Por favor, abram no Evangelho segundo Mateus, em Mateus 16:18.
E também Eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a Minha igreja; e as portas do Hades não prevalecerão contra ela.
Agora, por favor, abram na carta aos Efésios, em Efésios 6:10-12.
Quanto ao mais, irmãos, fortalecei-vos no Senhor e na força do Seu poder.
Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para que possais permanecer firmes contra as ciladas do diabo.
Porque a nossa luta não é contra carne e sangue, mas contra os principados, contra as potestades, contra os dominadores deste mundo de trevas, contra as hostes espirituais da maldade nas regiões celestiais.
Querido Senhor, entregamos este tempo em Tuas mãos. Esperamos que Tu nos fales. Oramos para que nos concedas o espírito de sabedoria e de revelação no pleno conhecimento de Deus.
Oramos para que os nossos olhos sejam capacitados a ver o que Tu tens visto. Oramos para que realmente nos introduzas em Tua plena vitória sobre todas as forças do mal, a fim de que o Teu plano para o Teu amado Filho seja cumprido. Pedimos em Teu precioso nome. Amém.
Ontem pela manhã, compartilhamos sobre esta questão: por que existe conflito. Vimos que, no princípio, quando Deus criou os céus e a terra, não havia conflito algum. Tudo era harmonioso. Toda a criação adorava a Deus sem qualquer questionamento.
Mas, infelizmente, um arcanjo, criado com tamanha perfeição, dotado de tantos talentos e de tanto poder, começou a pensar em si mesmo. O orgulho começou a surgir em seu coração. Ele não estava satisfeito com o que Deus lhe havia dado. Queria ser igual a Deus. Queria ocupar o lugar do amado Filho de Deus.
Por causa disso, foi afastado do trono de Deus. Foi durante esse período que a terra em que vivemos hoje entrou na era glacial. Ela ficou coberta de trevas, cheia de águas, congelada; tudo na terra morreu.
Para Deus, é muito fácil dar fim à vida de Seu inimigo, mas Deus tem um plano melhor. Assim, encontramos no livro de Gênesis, em Gênesis 1:1:
No princípio, criou Deus os céus e a terra.
E a terra tornou-se sem forma e vazia. Mas, graças a Deus, encontramos o Espírito de Deus pairando sobre essa terra destruída para restaurá-la, a fim de que pudesse ser habitável.
Agora, por que Deus fez isso? Porque Deus queria introduzir o homem na criação. Já mencionamos como Deus criou o homem à Sua própria imagem, conforme a Sua própria semelhança. Isso era algo que Deus nunca havia feito antes.
Ele fez isso porque queria usar o homem, criado um pouco menor que os anjos, para derrotar o inimigo e todas as suas artimanhas. Portanto, essa é a razão de estarmos aqui, irmãos e irmãs.
Satanás cegou de tal maneira os olhos do homem que não compreendemos realmente por que estamos aqui. Pensamos que estamos aqui para nós mesmos. Mas, quando Deus criou o homem, Ele tinha um objetivo nobre e glorioso. Queria nos usar para destruir o Seu inimigo. Queria nos usar para cumprir o Seu propósito em relação ao Seu amado Filho.
Infelizmente, nossos antepassados caíram na armadilha do inimigo e se tornaram aliados dele, em vez de vencê-lo. É por isso que nascemos com uma natureza caída. Somos egocêntricos, independentes e vivemos para nós mesmos.
Mas, graças a Deus, Ele nunca desistiu daquilo que havia proposto. Assim, vemos que Deus enviou o segundo Homem a este mundo, o Seu próprio Filho amado. Ele veio para ser o Homem segundo o coração de Deus.
Durante toda a Sua vida, Ele nunca viveu para Si mesmo. Nunca fez coisa alguma por Si mesmo. Nunca falou uma palavra por Si mesmo. Durante toda a Sua vida, negou a Si mesmo, tomou a Sua cruz e seguiu o Seu Pai.
Em Sua vida, Ele venceu todas as tentações e ameaças do inimigo. Por Sua morte, lançou para fora do mundo o deus deste mundo. Levou cativas todas essas forças inimigas e as expôs publicamente na cruz. Em outras palavras, Sua vitória é absoluta.
E Ele conquistou Sua vitória não como Deus, mas como Homem, cumprindo tudo aquilo para o qual Deus havia criado o homem. Queridos irmãos e irmãs, Ele veio para nos salvar e nos trazer para dentro de Si.
