Bem, queridos irmãos e irmãs, é uma alegria termos a oportunidade de estar com vocês e desfrutar dessa comunhão.
Enquanto esperava no Senhor, pareceu-me que Ele me conduziu a algumas passagens das Escrituras. É isso que vou compartilhar com vocês.
Por favor, abram em Lucas 10. Vamos ler Lucas 10:38-42.
Eu leio na Bíblia de Darby. Não sei se vocês já ouviram falar dessa versão. Não é uma versão popular, mas, de minha parte, considero que ela procura nos oferecer uma tradução fiel ao original. Por isso, Darby sacrificou a fluência, de modo que ela nunca será popular. Mas, como a utilizo há tantos anos, tenham paciência comigo, pois continuarei usando essa versão.
E aconteceu que, indo eles de caminho, Ele entrou numa aldeia;
e certa mulher, por nome Marta, O recebeu em sua casa.
E tinha ela uma irmã chamada Maria, a qual também, assentando-se aos pés de Jesus, ouvia a Sua palavra.
Marta, porém, estava distraída com muito serviço; e, aproximando-se, disse: “Senhor, não Te importas que minha irmã me tenha deixado servir sozinha? Dize-lhe, pois, que me ajude.”
Mas Jesus, respondendo, disse-lhe: “Marta, Marta, estás ansiosa e perturbada com muitas coisas;
mas uma só é necessária, e Maria escolheu a boa parte, a qual não lhe será tirada.”
Por favor, abram no Evangelho segundo Mateus, em Mateus 18:20.
Porque, onde dois ou três estão reunidos ao Meu nome, ali estou Eu no meio deles.
E, por fim, Zacarias 4:10.
Pois quem desprezou o dia das pequenas coisas?
Pois estes sete se alegrarão e verão o prumo na mão de Zorobabel.
São os olhos do Senhor, que percorrem toda a terra.
Vamos fazer uma oração.
Senhor, queremos verdadeiramente agradecer-Te por nos reunirmos nesta noite. Tu sabes que nos reunimos ao Teu nome e, por isso, cremos que estás aqui em nosso meio.
Senhor, pedimos que uses esta hora para falar ao nosso coração, transformar-nos e conformar-nos à Tua própria imagem. Que o Teu Espírito Santo faça a obra para a qual foi enviado.
Nós nos entregamos a Ti. Abrimos nosso coração a Ti e, Senhor, confiamos que usarás este breve tempo para cumprir o Teu propósito. Pedimos em Teu precioso nome. Amém.
Bem, irmãos e irmãs, não tenho nada especial. Se vocês estão esperando ouvir algo especial, ficarão decepcionados. Quero apenas compartilhar o encargo que o Senhor colocou em meu coração.
Quando nosso Senhor Jesus estava na terra, Ele ia de cidade em cidade e de aldeia em aldeia. Foi a Jerusalém muitas vezes. Ofereceu-Se a eles, mas foi rejeitado.
Lembramos, então, de como Ele disse:
O Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça.
Em outras palavras, Ele não conseguia encontrar, em lugar algum, algo que realmente satisfizesse Seu coração.
Mas, curiosamente, em toda a terra da Judeia, havia uma pequena casa em Betânia. E, naquela casa, Ele encontrou Seu descanso.
Vocês se lembram especialmente de quando nosso Senhor Jesus entrou em Jerusalém pela última vez, oferecendo-Se pela última vez ao Seu povo, Israel. Ele purificou o templo e falou ao povo, mas nunca passou a noite ali.
Todas as noites, Ele saía de Jerusalém e ia para aquela pequena aldeia de Betânia, porque era o único lugar onde podia descansar.
Então, fico pensando se há alguma lição que Ele quer nos ensinar.
Lembramos que, quando nosso Senhor esteve na terra, Ele veio com uma missão especial. Veio com um propósito.
