Gostaria de pedir que vocês abrissem comigo em Zacarias 4. Zacarias é um dos profetas menores do Antigo Testamento. É o penúltimo livro do Antigo Testamento, então vocês devem conseguir encontrá-lo. Basta ir até Mateus, voltar um livro, para Malaquias, e depois voltar mais um, e vocês estarão em Zacarias.
Sempre fico intrigado com o fato de serem chamados de profetas menores. Se você fosse chamado de irmão menor ou irmã menor, ficaria bastante ofendido. É como se eles não tivessem muito a dizer. Mas, de alguma forma, alguém disse que essas pessoas, que talvez não tenham falado tanto, eram profetas menores, e o nome pegou.
Mas quero que vocês saibam que Zacarias, em particular, trouxe uma palavra de grande importância — uma das palavras que muitos consideram a mais importante do Antigo Testamento. Por isso, gostaria de ler este capítulo inteiro, Zacarias 4:1-14. Não é um capítulo longo.
E o anjo que falava comigo voltou e me despertou, como a um homem que é despertado do seu sono.
E me disse: Que vês?
E eu disse: Vejo, e eis um candelabro todo de ouro, com um vaso de azeite em cima, e as suas sete lâmpadas sobre ele; há sete tubos para cada uma das lâmpadas que estão em cima dele;
E duas oliveiras junto a ele, uma à direita do vaso de azeite, e a outra à sua esquerda.
Talvez alguns de vocês estejam assim nesta manhã — ou talvez eu os faça dormir.
Então respondi e falei ao anjo que falava comigo, dizendo: Que são estas coisas, meu senhor?
E o anjo que falava comigo respondeu e me disse: Não sabes tu o que são estas coisas?
E eu disse: Não, meu senhor.
Então respondeu e me falou, dizendo: Esta é a palavra do Senhor a Zorobabel, dizendo: Não por força, nem por poder, mas pelo Meu Espírito, diz o Senhor dos Exércitos.
Quem és tu, ó grande monte? Diante de Zorobabel te tornarás uma planície; e ele trará a pedra de remate com aclamações de: Graça, graça a ela!
E a palavra do Senhor veio a mim, dizendo: As mãos de Zorobabel lançaram os fundamentos desta casa; também as suas mãos a acabarão; e saberás que o Senhor dos Exércitos me enviou a vós.
Pois quem desprezou o dia das pequenas coisas? Estes sete se alegrarão e verão o prumo na mão de Zorobabel; estes são os olhos do Senhor, que percorrem toda a terra.
Então respondi e lhe disse: Que são estas duas oliveiras à direita do candelabro e à sua esquerda?
E respondi pela segunda vez e lhe disse: Que são estes dois ramos de oliveira junto aos dois tubos de ouro, que esvaziam de si o azeite dourado?
E ele me respondeu e disse: Não sabes tu o que são estas coisas?
E eu disse: Não, meu senhor.
Então ele disse: Estes são os dois filhos do azeite, que assistem junto ao Senhor de toda a terra.
Vamos orar?
Senhor, não tratamos a Tua Palavra como algo de pouca importância. Dependemos inteiramente do Espírito Santo para tornar estas coisas reais e vivas para nós. Nesta manhã, não estamos interessados apenas em receber alguma informação nova; queremos que Tu nos fales o que o Espírito está dizendo às igrejas neste livro e que abras o nosso coração.
Senhor, dizemos novamente, como Pedro teve de confessar:
Só Tu tens as palavras da vida eterna. Para quem iremos?
Se Tu não falares, não haverá proveito algum. Mas, se Tu falares, haverá grande proveito.
Por isso, invocamos o nome do Senhor para que a Tua Palavra viva nos seja revelada, para que o nosso coração seja despertado para aquilo que ela diz e para que o nosso espírito responda de acordo com ela, da maneira que Tu desejas. Senhor, faz esse milagre entre nós hoje, mais uma vez, para a Tua glória e o Teu louvor. Amém.
Bem, este não é um capítulo muito longo. Compartilhei uma palavra em Bowling Green há mais ou menos um mês — talvez já tenha passado mais tempo; é difícil me lembrar. Fui convidado para ir a Bowling Green e estava diante do Senhor, buscando o que compartilhar.
Esta expressão de Zacarias 4:10, “o dia das pequenas coisas”, foi vivificada para mim pelo Espírito Santo. Ao pensar nela, era só nisso que eu conseguia pensar: o dia das pequenas coisas. Vivemos num dia de pequenas coisas, e como precisamos saber o que o Senhor está fazendo nestes dias e cooperar com Ele.
Linda e eu, Fontaine e Carolyn fomos até lá. Tivemos uma boa comunhão com eles e compartilhamos a palavra. Quando voltei a Richmond, os irmãos me perguntaram sobre o que eu havia falado. Apresentei os três pontos, e eles acharam que também eram apropriados para nós aqui em Richmond.
Assim, confio que o Senhor nos vivificará e renovará, e que juntos ouviremos algo que nos ajude e nos desafie no Senhor. Como Keen disse, o encargo que tenho no coração é a restauração do testemunho do Senhor em dias difíceis.
Isso, por si só, explica o contexto de Zacarias. Eles faziam parte do pequeno remanescente que voltou sob o governo de Zorobabel e sob o sumo sacerdote Josué, com uma única tarefa em vista: voltar do cativeiro babilônico e reconstruir a casa de Deus.