Assim, hoje nos tornamos aliados de Deus. Estamos do lado de Deus. Por causa disso, vemos que o inimigo começa a nos atacar, tentando todos os meios para nos enfraquecer, a fim de que não sejamos o instrumento usado por Deus para derrotar o Seu inimigo.
Foi isso que compartilhamos brevemente ontem. Agora, nesta manhã, gostaríamos de dar um passo adiante. Gostaríamos de fazer esta pergunta: afinal, qual é o conflito em que todos estamos envolvidos hoje? Qual é a natureza e o caráter do nosso conflito?
Sabem, irmãos e irmãs, muitas vezes sinto que nós, cristãos, temos uma concepção errada. Quando estávamos sob o jugo do pecado e das dificuldades, quase não tínhamos esperança alguma. Estávamos sobrecarregados.
Mas, graças a Deus, nosso Senhor Jesus diz:
Vinde, vinde a Mim, todos vós que estais sobrecarregados.
Vinde a Mim, e Eu vos darei descanso.
Creio, irmãos e irmãs, que todos nós, antes de virmos ao Senhor Jesus, passamos por situações assim.
Mas, quando realmente nos achegamos ao Senhor Jesus, descobrimos que aquilo que Ele prometeu é verdadeiro. Ele nos dá descanso. O fardo do pecado cai. Todos os nossos pecados são perdoados. O medo da morte desaparece. Melhor que tudo isso, Ele nos deu a Sua própria vida. Nascemos de novo no reino de Deus.
Agora, irmãos e irmãs, todos nós experimentamos como o fardo caiu, como andávamos, por assim dizer, no céu. Então começamos a ter uma concepção errada. Pensamos que agora tudo será um mar de rosas.
Agora seremos, por assim dizer, levados numa liteira e carregados até o céu. Não haverá mais conflito, nem tribulação, nem sofrimento. Esperamos uma viagem tranquila até o céu.
E, para nossa surpresa, descobrimos que não é assim. Descobrimos que surge outro tipo de conflito. Outro tipo de tribulação vem sobre nós. Quando essas coisas nos acontecem, começamos a sentir que viver a vida cristã é muito difícil.
Como suspiramos, como murmuramos, como culpamos a Deus por tudo! Então nos perguntamos por que isso acontece, já que, depois de sermos salvos, nosso Senhor Jesus promete cuidar de nós — e Ele realmente cuida.
Ele até contou os cabelos da nossa cabeça. Se Ele contou os nossos cabelos, haverá alguma coisa a nosso respeito na qual Ele não pense? Estamos no mais íntimo do Seu coração. Não há dúvida quanto a isso.
Mas, estranhamente, descobrimos que ainda estamos em conflito. Vou dizer de uma maneira mais exata: estamos numa batalha. Há uma batalha pela vida em cada um de nós. Então gostaríamos de perguntar: por quê?
A meu ver, há duas razões opostas. Uma delas é que antes pertencíamos ao inimigo. Éramos seus aliados e, por causa disso, ele não nos incomodava. Mas agora nos tornamos seus inimigos.
Na verdade, o conflito não é entre você e o inimigo. O conflito é entre Deus e Satanás. Mas, como agora você está do lado de Deus, naturalmente se torna inimigo dele. Ele não pode fazer nada contra Deus. Já foi derrotado.
Por isso, ele dirige toda a sua ira contra aqueles que pertencem a Deus.
Agora, vocês se lembram de que, no livro de Apocalipse, a igreja naquele tempo estava tão morta que ele a deixou em paz. Se vocês se lembram daquela visão de Apocalipse 12, encontram a mulher revestida de glória, com dores de parto, e o dragão vermelho esperando diante dela.
Agora, por que o dragão não devorava a mulher? Porque, naquele momento, a mulher significava muito pouco para ele. Essa mulher, em certo sentido, representa a igreja caída. Quando a igreja está nessa condição, o inimigo pode descansar, sabendo que ela não lhe fará mal algum.
Mas por que o dragão estava esperando ali? Ele não ia devorar a mulher; estava esperando pelo filho varão que haveria de nascer. Sabia que, quando o filho varão nascesse, aquilo seria o começo do seu fim. O filho varão seria o instrumento de Deus para derrubá-lo.
Mas, graças a Deus, quando o filho varão nasceu, foi imediatamente arrebatado para o trono. Então, vocês se lembram, o inimigo — o dragão vermelho — voltou a sua ira contra a mulher. E como Deus providenciou tudo para aquela mulher!
Portanto, queridos irmãos e irmãs, é assim que o inimigo sempre age. No início da igreja, seu interesse era tentar destruí-la. Mas, quando a igreja se tornou uma igreja caída, ele passou a observar aquilo que sai da igreja: um remanescente, os vencedores, porque isso afetará o seu destino.