Às vezes, pensamos que Ele veio buscar e salvar o perdido, o que é verdade. Mas esse não era, de fato, o propósito de Sua primeira vinda.
Se vocês lerem o Evangelho segundo João — não apenas como um relato histórico dos acontecimentos, mas como um relato espiritual —, descobrirão que o verdadeiro propósito da primeira vinda de nosso Senhor Jesus ao mundo era buscar Sua noiva.
Assim, já no final de Seu ministério, quando foi rejeitado pela nação, Ele Se retirou para a região de Cesareia de Filipe. Cesareia de Filipe era uma cidade gentia e, quando Se retirou para aquela região, Ele fez aquela importante pergunta.
Perguntou aos Seus discípulos:
Quem dizem os homens que Eu sou?
É claro que Seus discípulos só Lhe deram os relatos favoráveis. Não Lhe contaram todos os comentários maldosos que haviam ouvido.
Então disseram: “Tu és João Batista que voltou à vida. Tu és Elias, o maior profeta. Tu és Jeremias, porque choraste. E Tu és um dos profetas.” Ou até mesmo: “Tu és o profeta, conforme foi profetizado por Moisés”:
Deus levantará entre vossos irmãos um profeta.
Se não O ouvirdes, perecereis.
Em outras palavras, todos os relatos que trouxeram eram favoráveis. Mas nosso Senhor não ficou satisfeito. Então perguntou aos Seus próprios discípulos, que O haviam seguido por mais de três anos: “Agora vocês devem saber algo melhor.”
E graças a Deus por Simão Pedro. Ele disse:
Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.
E nosso Senhor Jesus disse: “Isso não é algo que se conhece pela carne.” Tudo o que a carne podia conhecer era aquilo que o mundo dizia: “Tu és João Batista” ou “Tu és Elias”.
Foi Meu Pai, que está nos céus, Quem te revelou isso.
Então vocês se lembram de como, em Mateus 16:18, o Senhor continuou a falar. Assim como o Pai O havia revelado aos Seus discípulos, Ele começou a revelar Seu verdadeiro propósito ao vir a este mundo.
Ele disse:
Tu és Pedro. Edificarei a Minha igreja sobre esta rocha, e as portas do Hades não prevalecerão contra ela.
“Antes, você era Simão, feito de pó, de terra. Agora, por causa de sua confissão a Meu respeito, você se tornou uma pedra — uma pedra viva, um pedaço daquela rocha. Vou edificar a Minha igreja sobre esta rocha.”
Hoje, naturalmente, suponho que todos saibamos que nosso Senhor está fazendo um jogo de palavras. Você é Pedro, uma pedra viva; edificarei a Minha igreja sobre a rocha, a rocha maciça.
Essa rocha maciça se refere ao próprio Senhor. Ele é a Rocha dos séculos. E, como vemos em 1 Pedro 2, Pedro compreendeu isso perfeitamente.
Ele disse que nos achegamos à pedra viva e que, ao nos achegarmos à pedra viva, todos nos tornamos pedras vivas, edificadas juntamente para sermos uma casa espiritual, um sacerdócio santo, a fim de oferecer sacrifícios espirituais aceitáveis a Deus.
Portanto, Pedro compreendeu isso plenamente. Hoje sabemos que, quando nos achegamos ao Senhor Jesus, há uma transformação dentro de nós. Éramos homens da terra, do pó, de Adão. Mas, quando nos achegamos ao Senhor Jesus, recebemos uma nova vida — uma vida que não tínhamos antes.
Nós nos tornamos pedras vivas. Recebemos em nós a vida do Senhor Jesus. Somos pedras vivas e, sendo pedras vivas, o próprio Senhor disse que edificará Sua igreja com essas pedras vivas.
Muitas vezes, fico pensando no fato de que, atualmente, temos pessoas chamadas plantadores de igrejas. Elas sentem que foram chamadas para ir a todos os lugares plantar igrejas. Mas, na realidade, os homens não podem edificar a igreja de Deus. Os homens só podem construir uma torre de Babel, e é isso que vemos no cristianismo hoje.
