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    The Fire Of Preparation © 2026 Christian Testimony Ministry
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    The Fire Of Preparation
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    Lambert, Lance

    O Fogo de Deus

    Vocês poderiam abrir comigo em algumas passagens das Escrituras? Primeiro, na Nova Aliança, no Novo Testamento: o Evangelho de Lucas, e apenas um versículo, Lucas 3:16.

    João respondeu, dizendo a todos:
    Eu, na verdade, vos batizo com água;
    mas vem Aquele que é mais poderoso do que eu,
    de Quem não sou digno de desatar a correia das sandálias:
    Ele vos batizará no Espírito Santo e em fogo.

    Agora, abram no Antigo Testamento, na Antiga Aliança, no livro de Êxodo, a partir de Êxodo 3:1.

    Ora, Moisés apascentava o rebanho de Jetro, seu sogro, sacerdote de Midiã:
    e levou o rebanho para além do deserto,
    e chegou ao monte de Deus, a Horebe.
    E o anjo do Senhor lhe apareceu numa chama de fogo, do meio de uma sarça:
    e ele olhou, e eis que a sarça ardia no fogo, e a sarça não se consumia.
    E Moisés disse: Agora me voltarei para ver esta grande visão, por que a sarça não se queima.
    E, vendo o Senhor que ele se voltava para ver, Deus o chamou do meio da sarça e disse: Moisés, Moisés.
    E ele disse: Eis-me aqui.
    E Ele disse: Não te chegues para cá: tira as sandálias dos teus pés,
    porque o lugar em que estás é terra santa.

    Voltem agora ao Novo Testamento, a Atos — o livro dos Atos do Espírito Santo —, a partir de Atos 2:1.

    E, ao chegar o dia de Pentecostes,
    estavam todos reunidos no mesmo lugar.
    E, de repente, veio do céu um som, como de um vento impetuoso,
    e encheu toda a casa onde estavam assentados.
    E apareceram-lhes línguas que se repartiam, como de fogo;
    e uma pousou sobre cada um deles.
    E todos foram cheios do Espírito Santo,
    e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que falassem.

    E, mais uma vez no Novo Testamento, Romanos — a carta do apóstolo Paulo aos Romanos —, a partir de Romanos 12:1.

    Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus,
    que apresenteis os vossos corpos como sacrifício vivo, santo, agradável a Deus,
    que é o vosso serviço e culto espiritualmente inteligentes.
    E não vos conformeis com este mundo:
    mas transformai-vos pela renovação da vossa mente,
    para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.
    Porque, pela graça que me foi dada, digo a cada um dentre vós
    que não pense de si mesmo além do que convém;
    mas pense com sobriedade, conforme Deus repartiu a cada um uma medida de fé.
    Porque, assim como temos muitos membros em um só corpo, e nem todos os membros têm a mesma função:
    assim nós, que somos muitos, somos um só corpo em Cristo, e individualmente membros uns dos outros.
    E, tendo dons diferentes segundo a graça que nos foi dada,
    se é profecia, profetizemos segundo a proporção da nossa fé;
    se é ministério, dediquemo-nos ao ministério;
    ou aquele que ensina, ao ensino;
    ou aquele que exorta, à exortação:
    aquele que contribui, faça-o com liberalidade;
    aquele que preside, com diligência;
    aquele que exerce misericórdia, com alegria.

    Oração Inicial

    Vamos fazer mais uma breve oração.

    Amado Senhor, somos tão gratos por estarmos reunidos aqui. Agradecemos por Tua graça e misericórdia para conosco. Agradecemos, querido Senhor, porque cremos que responderás à oração que Jerry acabou de fazer e que virás ao nosso encontro em Tua Palavra.

    Torna Tua Palavra uma realidade viva para cada um de nós nesta noite, do mais jovem ao mais idoso. Vem ao nosso encontro, Senhor. Vivemos dias de enorme turbulência, conflito, abalo e aflição. E, Senhor, sentimos no mais íntimo que as coisas não vão melhorar.

    Agora, Senhor, tudo o que podemos fazer é pedir que, em Tua misericórdia, venhas ao nosso encontro. Onde estamos acomodados, desperta-nos. Onde estamos mornos, torna-nos incandescentes. Onde nosso amor de alguma forma morreu, devolve-nos o primeiro amor. Onde a paixão há muito desapareceu — o nosso zelo pela casa do Senhor —, restaura-a.

