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    The Crisis of Discipleship © 2026 Christian Testimony Ministry
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    The Crisis of Discipleship
    The Crisis of Discipleship
    Kaung, Stephen

    Discipulado: o Custo, a Crise e a Graça de Seguir a Cristo

    Leituras Bíblicas

    Mateus 8:18-23

    E Jesus, vendo grandes multidões ao Seu redor, deu ordem para passarem à outra margem.
    E, aproximando-se um escriba, disse-Lhe: Mestre, seguir-Te-ei para onde quer que fores.
    E Jesus lhe disse: As raposas têm covis, e as aves do céu têm ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça.
    E outro dos discípulos Lhe disse: Senhor, permite-me ir primeiro sepultar meu pai.
    Mas Jesus lhe disse: Segue-Me; e deixa aos mortos o sepultar os seus próprios mortos.
    E, entrando Ele num barco, os Seus discípulos O seguiram.

    Lucas 9:61-62

    E outro também disse: Seguir-Te-ei, Senhor; mas permite-me primeiro despedir-me dos que estão em minha casa.
    Mas Jesus lhe disse: Ninguém que lança mão do arado e olha para trás é apto para o reino de Deus.

    João 6:59-69

    Estas coisas disse Ele na sinagoga, ensinando em Cafarnaum.
    Muitos, pois, dos Seus discípulos, ouvindo isto, disseram: Duro é este discurso; quem o pode ouvir?
    Mas Jesus, sabendo em Si mesmo que os Seus discípulos murmuravam a respeito disso, disse-lhes: Isto vos faz tropeçar?
    Que será, então, se virdes o Filho do Homem subir para onde primeiro estava?
    O espírito é o que vivifica; a carne para nada aproveita: as palavras que vos tenho dito são espírito e são vida.
    Mas há alguns de vós que não creem. Pois Jesus sabia desde o princípio quem eram os que não criam e quem O havia de trair.
    E disse: Por esta razão vos tenho dito que ninguém pode vir a Mim, se pelo Pai não lhe for concedido.
    A partir disso, muitos dos Seus discípulos voltaram atrás e já não andavam com Ele.
    Disse, então, Jesus aos doze: Quereis vós também retirar-vos?
    Respondeu-Lhe Simão Pedro: Senhor, para quem iremos? Tu tens as palavras da vida eterna.
    E nós temos crido e sabemos que Tu és o Santo de Deus.

    Oração Inicial

    Nosso Pai, queremos de fato agradecer-Te por nos dares mais uma oportunidade de nos reunirmos aqui em Teu nome. Senhor, prezamos a Tua presença mais do que qualquer outra coisa.

    Tu nos fizeste uma promessa, e sabemos que és fiel ao que prometeste. Assim, ao nos reunirmos aqui nesta manhã, contamos com a Tua fidelidade.

    Os homens nada podem fazer. Reconhecemos que somos pessoas para quem isso é impossível, mas Tu és o Deus para Quem tudo é possível. Por isso, vimos diante de Ti e nos colocamos aos Teus pés.

    Remove de nós tudo o que possa impedir o Teu falar. Dá-nos o espírito de sabedoria e de revelação, para que possamos verdadeiramente conhecer-Te; pois conhecer-Te é a vida eterna.

    Senhor, fala conosco. Fala ao mais profundo do nosso coração. Remove todos os impedimentos que há em nós e faz livremente tudo o que desejares fazer, para que a Tua vontade se cumpra e a Tua glória se manifeste.

    Pedimos em Teu precioso nome. Amém.

    O Chamado ao Discipulado ao Longo de Toda a Vida

    Graças a Deus por nos reunir nesta manhã. Por um lado, lamentamos porque Ele ainda não veio. Mas, por outro, somos gratos, porque Ele nos conhece e quer que estejamos preparados. Assim, com o coração cheio de gratidão, nos reunimos nesta manhã.

    Nesta manhã, continuamos tratando do discipulado. Recentemente, tenho sentido a importância do discipulado, pois ele não é algo de que possamos falar e depois esquecer.

    O discipulado não é apenas um chamado geral a todos os crentes. Todos os crentes são chamados a ser Seus discípulos. Ninguém está isento.

    Além disso, esse chamado ao discipulado é um chamado para toda a vida. Não é que, ao crer no Senhor Jesus, você seja chamado a ser Seu discípulo e, mais tarde, se forme e deixe essa condição para trás. Você nunca deixa de ser Seu discípulo; isso não existe. Segundo a Palavra de Deus, esse chamado ao discipulado é um chamado para toda a vida.