Essa é uma das razões pelas quais nós, que pertencemos ao Senhor e a quem o Senhor prometeu toda proteção, ainda estamos em conflito. Toda a ira do inimigo está voltada contra aqueles que pertencem ao Senhor. Ele sabe que um dia chegará ao fim; por isso, usa táticas de adiamento, tentando retardar o dia da sua destruição.
Mas, irmãos e irmãs, há outra razão. Por que Deus permite que essas coisas nos aconteçam, se Ele já conquistou a vitória? Por que deixa alguma coisa para nós concluirmos?
É como numa guerra. A batalha decisiva já foi travada. O inimigo já foi derrotado. Mas, depois disso, é preciso desbaratar o inimigo. Ele precisa ser completamente eliminado.
Em certo sentido, irmãos e irmãs, é isso que resta para nós fazermos. Não temos de travar a batalha decisiva; ela já foi travada. O Senhor Jesus, na cruz do Calvário, disse:
Está consumado.
A obra está concluída. A batalha está ganha.
Mas Deus deixa, por assim dizer, as forças remanescentes do inimigo para a Sua igreja, a fim de que a igreja leve à conclusão aquilo que Cristo já realizou.
Sabem, é como quando Deus conduziu os filhos de Israel à terra prometida. Ele já havia prometido Canaã aos filhos de Israel. Sempre que Ele fazia uma promessa, era como se já estivesse cumprida. Aos olhos de Deus, estava concluída, porque Deus não está sujeito ao tempo. Para Ele, tudo é presente, até aquilo que, para nós, é futuro.
No que diz respeito a Deus, está prometido; está feito. Mas, quando os filhos de Israel entraram na terra prometida, tiveram de lutar por cada centímetro da terra. Em outras palavras, tiveram de colocar os pés nela.
Onde quer que a planta dos seus pés pisasse, aquilo lhes pertencia. Esse é o caminho do Senhor, irmãos e irmãs. A vitória já foi conquistada. A herança no céu já foi dada. Mas é a vontade de Deus que tenhamos de colocar os nossos pés nela.
Onde quer que a planta dos nossos pés pise, aquilo é nosso. Assim, vocês veem que essa é outra razão pela qual Deus permite o conflito em nossa vida cristã: porque Ele quer que aprendamos a andar.
Ele quer nos amadurecer. Quer nos disciplinar. Quer ver a vida que está em nós sendo exercitada e crescendo, para que alcancemos a maturidade e estejamos aptos a ser a noiva do Seu amado Filho.
Precisamos ser semelhantes ao Seu Filho. Precisamos ser transformados e conformados ao Seu Filho. Para isso, o conflito e a tribulação realizarão essa obra.
Então vocês se lembram de Romanos 5. Depois que nosso Senhor Jesus realizou todas essas coisas em nossa salvação, o texto diz que a tribulação produz perseverança; a perseverança traz aprovação; e a aprovação traz esperança. A esperança não será em vão, porque o Espírito de Deus nos enche de amor.
Portanto, irmãos e irmãs, Deus tem uma razão para deixar algumas batalhas e forças remanescentes para nós, a fim de que possamos eliminá-las até que a obra esteja concluída.
É a mesma coisa que vocês encontram em 2 Pedro 1: como acrescentamos uma coisa após a outra. À fé, acrescentamos virtude, conhecimento, domínio próprio, perseverança, piedade, amor fraternal e amor por todos, para que tenhamos uma entrada abundante no reino, e não sejamos apenas salvos por pouco.
Assim, queridos irmãos e irmãs, vemos que, embora o inimigo tenha uma intenção má, Deus tem uma intenção boa. Ele usa isso para nos completar e aperfeiçoar, assim como fez com José.
Sabem, os irmãos de José tinham inveja dele e o venderam para o Egito. Quanto sofrimento José enfrentou! Mas, graças a Deus, ele foi fiel a Deus. Creu em Deus e, no devido tempo, Deus o elevou à segunda posição no grande império do Egito, até mesmo para salvar os seus irmãos.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, essa é a maravilhosa estratégia de Deus. Não murmuremos quando nos encontrarmos em dificuldades, quando nos encontrarmos em conflito. Demos graças a Deus, porque Ele está usando o inimigo para nos completar, bem como nos usando para derrotar as forças remanescentes do inimigo.
Agora, tendo dito isso, gostaríamos de conhecer a natureza do conflito pelo qual estamos passando hoje.
