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    Lambert, Lance

    Comunhão com o Senhor Jesus: A Mensagem a Laodiceia

    Estou muito feliz por poder estar com vocês nesta manhã e compartilhar a Palavra de Deus.

    Quero ler para vocês uma passagem muito conhecida do Apocalipse: Apocalipse 3:14.

    E ao anjo da igreja em Laodiceia escreve:
    Estas coisas diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus:
    Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente: quem dera fosses frio ou quente.
    Assim, porque és morno, e nem quente nem frio, vomitar-te-ei da Minha boca.
    Porque dizes: Rico sou, e me enriqueci, e de nada tenho necessidade; e não sabes que tu és o desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu:
    Aconselho-te que de Mim compres ouro refinado pelo fogo, para que te enriqueças; e vestes brancas, para que te vistas, e não seja manifesta a vergonha da tua nudez; e colírio para ungires os teus olhos, para que vejas.
    Eu repreendo e disciplino a todos quantos amo: sê, pois, zeloso e arrepende-te.
    Eis que estou à porta e bato: se alguém ouvir a Minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa, e cearei com ele, e ele Comigo.
    Ao que vencer, dar-lhe-ei que se assente Comigo no Meu trono, assim como Eu também venci e Me assentei com Meu Pai no Seu trono.
    Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.

    Oração

    Podemos fazer uma oração?

    Amado Senhor, somos tão gratos por estarmos em Tua presença nesta manhã. Nós Te agradecemos pelo tempo que passamos juntos, enquanto pensávamos em Ti e Te louvávamos por tudo o que fizeste por nós na cruz.

    Senhor, nós Te louvamos e Te adoramos por Quem Tu és. Agora nos voltamos à Tua Palavra. Querido Senhor, precisamos que o Espírito Santo esteja conosco, tanto no falar quanto no ouvir.

    Para isso, nós Te louvamos pela unção que nosso Senhor Jesus conquistou para nós por meio de Sua obra consumada no Calvário e que nos disponibilizou na pessoa do Espírito Santo. Agora, pela fé, nos colocamos sob o poder e a graça dessa unção.

    Querido Senhor, toma a fraqueza do vaso e deixa arder a Tua chama de fogo. Nós Te pedimos: toma a todos nós e fala ao nosso coração.

    Senhor, estamos vivendo dias de Laodiceia. Estamos vivendo dias em que o juízo começa a vir sobre a nação — e sobre esta nação. E, Senhor, precisamos de Ti. De certo modo, sempre precisamos de Ti, mas precisamos ainda mais de Ti à medida que entramos nestes dias de turbulência, conflito e aflição.

    Ouve, então, nossa oração, em nome de nosso Senhor Jesus, o Messias. Ouve nossa oração e responde a ela gloriosamente. Pedimos isso em nome de nosso Senhor Jesus. Amém.

    A Condição da Igreja de Laodiceia

    Amados irmãos e irmãs, vocês conhecem bem esta passagem. Não quero que pensem que estou tentando atacá-los, como se estivesse dando uma pancada na cabeça de vocês com a Palavra de Deus.

    Mas uma querida irmã da Califórnia, aparentemente pesquisando em meu site, encontrou uma mensagem que lhe chamou a atenção. Não sei a idade dela nem, na verdade, muita coisa a seu respeito, mas ela se interessou pelo título: “O Aumento da Cintura na Meia-Idade”.

    Não sei o que ela esperava encontrar na mensagem, mas começou a ouvi-la, e aquilo virou de cabeça para baixo a vida dela e a de sua família. Então ela escreveu para Shirley, creio eu, e perguntou se Shirley se importaria que ela fizesse uma transcrição.

    Shirley disse que ela deveria perguntar a mim. Então ela me enviou a transcrição e perguntou se seria possível publicá-la. Quando a li, fiquei chocado. Nunca imaginei que tivesse tido tamanha ousadia para dizer o que disse.

    Uma das perguntas que me fizeram foi: “Quando você deu esta mensagem?”. Percebi que havia sido sessenta anos antes, bem no início da história de Halford House.