    Somos sempre discípulos de Cristo. Continuamos aprendendo dEle, até que o propósito de Deus se cumpra em nós.

    Já mencionamos o significado do discipulado. Quando fui salvo, pensei que o discipulado fosse um chamado para servir a Deus. Em meu zelo juvenil, ofereci-me a Ele para servi-Lo. Mas eu não entendia que o discipulado não é um chamado para servir.

    É verdade que todos os que creem no Senhor Jesus devem servir ao Senhor Jesus. Mas, antes de podermos servi-Lo, há algo mais que precisamos compreender. Se não aprendermos dEle, não poderemos servi-Lo.

    Porque Ele é o Deus glorioso, ninguém pode servi-Lo sem primeiro aprender dEle. Portanto, o discipulado é, antes de tudo, o Senhor dizendo: “Venha, siga-Me e aprenda de Mim”.

    Depois de segui-Lo e aprender dEle, você é capaz de servi-Lo. Enquanto O servimos, vamos aprendendo ao longo do caminho. Isso não significa que você termine de aprender e só então comece a servi-Lo. Você O serve na medida em que aprendeu dEle e, enquanto O serve, continua aprendendo dEle.

    Isso é o discipulado. Não é algo que você considera uma vez e depois deixa para trás. Na verdade, quanto mais você aprende dEle, mais há para aprender.

    Levando isso ao extremo, não é apenas hoje que aprendemos dEle; na eternidade, continuaremos aprendendo dEle, porque Ele é o Deus infinito. Não há fim nEle. Nosso aprendizado dEle é eterno.

    Ora, isso não é empolgante? É realmente uma busca da mais alta glória.

    O Custo Pago por Cristo

    Sendo um chamado tão santo, elevado e celestial, ele necessariamente tem um custo. Não se trata de algo barato e insignificante. Somos chamados a ser como Ele. Somos chamados a ser conformados à Sua imagem. É um chamado tão glorioso, e ele tem um custo.

    Mas, antes de considerarmos o custo, consideremos primeiro o custo suportado por Aquele que nos chama.

    Ao pensarmos em nosso Senhor Jesus, quanto mais pensamos nEle e no que Lhe custou vir até nós e nos chamar para segui-Lo, mais percebemos o preço que Ele pagou.

    Ele, que era igual a Deus — Ele é o próprio Deus —, ainda assim esvaziou-Se. Não temos como compreender a dimensão desse esvaziamento.

    Ele é a plenitude da Divindade. Tudo o que você pode conceber a respeito de Deus, isso é o que Ele é. E, ainda assim, esvaziou-Se. É verdade que Ele não podia esvaziar-Se de Sua divindade, mas esvaziou-Se de tudo o que acompanhava Sua divindade.

    Ele deixou Sua glória. Deixou Seu trono. Deixou Sua autoridade. Deixou tudo o que O cercava e veio a este mundo — não apenas para ser homem, mas para ser um homem segundo o coração de Deus, com a atitude de um escravo.

    Um escravo de Deus é alguém que vive para Deus e serve a Deus. Não tem direitos próprios. A única pergunta é: “Qual é a vontade de Deus?”. Ele foi obediente até a morte, sim, a morte de cruz.

    Esse é o custo que Ele pagou. Tendo pago um custo tão imenso, Ele nos chama a ser Seus discípulos.

    Não importa quanto lhe custe ser Seu discípulo, esse custo não pode ser maior do que aquilo que Ele pagou por nós.

    Quando considerarmos o custo suportado por Aquele que nos chama, seremos constrangidos pelo amor de Cristo. Começaremos a perceber que, na verdade, isso não nos custa nada.

    Além disso, aquilo que nos custa é para o nosso bem. Em última análise, o discipulado lhe custa a vida do seu ego — a sua vida caída. Você perceberá que se trata de uma maravilhosa libertação, e não de um custo pesado.

    Irmãos e irmãs, se o discipulado lhes custa alguma coisa, lembrem-se de que vale a pena, porque ele os transformará, levando-os do ego a Cristo. Pode haver libertação mais maravilhosa do que essa?

    Se pudermos compreender isso, o custo não será nada, e o pagaremos com alegria. Além disso, é a graça que nos capacita a pagar o custo.

    Do princípio ao fim da nossa vida cristã, é graça sobre graça.