Essa era a tarefa que lhes havia sido confiada. E é justamente isso que este capítulo faz: ele inspira. O profeta foi usado por Deus para motivar e inspirar novamente o povo de Deus, num período extremamente difícil, a retomar a construção da casa de Deus.
Quando voltaram, no início, pouquíssimos responderam. Cinquenta mil, dentre milhões, responderam ao chamado soberano que Deus fez por meio de Ciro, rei da Pérsia: “Todos os que quiserem” — vocês podem ler Esdras 1:1-2 — “voltem a Jerusalém para edificar a casa de Deus”.
Esse foi um chamado soberano. Dos que estavam no cativeiro babilônico, apenas cinquenta mil responderam. Irmãos e irmãs, qualquer que seja o critério que vocês usem, isso é o dia das pequenas coisas.
Parece que a maior parte do povo de Deus estava acomodada no cativeiro. Aqueles conquistadores eram espertos. Sempre digo isto: eles não tiraram completamente a religião do povo de Deus. Até lhes permitiram a ideia engenhosa de estabelecer sinagogas.
Era tudo o que tinham: um lugar para se reunir. Mas, se vocês pensarem bem, o judaísmo já não existia. Sei que alguns de vocês talvez me critiquem duramente por essa afirmação, mas o templo havia desaparecido. Os sacrifícios haviam desaparecido. A razão de se reunirem havia desaparecido.
O judaísmo, conforme havia sido estabelecido — o testemunho de Deus em Israel —, já não existia. Durante esse período difícil e sombrio, há uma expressão que aparece na Bíblia: Deus é chamado de “o Deus dos céus”. Ele já não é chamado de Deus dos céus e da terra, porque o testemunho de Deus na terra, que deveria estar em Jerusalém e nos filhos de Israel, havia sido perdido.
Assim, Ele só podia referir-Se a Si mesmo como o Deus dos céus. Mas, irmãos e irmãs, aqui está o encorajamento: Deus não Se esquecerá do Seu propósito. Ele não Se esquecerá do Seu testemunho.
Embora possamos ser infiéis, o Novo Testamento diz, em 2 Timóteo 2:13, que Ele permanece fiel. Ele fará um chamado em cada geração àqueles poucos que responderem e se colocarem ao lado do Senhor. É disso que trata Zacarias 4.
Eram tempos difíceis. Eles saíram com tanta energia e tanto zelo. Quantas vezes isso também acontece conosco. Quando o Senhor nos fala e nos chama para Si, nós vamos e começamos com tanta energia e tanto zelo.
Mas não demorou muito para que começassem a fazer concessões. Os fundamentos do templo foram lançados com tanto zelo, e então a obra parou completamente. Vocês conseguem imaginar? Onde está a esperança neste dia de pequenas coisas?
Certamente não estava na Babilônia, embora o Seu povo estivesse lá. Sem dúvida, deveria estar em Jerusalém. No entanto, os próprios que haviam respondido ficaram desanimados. Foram sufocados pela vida cotidiana. Começaram a construir as próprias casas e deixaram de construir a casa de Deus. A obra ficou em silêncio.
Deus levantou Ageu nessa mesma época, um contemporâneo de Zacarias e um profeta mais velho. Ageu confrontou o povo de Deus. Vocês conhecem a história. Na verdade, seu livro vem imediatamente antes de Zacarias.
É para vós tempo de habitardes nas vossas casas apaineladas, enquanto esta casa permanece em ruínas?
Ora, pois, assim diz o Senhor dos Exércitos: Considerai os vossos caminhos.
Irmãos e irmãs, o Senhor nos chamou para voltar, abandonar as concessões, retornar a Ele e reconstruir a casa de Deus? Será que ficamos desanimados? Será que fomos sufocados pela vida?
Há uma expressão que eu uso. Não sei se vocês vão gostar dela, mas eu a uso com frequência, a ponto de Linda provavelmente já estar cansada de ouvi-la. Eu digo: “A vida entrou no caminho.”
Vocês entendem o que quero dizer? Essas pessoas voltaram com intenções tão boas, com tanto zelo e tanto empenho. Então a vida entrou no caminho. Aqueles mesmos que deveriam restaurar o testemunho de Deus em Israel — a vida entrou no caminho.
Penso nisso muitas vezes. Estou numa idade em que meus amigos estão morrendo. Não quero ser deprimente, mas, quando as pessoas me perguntam por que leio os obituários, é porque conheço as pessoas que aparecem ali.
Agora, pensem nisso. Qual é o propósito da vida? Para que Deus nos chamou? Por que estamos aqui? Será que simplesmente viveremos os nossos dias e teremos algum obituário que fale de todas as grandes coisas que fizemos — ou não fizemos —, enquanto a vida entrou no caminho e nunca edificamos a casa de Deus?
Muitas vezes digo ao Senhor: “Não deixes que esse seja o meu legado. Não permitas que eu fique tão ocupado a ponto de perder o chamado, não responder e não fazer justamente aquilo para o que Tu me chamaste. Não deixes que isso aconteça”.
A vida entrou no caminho. Bem, aqueles eram tempos difíceis. Acho que vivemos em dias semelhantes.
