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THAT THE WORD OF THE LORD MAY RUN AND BE GLORIFIED
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    Spiritual Exercise: Life Within The Veil © 2026 Christian Testimony Ministry
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    Spiritual Exercise: Life Within The Veil
    Spiritual Exercise: Life Within The Veil
    Kaung, Stephen

    A vida além do véu

    Por favor, abram em Hebreus, na carta aos Hebreus. Vamos ler Hebreus 6:18-20.

    Para que, por duas coisas imutáveis, nas quais é impossível que Deus minta, tenhamos forte encorajamento, nós que buscamos refúgio para tomar posse da esperança que nos está proposta; a qual temos como âncora da alma, segura e firme, e que penetra até o interior do véu; onde Jesus, como Precursor, entrou por nós, tendo-Se tornado sumo sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque.

    E, no mesmo livro, por favor, abram em Hebreus 10:19-25.

    Tendo, pois, irmãos, ousadia para entrar no santuário pelo sangue de Jesus, pelo caminho que Ele nos consagrou, novo e vivo, através do véu, isto é, da Sua carne; e tendo um grande sacerdote sobre a casa de Deus; aproximemo-nos com verdadeiro coração, em plenitude de fé, tendo o coração aspergido para nos purificar de uma consciência má: e tendo o corpo lavado com água pura, retenhamos firmemente a confissão da nossa esperança, sem vacilar; pois fiel é Aquele que prometeu: e consideremo-nos uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras; não deixando de nos reunir, como é costume de alguns, mas exortando-nos uns aos outros; e tanto mais quanto vedes que o dia se aproxima.

    Oração inicial

    Querido Senhor, queremos agradecer-Te por Tua presença conosco. Em Tua presença há plenitude de alegria e delícias para sempre. Enquanto permanecemos em Tua presença, olhamos para Ti, para que nos abras a Tua Palavra.

    Faze da Tua Palavra uma Palavra viva e operante, para que Ela viva em nós e opere em nós; para que, por Tua Palavra viva, sejamos transformados e conformados à Tua imagem. Ouve o nosso clamor, pedimos em Teu precioso nome. Amém.

    A necessidade do exercício espiritual

    Bem, irmãos e irmãs, temos tido comunhão sobre essa questão do exercício espiritual. Quero enfatizar como o exercício espiritual é importante para a nossa vida cristã.

    Deus tem um propósito a nosso respeito, e Seu propósito é santo, celestial, um propósito do alto. Para esse propósito Ele nos chamou. Ele não apenas nos chamou, mas, graças a Deus, também fez toda a provisão necessária para que Seu chamado se cumpra em nós.

    Portanto, irmãos e irmãs, não podemos deixar de agradecer a Deus pelo que Ele fez por nós. Em Sua Palavra, Ele nos disse muito claramente que já providenciou tudo o que diz respeito à vida e à piedade. Tudo está preparado para nós, esperando que entremos e tomemos posse.

    Mas por que esse glorioso propósito de Deus a nosso respeito não se cumpre em nossa vida? Deveríamos viver como Cristo, porque Cristo em nós é a esperança da glória. Deveríamos ser transformados segundo a imagem do Filho amado de Deus, porque Deus já colocou Sua vida em nós.

    Ele também nos deu o Espírito Santo para cuidar de que essa vida amadureça. Portanto, não há problema da parte de Deus. Se é assim, o problema deve estar conosco.

    Graças a Deus, embora Ele tenha providenciado tudo para nós, não nos força. Ele quer que cooperemos, que respondamos a Ele. Essa resposta, essa cooperação da nossa parte, é o exercício espiritual.

    Em outras palavras, tudo está providenciado; agora, se você exercitar o seu espírito, Ele tornará tudo real para você.

    Irmãos e irmãs, creio que este mundo moderno tem reconhecido cada vez mais a importância do exercício físico. Você se alimenta e descansa, mas percebe que isso não basta. É preciso se exercitar para ter saúde.

    Mas nós, como cristãos, temos uma vida espiritual para viver e, infelizmente, negligenciamos o exercício espiritual. Exercitamos o nosso corpo — graças a Deus por isso. Espero que os jovens, especialmente, não se esqueçam disso. Exercitamos a nossa mente, a nossa alma, para nos tornarmos mais capazes.

