Queridos irmãos e irmãs, sempre sinto que, quando participamos da mesa do Senhor, este é o ponto culminante da conferência.
Isso nos lembra que, em 1727, um grupo do povo de Deus estava reunido para participar da mesa do Senhor. Eram pessoas que haviam fugido da perseguição. Vieram de diferentes lugares e tinham diferentes ênfases na fé. Divergiam em muitas coisas, mas, naquele domingo, reuniram-se para lembrar o Senhor.
Enquanto partiam o pão, o Espírito de Deus desceu sobre eles. Foram cheios do amor de Cristo e unidos em um só povo. Abraçaram-se e confessaram suas faltas uns aos outros.
Então, daquele dia em diante, começou o grande movimento morávio. Tornaram-se um só povo e, dentre eles, saíram pessoas para espalhar o evangelho pelo mundo.
Durante cem anos, mantiveram a oração vinte e quatro horas por dia. Oravam juntos em turnos, a cada hora, e isso continuou por cem anos.
Assim, muitas vezes, quando venho à mesa do Senhor, este é o desejo do meu coração: que o Espírito de Deus e a glória de Deus nos encham e nos libertem de todas as diferenças, unindo-nos no único corpo de Cristo.
Então sairemos para dar o testemunho de Jesus.
Por isso, sempre sinto que é difícil falar depois da mesa do Senhor. Parece ser algo a mais. Mas, como isso faz parte da programação da conferência, tenho de obedecer.
Por favor, abram novamente em Mateus 6. Vamos ler mais uma vez a chamada Oração do Senhor, começando em Mateus 6:9.
Portanto, vós orareis assim:
Pai nosso, que estás nos céus,
Santificado seja o Teu nome.
Venha o Teu reino.
Seja feita a Tua vontade, assim na terra como no céu.
O pão nosso de cada dia dá-nos hoje.
E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós também perdoamos aos nossos devedores.
E não nos conduzas à tentação, mas livra-nos do mal.
Porque Teu é o reino, e o poder, e a glória, para sempre. Amém.
Por favor, abram em Filipenses 2. Vamos ler Filipenses 2:5-11.
Haja em vós este sentimento, que houve também em Cristo Jesus:
O Qual, subsistindo em forma de Deus, não considerou como objeto de usurpação o ser igual a Deus;
Mas esvaziou-Se a Si mesmo, tomando a forma de escravo, tornando-Se semelhante aos homens;
E, sendo achado em figura de homem, humilhou-Se a Si mesmo, tornando-Se obediente até à morte, e morte de cruz.
Por isso, também Deus O exaltou soberanamente e Lhe concedeu um nome que está acima de todo nome,
Para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, dos seres celestiais, terrestres e infernais,
E toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para a glória de Deus Pai.
Por fim, o Evangelho segundo João, capítulo 17. Vamos ler João 17:5 e João 17:24.
E agora glorifica-Me Tu, ó Pai, junto de Ti mesmo, com a glória que Eu tinha junto de Ti antes que o mundo existisse.
Pai, quanto àqueles que Me deste, quero que, onde Eu estou, também eles estejam Comigo, para que contemplem a Minha glória, que Me deste; pois Tu Me amaste antes da fundação do mundo.
Podemos fazer uma oração?
Nosso Pai celestial, queremos agradecer-Te por nos trazeres à última reunião desta conferência. Tu tens sido bom para conosco. Tu tens sido fiel para conosco. É inteiramente por Tua graça que podemos continuar até agora.
Não apenas oferecemos este tempo a Ti; oferecemos a nós mesmos a Ti e pedimos que, por Teu Santo Espírito, nos introduzas na realidade da Tua Palavra viva, para que sejamos o louvor da Tua glória. Pedimos em Teu precioso nome. Amém.
Graças a Deus por nos reunir nestes últimos dias. Ele quer que concentremos nossa atenção em uma única coisa:
Porque Teu é o reino, e o poder, e a glória, para sempre. Amém.
Temos dito repetidas vezes que esta é a resposta do nosso coração a Deus. Nosso Senhor Jesus nos ensinou a orar e, depois que oramos segundo a vontade do Senhor, isso toca tão profundamente o nosso coração que não podemos deixar de exclamar:
Porque Teu é o reino, e o poder, e a glória, para sempre.
Não é apenas uma exclamação; é um testemunho. Testificamos que o reino é Dele, o poder é Dele e a glória é Dele.