    A Crise do Discipulado

    Irmãos e irmãs, espero que isso estabeleça um fundamento para toda a compreensão do discipulado. Nesta manhã, gostaríamos de considerar a experiência prática do discipulado: a crise do discipulado.

    Quando o chamado ao discipulado chega até nós, ele nos desafia. Por ser um desafio, cria uma crise em nossa vida.

    Ao olhar para o início de sua vida cristã, talvez você se lembre de que a época em que foi salvo foi bastante intensa. Talvez você estivesse sob uma profunda consciência de pecado.

    Quando eu era jovem, vinha de uma família cristã. Exteriormente, eu não era um menino mau. Era amigável com todos e pensava que, comparado às pessoas do mundo, eu era muito melhor.

    Embora soubesse intelectualmente que Jesus é o Salvador dos pecadores, eu abria uma exceção para mim mesmo, porque me considerava bom. Que Ele salvasse os necessitados; eu não precisava de Salvador algum. Essa era minha atitude antes de ser salvo.

    Mas Deus tinha uma maneira de tratar comigo. De algum modo, o Senhor permitiu que eu passasse por uma situação: fiquei gravemente doente, à beira da morte. Humanamente falando, eu estava quase morrendo.

    Eu era jovem e não queria morrer. Então orei e pedi a Deus que me salvasse. É claro que minha família e meus amigos oraram por mim.

    Depois de alguns meses, recuperei-me. Naturalmente, pensei: “Deus me curou e me salvou. Quero fazer alguma coisa para retribuir Sua bondade”. Então comecei a participar ativamente do serviço cristão.

    Na verdade, eu dirigia reuniões de oração antes de ser salvo. Até pregava antes de ser salvo. Orava usando materiais reunidos de livros e pregava aquilo que havia lido de outros pregadores. Pensava que estava retribuindo a Deus.

    Mas, graças a Deus, enquanto tentava servi-Lo, fui tomado por uma consciência de minha pecaminosidade. Ninguém falou diretamente comigo. As pessoas pensavam que eu era um bom cristão, mas o Espírito Santo começou a trabalhar em mim.

    Não consigo explicar, mas sentia que, do alto da cabeça à planta dos pés, eu estava cheio de pecado. A consciência de pecado pesava tanto sobre mim. Às vezes, ainda jovem, eu ficava sentado sozinho, chorando: “Quero ser salvo. Preciso ser salvo”.

    Durante um ano inteiro, busquei intensamente. Naquela época, grandes pregadores vinham a Xangai e pregavam na igreja de meu pai. Eu os ouvia e era tocado. Atendi ao apelo muitas vezes, mas depois nada acontecia.

    Durante um ano inteiro, fiquei buscando. Queria ser salvo. Pela graça de Deus, depois de um ano inteiro de busca, fui salvo.

    Quando fui salvo e o pregador disse: “Ofereça-se a Deus e sirva a Ele”, é claro que eu estava pronto. Ofereci-me a Deus. Eu estava servindo a Deus à minha maneira.

    Naquela época, não considerei custo algum. Estava tão tocado pelas misericórdias de Deus. O que quer que Deus quisesse que eu fizesse, eu estava pronto. Não calculei o custo de modo algum.

    Isso não aconteceu também com muitos de vocês? Foi assim que começaram. Vocês nunca consideraram o custo do discipulado, porque, naquele momento, seus olhos estavam no Senhor, não em vocês mesmos.

    Se isso pudesse continuar para sempre, seria ótimo. Mas, infelizmente, muito depressa começamos a perceber quem éramos. Foi então que a questão do custo começou a surgir em nossa vida. Quando nosso primeiro amor esfriou, essa questão do custo começou a se tornar um problema.

    Foi por ser fiel que Deus nos deu o Espírito Santo. O Espírito Santo, que habita em nós, é fiel à Sua missão, porque Sua missão é nos transformar, levando-nos de nós mesmos a Cristo.

    Ele precisa tratar conosco. Precisa nos mostrar onde estamos errados e de quais coisas precisamos ser libertos. Há muitas coisas que precisamos abandonar e muitas que precisamos assumir.

    O Espírito Santo é tão fiel e tão terno, porque trata conosco segundo Sua sabedoria. Ele não começa de uma só vez com algo grande; se fosse assim, recuaríamos imediatamente.

    Geralmente, Ele trata primeiro de algo pequeno. Começa com alguns de nossos hábitos.

    O Tratamento do Espírito Santo nas Pequenas Questões

    Talvez, antes de crer no Senhor Jesus, você tivesse certos hábitos. Vocês podem se surpreender: eu era filho de um pregador, e meu hábito era ir ao cinema.

