Por favor, abram em 1 Tessalonicenses.
E o próprio Deus de paz vos santifique inteiramente;
e todo o vosso espírito, e alma, e corpo sejam conservados íntegros e irrepreensíveis na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo.
Fiel é Aquele que vos chama, o Qual também o fará.
Agora, por favor, abram em Hebreus, na carta aos Hebreus, capítulo 4, versículos 12 e 13.
Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até à divisão da alma e do espírito, das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração.
E não há criatura alguma encoberta diante Dele: antes, todas as coisas estão nuas e patentes aos olhos Daquele com Quem temos de tratar.
Vamos fazer uma oração.
Senhor, queremos agradecer-Te mais uma vez por nos amares, e por nos amares até o fim. Nós Te louvamos e agradecemos pelo que fizeste por nós. Tu Te entregaste inteiramente a nós.
Senhor, somos gratos, e pedimos, Senhor, que tudo o que fizeste se cumpra em nossa vida, para que sejas glorificado. Por isso, pedimos, Senhor, que sopres novamente sobre a Tua Palavra. Torna-a viva e operante na vida de cada um de nós, para que, por meio da Tua Palavra, possamos encontrar a Ti mesmo.
Queremos dar-Te toda a glória. Em Teu precioso nome, amém.
Bem, graças a Deus por nos reunir novamente nesta manhã.
Nesta ocasião, estamos pensando em compartilhar sobre as quatro lições do exercício espiritual que transformam a vida. Sabemos que, se não exercitarmos nosso espírito, tudo o que Deus fez por nós por meio de nosso Senhor Jesus Cristo não se tornará uma experiência viva para nós. É essa a importância do exercício espiritual.
Na última reunião, compartilhamos sobre a primeira lição, que é a consagração. Mencionamos naquela ocasião que, depois de recebermos todas as misericórdias de Deus e sermos constrangidos pelo amor de Cristo, nossa única resposta razoável é apresentar nosso corpo como sacrifício vivo.
Em outras palavras, nós nos entregamos ao Senhor e permitimos que Ele tenha absoluta liberdade para trabalhar em nossa vida segundo a Sua vontade.
É claro que, quando nos consagramos ao Senhor pela primeira vez, não entendemos realmente o que significa consagração. Pensamos que, ao nos consagrarmos, vamos viver para o Senhor e servir ao Senhor. Bem, Deus conhece nosso coração.
Mas, embora tentemos viver para o Senhor e servi-Lo, ainda vivemos, por assim dizer, pela nossa velha vida natural e caída, a vida do nosso próprio eu. E, mesmo quando servimos ao Senhor, acontece a mesma coisa.
Precisamos aprender que consagração não é servir ao Senhor ou viver para Ele pela nossa própria vida natural. Consagração significa que nos entregamos a Ele e deixamos que Ele trate com nossa vida natural, até que vivamos pela Sua vida e sirvamos pelo Seu Espírito.
Então, lembramos o que Jessie Penn-Lewis aprendeu. Depois de servir fielmente ao Senhor por vários anos, ela buscava mais poder do alto, para que pudesse servi-Lo melhor e de maneira mais ampla.
Mas, um dia, o Senhor lhe deu uma revelação: ela viu em sua mão um feixe de trapos imundos. E uma palavra lhe foi dirigida: “Isto é o que você tem feito durante todos estes anos”.
E Jessie disse: “Ó Senhor, não. Eu tenho Te servido com uma vida dedicada e consagrada”.
Então, veio a palavra: “Eu consagrado”.
E, finalmente, ela ouviu a palavra: “Crucificado”.
Portanto, irmãos e irmãs, mesmo em nossa consagração, vemos que precisamos crescer até compreender o verdadeiro significado da consagração. Precisamos aprender a lição de sermos crucificados. Nosso eu precisa ser crucificado, para que tudo o que proceder de nós, seja em nossa vida diária, seja em nosso serviço ao Senhor, não seja o eu, mas Cristo.
Depois de aprendermos essa lição, seremos capazes de viver uma vida consagrada, como vemos na vida do apóstolo Paulo.
Nesta manhã, gostaríamos de prosseguir para a próxima lição que aprendemos no exercício espiritual. E a próxima lição é a separação entre alma e espírito.