É mais do que uma expressão em palavras. É a expressão da nossa própria vida, porque, em nossa própria vida, Ele nos mostrou o que é o Seu reino.
Pertencíamos ao reino das trevas. Mas, em Sua graça e misericórdia, Ele nos libertou do poder das trevas e nos transportou para o reino do Filho do Seu amor. Que mudança!
É uma mudança que nos tira das profundezas do pecado e da morte, da tirania do inimigo, de uma situação completamente sem esperança, da condição de filhos do inimigo. Por Sua graça e misericórdia, Ele nos tirou daquele reino das trevas e nos transportou para o reino do Filho do Seu amor.
Lembramos de quando nosso Senhor Jesus começou a pregar. Ele disse:
Arrependei-vos, porque o reino dos céus está próximo.
Por que isso? Por que Ele disse que o reino dos céus estava próximo, em vez de dizer que havia chegado? A razão é que o Rei havia chegado, mas não tinha povo nem território.
Por isso, Ele nos chamou ao arrependimento. Graças a Deus, algumas pessoas responderam ao Seu chamado.
Quando chegamos a Mateus 11, o Senhor Jesus disse que o reino dos céus é tomado por violência, e os violentos se apoderam dele.
Em outras palavras, quando o Rei veio a este mundo, antes de ter o Seu próprio povo, Seu reino estava apenas próximo. Mas, depois que algumas pessoas creram Nele e começaram a segui-Lo, o reino dos céus foi tomado por violência.
Em outras palavras, o reino dos céus agora é dado àqueles que são violentos consigo mesmos. Não gostamos dessa palavra, violentos, porque ela tem uma conotação negativa para nós. Mas, na verdade, a palavra é neutra. Tudo depende de contra quem e contra o que você exerce essa violência.
Se você é violento com outras pessoas, isso é errado. Mas, se é violento consigo mesmo, então se apodera do reino.
Portanto, em certo sentido, o reino dos céus já está aqui, embora ainda não seja visto pelo mundo. Vemos que as pessoas que realmente são violentas consigo mesmas têm alcançado esse reino.
Isso significa simplesmente aqueles que negam a si mesmos, tomam a cruz e seguem o Senhor. Eles agora vivem na realidade do reino dos céus que há de vir.
Quando o reino dos céus vier a este mundo de maneira concreta e manifesta — quando nosso Senhor Jesus voltar pela segunda vez —, Ele estabelecerá publicamente o Seu reino nesta terra.
Então, aqueles que hoje vivem na realidade do reino dos céus reinarão e governarão com Cristo por mil anos. Para eles, “Teu é o reino” é uma realidade.
O mesmo acontece com o poder. O poder pertence a Deus, mas isso não é algo de que apenas ouvimos falar. É algo que verdadeiramente experimentamos em nossa vida.
Experimentamos a grandeza do Seu poder ao nos transformar de glória em glória. Mais uma vez, é algo real em nossa vida.
O mesmo acontece com a glória. A glória não é algo de que apenas ouvimos falar ou sobre o que conversamos. A glória é algo que opera em nossa vida, transformando-nos de glória em glória pelo Senhor, o Espírito.
Em outras palavras, a razão de termos isso como tema não é simplesmente conhecer o que são essas coisas. O verdadeiro propósito é que todos nós possamos conhecer, por experiência:
Teu é o reino, e o poder, e a glória, para sempre.
Pela graça de Deus, já compartilhamos algo sobre essa questão da glória. Mas, nesta manhã, gostaria de enfatizar novamente: como podemos glorificar a Deus?
Deus quer nos dar glória. Nosso Senhor Jesus há de conduzir muitos filhos à glória. A glória não é algo de que devamos tentar nos apoderar. A glória é algo que Deus dá àqueles que O glorificam.
Nosso Senhor Jesus é o exemplo perfeito. Em Filipenses 2, somos exortados a ter a mente de Cristo. O que é a mente de Cristo?
Filipenses 2:6 diz:
O Qual, subsistindo em forma de Deus, não considerou como objeto de usurpação o ser igual a Deus.
Aqui vemos que nosso Senhor Jesus subsistia em forma de Deus. A forma, aqui, não se refere à aparência exterior; refere-se à Sua natureza e qualidade interiores.
No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.
Antes de nosso Senhor Jesus vir a este mundo, Ele era igual a Deus. Ele tinha a mesma natureza e o mesmo caráter de Deus.