O apóstolo Paulo nos diz que a nossa batalha não é contra carne e sangue. Aparentemente, enquanto continuamos a viver nossa vida cristã neste mundo, estamos cercados pelas pessoas deste mundo e até mesmo por aqueles que pertencem ao Senhor e nos são queridos.
Muitas vezes, vemos que o inimigo usa as pessoas do mundo e até mesmo aqueles que pertencem ao Senhor. O inimigo tenta usá-los como seus instrumentos para nos causar dificuldades e nos levar ao conflito.
Se não conhecermos as ciladas do inimigo, podemos voltar os nossos olhos para essas pessoas. Podemos pensar que elas são nossos inimigos. Podemos até nos voltar contra aqueles que são nossos queridos amigos, nossos familiares, companheiros de trabalho e irmãos na fé.
Vemos que, de alguma maneira, o inimigo tenta usar carne e sangue para nos causar problemas e dificuldades. Quando estamos sob um ataque assim, como é fácil olharmos para os instrumentos que o inimigo usa para nos perturbar, em vez de lembrarmos que eles estão apenas sendo usados pelo inimigo!
Embora isso seja permitido por Deus, essas pessoas estão sendo usadas pelo inimigo. O verdadeiro inimigo não está ali. O verdadeiro inimigo está nos bastidores.
Por isso, o apóstolo Paulo nos diz que, conhecendo as ciladas do inimigo, não estamos lutando contra carne e sangue. Estamos lutando contra aquele que se esconde por trás de todas essas coisas.
O inimigo é muito astuto. Sabe como manobrar. Sabe como agir. Não se deixem enganar por ele.
Antes de tudo, irmãos e irmãs, aparentemente, enquanto continuamos a viver como cristãos e procuramos seguir o Senhor, veremos como o mundo nos tentará e nos atacará. O inimigo usará até mesmo irmãos na fé, familiares, amigos e todo tipo de situação para nos causar dificuldades.
Não se deixem enganar, porque devemos saber que a nossa batalha não é contra carne e sangue.
Agora, reconheço que é fácil dizer isso. Mas, quando realmente estamos numa situação assim, quantas vezes ficamos cegos! Tentamos resistir. Tentamos lutar contra essas pessoas. Nós as consideramos nossos inimigos e caímos na armadilha de Satanás.
Por isso, o apóstolo Paulo diz:
A nossa batalha não é contra carne e sangue.
Quando você está seguindo o Senhor, o inimigo tenta todos os meios para colocar obstáculos no caminho. Às vezes, procura persuadir com palavras suaves. Às vezes, procura ameaçar.
Se puder tentar você, ele o tentará. Se não puder tentar você, ele o perseguirá. É isso que encontramos ao longo dos séculos da história cristã.
Mas, irmãos e irmãs, lembrem-se de uma coisa: vocês não são, de fato, o alvo dele. Seu alvo é algo maior e mais amplo do que vocês.
Agora, qual é o alvo dele? Seu alvo é a igreja. É por essa razão que nosso Senhor Jesus disse:
Edificarei a Minha igreja sobre esta pedra, e as portas do Hades não prevalecerão contra ela.
O Senhor está edificando a Sua igreja. Quando o Senhor está edificando a Sua igreja, todas as portas do Hades se abrem. Toda a força do inimigo se lança contra a igreja que o Senhor está edificando.
Porque ele sabe que, quando a igreja estiver edificada, será o fim dele. Sua ira é, de fato, contra a igreja que o Senhor está edificando.
Mais uma vez, preciso dizer: por que a igreja hoje não é o alvo direto do inimigo? Porque a igreja caiu no mundo e, por isso, não pode causar dano algum ao inimigo.
A igreja que o Senhor está edificando não é aquilo que os homens tentam construir. Muitas vezes, ouço as pessoas dizerem: “Fulano é um edificador de igrejas”. Não existe tal coisa.
O próprio Senhor Jesus disse:
Eu edificarei a Minha igreja.
Tudo o que o homem constrói não é a igreja Dele. É por isso que algumas pessoas dizem: “Esta é a minha igreja, construída por mim”. Bem, mais cedo ou mais tarde, ela cairá, porque não pode fazer frente ao inimigo.
Mas a igreja que Cristo edificará — ainda que todas as portas do Hades se lancem contra ela — não pode ser vencida. Pelo contrário, ela vencerá.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, o alvo do inimigo hoje não somos vocês e eu pessoalmente. O alvo hoje é a igreja que nosso Senhor Jesus está edificando. Ele a está edificando hoje com vocês e comigo, e é por isso que vocês e eu estamos envolvidos.
