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THAT THE WORD OF THE LORD MAY RUN AND BE GLORIFIED
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    Spiritual Exercise: Consecration © 2026 Christian Testimony Ministry
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    Spiritual Exercise: Consecration
    Spiritual Exercise: Consecration
    Kaung, Stephen

    O exercício espiritual e a vida consagrada

    Por favor, abram em 1 Timóteo 4:8-10. Vamos ler esses versículos.

    Exercita-te na piedade.
    Porque o exercício corporal para pouco é proveitoso; mas a piedade para tudo é proveitosa, tendo a promessa da vida presente e da que há de vir.
    Fiel é esta palavra e digna de toda aceitação.
    Pois para isso trabalhamos e lutamos, porque temos posto a nossa esperança no Deus vivo, Que é o Salvador de todos os homens, especialmente dos que creem.

    E, por favor, abram em Romanos 12:1-2.

    Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis os vossos corpos como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto espiritual.
    E não vos conformeis com este mundo: mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.

    Vamos fazer uma breve oração.

    Senhor, queremos agradecer-Te porque abriste para nós o caminho para o Santo dos Santos, para que possamos contemplar a Tua beleza e ouvir a Tua voz, adorar-Te e servir-Te.

    Assim, Senhor, entregamos este tempo em Tuas mãos e pedimos que, do Teu trono, a Tua palavra venha até nós. Que a Tua palavra penetre profundamente em nosso coração, dê-nos entendimento e nos conduza à realidade e à verdade da Tua palavra.

    Senhor, Tu nos prometeste que a Tua palavra não voltará para Ti vazia, mas cumprirá o Teu propósito. Por isso, Senhor, pedimos que isso seja verdadeiro e eficaz em cada um de nós. Fala, Senhor; os Teus servos ouvem. Em Teu precioso nome. Amém.

    A importância do exercício espiritual

    Bem, irmãos e irmãs, ainda estamos tratando desse assunto do exercício espiritual. Espero que realmente entendamos como o exercício espiritual é importante. É algo muito básico, mas essencial à nossa vida espiritual.

    A palavra exercitar, em grego, na sua forma verbal, é gymnazo, que significa exercitar-se nu. Isto é, quando você se exercita, precisa tirar todos os casacos pesados para poder realmente se exercitar. A forma substantiva é de onde vem a palavra inglesa gymnasium, que significa ginásio.

    Então, irmãos e irmãs, minha pergunta é: vocês ainda estão no ginásio de Cristo ou já desistiram?

    Espero, irmãos e irmãs, que nenhum de nós seja daqueles que desistem, mas que, diariamente, a cada hora, estejamos no ginásio de Cristo. Porque somente assim temos a promessa da vida eterna. Podemos experimentar a verdadeira vida hoje e também para sempre.

    Então vocês veem o proveito disso. É proveitoso para todas as coisas e é algo que não podemos nos dar ao luxo de negligenciar.

    A consagração como início da vida espiritual

    Agora, desta vez, se Deus quiser, vamos rever juntos quatro lições de exercício espiritual que transformam a vida. A primeira, naturalmente, é a consagração, porque a consagração é a primeira experiência cristã real.

    Se você já creu no Senhor Jesus, deveria ter se consagrado ao Senhor.

    Se você creu no Senhor Jesus como seu Salvador pessoal, foi salvo e recebeu a vida Dele em você, mas ainda não se consagrou ao Senhor, então há algo drasticamente, basicamente, fundamentalmente errado.

    Porque a vontade de Deus é nos salvar para que sejamos Dele e vivamos não apenas para Ele, mas também por meio Dele e para a Sua própria glória.

    Sei que a palavra consagração nos é familiar, e provavelmente você já se consagrou. Mas, quanto mais medito nisso, mais percebo o quanto temos deixado de compreender o verdadeiro significado da consagração.