    Mas, irmãos e irmãs, temos algo mais precioso: temos um espírito, um novo espírito, capaz de se comunicar com Deus, que é Espírito. Ele está ali, esperando para nos comunicar toda a Sua misericórdia e graça, mas isso não acontecerá a menos que você exercite o seu espírito.

    Quando o Espírito Santo nos toca, Ele toca a nossa consciência. Nossa consciência precisa ser exercitada para acolher aquilo em que o Espírito Santo tocou, e para se submeter, responder e obedecer.

    Ele nos dá revelação e intuição em nosso espírito. Mas exige que respondamos e obedeçamos ao que nos mostrou. Ele Se comunica a nós e, enquanto faz isso, precisamos olhar para Ele com o rosto descoberto, por assim dizer, e permitir que Ele realmente nos encha com Sua glória.

    As lições fundamentais do exercício espiritual

    Durante as últimas três semanas, temos considerado as lições do exercício espiritual que transformam a vida. Isso não significa que existam apenas quatro lições transformadoras no exercício espiritual. Na verdade, o exercício espiritual alcança todos os aspectos da nossa vida cristã.

    Mas precisamos nos limitar a algumas dessas questões estruturais mais básicas da vida espiritual. Sem essa estrutura, você não terá uma vida espiritual firme e estável.

    A consagração

    Temos tido comunhão sobre a primeira delas: a consagração. Porque, quando Ele nos salva, Seu amor deve nos constranger a apresentar-Lhe o nosso corpo como sacrifício vivo.

    Isso não significa que nos oferecemos a Ele como sacrifício vivo para servi-Lo com nossa própria força, nossos talentos naturais, nossa energia, nosso entusiasmo ou nosso zelo. Não. Nós nos oferecemos a Ele como sacrifício vivo para permitir que Ele faça conosco o que quiser.

    Em outras palavras, entregamos a Ele os nossos direitos. Não temos o direito de conduzir a nossa própria vida. Entregamos esse direito Àquele que nos redimiu, e Ele tem todo o direito de conduzir a nossa vida, de fazer conosco tudo o que julgar necessário. Isso é consagração.

    A consagração tem um custo. É por isso que precisamos nos sentar e calcular o custo. Estamos dispostos a abrir mão de nós mesmos, negar a nós mesmos, tomar a cruz e seguir? Isso custa.

    Mas, irmãos e irmãs, quando consideramos quanto custou a Ele nos salvar, o nosso custo não é nada. A questão é que precisamos viver uma vida consagrada. Não é algo que você faz de uma vez por todas; é algo que faz todos os dias, e de maneira crescente.

    Isso é algo básico, estrutural e diário.

    A divisão entre alma e espírito

    Se realmente nos consagramos ao Senhor e procuramos viver segundo a vontade de Deus, então encontramos um problema: como saber se estamos vivendo segundo a vontade de Deus?

    Sabíamos como viver no passado, porque vivíamos pela nossa própria vida natural. Sabíamos o que queríamos fazer. Mas agora queremos viver para agradar a Deus. Qual é a vontade de Deus? Ficamos confusos porque descobrimos que há duas vidas em nós.

    A vida de Cristo vive em nosso espírito, mas a vida do eu vive em nossa alma. Muitas vezes percebemos que a alma é mais poderosa do que o nosso espírito, porque a alma é velha — o velho Adão, envelhecido —, enquanto o espírito é novo.

    Mas o problema é: como saber? É preciso haver uma divisão entre o espírito e a alma. Essa divisão não acontece pelo nosso raciocínio nem pela nossa introspecção, porque, quanto mais você se examina interiormente, mais afunda na vida da alma.

    Ela não vem disso. A única maneira de haver essa divisão é a que encontramos em Hebreus 4:12. Nós nos apresentamos como sacrifício vivo; assim, estamos agora sobre o altar e permitimos que o Espírito Santo maneje a Palavra viva e operante de Deus, para penetrar e dividir a alma e o espírito.