O próprio Senhor é o único que pode edificar Sua igreja, Sua casa, na qual Ele possa encontrar a expressão de Si mesmo, descansar e ficar satisfeito. O Senhor está usando aqueles que creem Nele como pequenas pedras vivas, fragmentos tirados Dele, para edificá-los juntamente como uma casa na qual Ele possa descansar.
É claro que Ele disse:
As portas do Hades não prevalecerão contra ela.
Pois sabemos que há uma batalha espiritual em andamento no universo.
Deus está edificando Sua igreja, e o inimigo está fazendo de tudo para impedir que isso aconteça. Por quê? Porque, vocês sabem, a estratégia de Deus para destruí-lo é usar o homem, um pouco menor que os anjos, para pôr fim ao arcanjo, que ocupa uma posição superior. Essa é a estratégia de Deus, e é para isso que a igreja existe.
Do lado positivo, a igreja existe para o testemunho de Jesus. Mas, do lado negativo, a igreja existe para reduzir o inimigo a nada, manifestar a vitória de Cristo sobre todas as coisas, sujeitar todas as coisas aos pés do Senhor Jesus e salvar o universo.
Portanto, onde quer que haja uma verdadeira edificação da igreja de Deus, haverá uma batalha espiritual em andamento. O Hades abrirá todas as suas portas e tentará engoli-la.
É como vemos em Apocalipse 12: o apóstolo João teve uma visão. É uma visão dos últimos dias. Ele viu uma mulher revestida de glória e viu um dragão vermelho esperando diante dela.
Curiosamente, o propósito daquele dragão não era engolir a mulher; ele estava esperando a criança que estava nela. Ele sabe que a igreja dos últimos dias é como a igreja em Laodiceia. Ela não lhe fará mal. Não o destruirá de modo algum, por isso ele a deixará em paz.
Mas ele sabe que, quando uma mulher está em trabalho de parto, desse trabalho de parto nascerá um filho varão. E esse filho varão significará o seu fim. Então, aqui vemos que ele está esperando para engolir aquela criança.
E, irmãos e irmãs, num sentido muito real, vemos que isso está acontecendo no cristianismo hoje.
O cristianismo hoje busca o tamanho. Vemos que as pessoas não estão satisfeitas com igrejas locais. Querem construir igrejas muito grandes. Pensam que isso é sucesso; que essa é a verdadeira maneira de edificar a igreja.
Sabemos que as chamadas megaigrejas são populares hoje. Tudo busca tamanho e grandeza. Essa é a ideia do mundo. Não é a ideia de Deus, porque Deus não busca quantidade; Ele busca qualidade.
E, se há qualidade, não pode ser grande. Tem de ser pequeno. Tem de ser algo pequeno.
Vocês se lembram de que, em 1 Coríntios 3, o apóstolo Paulo disse que era como um sábio construtor, lançando o fundamento. O fundamento não é outro senão o próprio Senhor Jesus. E nós, que pertencemos ao Senhor, estamos todos edificando sobre esse fundamento.
Mas como estamos edificando? Há dois tipos diferentes de construção. Em um deles, podemos edificar com ouro, prata e pedras preciosas. No outro, podemos edificar com madeira, erva e palha.
Quando vocês edificam com ouro, prata e pedras preciosas, não podem esperar ver um grande edifício, porque custa muito. Necessariamente será pequeno. Provavelmente não chamará atenção, mas ali há qualidade. Ali há realidade.
O ouro representa a natureza de Deus. Ele procede do caráter de Deus. A prata representa a redenção de nosso Senhor Jesus, porque, antigamente, o dinheiro do resgate era prata.
E as pedras preciosas falam da obra do Espírito Santo, porque uma pedra preciosa é produzida depois de um longo período na escuridão, sob pressão, sob fogo. É nessas condições que as pedras preciosas são produzidas.