Isso não era algo de que Ele precisasse Se apoderar. A razão de encontrarmos essa expressão sobre apoderar-se é que, certa vez, houve alguém que tentou se apoderar da glória de Deus. Mas nosso Senhor Jesus nunca fez isso.
Ele tinha todas essas prerrogativas. Era igual a Deus. Mas, por amor a Deus e para que o plano de Deus fosse cumprido, Ele esvaziou-Se a Si mesmo.
Irmãos e irmãs, este é o primeiro passo na mente de Cristo. Aquele que era a plenitude de Deus — a Bíblia diz que toda a plenitude da Divindade habita corporalmente Nele — esvaziou-Se a Si mesmo.
Podemos conhecer um pouco da justiça de Deus, mas não sabemos quão justo Ele é. Podemos conhecer um pouco da santidade de Deus, mas não conseguimos compreender quão santo Ele é. Podemos provar um pouco do amor de Deus, mas Seu amor ultrapassa nossa compreensão.
Ele é a plenitude de tudo. Toda a plenitude da Divindade habita em Cristo. Em outras palavras, Ele é a plenitude de Deus; Ele é a expressão da plenitude de Deus.
Mas, por Seu amor por nós e para cumprir o plano de Deus de nos libertar, Ele ofereceu-Se ao Seu Pai para vir a este mundo como homem.
Para Deus tornar-Se homem, Ele teve de esvaziar-Se. Isso não significa que nosso Senhor Jesus Se esvaziou de Sua Divindade, porque Ele é Deus. Ele é Deus para todo o sempre.
Mas Ele Se esvaziou de toda a honra e glória que cercavam Sua Divindade. Podemos falar sobre isso e pensar nisso, mas nunca poderemos compreendê-lo plenamente.
Este é o primeiro passo em Seu caminho para glorificar a Deus, e Ele nos chama a segui-Lo.
Irmãos e irmãs, somos tão vazios. De que podemos nos esvaziar? Só podemos nos esvaziar de nossos pecados, nossas transgressões e nossas ofensas.
Quando nosso Senhor Jesus nos chamou, Ele disse: “Negue a si mesmo”. O que significa negar a si mesmo? Em outras palavras, negar a si mesmo é esvaziar-se.
O Senhor quer que também nos esvaziemos. Mas aquilo de que podemos nos esvaziar é apenas o que ofende a Deus.
Infelizmente, em nossa vida cristã, achamos muito difícil negar a nós mesmos. Parece haver um amor tão natural por nós mesmos.
Podemos dizer ao Senhor: “Eu Te amo. Estou disposto a morrer por Ti”, assim como o apóstolo Pedro. Contudo, quando somos provados, descobrimos que, na verdade, amamos a nós mesmos mais do que ao nosso Senhor.
Não conseguimos negar a nós mesmos, embora realmente não tenhamos nada a que renunciar. E aquilo que Deus quer que neguemos — todas aquelas coisas que impedem o cumprimento da vontade de Deus — não conseguimos enxergar até que o Espírito de Deus nos revele.
Quando Seu amor nos constrange, então estamos dispostos a abrir mão de nós mesmos, tomar nossa cruz e segui-Lo.
Depois de esvaziar-Se, o passo seguinte foi tomar sobre Si a forma de escravo.
A palavra forma, aqui, é a mesma usada em “forma de Deus”. Não se refere à aparência exterior; refere-se à Sua natureza e ao Seu caráter interiores.
Quando nosso Senhor Jesus veio a este mundo como homem, Ele era um homem perfeito. Contudo, se vocês pudessem ver o que havia dentro Dele, descobririam que Ele tinha a forma de um escravo.
Em outras palavras, quando Ele veio a este mundo como homem, Sua disposição interior era a de um escravo.
Isso se refere ao que encontramos no Antigo Testamento. Em Êxodo 20, encontramos os Dez Mandamentos. Deus declarou aos filhos de Israel os Dez Mandamentos.
Os Dez Mandamentos são divididos em duas partes. A primeira parte contém quatro mandamentos e nos fala da santidade de Deus. A segunda tábua contém seis mandamentos e nos fala da justiça de Deus. Deus Se revela como santo e justo.
Para sermos Seu povo, precisamos ser santos e justos. Por meio dos Dez Mandamentos, os filhos de Israel se tornaram o povo de Deus.