De qualquer maneira, irmãos e irmãs, agradecemos ao Senhor porque esta é uma batalha, um combate da fé. A natureza do nosso conflito é um combate da fé, o bom combate da fé.
Agora, o que é fé? Todos sabemos que fé é crer naquilo que Cristo Jesus fez na cruz do Calvário. É ali que a fé lança a sua âncora.
Vocês não podem encontrar fé em si mesmos. Muitas vezes, tentamos produzir fé, por assim dizer, e procuramos nos hipnotizar: “Eu creio, eu creio, eu creio”, como se, ao dizer “Eu creio”, a fé fosse surgir em nosso coração. Irmãos e irmãs, isso nunca funciona.
Ter fé é lançar a sua âncora fora de si mesmo. Não creiam em si mesmos.
Assim, neste conflito espiritual, não podemos confiar em nós mesmos. Se você está tentando derrotar o inimigo com a sua própria força, a sua própria sabedoria e o seu próprio poder, descobrirá que ele é muito maior do que você.
O apóstolo Paulo diz que não estamos lutando contra carne e sangue; estamos lutando contra principados, aqueles que governam uma região; contra autoridades; contra as forças espirituais das trevas, que controlam as trevas e espalham trevas ao redor; e contra o poder espiritual do inimigo.
Em uma palavra, nossos inimigos são muito mais fortes do que nós. Não temos condições de enfrentar o nosso inimigo. Mas, graças a Deus, eles já foram vencidos. Nosso Senhor Jesus já os levou cativos e os expôs publicamente por meio da cruz.
Então, como podemos travar essa batalha? Não por nós mesmos. O apóstolo Paulo diz:
Fortalecei-vos no Senhor e na força do Seu poder.
Essa é a única maneira de combater o bom combate da fé.
Sempre me lembro da história de uma menininha. Ela cria no Senhor Jesus e era feliz no Senhor. Um dia, um homem veio tentá-la e disse: “Menininha, soube que você crê no Senhor Jesus”. Ela respondeu: “Sim”.
Ele perguntou: “Você é feliz no Senhor?”. Ela disse: “Sim, sou feliz no Senhor”. Ele disse: “Bem, se um dia o inimigo vier à sua porta, bater e quiser entrar, o que você poderá fazer? Você é só uma menininha. Como poderá resistir a esse inimigo tão grande?”.
A menina pensou um pouco e respondeu: “Eu digo ao Senhor Jesus: ‘Vá abrir a porta’”. Então o Senhor Jesus foi abrir a porta. Quando o inimigo viu o Senhor Jesus, disse: “Desculpe, bati na porta errada”, e fugiu.
Irmãos e irmãs, essa é a nossa estratégia. Infelizmente, quando os conflitos chegam à nossa vida, tendemos a resistir por nós mesmos. Tendemos a depender de nós mesmos. Nós nos esforçamos e lutamos, mas, no fim, somos derrotados.
Portanto, o único segredo da vitória é este: fortaleçam-se no Senhor e na força do Seu poder.
Quando vocês leem o livro de Atos, o início da igreja na terra, sabem que, quando nosso Senhor Jesus ascendeu ao céu, antes de partir, Ele havia lançado um fundamento. Lançou um fundamento por meio de Sua vida e de Sua morte.
Quando partiu, Ele disse:
Está consumado.
O fundamento havia sido lançado. Tudo estava feito. Então Ele voltou para o céu.
Mas, depois que subiu às alturas e Se assentou no trono de Seu Pai, Ele ficou sem nada para fazer? O que Ele está fazendo hoje?
Lembro-me de uma senhora idosa. Ela cria no Senhor Jesus e queria ser batizada. Segundo o costume daquela época, precisava ser interrogada pelos presbíteros. Os presbíteros estavam sentados ali, e essa senhora chegou. Começaram a fazer perguntas a ela.
Fizeram-lhe uma pergunta: “O que o Senhor está fazendo no céu?”. A senhora pensou um pouco e disse: “Bem, o Senhor Jesus está olhando do céu para mim, tentando encontrar alguma falha em mim”.
É claro que ela não foi aprovada. Mas não é isso que o Senhor está fazendo lá.
Vemos que, depois que o Senhor subiu às alturas, foi declarado que Ele havia sido ungido por Seu Pai. O óleo da unção caiu sobre a Sua cabeça, mas não permaneceu ali. O óleo desceu pela barba e pelas Suas vestes, até os Seus pés.