    As misericórdias de Deus em Romanos

    Vocês sabem, em Romanos, vemos que todo o livro trata da salvação do Senhor. Do capítulo 1 ao capítulo 11 de Romanos, vemos todas as misericórdias de Deus para conosco.

    Éramos pecadores, escravizados à lei do pecado e da morte: sem esperança, sem Deus, sem eternidade. Contudo, Deus, em Seu maravilhoso amor, enviou Seu único Filho a este mundo para nos buscar e salvar.

    Que grande preço Ele pagou pela nossa salvação! Ele não apenas levou nossos pecados em Seu corpo e morreu por eles; Seu sangue foi derramado para a remissão dos nossos pecados. Mas Ele também tomou o velho Adão que há em nós e o crucificou com Ele na cruz do Calvário.

    Assim, vocês veem que a salvação não apenas resolve o problema dos pecados que cometemos, mas também resolve o problema do próprio poder do pecado sobre nós, para que não vivamos pecando o tempo todo. Pelo contrário, podemos vencer o poder do pecado por meio de nosso Senhor Jesus Cristo.

    Somos chamados por Ele; e aos que Ele chamou, também justificou; e aos que justificou, também glorificou. Em outras palavras, Sua salvação para nós é plena. Ele não apenas nos tira da condição de pecadores, mas deseja nos salvar plenamente, para que sejamos conformados à imagem de Seu Filho amado e sejamos coerdeiros com Cristo.

    Queridos irmãos e irmãs, quando vocês pensam na imensidão da salvação que nosso Senhor Jesus nos proporcionou, não podem deixar de ser tocados pelas misericórdias de Deus.

    E, porque somos tocados pelas misericórdias de Deus, Romanos 12:1 começa assim:

    Irmãos, rogo-vos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis os vossos corpos como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus.

    Esse é o seu culto espiritual, o seu serviço racional e inteligente.

    Portanto, é aqui que a vida espiritual realmente começa. A rigor, você não começa sua vida espiritual simplesmente porque tem vida. Você tem vida, sim, porque creu; mas não começa realmente sua vida espiritual até que se consagre ao Senhor.

    Assim, a consagração é a porta da vida espiritual. Você começa com a consagração.

    Comprados por Cristo

    E vocês sabem que, segundo a palavra de Deus, vocês não pertencem a si mesmos; foram comprados por um preço. Isso está em 1 Coríntios 6:19-20.

    Antes, éramos escravos do pecado. Éramos escravos do inimigo de Deus, Satanás. Estávamos em escravidão. Mas, graças a Deus, nosso Senhor Jesus veio e nos libertou.

    Mas, ao nos libertar, Ele pagou o mais alto preço por nossa alma. Como diz a Bíblia, fomos comprados por um preço. Ele nos comprou, por assim dizer, para nos tirar da escravidão, e nos comprou para Si mesmo.

    É por isso que a Bíblia diz, em 1 Coríntios 6:19-20:

    Não sois de vós mesmos.
    Fostes comprados por um preço.

    Agora vocês pertencem a Cristo, a Deus. Antes, pertenciam a Satanás. Ele dirigia a vida de vocês; ele a controlava. Que sofrimento era aquilo!

    Mas agora você foi liberto por nosso Senhor Jesus. Contudo, essa liberdade não significa que agora você está livre para fazer tudo o que quiser. Porque, se for assim, mais cedo ou mais tarde você perceberá que está voltando ao seu antigo senhor. Estará novamente sob a escravidão do pecado e da morte; estará novamente sob o domínio de seu senhor, Satanás.

    É por isso que, quando nosso Senhor Jesus nos salvou da escravidão do pecado, Ele nos salvou para Si mesmo, para que estivéssemos sob outro tipo de servidão — uma servidão benevolente, misericordiosa, gloriosa. Isto é, Ele nos une a Si mesmo.