Por outro lado, Deus sempre tem o Seu testemunho em cada geração. Recentemente, eu estava lendo um livro. Li bem devagar, um capítulo de cada vez, e refleti sobre ele. Chama-se O testemunho cristão através dos séculos, de T. W. Carron. Talvez vocês o tenham visto aqui na estante.
Fiquei impressionado com o fato de que Deus encontrou, em cada geração, pessoas por meio das quais pôde restaurar algo do Seu testemunho, e elas responderam a Ele. Ao ler, fiquei profundamente tocado pelo que elas enfrentaram por causa do testemunho de Deus. Por um momento, pensei em como conheço pouco das verdadeiras dificuldades — como realmente conheço pouco.
Mas aqueles que voltaram para Ele deram testemunho Dele. O próprio nome de Zacarias significa: “O Senhor Se lembra”. Ele nunca Se esquecerá do Seu testemunho. Sempre estará à procura de um, dois ou mais.
Você pode chamar isso de um dia de pequenas coisas. Pode dizer: “O que aqueles cinquenta mil estavam pensando? Como era insignificante o que fizeram”. Mas Deus os chama de Seus escolhidos, aqueles sobre os quais Ele escreverá um livro de memória, como diz em Malaquias 3:16 — aqueles que meditavam no Seu nome.
Bem, espero que vocês percebam a semelhança com os nossos dias. Zacarias 4 é um dos capítulos mais importantes de todo o Antigo Testamento. Vocês não precisam aceitar isso apenas porque eu disse. C. A. Coates disse isso.
Ele disse que é um dos capítulos mais importantes de todo o Antigo Testamento, especialmente para os tempos de remanescente — para os dias difíceis. E acrescentou que é um capítulo que encoraja aqueles que desejam prosseguir. É disso que precisamos.
Agora quero compartilhar apenas três coisas. Espero poder apresentá-las com a maior clareza possível. Há três coisas neste capítulo de que precisamos — ou, pelo menos, três coisas que eu vi e de que precisamos. Talvez vocês vejam mais, e muito melhor do que eu.
Em primeiro lugar, o que precisamos para a restauração do testemunho do Senhor em tempos difíceis é de uma grande visão. Se não tivermos uma grande visão, nunca seremos usados para restaurar o testemunho do Senhor.
Em segundo lugar, nessa parte central, creio que há um grande encorajamento para edificar. Essas pessoas estavam sobrecarregadas. Estavam desanimadas. Estavam absorvidas pela própria vida e praticamente haviam desistido — até que essa grande palavra de encorajamento lhes chegou. Então começaram a reconstruir.
Por fim, creio que nos últimos três versículos há algo para nós, em nossos dias, sobre um grande chamado. Se respondermos, podemos fazer a diferença.
Vamos começar por aqui. Antes de tudo, Zacarias era um homem de visão — acima de qualquer outra coisa. Neste pequeno livro, ele tem oito visões. É impressionante: oito visões. Ele era um homem de visão, e foi isso que fez a diferença na sua utilidade.
Acima de tudo, Zacarias tinha uma visão da pessoa do Senhor Jesus. Essa era a visão que o dominava. Essa era a sua grande visão.
Neste pequeno livro, há mais profecias messiânicas a respeito do Senhor Jesus do que em qualquer outro profeta do Antigo Testamento, exceto Isaías — e vocês sabem como o livro de Isaías é extenso.
Ele tinha uma visão de Cristo. Viu Cristo como o Renovo. Viu Cristo como o Servo. Viu a entrada de Cristo em Jerusalém sobre um jumentinho, cria de jumenta.
Recentemente, alguém compartilhou isso na abertura de uma reunião de domingo. Achei muito bom e muito singular. Creio que talvez tenha sido a única vez que isso foi compartilhado numa abertura aqui, nesses mais de trinta e cinco anos em que estou aqui. Mas veio de Zacarias 9:9. Ninguém além de Zacarias teve essa visão de Cristo.
Ele tinha uma visão de Cristo. Essa era a sua grande visão. Viu Cristo como o Bom Pastor, muito antes de João se levantar e dizer que Ele era o Bom Pastor das ovelhas.
Ele viu Cristo traído por trinta moedas de prata. Viu as mãos de Cristo traspassadas. Viu o povo de Cristo salvo. Viu Cristo ferido na casa dos Seus amigos. Viu Cristo vindo ao monte das Oliveiras.
Vocês conseguem imaginar quantas vezes falamos hoje sobre a segunda vinda do Senhor Jesus — quando Ele aparecerá, virá ao monte das Oliveiras, e o monte se partirá ao meio? Essa grande segunda vinda, quando Ele estabelecerá o Seu reino na terra — foi Zacarias quem viu a vinda do Senhor ao monte das Oliveiras. Ele viu Cristo vindo para ser coroado como Rei.
Isso é uma visão plena de Cristo. Irmãos e irmãs, quando falamos de uma grande visão, ela é, antes de tudo, uma visão do próprio Senhor Jesus.
Se não vemos Cristo, o que vemos? Se não O vemos como tudo — a totalidade da provisão de Deus para nós como Seu povo, a esperança do Seu povo, tudo reunido em uma só Pessoa, a dádiva indescritível de Deus ao homem —, o que vemos?
Esse era o segredo da vida de Zacarias. O tema do seu livro era:
Tornai-vos para Mim, e Eu Me tornarei para vós, diz o Senhor dos Exércitos.