Nosso Senhor Jesus foi ungido Senhor e Cristo, como Pedro declarou no dia de Pentecostes. Como Ele foi ungido como Cristo e Senhor, o óleo começou a descer. No dia de Pentecostes, o Espírito Santo desceu.
Os cento e vinte crentes eram crentes individuais — os melhores cristãos individuais que se poderia reunir. Nunca houve nesta terra uma reunião de cristãos melhores. Pensem nos apóstolos que estavam ali. Pensem em Maria e nos irmãos do Senhor. Pensem naqueles que voltaram e ficaram esperando no cenáculo, em oração.
No dia de Pentecostes, o Espírito Santo desceu. Ele desceu da Cabeça para o Corpo. Os cento e vinte crentes individuais, uma congregação de cento e vinte cristãos individuais, foram batizados em um só Corpo.
Agora, esse é o verdadeiro significado do Pentecostes. O verdadeiro significado do Pentecostes não é aquilo que se vê e se ouve. Hoje enfatizamos o que se vê e se ouve, mas isso não é o Pentecostes.
O verdadeiro significado do Pentecostes é que o Espírito Santo desceu e batizou aqueles que creem no Senhor Jesus. Não apenas no dia de Pentecostes — os cento e vinte e os três mil —, mas até hoje, sempre que alguém crê no Senhor Jesus, o Espírito Santo batiza essa pessoa no Corpo de Cristo.
Esse é o significado do Pentecostes. Como membros do Corpo de Cristo, vocês recebem graça e dons para ministrar a Ele.
Assim, no início da igreja, vocês encontram coisas gloriosas sendo ditas a respeito deles: como o Senhor lhes acrescentava pessoas dia após dia; como foram totalmente libertos do apego às próprias posses. Nada lhes pertencia. Eles pertenciam ao Senhor, e todas as suas coisas pertenciam ao Senhor. O Senhor tinha todo o direito sobre eles e sobre tudo o que possuíam.
Em trinta anos, o evangelho foi pregado até os confins do mundo, que, naquele tempo, era a cidade de Roma, o centro do mundo. É isso que nosso Senhor está fazendo hoje.
Mas, queridos irmãos e irmãs, vocês podem perceber imediatamente que, enquanto o Senhor edificava a Sua igreja, o inimigo estava ocupado. Como ele tentava destruir a igreja por todos os meios que podia usar!
Vocês encontram Ananias e Safira na igreja primitiva. Eles eram crentes. Quando as pessoas se desfaziam de suas propriedades para alimentar aqueles que permaneciam em Jerusalém, Ananias e Safira queriam a mesma coisa: ser elogiados pelos irmãos e irmãs.
Venderam sua propriedade, mas guardaram uma parte para si. Levaram o dinheiro a Pedro, e Pedro disse: “É tudo?”. Eles responderam: “Sim”. Mas a disciplina do Espírito Santo foi rápida, porque a presença do Espírito Santo era tão real e viva. Imediatamente, foram fulminados.
Mas o inimigo não desistiu. Quando vocês avançam para Atos 6, veem que começou a haver murmuração.
Naquele tempo, as pessoas haviam ido a Jerusalém para a festa, no dia de Pentecostes. Depois de serem salvas, não voltaram; permaneceram ali. É claro que não tinham casa nem ocupação, por isso precisavam receber alimento e lugares para morar. Os crentes abriram suas casas e começaram a alimentá-las.
Entre os judeus daquele tempo, havia dois grupos: os judeus hebreus e os judeus helenistas. Os judeus hebreus eram aqueles que haviam permanecido na terra prometida. Os judeus helenistas eram aqueles que haviam saído da terra prometida e viviam em cidades gentias.
Os apóstolos — apenas doze — conheciam os judeus hebreus, sua situação e suas casas. Não conheciam os judeus helenistas que haviam chegado e passado a morar em Jerusalém. Assim, o suprimento destinado às viúvas foi negligenciado, embora não de propósito.
Quando isso aconteceu, houve murmuração. Sabem, a murmuração é sempre o começo dos problemas.
Irmãos e irmãs, muitas vezes digo que não temos medo dos problemas. Se forem resolvidos corretamente, eles são bênçãos.
Aqui vocês veem que, quando a murmuração começou, o Espírito Santo imediatamente deu sensibilidade espiritual aos apóstolos. Eles tinham sensibilidade espiritual; podiam perceber que alguma coisa não estava bem. Irmãos e irmãs, o discernimento espiritual é a maior necessidade dos nossos dias.