    Então, irmãos e irmãs, ao sermos movidos pelas misericórdias de Deus, o que devemos fazer? Simplesmente aceitar a salvação que Ele nos proporcionou e seguir vivendo nossa própria vida? Se for assim, voltaremos ao nosso antigo senhor, Satanás. Estaremos novamente sob a escravidão do pecado e da morte, sem esperança.

    Mas graças a Deus por Sua maravilhosa provisão: Ele nos comprou para Si mesmo. Contudo, curiosamente, vocês sabem, quando Ele nos comprou para Si por tão alto preço, Ele nos libertou.

    Por direito, somos Dele. Mas Ele não quis lidar conosco com base em direitos legais. Ele nos libertou e diz: “Você pode ir e fazer o que quiser. Mas, se realmente for constrangido pelo Meu amor, voltará, se entregará a Mim e dirá que deseja ser Meu escravo por amor por toda a vida”.

    A servidão por amor

    Vocês sabem, antigamente, entre os filhos de Israel, se um hebreu se vendesse a outro hebreu, serviria ao seu senhor durante seis anos. Mas, no sétimo ano, era libertado; podia sair livre.

    Mas, se amasse seu senhor e a família de seu senhor, diria: “Não quero sair livre. Quero ser seu escravo para sempre”. Então ele seria levado à porta e teria a orelha furada, como sinal de que seria escravo de seu senhor para sempre. Mas isso acontecia por amor, não por direitos legais. Portanto, aquele serviço seria diferente.

    Por que a orelha era furada? Isso mostra como os ouvidos são importantes para ser um verdadeiro servo de Deus: ouvir a Ele.

    Assim, irmãos e irmãs, se somos constrangidos pelo amor de Cristo — e suponho que sejamos —, a primeira resposta às Suas misericórdias é apresentar nosso corpo como sacrifício vivo.

    O significado de um sacrifício vivo

    Por que o corpo? Porque vivemos por meio do corpo. Na verdade, isso significa todo o nosso ser: um sacrifício vivo.

    Vocês sabem, os sacrifícios de antigamente eram todos sacrifícios mortos. Se você quisesse oferecer um sacrifício a Deus, isso significava que o cordeiro, o bode ou o touro sairia de suas mãos. Você o apresentava voluntariamente a Deus, o matava e o queimava sobre o altar. Aquilo era um sacrifício, tirado de suas mãos e entregue a Deus, e tudo era feito por gratidão.

    Mas hoje, nos tempos do Novo Testamento, é diferente. Não se trata apenas de algo que pertence a você. Todo o seu ser foi comprado, e você deseja entregar todo o seu ser a Deus, tirando-o de suas próprias mãos e entregando-o a Ele.

    Em outras palavras, o verdadeiro significado da consagração não é entregar-se a Deus para servi-Lo por si mesmo, mas entregar-se a Deus e permitir que Ele tenha você para Si.

    Vocês sabem, quando pensamos em consagração, sempre pensamos em serviço, e isso está incluído. Nós nos consagramos a Deus para servi-Lo. Antes, servíamos a Satanás, o inimigo de Deus; servíamos ao pecado. Mas agora queremos servir a Deus, e nos entregamos a Ele para servi-Lo.

    Mas, fundamentalmente, esse não é o verdadeiro significado da consagração. O verdadeiro significado da consagração é abrir mão do direito sobre si mesmo.

    Você se entrega a Deus como sacrifício e vive diariamente para Ele e segundo a Sua vontade. Em outras palavras, você entrega a Ele o controle sobre si mesmo e permite que Ele controle sua vida, torne sua vida maravilhosa e gloriosa e a transforme à imagem de Cristo. Isso é o que a consagração realmente é.

    A consagração como experiência de toda a vida

    Mas, quando você realmente pensa nesse assunto da consagração, percebe que ela não é apenas um ato. Isto é, quando você é constrangido pelas misericórdias de Deus, entrega-se e apresenta seu corpo como sacrifício vivo, e pronto — um único ato. Não.