Mas, imediatamente depois dos Dez Mandamentos, quando chegamos a Êxodo 21, a primeira coisa mencionada é esta: se seu irmão hebreu empobrecesse e se vendesse a você como escravo, poderia servi-lo por seis anos. Depois de seis anos, no sétimo ano, sairia livre.
Quando ele saísse, o senhor deveria suprir todas as suas necessidades. Mas, se aquele escravo hebreu dissesse: “Amo meu senhor. Amo sua família. Quero ficar com você para sempre. Não quero sair livre. Sou feliz com você”, então o que deveria ser feito com ele?
Ele seria levado aos juízes para que comprovassem e determinassem que aquilo era verdadeiro — que não era algo imposto a ele, mas sua vontade espontânea. Então o senhor o levaria de volta à porta de sua casa e furaria sua orelha contra a porta.
Daquele momento em diante, ele se tornaria escravo por toda a vida. Era um escravo por amor.
Irmãos e irmãs, quando nosso Senhor Jesus estava na terra, interiormente Ele tinha a consciência de ser um escravo por amor.
É por isso que, no Salmo 40, encontramos:
Sacrifício e oferta não desejaste;
As Minhas orelhas abriste.
Deleito-Me em fazer a Tua vontade, ó Meu Deus;
Sim, a Tua lei está dentro do Meu coração.
Quando nosso Senhor Jesus veio a este mundo, Ele não apenas Se esvaziou de toda a honra e glória de Sua Divindade; como homem, Ele tinha a mente de um escravo.
Ele não Se considerava livre. Não vivia para Si mesmo. Era um escravo de Deus.
Para um escravo, a coisa mais importante é o ouvido. Ou seja, você precisa ouvir a ordem do seu senhor, depois obedecer e fazer a vontade dele.
E se você tivesse um servo que parecesse amá-lo e quisesse servi-lo, mas não ouvisse o que você dizia? Ele faria tudo o que imaginasse ser aquilo de que você precisava. Se você tivesse um servo assim, creio que o dispensaria imediatamente.
Portanto, irmãos e irmãs, para um escravo, a primeira coisa é o ouvido: ouvir o que o Senhor diz e agir de acordo com isso.
Hoje as mulheres furam as orelhas, e agora até os homens as furam. Pensam que é um enfeite; não percebem o que isso realmente significa. Se sua orelha está furada, então você tem a obrigação de ouvir a Palavra de Deus e agir de acordo com ela.
Essa é a disposição interior de nosso Senhor Jesus. Por que é assim? Porque, no princípio, quando Deus criou o homem, Sua intenção era que o homem O ouvisse e fizesse Sua vontade.
Esse é o dever do homem: glorificar a Deus e fazer Sua vontade. Mas, infelizmente, essa não é a condição do homem. O homem tem uma mente rebelde. Os homens não conseguem nem querem ouvir a Deus. Suas orelhas não estão furadas.
Quando nosso Senhor Jesus veio a este mundo, era assim que Ele era. Este é o segundo passo que precisamos seguir para glorificar a Deus.
Como seres humanos, precisamos ouvir a Deus. Precisamos abrir mão de nossa própria maneira de pensar. Muitas vezes, discutimos com Deus e argumentamos com Ele. Mas a intenção de Deus ao criar o homem era ter um homem que O ouvisse.
Por isso, precisamos ter em nós essa mente de Cristo.
Então encontramos o terceiro passo: tendo-Se tornado semelhante aos homens e sendo achado em figura de homem, Ele humilhou-Se a Si mesmo.
Isso fala da vida de nosso Senhor Jesus. Interiormente, Ele tinha a mente de um escravo de Deus. Exteriormente, tinha a figura de um homem. Ele era um homem perfeito.
Ele tinha um corpo, assim como nós. Tinha uma alma, assim como nós. Em outras palavras, tinha Seu próprio pensamento, Sua própria vontade e Suas próprias emoções.
Mas, quando assumiu a figura de homem, Sua vida se expressou em humilhar-Se a Si mesmo. Não apenas tinha, interiormente, a mente de um escravo; exteriormente, Ele Se humilhou para ser obediente a Deus.
Essa foi toda a vida de nosso Senhor Jesus. Irmãos e irmãs, se estamos seguindo o Senhor Jesus, também precisamos segui-Lo dessa maneira. Devemos nos humilhar e ser obedientes ao nosso Deus.
Por fim, vemos que Ele foi obediente até à morte de cruz. Nunca poderemos compreender plenamente o que aconteceu com nosso Senhor Jesus.