    Então comecei a entender. Eu era jovem, nada diplomático, nem um pouco gentil ou sensível na maneira de dizer as coisas. Não conseguia acreditar que havia dito aquilo. É claro que não havia nada errado. Era simplesmente a verdade sem nenhum floreio, apresentada sem qualquer cuidado para ajudar os ouvintes a recebê-la.

    Agora estou bem mais velho. Não tenho certeza de que esteja mais diplomático.

    Disse à querida irmã: “Você pode publicar”. Ela respondeu: “Isto descreve exatamente a situação da igreja americana”.

    Agora, com os anos que se passaram, percebi algo que nunca havia percebido sessenta anos atrás. Percebi como o Senhor resumiu tudo:

    Eis que estou à porta e bato.
    Se alguém ouvir a Minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa,
    e cearei com ele, e ele Comigo.

    Não é: “Vocês, esse grupo de hipócritas”, mas qualquer um de vocês.

    De repente, percebi que essa é a chave de toda a mensagem a Laodiceia. Vejam, muitas vezes esse texto é tratado como um versículo evangelístico, sabem, apenas para pregar aos não salvos. Jesus está do lado de fora, sua porta está fechada; abra a porta. Jesus entrará e será vida, poder e salvação.

    Tudo isso está certo. Mas, por causa disso, tendemos a pensar que esse versículo tem muito pouco a ver com o restante da mensagem. Na verdade, ele é a chave da mensagem.

    Vejam, o Senhor Jesus Se apresentou a essa igreja de Laodiceia como “o Amém”.

    Cristo como o Amém

    Em outras palavras, amém, em hebraico, vem da raiz aman. Em hebraico, dizemos ma’amin, que significa: “Eu creio”. Amém, amém significa: “Assim seja. Eu creio nisso. Tenho fé”.

    É algo que significa a conclusão. Vocês se lembram de como o apóstolo Paulo escreveu em sua segunda carta?

    Pois, quantas forem as promessas de Deus, no Messias, em Cristo, está o sim;
    e por meio Dele está o amém, para a glória de Deus.

    Em outras palavras, vocês descobrem que a promessa é sim no Senhor Jesus, mas o amém é quando ela se cumpre em vocês, quando se torna realidade nas suas circunstâncias. É sempre por meio Dele. É sim Nele e amém por meio Dele. Existe um processo. Primeiro, você se firma numa promessa; depois há um processo; e então vem o cumprimento.

    Ele começou essa mensagem um tanto chocante aos laodicenses com estas palavras: “A qualquer um que tenha ouvidos para ouvir: Eu sou o Amém”.

    Mesmo numa situação como a de Laodiceia, Jesus continua sendo o Amém para o propósito de Deus para a igreja. Ele é o Amém para a Palavra de Deus em sua concretização em nós. Amém.

    Depois Ele disse:

    Eu sou a testemunha fiel e verdadeira.

    Em Laodiceia, eles não percebiam, mas eram infiéis — não tinham fidelidade. Pensavam que tinham tudo, mas, na realidade, eram infiéis ao Senhor. Haviam perdido o primeiro amor. Haviam perdido a paixão pelo Senhor.

    Já não eram os fiéis que sustentavam o testemunho de Jesus. Mas isso não mudava nada para o Senhor Jesus. Ele continua sendo a testemunha fiel e verdadeira.

    Então Ele disse:

    O princípio da criação de Deus.

    O novo homem, os novos céus e a nova terra, a Nova Jerusalém. Tudo o que diz respeito ao Senhor Jesus tem a ver com novidade.

    O problema de Laodiceia provavelmente é que eles haviam incorporado uma série de coisas ao longo do caminho. Tinham uma rotina. Tinham uma organização que provavelmente era boa. Tinham uma metodologia. Tinham ritos e cerimônias. Tinham o batismo e a mesa do Senhor.

    Tinham tudo. Não fazia muita diferença se o Senhor estava ali ou não.

    Essa é a igreja de Laodiceia. Não importa se o Senhor está presente ou não. Usam o Seu nome. Louvam o Seu nome. Oram em Seu nome. Estudam a Sua Palavra. E Ele está do lado de fora.

    Não quero incomodá-los nesta manhã, como bons americanos que são, mas, de modo geral, a igreja americana se parece muito com isso.