    Senhor, faz algo em nosso coração nesta noite, e teremos o cuidado de Te dar todo o louvor e toda a glória.

    Querido Pai, nesta noite nos firmamos, pela fé, na unção que nosso Senhor Jesus conquistou para nós no Calvário: tanto para a exposição da Tua Palavra como para sua tradução e para ouvi-la.

    Ouve esta nossa oração, que fazemos em nome de nosso Senhor Jesus, o Messias. Amém.

    A Ausência do Fogo Divino

    Acho que todos vocês já sabem que o tema desta conferência tem sido preparar o caminho para a volta do Senhor. Minha responsabilidade nisso tem sido o caminho de Cristo. Não quero repetir o que já disse nas duas últimas ocasiões, mas quero fazer uma pergunta simples.

    Onde está o fogo de Deus? Onde está o fogo de Deus?

    Ao longo de toda a história da igreja, sempre que o Senhor Jesus iniciou algo novo por Seu Espírito Santo, houve um fogo que ardeu dentro daqueles sobre quem o Senhor Jesus veio pelo Espírito.

    Era um fogo que virava a sociedade humana de cabeça para baixo. Era um fogo que levava milhares ao Senhor. Era um fogo que produzia uma expressão da igreja naquela época — uma edificação da igreja.

    Então, o tradicionalismo, o organizacionalismo, o denominacionalismo e todos os outros “ismos” foram lentamente tomando conta. O fogo se apagou. E o interessante é que parecia que ninguém havia percebido. O fogo havia desaparecido.

    Querido filho de Deus, como é que vamos preparar o caminho para a volta do Senhor sem o fogo de Deus?

    Não estou falando de fogo estranho, de fogo alheio ou de fogo ocultista. Estou falando do fogo que estava no coração do Senhor Jesus quando Ele veio a este mundo e nasceu de uma mulher, suportou aqueles trinta anos de contradição e oposição e, finalmente, por esse fogo do Espírito, ofereceu-Se a Deus na cruz.

    Foi esse fogo do Espírito de Deus que ressuscitou Jesus, o Messias, dentre os mortos.

    Foi esse fogo que foi derramado no dia de Pentecostes — não apenas o fogo que estava no Senhor Jesus, o zelo que estava no Senhor Jesus, mas o fogo que haveria de habitar em cento e vinte seres humanos muito comuns, muito simples.

    É muito interessante que quase não saibamos os nomes deles — conhecemos apenas alguns poucos nomes. Mas naquele dia, quando o Espírito Santo foi derramado por um Messias ressurreto, glorificado e entronizado, aconteceu neste planeta algo que nunca havia acontecido antes, em todos os longos anos de sua história.

    Cento e vinte seres humanos salvos foram unidos a uma Cabeça à direita de Deus. Era como se cabeça e corpo — um organismo — tivessem sido criados pelo Espírito Santo, pela vinda do Espírito Santo, por esse fogo de Deus que entrou em cada um dos cento e vinte.

    Queridos filhos de Deus, ouçam-me. Esse fogo naquelas pessoas tão queridas produziu, em poucas horas, três mil conversões. Agora eram três mil cento e vinte, e esse fogo ardia dentro deles.

    Em poucas semanas, eram cinco mil. Depois de mais algumas semanas e meses, eram oito mil. Até uma grande multidão de sacerdotes e levitas creu.

    Toda aquela estrutura arraigada do templo, do sacerdócio, dos escribas, dos fariseus e dos saduceus — eles não podiam fazer nada para impedir aquilo.

    Aquilo virou Jerusalém de cabeça para baixo. Virou toda a Judeia de cabeça para baixo. Virou Samaria de cabeça para baixo. E, pela primeira vez, naqueles samaritanos salvos pela graça de Deus, o fogo habitava.

    E os judeus, que tanto haviam desprezado os samaritanos, foram unidos a eles.

    A Expansão do Fogo aos Gentios

    Pouco tempo depois, o apóstolo Pedro estava naquela sala de estar — ou fosse qual fosse o cômodo — da casa daquele centurião em Cesareia, o quartel-general da força de ocupação romana.

    Estavam presentes vários oficiais gentios do exército romano, e ali estavam também os judeus messiânicos. Pela primeira vez, Pedro pregou o evangelho a gentios — gentios de fato, sem qualquer ascendência judaica.