    Sempre que o jornal chegava, a primeira página que eu procurava era a que trazia a programação dos filmes. Naquela época, eu tinha um amigo cuja família era dona de um cinema, então podia assistir aos filmes sem pagar.

    Esse era meu hábito. Eu passava muito tempo nos cinemas. Sempre gostei da ideia de ser uma estrela de cinema.

    Mas, depois de ser salvo, continuei indo ao cinema. Não ousava assistir a um filme no domingo, porque era cristão e o domingo era sagrado. Mas continuava indo ao cinema.

    Ninguém falou comigo, mas, de alguma maneira, eu me sentia inquieto. O Espírito Santo estava trabalhando em mim: “Você acha que esse é o lugar certo para ir? A quem você está apoiando? O que está fazendo?”.

    Por fim, disse a mim mesmo: “Só vou assistir a filmes bons — filmes religiosos. Isso deve estar certo”. Mas, quando fui assistir a filmes religiosos, encontrei coisas tão ruins neles.

    Então, por fim, disse a mim mesmo: “Vou tentar não ir ao cinema”. Mas não ousava contar às pessoas, porque não tinha certeza de que conseguiria. Durante vários meses, não fui a cinema algum. Aquilo foi uma grande conquista.

    Infelizmente, certo dia um filme religioso chegou a Xangai, e algumas pessoas enviaram ingressos à minha família. Foi um verdadeiro desafio para mim. Eu queria ir. Era um filme religioso — o que havia de errado nisso?

    Depois de alguns meses sem ir, lá estava eu novamente. Sabem o que aconteceu comigo? Durante as duas horas em que assistia ao filme, havia uma luta dentro de mim. Eu sabia que aquele não era o lugar onde deveria estar.

    Esperava que o filme terminasse para poder sair. Mas fiquei sentado ali, assistindo. Durante duas horas, houve uma luta dentro de mim.

    Quando saí do cinema, aquilo realmente chegou ao fim. Deus me havia libertado. Graças a Deus por isso. Ele me libertou de um lugar onde eu não deveria estar.

    Mais tarde, certo dia, minha tia me disse: “Você é tão jovem. Não faz sentido que não vá ao cinema. Vou lhe dar dinheiro para isso”.

    Sabem qual foi minha resposta? Eu disse: “A senhora não sabe o que eu tenho. Há algo que me satisfaz mais do que os filmes poderiam satisfazer”. Graças a Deus por Sua libertação.

    Você percebe que, no início, o Espírito Santo trata de algumas coisas pequenas — talvez algo de que você goste. Talvez o Senhor lhe mostre: “Abra mão disso”. Ou talvez seja o hábito de se vangloriar ou de contar pequenas mentiras.

    Então você percebe que o Espírito Santo está trabalhando em você. Ele está tratando dessas pequenas coisas. É assim que começa. Depois, irá sondando cada vez mais profundamente.

    Ele começará a sondar sua maneira de falar. Começará a sondar suas amizades. Começará até mesmo a sondar sua mente.

    Ele tratará com você a respeito do mundo — até mesmo de sua maneira de se vestir. Ela é apropriada para um cristão?

    Posso lhes contar histórias de como irmãs são desafiadas até mesmo nessa questão da roupa.

    O Espírito Santo trata de nossas amizades, do mundo e, do mundo, passa à carne: a concupiscência dos olhos, a concupiscência da carne e a soberba da vida.

    Ele não trata apenas de sua carne, mas também da vida do seu ego — de você mesmo.

    Nosso Senhor Jesus disse:

    Se alguém quiser vir após Mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me.

    Não pode ser Meu discípulo.

    Irmãos e irmãs, o custo do discipulado é absoluto. Mas, graças a Deus, a graça de Deus os levará a pagar o custo. O que é impossível aos homens é possível a Deus.

    A Obra Fiel do Espírito Santo

    Depois que você responde ao chamado ao discipulado, o Espírito Santo começa a trabalhar em sua vida. Como diz a Bíblia, a unção que está em você lhe ensinará todas as coisas.

    Ele lhe ensinará coisas pequenas e grandes. Muitas vezes, pensamos que, nas grandes coisas, precisamos consultar a Deus, mas, nas pequenas, achamos que sabemos o que fazer. Mas não: o Espírito Santo lhe ensinará não apenas as grandes coisas, mas também as pequenas.