O que aconteceu no jardim? Lemos sobre isso nos Evangelhos: como Ele estava angustiado em Sua alma, como estava oprimido em Seu espírito. Ele entrou no jardim para orar.
Ele até quis que os discípulos orassem com Ele, como se precisasse de apoio. Quando orou, estava tão angustiado que Seu suor caiu como sangue.
Nunca poderemos compreender a agonia de Cristo no jardim do Getsêmani. Se um anjo não tivesse aparecido e O fortalecido, Ele teria morrido no jardim.
Qual era a luta por trás disso? Por que Ele, por assim dizer, estava com tanto temor da cruz? Ele veio com esse propósito. Sabia disso perfeitamente.
A luta era esta: Ele era tão santo, tão puro e tão justo. Havia agradado ao Seu Pai em todas as coisas. Durante toda a Sua vida, teve a presença de Seu Pai. Nunca havia sido desobediente a Deus.
Agora Ele teria de tomar sobre Si todos os pecados do mundo, desde o tempo de Adão até aquele momento, e até mesmo até o tempo de Sua volta.
A Bíblia diz que Ele seria feito pecado por nós. Lembrem-se: não se tratava apenas de levar alguns de nossos pecados. Ele seria feito o próprio pecado.
Para Aquele que não tinha pecado, ser feito pecado era algo que Ele não podia suportar. Essa era a luta por trás de tudo. Mas, graças a Deus, Ele foi obediente ao Pai até à morte — e morte de cruz.
Louvado seja Deus por isso. O caminho para a glória não é subir. O caminho para a glória é descer — descer, descer, descer. Esse é o caminho para a glória.
Irmãos e irmãs, creio que precisamos aprender o segredo da glória. Deus glorificará aqueles que estiverem dispostos a esvaziar-se.
Deus dará glória àqueles que têm a mente de um escravo por amor. Deus glorificará aqueles que se humilham e são obedientes.
Deus glorificará aqueles que estiverem dispostos a tomar suas cruzes e seguir o Senhor.
Irmãos e irmãs, estamos vivendo em uma época em que até o evangelho mudou.
Quando Paulo foi a Corinto, decidiu uma coisa: estava determinado a não saber de nada, a não ser de Jesus Cristo, e Este crucificado, porque sabia que esse era o único caminho para libertar as pessoas dali.
Mas hoje vemos que a cruz quase não é pregada. Pelo contrário, o evangelho da prosperidade está por toda parte.
Se você prega o evangelho da cruz de Jesus Cristo, percebe que muito poucas pessoas realmente respondem. Mas, quando prega o evangelho da prosperidade, tem multidões; tem uma grande audiência.
Não queremos a cruz; queremos a coroa. Mas, aos olhos de Deus, isso não existe. Sem a cruz, não haverá a coroa.
Esse é o caminho de Cristo. Se queremos seguir a Cristo, precisamos estar preparados para isso.
Nosso Senhor Jesus disse que havia chegado a hora de o Filho do Homem ser glorificado.
Se o grão de trigo não cair na terra e morrer, fica ele só;
Mas, se morrer, produz muito fruto.
Se amarmos nossa vida da alma, nós a perderemos. Se odiarmos e negarmos nossa vida da alma, nós a ganharemos para a eternidade. Este é o único caminho para a glória.
Portanto, irmãos e irmãs, queremos enfatizar e voltar a enfatizar que precisamos de uma compreensão nova e renovada da cruz.
O que é uma cruz? Uma cruz é algo que contraria você. Quando a vontade de Deus e a sua vontade se cruzam, você tem uma cruz.
Quando a cruz chega até você, pode tomá-la ou contorná-la. Se a tomar, qual será o resultado? Isso significará morte para você mesmo, mas significará a vida de Cristo para você.
Se você contornar a cruz e encontrar um caminho alternativo, isso significa que perderá a coroa.
Por isso, precisamos de uma nova compreensão da cruz. É a vontade de Deus nos libertar. Ele sabe como estamos sob o controle da vida do eu.
A menos que a vida do eu seja tratada, nunca poderemos ser cheios da vida de Cristo. É por isso que precisamos tomar a cruz e seguir o Senhor.
Não há outro caminho para glorificar a Deus, e não há outro caminho para a glória. Espero, irmãos e irmãs, que tenhamos uma mente renovada.
Quando vocês leem Romanos 12:1, Paulo diz:
Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus,
Que apresenteis os vossos corpos como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus,
Que é o vosso culto racional.