    O quebrantamento do homem exterior

    Depois disso, encontramos outro problema. Sei qual é a vontade de Deus, mas não tenho força para cumpri-la. Sei o que devo fazer, mas não consigo. Sei o que não devo fazer, mas estou fazendo.

    Então, como disse o apóstolo Paulo:

    Miserável homem que eu sou! Quem me livrará do corpo desta morte?

    Começamos a entrar na terceira experiência transformadora, que é o quebrantamento do homem exterior e a liberação do espírito. Encontramos isso em 2 Coríntios 4 e em João 12.

    Somos como um vaso de barro. Temos um tesouro dentro de nós e, para que a luz e o brilho desse tesouro resplandeçam, o vaso de barro precisa ser quebrado. O vaso de barro é o homem exterior, e o tesouro é Cristo em nosso homem interior.

    Tratamos dessas coisas apenas superficialmente. Cada um de nós precisa aprender essas lições continuamente.

    A vida além do véu

    Agora, nesta manhã, gostaríamos de entrar na quarta lição transformadora do exercício espiritual. É a vida além do véu, ou, como também podemos dizer, a vida na presença de Deus.

    Na verdade, esse é o objetivo da nossa busca espiritual. Queremos viver na presença de Deus todos os dias, dia após dia, momento após momento. Queremos viver uma vida além do véu, sem nada que nos encubra o rosto do nosso Deus.

    Essa tem sido a busca das pessoas ao longo dos séculos. Em todo o mundo, as pessoas procuram uma coisa: a união com Deus. Como podemos estar unidos a Deus?

    A prática da presença de Deus

    Se vocês já leram A prática da presença de Deus, do irmão Lourenço, sabem que esse livro foi muito popular entre os cristãos. Receio que hoje muitas pessoas nunca o tenham lido. Mas o irmão Lourenço tinha um pequeno livro chamado A prática da presença de Deus. É um clássico.

    O irmão Lourenço viveu de 1611 a 1691. Era uma pessoa comum. Em certa época, esteve no exército e, depois, em um mosteiro. Tanto no exército como no mosteiro, ele era cozinheiro.

    Vocês sabem como um cozinheiro deve estar ocupado no exército, ou mesmo no mosteiro. Ele trabalhava em meio a todos aqueles ruídos, ao bater e ao tilintar dos utensílios. Mas, pela prática, aprendeu um segredo. Aprendeu o segredo de como viver sempre na presença de Deus, apesar de todas as circunstâncias.

    Ele dizia que podia desfrutar da presença de Deus no meio de seu trabalho intenso tanto quanto quando estava sozinho, orando e meditando diante de Deus: a prática da presença de Deus.

    Nosso querido irmão Watchman Nee, depois de ser salvo, conseguiu esse livro. Ele o leu e ficou convencido — convencido — de que precisava ter essa experiência. Então começou a tentar praticar a presença de Deus.

    Ele tentava se lembrar de Deus o tempo todo. Mas, quando estava muito ocupado com outras coisas, esquecia. Descobriu que era muito difícil se lembrar da presença de Deus o tempo todo.

    Será que vocês têm a mesma experiência? Talvez nunca tenham praticado a presença de Deus e, por isso, não tenham tido essa experiência. Mas, se realmente começarem a praticá-la, o que vão perceber?

    Vocês percebem que, quando se lembram, parece funcionar; mas, quando se esquecem, a presença de Deus desaparece. É muito difícil fazer isso. Talvez apenas alguns monges consigam; não sei.

    Então, como podemos realmente viver uma vida sempre na presença de Deus? Como podemos viver, da manhã até a noite, além do véu, por assim dizer? Essa tem sido a busca do povo de Deus ao longo dos séculos.

    O tabernáculo e a presença de Deus

    No Antigo Testamento, vemos que Deus libertou os filhos de Israel do Egito. Qual era o propósito de Deus ao libertá-los do Egito?

    Isso fica evidente quando Ele os leva ao Sinai. Primeiro, Ele lhes deu a lei, os Dez Mandamentos. Por quê? Porque, por meio da lei, fez daquele povo Sua propriedade, Seu próprio povo.

    Então, depois de lhes dar os Dez Mandamentos, pediu que Lhe construíssem um tabernáculo, porque disse: “Quero habitar no meio de vocês”.

