o fim. Morrerei por Ti”. Como ele O negou depressa. Nosso amor natural chega ao fim muito rapidamente.

    Mas, louvado seja Deus, o amor de Deus não conhece limites. Ele continua e nos atrai a Si. Os crentes de Éfeso ficaram chocados porque, exteriormente, faziam tudo o que uma boa igreja deveria fazer. Tinham reuniões, bom ensino, e tudo parecia certo por fora. Mas seus corações haviam se afastado.

    Podiam dar boas mensagens e fazer grandes orações, mas onde estavam de fato? O Senhor procurava atraí-los de volta. Ele dizia: “Estou buscando o coração de vocês. Quero ocupar esse lugar de primeiro amor”.

    Não se trata apenas de honrá-Lo um dia por semana, ou mesmo nos outros dias de reunião. Trata-se de honrá-Lo com sua vida e permitir que Sua vida tenha a primazia durante todo o seu dia, sua semana e sua vida inteira.

    Aquele antigo hino diz: “Inclinado a me desviar, inclinado a deixar o Deus que amo”. Precisamos encarar isso. Se não reconhecermos a capacidade de nossa própria natureza de abandonar Aquele que amamos, estaremos destinados ao fracasso. Mas, se pudermos dizer: “Sim, Senhor, esse sou eu. Posso ser como qualquer outra pessoa que experimentou Teu amor e Te abandonou. Senhor, estou dependendo de Ti”, então estaremos no lugar certo.

    O Senhor amou aqueles discípulos em toda a plenitude do Seu amor para que, independentemente do que atravessassem, esse amor os preparasse e os guardasse. O amor de Cristo nos guardará da mesma maneira.

    Nossa maior proteção é reconhecer que não somos diferentes daqueles que, nas Escrituras, se desviaram. Se pensamos estar de pé, sabemos aonde isso leva. Mas, louvado seja Deus, temos essa maravilhosa provisão em Cristo. Ele providenciou tudo para que possamos atravessar todas as coisas — não de qualquer maneira, mas triunfantemente Nele.

    A batalha que enfrentamos não é a batalha exterior, mas a interior. A batalha em torno do amor de Cristo é uma batalha dentro de nosso coração para decidir quem se assentará no trono. Quem governará nossa vida? Vamos buscar as coisas que amamos e desejamos ou permitir que o amor de Cristo realize Sua maravilhosa obra de nos conformar à Sua imagem?

    A Familiaridade e a Perda do Encantamento

    Podemos nos tornar tão familiarizados com as coisas que nem sequer as percebemos. Lembro-me de estar em Seattle, no estado de Washington, alguns anos atrás. Era um dia de céu limpo — um milagre por si só, sabe, porque em Seattle chove o tempo todo. É realmente um lugar bem sombrio. As pessoas não moram lá; só se mudam de Seattle.

    Estou brincando. Deixem-me corrigir isso: Seattle é um lugar lindo. Muitas vezes faz sol por lá. Era um belo dia de céu limpo, e um irmão estava nos levando para conhecer a região.

    De repente, pudemos ver o monte Rainier à nossa frente. Era tão majestoso — aquela enorme montanha coberta de neve. Parecia irreal. Enquanto seguíamos de carro na direção do Rainier, olhamos para o lado e vimos a península Olympic e as montanhas Olympic, todas cobertas de neve. Era lindo. Deixava Richmond no chinelo.

    Meu pescoço estava ficando dolorido de tanto olhar para um lado e para o outro. Mas percebi que o irmão que dirigia simplesmente continuava dirigindo. Eu disse: “Por que você não está olhando? Não está vendo aquilo?”. Ele respondeu: “Olhando para o quê?”.

    Ele havia se acostumado tanto com aquilo que nem sequer percebia. Aquilo não chamava sua atenção. Podemos fazer a mesma coisa com o amor de Cristo.

    O amor de Cristo pode se tornar tão familiar para nós. Dizemos: “Ah, sim, louvado seja Deus, aí está o amor de Cristo. Nosso irmão pode enxergar novamente. Fulano conseguiu um novo emprego. Essa irmã está sendo cuidada. Louvado seja Deus por isso e por aquilo”. Mas tudo isso se torna tão comum para nós.