    É claro que as pessoas leem essa mensagem e dizem: “Bem, essa é a igreja tradicional. Essa é a igreja institucional. Não somos nós. Nós somos evangélicos”.

    Mas essa igreja era formada por crentes nascidos de novo. Era uma expressão genuína da igreja do Novo Testamento. Tinham tudo. Tinham suas reuniões. Tinham a mesa do Senhor. Tinham seus estudos bíblicos. Tinham sua ação evangelística. Tinham tudo. Provavelmente tinham um ensino muito bom.

    Mas, de uma forma ou de outra, haviam substituído um relacionamento vivo com o Senhor Jesus por uma metodologia.

    Metodologia e Comunhão Viva

    Eles tinham os passos a seguir.

    Lembro-me de anos atrás, em Singapura, quando o Espírito de Deus estava agindo por todo o Sudeste Asiático. Pessoas estavam sendo salvas, libertas; milagres aconteciam. Mas aquele pessoal era inexperiente, tão inexperiente quanto se pode imaginar.

    Lembro-me de que, depois de alguém falar, as pessoas vinham à frente. Lembro-me de um caso: um jovem que evidentemente estava possesso por demônios. Os irmãos não sabiam o que fazer. Simplesmente se reuniram ao redor dele e disseram: “Senhor, mostra-nos o que fazer”.

    Então um deles disse: “Creio que devemos fazer tal coisa”. Todos concordaram, fizeram aquilo, e ele foi liberto.

    Um ou dois anos depois, um irmão dos Estados Unidos chegou com dois aviões jumbo. Um jumbo estava cheio de profetas, e o outro, cheio de pessoas que operavam milagres, realizavam curas e assim por diante. Promoveram seminários durante um fim de semana inteiro.

    E, de repente, tudo morreu. Eles receberam uma metodologia: os quatro passos para a libertação, os cinco passos para a salvação, os três passos para a santidade, ou qualquer outra coisa.

    Não é interessante? Essa igreja viva — pelo menos na avaliação deles —, com toda a sua vida, suas reuniões… Jesus não era encontrado em parte alguma dentro dela.

    Crentes nascidos de novo podem estar tão iludidos que acreditam que Jesus está presente quando Ele não está. Ele está do lado de fora, batendo, e, numa das expressões mais comoventes que Jesus pronunciou no Novo Testamento, Ele disse:

    Se alguém ouvir a Minha voz.

    A avaliação que faziam de si mesmos e a avaliação que o Senhor fazia deles estavam a um milhão de quilômetros de distância. Diziam que eram ricos, que haviam se enriquecido e que não precisavam de nada.

    Ora, Laodiceia era uma das cidades mais ricas da Ásia Menor. Toda a sua riqueza vinha da lã — lã preta —, tecida de uma maneira especial, um produto que todos desejavam em todo o mundo romano e helênico. Eles eram materialmente prósperos.

    Mas não creio que, quando a igreja disse: “Rico sou, e me enriqueci, e de nada tenho necessidade”, estivesse pensando em riqueza material. Eles realmente acreditavam que tinham tudo. Acreditavam que haviam visto os profundos mistérios de Deus, que compreendiam o propósito de Deus, que criam na Palavra de Deus em sua totalidade.

    Não havia liberais entre eles, pelo menos até onde podemos perceber. O Senhor nunca disse: “Alguns de vocês nem sequer creem nisto, naquilo ou naquilo outro”.

    Mas, na avaliação do Senhor, Ele os chamou de “o desgraçado”. Poderia o Senhor falar de crentes nascidos de novo, de uma comunidade de crentes nascidos de novo, como desgraçados — “o desgraçado”?

    Depois Ele continuou: miserável. Que descrição de uma igreja evangélica, de pessoas nascidas de novo.

    Então Ele disse: “Cego”. “Nu”. Está falando de crentes? Sim. Todos aqueles crentes, tão iludidos, tão enganados, que acreditam ter riquezas, ter se tornado ricos, estar maravilhosamente vestidos, enxergar os mistérios de Deus e o propósito de Deus — e, ainda assim, o Senhor diz: “Isso não é real. Não há realidade nisso”.