    “Vocês não são santos o suficiente para serem Minha habitação. Não posso habitar entre vocês, pecadores, entre vocês que são impuros, porque Deus é o Santo. Portanto, façam para Mim um tabernáculo, para que, por meio dele, indiretamente, por assim dizer, Eu possa habitar com vocês, estar presente com vocês.”

    Então Moisés começou a construir o tabernáculo. O tabernáculo era dividido em três partes. Havia o átrio exterior, que era uma área aberta. Depois, dentro do átrio exterior, havia o lugar santo, onde os sacerdotes serviam. Depois do lugar santo, havia o Santo dos Santos, onde Deus habita.

    No átrio exterior, havia o altar de bronze, onde colocavam o sacrifício. Ele representa a cruz do nosso Senhor Jesus — como Ele foi o sacrifício. Ele foi o holocausto, oferecido a Deus para aceitação. Foi a oferta pelo pecado, para remover o nosso pecado diante de Deus.

    No lugar santo, encontramos três coisas: o candelabro de ouro, a mesa de ouro com os pães e o altar de ouro para o incenso. Em outras palavras, depois de ser salvo por meio do altar de bronze e lavado na bacia de bronze, você pode servir a Deus no lugar santo.

    Você pode acender o candelabro, colocar os pães da proposição e oferecer incenso no altar. Mas, depois do lugar santo, há o Santo dos Santos. No Santo dos Santos há apenas uma coisa: a arca.

    Sobre a arca está o propiciatório, e a glória de Deus repousa sobre o propiciatório. Mas, entre o lugar santo e o Santo dos Santos, há um véu espesso, como uma porta. É um véu espesso que separa esses dois lugares.

    Somente o sumo sacerdote, uma vez por ano, podia entrar além do véu para oferecer uma oferta pelo pecado por si mesmo e pelo povo de Israel. Apenas uma vez por ano, e logo se retirava.

    A Bíblia nos diz, em Hebreus 9, que, enquanto o primeiro tabernáculo — isto é, o lugar santo — permanece, o caminho para o Santo dos Santos ainda não foi aberto. Ninguém pode entrar na presença de Deus, porque Deus é tão santo.

    Até os sacerdotes podiam servir diante de Deus, mas não podiam entrar na presença de Deus, muito menos viver na presença de Deus, porque o caminho não estava aberto.

    O véu rasgado pela morte de Cristo

    Mas, graças a Deus, quando lemos o Novo Testamento e chegamos ao livro de Hebreus, descobrimos que o véu foi rompido.

    Vocês se lembram de quando nosso Senhor Jesus foi crucificado fora de Jerusalém. Ao morrer, Ele disse:

    Está consumado.

    A obra estava concluída. Naquele mesmo instante, o véu do templo se rasgou de alto a baixo.

    Sabemos que aquele véu do templo era muito espesso. Mas, na morte do nosso Senhor Jesus, o véu do templo se rasgou. Foi rasgado de alto a baixo. Em outras palavras, não foi por mãos humanas, porque mãos humanas o rasgariam de baixo para cima.

    Mas não; foi o próprio Deus Quem rompeu aquele véu. Por quê? Porque aquele véu, como vemos em Hebreus 10, representa a carne do nosso Senhor Jesus.

    João 1:14 diz:

    E o Verbo Se fez carne e habitou entre nós (e vimos a Sua glória, glória como do Unigênito do Pai), cheio de graça e de verdade.

    O Verbo é o nosso Senhor Jesus.

    No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.

    Assim era o nosso Senhor Jesus. Mas o Verbo Se fez carne. Em outras palavras, isso fala da encarnação do nosso Senhor Jesus, de como Ele veio a este mundo para ser homem. É como se Ele tivesse armado Seu tabernáculo entre os homens.

    Quando esteve na terra, Ele viveu uma vida tão perfeita, bela, justa e santa. Não conheceu pecado. Nunca cedeu à tentação. Sempre foi obediente a Seu Pai. Viveu como o homem deveria viver segundo o pensamento de Deus.