    E, enquanto ele falava, aconteceu algo naquela reunião. O fogo de Deus que estava em Pedro ardia dentro dele, e, de repente, ele percebeu que já não o estavam ouvindo.

    Isso não é tão estranho para nós, pregadores — só que, às vezes, acontece por outros motivos. Quem dera fosse pelo mesmo motivo que aconteceu com Pedro.

    Ele certamente percebeu que não o estavam ouvindo. Algo havia acontecido. O fogo do Espírito de Deus havia saltado de Pedro para aqueles gentios e os salvado.

    Era o início da campanha evangelística mais bem-sucedida já realizada. Ela alcançaria o mundo inteiro.

    Chegou ao norte até a Armênia; ao leste, até o sul da Índia; ao sul, até a Etiópia e além, na África; e ao oeste, até a Espanha, a França e a Grã-Bretanha.

    O evangelho foi pregado em Londres — que então se chamava Londinium — catorze anos depois da morte, do sepultamento e da ressurreição do Senhor Jesus. Segundo a tradição da igreja, José de Arimateia pregou o evangelho pela primeira vez na Grã-Bretanha. Se isso for verdade… Mas nem toda tradição é um absurdo.

    Era o fogo de Deus.

    O Fogo como Expressão da Presença de Deus

    Agora, meus queridos amigos, onde quer que olhemos na Bíblia, descobrimos que o fogo é a expressão da presença de Deus.

    Quando Ele falou com Moisés, todo o monte estava envolto em fogo. Poderíamos dizer muito mais a respeito disso, mas está por toda parte na Bíblia.

    Em um dos grandes momentos decisivos da história divina, Moisés — o querido Moisés — tinha oitenta anos e fazia o que vinha fazendo havia quarenta anos: cuidava de cabras, ovelhas, camelos e jumentos malcheirosos e pouco higiênicos. Estava nos confins do deserto, como diz nossa querida versão antiga.

    E ele viu um fogo.

    Imagino que tivesse sido um dia como qualquer outro para Moisés. Afinal, ele já havia passado quarenta anos assim. Provavelmente pensou consigo mesmo: “É uma sarça — uma velha sarça morta — que pegou fogo espontaneamente por causa do sol”.

    Mas, dez minutos depois, olhou para trás, e ela ainda estava queimando. Pensou: “Essa sarça deve ser bem grande”. Meia hora depois, olhou para trás, e ela ainda estava queimando.

    Então disse: “Acho melhor ir até lá e ver essa grande visão — essa sarça enorme”. Essas sarças são encontradas aos montes no deserto. Quando uma morre, muitas vezes simplesmente pega fogo espontaneamente. Eu mesmo já vi isso.

    Mas, quando Moisés se aproximou, Deus falou com ele do meio da sarça, do meio do fogo, e disse:

    Moisés, Moisés, não te aproximes mais.
    Tira as sandálias dos teus pés,
    porque o chão em que estás é santo.

    Foi um dos grandes momentos decisivos da história divina. Moisés estava prestes a se encontrar com Deus.

    Moisés como Representação da Sarça Ardente

    Somente o Senhor, com Seu grande senso de humor, poderia ter organizado e marcado um encontro assim. Afinal, poderíamos esperar que o Senhor escolhesse uma palmeira imponente, com sua forma maravilhosa. Imaginem: o fogo lá em cima, e Moisés olhando e dizendo: “Nossa, aquela palmeira está pegando fogo!”

    Então o Senhor fala a Moisés: “Moisés, tira as sandálias dos teus pés”. O cenário — tudo muito magnífico. Tudo fala de realeza, de uma realeza magnífica.

    Ou Ele poderia ter escolhido o que a versão King James chama de árvore de shittim — a acácia do deserto. Foi dessa árvore que se tirou a madeira para fazer os móveis do tabernáculo.

    Não teria sido maravilhoso se o Senhor tivesse irrompido, por assim dizer, em fogo numa árvore de shittim, numa acácia? Moisés teria dito: “Oh!” E, mais tarde, teria dito: “Essa tipologia não é incrível? Quero dizer, esta é a casa de Deus; ali está a habitação de Deus. É maravilhoso”.

    Mas o Senhor, se posso dizer isso com reverência, colocou o próprio Deus numa sarça — que nem sequer passava da cintura de Moisés. E, lá de baixo, Deus falou a Moisés: “Esta é terra santa”.