Depois de recebermos todas as misericórdias de Deus, como devemos reagir? Como devemos responder? Precisamos apresentar nossos corpos como sacrifício vivo.
Por que o corpo? Porque é com o corpo que vivemos nossa vida. Isso significa todo o nosso ser. Precisamos apresentar a nós mesmos como sacrifício vivo.
Não é um sacrifício morto; é um sacrifício vivo. Significa que vivemos para Aquele que nos amou e Se entregou por nós.
Isso é algo santo. É algo agradável a Deus. É a nossa adoração e o nosso serviço.
Queremos adorar a Deus, mas como podemos adorá-Lo? Nós O adoramos apresentando-nos a Ele. Queremos servi-Lo, mas como O servimos? Apresente-se a Ele como sacrifício vivo.
O que acontecerá se você fizer isso? Em Romanos 12:2, vemos que sua mente será renovada.
Quanto àquilo que antes lhe parecia precioso — a concupiscência dos olhos, a concupiscência da carne e a soberba da vida —, sua maneira de pensar mudou. Você despreza essas coisas.
Quanto àquilo que você antes considerava a vontade de Deus — algo duro e difícil —, sua maneira de pensar mudou. Você vê o mandamento e a vontade de Deus como algo amoroso e bom.
Assim como Paulo: depois de encontrar Cristo no caminho de Damasco, ele se apresentou a Cristo. Sua mente foi renovada. Ele começou a considerar todas as coisas como perda pela excelência do conhecimento de Jesus Cristo.
Irmãos e irmãs, este é o caminho para a glória.
Agora gostaríamos de considerar juntos as diferentes formas pelas quais podemos glorificar a Deus. Em primeiro lugar: podemos glorificar a Deus na vida.
Sabemos que Cristo em vocês é a esperança da glória. Como Cristo pode aumentar dentro de nós? Como Ele pode crescer dentro de nós?
À medida que você nega a si mesmo, toma sua cruz e segue o Senhor, Cristo começa a crescer em você.
Você começa a contemplar a glória do Senhor com o rosto descoberto e é transformado de glória em glória pelo Senhor, o Espírito. Assim, podemos glorificar a Deus na vida. Isso é o fundamento.
Em segundo lugar: podemos glorificar a Deus em nossas ações. Em outras palavras, podemos glorificar a Deus nas obras de nossas mãos.
Como podemos fazer isso? Temos um coração disposto a servir, mas, falando do ponto de vista natural, quando queremos servir a Deus, como servimos?
Creio que isso é comum: se você tem o desejo de servir a Deus, sem perceber, servirá a Deus com aquilo que você é. Usa sua própria mente para servir a Deus. Usa sua própria energia. Usa sua própria maneira de servir.
Irmãos e irmãs, quando cremos no Senhor Jesus pela primeira vez, creio que todos passamos por isso, assim como Moisés. Ele queria servir a Deus com sua força natural.
Mas, graças a Deus, Deus permitiu que ele fracassasse e o enviou ao deserto por quarenta anos: para desaprender tudo o que havia aprendido, para ser desfeito, até descobrir que não tinha eloquência nem poder.
Então ele foi enviado para realizar a obra pelo poder de Deus.
Não por força, nem por poder, mas pelo Meu Espírito, diz o Senhor.
Portanto, em nossa maneira de servir ao Senhor, precisamos ser libertos de toda a nossa força natural. Temos de servir no poder do Espírito Santo.
Podemos glorificar a Deus com nossas palavras. Ou seja, podemos louvar a Deus como uma forma de glorificá-Lo.
Encontramos no Antigo Testamento como os filhos de Deus O louvavam. O Salmo 50 diz:
Aquele que oferece louvor Me glorifica.
Por isso, precisamos louvá-Lo. Em Hebreus 13, vemos que precisamos oferecer o sacrifício de louvor.
Davi disse: “Oro três vezes por dia; louvo a Ti sete vezes por dia”. Nós, como povo de Deus, devemos ser um povo de louvor. Por meio Dele, oferecemos ações de graças a Ele em todas as coisas. Esse é o caminho para glorificar a Deus.
Em quarto lugar, podemos glorificá-Lo na igreja, porque o propósito de Deus é coletivo. Ele quer que sejamos o corpo de Cristo.
Como podemos glorificá-Lo na igreja, em vez de envergonhá-Lo na igreja?