    Como é interessante que nosso querido Senhor tenha dito:

    Eis que estou à porta e bato.
    Se alguém ouvir a Minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa,
    e cearei com ele, e ele Comigo.

    Ele está do lado de fora.

    O problema de Laodiceia é que eles haviam perdido a comunhão com o Senhor Jesus e não sabiam disso.

    Isso é o que não estava na mensagem que dei sessenta anos atrás. Agora eu vejo. A chave de toda essa situação era a comunhão viva — em todos os níveis: líderes, presbíteros, aqueles que exerciam ministério, até alcançar toda a comunidade. A chave era a comunhão viva.

    Aqui no Ocidente — nem sempre, portanto, não me entendam mal, mas muitas vezes — uma refeição é apenas um meio de viver. Comemos para viver.

    Já na Ásia, na África e, certamente, nos tempos antigos em Israel, uma refeição era um momento de comunhão.

    É por isso que, em algumas versões modernas, vocês leem:

    Entrarei em sua casa e jantarei com ele, e ele Comigo.

    Ou outra versão diz:

    Entrarei em sua casa e comerei com ele, e ele Comigo.

    Porque uma refeição na Bíblia é um símbolo de comunhão.

    Vocês se lembram de quando Deus, com dois anjos, visitou Abraão e Sara? Eles não faziam ideia de que era o Senhor. Abraão, creio eu, percebeu que eram anjos. Então fizeram uma refeição — uma refeição nada kosher, porque misturaram iogurte com a carne.

    Então o Senhor Se sentou com Abraão, vocês se lembram? Era uma refeição, como se Deus ansiasse por comunhão.

    Por que vocês acham que o Senhor visitava o jardim do Éden todos os dias para estar com Adão e Eva? Era um anseio por comunhão. Ele queria Se sentar com eles. Será que comiam? Não sabemos. Imagino que precisassem comer. Quero dizer, eles não estavam naquele lugar bendito na eternidade; estavam nesse período específico da história.

    Mas, para onde quer que vocês olhem… Vocês se lembram de quando o Senhor Jesus ressuscitou dentre os mortos? Lembram-se de como Ele caminhou com os dois até Emaús? Eles não faziam ideia de Quem Ele era, até que Lhe pediram: “Não sigas adiante. Entra e faz uma refeição conosco”.

    Ele entrou e, quando partiu o pão — essa é a chave —, ao partir o pão, de repente eles viram que era Jesus.

    Vocês se lembram de quando o Senhor apareceu novamente a eles naquela sala? Ele disse: “Vocês têm algum peixe assado? Têm alguma coisa para comer?”. Bem, é algo muito estranho para o Senhor dizer. Por que Ele precisava de algo para comer?

    E eles disseram: “Temos um pouco de peixe assado”. “Isso serve”, disse Ele. “Vamos comer juntos.” Sim, peixe assado.

    Vocês se lembram de que, na Galileia, quando o Senhor lhes disse que lançassem as redes e eles Lhe trouxeram os peixes, Ele os preparou? Ele assou os peixes na praia.

    Daquela comunhão vieram aquelas maravilhosas palavras a Pedro:

    Tu Me amas mais do que estes?

    Três vezes o Senhor disse isso.

    Meus queridos, essa questão da comunhão é essencial — é fundamental.

    O nosso problema é que perdemos a comunhão com o Senhor Jesus. Em algum momento do caminho, Laodiceia ficou tão entusiasmada com seus ensinamentos, tão entusiasmada com sua experiência inicial de salvação, que perdeu a comunhão.

    Então tudo passou a ser metodologia, rotina, ritual.

    Amados irmãos e irmãs, não quero incomodá-los. Vocês são bons americanos e, imagino, em sua maioria, americanos patriotas. Mas, de modo geral, a igreja americana gira em torno de fazer alguma coisa sair do papel.

    Adotamos uma metodologia. Estabelecemos uma rotina. Construímos uma organização. E o perigo é que ela pode continuar funcionando, esteja o Senhor presente ou não.

    Vocês podem ter carpetes de parede a parede. Podem ter um coral magnífico. Podem ter ministros de educação, ministros de jovens, ministros de idosos, ministros de teologia — todo tipo de ministro.