Não estamos abordando isso apenas pelo lado doutrinário, pelo lado do ensino. Vamos abordar principalmente o aspecto da nossa experiência pessoal. Mas, é claro, qualquer experiência espiritual que não esteja baseada na Palavra de Deus é falsa.
Somente as experiências que estão de acordo com a Palavra de Deus têm o fundamento correto, e esses exercícios serão um verdadeiro exercício espiritual.
Portanto, irmãos e irmãs, ao compartilharmos sobre essa questão da separação entre alma e espírito, nossa ênfase está em como vamos experimentar isso em nossa vida, e não em procurar transmitir uma mensagem teológica.
Mas não podemos ter uma experiência espiritual sem um fundamento firme no ensino que encontramos na Palavra de Deus.
Não sei quanto vocês conhecem da Palavra de Deus, mas, por segurança e para dar a devida ênfase, gostaria de voltar um pouco. Precisamos ter, pelo menos, uma compreensão básica da nossa constituição. Isto é: quem somos nós? Como fomos criados?
E, sabem, mesmo nesse ponto há diferenças de compreensão teológica. Mas penso que devemos apresentar isso da maneira mais simples possível, sem entrar em todas essas controvérsias. Vamos apenas olhar para o que a Palavra de Deus nos diz.
Se vocês simplesmente lerem 1 Tessalonicenses 5:23, encontrarão estas palavras:
E o próprio Deus de paz vos santifique inteiramente.
Temos essas palavras: “Nosso Deus é o Deus de paz”, e paz significa simplesmente harmonia. Ele quer que sejamos um com Ele. E o Deus de paz diz:
Vos santifique inteiramente.
Deus é santo; portanto, Ele quer que sejamos santificados, separados para Ele e santos como Ele é santo.
Vejam a palavra “inteiramente”. Inteiramente significa por completo: cada parte do nosso ser deve ser santificada. E, em seguida, o texto explica: o que significa “inteiramente”? Significa todo o nosso espírito, em primeiro lugar; nossa alma, em segundo; e nosso corpo, em terceiro.
Portanto, nesse versículo, vocês podem ver que somos constituídos de três partes. Assim como Deus é uma Trindade, nós somos uma pessoa constituída de três partes. Temos espírito, alma e corpo.
O corpo é evidente, porque estamos aqui com nosso corpo.
E, segundo Gênesis, de que é composto nosso corpo? Em Gênesis 2:7, diz-se que Deus tomou a terra vermelha e a formou em um corpo. Portanto, nosso corpo é formado da terra vermelha, do pó da terra.
É assim que nosso corpo foi feito. Mas que maravilha: foi feito de maneira assombrosa e maravilhosa. E, por ser feito da terra vermelha, nosso corpo tem os mesmos elementos que encontramos na terra.
Isso nos dá consciência do mundo. Temos consciência do mundo, do mundo físico, porque temos um corpo. E, com um corpo vivo, entramos em contato com o mundo por meio dos nossos cinco sentidos.
Então, a Bíblia diz que Deus soprou Seu fôlego nas narinas daquela forma feita de terra vermelha, e o homem se tornou alma vivente.
Sabemos que o fôlego de Deus vem do próprio Deus, e Ele soprou esse fôlego nas narinas do homem que havia formado.
Assim, o fôlego de Deus soprado no corpo forma o espírito do homem. Por quê? Porque Deus é Espírito. Portanto, Seu fôlego é espírito. Por meio do Seu Espírito, Ele cria um espírito dentro de nós.
Por meio do espírito humano, somos capazes de nos comunicar com Deus. Caso contrário, não teríamos como nos comunicar com Ele. O espírito nos dá consciência de Deus.
E, quando o espírito e o corpo interagem, o homem se torna alma vivente. É daí que vem nossa alma. Ela resulta da combinação, da interação entre o espírito e o corpo. A alma nos dá consciência de nós mesmos.
Por isso, a Bíblia muitas vezes usa a palavra “alma” para representar o homem, porque isso é o que somos basicamente: nossa personalidade. A alma nos dá a capacidade de sentir, de ter emoções, de pensar — a mente — e de querer — a vontade e a disposição.
Portanto, vemos na Bíblia que, quando o homem foi criado, ele foi criado com espírito, corpo e alma.