    Se você for fiel nas pequenas coisas, Ele lhe dará coisas maiores. Se não for fiel nas pequenas coisas, não conseguirá ser fiel nas maiores.

    Desde o dia em que você é salvo até o dia em que vê o Senhor, Ele continuará trabalhando em nós. Nunca haverá um momento ou um dia em que Ele deixe de trabalhar, porque a Bíblia diz que Ele está em você e nunca o deixará.

    Queremos agradecer a Deus pelo Espírito Santo, porque, sem Ele, o que podemos fazer? Como podemos ser transformados e conformados à imagem de Cristo?

    Essa é a Sua obra. Como Ele realiza essa obra? Principalmente de duas maneiras: por meio da revelação do Espírito Santo e por meio da disciplina do Espírito Santo.

    A Revelação por Meio da Palavra de Deus

    O Espírito Santo faz Sua luz brilhar sobre nós, porque Deus é luz.

    Se andarmos na luz, como Ele está na luz, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, Seu Filho, nos purifica de todo pecado.

    Deus Se revela a nós. É verdade que grandes revelações podem nos ocorrer apenas uma vez ou algumas poucas vezes, mas, quando vêm, revolucionam nossa vida. As pequenas revelações, porém, vêm o tempo todo.

    Se não formos fiéis às pequenas revelações, não poderemos ser fiéis a uma revelação maior.

    Talvez caiba aqui uma palavra de advertência: não há revelação fora da Bíblia. Toda a revelação que Deus dará ao homem está nesta Bíblia. Ninguém pode dizer: “Recebi uma nova revelação à parte da Bíblia”. Se alguém afirma isso, é o espírito do anticristo.

    Mas isso não significa que já não tenhamos revelação alguma. A Bíblia é a revelação de Deus. Ao estudarmos a Bíblia, o Espírito Santo a ilumina e a torna viva e eficaz.

    Quando lemos a Bíblia, talvez tenhamos apenas a letra da Bíblia e o conhecimento da Palavra em nossa mente, mas isso não afeta realmente nossa vida.

    Somente quando o Espírito Santo faz Sua luz brilhar sobre uma passagem é que ela se torna algo pessoal e vivo para você. Então ela atua e afeta sua vida.

    O Senhor Jesus disse:

    Minhas palavras são espírito e são vida.

    Sua Palavra é mais do que letras, porque a letra, por si só, mata.

    Não é verdade que, ao ler a Bíblia, você às vezes percebe que a Palavra de Deus o condena? Ela o mata. Mas, quando o Espírito Santo a ilumina para você, ela se torna sua experiência. A Palavra se torna viva e eficaz. Ela age. É vida.

    É assim que chegamos a conhecer a vontade de Deus: por meio da revelação.

    A Disciplina por Meio das Circunstâncias da Vida

    Há outra maneira pela qual o Espírito Santo trabalha, e essa maneira é mais exterior. Nós, que cremos no Senhor Jesus, sabemos que nada nos acontece à parte da vontade de Deus.

    Para os cristãos, não existe acaso. Isso não se aplica aos incrédulos da mesma maneira, mas nós, que somos redimidos do Senhor, sabemos que Ele nos ama tanto e cuida tanto de nós que não permitirá que nada nos aconteça sem Sua permissão.

    É pela Sua vontade direta ou pela Sua vontade permissiva.

    O Senhor disse que até os cabelos de nossa cabeça estão contados. Nós não sabemos quantos cabelos temos, mas o Senhor não apenas sabe a quantidade de cabelos em nossa cabeça; cada cabelo tem um número.

    Nesta manhã, quando você estava penteando o cabelo, talvez alguns fios tenham caído. O Senhor sabe os números deles. Alguém pode cuidar de você mais do que isso?

    Nada acontece por acaso. O Espírito Santo é Quem ordena os acontecimentos de nossa vida. Tudo, cada momento — toda a sua vida —, está sob a ordenação do Espírito Santo.

    Você não determina seus próprios relacionamentos. Nasceu em determinada família porque Deus assim ordenou. Não pode escolher seus irmãos. Não pode escolher as pessoas que entram em contato com você.

    Por causa disso, você recebe muitas cruzes. As pessoas são suas cruzes, sem que você perceba que é a cruz delas. Por isso, procure criar menos cruzes para os outros.

    O Espírito Santo ordena suas cruzes. É isso que chamamos de disciplina do Espírito Santo.

    Ele usa a disciplina para nos discipular. O discipulado não pode ser separado da disciplina.