    Será que perdemos a percepção de quão precioso é o amor de Cristo? Que o Senhor nos desperte para enxergá-lo. Ele manifesta o amor de Cristo ao nosso redor o tempo todo, de muitas maneiras diferentes, mas será que nós sequer o vemos?

    Não é que o Senhor não queira nos mostrar Seu amor. Ele está nos mostrando Seu amor de muitas maneiras. Mas nos distraímos com outras coisas. Precisamos escolher responder e dizer: “Senhor, quero enxergar Teu amor”.

    Essa é uma das razões pelas quais sou tão grato por podermos ter esta mesa todos os domingos. Lembramo-nos daquele amor, e isso nos ajuda a recuperar o foco. Coloca tudo novamente na perspectiva correta.

    Que nos tornemos cada vez mais conscientes do amor de Cristo. É isso que nos sustentará nestes dias. É isso que nos guardará. Ele é Quem tem nos guardado, providenciado nosso pão de cada dia, cuidado de nossa saúde e nos dado tudo de que precisamos para a vida e a piedade em Cristo Jesus.

    O Caráter do Amor de Cristo

    A segunda pergunta diz respeito ao caráter do amor de Cristo. Poderíamos continuar para sempre discutindo as características do amor de Deus. Esta não é uma exposição completa; são apenas alguns pontos que me tocaram. Creio que exploraremos o caráter do amor de Deus por toda a eternidade.

    Quando consideramos João 13, vemos que nosso Senhor sabia o que estava à frente. Sabia que logo seria preso. Sabia que dez discípulos O abandonariam, um O negaria e um O trairia. Sabia que teria de ir ao Calvário. Seus olhos estavam bem abertos.

    Ele conhecia aqueles queridos discípulos — suas fraquezas, fragilidades, incoerências e tudo o mais — e, ainda assim, os amou em toda a plenitude do Seu amor. A. W. Pink disse que o amor de Cristo não sofre influências. Não é influenciado por nós, pelas circunstâncias, pelo tempo ou pelo lugar. O amor de Cristo é absoluto. Ele nos ama porque nos ama. Esse é Seu caráter e Sua natureza.

    Nosso amor sofre tantas influências. Muitas vezes, pensamos que o amor de uma mãe por seu filho é o retrato mais belo do amor nesta terra, e ele é precioso. Mas, se você perguntar à maioria das mães, em algum momento elas ficam exasperadas com aqueles pequeninos que tanto amam.

    Louvado seja Deus, nosso Senhor não fica exasperado conosco. Ele Se entristece; Ele sente pesar. Mas isso não influencia Seu amor por nós. Ele continua, sempre.

    As circunstâncias da vida não influenciam Seu amor. Ele é Quem tem uma crise diante de Si, mas não está pensando em Si mesmo. Está pensando nos outros. Isso me toca no caráter do amor de Cristo: em meio à crise, Ele não está cuidando de Si mesmo; está cuidando dos outros.

    Isso me faz lembrar de José na prisão. José estava preso por algo que não havia feito. Estava ali injustamente. Então o padeiro e o copeiro também foram lançados na prisão. O próprio José estava sofrendo, mas servia àqueles homens.

    Certa manhã, José percebeu que o semblante deles estava diferente. Ele reparou nisso. Não estava tão ocupado com sua própria situação a ponto de deixar de enxergar a condição dos outros. Ele se aproximou e cuidou deles.

    Irmãos e irmãs, quando estamos passando por dificuldades, podemos ficar tão ocupados com nossa própria situação que deixamos de enxergar a condição dos outros. Que o amor de Cristo cresça em nosso coração, abrindo nossos olhos para que deixemos de olhar para nós mesmos e cuidemos daquilo que o Senhor deseja que cuidemos.

    Jesus amará Seu povo até o limite extremo de tudo o que nele não é amável. Nossa pecaminosidade não pode ir tão longe que Seu amor não vá além dela e nos traga de volta. Não importa até onde nosso pecado vá, Seu amor vai um pouco mais longe. Ele está ali e nos atrai de volta.

