Por favor, abram no Evangelho segundo Lucas 14:25-35. Vou ler primeiro em inglês, e meu irmão lerá em chinês.
E iam com Ele grandes multidões; e, voltando-Se, disse-lhes:
Se alguém vem a Mim e não aborrece seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs, e ainda a sua própria vida, não pode ser Meu discípulo.
E qualquer que não levar a sua própria cruz e vier após Mim não pode ser Meu discípulo.
Pois qual de vós, querendo edificar uma torre, não se assenta primeiro a calcular a despesa, para ver se tem com que a acabar?
Para que não aconteça que, depois de haver posto os alicerces e não a podendo acabar, todos os que a virem comecem a escarnecer dele,
Dizendo: Este homem começou a edificar e não pôde acabar.
Ou qual é o rei que, indo à guerra contra outro rei, não se assenta primeiro a tomar conselho sobre se com dez mil pode enfrentar o que vem contra ele com vinte mil?
De outra maneira, estando o outro ainda longe, envia uma embaixada e pede condições de paz.
Assim, pois, qualquer de vós que não renuncia a tudo quanto tem não pode ser Meu discípulo.
Bom é o sal; mas, se até o sal perder o sabor, com que se há de temperar?
Nem serve para a terra, nem para o monturo; lançam-no fora. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.
Vamos fazer uma oração.
Amado Senhor, queremos agradecer-Te porque não estamos apenas na Tua presença, mas também na presença da Tua Palavra. A Tua Palavra é vida e espírito. Por isso, Senhor, pedimos que removas todo véu que esteja sobre o nosso rosto. Abre os nossos olhos interiores, para que a luz da Tua Palavra brilhe sobre nós, e para que a Tua Palavra seja verdadeiramente viva e operante em nós.
Queremos dar-Te toda a glória. Em Teu precioso nome oramos. Amém.
Bem, queridos irmãos e irmãs, ainda estamos aqui. Na verdade, o Senhor ainda não veio, então Ele está nos dando mais uma oportunidade para que estejamos verdadeiramente prontos para recebê-Lo.
Ontem, compartilhamos sobre essa questão do chamado ao discipulado. O Senhor não apenas nos chamou para irmos a Ele, mas também nos chamou para segui-Lo. Ir a Ele é receber o Seu perdão, para que tenhamos descanso. Mas Ele também nos chamou para tomarmos o Seu jugo e aprendermos Dele, porque Ele é manso e humilde. Se fizermos isso, encontraremos descanso para a nossa alma.
Assim, queridos irmãos e irmãs, vemos que todos nós, como crentes, somos chamados para ser Seus discípulos. Não existe isso de alguém ser chamado para ser crente e não ser chamado para ser discípulo.
Se você respondeu ao Seu primeiro chamado, para crer Nele pessoalmente, então está automaticamente incluído no Seu chamado ao discipulado. Quer você queira ser Seu discípulo ou não, você é Seu discípulo. Quer tenha êxito como Seu discípulo ou não, você é Seu discípulo.
Portanto, irmãos e irmãs, o discipulado é um chamado geral a todos os crentes, e é um chamado para toda a vida. Não existe formatura no discipulado. Você não se forma e se torna um professor ou um mestre que faz discípulos para si mesmo. No discipulado, não há formatura.
O discipulado é uma santa vocação. Vemos em 2 Timóteo 1:9 que Deus nos chamou com uma santa vocação. Não é segundo as nossas obras.
Vocês sabem, quando ouvimos falar de discipulado, pensamos imediatamente: “O que posso fazer? O que devo fazer para me tornar Seu discípulo?” Mas essa santa vocação não é segundo as nossas obras. Na verdade, se você tentar ser discípulo pelo seu próprio esforço, nunca terá êxito.
Irmãos e irmãs, fomos chamados com uma santa vocação. Não é segundo as suas obras, mas segundo o propósito e a graça de Deus, que nos foram dados em Cristo Jesus.
Em primeiro lugar, o chamado ao discipulado é segundo o propósito eterno de Deus, para que cumpramos o propósito eterno de Deus a respeito do homem. Além disso, é uma questão de graça. Não é uma questão de obras.