Como precisamos voltar ao nosso amado Cristo como tudo. Quando começamos a nos reunir, anos atrás, a princípio me parecia que não tínhamos nada que fosse uma grande visão. Mas então comecei a perceber que a grande visão é o Senhor Jesus.
Foi isso que nos impulsionou a estar juntos e permanecer juntos quando éramos criticados por toda Richmond como uma pequena seita sem nome. As pessoas diziam: “Aquele grupo nem sequer adota um nome. Quem são eles?”.
Mas nós vimos Cristo. Naqueles primeiros dias, Cristo era suficiente.
Essa grande visão não inclui apenas o Senhor Jesus. Quando vocês olham para os primeiros versículos de Zacarias 4, essa grande visão também incluía a casa de Deus. Pensem nisso. Incluía o candelabro — o candeeiro, se preferirem.
O que Zacarias viu não foi apenas Cristo como tudo, mas Cristo no Seu povo: um testemunho vivo na terra. Essa era a grande visão de Zacarias.
Essa visão de Zacarias é idêntica à visão de Pedro em Mateus 16:16-18. Vocês se lembram de quando o Senhor disse a Pedro:
Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue que to revelou, mas Meu Pai, que está nos céus.
Qual era a visão de Pedro?
Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.
Então o Senhor Jesus revelou a segunda parte dessa visão:
Também Eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a Minha igreja; e as portas do Hades não prevalecerão contra ela.
Pedro era uma pedra viva. Fazia parte daquela casa, era parte do material daquela casa. Muitas vezes pensamos na casa de Deus como um edifício. Mas, na grande visão, a casa de Deus é um povo.
Não se trata de pedras extraídas da terra, moldadas e colocadas no lugar. Trata-se de corações humanos nos quais o Espírito Santo entra e habita. Ele nos forma e nos molda à semelhança da imagem do Senhor Jesus, coloca-nos com pessoas que têm o mesmo modo de pensar e nos edifica como uma habitação santa para Deus no Espírito. Esse é o templo.
Israel sempre foi identificado pelo candelabro. No Arco de Tito, após a destruição de Jerusalém no ano 70 d.C., o que eles estão levando embora? O candelabro. O testemunho em Jerusalém havia desaparecido.
Assim, Zacarias viu primeiro um candelabro. Viu um candelabro todo de ouro. Esse era o testemunho que Deus procurava. Ele deveria estar em Israel.
Quando Deus chamou os filhos de Israel para fora da escravidão do Egito, eles deveriam ser um candelabro todo de ouro — inteiramente de Deus —, sustentando a luz. Eles não eram a luz. Estavam longe de ser a luz. E nós não somos a luz. Estamos longe de ser a luz.
Mas Ele é a luz, e essa luz resplandecente brilha para o mundo inteiro. Este é o testemunho de Deus: o candelabro, todo de ouro, inteiramente de Deus.
Essa é a visão. Essa é a grande visão. Deus nos amou tanto — pensem nisso, apenas pensem nisso — que quis que fôssemos a Sua expressão. Quis que fôssemos o Seu testemunho.
Ele queria isso em Israel, e Israel é apenas uma sombra e um tipo da igreja. Ele quer isso na igreja. Lemos sobre o candelabro em Êxodo, colocado no Lugar Santo, junto ao altar do incenso e à mesa dos pães da proposição. Ele estava diante do Deus da glória, que habitava no Santo dos Santos, e era um testemunho para o mundo inteiro de Quem Deus era.
Mas o candelabro não termina ali. Vocês vão a Apocalipse, capítulos 1 a 3, e leem novamente sobre o candelabro. Apocalipse 1:20 diz que os sete candelabros são as sete igrejas.
A igreja deve ser o candelabro, fazendo essa luz brilhar para o mundo. O testemunho de Deus está no Seu Filho, por meio da igreja — Ele sendo expresso em toda a Sua plenitude. Essa, irmãos e irmãs, é a grande visão.
Esta é a pergunta que foi feita a Zacarias em Zacarias 4:2: “Que vês?” Quero fazer a vocês essa mesma pergunta: Que vês?
Vocês veem o que está no coração de Deus? Já perceberam a magnificência do Seu Filho? Já lhes ocorreu que vocês foram escolhidos para fazer parte desse vaso eterno, para expressar toda a Sua glória, a Sua imagem e a Sua beleza — não apenas durante o reino, mas por toda a eternidade?
Foi perguntado ao profeta: “Que vês?”. Irmãos e irmãs, é por isso que considero a visão tão importante. Sei que alguns de vocês não gostam dessa palavra. Não se preocupem; não estou aborrecido com vocês. Sei que alguns a consideram uma palavra antiga. Mas não consigo expressar o quanto ela é importante.
Onde não há visão, o povo perece.
Sem visão, o povo se dispersa. Sem visão, cada um faz o que quer. Foi exatamente isso que aconteceu nesse período difícil. Irmãos e irmãs, como precisamos dessa grande visão.
O que me impressiona é que se trata da mesma visão: o que Zacarias viu é o que Pedro viu em Mateus. Há, porém, uma diferença entre o candelabro do Antigo Testamento e o candelabro do Novo Testamento.
No candelabro da visão de Zacarias e no candelabro do Antigo Testamento, no Lugar Santo, a luz precisava ser mantida continuamente pelo sacerdote, ou se apagaria. Essa é a diferença.