    Cada um de nós pode testemunhar pessoalmente que, quando seguimos por um caminho errado e fizemos escolhas erradas, o amor de Cristo, por fim, nos alcançou e nos atraiu de volta. Ele nos despertou, e voltamos.

    Não é uma questão de saber se vamos cair, pecar ou nos desviar do caminho certo em algum momento. É uma questão de quando. Essa é nossa natureza. Somos pecadores e vamos fazer besteira. Mas, louvado seja Deus, o amor de Cristo vai além. Ele nos atrai e nos traz de volta.

    O inimigo diz: “Veja o que você fez. Não há lugar para você na casa de Deus”. Mas, irmãos e irmãs, há, sim. Sua mesa tem um lugar para cada um de nós. Na casa do Senhor, Ele deseja que cada um de nós viva na plenitude de Sua bondade. Vamos permitir que o amor de Cristo nos atraia de volta a Ele?

    Cristo É Amor

    Eu estava lendo a respeito do amor de Cristo, e um irmão disse que Jesus é o melhor exemplo de amor. Ao ler aquilo, pensei: alguma coisa não está certa. Jesus não é apenas um exemplo de amor. Jesus é amor.

    Cristo Jesus é amor. Ele não é simplesmente um exemplo disso. O amor é Seu próprio caráter e Sua natureza, e essa é a vida que habita em nós — a vida que nos atrai, nos traz de volta a Ele, nos conforma à Sua imagem e nos conduz a nos tornar um povo preparado para apressar Sua volta.

    A sociedade moderna muitas vezes reduziu o amor a uma ideia sentimental e melosa que diz que Jesus ama tudo e simplesmente aceita tudo. Mas Seu amor foi diluído. Há uma plenitude em Seu amor da qual o inimigo e a sociedade moderna nos privaram.

    Louvado seja Deus, Ele é compassivo, paciente, bondoso, longânimo e humilde. Mas também há aquilo que poderíamos chamar de lado duro, ou talvez firme, do Seu amor. Ainda assim, tenho dificuldade em acrescentar um adjetivo ao amor, porque amor é amor. Não existe amor brando em oposição a amor duro. É Seu amor, expresso em diferentes aspectos.

    Há consolo em Seu amor, mas também há uma mão que nos disciplina.

    A Disciplina como Expressão do Amor

    Considerem Hebreus 12:5-6.

    Filho meu, não desprezes a correção do Senhor,
    E não desmaies quando por Ele fores repreendido;
    Porque o Senhor corrige o que ama,
    E açoita a qualquer que recebe por filho.

    Porque Ele nos ama tanto, Ele nos disciplina. Está nos treinando. No cristianismo moderno, isso é considerado amor? É essa a mensagem que ouvimos tanto hoje? Não a ouvimos com frequência.

    Mas, irmãos e irmãs, o Senhor tem zelo por Seus filhos. Ele deseja conduzir muitos filhos à glória e nos conformar à Sua imagem. No processo de treinamento, há disciplina. Por amor, Ele nos diz: “Não, você não pode fazer isso. Essa parte do seu caráter não está certa. Não está de acordo com Meu caráter, e quero tocar nela”.

    Aquela ira, aquele temperamento explosivo, aquela gula — há coisas em nossa vida nas quais o Senhor toca. É interessante: não se ouvem muitos sermões sobre a gula. Depois de fazermos nossa grande refeição de comunhão, esse assunto fica meio proibido. Mas sempre falamos de todas as outras coisas.

    O Senhor toca em nós porque nos ama. Ele sabe que, quando as coisas se tornarem difíceis e a crise que está à frente chegar, se não tivermos resolvido essas questões agora, elas se tornarão pedras de tropeço. Tropeçaremos nelas. Elas se tornarão pesos e laços que nos enredam.

    Mas, louvado seja Deus, em Seu amor Ele ilumina nossa vida e diz: “Você precisa se libertar disso. Você precisa se libertar disso. Você ama isso demais. Você ama isso mais do que a Mim”.

    É uma palavra dura quando Ele diz que, se queremos ser Seus discípulos, não podemos amar pai, mãe, irmã ou irmão mais do que a Ele. Mas Ele precisa ocupar o primeiro lugar. O amor de Cristo precisa conquistar e governar completamente nosso coração, porque qualquer outro amor nesta terra pode nos distrair e nos afastar em tempos difíceis.