Em outras palavras, a única maneira de edificar uma casa de Deus que realmente satisfaça o coração de Deus e destrua o inimigo é edificar com ouro, prata e pedras preciosas. É algo custoso. Tem de ser pequeno. É insignificante aos olhos do mundo, mas é algo precioso para o nosso Deus.
Mas a ideia do mundo é inteiramente diferente. A ideia do mundo é sempre algo grande, grandioso, imenso. É claro que, se vocês usarem madeira, erva e palha, poderão construir uma casa grande, porque não custa muito. É barato.
Mas sabemos que a madeira representa a natureza do homem, não a natureza de Deus. O homem é como a madeira. A erva representa a beleza da carne; ela murcha. E a palha representa a obra do homem, porque se usava palha nas construções do Egito.
Portanto, irmãos e irmãs, aqui vemos que o Senhor nos mostra o princípio da edificação da casa de Deus. Se estamos buscando algo grande, podemos fazê-lo, mas geralmente é algo produzido pelo próprio homem.
Mas, se vocês esperam ver a verdadeira obra de Deus, ela tem de ser pequena e insignificante. Ainda assim, há nela realidade e qualidade que satisfazem o coração de Deus.
Isso me faz lembrar de Mateus 18:20. O Senhor Jesus disse:
Onde dois ou três estão reunidos ao Meu nome, ali estou Eu no meio deles.
Todos sabemos que, em Mateus 16:18, quando o Senhor disse:
Edificarei a Minha igreja sobre esta rocha, e as portas do Hades não prevalecerão contra ela.
Ele estava falando dos princípios espirituais que governam a igreja universal.
Onde quer que a igreja esteja, há certos princípios presentes. É isso que encontramos em Mateus 16. Mas, quando chegamos a Mateus 18, há uma diferença, porque o Senhor está falando de questões práticas.
Se seu irmão pecar contra você, o que você fará? Vai retribuir da mesma maneira ou vai perdoá-lo? O Senhor diz mais do que isso: você não deve apenas perdoá-lo; precisa restaurá-lo.
Então o Senhor disse:
Onde dois ou três estão reunidos ao Meu nome, ali estou Eu no meio deles.
Em outras palavras, em Mateus 18 o Senhor está Se referindo à igreja local.
Por quê? Porque nós, que estamos na igreja, ainda estamos neste corpo mortal. Não podemos estar em toda parte — não até recebermos o corpo espiritual. Mas, agora, nós que fomos salvos ainda estamos neste corpo mortal, de modo que somos limitados pelo tempo e pelo espaço.
O Senhor nos colocou no lugar específico em que vivemos hoje. Por quê? Porque há um propósito do Senhor por trás disso. Onde quer que estejamos, é ali que Ele quer que demos o Seu testemunho. É ali que Ele quer nos usar para derrotar Seu inimigo.
Portanto, o lugar onde vocês estão não é algo sem significado nem fruto do acaso. Vocês se lembram de que nosso Senhor Jesus, em Sua parábola, falou de como plantaria Seu trigo, Sua semente, neste mundo. Então, naturalmente, o inimigo tentará colocar seu joio naquela mesma localidade, procurando confundir tudo.
Assim, irmãos e irmãs, aqui o Senhor nos mostra o verdadeiro significado da igreja local. O que é a igreja local? Bem, dois ou três. Por quê? Porque esse é o número mínimo para a igreja. Uma pessoa não pode ser a igreja. São necessários pelo menos dois ou três.
Lembro-me de ocasiões em que as pessoas se reúnem e, naturalmente, quando se reúnem, o Senhor também está ali. Mas você também está ali.
Portanto, o problema não é o Senhor estar ali. O problema é você estar ali. E, enquanto você estiver ali, não poderá haver uma igreja perfeita.
As pessoas tentam encontrar uma igreja perfeita, mas, depois que chegam lá, a igreja se torna imperfeita por nossa causa. Ainda temos o eu dentro de nós.