Espero que haja uma mudança radical na nossa maneira de pensar. Assim que ouvimos a palavra discípulo, pensamos: “Agora, o que posso fazer? O que devo fazer?” Mas não: o discipulado é segundo a graça de Deus.
Ninguém pode, por suas próprias obras, tornar-se um verdadeiro discípulo de Cristo e ter êxito como discípulo. Somente pela graça de Deus podemos ser Seus verdadeiros discípulos.
Essa vocação não é apenas uma santa vocação; é uma vocação do alto. Se vocês lerem Filipenses 3:14, verão que prosseguimos para o alvo, pelo prêmio da vocação do alto de Deus em Cristo Jesus.
Essa é uma vocação do alto. Ou podemos dizer de outra maneira: é a vocação mais elevada. É para isso que Deus chama o homem — para o grau mais elevado —, porque se trata de nada menos que ganhar a Cristo. Não há padrão mais elevado que alguém possa ter: ganhar a Cristo, ser conformado a Cristo.
É uma vocação do alto. É uma vocação gloriosa. Além disso, vemos que essa vocação é celestial. Vocês podem encontrar isso em Hebreus 3:1, porque somos participantes de uma vocação celestial.
É da vontade de Deus nos abençoar com toda bênção espiritual nos lugares celestiais em Cristo Jesus. Portanto, esse chamado ao discipulado é um chamado que abrange tudo. Não é uma coisa pequena. Na verdade, é o que deve nos ocupar durante toda a nossa vida.
Agora, sabendo que esse chamado ao discipulado é tão nobre, vocês devem esperar que ele custe muito, porque não se trata de algo pequeno. Quanto mais elevado o chamado, maior será o custo, porque essa é a natureza do chamado.
Por isso, nesta manhã, gostaríamos de compartilhar sobre o custo do discipulado. Mas não tenham medo.
Gostaria de mencionar duas coisas antes de considerarmos o custo do discipulado — o que o discipulado vai me custar. Antes de tratarmos desse assunto, vamos tratar de duas outras questões.
Primeiro: quanto esse chamado custou Àquele Que nos chama para ser Seus discípulos? Antes de considerarmos quanto ele nos custará, vamos considerar quanto custou Àquele Que chama — nosso Senhor Jesus, Que nos fez esse chamado.
Por trás desse chamado, quanto Ele pagou? Irmãos e irmãs, se considerarem isso, vocês serão aliviados do seu fardo.
Se vocês lerem Filipenses 2:5-8, essa passagem lhes dirá quanto custou a Cristo fazer esse chamado a nós. Ele, sendo igual a Deus, não considerou a igualdade com Deus algo a que devesse Se apegar.
Mas, irmãos e irmãs, para nos fazer esse chamado ao discipulado, o que Ele precisou fazer? Ele teve de esvaziar a Si mesmo.
Até que ponto conseguimos nos esvaziar? Aquilo de que estamos cheios não merece estar em nós: a vida do nosso eu, a nossa própria ambição, o nosso orgulho. Todas essas coisas não deveriam estar aí. Precisam ser esvaziadas, mas nós não nos esvaziamos.
Pensem no Senhor Jesus. Ele é igual a Deus. Ele está cheio de toda a plenitude de Deus. Está cheio do amor de Deus, da santidade de Deus, da mansidão de Deus, da justiça de Deus, da autoridade de Deus, do poder de Deus e da glória de Deus. Nada pode ser melhor do que aquilo de que Ele está cheio.
E, no entanto, por nossa causa, para nos chamar a segui-Lo, Ele esvaziou a Si mesmo. É claro que Ele não poderia Se esvaziar da Sua divindade, porque isso é o que Ele é. Mas Ele Se esvaziou de toda a honra e glória que cercavam a Sua divindade.
Em vez de permanecer assentado no trono, Ele desceu a esta terra como um bebê numa manjedoura. Em vez de receber a adoração de todos os anjos, Ele desceu à terra como um homem desprezado e abandonado. Esvaziou-Se de toda a Sua glória e honra.
Nenhum de nós nasceu numa manjedoura. Nascemos num hospital. Mas nosso Senhor Jesus nasceu numa manjedoura. Ele Se tornou companheiro de todos aqueles animais. Não pode haver nascimento mais humilde que esse.