    O Amor Unido ao Conhecimento e ao Discernimento

    Há outro aspecto do Seu amor. Em Filipenses 1:9-10, Paulo diz:

    E peço isto: que o vosso amor cresça mais e mais em conhecimento e em todo o discernimento;
    Para que aproveis as coisas excelentes;
    Para que sejais sinceros e sem ofensa até ao dia de Cristo.

    Ele está falando do amor ágape, do amor de Cristo em nosso coração. Ele deseja que esse amor transborde em conhecimento real — conhecimento experimental — e discernimento. Muitas vezes, separamos amor, conhecimento e discernimento, mas essas são questões do coração.

    Esse conhecimento é um conhecimento do coração. É como Salomão orando:

    Dá, pois, ao Teu servo um coração entendido.

    Precisamos de um coração que ouça e de um espírito que discirna.

    Muitas vezes, no cristianismo de hoje, dizem-nos que precisamos aceitar tudo o que leva o nome do Senhor ou o nome de cristão. Mas o Senhor diz: “Não. Vocês precisam ser sábios nestes dias. Precisam discernir as coisas que realmente vêm de Mim e aquelas que não vêm”.

    Algumas coisas vêm da carne do homem. Algumas podem vir do inimigo, embora usem Seu nome. Precisamos ser sábios. Nosso Senhor foi sábio enquanto andou nesta terra. Às vezes, a maneira como respondia às pessoas podia parecer estranha, mas havia discernimento.

    Nicodemos foi até Ele, e o Senhor falou sobre nascer de novo. Ele o trouxe de volta à realidade daquilo que era essencial. Na sociedade moderna, podemos ser tão “abertos” que pensamos que precisamos aceitar tudo. Mas o Senhor diz: “Isto é o essencial. Isto é o necessário”.

    Se Seu amor — Sua vida em nós — estiver nos governando, haverá conhecimento e discernimento a respeito do que vem Dele e do que não vem. Não seremos desviados, embora muitos venham em Seu nome.

    A Santidade do Amor de Cristo

    Seu amor é santo. Há santidade em Seu amor. Hoje, irmãos e irmãs, muito da santidade do amor de Cristo se perdeu. Santidade não é uma palavra popular. Muitas vezes, equiparamos santidade a legalismo.

    Mas nada poderia ser mais diferente do que essas duas coisas. A maneira como o homem e seus sistemas procuram impor a santidade pode ser legalismo, mas a verdadeira santidade no Espírito Santo é a gloriosa liberdade dos filhos de Deus.

    Essa liberdade não é liberdade para fazer o que queremos. É liberdade para fazer tudo o que Ele deseja que façamos. A liberdade dos filhos de Deus é a liberdade de obedecer ao nosso Mestre.

    Vemos Sua santidade expressa em Seu amor por Sua casa quando Ele purificou o templo. Havia tanto zelo e fervor que Ele não podia suportar o que via. “Esta é a casa de Meu Pai.”

    Como a casa de Deus perdeu tanto de sua santidade hoje. Ele lidava com pecadores e detestava o pecado. Dizia-lhes:

    Vai-te, e não peques mais.

    Ele não passava a mão na cabeça deles. Havia santidade em Seu amor.

    Quanto mais experimentamos o amor de Cristo, mais aprendemos o temor de Deus. Vocês sabem por que o temor de Deus se perdeu entre os crentes hoje? É porque perdemos o amor de Deus.

    Se realmente enxergarmos o amor de Cristo, aprenderemos dentro de nós um temor reverente e profundo do Senhor — não ter medo Dele, mas amá-Lo tanto que não desejemos decepcioná-Lo nem deixar de corresponder ao que Ele espera de nós.

    Nunca conheceremos o temor de Deus se primeiro não conhecermos o amor de Deus. Que o Senhor realize essa grande restauração em nosso coração, conduzindo-nos e atraindo-nos de volta a Ele e nos conformando à Sua imagem.

    O Amor de Cristo como Poder que nos Governa

    Há tanto do caráter do Seu amor que Ele deseja que aprendamos, e todos os dias nos dá uma oportunidade de aprender. Ele deseja que aprendamos essas coisas para que sejamos governados por Ele — governados por Seu amor.