Mas por que dois ou três estão reunidos ao Meu nome? Essa é a diferença.
Por que nos reunimos? Muitas vezes pergunto às pessoas: “Por que vocês se reúnem dessa maneira? Há muitas denominações. Há muitos grupos independentes. Por que vocês, irmãos e irmãs, precisam se reunir?”
Naturalmente, não é para causar divisão. Pelo contrário, é para a unidade. Porque vocês não querem pertencer a nenhum grupo específico e, com isso, separar-se de seus irmãos e irmãs.
Vocês querem permanecer unidos aos seus irmãos e irmãs na localidade, adorar o Senhor juntos e dar testemunho do Seu próprio nome. Essa é a razão de se reunirem.
Pois, irmãos e irmãs, onde dois ou três estão reunidos, o Senhor disse: “Ao Meu nome.” Essa é a diferença entre a igreja e qualquer associação ou fraternidade. Aqui, estamos reunidos ao nome do Senhor Jesus.
Como é triste que, hoje, o nome do Senhor Jesus seja negado.
Vocês se lembram de que, em Apocalipse 3, quando o Senhor elogiou a igreja em Filadélfia, havia uma coisa que O alegrava:
Não negaste o Meu nome.
Vocês devem reunir-se ao Meu nome, não a qualquer outro nome. Mas hoje vemos pessoas reunindo-se a muitos outros nomes: nomes de cristãos famosos, nomes de certas doutrinas ou ensinamentos específicos, ou nomes de determinadas formas ou rituais — mas não ao nome do Senhor Jesus.
Sabemos o que significa reunir-nos ao nome do Senhor Jesus? Tenho um exemplo, e espero que vocês não se desagradem dele.
Quando uma mulher se casa com um homem, vocês sabem o que acontece. Ela passa a adotar o nome de seu marido, o sobrenome dele.
O que isso significa? Significa que, naquela família, há uma só cabeça. O marido e a esposa trabalham juntos, mas cabe ao marido assumir a posição de cabeça — não de maneira despótica, mas em comunhão.
Lembro-me de uma ocasião em que uma irmã idosa, casada, queria visitar a China. Isso foi na época em que a China estava sob o regime comunista. Ela me pediu ajuda para conseguir um visto.
Naquela época, eu estava em Washington, D.C., então fui à embaixada, ao departamento de vistos, tentar conseguir um visto para que ela visitasse a China.
Essa irmã idosa, por ser de uma geração mais antiga, mantinha o antigo costume chinês. Seu nome tinha quatro caracteres, em vez de três ou dois.
Vocês sabem, os chineses geralmente têm um sobrenome e, depois dele, o nome pessoal, com um ou dois caracteres. Mas ela tinha quatro caracteres. Por quê? Porque tinha seu próprio sobrenome e seu nome pessoal e, antes deles, o sobrenome de seu marido.
Então, quando procurei informações a respeito dela junto ao representante cultural, recebi uma reprimenda. Ele disse: “Isso é feudalismo. Agora, na China, a mulher mantém seu próprio nome depois de se casar.”
Agora, irmãos e irmãs, no âmbito espiritual, quando verdadeiramente nos reunimos ao nome do Senhor Jesus, não se trata apenas de um nome. Não é apenas algo de que falamos. Há uma realidade espiritual nisso.
Em outras palavras, quando dois ou três estão reunidos ao nome do Senhor Jesus, fazem uma coisa: abrem mão de seu próprio nome e assumem o nome do Senhor Jesus.
Dito de outra maneira, aceitam o Senhor Jesus como o Cabeça da reunião e todos, em certo sentido, deixam de lado sua própria cabeça.
Na igreja, o princípio da igreja local é que, onde quer que dois ou três estejam reunidos, estejam reunidos ao nome do Senhor Jesus. Isso significa que cada um dos que se reúnem renuncia a si mesmo.