A Bíblia diz que Ele tomou a forma de servo. A palavra forma, no original, não se refere à aparência exterior. A palavra forma aponta para o caráter interior.
Em outras palavras, quando Ele nasceu nesta terra como homem, em Sua disposição interior nasceu como servo. Nós nascemos como seres humanos, os mais elevados do reino animal, mas nosso Senhor Jesus nasceu com o caráter interior de um servo.
Ele nasceu sem direito algum, porque era escravo de Deus por amor. Se vocês examinarem o Seu coração, verão que não existe algo como: “Este é o Meu direito”. Em Seu coração havia apenas obediência ao Seu Pai.
É como se Ele dissesse: “Não venho por Mim mesmo, mas pelo Meu Pai. Não tenho direito algum que seja Meu. Venho para fazer a Tua vontade, a vontade do Pai”. Ele é escravo de Deus por amor.
Exteriormente, Ele era homem, e era um homem perfeito. Não havia pecado em Sua vida. Entretanto, para obedecer ao Seu Pai e ser o substituto de toda a humanidade caída, Ele foi obediente até a morte, e morte de cruz.
O castigo da cruz é uma punição romana. É a punição mais severa dos romanos, porque, quando as pessoas são crucificadas, morrem aos poucos. Sofrem ao extremo.
No entanto, nosso Senhor Jesus tinha essa mentalidade, essa atitude e essa disposição. Ele estava disposto a Se esvaziar completamente, a ser tratado como um criminoso — o pior criminoso que o mundo poderia ter.
Esse é o custo que Ele pagou para nos fazer um chamado. Por isso, Ele disse:
Segue-Me.
Ele não estava assentado no trono, dizendo às pessoas na terra que O seguissem. Ele veio a esta terra para ser crucificado por nossa causa.
Ele é o único Homem que poderia morrer por nós, porque não tinha pecado. Ele morreu pelos nossos pecados, para que nos tornássemos justiça de Deus.
Irmãos e irmãs, quando vocês consideram o que nosso Senhor Jesus pagou para nos chamar a segui-Lo e ser Seus discípulos, qualquer custo que isso possa ter para vocês não é nada. Não podemos dizer: “Isso me custa demais”, porque Ele já pagou tudo integralmente.
A segunda coisa é esta: quando ouvimos falar de discipulado, nossa reação imediata é: “Bem, isso significa que tenho de trabalhar para consegui-lo”. Mas, se vocês lerem a Palavra de Deus, verão que o chamado ao discipulado é um chamado de graça.
Quando somos chamados a crer no Senhor Jesus, dizemos que é graça. Por quê? Porque isso não é pelas obras. Quanto mais você se esforça para consegui-lo, mais percebe que não pode merecê-lo.
Todos nós passamos por essa experiência. Quando tomamos consciência do nosso pecado, qual é a nossa reação natural? Queremos fazer alguma coisa boa. Queremos acumular algum mérito, para que sejamos salvos. Mas todas as nossas justiças são como trapos de imundícia. Não podem cobrir a nossa nudez.
Como podemos ser salvos? É tudo pela graça, e é um dom gratuito de Deus. Se você for humilde o suficiente para receber o dom gratuito de Deus, então ele será seu.
Quando pensamos em ser salvos, entendemos que é pela graça — não pelas obras, mas pelo dom gratuito de Deus. Mas, quando falamos de discipulado, imediatamente nossa mente natural assume o controle: “Agora tenho de trabalhar para consegui-lo. Tenho de usar toda a minha energia para alcançá-lo”.
Se você tentar, descobrirá que até um desafio muito pequeno o derrotará. Irmãos e irmãs, se vocês realmente compreenderem o caráter e a natureza do chamado ao discipulado, verão que tem de ser pela graça — de graça em graça.
Nós não conseguimos. Ninguém pode pagar o custo do discipulado. Mas, se permitirmos que a graça opere em nossa vida, veremos que isso se realiza.
Graça, no original, inclui três coisas.