    Por quem somos governados? É interessante ver como o amor de Cristo conquistou os discípulos e operou neles de maneiras diferentes.

    Pedro e o Amor de Cristo

    Pedro chegou a aceitar o amor de Cristo por meio de suas falhas e de seu pecado. Em Lucas 5, Pedro e os outros haviam pescado a noite inteira e não tinham apanhado nada. O Senhor lhe disse que saísse novamente e lançasse as redes.

    Sem muito entusiasmo, Pedro disse: “Já que Tu estás pedindo, vou fazer”. Ele não esperava nada. Mas saiu, lançou a rede, e ela ficou tão cheia que as redes começaram a se romper.

    Como Pedro respondeu? Ele disse:

    Senhor, ausenta-Te de mim, que sou um homem pecador.

    Pedro não conseguia aceitar que Deus o amasse por causa de seus próprios pecados e fracassos. Estava profundamente convencido de seu pecado.

    Mas, na verdade, Pedro era como uma criancinha. Dizia: “Afasta-Te de mim”, mas, na realidade, estava pedindo que o Senhor o segurasse com mais força. Era como dizer: “Afasta-Te de mim, mas não Te afastes de verdade. Não toques em mim, mas abraça-me com mais força”.

    Ele estava dividido. Ainda assim, apesar dele mesmo, o amor de Deus por ele — o amor de Cristo — o estava conquistando. Sabemos que o Senhor nos ama apesar de nós mesmos? Se enxergarmos isso, esse amor nos conquistará, nos governará, dirigirá nossa vida e nos conduzirá a decisões corretas.

    Romanos 5 nos traz esta palavra maravilhosa e encorajadora: Deus não esperou que melhorássemos nem que fizéssemos algo por Ele. Ele demonstrou Seu amor por nós:

    Sendo nós ainda pecadores, Cristo morreu por nós.

    Ele deseja demonstrar esse amor em nossa vida todos os dias, de maneira nova e viva — não apenas como um versículo histórico que podemos citar, mas como uma realidade experimentada em nossa vida.

    Mais tarde, Pedro disse ao Senhor: “Eu Te amarei. Morrerei por Ti. Nunca Te negarei”. Então O negou. O amor natural de Pedro precisava chegar ao fim para que a plena suficiência do amor de Cristo pudesse governar sua vida.

    Naquele momento, Pedro negou o Homem errado. Mas, mais tarde, Pedro negou o homem certo — a si mesmo — e morreu como mártir. Na primeira vez, Pedro amou sua própria vida. Na segunda, não amou sua vida até a morte. Ele foi conquistado e governado pelo amor de Cristo.

    João e a Transformação do Caráter

    Muitas vezes, pensamos no apóstolo João como o apóstolo do amor, mas esquecemos como o Senhor o chamou originalmente: filho do trovão. O Senhor tomou um filho do trovão e o transformou em apóstolo do amor.

    Ele pode fazer isso com cada um de nós. Somos filhos do trovão. Quando alguém faz alguma coisa de que não gostamos, queremos fazer descer trovões e raios sobre essa pessoa. Podemos manter nossa boa fachada cristã e fazer isso em particular, em vez de publicamente, mas, em nosso coração, talvez estejamos invocando raios sobre aquela pessoa.

    Louvado seja Deus, Ele pode tomar um filho do trovão e transformá-lo em um filho do Seu amor.

    João foi exilado na ilha de Patmos por causa da Palavra de Deus e do testemunho de Jesus. Mas, apesar daquele exílio, João conhecia o amor de Cristo que o constrangia. Sabia que aquele amor o estava conquistando.

    Enquanto João estava naquela ilha, o amor de Cristo crescia cada vez mais. Ele podia enxergar o amor de Cristo sustentando-o de maneira mais plena e profunda, e experimentou esse amor em toda a sua plenitude.

    Paulo e a Plena Suficiência do Amor

    Paulo testemunha em 2 Coríntios que era governado pelo amor de Cristo. Ele diz:

    Porque o amor de Cristo nos constrange.