Eles renunciam à sua própria posição de cabeça. Vocês sabem, todos nós gostamos de ser a cabeça, de estar no controle. Mas não se pode fazer isso na igreja. É preciso renunciar a si mesmo e aceitar o Senhor Jesus como o Cabeça.
Se os dois ou três fizerem isso, então veremos que o Senhor diz: “Estou no meio de vocês.”
Mas como isso pode acontecer? Quando nos apegamos firmemente a Jesus como nosso Cabeça, vemos que o Espírito Santo, que habita em cada um de nós, representa, na prática, a autoridade de Cristo como Cabeça.
O Espírito Santo é o sistema nervoso em nosso corpo. Ele percorre todo o corpo e nos comunica o pensamento do Cabeça. Assim, todos levamos de volta a Ele aquilo que recebemos de nossa parte e permitimos que Ele assuma o controle de nós.
Essa é a autoridade de Jesus Cristo como Cabeça. E, se vocês têm Jesus Cristo como Cabeça, têm a expressão da igreja local.
Portanto, irmãos e irmãs, damos graças a Deus porque hoje encontramos, em todo o mundo, pessoas que desejam manter a unidade do corpo de Cristo e ser o testemunho de Jesus.
O amor de Deus as constrange. Onde quer que vivam, procuram reunir-se ao nome do Senhor Jesus, para que tenham a presença do Senhor com elas.
É o Senhor quem é o Cabeça, e todos renunciamos a nós mesmos e permitimos que Ele ocupe essa posição. Se estamos fazendo isso, essa é a casa na qual nosso Senhor tem prazer em habitar.
Vocês sabem, irmãos e irmãs, geralmente dizemos que o tempo em que vivemos hoje é um tempo de restauração. Mas o que queremos dizer com isso?
Quando vocês leem o livro de Atos, veem como a igreja começou. Ela começou em Jerusalém e, em trinta anos, havia se espalhado até os confins do mundo conhecido naquela época.
Mas, depois, no final do primeiro século, quando lemos Apocalipse 2 e 3, vemos que a igreja já havia se afastado de Deus.
A igreja em Éfeso era conhecida por seu amor ao Senhor, mas o que restava eram todas aquelas obras exteriores; eles haviam perdido o primeiro amor, e assim por diante.
É por isso que o último chamado na Bíblia é o chamado para vencer.
Agora, irmãos e irmãs, quando lemos o Antigo Testamento, vemos como os filhos de Israel se rebelaram contra Deus. Por fim, foram levados para o cativeiro babilônico.
Mas, em Sua misericórdia, depois de setenta anos de cativeiro, Deus permitiu que voltassem a Jerusalém para reconstruir o templo.
Durante aquele período, Deus já não era chamado de Deus dos céus e da terra. Era chamado apenas de Deus dos céus. Por quê? Porque Ele não tinha testemunho sobre a terra.
Jerusalém havia sido destruída. O templo havia sido destruído. O templo, o lugar onde Seu nome havia sido colocado, estava destruído. Portanto, Ele não tinha representante, não tinha testemunho sobre esta terra.
Mas então vemos como Deus, por meio do rei Ciro, promulgou um decreto, dizendo que todo aquele que estivesse disposto a voltar a Jerusalém para reconstruir o templo poderia ir.
Suponhamos que esse fosse o caso: pensaríamos que todos se levantariam e iriam. Ainda me lembro da China durante a guerra, especialmente a guerra com o Japão. Eu estava em Chongqing, no interior da China.
Quando chegou a notícia de que a guerra havia terminado, todos os que tinham vindo da costa leste da China queriam voltar para casa. Encontramos muita dificuldade, porque somente altos funcionários que tinham missões oficiais conseguiam voltar de avião. Até um barco era difícil de encontrar. Todos queriam voltar.