    Além disso, era uma sarça morta. Havia vivido sua vida, gasto suas energias e morrido. Vocês pensariam que o Senhor teria escolhido pelo menos uma sarça verde. Elas até têm flores — florezinhas muito comuns. Mas vocês pensariam que o Senhor teria ao menos a gentileza de escolher uma bela sarça verde.

    Mas era como se Deus estivesse dizendo a Moisés: “Você tem oitenta anos. Viveu sua vida, gastou suas energias e, pelo que você imagina, vai morrer neste deserto. Na verdade, este é o começo do seu ministério”.

    “Esta sarça é você. Este fogo sou Eu. E Eu vou usar você. Você é a sarça que arde no fogo e não se consome. E Eu falarei por meio de você, vez após vez após vez.”

    “Falarei com Faraó e advertirei os líderes do Egito. Falarei aos filhos de Israel. Você é a sarça que está morta, e Eu sou o fogo.”

    Quando o fogo e o vaso humano que sabe que não é nada se unem, algo acontece. Faz-se história divina.

    Não importa para onde você se volte: verá isso ilustrado por toda parte na Bíblia.

    A Sarça Ardente como Representação de Israel

    Mas não se tratava apenas de Moisés e do serviço que Deus lhe havia dado. Era como se o Senhor estivesse dizendo: “Moisés, esta sarça — morta, cheia de espinhos — é Israel. E Eu sou o fogo nesta sarça. Nunca se esqueça disso”.

    Moisés se esqueceu, em uma ocasião. Ficou tão irado com eles que feriu a rocha com seu cajado e disse: “Vós, rebeldes!” Esqueceu-se de que Deus estava na sarça. E Deus disse: “Você não entrará na terra, mas a verá de longe”.

    É impressionante que Israel, com todos os seus defeitos, todas as suas falhas e todas as suas fraquezas, ao longo dos muitos anos de sua história, tenha sido preservado pela graça de Deus.

    E, finalmente, depois da maior tragédia de sua longa história de sofrimento — o Holocausto —, renasceu como Estado e nação reconstituídos entre as nações do mundo. É impressionante.

    A chama nunca morreu. Enfraqueceu. Quase se apagou. Quase foi extinta. Mas, mesmo em seus momentos mais terríveis, sempre houve um Daniel, um Neemias, uma Ester ou um Esdras — ao longo de toda a sua história.

    A Sarça Ardente como Representação da Igreja

    Se vocês me acompanharam até aqui, deixem-me levá-los um passo adiante. É como se o Senhor estivesse dizendo: “Esta velha sarça é a igreja”.

    Não é preciso estar na igreja por muito tempo para descobrir que ela tem muitos espinhos. É fácil sair arranhado da comunhão.

    Mas o fogo está ali porque, como nosso irmão Stephen ressaltou pelo menos duas vezes, o Senhor Jesus disse:

    Tu és Pedro.

    Ele havia até dito: “Ah, você vai Me negar três vezes”.

    “Mas sobre você — você é uma pedrinha, Petros —, mas sobre o maciço da rocha, Petra”:

    Edificarei a Minha igreja;
    e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.

    É impressionante para mim que a igreja ainda esteja viva hoje. Quando olhamos para a história da igreja, vemos coisas extraordinárias. Preciso me conter por causa do tempo, mas é impressionante.

    Desde que o Senhor Jesus fez essa declaração, as portas do inferno têm procurado, vez após vez, prevalecer contra a obra de edificação do Senhor Jesus. E há momentos — temos de admitir — em que parecem ter conseguido.

    Há momentos em que parece que o fogo desapareceu, o zelo desapareceu e o entendimento desapareceu; em que a igreja morreu, transformando-se numa organização humana, muitas vezes perseguidora dos verdadeiros filhos de Deus.

    Mas então o Senhor tem sido, como sempre, fiel à Sua promessa: “As portas do inferno”.

    Pessoalmente, não gosto da palavra Hades. Sei que é a palavra grega correta, mas fico pensando no que ela significa, especialmente para vocês, jovens. Quero dizer, “as portas do Hades”. Então digo a vocês: “São as portas dos mortos que partiram”. Isso não ajuda muito, não é?

    “Bem, são as forças da morte.” Isso é bom. Mas acho que a antiga versão King James, ao empregar inferno, como fez Tyndale, descreve muito melhor o que o Senhor quis dizer:

    As portas do inferno não prevalecerão contra ela.