    Ao longo de 2 Coríntios, Paulo testemunha da plena suficiência do amor de Cristo em meio a aflições, perseguições, desespero, decepções e tudo o mais.

    Irmãos e irmãs, assim como Paulo experimentou o amor de Cristo, nós também podemos experimentá-lo em tudo o que atravessarmos. Às vezes, o amor de Cristo nos tira de determinadas situações; louvado seja Deus, Ele faz isso. Mas, em outras ocasiões, o amor de Cristo nos guarda durante a situação.

    Considerem Isaías 43:2.

    Quando passares pelas águas, estarei contigo;
    E, pelos rios, eles não te submergirão;
    Quando passares pelo fogo, não te queimarás;
    Nem a chama arderá em ti.

    Ao atravessarmos as provações da vida, o amor de Cristo, que nos ama em toda a sua plenitude, nos ama ao longo de todo o caminho através dessas coisas. Ele nos guarda enquanto as atravessamos.

    Às vezes, pensamos que as provações não têm fim. Às vezes, não conseguimos enxergar a luz no fim do túnel. Mas podemos enxergar a Ele.

    O que estamos procurando em meio a uma crise, irmãos e irmãs? Muitas vezes, procuramos uma saída. Procuramos o fim, e eu entendo isso. É a primeira coisa que perguntamos: “Como saio desta situação? Quando isso vai acabar?”.

    Mas o que devemos procurar? Devemos procurar a Ele. Se pudermos enxergá-Lo em meio à situação, de repente as circunstâncias mudam, e toda a perspectiva das coisas muda em nossa vida.

    No final da vida de Paulo, ele testemunhou que todos o abandonaram, mas o Senhor permaneceu ao seu lado. Louvado seja Deus, às vezes não há ninguém por perto para ajudar, mas o Senhor permanece ao nosso lado.

    Aqueles que abandonaram Paulo antes haviam estado com ele. Você não pode abandonar alguém com quem nunca esteve. Eles o deixaram e abandonaram não somente sua pessoa, mas também seu ensino. Deixaram-no de lado e seguiram seu próprio caminho.

    Mas Paulo dependia mais do amor de Cristo do que do amor dos irmãos. Em última análise, ele se entregou inteiramente ao amor de Cristo.

    Se dependermos do amor dos irmãos, ficaremos ofendidos e magoados, e talvez abandonemos a corrida. Agora, se tivermos o amor de Cristo em nós, amaremos os irmãos. Não entendam mal o que estou dizendo. Se tivermos o amor de Cristo, amaremos os irmãos.

    Mas, se dependermos mais de nossos irmãos e irmãs do que de Cristo para chegar até o fim, não conseguiremos. Precisamos ter o fundamento sólido do amor de Cristo governando e reinando em nosso coração.

    Independentemente de como os irmãos nos tratem, precisamos prosseguir. Precisamos continuar até o fim. Esse é o amor que não sofre influências. Esse é o amor de Cristo.

    As coisas que mais nos ferem muitas vezes são feitas por aqueles que estão mais próximos de nós. Às vezes, vamos ferir uns aos outros. Como congregações, ao atravessarmos o que quer que esteja à frente, vamos ofender, falhar e decepcionar uns aos outros.

    Louvado seja Deus, temos o sangue do Cordeiro que nos purifica, e há oportunidades de restauração. Mas não podemos permitir que essas feridas se tornem obstáculos ou pedras de tropeço. O amor de Cristo precisa governar nosso coração de tal maneira que o amor pelos irmãos se manifeste.

    Desejo isso porque vejo que, muitas vezes, permitimos que uns aos outros afetem nosso relacionamento com o Senhor. Isso não está certo. Não está certa a maneira como às vezes tratamos uns aos outros. Mas, independentemente de como sejamos tratados, precisamos prosseguir e terminar esta corrida.

    Somente o amor de Cristo nos guardará em tudo isso. Que o amor de Cristo se manifeste de maneira mais plena e profunda, para que possamos ser o testemunho que Ele deseja que sejamos neste tempo.

    O Amor Imutável de Cristo

    Seja o que for que esteja à nossa frente, qualquer que seja a situação, o amor de Cristo é plenamente suficiente em tudo.