Depois de criar Adão, Deus o colocou no jardim do Éden. No jardim, Ele plantou muitas árvores boas para alimento, com frutos para o corpo do homem. Mas, no meio do jardim, Ele plantou a árvore da vida; e, ao lado dela, também plantou a árvore do conhecimento do bem e do mal.
Irmãos e irmãs, precisamos ter uma compreensão básica aqui. Por que Deus plantou todas aquelas árvores com frutos no jardim do Éden? Para atender à necessidade do corpo, porque Deus não cria um corpo sem prover o necessário para ele. Ele fez essa provisão.
E por que Deus colocou a árvore do conhecimento do bem e do mal no jardim? Ela é alimento para a alma, porque é na alma que está nosso conhecimento humano. E, no meio do jardim, Deus plantou a árvore da vida. Esse é o fruto para o espírito.
Portanto, vemos que Deus fez toda a provisão necessária. Mas Ele deu ao homem a possibilidade de escolher, porque Deus tem livre-arbítrio. Assim, Ele criou o homem com livre-arbítrio. Ele criou o homem segundo a Sua imagem. Nós temos livre-arbítrio.
Deus não faz um robô. Ele faz uma pessoa com liberdade de vontade. E, se há livre-arbítrio, mas não há escolha, para que serve o livre-arbítrio? É por isso que Deus colocou essas duas árvores juntas: a árvore da vida e a árvore do conhecimento do bem e do mal. Assim, o homem poderia fazer uma escolha.
E qual é a escolha? É como se Deus dissesse: “Agora Eu criei você. Agora você vai escolher: como vai viver? Você vai escolher seu próprio futuro”.
“Você pode escolher a Mim, a árvore da vida, e assim viver por Mim, dependendo de Mim; ou pode escolher viver por si mesmo. Você pode tomar da árvore do conhecimento do bem e do mal, adquirir conhecimento e viver por esse conhecimento: o que é bom, o que é ruim, o que é mau. Você pode viver pelo seu conhecimento. Essa é outra maneira de viver.”
Infelizmente, nosso antepassado fez a escolha errada. E, ao fazer a escolha errada, ele a fez não apenas por si mesmo, mas por todos os que descenderam dele.
Em outras palavras, todos nós fizemos aquela escolha errada. Isto é, não queremos Deus. Não queremos depender de Deus, viver para Deus. Queremos viver por nós mesmos e para nós mesmos.
Então, quando nascemos neste mundo, qual é nossa condição? Nossa condição é que nosso espírito, que Deus criou para Si, estava morto dentro de nós.
Isso não significa que ele não exista. Ele ainda está ali, mas não funciona corretamente. Pode funcionar de maneira inadequada, mas não de maneira adequada. Em outras palavras, não temos como chegar a Deus.
A comunicação com Deus foi completamente interrompida. Portanto, quando nascemos neste mundo, nascemos com alma e corpo. É por isso que, em Gênesis 6, lemos que o homem se tornou carne. A carne é a combinação de alma e corpo sem um espírito em funcionamento.
Até mesmo no livro de Judas está escrito:
Naturais, que não têm o Espírito.
Essa era a condição de todas as pessoas do mundo antes de sermos salvos. Era isso que éramos.
Assim, vocês podem saber tudo sobre o mundo e se tornar pessoas de muito conhecimento, mas, quando se trata de Deus, são completamente incapazes. Não sabem nada. Não há contato.
Mas, graças a Deus, Ele nos salvou. Deus nos amou. Em Suas misericórdias, enviou Seu Filho unigênito a este mundo para Se tornar homem, para ser nosso Parente-Redentor.
E Ele morreu na cruz, levando nossos pecados, tomando sobre Si todo o julgamento, para que pudéssemos ser salvos.
Agora, quando somos salvos, o que acontece? Quando você crê no Senhor Jesus e é salvo, o que acontece?
Provavelmente, a primeira coisa que percebemos é que nosso pecado, como um fardo, como um peso sobre nós, é removido. Nossos pecados são perdoados. Nossa consciência fica em paz.
Graças a Deus por isso. Creio que todos nós experimentamos isso. Que libertação! Que alegria!