    Ou seja, todas as estratégias de Satanás, todos os propósitos de Satanás, todas as metas e todos os objetivos de Satanás — não prevalecerão contra a obra de edificação do Messias.

    O Fogo ao Longo da História da Igreja

    Se vocês examinarem a história da igreja, descobrirão, vez após vez, que o Senhor Jesus, do trono de Deus, inicia algo novo pelo Espírito Santo. E, mais uma vez, há fogo.

    Não importa como vocês os chamem: montanistas, donatistas, paulicianos, albigenses, bogomilos. Esses nomes estranhos foram dados a essas pessoas por outros; elas nunca adotaram esses nomes.

    Era um fogo que ardia, e, mais uma vez, a igreja voltava ao seu fundamento original e ao seu caráter original. Havia o governo de Jesus pelo Espírito Santo. Havia comunhão. Havia crescimento. Havia salvação. Havia a pregação do evangelho.

    Vejam a Reforma. Havia fogo na Reforma, independentemente do que vocês pensem a respeito de qualquer outra coisa. Quando Deus salvou Martinho Lutero — aquele homem católico romano —, um fogo ardeu dentro dele, e nada poderia detê-lo.

    A Igreja Católica o chamou de “aquele monge bêbado”. Mas havia fogo, paixão e zelo dentro dele. Vocês poderiam acreditar que o todo-poderoso sistema católico romano pudesse ser virado de cabeça para baixo e do avesso pela Palavra de Deus, pregada por pessoas como Martinho Lutero, Ulrico Zuínglio, João Calvino e outros?

    Era um fogo. Depois, ele morreu.

    Então temos os anabatistas. Em Salzburgo, não há uma única fonte em que filhos de Deus anabatistas não tenham sido afogados — amarrados dentro de sacos, bebês, crianças, pais e mães, e afogados.

    Mas um fogo ardia entre os anabatistas. Não importa muito se vocês os chamam de menonitas, stundistas ou batistas gerais. O fato é que um fogo ardia, até que aquilo se tornou uma organização.

    E, mais uma vez, algo aconteceu. Só posso contar algumas dessas coisas a vocês. Algo aconteceu quando esse jovem aristocrata passeava pelo museu e, de repente, viu uma pintura a óleo.

    Era uma pintura a óleo do Messias crucificado. Ela o deixou paralisado. Ele ficou diante dela uma hora inteira, sem se mover.

    E seus olhos não conseguiam se desviar das palavras abaixo da pintura:

    Fiz tudo isto por você.
    O que você fez por Mim?

    O Espírito Santo entrou no coração de Nicolau von Zinzendorf. O fogo ardeu dentro dele. Ele voltou às suas propriedades na Morávia e abriu seu castelo e todas as suas terras aos refugiados — que eram milhares — que fugiam da perseguição católica.

    É uma história impressionante. Eles também tiveram dificuldades. Bem, eu acabei de dizer que é uma sarça — esta igreja, uma velha sarça morta, cheia de espinhos. Eles estavam passando por um período difícil.

    Então pensaram que a melhor coisa a fazer era buscar o Senhor. O Espírito Santo caiu sobre toda aquela gente — não sobre o monte; deixou todos prostrados —, e a chama de fogo entrou em cada um deles.

    Foi o início da reunião de oração que durou cem anos.

    Eles foram por toda parte. O fogo ardia tanto dentro deles que escolheram ir aos lugares mais difíceis do planeta: para as montanhas do Himalaia, para o Ártico.

    Eles chegaram a contrair lepra ao cuidar dos leprosos e se alegraram, porque disseram: “Agora somos leprosos; eles vão nos compreender”.

    Eles se venderam como escravos para alcançar os escravos que eram trazidos da África para as colônias, para o Caribe — para alcançar esses escravos. Não havia nada que os irmãos morávios não estivessem dispostos a fazer.

    John Wesley e o Grande Despertamento

    John Wesley era um legalista de primeira ordem. Mas, pelo menos, cria na Palavra e lia com muita clareza sobre ir por todo o mundo e pregar o evangelho. A partir disso, sentiu com muita clareza que deveria ir como missionário para estas colônias — hoje os Estados Unidos da América.

    Vocês acabaram de celebrar o Dia da Independência. E ele veio como missionário aos indígenas. Escreveu em seu diário: “Ó Deus, vim converter os indígenas, mas quem poderá me converter?”