Mas não foi isso que aconteceu com a nação de Israel. Vemos que apenas um remanescente voltou. Por quê? Porque, depois de setenta anos de cativeiro, eles haviam construído suas próprias casas e estabelecido seus negócios na terra do cativeiro. Estavam muito confortáveis.
Não só isso: haviam criado o sistema da sinagoga. Vocês sabem, a sinagoga é uma invenção engenhosa.
No caso da sinagoga, se vocês tiverem dez homens com tempo disponível — e, com isso, quero dizer dez homens dispostos a dedicar algum tempo a Deus —, poderão organizar uma sinagoga. Não precisam caminhar muito, porque têm uma sinagoga ao lado.
Assim, há uma sinagoga aqui e outra ali. Cada ofício tem sua própria sinagoga. Se vocês não estiverem satisfeitos com as pessoas, poderão reunir mais nove e estabelecer outra sinagoga.
Na sinagoga, podem fazer tudo. Leem o Pentateuco, os cinco livros de Moisés. Leem os profetas, oram os Salmos e exortam uns aos outros. Há liberdade de participação.
Vemos até no livro de Atos que, quando Paulo e Barnabé foram a uma sinagoga, o dirigente disse: “Vocês são visitantes, mas parecem mestres. Têm alguma coisa a dizer?” Havia muita liberdade ali.
Portanto, eles tinham tudo. A única coisa que não tinham era a possibilidade de oferecer sacrifícios, porque era preciso sacrificar em Jerusalém, no templo, naquele altar.
Mas, sem derramamento de sangue, não há remissão de pecado.
Mas é isso que vemos naqueles dias. Apenas um remanescente, cujo espírito havia sido tocado por Deus, estava disposto a deixar suas raízes, enfrentar todos os perigos e voltar à cidade em ruínas para edificar o templo.
E, irmãos e irmãs, é isso que estamos fazendo.
Enquanto edificavam o templo, encontraram oposição, e a obra ficou paralisada por cerca de quinze anos, até que Deus levantou os profetas Ageu e Zacarias para encorajá-los. Então começaram a edificar.
Enquanto edificavam, aconteceu algo. Os idosos que haviam visto o antigo templo choraram.
Por quê? Porque o antigo templo, construído por Salomão, era tão grande, tão glorioso, tão magnífico. Mas, quanto ao templo que estavam construindo agora, não tinham mão de obra nem riquezas.
Mesmo que investissem tudo nele, necessariamente seria uma construção pequena em comparação com a gloriosa construção do templo de Salomão. Então algumas pessoas começaram a se desesperar.
“Se é tão pequeno, tão insignificante, para que se dar ao trabalho?”
Vocês se lembram de como os profetas Zacarias e Ageu os encorajaram:
Não desprezeis o dia das pequenas coisas.
Irmãos e irmãs, no tempo da restauração, o princípio de Deus é o pequeno, não o grande. Se algo é grande demais, geralmente está fora da ordem de Deus.
Não estou dizendo que tudo o que é pequeno necessariamente vem de Deus, mas deveria vir de Deus.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, não se decepcionem. Onde dois ou três estão reunidos ao nome do Senhor Jesus, ali está a presença do Senhor. É isso que realmente importa.
Isso me leva de volta à pequena casa em Betânia. Aquela pequena casa era composta de apenas três pessoas: não havia pai nem mãe. Todos eram órfãos — uma irmã, Marta; outra irmã, Maria; e um irmão, Lázaro.
Não era uma família rica e vivia naquela pequena aldeia de Betânia, um lugar insignificante. Ainda assim, vemos que, quando nosso Senhor estava na carne, aquele foi, por assim dizer, o único lugar onde Ele encontrou descanso.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, quero encorajá-los a não se decepcionarem se vocês forem apenas um pequeno grupo de pessoas reunidas. O Senhor não busca quantidade. Pelo contrário, Ele busca qualidade.
Se temos essa qualidade, isso é uma representação da igreja local.