Mas, irmãos e irmãs, isso é apenas o aspecto negativo: sermos redimidos dos nossos pecados. Deus também fez algo positivo. E o que Ele faz é isto: vivifica nosso espírito morto.
O que é nascido do Espírito é espírito.
João 3:6.
Ezequiel 36 diz que Ele nos deu um espírito novo. Em outras palavras, nosso espírito morto foi restaurado à vida, e é uma vida nova.
E a vida em nosso espírito é o próprio Cristo. Ele vem e habita em nós. Portanto, irmãos e irmãs, todos os que são salvos sabem disto: não temos apenas nossos pecados perdoados, mas também nosso espírito morto vivificado.
E, nesse espírito, uma nova vida entra em nós. É a vida de Cristo, a vida de ressurreição de Cristo, que entra em nós e habita em nosso espírito. Além disso, o Espírito Santo de Deus também vem e habita em nosso espírito.
Portanto, isso é o que recebemos, no aspecto positivo, quando somos salvos.
Então, qual é nossa condição agora? Nossa condição agora é que fomos restaurados, por assim dizer, para termos um espírito vivo, uma alma viva e um corpo vivo. Estamos vivos.
Agora, como vivemos? Sabem, antes de sermos salvos, vivíamos por nós mesmos, pela nossa vida natural. Sabíamos como viver, como fazer as coisas e como tomar decisões.
Mas agora somos salvos. Depois de ser salvo, como você vai viver sua vida espiritual? Ainda por si mesmo? Não. Agora você tem uma nova vida dentro de si. Agora você tem Cristo em você.
Portanto, agora você deve viver pela vida de Cristo que está em você.
De fato, quando somos salvos, estamos no primeiro amor por Deus. Naquele momento, realmente parece que vivemos inteiramente pela nova vida que está em nós.
Assim, encontramos em 2 Coríntios 5:17 estas palavras:
Se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que se fizeram novas.
Mas todas as coisas provêm de Deus.
É isso que encontramos em Coríntios. E, no estágio inicial da nossa salvação, realmente experimentamos uma nova criação, não é verdade? Porque, no primeiro amor, nós amamos tanto a Deus. Estamos dispostos a abrir mão de qualquer coisa por Ele.
Nada nos parece demais. Queremos amá-Lo, servi-Lo e agradá-Lo. E parece que estamos realmente vivendo no terceiro céu.
Mas, infelizmente, essa situação não dura muito. Talvez, para algumas pessoas, dure alguns meses. Para outras, talvez dure mais ou menos. Mas, cedo ou tarde, descobrimos algo novo.
Descobrimos que não somos inteiramente uma nova criação. É verdade que estamos em Cristo, mas, em nossa vida diária, será que realmente vivemos em Cristo?
Percebemos que, por assim dizer, saímos de Cristo e passamos mais tempo vagando por aí do que realmente permanecendo Nele. E, por causa disso, descobrimos que se torna cada vez mais difícil obedecer a Deus.
E, quando surgem problemas, percebemos que é mais difícil saber qual é realmente a vontade de Deus. Por quê? Porque começamos a descobrir que existem duas vidas dentro de nós. Temos uma personalidade dupla.
Um descrente não tem esse problema, porque está inteiramente do lado do inimigo. Mas, depois de sermos salvos, parece que nos tornamos duas pessoas.
Dentro de nós, há uma vida em nosso espírito, que é Cristo, e há outra vida em nossa alma, que é nosso eu. Embora nossos pecados tenham sido perdoados, parece que o pecador ainda está ali.
E, dentro de nós, começa uma guerra civil. Creio que, do ponto de vista da experiência, cedo ou tarde vamos experimentar isso.
Se você nunca se consagrou ao Senhor e vive inteiramente pela vida da alma, não tem esse problema. Mas, se realmente leva a sério seu relacionamento com o Senhor e deseja amá-Lo e segui-Lo de verdade, cedo ou tarde descobrirá isso.
Por isso, vemos que os cristãos novos na fé frequentemente fazem esta pergunta: “Diga-me, qual é a vontade de Deus?”. Como se a vontade de Deus fosse a coisa mais difícil de conhecer.
Isso acontece porque, dentro de você, existe um desejo de fazer a vontade de Deus. Você tem uma nova vida dentro de si e realmente deseja fazer a vontade de Deus. Mas, por outro lado, percebe que dentro de você existe outro que odeia a Palavra de Deus.