Mas aqui, em Zacarias 4, esse candelabro é diferente. É todo de ouro; é inteiramente de Deus. A natureza de Deus é ouro. Mas há algo mais: há um vaso de azeite em cima dele. Vocês não leem sobre um vaso assim em Êxodo nem em Apocalipse, capítulos 1 a 3.
Ele também tem duas árvores, uma de cada lado, à esquerda e à direita. Essas árvores fornecem azeite continuamente ao vaso, e o vaso tem sete tubos que fornecem azeite continuamente a cada uma das sete lâmpadas.
Por que estou dando tanta ênfase a isso? Porque, irmãos e irmãs, muitas vezes enxergamos o testemunho no nosso próprio nível e começamos a desprezá-lo como o dia das pequenas coisas.
Vocês veem as falhas. Veem o que está errado. Veem as pessoas. Veem algo que precisa ser mantido continuamente pelos homens.
Mas o que foi mostrado ao profeta era um testemunho mantido por Deus — suprido continuamente, sem que a luz enfraquecesse, cheio de glória e vivo. Essa é a diferença.
Creio que o que mais nos ajudaria seria Deus nos dar essa grande visão. Seríamos menos críticos. Estaríamos mais empenhados em que Deus obtenha aquilo que deseja nos dias difíceis em que vivemos.
Esse é o primeiro ponto. O segundo é o grande encorajamento. Quando vocês veem essa grande visão, não sei se ela os deixa intimidados ou não. Talvez comecem a dizer: “Bem, isso é impossível. Ele não nos conhecia quando escreveu sobre isso. É impossível”.
Penso em Dom Quixote e em O homem de La Mancha. Alguns de vocês são jovens demais para saber do que estou falando. Mas a canção-tema era: “Sonhar o sonho impossível”. É assim que pensamos na grande visão: um sonho impossível. Nunca poderia acontecer entre nós ou durante a nossa vida — totalmente impossível.
Mas é justamente a esse desespero que chega esse grande encorajamento. Eles haviam desistido. Estavam naquilo que John Bunyan chamou, em O peregrino, de Pântano do Desânimo — o pântano do desespero.
Quantas vezes temos caído no desânimo. Olhamos para as notícias. Olhamos para o mundo. Olhamos para a igreja. Vocês olham para mim e dizem: “Isso é desesperador”. Somos vencidos e desistimos. Paramos de fazer justamente aquilo para o que fomos chamados.
É a essa situação que chegam essas palavras de grande encorajamento. Depois de uma grande visão vem um grande encorajamento. Quero apenas me deter por um momento em algumas dessas coisas — não em muitos detalhes, mas o suficiente para que, espero, vocês estejam encorajados ao final.
Há sete palavras de encorajamento. Vocês podem dividi-las de outra maneira, mas eu gosto de sete por uma razão específica: sete é o número perfeito nas Escrituras. Quando vemos sete palavras de encorajamento, começamos a entender que este é um grande encorajamento.
Esse grande encorajamento foi justamente o que os impulsionou a prosseguir. Depois que ele foi dado a Zacarias, começaram a reconstruir o templo. A construção do templo havia ficado parada por quinze anos. Ele foi construído num período total de vinte anos, de 536 a.C. a 516 a.C. — vinte anos, dos quais quinze de paralisação. Pensem nisso. Que grande encorajamento deve ter sido.
A primeira palavra está em Zacarias 4:6:
Não por força, nem por poder, mas pelo Meu Espírito, diz o Senhor dos Exércitos.
Pensem nisso. Tantas vezes achamos que a igreja vive ou morre pela nossa força e pelo nosso poder. Talvez você diga: “Ah, irmão, sou muito mais espiritual do que isso. Não faço isso de jeito nenhum”. Talvez vocês não entendam o que quero dizer, mas, tantas vezes, ao longo dos séculos, tudo tem se baseado no nosso poder e na nossa força.
A grande palavra de encorajamento veio a Zacarias: não é pelo poder natural nem pela força natural, mas pelo Meu Espírito, diz o Senhor dos Exércitos. Essa é a palavra de encorajamento.
Em outras palavras, não depende da sua força nem do seu poder. Talvez você diga: “Você não entende. Não tenho força nenhuma na vida”. Isso é uma boa notícia. Não é pela sua força nem pelo seu poder, mas pelo Meu Espírito, diz o Senhor dos Exércitos.
Essa é a única maneira de o testemunho ser restaurado. Essa é a única maneira de isso acontecer. Alguns de nós não têm, por natureza, um grande senso de responsabilidade e dizem: “Bem, não importa. Não estamos nem aí”. Outros têm mais senso de responsabilidade por natureza, e sentimos como se o peso do mundo estivesse sobre os nossos ombros. Pensamos: “Se não for por nós, isso não vai acontecer”.
Certamente o governador, Zorobabel, deve ter se sentido assim. Afinal, ele era o responsável. Esta foi a Palavra do Senhor a Zorobabel:
Não por força, nem por poder, mas pelo Meu Espírito, diz o Senhor.
Ele edificará a Sua igreja pelo poder e pela energia do Seu Espírito Santo, não pela nossa própria força e pelo nosso poder.
Agora vocês começam a entender o que o Senhor Jesus quis dizer quando falou — talvez em João 16:7 —: “Convém a vós que Eu vá”. Vocês conseguem imaginar se fossem aqueles discípulos? Eles estavam pensando: “Não, Senhor, não convém. Não vás”.