    Quando vocês olham para o véu, que belo véu! Mas um véu tem dois lados. Quando se coloca o véu ali, ele separa o Santo dos Santos do lugar santo. Um lado do véu fica voltado para o lugar santo; o outro, para o Santo dos Santos.

    Quando nosso Senhor Jesus esteve na terra, mostrou ao mundo como deveria ser uma vida humana segundo o pensamento de Deus: uma vida tão bela, tão obediente, tão santa.

    Mas, por outro lado, enquanto esteve na terra, do outro lado do véu, Ele sempre esteve na presença de Deus. Embora tenha estado na terra por trinta e três anos e meio, sempre esteve na presença de Seu Pai.

    Ele disse:

    Meu Pai está Comigo.

    Ele nunca havia deixado o Pai, exceto durante aquelas últimas três horas na cruz, quando clamou:

    Deus Meu, Deus Meu, por que Me desamparaste?

    Por quê? Porque Ele Se tornou o pecado do mundo. Então o Pai desviou Seu rosto Dele.

    Irmãos e irmãs, Ele sempre via o Pai enquanto estava na terra. Mas isso trazia um problema. Se você crê apenas na encarnação do nosso Senhor Jesus, e não na cruz do Calvário do nosso Senhor Jesus, surge um grande problema.

    Se Ele tivesse vivido trinta e três anos e meio e depois subido ao céu no monte da transfiguração — porque estavam falando de Sua partida —, teria todo o direito de voltar para o Pai. Mas, se tivesse feito isso, onde estaríamos nós? Ninguém mais poderia jamais ver o rosto de Deus.

    Graças a Deus, Ele não partiu do monte da transfiguração. Desceu do monte e voltou Seu rosto resolutamente para Jerusalém. Isso é amor.

    Vocês se lembram de João 16: quando o Espírito Santo viesse, convenceria o mundo do pecado, da justiça e do juízo: do pecado, porque o mundo não crê Nele; da justiça, porque Ele foi para o Pai.

    Isso não é estranho? Da justiça, porque Ele foi para o Pai. O que significa? Significa que Ele é suficientemente justo para ir ao Pai, mas ninguém mais é suficientemente justo para fazer isso. Portanto, isso nos convence.

    E do juízo, naturalmente, porque o deus deste mundo, Satanás, está julgado. Portanto, irmãos e irmãs, nosso Senhor Jesus precisava morrer. Se Ele tivesse apenas vindo e nunca morrido, teria permanecido sozinho.

    Mas, graças a Deus, Ele veio para morrer, não por Si mesmo, mas por nós. Quando morreu, o véu se rasgou de alto a baixo. Em outras palavras, um novo e vivo caminho foi consagrado para nós.

    Portanto, irmãos e irmãs, estamos vivendo em uma época em que o véu já foi rompido, já foi rasgado. Temos o privilégio de entrar no Santo dos Santos e ver o rosto de Deus dia após dia — não apenas de entrar, mas de viver ali. Que privilégio temos hoje!

    Os erros do misticismo

    Voltando ao que dissemos antes, o mundo busca uma coisa: estar unido a Deus, estar em Sua presença, viver além do véu. Essa é a busca profunda do coração humano.

    Vejam os místicos. De modo geral, todos nós somos místicos. Por quê? Os místicos são pessoas que buscam a presença de Deus, que buscam estar unidas a Deus. Isso faz de você um místico, e é isso que os cristãos são.

    Mas há um grupo específico chamado de místicos. Se vocês já leram algo sobre esses místicos, sabem que é muito atraente. Em certo sentido, muitos cristãos que realmente conheciam o Senhor receberam muito ao ler esses místicos.

    Mas, infelizmente, quando se entra profundamente no misticismo, há certas falhas graves.

    A deificação do homem

    Vocês se lembram de Madame Guyon? Especialmente quando eu era jovem, na China, uma versão resumida da vida de Madame Guyon — não sua própria autobiografia — foi traduzida para o chinês e se espalhou pela China. O editor retirou as superstições, e as pessoas realmente gostavam de Madame Guyon.

    Encontrávamos muitos irmãos e irmãs que desejavam ser como Madame Guyon, porque ela tinha uma vida tão maravilhosa e bela. Ela viveu no tempo de Luís XIV. Sua influência naquela época foi grande. Foi presa por causa de sua fé.