Primeiro, graça significa que Aquele para Quem você olha é cheio de graça. Em outras palavras, o objeto do nosso olhar é graça. Deus é graça. Ele é cheio de graça e misericordioso. É isso que Deus é. Se você olhar para Deus, encontrará graça e encontrará misericórdia, porque é isso que Ele é.
Segundo, graça é algo dado gratuitamente, e é dado a todos. Não é seletiva. Se você a deseja, você a terá. Ela é dada gratuitamente a todos.
Terceiro, porque olhamos para Aquele Que é cheio de graça, e, ao olharmos para Ele, Sua graça nos é dada gratuitamente, então essa graça, estando em nós, nos transforma em pessoas cheias de graça.
No mundo não existe graça, porque a graça está em Deus, e a graça vem a nós por meio de Cristo Jesus. Cremos Nele e recebemos essa graça. Mas receber Sua graça em nós não é o fim. Sua graça nos transforma em pessoas cheias de graça, como Deus.
Se você recebe a graça de Deus e não concede graça aos outros, então está abusando da graça de Deus. A graça de Deus é desperdiçada em sua vida. É necessário que haja uma transformação dentro de nós.
Irmãos e irmãs, nessa questão do custo do discipulado, se vocês enxergarem esse segredo, poderão vencer, porque não são vocês. É a graça de Deus que os capacita a pagar o custo.
Espero que vocês realmente guardem esses dois pontos no coração. Se fizerem isso, poderemos continuar tratando do custo do discipulado. Caso contrário, vamos parar aqui e deixar vocês lutarem com essa questão até chegarem ao fim de si mesmos. Mas vocês querem fazer isso? Bem, então vamos prosseguir.
Certo dia, nosso Senhor Jesus estava caminhando, cercado por grandes multidões. Vocês gostam de ter grandes multidões seguindo vocês? Acho que, para o homem, não há nada melhor do que isso. Mas nosso Senhor Jesus é diferente.
Vemos em Lucas 14 que Ele Se voltou e desafiou as pessoas. É evidente que o desafio que Ele lhes apresentou afastava as pessoas Dele. Nosso Senhor Jesus não busca multidões. O que Ele quer é qualidade, não quantidade.
Quando uma grande multidão O seguia, Ele Se voltou e a desafiou. Ele disse:
Se alguém vem a Mim e não aborrece seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs, e ainda a sua própria vida, não pode ser Meu discípulo.
Vocês percebem que o que nosso irmão leu em chinês é diferente do que eu li em inglês. No original, a palavra não é amar. A palavra é odiar.
Não gostamos da palavra odiar, porque ela tem uma conotação ruim. Todos nós gostamos da palavra amar, porque ela nos dá uma sensação agradável. Mas, a rigor, amor e ódio são neutros. Depende do que você ama e do que você odeia.
Se você ama o que deveria odiar, isso está errado. Deus ama os pecadores, mas odeia o pecado. Você não pode inverter isso, amando o pecado e odiando a Deus. O importante é saber o que odiar e o que amar.
Aqui, nosso Senhor Jesus usou uma palavra muito forte. Ele disse que, se alguém não odiar seu próprio pai e sua mãe, esposa e filhos, irmãos e irmãs, e até a sua própria vida, não pode ser Seu discípulo.
Você é capaz de fazer isso? Acha que o custo é alto demais? Acha que isso não é razoável? Não há, nos Dez Mandamentos, um mandamento para honrar seu pai e sua mãe? Esse é o primeiro mandamento com promessa.
Se você honrar seu pai e sua mãe, terá uma vida longa. Isso não é verdade apenas no Antigo Testamento; é repetido no Novo Testamento.
Deus quer que amemos nosso pai e nossa mãe. Deus quer que amemos nossos irmãos e irmãs, nossos maridos e esposas, e até a nós mesmos. Cuide de si mesmo — não por sua própria causa, mas por causa de Deus. Essa é a vontade de Deus.
Mas, infelizmente, por sermos seres humanos caídos, em nossa condição caída amamos o que deveríamos odiar e odiamos o que deveríamos amar. Até aquilo que consideramos amor — será mesmo amor, ou será amor a nós mesmos? Aquilo que você odeia — será realmente o que precisa ser odiado?