Em primeiro lugar: apegar-se à Cabeça. Cada membro do corpo de Cristo precisa apegar-se à Cabeça. Reconhecemos Cristo como nossa Cabeça. Há apenas uma Cabeça: Cristo.
Ele pode ter Seus representantes, mas Ele é a Cabeça, e cada membro do corpo de Cristo precisa apegar-se a Ele.
Como fazemos isso? Por meio do Espírito Santo, porque o Espírito Santo é como o sistema nervoso do corpo físico.
Esse sistema percorre todo o corpo. Ele não apenas comunica à cabeça tudo o que acontece externamente, mas também transmite todas as ordens da cabeça.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, é muito importante que não haja nenhuma obstrução nessa comunicação. Precisamos permanecer em Cristo, e Ele permanecerá em nós. Por meio do Espírito Santo, estaremos realmente apegados à Cabeça.
Isso não é uma teoria; é um fato.
Não apenas isso, mas precisamos estar unidos e ministrar uns aos outros. Precisamos guardar diligentemente a unidade do Espírito no vínculo da paz.
Em nossa fé fundamental, somos um. Temos um só Espírito Santo, um só Cristo e um só Pai, nosso Deus. Com base nisso, precisamos ter comunhão uns com os outros.
Não permitam que diferenças de interpretação ou de experiência nos dividam. Precisamos ter comunhão uns com os outros. Precisamos nos abrir uns aos outros. Não devemos insistir em nossas próprias ideias.
Se continuarmos em comunhão, chegaremos à unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus.
Em outras palavras, a unidade tem dois extremos. A unidade do Espírito é o começo; a unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus é o fim.
A unidade do Espírito já foi dada. Isso está em Efésios 4:3. A unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus deve ser alcançada. Isso está em Efésios 4:13.
Portanto, é uma única unidade com dois extremos. Um já foi dado; o outro deve ser alcançado.
Como vamos alcançá-lo? Precisamos guardar diligentemente a unidade do Espírito no vínculo que nos une em paz e, então, continuar tendo comunhão uns com os outros.
Não devemos nos recusar a ter comunhão por causa das diferenças. Pelo contrário, devemos estar dispostos a ter comunhão. Devemos estar abertos uns aos outros. Não devemos insistir em nossas próprias ideias.
Devemos estar abertos para receber tudo o que vem do Senhor. Gradualmente, chegaremos à unidade da fé e do conhecimento do Filho.
A fé, ali, é toda a verdade da Bíblia, e o conhecimento é o pleno conhecimento. É um conhecimento adquirido pela experiência.
Em outras palavras, experimentamos Cristo da mesma maneira. Não apenas conhecemos a Palavra de Deus da mesma maneira; experimentamos Cristo da mesma maneira. Isso deve ser alcançado pela continuidade da comunhão.
Esse é o caminho para guardar a unidade, e esse é o caminho para glorificar a Deus na igreja.
Em segundo lugar, como membros do corpo de Cristo, cada um de nós recebe graça e dom. Pela graça de Deus, precisamos exercer o dom que Deus nos deu e ministrar uns aos outros.
O sacerdócio universal dos crentes é algo que precisamos praticar. Todos somos sacerdotes de Deus, e todos somos sacerdotes reais. Precisamos servir a Deus servindo uns aos outros.
Esse é o caminho para o crescimento de Deus no corpo. Assim, vemos que há diversas formas pelas quais podemos verdadeiramente glorificar a Deus. Se O glorificarmos, Ele nos glorificará.
Há uma advertência. Na oração sacerdotal de nosso Senhor, em João 17, a glória é mencionada duas vezes.
Primeiro, ela é mencionada em João 17:5:
E agora glorifica-Me Tu, ó Pai, junto de Ti mesmo, com a glória que Eu tinha junto de Ti antes que o mundo existisse.
Aqui encontramos a primeira menção à glória na oração de nosso Senhor. O Senhor estava voltando para o Pai e disse: “Glorifica-Me”.
Com que glória? Com a glória que Eu tinha Contigo antes da fundação do mundo. Essa é a glória da Divindade.
A glória da Divindade pertence exclusivamente a Deus. Somente o Filho pode compartilhá-la com o Pai.
Quando nosso Senhor Jesus veio a este mundo, Ele deixou de lado essa glória e tornou-Se homem. Mas agora estava voltando para o Pai e iria retomar a glória que tinha com o Pai antes que o mundo existisse.