    Ela costumava dizer: “Somos como uma gota de água que flui gradualmente para o oceano. Quando chega ao oceano, essa gota de água se funde com ele. Você já não existe, porque é um com o oceano”. Era assim que ela procurava descrever a união com Deus.

    Mas vocês percebem algo seriamente errado? Quando se sustenta uma teologia assim, isso significa deificar o homem.

    A união com Deus não significa que, por ter a Sua vida, você se torna Deus, parte de Deus, ou é deificado. Isso é a deificação do homem.

    Infelizmente, quando as pessoas se aprofundam no misticismo, caem nessa armadilha. Não vou dizer o nome de um cristão famoso, porque, se eu o mencionar, alguns de vocês talvez o conheçam — nós lemos os livros dele. Por fim, ele caiu nisso.

    Caiu na deificação do homem. Chegou a estudar os pais, os chamados pais da Igreja. Alguns dos primeiros pais da Igreja caíram nessa armadilha. Eles realmente ensinavam a deificação do homem.

    Precisamos ter cuidado com isso. A união com Deus é em Cristo. Estamos unidos a Deus em Cristo. A Bíblia nunca nos fala de uma união direta com Deus; é união com Deus em Cristo.

    Recebemos a vida de Cristo, mas Deus é sempre Deus, e o homem é sempre homem. Esse é o primeiro erro com o qual precisamos ter cuidado.

    O esforço humano e a graça divina

    O segundo erro dos místicos é que seu caminho para chegar a Deus vai do homem para Deus, e não de Deus para o homem. Em outras palavras, procuram alcançar Deus por seus esforços, em vez de perceber que é Deus Quem desce, nos toca e nos resgata.

    Toda a teoria dos místicos é o homem tentando alcançar o céu, e não o céu descendo para alcançar o homem. É a obra do homem; não é a obra de Deus. Isso é um erro, porque vemos que é a obra de Deus. É graça.

    Somos salvos pela graça, mediante a fé. Isso não vem de nós; é dom de Deus.

    A confusão entre alma e espírito

    Terceiro, como eles não conhecem a divisão entre alma e espírito, a separação entre alma e espírito, seus esforços são muito misturados.

    É preciso admirar até que ponto eles maltratam a si mesmos. Eles se açoitam. Deitam-se em camas com pregos. Maltratam o corpo porque acreditam que o pecado e o mal estão no corpo, pois o corpo é matéria, e a matéria é má.

    Assim, procuram ser santos maltratando o corpo. Até Martinho Lutero, professor de retórica, quando foi convencido de seu pecado e temeu a morte, deixou seu cargo de professor e bateu à porta de um mosteiro agostiniano.

    Como ele maltratava o corpo! Estava quase morrendo. Temos de admirar a determinação deles, irmãos e irmãs, porque nós amamos demais o nosso corpo. É preciso admirá-los. Mas o que faziam não era o caminho de Deus.

    Precisamos subjugar o nosso corpo, isso é verdade, mas não maltratá-lo como se o mal estivesse no corpo. Não.

    Por causa de sua sinceridade, disposição e zelo, eles realmente estavam dispostos a sofrer tanto quanto pudessem suportar. Graças a Deus, Deus conhece o coração deles. Por isso, muitas vezes, por fim, Deus lhes dizia que abandonassem essas coisas, e eles as abandonavam.

    Por buscarem a Deus, Deus de fato Se revelou a eles. Mas, irmãos e irmãs, precisamos ter cuidado com isso. Devemos ter essa disposição de buscar o Senhor a qualquer custo, mas não devemos ser insensatos, tentando conseguir isso por nós mesmos.

    Sabemos que tudo é pela misericórdia de Deus.

    As provisões para entrar além do véu

    Então, queridos irmãos e irmãs, o que devemos fazer? Mais uma vez, descobrimos que Deus já fez tudo. Como podemos viver além do véu? Como podemos viver na presença de Deus? Cristo já fez tudo.

    Quando lemos Hebreus 10:19, encontramos:

    Tendo, pois, irmãos, ousadia para entrar no santuário.

    Temos ousadia para entrar no Santo dos Santos. De onde vem essa ousadia?