    E o Senhor é um estranho.

    Vocês se lembram? Acho que foi A. T. Pierson quem teve um sonho. Sonhou que, na igreja da qual era pastor, um estranho apareceu em meio à igreja lotada. Mas ele disse que não conseguia tirar os olhos daquele homem.

    Durante todo o tempo em que pregava, olhava para aquele homem, depois continuava sua pregação e então pensava: “O que será que ele está pensando a respeito disso?”. E voltava a olhar.

    O homem desapareceu, e ele não pôde apertar sua mão.

    Então o Senhor falou com A. T. Pierson e disse: “Eu estive na sua igreja”.

    E então A. T. Pierson disse: “Ninguém percebeu. Ninguém percebeu que Tu estavas na igreja. E, se eu soubesse, teria pregado uma mensagem muito diferente”.

    Laodiceia. Vocês são muito habilidosos neste país em matéria de negócios — pelo menos têm sido até agora —, muito habilidosos na maneira como construíram empresas que hoje atuam no mundo inteiro, com toda a estrutura que as acompanha e tudo o mais. Mas foi isso que aconteceu com a igreja.

    Zelo, Arrependimento e Restauração

    Qual é a chave? Como é maravilhoso o modo como o Senhor fala a essa igreja, da qual Ele está do lado de fora.

    Ele diz:

    Eu repreendo e disciplino a todos quantos amo.

    “Sejam zelosos. Saiam dessa mornidão. Sejam zelosos. Deixem que uma paixão os encha e os leve ao arrependimento.”

    Agora, volto ao que disse sessenta anos atrás, sem vergonha alguma, na verdade. Mas preciso dizer que fui um pouco chocante na maneira como coloquei as coisas. Eu disse: “Vocês conseguem acreditar que o Senhor poderia dizer a uma comunidade de crentes nascidos de novo: ‘Vocês Me dão náuseas’?”

    Esse é o Senhor sobre Quem cantamos. Oramos em Seu nome. Estudamos a Sua Palavra. E Ele diz: “Vocês Me dão náuseas”. O grego, na verdade, é terrível: “Vocês Me fazem vomitar”.

    Minha versão coloca isso de uma maneira tão bonita:

    Vomitar-te-ei da Minha boca.

    Suas versões modernas dizem:

    Vou cuspir você da Minha boca.

    Mas pensem nisso por um momento. Deixem que isso realmente toque vocês. É como se o Senhor estivesse dizendo: “Vocês Me causam náuseas. Estou completamente enjoado, e a única maneira de tirar isso de dentro de Mim é vomitar”.

    Que coisa terrível para o Senhor dizer a uma comunidade de crentes nascidos de novo.

    E, no entanto, a promessa é esta: se houver em nós uma paixão por nos voltarmos ao Senhor, por nos arrependermos, então vem a promessa:

    Se alguém abrir a porta, entrarei em sua casa e jantarei com ele, e ele Comigo.

    A maior necessidade dos crentes é ter uma experiência viva, constante e contínua com o Senhor.

    Então cada provação, cada tribulação — e temos muitas — só levará você para mais perto Dele, só conduzirá você a experiências mais profundas com Ele.

    A Paz de Cristo na Experiência

    Já contei essa história a vocês. Anos atrás, eu estava me recuperando na casa de Lady Ogle, no sul da Inglaterra, porque havia estado doente. Ela havia dito: “Bem, assim que você não oferecer mais risco de contágio, venha se recuperar em minha casa”.

    E foi o que fiz. Gostei muito de tudo naquele período. Mas me lembro de olhar para a parede e ver este pequeno texto numa peça de madeira:

    A Minha paz vos dou.

    E pensei comigo mesmo: “Que frasezinha banal para colocar na parede: ‘A Minha paz vos dou’”.

    Então, de alguma maneira, o assunto surgiu. Bem, nunca disse a ela: “Isso é uma coisa muito banal para colocar na parede”. Eu não era tão grosseiro assim. Mas ela começou a me contar uma experiência que havia tido.