Essa é a glória que pertence exclusivamente a Deus. Ninguém pode participar dessa glória.
Mas, enquanto Ele continuava a orar, encontramos João 17:24:
Pai, quanto àqueles que Me deste, quero que, onde Eu estou, também eles estejam Comigo, para que contemplem a Minha glória, que Me deste; pois Tu Me amaste antes da fundação do mundo.
Se vocês lerem com muita atenção, perceberão que a glória mencionada por Ele aqui é diferente da glória mencionada em João 17:5.
Em João 17:5, Ele Se referiu à glória que tinha com o Pai antes de vir a este mundo. Essa é a glória da Divindade. Isso é o que Deus é. Ninguém pode participar dela.
Na Divindade há apenas três Pessoas: Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo. Somente Ele é Deus. Não há ninguém mais. Essa glória pertence exclusivamente a Ele.
Mas então encontramos outra glória. Ele disse: “Pai, quero que aqueles que Me deste estejam Comigo, para que contemplem a glória que Me deste”.
Essa é a glória que Ele quer nos dar. A glória, aqui, refere-se à glória de Cristo como Filho do Homem.
É porque Ele esvaziou-Se a Si mesmo. É porque tomou a forma de escravo. É porque veio em figura de homem. É porque foi obediente até à morte, e morte de cruz.
Por isso, o Pai O exaltou soberanamente, dando-Lhe um nome acima de todo nome, para que, ao nome de Jesus, todo joelho se dobre e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para a glória do Pai.
Como Filho do Homem, Ele foi tão obediente ao Pai que recebeu glória como Filho do Homem. Essa é a glória que Ele compartilhará conosco.
Esse é o significado de nosso Senhor conduzir muitos filhos à glória.
A razão de mencionarmos isso é que, quando estamos realmente buscando a glória, é muito fácil nos desviarmos.
Por exemplo, no mundo há pessoas que chamamos de místicos. Em todos os séculos, encontramos pessoas que são místicas. De modo geral, todos os cristãos são místicos, porque somos pessoas que buscam a Deus.
Mas há certas pessoas que buscam de tal maneira que estão dispostas a sacrificar tudo. Se vocês lerem sua história, verão como procuravam maltratar o próprio corpo, porque pensavam que o corpo é material e que a matéria é má.
Por isso, pensavam que precisavam maltratar o corpo. Dormiam em camas de ferro. Usavam cilícios. Maltratavam o corpo quase até à morte. Até Martinho Lutero fez isso.
Ao fazerem isso, pensavam que dominariam o corpo e poderiam unir-se a Deus. Por fim, pensavam que passariam a fazer parte da Divindade.
Vocês se lembram da declaração de Madame Guyon. Muitas pessoas admiram Madame Guyon porque sua vida era tão bela, e ela era uma das místicas.
Ela disse que somos como uma gota de água e, gradualmente, vamos fluindo, fluindo, fluindo, até chegar ao oceano. Quando chegamos ao oceano, ficamos tão misturados com ele que nos tornamos um com o oceano.
Essa é uma declaração muito bonita. Mas, infelizmente, há nela um elemento de heresia.
Entre os místicos, busca-se a união com Deus a tal ponto que isso se torna a deificação do homem — uma fusão com o próprio Deus. Esse tipo de ensino ainda existe hoje.
O desejo é bom, mas, infelizmente, o inimigo tenta distorcê-lo. Em vez de perceberem que a glória que Deus nos dá é segundo a glória do Filho do Homem, as pessoas podem pensar que entram na glória tornando-se Deus.
Mas entramos na glória por causa da vida de Cristo. Não significa que nos tornamos Deus.
Irmãos e irmãs, creio que isso deve nos servir de advertência. Precisamos buscar glorificar a Deus, para que Deus nos glorifique.
Cristo, depois de ter glorificado a Deus no mundo como homem, foi glorificado por Deus. Essa é a glória que Deus dá a todos aqueles que O glorificam.
Que o Senhor nos ajude. Vamos orar.
Querido Senhor, nós nos prostramos para adorar-Te, porque é Tua vontade conduzir muitos filhos à glória. Ensina-nos a glorificar-Te, para que sejamos glorificados.
Entregamos uns aos outros aos Teus cuidados. Pedimos que nos acompanhes aos nossos diversos lugares, para que possamos testemunhar ao mundo:
Teu é o reino, e o poder, e a glória, para sempre. Amém.