Naquela pequena casa em Betânia, havia apenas três pessoas. Por que o coração do Senhor estava ali, e por que Ele encontrou descanso ali?
Em Marta, encontramos o serviço de amor.
Embora hoje tenhamos certas ideias a respeito de Marta, na verdade nosso Senhor Jesus não estava descontente com seu serviço. Nosso Senhor estava descontente com sua ansiedade.
E se ninguém preparasse a comida? Então o Senhor teria de passar fome. O Senhor realmente apreciava aquilo, e Marta de fato o fazia de coração.
Há uma coisa que vocês podem observar: por ser a irmã mais velha, ela era responsável pela casa. Poderia muito bem ter dito a Maria: “Venha me ajudar a preparar a comida.” Mas não; ela pediu a permissão do Senhor.
O que isso significa? Ela reconhecia que, em sua casa, Cristo era o Cabeça. A autoridade de Cristo como Cabeça era mantida naquela casa. Portanto, ali encontramos o trabalho de amor.
Depois, naturalmente, encontramos Maria sentada aos pés do Senhor Jesus — um ouvido atento.
Pois Deus não quer sacrifício nem oferta, mas, como foi profetizado a respeito de nosso Senhor Jesus no Salmo 40:
Tu Me preparaste um ouvido.
Um ouvido atento.
Para o Senhor, o mais importante é um ouvido atento, porque o Senhor aprecia pessoas que ouvem. E vocês ouvem para obedecer.
Quando lemos a Bíblia, isso nos parece muito estranho. Se vocês amam o Senhor, esperariam que, entre as mulheres que tanto O amavam, Maria estivesse ali chorando quando Ele foi crucificado. Mas não encontramos Maria de Betânia ali.
Vocês esperariam que ela estivesse, como a outra Maria, bem cedo na manhã do terceiro dia, levando perfumes e procurando ir ao túmulo para embalsamar nosso Senhor Jesus. Mas ela não estava ali.
Na verdade, ela já havia feito isso antes da morte do Senhor. Como ela sabia? Ela tinha tanta certeza da morte e da ressurreição de nosso Senhor Jesus. Onde obteve essa informação? Enquanto estava sentada aos pés de Jesus.
Portanto, irmãos e irmãs, é isso que o Senhor deseja. Ele quer que nos assentemos aos Seus pés, ouçamos, compreendamos e obedeçamos.
Depois, naturalmente, temos Lázaro. Curiosamente, quando lemos a Bíblia, não ouvimos uma palavra de Lázaro, nem antes nem depois de ele ter sido trazido de volta da morte.
A única coisa que encontramos é que ele estava sentado com o Senhor Jesus — um testemunho silencioso.
A Bíblia diz que, quando as pessoas vinham ver Jesus e Lázaro, criam no Senhor Jesus. Um testemunho poderoso — um testemunho de vida, não apenas um testemunho de obras.
As pessoas hoje têm muito conhecimento, mas onde está essa vida? Se sua vida não corresponde ao seu conhecimento, isso condena; não edifica.
Assim, encontramos na pequena casa de Betânia tudo aquilo que o Senhor procura. É ali que está Sua casa. E Sua casa significa o lugar onde Ele pode descansar com alegria.
Portanto, irmãos e irmãs, esta é a minha oração por todos vocês: busquem a qualidade, sem se preocuparem com a quantidade.
Aprendam a servi-Lo com amor, a ouvi-Lo e obedecer-Lhe, e a viver como um testemunho Dele. Que o Senhor os abençoe.
Vamos orar?
Senhor, se for do Teu agrado, usa estas palavras dispersas para fortalecer nossa fé em Ti. Conduze-nos no caminho da vida.
Leva-nos ao lugar em que estejamos verdadeiramente reunidos ao Teu nome, para que experimentemos Tua presença conosco.
Senhor, tudo o que desejamos é a Tua presença. Nada mais importa. Pedimos em Teu precioso nome. Amém.