Nossa netinha Lily diz isso toda vez que estamos prestes a ir embora: “Não vão”.
Mas o Senhor disse:
Convém a vós que Eu vá; porque, se Eu não for, o Consolador não virá a vós; mas, se Eu for, Eu O enviarei a vós.
Pensem nisso. O grande encorajamento é que Ele deu a maior provisão de todos os tempos como recurso para edificar o Seu testemunho. As dificuldades podem ser grandes; de fato, são. A oposição pode ser grande; de fato, é. A fraqueza pode ser profunda; sim, é.
Aliás, isso não foi um slogan de campanha. Ninguém entendeu? Que bom.
Mas Ele deu o Seu Espírito Santo e, por meio desse Espírito Santo, pode restaurar o Seu testemunho.
A segunda coisa está em Zacarias 4:7:
Quem és tu, ó grande monte? Diante de Zorobabel te tornarás uma planície.
Isso é dito com desdém. Vocês entendem que o que eles enfrentavam não eram pequenos montes de terra? Eram montanhas. Não apenas montanhas, mas grandes montanhas.
Eles tinham enormes dificuldades, enorme oposição e enorme batalha. No entanto, a Palavra do Senhor vem com desdém: “Quem é você? Você não é nada. Vai se tornar uma planície”.
Até as maiores dificuldades desaparecerão ou se tornarão uma planície pela qual poderemos passar. Isso é um grande encorajamento.
Lembro-me de ir à Virgínia Ocidental de vez em quando. Talvez vocês perguntem: “O que há na Virgínia Ocidental?”. Eu ia a uma usina para trabalhar ali. Acho que é o lugar mais frio em que já estive.
Lembro-me de um dia em que estava do lado de fora. A temperatura do ar era de cerca de vinte graus Celsius abaixo de zero, e havia ventos de aproximadamente sessenta e quatro quilômetros por hora. Literalmente, achei que fosse morrer. Ficaram com tanta pena de mim que trouxeram um capuz. Eu não tive o bom senso de usar um capuz — estava apenas com meu pequeno capacete de segurança. Minhas orelhas já estavam azuis havia muito tempo.
Eles pediam orientações de engenharia, e tudo o que eu conseguia fazer era ouvir meus dentes baterem. Mas, nos primeiros tempos, quando íamos até lá, tínhamos de atravessar as montanhas — atravessar as montanhas, com curvas fechadas e rampas íngremes.
Havia trechos com inclinação de dez por cento, caminhões descendo a serra, gelo, neblina e neve. Lembro-me de que Linda e eu fomos lá certa vez para uma conferência de engenharia e, na segunda montanha, tivemos de parar no acostamento para que ela vomitasse. Sei que provavelmente isso não é algo que se deva dizer numa mensagem, mas aquelas montanhas eram difíceis de atravessar.
Mas sabem o que fizeram? Foi muito inteligente. Eu adoro a Virgínia Ocidental. Viva a Virgínia Ocidental! Desculpe, Jerry — Jerry é da Virgínia Ocidental.
Construíram uma nova rodovia interestadual bem no meio das montanhas e nivelaram as montanhas. É lindo. Mal posso esperar para chegar àquela estrada toda vez que vou até lá. Vou voando pela estrada, cantando a respeito dessas grandes montanhas: “Quem és tu, ó grande monte?”. Eles as nivelaram.
Você atravessava a dificuldade diretamente rumo ao seu destino, ao seu objetivo. É isso que o Senhor diz. Essa é a grande palavra de encorajamento.
Se isso não basta, a palavra continua. Zacarias 4:7 diz:
Ele trará a pedra de remate com aclamações de: Graça, graça a ela!
Vocês conseguem imaginar a esperança que isso nos dá, o encorajamento que isso desperta? Isso nos diz que a obra será feita. Será concluída.
Quando ela for concluída, você e eu não estaremos sentados em alguma pedra, dizendo: “Nossa, como foi difícil”. Estaremos nos unindo ao coro e clamando: “Graça, graça a ela!”. Foi tudo pela graça. Ele fez tudo.
Apesar da oposição, apesar da dificuldade, apesar dos problemas, foi tudo pela graça. Essa pedra de remate é colocada no lugar com aclamações de: “Graça, graça a ela!”. Irmãos e irmãs, isso é um grande encorajamento.
A Palavra do Senhor a Zorobabel, em Zacarias 4:9, foi esta:
As mãos de Zorobabel lançaram os fundamentos desta casa; também as suas mãos a acabarão.
Por que isso é um encorajamento tão grande? Porque esse mesmo grupo, que havia ficado tão desanimado, tão sobrecarregado e havia desistido, era quem terminaria a construção daquela casa.
Zorobabel é um tipo de Cristo. Ele é uma das ilustrações mais claras de Cristo em todo o Antigo Testamento. O Senhor Jesus disse a Pedro, ao falar de oposição e dificuldades:
Edificarei a Minha igreja; e as portas do Hades não prevalecerão contra ela.
Ele usou o pior cenário possível: “As portas do Hades não prevalecerão contra ela”. Isso é encorajamento. Isso é um grande encorajamento.
As mãos de Zorobabel lançaram os fundamentos desta casa. O apóstolo Paulo disse:
Porque ninguém pode lançar outro fundamento, além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo.