    O sangue de Jesus

    Ela vem pelo sangue de Jesus. Antes de tudo, é o sangue de Jesus. Porque Ele derramou Seu sangue, nossos pecados foram perdoados. Ele nos deu o direito, a posição, de nos apresentarmos diante de Deus como nosso Pai. É daí que vem a nossa ousadia.

    Ao longo de toda a nossa vida cristã, jamais podemos deixar para trás o sangue de Jesus, como se tivéssemos avançado tanto que já não precisássemos dele.

    Quanto mais perto você está de Deus, mais percebe como o sangue de Jesus é precioso. Você precisa de Seu sangue mais do que em qualquer outro momento, porque percebe como é pecaminoso, injusto, profano e cheio de trevas.

    Você precisa do sangue de Jesus o tempo todo. Sempre que o Senhor lhe mostra em que você pecou e ficou aquém da glória de Deus, você se arrepende e se vale do sangue do Senhor Jesus. Essa é a sua provisão ao longo de toda a vida cristã. Assim, você está sempre limpo diante de Deus.

    O novo e vivo caminho

    Em segundo lugar, temos ousadia para entrar no Santo dos Santos porque temos um caminho. O Senhor Jesus abriu um novo e vivo caminho. Ele é novo; nunca havia sido conhecido antes. E é vivo — não morto, mas vivo.

    Qual é esse novo e vivo caminho? É o novo e vivo caminho consagrado para nós através do véu, isto é, da Sua carne. Porque Ele rompeu Sua carne na cruz do Calvário, o véu do templo se rasgou, e a porta foi aberta para que entrássemos.

    Mas lembrem-se: esse é um caminho que Ele consagrou para nós. Antes, não tínhamos caminho para entrar além do véu. Mas agora nosso Senhor Jesus abriu um novo e vivo caminho para nós. Ele entrou primeiro e depois disse:

    Segue-Me.

    O caminho está ali, mas, se você não seguir, não chegará lá. Esse é o nosso problema. Nosso Senhor rompeu Sua carne por nós, mas não estamos dispostos a romper a nossa própria carne. Nós nos amamos demais, e isso nos impede de andar nesse caminho.

    Quando lemos a Palavra de Deus, encontramos o Senhor dizendo repetidamente:

    Nega-te a ti mesmo, toma a tua cruz e segue-Me.

    Negar a si mesmo: o que isso significa? Significa dizer a si mesmo: “Eu não conheço você”.

    Conhecemos demais a nós mesmos, amamos demais a nós mesmos e pensamos demais em nós mesmos. Um dia, pela graça de Deus, você diz a si mesmo: “Eu não conheço você. Não vou cuidar dos seus interesses”. Essa é a cruz que você toma para seguir o Senhor.

    Se a nossa carne não for tratada, não há como viver na presença de Deus. Aqui, novamente, vocês percebem como o exercício espiritual é importante. Não podemos receber a Palavra de Deus apenas de maneira objetiva.

    Sim, precisamos receber a Palavra de Deus objetivamente, pela fé, e depois segui-la subjetivamente, pela obediência.

    O grande Sumo Sacerdote

    Em terceiro lugar, ao tentarmos andar nesse caminho, descobrimos que não temos força. Você acha que tem força para negar a si mesmo? É como tentar erguer a si mesmo por sua própria força. Você não consegue levantar a si mesmo, porque é você mesmo.

    Como podemos fazer isso? Graças a Deus, temos a terceira provisão: temos um Sumo Sacerdote que intercede por nós, que vive sempre e intercede por nós, e Ele é capaz de salvar completamente aqueles que se chegam a Deus por meio Dele.

    Ele está ali para suprir a disposição, a capacidade, o poder e a força para tomarmos a nossa cruz e seguirmos.

    Portanto, irmãos e irmãs, quando vemos todas essas provisões diante de nós, não tornemos essa questão da vida além do véu algo impossível, ou algo que apenas uns poucos místicos buscam. É um segredo aberto a todos.

    A exortação a nos aproximarmos

    Observem como o autor de Hebreus nos fala:

    Aproximemo-nos.

    Aproximemo-nos com verdadeiro coração.