Há um verdadeiro conflito dentro de você, e seu próprio raciocínio muitas vezes vence aquilo que o Espírito fala ao seu espírito.
É por isso que um novo crente sempre faz a pergunta: “Qual é a vontade de Deus?”. Parece que essa é a coisa mais difícil de fazer.
Agora, se Deus quer que você faça a vontade Dele, será que Ele lhe dará a conhecer essa vontade? Ou vai mantê-la em segredo e lhe causar todos esses problemas? Claro que não.
Então, por que um novo crente tem dificuldade para conhecer a vontade de Deus? Porque há duas vidas dentro dele.
E a vida em sua alma é a velha vida adâmica, cheia de experiência e forte. Mas a nova vida, Cristo em você, é jovem.
Além disso, falando em termos da nossa constituição, nossa alma está no corpo, e nosso espírito está na alma. Assim, vemos que o espírito está aprisionado dentro da alma. A alma é muito mais forte que o espírito. É difícil.
É por isso que ficamos confusos e enfraquecidos. Não conseguimos realmente seguir o Senhor até o fim.
Então, para um cristão que realmente está buscando, o que acontece quando ele se encontra nessa situação? Ele fica muito nervoso, não é verdade?
Por isso, costumo dizer que cristãos nervosos são bons cristãos. Se você não fica nem um pouco nervoso — em outras palavras, se simplesmente faz o que quer —, não há motivo para ficar nervoso.
Mas, se realmente deseja fazer a vontade de Deus, você percebe duas coisas: primeiro, não sabe qual é a vontade de Deus; segundo, não tem poder para fazê-la. Você tem dois problemas, e eles o deixam muito nervoso.
Agora, como vamos resolver esse problema? Bem, você não sabe qual é a vontade de Deus: se deve fazer isto ou aquilo, se pode ir lá ou aqui, que decisão deve tomar.
Como vamos lidar com essa situação? Há duas maneiras que tentaremos usar.
Primeiro, a maneira mais fácil é perguntar a outras pessoas. “Eu sou apenas um cristão novo na fé. Você já é cristão há anos. Certamente sabe.”
Então, você procura alguém que é cristão há mais tempo e lhe pergunta. E, de fato, encontra professores em toda parte. Todos nós somos professores natos. Queremos ensinar os outros.
Assim, surge a oportunidade, e você diz: “Bem, isso é fácil. Esta é a vontade de Deus. Faça isto, e tudo estará certo”.
Parece que você resolveu seu problema, mas ele não foi resolvido. Por quê? Porque seu caminho está sendo dirigido pelo homem, e não por Deus.
E há outra maneira: você tenta analisar a si mesmo. Analisa seus pensamentos, procura chegar a uma resposta pelo raciocínio, faz introspecção. Volta-se para si mesmo e tenta analisar, entender, pesar os prós e os contras e chegar a uma conclusão.
Vocês se lembram de Isaías 50? Acho que é o versículo 11. Ou talvez devêssemos ler a partir do versículo 10.
Quem há entre vós que tema ao Senhor,
que ouça a voz do Seu servo,
que ande em trevas e não tenha luz?
Confie no nome do Senhor
e firme-se sobre o seu Deus.Eis que todos vós, que acendeis um fogo
e vos cingis de tições acesos,
andai na chama do vosso fogo
e entre os tições que acendestes.
Isto vos virá da Minha mão;
em tormentos vos deitareis.
Isaías 50:10-11.
Quando estamos em trevas, o que devemos fazer? Se acendermos nossa própria luz e depois andarmos nessa luz, qual será o resultado? Nós nos deitaremos em tormentos.
Sabem, a introspecção e a autoanálise nunca ajudam. Infelizmente, há um ensino por aí que diz: você precisa examinar a si mesmo, voltar até mesmo à sua infância, trazer de volta tudo o que aconteceu em sua vida e se arrepender diante de Deus. Então, tudo estará certo.
Isso é autoanálise. Não ajuda você. Vai levá-lo cada vez mais fundo nisso.
Eu me lembro de um caso real. Havia um homem na China, um líder cristão bem conhecido nos círculos cristãos. Vocês não o conheceriam; eu o conheci, mas ele era de uma época anterior à de vocês.