Ele é o fundamento, e o Senhor Jesus disse: “Eu concluirei esta obra”. Para mim, isso é um encorajamento tão grande. Espero que também seja para vocês.
Vejam esta pequena palavra em Zacarias 4:9:
E saberás que o Senhor dos Exércitos me enviou a vós.
Pensem nesse encorajamento. O encorajamento que veio por meio dos profetas menores foi: “Eu estou convosco, diz o Senhor dos Exércitos”. Vocês nunca mais os chamarão de menores.
Onde estaríamos? Talvez vocês pensem: “Ah, somos pequenos demais”. Mas o Senhor disse:
Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em Meu nome, aí estou Eu no meio deles.
O dia das pequenas coisas — ali estou Eu no meio de vocês. “Eu estou convosco, diz o Senhor dos Exércitos”. Esse é o grande encorajamento.
Então há esta repreensão, a única repreensão realmente forte:
Pois quem desprezou o dia das pequenas coisas?
Ficamos desanimados. Achamos que as coisas são pequenas demais, sem importância. Mas precisamos ver as coisas como o Senhor as vê. O Senhor ama usar coisas pequenas.
Pensem em todas as histórias da Bíblia nas quais o Senhor usa coisas pequenas. Considerem a alimentação dos cinco mil. O que Ele fez? Pegou o lanche de um menino, alimentou os cinco mil e, no final, sobraram doze cestos cheios — uma abundância.
Pensem em Davi. Todo Israel tremia nas sandálias diante do filisteu, e Davi, aquele pequeno pastor, tinha uma funda e cinco pedras lisas. O que ele poderia fazer? Era o dia das pequenas coisas. No entanto, aquilo se tornou uma das maiores vitórias de Israel.
Pensem nos cento e vinte. Se alguma vez houve um ministério na terra que fosse o mais poderoso de todos, certamente foi o ministério do Senhor Jesus. No entanto, ao final do Seu ministério, restavam apenas cento e vinte.
Se fôssemos você e eu, diríamos que foi um completo fracasso. Perdoa-me, Senhor, até por pensar nisso; é apenas uma ilustração. Diríamos: “Foi um completo fracasso — apenas cento e vinte”. Mas aqueles cento e vinte, aquelas pequenas coisas, mudaram o mundo.
Pensem num rapaz despercebido e desconhecido, filho de um mineiro pobre. Era Martinho Lutero. Ninguém notou seu nascimento, a não ser o senhor e a senhora Lutero. No entanto, um homem sem notoriedade derrubou o poder do papado e transformou o mundo religioso e cultural.
Pequenas coisas. Não desprezem as pequenas coisas.
Penso em Neemias. Tobias estava ali, nos bastidores, importunando Neemias. Posso usar essa palavra, “importunando”? Ele disse: “Que coisa é essa que vocês estão fazendo? Se uma raposa subir nesse muro de pedra, ele cairá”.
Desprezo. No entanto, Neemias disse mais tarde:
Estou fazendo uma grande obra, de modo que não poderei descer.
Pode ser pequeno. Nós certamente somos pequenos. Mas Deus Se deleita em usar coisas pequenas. 1 Coríntios 1:27 diz que Ele escolheu as coisas fracas do mundo, as que não são, as coisas loucas do mundo e até as coisas desprezadas do mundo.
Esse é o nosso Deus. Essa é a glória do Seu encorajamento.
Por fim, nesse encorajamento, está escrito:
Estes sete se alegrarão e verão o prumo na mão de Zorobabel.
Esse prumo é um prumo de fio, para quem não sabe. Um prumo moderno é um peso pontiagudo preso a um fio, que usamos para marcar um ponto. É absolutamente essencial que essa medição com o prumo, esse peso, esse ponto, esteja correto.
Ele estabelece a marca. Determina quando deve haver uma mudança ou um deslocamento. Define a linha. Coloca as coisas no alinhamento correto. O prumo é muito importante. Qualquer um de vocês que tenha feito um curso de topografia sabe do que estou falando. Hoje tudo é eletrônico.
Mas o grande encorajamento era que vocês veriam o prumo na mão de Zorobabel. Por que isso é um encorajamento tão grande? Seria de esperar que o governador tivesse um topógrafo a quem delegasse a tarefa de segurar o prumo.
Seria de esperar que Zorobabel chamasse alguém e dissesse: “Elias, venha aqui. Leve este prumo para o terreno. Marque alguns pontos, faça algumas medições e coloque este templo novamente no alinhamento correto. Faça isso”.
Mas o grande encorajamento era este: “Vereis o prumo na mão de Zorobabel”. Zorobabel é um tipo de Cristo. Ele é Quem está edificando.
Ele nunca entrega o prumo a você e a mim. Nunca diz: “Jerry, assuma o controle do prumo”. Ele está sempre na Sua mão. Ele é o Cabeça da igreja. É a Ele que seguimos. É Dele que recebemos as ordens. Ele é o rumo e a direção.
Este é o grande encorajamento: Ele concluirá a obra.
Espero que isso toque vocês como me tocou — o grande encorajamento. Como precisamos de encorajamento. Mas este é um encorajamento extraordinário.
Um último ponto. Não é muito longo, mas creio que é igualmente essencial. Os últimos versículos, Zacarias 4:11-14, têm sido um mistério para muitas pessoas. Creio que têm a ver com um grande chamado.