    Eu estava lendo um sermão de C. H. Spurgeon. Ele falava sobre o amor de Cristo e contava como, depois de um de seus sermões, foi almoçar na casa de um fazendeiro. Ora, quem conhece Spurgeon sabe que ele gostava de comer. Spurgeon era bem corpulento, e não havia nenhum Vigilante do Peso com ele.

    Ele foi à casa daquele fazendeiro, onde não há nada melhor do que uma boa refeição caseira. Tudo era fresco, e trouxeram toda aquela comida. Ele comeu e comeu até ficar empanturrado.

    Depois saiu, andando de um lado para o outro e dando tapinhas naquela sua enorme barriga. Olhou para o alto do celeiro e viu uma veleta, um indicador da direção do vento. Havia algo escrito nela, mas ele não conseguia ler. Então perguntou ao fazendeiro: “O que está escrito na sua veleta?”.

    O fazendeiro respondeu: “Deus é amor”.

    Spurgeon, com aquele seu jeito um tanto imponente, olhou de cima para aquele pequeno irmão e disse: “Por que você colocaria ‘Deus é amor’ numa veleta? Isso deveria estar dentro de sua casa, numa placa bonita. Por que colocaria essa frase lá em cima, numa veleta?”.

    O pequeno fazendeiro finalmente se levantou e disse: “Bem, irmão, olho para aquela veleta, e ela me diz que, seja qual for a direção em que o vento sopra, o amor de Deus está comigo. Se for um vento frio do norte, o amor de Cristo está comigo. Se for um vento quente do sul, o amor de Cristo está comigo”.

    Irmãos e irmãs, ao atravessarmos esta vida, seja qual for a direção em que o vento sopre, o amor de Cristo está conosco, porque Ele nos amou em toda a plenitude do Seu amor.

    Por que Ele nos ama? Ele nos ama porque nos ama. Como disse ao povo em Deuteronômio, Ele não pôs Seu amor sobre eles porque eram numerosos ou maiores do que os outros povos. Na verdade, eram o menor povo. Mas Ele os amou porque os amou.

    Ele nos ama de tal maneira que deseja que não vivamos mais para nós mesmos, mas para Ele, que morreu por nós, a fim de que sejamos Seu povo neste tempo.

    Conclusão

    Ao considerarmos o amor de Cristo, oramos para que o Senhor nos encoraje e fortaleça neste tempo. À medida que nos tornamos mais conscientes do Seu amor, que permitamos que o caráter desse amor seja desenvolvido em nós e nos governe.

    Que sejamos arraigados e fundamentados Nele de maneira mais plena e profunda, independentemente do que esteja à frente. Há um processo de enraizamento, fundamentação e edificação acontecendo à medida que somos conformados à Sua imagem — não apenas individualmente, mas também à medida que somos reunidos por Seu grande amor para ser o testemunho que Ele deseja neste tempo.

    Que sejamos um povo que não apenas O ama, mas responde ao Seu amor. Que sejamos preparados e apressemos Sua volta.

    Que o amor de Cristo nunca se torne familiar demais para nós. Que nunca o consideremos algo meramente elementar. Que ele seja novo no coração de cada um de nós todos os dias, para que conheçamos Seu amor por nós em toda a sua plenitude.

    Oração Final

    Senhor, mesmo quando apenas tocamos no assunto do Teu amor, há uma imensidão que vai muito além de nós. Reconhecemos que provamos do Teu amor apenas em parte.

    Mas, Senhor, esse sabor é tão doce em nossa boca que nos faz desejar provar cada vez mais de Ti.

    Ó Senhor, somos gratos porque tornaste Tua vida e Teu amor disponíveis a nós. Oramos para que sejamos encontrados cooperando Contigo neste tempo, cooperando de tal maneira que Tua luz brilhe cada vez mais.

    Que tenhas o testemunho de Ti mesmo sobre esta terra neste tempo, nestes últimos dias. Enquanto muitas falsificações surgem, que uma verdade seja recuperada na terra nesta hora, uma verdade que testemunhe de Jesus Cristo como Rei dos reis e Senhor dos senhores, como Aquele que nos amou primeiro.

    Em nome de Jesus. Amém.