Estamos tão confusos. Nosso amor natural e nosso ódio natural são desordenados. Por isso, Deus quer purificar até o nosso amor e o nosso ódio, libertando-nos de amar a nós mesmos ou de odiar a nós mesmos, para que sejamos purificados e possamos amar como Deus ama e odiar como Deus odeia.
Esse é um processo de purificação. Nosso Senhor Jesus nos desafia com isso. Quando estamos seguindo o Senhor, às vezes descobrimos que nossa família se torna nossa inimiga. Você quer seguir o Senhor, mas eles querem que você os siga.
Você percebe que há um conflito entre você e a pessoa que ama, e isso se torna uma cruz. O amor humano e o amor de Deus se cruzam. Quando isso acontece, surge uma crise.
Se você quer seguir o Senhor, precisa seguir a Deus em vez de seguir o homem. Se seguir o homem, não poderá seguir a Deus, porque seu amor ou seu ódio é natural; não é espiritual.
Para ser discípulo de Cristo, o primeiro custo diz respeito à sua vida emocional. Ele purificará a sua vida emocional. Você é capaz de fazer isso? Se não fizer, o Senhor disse:
Não pode ser Meu discípulo.
Segundo: o Senhor Jesus disse:
E qualquer que não levar a sua própria cruz e vier após Mim não pode ser Meu discípulo.
Já dissemos que, se o amor ou o ódio dos seus familiares entra em conflito com o amor ou o ódio de Deus, isso se torna uma cruz. Se você não carregar a sua cruz e seguir o Senhor, não poderá ser Seu discípulo.
Terceiro, vocês encontram em Lucas 14:33:
Assim, pois, qualquer de vós que não renuncia a tudo quanto tem não pode ser Meu discípulo.
Se você não renunciar a tudo o que é seu, não poderá ser Seu discípulo. É por isso que vemos no relato bíblico que, quando o Senhor chamou Pedro e André, eles estavam pescando. Ele disse:
Vinde após Mim, e Eu vos farei pescadores de homens.
A Bíblia diz que eles deixaram tudo e O seguiram.
Tiago e João estavam consertando as redes. O Senhor disse:
Vinde após Mim.
Eles deixaram a rede, deixaram o barco, deixaram o pai e seguiram o Senhor.
Levi estava na coletoria, porque era cobrador de impostos. O Senhor disse:
Segue-Me.
E ele deixou tudo e O seguiu.
Naqueles tempos, todos os que seguiam o Senhor deixavam tudo e O seguiam. Hoje, isso talvez não signifique que você precise deixar sua casa e seguir o Senhor. Talvez não signifique que precise deixar seu trabalho e seguir o Senhor.
Hoje somos o povo espiritual de Deus. Mas, no seu coração, você precisa renunciar a tudo. Então poderá seguir o Senhor. Se, no seu coração, ainda estiver apegado a alguma coisa, se estiver preso a algo, não conseguirá segui-Lo.
O chamado é absoluto. O chamado ao discipulado é um chamado absoluto, assim como nosso Senhor Jesus entregou tudo e seguiu o Pai.
Você consegue fazer isso sozinho? Para os homens é impossível, mas para Deus todas as coisas são possíveis. Essa é a glória de Deus.
Aqui vemos que nosso Senhor Jesus usou duas parábolas. Ele disse que, se um homem vai construir uma torre, antes de construí-la precisa se sentar e calcular o custo, para ver se tem condições de terminar a construção.
Se ele apenas lançar os alicerces e não conseguir terminar a construção, as pessoas passarão e zombarão dele, dizendo:
Este homem começou a edificar e não pôde acabar.
O que isso significa?
Significa que ser discípulo é estar envolvido numa obra de edificação. Vocês se lembram de que nosso Senhor Jesus disse:
Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a Minha igreja;
E as portas do Hades não prevalecerão contra ela.
Irmãos e irmãs, todos nós estamos envolvidos na construção dessa torre — não a torre de Babel, mas a torre do testemunho de Jesus. Deus confiou à igreja o Seu testemunho em Seu Filho, e todos nós estamos envolvidos nessa obra de edificação, para que o testemunho seja erguido, para que o testemunho de Jesus seja conhecido em todo o mundo: que Ele é verdadeiramente Senhor.