    Não gostamos de disciplina. Podemos usar outra palavra. Em Hebreus 12, ela é chamada de correção. O significado grego é educação de uma criança.

    Você educa seu filho porque a vida natural é indomada. Se deixar essa vida indomada se desenvolver por conta própria, o que acontecerá? A criança crescerá como um animal.

    Irmãos e irmãs, nenhum pai deveria deixar de disciplinar seu filho. Infelizmente, muitos pais disciplinam os filhos dos outros, mas não os próprios.

    Se uma criança não for disciplinada, não amadurecerá como homem ou mulher. Esse é o problema hoje.

    Se nossos pais terrenos nos disciplinam para o nosso bem, quanto mais nosso Pai celestial nos disciplina para a nossa santificação, para que sejamos participantes de Sua natureza divina?

    Irmãos e irmãs, precisamos fazer uma pergunta: em sua vida cristã, quanto você tem experimentado do tratamento do Senhor? Quanto Ele tem tratado com você, e quanto você tem se rendido a Ele?

    Por quantas crises você já passou, rendendo-se a Ele? Essa é a única maneira de crescer. Esse é o caminho da transformação. Isso está de acordo com a vontade de Deus.

    Se você foge da cruz, permanece um bebê em Cristo. Deixa de cumprir o propósito de Deus.

    Essas duas maneiras de agir do Espírito Santo — revelação e disciplina — continuam por toda a nossa vida. Quanto mais luz você recebe de Deus, mais consegue se submeter à Sua disciplina. E mais depressa cresce em Cristo.

    Essa é a misericórdia de Deus.

    Ilustrações Bíblicas do Discipulado

    Nossas experiências são todas diferentes, mas os princípios são os mesmos. Vamos usar as Escrituras para ilustrá-los.

    O Chamado para Seguir a Cristo em Mateus 8

    Vocês se lembram de Mateus 8. Grandes multidões seguiam o Senhor. Curiosamente, sempre que grandes multidões O seguiam, ou o Senhor as dispensava, ou Ele Se retirava, porque Seu interesse não é a quantidade; é a qualidade.

    Quando grandes multidões O seguiram, Ele entrou num barco e partiu. Então veio um escriba e disse: “Quero seguir-Te. Aonde quer que fores, irei Contigo”.

    O que o Senhor disse?

    As raposas têm covis, e as aves têm ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça.

    Por que o Senhor lhe respondeu dessa maneira? Porque ele era um escriba. Um escriba, naquela época, era alguém que copiava a Bíblia, estudava a Bíblia e ensinava a Bíblia.

    No final do Sermão do Monte, lemos que nosso Senhor Jesus ensinava não como os escribas, mas como Quem tinha autoridade. Em outras palavras, os escribas sabiam muita coisa. Estudavam e ensinavam aos outros.

    Mas esse escriba ouviu o Senhor e percebeu a diferença: o Senhor ensinava com autoridade. Suas palavras eram espírito e vida. Isso era diferente do ensino dos escribas.

    Por isso, ele queria aprender mais com o Senhor. Ofereceu-se e disse: “Quero seguir-Te. Aonde quer que fores, irei”.

    Mas o Senhor o conhecia. O Senhor sabia que ele queria mais ensino. Como Nicodemos, ele queria ensino. Mas o Senhor disse, em essência: “Não se trata de ensino. Trata-se de vida. Você sabe que tipo de vida Eu vivo?”.

    “Minha condição de vida é inferior até à das raposas e das aves. Você é capaz de viver assim?”

    Irmãos e irmãs, se buscarmos apenas ensino — bom ensino, ensino melhor, ensino novo —, não poderemos seguir o Senhor. Se quisermos vida, poderemos segui-Lo.

    A Prioridade de Cristo sobre os Deveres Naturais

    Então veio um discípulo. Ele já era discípulo; já seguia o Senhor. Mas disse: “Senhor, há algo mais importante do que seguir-Te agora. Preciso ir sepultar meu pai”.

    Isso não significa que seu pai já tivesse morrido. Seu pai devia ser idoso, e ele pensava: “Tenho uma responsabilidade. Preciso cumprir essa responsabilidade; depois seguirei a Ti”.

    A resposta do Senhor pode parecer severa:

    Deixa aos mortos o sepultar os seus mortos.
    Tu, porém, vem, segue-Me e anuncia o reino de Deus.

    Em outras palavras, ele era discípulo e já seguia o Senhor, mas nunca havia calculado o custo. Quando começou a calcular o custo, encontrou algo mais importante do que seguir o Senhor.