Ele era rico na China e era escritor. Escrevia livros e era respeitado. Foi durante o período em que surgiu o movimento do Grupo de Oxford. Talvez vocês não saibam o que foi o Grupo de Oxford, porque isso aconteceu há muito tempo.
As pessoas tentavam se tornar perfeitas examinando a si mesmas. Você examinava a si mesmo, arrependia-se de tudo e, então, era perfeito.
Esse homem se envolveu no movimento do Grupo de Oxford. Sempre que se encontrava fisicamente fraco, isso afetava sua mente, e todas as coisas do passado voltavam à sua lembrança. Ele precisava confessar tudo novamente para ter paz, mas não havia paz.
Ele era mais velho que eu, mas eu o conheci, e conversamos. Ele compartilhou comigo o que lhe acontecia. Naquele período, estava novamente fraco fisicamente e passava pela mesma coisa, vez após vez.
Tentei lhe dizer: “Irmão, não. É o sangue do Senhor Jesus que nos purifica de uma vez por todas. Deus perdoa e esquece. Não tente analisar a si mesmo”. Mas ele continuava prisioneiro.
Portanto, esse tipo de ensino, de autoexame, nunca ajuda.
Agora, lembro-me de uma história sobre uma centopeia. Não sei se vocês conhecem a centopeia. Diz-se que ela tem cem pés, e ela anda muito depressa.
Mas, um dia, a centopeia disse: “Bem, quero saber qual das minhas cem pernas se move primeiro”.
Então, ficou parada, tentando descobrir, e acabou imobilizada. Não conseguia mais se mover. Depois de algum tempo, disse: “Desisto”, e saiu andando.
Irmãos e irmãs, quantas vezes somos como uma centopeia! Tentamos analisar a nós mesmos para saber o que é de Deus e o que é de nós mesmos, o que é a vontade de Deus e o que é a nossa vontade.
E, quando fazemos isso, ficamos paralisados. Por isso, vemos muitos bons cristãos paralisados. Esse é o caminho humano. Ele não funciona.
Agora, qual é o caminho de Deus? Qual é o caminho divino? É muito simples, porque o encontramos em Hebreus 4:12.
Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até à divisão da alma e do espírito, das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração.
Por trás dessas palavras, há uma imagem. É a imagem dos judeus, nos tempos antigos, quando ofereciam sacrifícios. Um animal para o sacrifício era levado ao altar e amarrado a ele.
Então, o sacerdote vinha, matava o animal e o colocava sobre o altar. Mas ele o dissecava. Cortava-o em pedaços.
E era tão habilidoso que conseguia fazer o corte exatamente no lugar certo. Sabem, quando sua faca afiada cortava, chegava às juntas. As juntas eram penetradas e cortadas e, quando isso acontecia, a medula dentro dos ossos ficava exposta.
E quanto ao animal oferecido em sacrifício? Ele não tentava matar a si mesmo. Apenas ficava amarrado ali, imóvel, por assim dizer.
E, se fosse um sacrifício voluntário, não haveria resistência, como quando Abraão ofereceu Isaque. Isaque foi um sacrifício voluntário. Foi amarrado e ficou deitado ali, imóvel, simplesmente deixando Abraão usar a faca. E sabemos que Deus o salvou.
Portanto, irmãos e irmãs, vemos aqui que não se trata do que o sacrifício faz a si mesmo. Nós devemos ser o sacrifício, mas um sacrifício vivo.
Embora estejamos vivos, como sacrifício nos deitamos voluntariamente sobre o altar e deixamos que Ele faça a obra. Não tentamos cortar a nós mesmos, porque não fomos treinados. Se cortarmos a nós mesmos, vamos nos cortar de maneira desastrosa, e muitas vezes fazemos isso.
E a espada é a Palavra. A Palavra de Deus é a espada. Ela é afiada.
Mas a palavra escrita que encontramos na Bíblia não é viva e operante apenas por ser palavra escrita. A palavra escrita está ali em letras. Essas palavras são verdadeiras, mas não são afiadas; não são vivas, penetrantes e operantes.
É por isso que, quando lemos a Palavra de Deus, muitas vezes o que lemos são letras. Elas não são espírito e, por serem letras, matam em vez de vivificar.