    Quando você examina esse assunto de fato, a consagração é uma experiência de toda a vida. Ela tem uma porta — isto é, há um momento em que você entra —, mas depois continua se apresentando ao Senhor.

    Vocês sabem, nos tempos do Antigo Testamento, quando pensamos em todos aqueles sacrifícios, havia o sacrifício diário: pela manhã, um cordeiro; à tarde, um cordeiro. Depois, no início do mês, acrescentavam-se mais sacrifícios ao sacrifício diário. Se houvesse uma festa, acrescentavam-se ainda mais sacrifícios.

    Em outras palavras, a consagração é uma experiência crescente. É uma experiência diária.

    Assim, quando chegamos a esse assunto do sacrifício, da consagração, vocês sabem que a Bíblia diz que ele é santo. Santo significa simplesmente separado. Ao apresentarem o corpo como sacrifício vivo, vocês são separados.

    Separados de quê? Não apenas separados do mundo, mas também separados de si mesmos. É santo — santo para Deus —, saindo de suas próprias mãos e passando às mãos de Deus, agradável a Deus.

    Vocês sabem, queremos ser agradáveis a Deus. Como? A primeira coisa, a mais importante, é apresentar o corpo como sacrifício vivo. Então vocês sabem que são agradáveis a Deus. Se não fizeram isso, ainda que tentem servi-Lo de alguma maneira, esse serviço não é agradável a Ele.

    E esse é o seu culto espiritual. É aí que a verdadeira adoração começa. Também é o seu serviço inteligente: vocês servem a Deus com entendimento, segundo a Sua vontade.

    Portanto, a consagração é algo muito importante em nossa vida espiritual, e é algo de todos os dias. Não podemos dizer: “Já me formei em consagração. Isso ficou para trás. Estou mais avançado do que isso”. Nunca. Você vai entrando cada vez mais profundamente nesse assunto da consagração — mais e mais profundamente.

    As etapas da consagração

    Assim, gostaríamos de compartilhar juntos esse assunto da consagração com base em nossa experiência e, naturalmente, também com base na palavra de Deus: o que a consagração realmente é e, quando de fato nos consagramos, que tipo de vida viveremos e que tipo de serviço prestaremos até a vinda do Senhor.

    De modo geral, a consagração pode ser dividida em três etapas.

    A etapa inicial da consagração

    A primeira é a etapa inicial da consagração. Essa etapa inicial acontece depois de sermos salvos, quando somos realmente movidos pelo Espírito de Deus e constrangidos pelo Seu amor. Percebemos que fomos redimidos e não podemos mais viver para nós mesmos. Queremos viver para Deus. Queremos servir a Deus. Por isso, apresentamos nosso corpo como sacrifício vivo.

    Essa é nossa experiência inicial de consagração. E talvez, depois disso, o que fazemos? Bem, tentamos fazer coisas para Deus. Tentamos servir a Deus da melhor maneira que podemos.

    Lembro-me de quando fui salvo. Fiquei tão tocado pelo amor de Deus, tão agradecido. Durante um ano, eu estivera sob o peso do pecado, e agora esse peso havia sido removido. Eu estava livre. Estava tão agradecido a Deus.

    Então, no último dia daquela conferência — isso foi lá em 1930 —, o pastor começou a falar sobre consagração. Ele disse: “Se vocês realmente amam o Senhor, então devem servi-Lo como pregadores, evangelistas ou obreiras bíblicas. Vocês precisam expressar seu amor ao Senhor”.

    Havia um enorme mapa da China pendurado na parede, e ele disse: “Vocês podem escolher onde querem servir. Venham aqui e apontem com o dedo para o lugar onde desejam servir”. Eu tinha apenas quinze anos. Estava tão cheio do amor de Deus e, naturalmente, do entusiasmo da juventude. Subi à plataforma e apontei com o dedo para a Mongólia.