    Mas, na viagem para cá, foi à Holanda para embarcar rumo às colônias. No meio do Atlântico, surgiu uma tempestade enorme, e parecia que o navio afundaria com todos a bordo.

    Estava claro para John Wesley que os marinheiros, o capitão — todos — acreditavam que estavam condenados.

    Então, na parte inferior do navio, Wesley ouviu o som de pessoas cantando. Pensou: “Ah, o navio afundou. Estou no céu”.

    Mas então viu uma luz passando por uma porta entreaberta. Com cautela, aproximou-se e empurrou a porta.

    Havia quarenta morávios fugindo da Europa para as colônias. Tinham bebês nos braços, crianças no colo, e estavam cantando.

    E Wesley pensou: “Ó Deus, se eu tivesse a fé que essas pessoas têm!”

    Assim, Wesley foi para os Estados Unidos e, alguns anos depois, voltou à Grã-Bretanha como um missionário fracassado. Não havia conseguido converter ninguém.

    Então ouviu falar de uma reunião em Fetter Lane, na City de Londres. Soube que um pregador morávio iria pregar e pensou: “Vou ouvir esse homem”.

    Sentado ali, ouviu um dos pregadores morávios ler o prefácio de um dos comentários de Martinho Lutero. Enquanto ouvia, disse: “Senti um estranho aquecimento em meu coração”. Era o fogo.

    Foi algo tão extraordinário: John Wesley havia sido salvo.

    Era o início do Grande Despertamento, que percorreu a Grã-Bretanha e levou milhões ao reino de Deus. Ele, seu irmão Charles Wesley e George Whitefield foram por toda parte na Grã-Bretanha, nestas colônias e em outros lugares, pregando o evangelho.

    Milhões vieram ao Senhor, até aqueles considerados sub-humanos, como os mineiros na Grã-Bretanha. Isso mudou a Grã-Bretanha, e os historiadores hoje acreditam que a salvou de uma revolução como a francesa.

    Era um fogo. Aos noventa e quatro anos, o querido Wesley ainda pregava quatro vezes por dia, em lugares diferentes, indo a cavalo de um lugar para outro naquele clima britânico terrível.

    Quando ele morreu, o rei George — que havia perdido as colônias, graças a Deus —, o rei George, que havia perdido as colônias e não cria em Deus, decretou três dias de luto por Wesley e concordou que ele fosse sepultado na Abadia de Westminster.

    Essa história não tem fim quando o fogo entra.

    Outras Expressões Históricas do Fogo Divino

    Penso em George Fox, que não conseguia encontrar a salvação até que Deus veio ao seu encontro na colina.

    George Fox iniciou o que então se chamou Sociedade dos Amigos, porque não queria chamá-los de cristãos, pois dizia que alguns ainda estavam buscando. Foi Cromwell quem disse: “É bom ser alguém que busca, mas é muito melhor ser alguém que encontra”.

    O movimento quacre se espalhou pela Grã-Bretanha e por estas colônias e transformou a sociedade. Houve uma época em que um terço de todos os pregadores quacres estava na prisão.

    Então, o que fizeram? Transformaram as prisões em escolas bíblicas. Criminosos na prisão encontraram o Senhor, foram preparados e saíram como pregadores. Assim, no fim, havia mais pregadores quacres.

    É uma história impressionante. Por meio dos quacres veio a enfermagem. Por meio dos quacres vieram reformas em favor das crianças. Por meio dos quacres veio a reforma das prisões.

    Queridos amigos, eu poderia continuar e continuar. Poderia falar dos Irmãos e do fogo que entrou nos Irmãos. Foi impressionante. Por meio de uma lei do Parlamento, eles impediram que crianças fossem mandadas para dentro das chaminés.

    Esse fogo de Deus, quando entra nos crentes, é tremendo. O problema é que ele desaparece. A acomodação, a prosperidade, o conforto e uma condição laodicense tomam conta, e a igreja morre.

    A Necessidade do Fogo na Vida Pessoal

    Bem, queridos amigos, não sei se deixei vocês completamente entediados com todas as minhas histórias. Mas quero lhes dizer uma coisa.

    Se o fogo de Deus não entrar em nós, não haverá absolutamente nenhuma maneira de preparar o caminho para a volta do Senhor. É simples assim.

    Realmente não sei o que mais dizer a vocês, a não ser que vocês e eu precisamos desse fogo.