Lemos:
Que são estas duas oliveiras à direita do candelabro e à sua esquerda?
Que são estes dois ramos de oliveira junto aos dois tubos de ouro, que esvaziam de si o azeite dourado?
Estes são os dois filhos do azeite, que assistem junto ao Senhor de toda a terra.
O que são essas duas oliveiras? Não nos é dito quem são. Se vocês lerem este capítulo, talvez perguntem: “Quem são elas? Por que o profeta não nos disse quem são?”.
Creio que a identidade delas foi deixada indefinida de propósito, porque o que vemos é um chamado e um princípio para todo crente, não apenas para alguns.
Há diferentes interpretações, e não vamos nos deter muito nelas. Alguns, e creio que estão certos, disseram que se trata de Zorobabel e Josué. De fato, deve ter sido. Eles eram os filhos do azeite, os ungidos, escolhidos para trazer esse remanescente de volta e ajudá-lo a reconstruir o templo de Deus.
Outros, talvez com ainda mais razão, dizem que isso é profético e messiânico. Fala do Senhor Jesus, que é o nosso Rei e o nosso Sacerdote. Somente no Senhor Jesus há um suprimento ilimitado de azeite, que nunca se esgotará.
Outros vão, de maneira literal, a Apocalipse 11:1-13. Apocalipse 11:4 diz:
Estas são as duas oliveiras e os dois candelabros que estão diante do Senhor da terra.
Seus nomes não são mencionados. Alguns dizem que se trata de Enoque e Elias, as duas testemunhas que nunca morreram. Outros dizem que são Moisés e Elias, como foram vistos no monte da Transfiguração, em Mateus 17:1-3.
Creio que a beleza disso é que pode se referir a todos eles, em certo sentido, de alguma maneira. Mas nunca nos é dito quem são, e creio que há uma razão para isso.
Hoje há um grande chamado para todo crente. Ele está procurando filhos do azeite. Efésios 4:16 diz que cada um de nós deve ser uma junta de suprimento.
É fácil dizer: “Bem, aquele era Moisés. Aquele era Elias. Aquele era Enoque. Aquele era o Senhor Jesus. Aquele era Zorobabel. Aquele era Josué”. Mas, no fim, é você.
Há um grande chamado. Ele está procurando alguns que respondam — talvez apenas uns poucos, mas pessoas que respondam.
Aqui eles fazem apenas duas coisas. É só isso que leio: apenas duas coisas. Uma delas é que esvaziam de si o azeite. Algumas versões dizem que esvaziam de si o azeite dourado; outras dizem que esvaziam de si o ouro. Creio que “azeite dourado” provavelmente seja mais correto.
Eles o esvaziam de si mesmos. Essa é a única coisa que podem fazer. Irmãos e irmãs, vocês estão dispostos a ser esvaziados?
As pessoas dizem: “Ah, quero ser um Martinho Lutero. Quero ser um grande santo”. Tudo começa com aqueles que estão dispostos a esvaziar-se.
Então serão cheios de um azeite dourado que nunca se esgota. Esses filhos do azeite serão aqueles por meio dos quais o testemunho de Deus será restaurado em tempos difíceis.
É realmente aqui que o meu encargo chega ao fim. A segunda coisa é que eles permanecem diante do Senhor de toda a terra. Ele está procurando alguns que permaneçam ao Seu lado. Esse é o grande chamado.
Talvez você pense: “Isso não é para mim. Eu nunca poderia ser assim”. Mas creio que esses nomes foram deixados indefinidos por razões divinas, porque hoje Ele está procurando entre o Seu povo.
Ele está dizendo, como Moisés disse quando fizeram o bezerro de ouro:
Quem é do Senhor, venha a mim.
Irmãos e irmãs, responderemos a esse chamado? Isso é algo de que vocês nunca se arrependerão — nesta vida ou na que há de vir.
Você é chamado para ser um filho do azeite. Esse é o grande chamado.
Senhor, confessamos desde já que não vemos muito. Mas vemos um pouco.
Queremos que o Teu testemunho seja restaurado na terra. Queremos fazer parte dessa cidade, dessa habitação para Deus no Espírito. Queremos ser essas pedras vivas, nas quais Cristo tem a preeminência e nas quais Tu és visto acima de tudo.
Nós Te agradecemos porque aquilo que parece elevado demais, quase impossível, encontra resposta no Teu maior encorajamento. Sem o Teu encorajamento, certamente cairíamos no desespero. Mas somos gratos porque, com esse encorajamento, podemos prosseguir.
Senhor, não sei tudo o que isso significa, mas quero, sim, ser um filho do azeite.
Junto com meus irmãos e irmãs, ofereço-me novamente a Ti, para que, em nossa geração, Tu encontres aqueles que estejam dispostos a esvaziar de si o azeite dourado e a ser cheios de maneira extraordinária, para que o Teu testemunho brilhe intensamente.
E, Senhor, ao final, queremos que o legado da nossa vida seja uma única coisa: que, quando o chamado veio, nós respondemos e estivemos entre aqueles que permaneceram ao lado do Senhor de toda a terra.
Ó Deus, para nós isso é impossível. Para Deus, todas as coisas são possíveis. Entregamos estas coisas a Ti, no precioso nome de Jesus. Amém.