    Bem, esse era o meu plano para servir a Deus. E eu estava falando sério, porque me preparei para isso. Era meu último ano do ensino médio. Procurei obter todas as informações sobre a Mongólia e, depois de me formar, escolhi minha escola bíblica. Eu achava que precisava me preparar para fazer aquilo.

    Mesmo enquanto ainda estava no ensino médio, comecei a servir a Deus. Dirigia reuniões, dirigia reuniões de oração, pregava e também ia ao interior evangelizar.

    Eu servia a Deus à minha maneira. Servia a Deus da melhor maneira que conhecia e com todos os talentos que tinha. Naquele momento, isso era tudo o que eu entendia sobre consagração.

    O eu consagrado

    Mas isso é realmente consagração? Deixem-me contar a história da senhora Jessie Penn-Lewis. Acho que muitos de vocês devem conhecer seu nome. Ela foi grandemente usada por Deus.

    Quando tinha cerca de vinte anos, um dia ela estava muito inquieta com a vinda do Senhor. Então pegou uma pequena Bíblia que tinha e a abriu sem muito cuidado. Seus olhos caíram em Isaías 53:6.

    O Senhor fez cair sobre Ele a iniquidade de nós todos.

    Então ela virou as páginas novamente, e seus olhos caíram em João 6:47:

    Aquele que crê tem a vida eterna.

    E ela foi salva. Foi assim que a senhora Penn-Lewis foi salva.

    Depois de ser salva, ela se tornou muito zelosa. Naquela época, a Associação Cristã de Moças, a YWCA, estava apenas começando, e ela colaborava ali e dirigia classes bíblicas. O Senhor a usou para levar algumas moças a Ele.

    Depois, ela passou a desejar o poder do alto. Então orou para que o Senhor a revestisse de poder do alto, assim como Pedro no dia de Pentecostes, quando ele falou e três mil pessoas foram salvas.

    Certa manhã — não sei se foi um sonho ou uma visão —, ela viu uma mão, e naquela mão havia um monte de trapos imundos. Então uma voz lhe disse: “Isso é todo o seu trabalho dos anos passados”.

    Ora, se você ouvisse isso, qual seria sua reação? Ela disse: “Senhor, eu me consagrei a Ti. Tudo isso é trabalho consagrado”.

    Então ela ouviu uma voz: “Sim, mas esse é o seu eu consagrado”.

    Vocês entenderam? Sim, tudo aquilo era seu trabalho consagrado, mas era o eu consagrado. Em outras palavras, era ela mesma. Ela orava por aquilo, trabalhava por aquilo e usava seu próprio talento para aquilo. Tudo vinha dela mesma.

    Então ela disse que ouviu uma voz: “Crucificado”.

    Irmãos e irmãs, ao ler isso, comecei a perceber que era isso que a consagração significava para mim. Eu havia consagrado minha vida a Deus. Queria servi-Lo. Usava meus próprios planos e meus próprios talentos. Tudo vinha de mim, não de Deus.

    Sim, o Senhor até abençoava em certa medida, mas o Senhor disse: “É você consagrado. É você. Não sou Eu”.

    E isso transformou a vida dela. Vocês sabem, sua mensagem era a cruz. Essa era sua mensagem especial. Ela compreendeu isso.

    Então, irmãos e irmãs, nós não entendemos realmente o que é consagração. Em primeiro lugar, pensamos que consagração é trabalhar para Deus, e isso está errado. Consagração é permitir que Deus trabalhe em você.

    Em segundo lugar, tentamos servir a Deus com nosso próprio eu — nossa própria mente, nossos próprios pensamentos, nossos próprios planos, nossa própria força, nossos próprios talentos.