    Charles Wesley escreveu um hino depois de ouvir seu irmão pregar sobre o fogo:

    Ó Tu, que vieste do alto
    Para comunicar o puro fogo celestial,
    Acende uma sagrada chama de amor
    No humilde altar do meu coração.

    Ali, que ela arda para Ti
    Com fulgor inextinguível,
    E, tremendo, retorne à sua fonte,
    Em humilde oração e fervoroso louvor.

    Jesus, confirma o desejo do meu coração
    De agir, falar e pensar por Ti;
    Que eu sempre guarde o santo fogo
    E sempre reavive Teu dom em mim.

    Pronto para toda a Tua perfeita vontade,
    Que eu repita meus atos de fé e amor;
    Até que a morte sele Tuas misericórdias sem fim
    E torne completo o sacrifício.

    Querido, querido povo de Deus, é uma fonte constante de admiração para mim que o apóstolo Paulo, ao escrever a carta aos Romanos, resuma tudo nesta única palavra:

    Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus,
    que apresenteis os vossos corpos como sacrifício vivo,
    que é o vosso culto e serviço espiritualmente inteligentes.

    O Sacrifício Vivo

    Ele havia dedicado oito capítulos à exposição do evangelho, do primeiro ao oitavo. Dedicou três capítulos à exposição da eleição — a eleição da igreja e a eleição do povo judeu.

    E resumiu tudo nestas palavras:

    Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus,
    que apresenteis os vossos corpos como sacrifício vivo, santo, agradável.

    Em outras palavras, o que ele estava dizendo — se posso colocar em minhas próprias palavras — era isto: o objetivo do evangelho é que você seja um sacrifício vivo.

    “Ah”, você diz, “não diga isso. É terrível dizer isso. Eu pensava que o objetivo do evangelho era que fôssemos felizes, alegres, saltando como cordeirinhos.”

    “Você disse sacrifício? Bem, eu não fui salvo para ser um sacrifício. Fui salvo para ter todas as minhas necessidades atendidas. Fui salvo para ficar satisfeito.”

    Mas o objetivo e a finalidade do evangelho são que você seja um sacrifício vivo. Esse é o objetivo e a finalidade da eleição.

    Em outras palavras, a razão pela qual Deus escolheu você, a razão pela qual Ele predestinou você para isso, é que você O sirva.

    Agora, sejamos honestos. Nosso maior problema é a vida do nosso eu. Falei sobre isso ontem à noite. Não vou falar novamente, a não ser para dizer isto: nosso problema é a vida do nosso eu.

    Minha vontade, não a Dele. Meu caminho, não o caminho Dele. Meus planos, não os planos Dele. Não é esse o problema?

    Quando vocês e eu apresentamos nosso corpo como sacrifício vivo, pegamos todos os diferentes problemas e, em um único ato, damos fim a eles.

    Não mais a minha vontade: a vontade Dele. Ouçam.

    É melhor eu ler, porque agora estou ficando velho, lamento dizer, e às vezes cito incorretamente. Aqui está:

    E não vos conformeis com este mundo:
    mas transformai-vos pela renovação da vossa mente.

    Quero ser honesto. Quero dizer a vocês que é muito simples: todos nós nos conformamos ao padrão deste mundo. É o nosso habitat natural, e isso é natural porque nascemos com esse tipo de constituição.

    Portanto, isso é natural para nós. Pensamos como o mundo. Agimos como o mundo. Supostamente somos cristãos. Claro, somos cristãos. Somos convertidos. Somos batizados. Vamos à igreja pelo menos uma vez por semana.

    Mas, na verdade, agimos como o mundo. Somos moldados segundo ele. Como podemos romper esse molde?

    Transformai-vos pela renovação da vossa mente.

    A única maneira de isso acontecer é quando você é um sacrifício vivo. E aqui está a segunda coisa:

    Para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.

    Sejamos honestos mais uma vez. Por que temos tanta dificuldade com a vontade de Deus? Só ficamos felizes com a vontade de Deus quando ela está de acordo com a nossa vontade. Ah, sim, ficamos tão felizes.

    Não podemos experimentar qual é a boa, perfeita e agradável vontade de Deus se não formos um sacrifício vivo.

    Outra coisa: nunca conheceremos a comunhão da casa de Deus, nunca conheceremos a comunhão do corpo de Cristo, se não formos sacrifícios vivos.

    Não é simplesmente que a mente de Paulo esteja divagando aqui e agora ele fale sobre sermos muitos membros, mas todos um só corpo em Cristo. Vocês percebem isso? Somos um só corpo em Cristo. Isso decorre de sermos um sacrifício.