Essa é a nossa obra. Mas, ao realizar essa obra, você é capaz de começá-la e terminá-la? É capaz de entregar tudo a ela? Se você quiser empregar apenas uma pequena parte dos seus recursos, porque deseja usar o restante para outros propósitos, então não conseguirá terminá-la, e as pessoas rirão de você. Sente-se e calcule o custo.
Nosso Senhor usou outra parábola. É como um rei que vai à batalha. Ele vai lutar contra outro rei que vem com vinte mil homens. Mas, se ele quiser usar apenas dez mil soldados, não quer empregar todos os seus recursos. Então, o que deve fazer? É melhor pedir a paz.
Irmãos e irmãs, todos nós estamos envolvidos numa batalha espiritual. As portas do inferno estão tentando engolir a igreja. Há uma guerra espiritual em andamento. Se não estivermos dispostos a empenhar tudo nessa batalha, não teremos êxito.
Não estamos aqui sem fazer nada. Estamos aqui construindo e estamos aqui lutando. Somos construtores e somos soldados. Estamos envolvidos numa obra de extrema importância, e, para realizá-la, precisamos ser discípulos de Cristo. Você precisa pagar o custo por inteiro; caso contrário, não terá êxito. O segredo é: calcular o custo.
Gostaria de compartilhar com vocês uma pequena experiência minha. Pela graça de Deus, fui salvo em 1930. Eu tinha quinze anos naquela época.
Em 1932, fui batizado segundo a Palavra de Deus. Como mencionei ontem, esse ato de obediência pareceu abrir o céu para mim. O Senhor começou a revelar Seu pensamento por meio da Sua Palavra.
Em 1933, eu estava passando por uma grande crise. Estava na faculdade naquela época, mas o Senhor começou a me mostrar essa questão do testemunho da igreja.
Nasci numa família metodista. Meu pai era pastor e amava o Senhor. Eu era muito zeloso e ativo na igreja metodista.
Eu estudava numa faculdade cristã. Os professores eram missionários deste país. Mas, à medida que convivia com eles, descobri algo que nunca esperava: esses professores não criam em Jesus como o Filho de Deus.
Eles consideravam o cristianismo uma questão social, religiosa e moral. Quando descobri isso, senti que não podia continuar. Então me afastei de todas as chamadas atividades cristãs.
Eu morava no alojamento e dividia o quarto com outras duas pessoas. Mas, durante aquele período, sentia que a única maneira de manter minha fé era me aproximar de Deus. Por isso, passava muito tempo de joelhos, orando e lendo a Palavra de Deus.
Cada vez mais, o Senhor começou a me revelar que aquela instituição não era algo com que Deus queria que eu me envolvesse. Então me afastei daquelas atividades exteriores.
Graças a Deus, encontrei alguns companheiros. Eu tinha dois colegas que também eram salvos. Muitas vezes, nós três íamos a uma sala vazia e orávamos juntos.
Mais tarde, descobrimos que, no outro extremo da nossa cidade, havia um hospital batista. Havia quatro irmãs que amavam verdadeiramente o Senhor. Fomos apresentados a elas, e nós sete começamos a nos reunir naquela casa, procurando seguir o Senhor conforme O compreendíamos.
Lembro-me da primeira vez em que nos reunimos e partimos o pão juntos. Todos nós estávamos chorando. Sentimos a presença do Senhor. Sentimos o Seu amor por nós. A partir de então, o Senhor começou a abrir o caminho, e outras pessoas começaram a ser acrescentadas.
Mas isso me trouxe um grande problema. De certa forma, parecia que o encargo havia caído sobre mim. Eu sentia que estava numa encruzilhada. Será que poderia seguir o Senhor de maneira absoluta? Ou faria concessões?
Eu me via como alguém com um pé em cada barco, e os dois barcos estavam se afastando um do outro. Não sabia o que fazer.
Naquela época, um querido irmão veio nos visitar. Ainda consigo me lembrar daquele domingo. Ele falou pela manhã, sobre Lucas 14. Disse: “Se você quer seguir o Senhor, precisa se sentar e calcular o custo. Não pode ficar em dois barcos”.