Eles perceberam que alguma coisa não estava bem, e vocês veem que tudo foi resolvido de maneira gloriosa. Foram designados os chamados diáconos, aqueles que cuidariam da alimentação. Os apóstolos disseram:
Temos de nos dedicar à oração e ao ministério da palavra.
Escolhei dentre vós sete homens, cheios do Espírito Santo, para cuidar da alimentação.
Quem eles escolheram? A maioria dos cristãos em Jerusalém era de judeus hebreus; a minoria era de judeus helenistas. No entanto, quase todos os sete escolhidos pela igreja eram judeus helenistas, exceto um, que provavelmente era judeu hebreu.
Vocês percebem o que estava por trás disso? Não havia ciúme, nem inimizade. Era o amor transbordando. Os judeus hebreus não se preocuparam com a possibilidade de suas viúvas serem negligenciadas. Estavam dispostos a deixar os judeus helenistas elegerem representantes.
Irmãos e irmãs, quando isso aconteceu, a igreja cresceu, e a palavra de Deus se espalhou.
Então, é claro, o inimigo não desistia. Estava sempre seguindo a igreja. Tentou causar problemas entre os hebreus e os gentios. Tentou dividir os gentios e os hebreus.
Alguns fariseus que haviam se convertido a Cristo insistiam que os gentios tinham de ser circuncidados e guardar a lei. Isso quase dividiu a igreja em duas. Mas, graças a Deus, em Atos 15, no concílio de Jerusalém, vemos que o Senhor prevaleceu, embora o inimigo não desistisse até o fim.
Portanto, irmãos e irmãs, precisamos nos lembrar disto: aquilo que o inimigo realmente tem como alvo é a igreja.
É por você ser membro do Corpo de Cristo que se torna alvo dele. Ele tentará todos os meios para impedir seu amadurecimento. Se conseguir manter todos os crentes em Cristo como bebês, então seus dias serão prolongados.
Mas, quando houver um número suficiente de crentes maduros, os dias dele estarão contados. É tão sério assim.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, não tenham medo. Não fiquem temerosos por descobrirem que o caminho de vocês não é um mar de rosas. Há muitos conflitos e muitas dificuldades que lhes virão de todas as maneiras. Mas lembrem-se: por trás de tudo está o inimigo.
Agora, vamos considerar algumas ilustrações — algumas situações reais. Entre os discípulos, Pedro é aquele que sempre se destaca. Era extrovertido. Gostava de falar e sempre era o líder entre os discípulos do Senhor.
Mas, quando Pedro se tornou discípulo do Senhor, entre todos os discípulos, foi ele quem, por assim dizer, se destacou para ser disciplinado pelo próprio Senhor. Muitas vezes penso: se Pedro simplesmente ficasse de boca fechada!
Em Mateus 16, Pedro, pela revelação do Pai, fez aquela confissão pública do Senhor Jesus como o Cristo, o Filho do Deus vivo.
Nosso Senhor Jesus disse:
Simão, filho de Jonas, isso não te foi dado pelo homem.
Carne e sangue não podem revelá-lo.
Foi Meu Pai celestial Quem Me revelou a ti.
Ah, Pedro foi elevado ao terceiro céu.
Mas vocês sabem: o inimigo sempre aparece quando somos elevados. No mesmo capítulo, o Senhor começou a revelar aos Seus discípulos que precisava ir a Jerusalém, ser traído, ser crucificado e, ao terceiro dia, ressuscitar dentre os mortos.
O que Pedro fez? Movido por sua boa intenção para com nosso Senhor Jesus, tomou o Senhor à parte e O repreendeu:
Senhor, nunca!
Tu não precisas fazer isso.
Podes ter o reino sem a cruz.
Ele estava pensando no Senhor ou em si mesmo? Se o Senhor fosse para a cruz, onde ficaríamos? Nós também teríamos de ir para a cruz.
Exteriormente, vocês veem que era amor natural. Mas, por trás do amor natural, era o inimigo que estava agindo.
Mas, graças a Deus, nosso Senhor Jesus tinha tamanho discernimento espiritual! Nós não o temos, mas Ele tinha tamanho discernimento espiritual. Sabia que não era Pedro; era Satanás. Então Se voltou e disse:
Para trás de Mim.
Tu não cogitas das coisas de Deus, mas das coisas dos homens.
Irmãos e irmãs, se vocês estivessem ali e fossem Pedro, fazendo isso, e o Senhor dissesse:
Satanás, para trás de Mim.
Vocês continuariam com o Senhor? Provavelmente diriam: “Adeus. Para mim, chega”.
Mas Pedro não. Ele permaneceu com o Senhor.