    Advertência contra a Acomodação Laodicense

    Querido filho de Deus, isso é realmente tudo o que tenho a dizer nesta noite.

    Disseram-me que estas conferências acontecem há trinta e seis ou trinta e oito anos. Parece haver uma pequena divergência entre nossos irmãos a respeito disso. Mas são trinta e oito ou trinta e seis anos.

    O que você disse? Trinta e sete? Bem, agora tenho mais um número. Os três irmãos tinham ideias diferentes, mas isso não importa. Trinta e sete anos.

    Acho que estamos criando aquela barriga de meia-idade.

    Temos recebido tanto que quase ficamos saturados da verdade. Com isso, nos tornamos acomodados, confortáveis e muito felizes.

    A condição da igreja em Laodiceia — espero que isto não possa ser escrito a nosso respeito:

    Rico sou, e me enriqueci,
    e de nada tenho necessidade.

    A avaliação que o Senhor faz dessas pessoas é totalmente diferente:

    Não sabes que és desgraçado,
    e miserável, e pobre, e cego, e nu.

    É possível pensar que não precisamos de nada e, na verdade, sermos desgraçados, miseráveis, pobres, cegos e nus?

    “Bem”, você diz, “não acho que isso seja possível conosco, porque estamos vivos para o Senhor.”

    Bem, acho que a igreja de Laodiceia pensava que estava viva. De onde vocês acham que vieram suas riquezas? Como acham que as conseguiram? Por que acham que disseram: “De nada temos necessidade”?

    Queridos, precisamos do Senhor. Precisamos que esse fogo de Deus arda em nosso coração, quer você seja a pessoa mais jovem neste auditório nesta noite, quer seja a mais idosa.

    Precisamos do fogo de Deus.

    A finalidade da obra consumada do Senhor Jesus era derramar o Espírito sobre aqueles cento e vinte. Havia uma chama de fogo sobre cada um dos cento e vinte.

    Você não pode viver do zelo de outra pessoa, do fogo de outra pessoa. Você mesmo precisa ter esse fogo.

    Agora, ouçam esta palavra: creio que o Senhor está nos chamando para sermos sacrifícios vivos.

    Vocês estão prontos?

    Oração Final e Convite à Resposta

    Por que não fazemos uma oração e pedimos ao Senhor que fale conosco? Vamos inclinar a cabeça?

    Senhor, Tu ouviste tudo o que eu disse nesta noite. Só Tu podes aplicar isso à vida de cada um de nós.

    Farás algo em nós nesta noite? Tu nos desafiarás? Virás ao nosso encontro de uma maneira nova? Restaurarás nosso primeiro amor? Acenderás novamente esse Teu fogo em nosso espírito? Ouve-nos, Senhor.

    Agora, enquanto vocês permanecem de cabeça inclinada, há alguém aqui que tenha coragem de se levantar, simplesmente para dizer, ao ficar em pé: “Estou morno. Preciso do Senhor de uma maneira nova”? Por favor, fique em pé.

    Agora, talvez também haja entre vocês aqueles que estão vivos para o Senhor, mas sentem no coração que não são um sacrifício vivo. Talvez já estejam de pé, mas, se quiserem se juntar a essas pessoas, façam isso.

    Querido Senhor, Tu vês cada pessoa que, em seu coração, assumiu um compromisso Contigo. Tu és o único que pode tornar isso real em todos nós.

    Senhor, precisamos desse fogo do Teu amor, da chama do Teu amor, ardendo novamente sobre os humildes altares do nosso coração. Precisamos desse primeiro amor, Senhor. Que Teu Espírito Santo venha sobre todos nós.

    Torna o Senhor Jesus uma realidade viva para cada um. E, Senhor, essa mornidão — ela é perigosa. Tu disseste que nos vomitarias da Tua boca. Senhor, torna-nos incandescentes por Ti.

    Não importam os problemas que teremos pela frente, não importam as condições econômicas ou financeiras, não importam as condições climáticas; Senhor, torna isso um compromisso real.

    Inflama-nos com o fogo do Teu amor. Leva-nos de volta ao lugar onde estávamos no princípio. Ajuda-nos a nos arrepender da nossa mornidão.

    Pedimos isso em nome de nosso Senhor Jesus. Amém.

    Acerte as coisas com o Senhor.