    Vocês sabem, quando cantamos aquele famoso hino, “Toma minha vida e faze-a consagrada, Senhor, a Ti”, pensamos que realmente devemos usar nosso talento para Ele. Se eu fosse uma pessoa talentosa para administrar, então deveria servir como presbítero. Usamos nossos próprios talentos. É isso que somos incentivados a fazer: use seus talentos; coloque todo o seu ser nisso.

    Irmãos e irmãs, vocês acham que Deus aceitará nosso velho homem, nós mesmos, nossa carne, para servi-Lo? Não, a menos que sejamos crucificados.

    Crucificados para quê? O mais importante é crucificar o eu. Se o seu eu não for crucificado, nada estará crucificado.

    A consagração crucificada

    Assim, eu diria que a etapa inicial da consagração geralmente se encontra nessa esfera. Temos boas intenções, mas perdemos inteiramente o sentido da questão.

    Porque, quando você realmente começa a entrar na consagração, chega à segunda etapa. Não tenho uma expressão melhor para isso. Eu a chamo de consagração crucificada.

    Em outras palavras, Deus vai conduzindo você até que chegue a uma crise, e essa crise o leva a experimentar a cruz de maneira mais profunda.

    Lembro-me de que, quando estava na faculdade, o Senhor começou a me revelar Seu caminho, e eu procurava obedecer a tudo o que o Senhor me mostrava.

    O Senhor começou uma obra na cidade onde eu estudava. Deus reuniu sete irmãos e irmãs, e sentimos que Ele nos conduzia a seguir o Senhor segundo a Sua vontade. O Senhor começou a abençoar.

    Mas havia uma grande luta dentro de mim. Eu queria seguir o Senhor até o fim, mas podia ver como isso era difícil. Então eu vacilava. Era como se estivesse com um pé em cada barco, e os dois barcos fossem se afastando pouco a pouco. Eu estava nessa situação.

    Então, naquele momento, um irmão veio e falou sobre o capítulo 14 de Lucas. O Senhor disse, em Lucas 14:26, segundo uma tradução estrita:

    Se queres seguir-Me, se não aborreces teu pai, tua mãe, teus filhos, tua esposa, teu marido e a ti mesmo, não podes ser Meu discípulo.

    Se não estás disposto a renunciar a tudo, não podes ser Meu discípulo.
    Se estás construindo uma torre, deves primeiro sentar-te e calcular o custo, para ver se podes concluí-la.
    Se vais combater um inimigo que vem com vinte mil, e tens apenas dez mil, estás disposto a calcular o custo?

    A essência da mensagem era: calcule o custo.

    Depois que ouvi a mensagem, após o almoço, estávamos sentados descansando, e eu estava orando. Disse: “Senhor, talvez meu problema seja que nunca calculei realmente o custo. Sim, eu respondi a Ti, entregando-me a Ti por amor e emoção, mas nunca me sentei para calcular o custo. Agora vou fazer isso”.

    Então comecei a calcular o custo e, quanto mais tentava calculá-lo, mais alto ele se tornava. Satanás lançava todo tipo de pensamento em minha mente: “Vou ser expulso da universidade. Vou ser rejeitado pela minha família. Vou morrer”. E eu disse ao Senhor que não conseguia fazer aquilo. Simplesmente não conseguia.

    Mas foi ali que vi o Senhor vindo até mim, estendendo Sua mão ensanguentada e dizendo: “Fiz tudo isso por você. O que você fez por Mim?”

    Isso me quebrantou. Eu disse ao Senhor: “Tudo”. Mas não foi tão fácil. Depois de fazer aquela promessa ao Senhor, durante três dias e três noites não consegui dormir. Eu ia às aulas, mas não conseguia ouvir o que o professor dizia.

    Mas, finalmente, o Senhor resolveu a questão. E aquilo marcou uma mudança em minha vida: a consagração crucificada.

    O senhorio de Cristo

    Vocês conhecem a história de F. B. Meyer, um jovem pastor brilhante que amava o Senhor. Certa vez, dois dos Sete de Cambridge o visitaram.