    Seu dever não era errado, mas ele não colocou Cristo em primeiro lugar. Colocou seu dever em primeiro lugar. Deixe que os espiritualmente mortos sepultem os fisicamente mortos. Você está vivo; vá e anuncie o reino de Deus.

    Você precisa colocar o Senhor em primeiro lugar. Não pode colocar nada acima dEle.

    A Necessidade de uma Dedicação Integral

    Então, em Lucas 9, havia alguém que queria ser discípulo.

    Seguir-Te-ei; mas permite-me voltar e despedir-me de toda a minha família.

    O Senhor disse que aquele que lança mão do arado e olha para trás não é apto para o reino de Deus.

    Em outras palavras, se seguirmos o Senhor, devemos segui-Lo até o fim. Que nada nos desvie. Somente assim conseguiremos segui-Lo até o fim.

    Pedro como Exemplo de Discipulado ao Longo de Toda a Vida

    Permitam-me usar uma pessoa para ilustrar o caminho do discipulado. É crise após crise. É seguir por toda a vida. Penso que, no Novo Testamento, a melhor ilustração é Pedro.

    Pedro veio ao Senhor bem cedo. Em João 1, André, seu irmão, o levou a Jesus.

    Houve algo muito marcante. Quando seu irmão o levou ao Senhor, a palavra grega usada para o olhar do Senhor sugere que Ele o olhou de alto a baixo. Em outras palavras, o olhar do Senhor penetrou no próprio coração de Pedro.

    O Senhor não olha para nossa aparência exterior. Ele disse:

    Tu és Simão, mas serás chamado Pedro.

    Então, em Mateus 4, quando o Senhor começou a pregar, viu Pedro e André lançando uma rede. O Senhor disse:

    Vinde, segui-Me, e Eu vos farei pescadores de homens.

    Eles deixaram o barco, deixaram as redes e seguiram o Senhor. Começaram a estar com Ele. Aonde quer que o Senhor fosse, eles iam com Ele. Ouviam o que o Senhor dizia e observavam Sua maneira de viver.

    Enquanto Pedro estava com o Senhor, surgiu uma crise. Ele percebeu que não era apto. Reconheceu: “Essa maneira de viver está além de mim. Não consigo”.

    Quando nosso Senhor veio à região onde Pedro morava, em Lucas 5, Pedro voltou a pescar. Mas, durante toda a noite, não conseguiu apanhar peixe algum.

    O Senhor veio e usou o barco de Pedro para pregar. Quando terminou de pregar, quis recompensar Pedro pelo uso de seu barco. Então lhe disse:

    Faze-te ao largo e lançai as vossas redes para pescar.

    Pedro olhou para o Senhor e pensou: “O que Tu sabes sobre pesca? Pesquei a noite inteira e não apanhei nada. Mas, porque Te respeito, farei conforme a Tua palavra”. Então lançou a rede.

    Quando Pedro viu a quantidade de peixes, prostrou-se diante do Senhor e disse:

    Sou um homem pecador.

    No início, Pedro pensava que conseguiria, mas descobriu que aquilo estava além dele.

    Somente quando descobrimos que não somos capazes é que podemos nos tornar discípulos por toda a vida. Somente Ele e Sua graça nos capacitam a pagar o custo.

    Daquele momento em diante, Pedro seguiu o Senhor.

    A Confissão de Pedro em João 6

    Vocês se lembram de João 6. Depois que o Senhor multiplicou os pães e os peixes para alimentar os cinco mil, as pessoas O seguiram porque queriam alimento físico.

    O Senhor disse:

    Eu sou o pão da vida.
    Quem de Mim come e de Mim bebe tem a vida eterna, e Eu o ressuscitarei no último dia.
    Minha carne é verdadeira comida, e Meu sangue é verdadeira bebida.

    Quando as pessoas ouviram essas coisas, não apenas a multidão, mas muitos de Seus discípulos disseram: “Isso é duro demais. Quem pode ouvir?”. Muitos de Seus discípulos foram embora.

    Então o Senhor Se voltou para os doze e disse:

    Quereis vós também retirar-vos?

    Se vocês querem ir, vão.

    Mas ouçam Pedro. Pedro disse:

    Tu tens as palavras da vida eterna.
    Nós Te seguimos. Para onde iremos?
    Tu és o Filho de Deus.

    Em outras palavras, Pedro começou a conhecer o Senhor. Nesse ponto, por assim dizer, ele se firmou como discípulo.