    Ela disse — creio que foi por ocasião da morte de seu marido — que tinha apenas vinte e três anos. Estavam casados havia apenas três ou quatro anos, e ele morreu na grande epidemia de gripe após a Primeira Guerra Mundial. Ela estava numa agonia profunda de espírito; não sabia o que fazer, a quem recorrer ou qual seria o caminho adiante.

    E ela disse que, de repente, vieram ao seu coração estas palavras:

    Deixo-vos a paz.
    A Minha paz vos dou.

    Ela disse: “Num instante, percebi que a paz que Ele deixou era uma paz de que Ele nunca precisou. Era a paz dos pecados perdoados. Era a paz de ter os pecados lavados, apagados, perdoados — de ser justificado, porque Ele Se tornou pecado por nós, para que nos tornássemos justiça de Deus Nele”.

    “Mas, quando Ele disse: ‘A Minha paz vos dou’, era a paz que Ele tinha no Getsêmani, quando estava em agonia e disse:

    Todavia, não seja como Eu quero, mas como Tu queres.”

    “E depois, a mesma paz na cruz, após Ele clamar:

    Deus Meu, Deus Meu, por que Me desamparaste?

    Ele disse não apenas:

    Está consumado.

    Mas também:

    Nas Tuas mãos entrego o Meu espírito.

    Em paz.”

    “Essa paz”, disse ela, “Ele disse: ‘Essa é a Minha paz. Eu a experimentei. Eu a darei a vocês’”.

    Ora, aquela pequena peça de madeira, que eu achava banal, tinha toda uma história por trás dela. A Palavra de Deus havia entrado na vida daquela mulher e se tornado sua. Havia se tornado carne e sangue em sua própria experiência. Isso nunca pode ser tirado dela. É para sempre.

    Isso é comunhão: poder andar com o Senhor, poder segui-Lo, ouvir Sua voz e segui-Lo.

    Agora, algumas pessoas dizem: “Ah, estou farto dessas pessoas que ficam o tempo todo dizendo: ‘O Senhor disse isto, o Senhor disse aquilo’”. Bem, há pessoas com ideias malucas. Precisamos reconhecer isso. Elas passam dos limites.

    Mas o fato é que Jesus disse:

    As Minhas ovelhas ouvem a Minha voz.

    Em cada crente existe um organismo. É um organismo espiritual. Está no seu espírito, não na sua alma nem no seu corpo. Está no seu espírito. E esse receptor, esse receptor espiritual, capta a voz do Senhor.

    Se o Senhor Jesus disse:

    As Minhas ovelhas ouvem a Minha voz.

    É evidente que Ele quis dizer exatamente isso.

    Agora, aqui está a chave dessa palavra dura do Senhor a Laodiceia. Ele lhes disse:

    Entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele Comigo.

    O que deu errado em Laodiceia? Foi justamente essa comunhão que se perdeu.

    O Ouro Refinado pelo Fogo

    Agora Ele diz:

    Aconselho-te que de Mim compres ouro refinado pelo fogo.

    Mas como podemos comprar ouro, se tudo o que diz respeito ao Senhor Jesus é a dádiva indescritível de Deus para nós?

    A única maneira é pela experiência. É um preço que se paga repetidamente. Mas, para haver ouro no seu ser — ouro eterno —, você precisa passar por experiências profundas. Você está pronto?

    Quando passa por essas experiências, você sai do outro lado com ouro verdadeiro: o ouro da Sua vida, o ouro da Sua natureza. Ele permanece em você para sempre.

    Comunhão — vejam, essa palavra, comunhão, em grego, koinonia, fala, na verdade, de ter algo em comum. Bem, temos alguma coisa em comum com o Senhor Jesus? Não. Mas, da maneira mais maravilhosa, Ele coloca algo em nós. Então existe algo em comum.

    Ele coloca em nós o ouro de Sua própria vida e natureza. Portanto, a salvação vem por meio de Sua obra consumada, mas o preço é a experiência. E, às vezes, essa experiência tem um custo inacreditável.

    E Ele continua e diz: “Vocês estão nus — desgraçados, pobres, miseráveis, cegos e nus”. Que lista de qualificações para uma igreja viva — uma boa igreja evangélica, uma igreja de crentes nascidos de novo.