    Em outras palavras, creiamos que isso é possível. Creiamos que o caminho está aberto. Desejemos entrar. Aproximemo-nos com verdadeiro coração, em plena certeza de fé.

    A vida cristã é uma questão de fé. A fé nunca tem seu fundamento em você. Seu fundamento está fora de você. Desvie o olhar de tudo e olhe para Jesus, o Autor e Consumador da fé. É daí que vem a fé.

    Ter o coração aspergido para nos purificar de uma consciência má significa que, sempre que sua consciência o acusa — você pecou, há algo errado em sua vida —, deve aplicar imediatamente o sangue do Senhor ao seu coração, para purificá-lo de uma consciência má.

    Então você poderá viver dia após dia, hora após hora, com a consciência limpa. E quanto a ter o corpo lavado com água pura: aqui precisamos pensar em Efésios 5. O Senhor Jesus usa a água da Palavra para nos lavar dia após dia, para que possamos servi-Lo.

    É como a bacia de bronze. A Palavra de Deus é como água. Quando a Palavra de Deus chega até você e se torna viva, e você responde a ela, Ele o purifica.

    A firmeza na esperança

    Retenhamos firmemente a confissão da nossa esperança, sem vacilar.

    Por quê? Porque esse não é um caminho fácil. Ao procurar uma vida além do véu, ao procurar estar na presença de Deus o tempo todo, você encontrará muitos fracassos.

    Muitas vezes, você percebe que nem mesmo sua consciência está pura. Ou percebe que o mundo o contaminou. Você falhará repetidamente, mas não desista. Retenhamos firmemente a confissão.

    Temos uma confissão a fazer, e nossa confissão é esta: Jesus é Senhor. Ele é capaz, e Ele é a nossa esperança viva. Nós nos apegamos a isso e prosseguimos. Nunca desistam, irmãos e irmãs.

    Pois fiel é Aquele que prometeu.

    Nosso Senhor é fiel.

    O encorajamento mútuo e a reunião dos santos

    Nesse caminho de viver na presença de Deus, precisamos uns dos outros. Não conseguimos caminhar sozinhos. É por isso que está escrito:

    Consideremo-nos uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras.

    Precisamos ajudar uns aos outros e encorajar uns aos outros. Para isso, não devemos deixar de nos reunir, como é costume de alguns.

    Infelizmente, alguns fizeram disso um costume. O que é um costume? É algo que você fez tantas vezes que se tornou regular. Isso é um costume, um hábito.

    Irmãos e irmãs, eu lhes suplico: não abandonem a reunião dos santos. Talvez vocês pensem que se reunir com os santos às vezes os machuca. Deem graças a Deus por isso. É disso que vocês precisam.

    Se vocês não se reunirem com os santos, talvez pareçam estar livres de qualquer ferida em casa, sem disciplina alguma — livres. Mas, irmãos e irmãs, vocês estão declinando.

    Vocês perceberão que estão se afastando cada vez mais do Senhor. Não sabem como a reunião é uma bênção.

    Tenho visto pessoas que amam o Senhor e depois se afastam e ficam sozinhas, ainda amando o Senhor. Mas, gradualmente, desviam seu rosto do Senhor e até caem em falsos ensinos. É lamentável.

    Não abandonem a reunião porque, ao se reunirem com os irmãos e irmãs, eles pisam em vocês. Vejam isso como a cruz que o Espírito Santo providenciou para lhes ensinar algumas lições valiosas.

    Precisamos aprender uns com os outros, assim como precisamos aprender com o próprio Senhor. Essa é a exortação que encontramos no autor de Hebreus.

    Oração final

    Vamos orar.

    Querido Senhor, corrige nossa ideia de que viver em Tua presença, além do véu, é apenas para uns poucos. Nós Te louvamos e agradecemos, sabendo que fizeste toda a provisão para que cada crente entre e habite ali.

    Senhor, mostra-nos o Teu caminho, para que possamos entrar. Capacita-nos a realmente prosseguir juntos rumo ao alvo, para que ganhemos a Cristo, vivamos uma vida semelhante à de Cristo e cumpramos o Teu propósito. Pedimos em Teu precioso nome. Amém.