    Vocês conhecem os Sete de Cambridge. Isso aconteceu no século XIX: sete estudantes e formados famosos da Universidade de Cambridge. Não eram pessoas comuns. C. T. Studd, por exemplo, era o melhor jogador de críquete da Inglaterra. Eles haviam sido salvos e foram movidos por Deus a ir à China como missionários, e isso agitou o mundo cristão na Inglaterra naquela época.

    Um dia, C. T. Studd e Stanley Smith, dois deles, visitaram F. B. Meyer quando ele era pastor em Melbourne Hall, em Leicester.

    Era novembro, por volta das sete horas da manhã. Fazia muito frio e ainda estava escuro. F. B. Meyer percebeu que havia luz, uma vela acesa, no quarto onde C. T. Studd estava hospedado. Então ficou um pouco preocupado. O que teria acontecido?

    Ele esperou e esperou, mas não conseguiu se conter. Então bateu à porta. “Entre”, veio a resposta. Ele entrou e viu C. T. Studd envolto em cobertores, porque fazia muito frio, estudando a Bíblia.

    Então F. B. Meyer disse: “Você está de pé cedo”. C. T. Studd respondeu: “Eu amo o Senhor e estou examinando as Escrituras em busca dos Seus mandamentos”.

    Ora, irmãos e irmãs, nós examinamos as Escrituras em busca das Suas promessas, não dos Seus mandamentos. Mas ele examinava as Escrituras em busca dos Seus mandamentos.

    F. B. Meyer ficou tocado. Disse que C. T. Studd tinha algo que ele não tinha. Ele não tinha aquela paz, aquele descanso, aquela vida vitoriosa. Então perguntou a C. T. Studd: “Qual é o segredo?”

    C. T. Studd simplesmente disse: “Consagre-se ao Senhor”. “Naturalmente, já fiz isso.” “Não. Vá ao Senhor. Apresente-se ao Senhor com tudo o que há em você. Considere cada coisa da sua vida e entregue-a ao Senhor.”

    Ele não havia feito isso, então disse que faria. F. B. Meyer começou a fazê-lo. Foi ao Senhor em oração e, uma por uma, entregou ao Senhor todas as coisas de sua vida.

    Mas havia algo que não conseguia entregar. Então reteve aquilo. Ele disse que o Senhor veio, e ele entregou ao Senhor um molho de chaves — as chaves de todos os seus cômodos, exceto uma pequena chave.

    E o Senhor balançou a cabeça e disse: “Não”.

    Então F. B. Meyer tentou negociar com o Senhor. “Eu Te prometo isto e Te prometo aquilo.” Mas o Senhor disse: “Não”. Então veio aquela famosa palavra: “Se Eu não sou Senhor de tudo, não sou Senhor de nada”.

    E o Senhor se afastou. Em seu desespero, F. B. Meyer clamou com outra frase famosa: “Senhor, faze-me disposto a ser tornado disposto”.

    Então ele disse que o Senhor veio e tomou tudo, inclusive a pequena chave. E dedicou tempo a limpar cada cômodo.

    Irmãos e irmãs, essa é a história da consagração crucificada. Quando você se consagra ao Senhor pela primeira vez, fica cheio de alegria. Mas, quando realmente chega à consagração em si, não tem alegria. Você passa pelo vale de lágrimas.

    Mas é ali que a vida consagrada começa. Portanto, a terceira etapa é a vida consagrada.

    A vida consagrada

    Isso não significa que, depois disso, não haverá mais quedas. Não. Não temos segurança em nós mesmos; nossa segurança está em Cristo. Somente Ele pode nos preservar.

    Mas, fundamentalmente, o grande obstáculo foi superado, e você consegue viver uma vida realmente consagrada ao Senhor.

    A vida consagrada do apóstolo Paulo

    Isso nos leva a Paulo. Vocês conhecem Paulo — que jovem extraordinário ele era! Os jovens de sua época buscavam fama e riqueza neste mundo, mas ele era diferente. Quando jovem, ele pensava que era espiritual.