Depois da mensagem, almoçamos juntos e descansamos antes da reunião da tarde. Eu estava sentado sozinho. Disse: “Senhor, por que meu caminho não está claro? Será porque nunca calculei realmente o custo?”
Então tentei calcular o custo. Se você tentar calcular o custo, o inimigo virá e o aumentará cem vezes. Eu calculava e calculava. Pensava: “Se eu realmente seguir o Senhor de maneira absoluta, serei expulso da universidade. Terei de deixar minha família. Ficarei sozinho”.
“Senhor, não consigo pagar o custo.”
Então vi, por assim dizer, o Senhor vindo até mim. Ele me mostrou Suas mãos sangrando e me fez uma pergunta: “Fiz tudo isso por você. O que você fará por Mim?”
Irmãos e irmãs, fui quebrantado pelo amor de Cristo. Disse ao Senhor: “Tudo está aqui — minha vida, meu sangue, tudo o que sou e tenho”.
Parece fácil, mas, durante três dias e três noites, passei por uma crise. Não conseguia ouvir o que o professor dizia. À noite, não conseguia dormir. Eu ainda estava lutando.
Mas, graças a Deus, Ele me manteve fiel ao que prometi. Finalmente, Sua graça venceu. Pela Sua graça, eu estava disposto a escolher a Ele e nada mais.
Irmãos e irmãs, eu não conseguia fazer isso, mas a graça me sustentou até o fim. Creio que é isso que Deus fará por cada um de nós.
Ao longo da nossa vida cristã, seremos desafiados repetidas vezes. Estamos dispostos a renunciar a tudo e segui-Lo? Vamos escolhê-Lo acima de todas as coisas? Estamos dispostos a carregar a nossa cruz e segui-Lo?
Digo novamente: o homem não consegue fazer isso. Sua graça nos basta. Por isso, nos gloriamos em nossas fraquezas, para que Seu poder se manifeste em nós.
Quando vocês leem Lucas 14, o capítulo termina com a questão do sal. O sal é bom.
Vocês se lembram de que Mateus nos conta que o Senhor disse:
Vós sois o sal da terra.
Temos um sabor que o mundo não conhece. É o sabor de Cristo em nós.
O sal não apenas realça o sabor; também impede a corrupção. É isso que nós, cristãos, devemos ser. Devemos ter o sabor do sal. Quando as pessoas se aproximarem de nós, poderão sentir o sabor de Cristo. Isso fará sobressair o que há de bom nelas, e as preservará, além de preservar o mundo da corrupção.
As pessoas no mundo talvez não valorizem os cristãos, mas, se não houvesse cristãos na terra, o mundo inteiro estaria tão corrompido que já teria sido julgado.
De onde vem esse sabor de sal? É o sabor de Cristo.
Mas, se o sal perder o sabor, como poderá ser restaurado? O sal perde o sabor quando vai sendo diluído, diluído e diluído, até ficar sem sabor. Então, o que você pode fazer com esse sal? Não pode usá-lo no campo, nem lançá-lo no monturo.
Vocês sabem o que isso significa? Significa que, se nós, que fomos chamados para ser discípulos, formos tão diluídos pelo mundo que perdermos nosso sabor, o que acontecerá conosco quando o Senhor vier?
Ele poderá nos usar na terra? Em outras palavras, poderá nos usar na era do reino para reinar com Ele? Não. Poderá nos lançar no monturo? O monturo representa aqueles incrédulos, aqueles que são inúteis. Não. Nós não somos incrédulos.
Então, o que acontecerá? Seremos lançados fora. Vocês se lembram da parábola das dez virgens. As cinco virgens insensatas ficaram de fora da festa das bodas do Cordeiro. Tiveram de chorar e ranger os dentes.
Em outras palavras, perderam o reino. Embora sejam salvas, durante a era do reino elas também serão disciplinadas, para que, na eternidade, todos os que são chamados por Deus sejam conformados à imagem do Filho de Deus.
Que o Senhor nos ajude.
Amado Senhor, entregamos a nós mesmos e estas poucas palavras nas Tuas mãos. Oramos para que a Tua Palavra se cumpra na terra assim como no céu.
Agradecemos-Te pela Tua graça que nos encoraja — graça sobre graça. Nós Te adoramos. Amém.