Mas aqui vemos que a Palavra é viva e operante. O que isso significa?
Significa que esta é a Palavra de Deus, não apenas escrita, mas falada diretamente a você pelo Espírito Santo que habita em você.
Assim, o logos, a palavra escrita, torna-se rhema, a palavra viva. O Espírito Santo habita em nós. Por meio de Sua revelação, de Sua iluminação, Ele lançará luz sobre a Palavra de Deus e a tornará viva.
É como se ela saltasse da página, e ela é operante. Ela age. É por isso que a revelação é tão importante: o espírito de sabedoria e de revelação.
É claro que não podemos ter revelações inteiramente novas fora da Bíblia, porque todas as revelações de Deus estão completas na Palavra escrita.
Mas a palavra escrita precisa ser vivificada pelo Espírito Santo e falada novamente a nós. Deus fala duas vezes. Na primeira vez, Ele fala por meio dos profetas e dos apóstolos.
Mas, na segunda vez, Ele fala a mesma palavra, pelo Espírito Santo, a você e a mim. Então, quando essa palavra vem, ela é viva e operante. Ela age.
E Quem está manejando essa espada? O Espírito Santo.
Por isso, a Bíblia diz que a Palavra é a espada do Espírito. Não é a sua espada. Não é a minha espada.
Muitas vezes, usamos a Palavra de Deus para bater em outros irmãos e irmãs ou para cortá-los; às vezes, cortamos a nós mesmos. Não façam isso, porque não fomos treinados. Não temos experiência.
Deixem que o Espírito Santo faça isso. O Espírito Santo é o Sumo Sacerdote. Ele é perito. Sabe exatamente qual é a vontade de Deus e sabe como tratar com cada um de nós.
Então, quando o Espírito Santo começa a revelar a Palavra de Deus a você, ela penetra e corta. Ela separa a alma e o espírito.
E todas as suas intenções, todos os seus pensamentos, ficam expostos, assim como a medula fica exposta. É claro que sabemos que o osso é a estrutura protetora, e a medula é a verdadeira vida, porque produz sangue. Ela é a verdadeira vida.
Portanto, é a medula que produz vida. A vida surgirá.
Assim, irmãos e irmãs, qual é o caminho de Deus para nos libertar dessas trevas: não saber qual é a vontade de Deus, não saber se algo vem do espírito ou da alma?
Se vem do espírito, é Cristo. Se vem da alma, é o eu. Mas nós não sabemos qual dos dois é.
E, quando você se encontra nesse dilema, o que faz? Não se esforce tanto para analisar a si mesmo. Vá ao Senhor, descanse diante Dele e volte-se para o Seu Espírito.
Deixe que o Espírito Santo, no tempo Dele, revele a vontade de Deus a você. E, quando a Palavra de Deus lhe é revelada, tudo fica tão claro que você sabe o que é de Deus e o que é do homem, o que é do espírito e o que é da sua alma.
E não apenas isso: ela é operante; é poderosa. Ela lhe dá poder para vencer.
Portanto, irmãos e irmãs, a separação entre alma e espírito é outra experiência. E ela vem pela obra do Espírito Santo, por meio da Sua revelação.
Mas, da nossa parte, precisamos exercitar nosso espírito. Porque, se Deus lança Sua luz sobre nosso espírito e não seguimos essa luz, continuaremos andando em trevas.
É por isso que o exercício espiritual é tão importante.
Portanto, irmãos e irmãs, sempre que vocês não souberem qual é a vontade de Deus para vocês, mas tiverem uma pergunta, na verdade essa pergunta é levantada pelo Espírito Santo. Vocês não levantariam essa pergunta por si mesmos.
Então, quando surgir a pergunta, voltem ao Senhor. Deitem-se sobre o altar como sacrifício e esperem que o Espírito Santo use a Palavra de Deus para separar a alma e o espírito de vocês.
Quanto mais vocês aprenderem essa lição, mais facilmente saberão qual é a vontade de Deus.
Vamos orar.
Senhor, entregamos estas palavras em Tuas mãos e confiamos que o Teu Espírito Santo nos conduzirá a essa experiência, para que tenhamos certeza da vontade de Deus e andemos nela. Pedimos em Teu nome.