Quando os outros discípulos começaram a dizer que aquelas palavras eram muito duras, em João 6 — “Como podemos comer a Ti? Como podemos beber a Ti e ter a vida eterna?” —, acharam aquilo difícil demais e foram embora.
O Senhor disse aos doze que O seguiam:
Quereis vós também ir embora?
Se quiserdes, podeis ir.
Pedro disse:
Senhor, nós Te seguimos.
Tu tens as palavras da vida.
Para onde podemos ir?
Tu és o Filho de Deus.
Permaneceremos Contigo.
Ao longo da vida de Pedro como discípulo do Senhor, vocês veem repetidas vezes como o Senhor tratou com ele severamente.
Pedro era pescador, um pescador profissional. Pescava lançando redes, não usando anzol. Vocês se lembram de como o cobrador do imposto do templo veio até ele e disse: “O Mestre de vocês paga o imposto do templo?”. Pedro respondeu: “Sim”, sem pensar.
Ele entrou na casa, querendo falar com o Senhor sobre isso, e o Senhor falou primeiro:
Pedro, quem paga o imposto do templo: os filhos do rei ou as outras pessoas?
É claro que Pedro compreendeu que o Filho não deveria pagar imposto algum, porque aquele era o templo de Deus, e nosso Senhor é o Filho de Deus.
Mas o Senhor foi bondoso com Pedro e disse:
Está bem, Eu o pagarei — e por ti também.
Vai pescar e, quando vier o primeiro peixe, abre-lhe a boca.
Haverá dinheiro para pagar o imposto do templo por ti e por Mim.
Pedro foi pescar. Na minha vida, pesquei apenas uma vez e perdi a paciência. O peixe não vinha! Pedro ficou sentado ali — não sei o que passou pela sua cabeça —, talvez: “Venha depressa!”. Mas o peixe não vinha.
Finalmente, o peixe veio. Irmãos e irmãs, que lição — uma lição de paciência. Pedro era uma pessoa impaciente, impulsiva. O Senhor o estava treinando.
Pedro disse ao Senhor:
Se Tu fores para a morte, irei Contigo.
Se ninguém mais for, eu irei.
Como ele confiava em si mesmo! Mas o Senhor disse:
Tu Me negarás.
Irmãos e irmãs, vemos como o Senhor tratou de maneira tão drástica com Pedro para fazer dele aquele instrumento. No dia de Pentecostes, ele se levantou e pregou a primeira mensagem do evangelho.
Vocês veem que, na vida de Paulo, ele era um perseguidor. Depois de encontrar o Senhor no caminho de Damasco, tornou-se perseguido, até se tornar mártir.
Mas pensem também em Demas, que teve um bom começo. Estava com Paulo, trabalhando junto com ele. Mas, no último momento, quando as coisas ficaram difíceis demais, abandonou Paulo e foi para o mundo. Isso também pode acontecer.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, estamos num conflito. Não importa se vocês têm consciência disso ou não. Mas não é uma batalha contra carne e sangue; é uma batalha espiritual.
Nós somos o campo de batalha. O inimigo tenta nos alcançar, não porque sejamos tão importantes, mas porque essa é a única maneira que ele tem de adiar a sua destruição.
Portanto, não há motivo para surpresa. Não devemos nos surpreender com as dificuldades. Mas, irmãos e irmãs, se o Senhor permitir essas dificuldades e permitir que o inimigo use todo tipo de meio — razoável ou não — para vir contra nós, não nos esqueçamos de que não estamos lutando contra carne e sangue.
Estamos lutando contra principados, autoridades, trevas espirituais e forças espirituais do ar. Não estamos lutando com o nosso próprio poder e a nossa própria força. Estamos combatendo o bom combate da fé, confiando no Senhor, dependendo do Senhor e permitindo que o Senhor manifeste a Sua vitória em nós e por meio de nós.
Portanto, essa é a natureza do nosso conflito. O apóstolo Paulo disse:
Somos aqueles que conhecem as ciladas do inimigo.
Que o Senhor nos ajude.
Querido Senhor, entregamos estas palavras dispersas em Tuas mãos e oramos para que o Espírito Santo ilumine a Tua palavra para nós, a fim de que vejamos claramente em que conflito estamos envolvidos aqui. Ensina-nos a nos fortalecer no Senhor e na força do Seu poder, para a glória de Deus. Em Seu nome. Amém.
Obrigado. Obrigado, irmão.
Irmãos e irmãs, gostaríamos de dedicar alguns momentos para selar este tempo em oração. Então, se pudermos permanecer mais alguns momentos, depois eu vou…