    Como judeu ortodoxo, recebeu formação em sua família até ir a Jerusalém e se tornar aluno de Gamaliel, o rabino mais famoso daquela época. Estudou com Gamaliel e se tornou fariseu.

    Hoje, quando ouvimos a palavra fariseu, pensamos: “Hipócrita”. Mas ele era um verdadeiro fariseu. Fazia o máximo que podia para cumprir a lei em cada detalhe.

    Mas estava sob a influência da tradição dos pais. Era zeloso por sua religião, por isso perseguia os que criam em Cristo, porque considerava Cristo um impostor no judaísmo.

    E ele levava isso a sério. Prendia pessoas e as condenava à morte. Quando Estêvão foi apedrejado, ele estava ali como uma das principais testemunhas.

    Meus irmãos e irmãs, Deus sabia que seu coração era sincero. Então Deus permitiu que ele fosse tão longe quanto pudesse, até que se dirigiu a Damasco com cartas do sumo sacerdote para prender os crentes, levá-los a Jerusalém e condená-los.

    Então uma luz mais brilhante que o sol do meio-dia resplandeceu ao seu redor. Ela o derrubou por terra, e ele ouviu uma voz:

    Saulo, Saulo, por que Me persegues?
    Duro é para ti recalcitrar contra o aguilhão.

    Era uma voz suave, uma voz de compaixão e amor. Era para o bem dele: “Não faça isso. Mude de direção”. E, graças a Deus, ele mudou de direção. A partir daquele momento, tornou-se o apóstolo Paulo.

    Olhem para sua vida. Há um livro que nos mostra sua vida, o segredo de sua vida: a carta aos Filipenses. Nessa carta, ele nos mostra como viveu uma vida entregue ao Senhor.

    Em Filipenses 1:21, ele disse:

    Porque para mim o viver é Cristo.

    Já não sou eu quem vive. Não sou eu, Paulo, quem consegue viver essa vida; é Cristo Quem vive em mim.

    No capítulo 2 de Filipenses, ele tem a mente de Cristo, mansa e humilde. Chamava a si mesmo de principal dos pecadores e de menor dos apóstolos.

    Essa era sua busca. Ele considerava todas as coisas como perda por causa da excelência do conhecimento de Cristo Jesus.

    E, em Filipenses 4:13, ele encontrou em Cristo toda a sua suficiência:

    Tudo posso Naquele Que me fortalece.

    Uma vida consagrada.

    Irmãos e irmãs, essa é a vontade de Deus — não apenas para Paulo, mas para todos.

    Talvez não sejamos escolhidos para ser como o grande apóstolo Paulo, mas todos fomos escolhidos para viver para Cristo, em Cristo e como Cristo.

    Isso é a vida cristã, e ela só pode ser vivida por meio da consagração.

    A continuidade da consagração

    Assim, queridos irmãos e irmãs, talvez vocês tenham se consagrado ao Senhor há cinco ou dez anos, mas ainda estão vivendo essa vida consagrada? E quanto a hoje?

    Isso é algo que precisamos examinar em nós mesmos. Somente exercitando nosso espírito podemos ter essa vida consagrada. Portanto, que o Senhor tenha misericórdia de nós.

    Querido Senhor, livra-nos de apenas tocar a superfície da Tua verdade e leva-nos às profundezas da Tua palavra.

    Senhor, confessamos que muitas vezes pensamos saber o que somos, mas Tu és o único Que sabe exatamente onde estamos.

    Por isso, queremos simplesmente nos apresentar a Ti e pedir que a Tua luz brilhe sobre nós. Tira-nos de nós mesmos e leva-nos para dentro de Ti. Dá-nos uma vida de consagração para o louvor da Tua glória. Em Teu precioso nome. Amém.