    Irmãos e irmãs, respondermos ao chamado ao discipulado não significa que, depois de responder, esteja tudo concluído. Precisamos aprender que isso está além de nós.

    Como um pecador como eu pode ser transformado para ser semelhante a Cristo? Isso está além de mim. É impossível.

    Somente quando você chega a esse ponto deixa de buscar ensino e passa a olhar para o Senhor. “Tu tens as palavras da vida. Tu és o Filho de Deus. Tu me chamaste e assumirás a responsabilidade por mim.”

    Somente então você consegue permanecer com o Senhor.

    A Formação de Pedro por Meio do Fracasso e da Restauração

    A vida de Pedro foi fácil a partir de então? Não, foi muito difícil. Nosso Senhor treinou Pedro mais do que qualquer outro discípulo.

    Em Mateus 16, Pedro confessou ao Senhor Jesus:

    Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.

    Mas, quando o Senhor disse:

    Vou a Jerusalém. Serei morto, mas ao terceiro dia ressuscitarei.

    Pedro segurou o Senhor e disse:

    Nunca! Isso não Te acontecerá.

    Pedro estava pensando no Senhor ou em si mesmo? Se o Senhor fosse para a cruz, para onde Pedro iria? Ele não queria que o Senhor fosse porque ele próprio não queria ir.

    O Senhor Se voltou e disse:

    Para trás de Mim, Satanás.
    Tu és para Mim pedra de tropeço: porque não cogitas das coisas de Deus, mas das coisas dos homens.

    O Senhor tratou com Pedro de maneira muito severa, mas Pedro conseguiu suportar.

    Repetidas vezes, Pedro tinha lições a aprender. No monte da transfiguração, ele deu sua opinião, e Deus o interrompeu.

    Quando os que cobravam o imposto do templo perguntaram a Pedro: “O Mestre de vocês não paga o imposto do templo?”, Pedro respondeu imediatamente: “Sim”. Depois entrou para dizer ao Senhor que pagasse o imposto.

    O Senhor lhe perguntou:

    De quem recebem os reis da terra os tributos ou os impostos? De seus filhos ou dos estranhos?

    Pedro disse: “Dos estranhos”. O Senhor disse:

    Logo, os filhos estão livres.

    Mas, para ajudar Pedro, o Senhor disse:

    Vai ao mar, lança o anzol e toma o primeiro peixe que subir.
    Ao abrir-lhe a boca, encontrarás um siclo.
    Toma-o e dá-o a eles por Mim e por ti.

    Pedro era um pescador acostumado a lançar redes. Não tinha paciência suficiente para pescar com anzol. Mas aprendeu uma lição, e ainda havia muitas outras que precisava aprender.

    Quando chegamos a Mateus 26, encontramos o Senhor dizendo:

    Todos vós vos escandalizareis por Minha causa esta noite.

    Pedro disse: “Eu não. Ficarei Contigo. Irei Contigo até a morte”.

    O Senhor disse:

    Antes que o galo cante, tu Me negarás três vezes.

    Pedro disse: “Não, nunca”. Mas negou.

    Que tratamento o Senhor deu a Pedro! Depois de negar o Senhor, ele saiu chorando. Pensou que fosse o fim.

    Graças a Deus, quando nosso Senhor ressuscitou dentre os mortos, enviou uma mensagem:

    Ide, dizei aos Meus discípulos — e a Pedro.

    Pedro foi plenamente restaurado. Vejam o Pentecostes. Vejam como o Senhor o usou para abrir aos gentios a porta do evangelho.

    Mas Pedro era perfeito? Não. Em Gálatas 2, Paulo precisou confrontá-lo publicamente. No entanto, antes de sua morte, Pedro pôde se referir a “nosso amado irmão Paulo”, que escreveu coisas difíceis de entender, mas que eram a Palavra de Deus.

    Exortação Final

    Irmãos e irmãs, não desanimem. Precisamos de tempo. Mesmo em nossos fracassos, podemos ser restaurados e fortalecidos, para que o Senhor possa fazer conosco tudo o que desejar.

    Até o fim, continuamos aprendendo. Que o Senhor nos ajude.

    Oração Final

    Querido Senhor, oramos para que a Tua graça nos alcance de tal maneira que possamos ver que, por nós mesmos, não conseguimos seguir-Te até o fim. Tudo é Tua misericórdia e graça.

    Não temos nada de que nos gloriar. Só podemos nos gloriar no Senhor Jesus. Amém.