    Digo a vocês: se algum líder cristão dissesse isso hoje, as pessoas o silenciariam aos gritos. “Você não pode dizer coisas assim àqueles que são nascidos do Espírito de Deus.” Mas o Senhor Jesus disse.

    Ele disse: “Vocês precisam de vestes brancas para se vestirem”. Isso é a obra consumada do Senhor Jesus. Isso é justificação — não a justiça de vocês, mas a justiça Dele.

    E colírio, para que possam ver. Uma coisa é conhecer a doutrina; outra é enxergar espiritualmente o que ela significa.

    Iluminação Espiritual e Conhecimento de Deus

    Por que vocês acham… Já disse isso antes, e preciso tomar cuidado para não entediá-los repetindo coisas que já disse em outras ocasiões, mas tenho uma maravilhosa imaginação judaica. Imagino tudo.

    Penso na carta aos Efésios e vejo o apóstolo Paulo ditando para aquele pobre secretário, aquele pobre amanuense. Ele está dizendo: “Agora, vamos começar aqui”, entendem? Então saem dele frases e mais frases e mais frases que são impressionantes.

    Ninguém jamais sondou plenamente a profundidade do significado dessas coisas incríveis que o apóstolo Paulo escreveu. Então ele para por um momento e diz ao amanuense, ao secretário: “Espere um pouco. Você acha que deveríamos dizer a eles o que estamos pedindo em oração?”

    E o secretário diz: “Acho que sim. Acho que você deveria. Acho que seria muito bom que eles soubessem exatamente o que você estava pedindo em oração. Caso contrário, todo esse material maravilhoso que você transmitiu pelo Espírito de Deus vai se tornar assunto para seminários teológicos. Vai se tornar material para sermões”.

    E então o apóstolo diz: “Certo. Escreva isto. Estamos pedindo ao Deus e Pai de nosso Senhor Jesus, o Messias, que Ele lhes conceda espírito de sabedoria e de revelação no conhecimento do Messias, sendo iluminados os olhos do coração de vocês”.

    Para que saibais qual é a esperança da vossa vocação,
    quais são as riquezas da glória da Sua herança nos santos,
    e qual é a suprema grandeza do Seu poder para conosco, os que cremos.

    Para que conheçam — não apenas saibam a respeito.

    Bem, isso muda tudo, não muda? Significa que vocês precisam de colírio. Não é apenas uma questão acadêmica, não é apenas estudar a verdade. Vocês precisam enxergar. É quando vocês enxergam alguma coisa que são transformados.

    Não é verdade? Como você foi salvo? Somente quando viu que Jesus era o seu Salvador. Então aconteceu. Como você entrou em algo mais do Senhor? Repetidas vezes, quando enxergou.

    Bem, pessoal, acho que é isso por esta manhã, depois de ter chocado todos vocês. Mas a questão é, basicamente… Deixem-me dizer apenas esta última coisa, e não estou atacando vocês, por favor.

    Vocês acham que seria possível uma comunidade como esta chegar a uma situação em que o Senhor estivesse do lado de fora, batendo à porta?

    Bem, se vocês estão me fazendo essa pergunta, eu vou respondê-la. Se olharmos para a história da igreja, não existe uma única iniciativa que Jesus tenha começado pelo Espírito de Deus que, na quarta, quinta ou sexta geração, não tenha saído dos trilhos.

    Olhem para a história da igreja. Para onde quer que vocês se voltem, verão, no início, paixão, experiência, comunhão com o Senhor, comunhão uns com os outros.

    Dentro de algum tempo — às vezes já na segunda ou terceira geração —, aquilo se tornou uma metodologia, uma rotina, uma organização. Em alguns casos, durou até cem anos. Penso nos morávios e também nos Irmãos.

    Mas tão pouca coisa perdurou na história da igreja. Por quê? Porque, em algum ponto, de alguma maneira, perdemos a comunhão.

    Que o Senhor fale ao coração de vocês, porque, se o inimigo puder fazer alguma coisa para destruir todos os valores desses anos de experiência e de ensino, ele o fará.

    Que Ele nos encontre fiéis. E que acenda em nosso espírito essa chama de amor por Ele.

    Obrigado.