Por favor, abram em Efésios 1:8-10. Vamos ler esses versículos.
Que Ele fez abundar para conosco em toda a sabedoria e prudência;
Havendo-nos feito conhecer o mistério da Sua vontade, segundo o Seu beneplácito, que propôs em Si mesmo,
Para a dispensação da plenitude dos tempos, de reunir todas as coisas em Cristo, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra.
Por favor, abram também em Romanos 11:36.
Porque Dele, e por Ele, e para Ele são todas as coisas;
A Ele seja a glória para sempre. Amém.
Vamos inclinar a cabeça e fazer uma oração.
Senhor, nós Te agradecemos e Te louvamos porque podemos nos reunir em Teu nome. Agradecemos porque nos prometeste, em Mateus 18:20:
Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em Meu nome, aí estou Eu no meio deles.
Tu és o Deus fiel.
Hoje estamos reunidos aqui em Teu nome. Cremos que Tu estás aqui. Sentimos profundamente que estamos pisando em solo santo. Estamos dispostos a tirar os nossos sapatos, assumindo a posição de escravos e olhando para Ti para dizer: “Senhor, qualquer que seja a palavra que tens, por favor, fala; nós ouviremos”.
Nós Te agradecemos e Te louvamos porque, nestes últimos dias, a Tua graça ainda vem sobre nós. Desejamos apenas uma coisa: que a Tua vontade seja feita em nós assim como é feita no céu; que a glória, a majestade, o reino e o poder sejam todos Teus. Oramos em nome do Senhor Jesus. Amém.
Agradecemos ao Senhor por nos dar mais uma oportunidade de nos reunir diante Dele. Não sabemos quantas vezes ainda poderemos nos reunir assim, mas nós Lhe agradecemos e O louvamos. Cada vez que nos reunimos em Seu nome, sabemos que Ele está conosco.
Não estamos reunidos aqui para ouvir alguém falar, porque quem fala não passa de uma voz. Estamos reunidos aqui para buscar o Senhor, para que Ele fale conosco. Ele nos ama e quer nos conduzir plenamente à Sua vontade.
Nestes últimos dias, muitas vezes penso que temos oportunidades como esta, mas não sabemos quantas vezes ainda as teremos. Desejamos que, quando nos reunirmos assim, o Senhor nos ajude a aproveitar essas oportunidades, porque não há nada mais precioso do que isso.
A questão é esta: se o nosso Senhor voltar hoje, nós, que fomos salvos pela graça, estaremos plenamente preparados para vê-Lo? Temos permitido que Sua graça nos prepare, para que, ao vê-Lo, não tenhamos nenhum arrependimento?
O Senhor conhece a nossa condição e, mais uma vez, nos dá uma oportunidade. Hoje, enquanto ainda podemos nos reunir, isso é verdadeiramente uma expressão de Sua grande graça.
O assunto sobre o qual vamos ter comunhão é muito importante, porque nada é mais importante do que a vontade eterna de Deus. Hoje não vivemos para as nossas próprias vontades; vivemos para o propósito eterno de Deus.
Antes da fundação da terra, Deus estabeleceu uma vontade em Si mesmo. Essa vontade foi estabelecida segundo o Seu beneplácito. Desde que estabeleceu essa vontade, todas as Suas obras e todos os Seus atos têm sido de acordo com ela.
Qual é a Sua vontade eterna? É muito simples: Ele quer que todas as coisas, tanto no céu como na terra, sejam reunidas em Cristo.
Se hoje você puder ver o coração de Deus, verá que em Seu coração há apenas Um, e esse é o Seu Filho unigênito. Tudo está em Seu Filho.
Antes de criar todas as coisas, Deus determinou que queria criar todas as coisas no céu e na terra. Contudo, todas essas coisas não existem para si mesmas; todas elas existem para o Seu Filho.
Embora, exteriormente, haja milhares e milhares de coisas, quando Deus olha para o universo, Ele sempre vê o Seu próprio Filho. Todas as coisas devem manifestar a glória de Seu Filho. Todas as coisas devem manifestar o Seu Filho. Essa é a vontade eterna de Deus.
Quer as coisas estejam no céu, quer estejam na terra, a vontade de Deus é que Seu Filho tenha o primeiro lugar e que todas as coisas manifestem e glorifiquem Seu Filho. Todas devem ser a manifestação e a expressão de Seu Filho, porque tudo isso satisfaz o coração de Deus.
Na criação de todas as coisas, o ser humano é especial, porque Deus não criou nenhuma outra coisa segundo a Sua própria imagem. Nem mesmo os anjos foram criados segundo a Sua própria imagem.
Entre todas as coisas, o ser humano é especial porque foi criado segundo a Sua imagem. Deus quer manifestar Seu Filho especialmente entre os seres humanos. Se o céu e a terra revelam a glória de Deus, então o ser humano, de modo especial, deve expressar a glória de Cristo.
Queridos irmãos e irmãs, precisamos ver que tudo o que Deus fez é para o Seu Filho amado. Nós, que fomos salvos pela graça, precisamos experimentar Cristo ao longo de toda a nossa vida, para que Cristo seja manifestado em nós.
Como disse o apóstolo Paulo em Filipenses 1:21:
Porque para mim o viver é Cristo.
Esse é o propósito eterno de Deus.
Queridos irmãos e irmãs, em nossa vida diária, temos manifestado Cristo? É tudo Cristo, e não nós? Muitas vezes somos tão centrados em nós mesmos, mas, para Deus, Cristo é o centro.
Se a nossa vida está fora de Cristo, então, por mais belos que sejamos, aos olhos de Deus somos feios, porque somente o Filho amado de Deus é o Seu prazer.
Isso não diz respeito apenas à nossa vida diária. Em Sua salvação, Deus não se limitou a perdoar os nossos pecados. Ele não queria apenas que fôssemos para o céu. Ele quer que expressemos a plenitude de Seu Filho.
Ele quer que a vida de Seu Filho seja formada em cada um de nós, de modo que, quando os outros nos vejam, não vejam a nós; vejam o Filho amado de Deus. Vejam o nosso Senhor Jesus Cristo. Ele é tudo em nossa vida.
Não é apenas em nossa vida diária que Cristo deve ser tudo. Esta conferência trata especificamente do serviço, por isso queremos dar atenção especial ao serviço. Não é verdade apenas que, para nós, o viver é Cristo; para nós, o servir também é Cristo.
Desta vez, queremos ter comunhão sobre como somos reunidos em Cristo no serviço. A expressão “em Cristo” aparece no Novo Testamento, em Efésios 1 e também em Romanos 13.
Toda a lei se resume no amor. Se você tem amor, não fará aquilo que contraria a lei. As leis são palavras e letras; são formas exteriores. Mas o espírito e a verdade delas são o amor.
Se você realmente tem o amor do Senhor, é claro que não violará essas leis. Você irá além das exigências delas, porque o amor é o espírito.
Irmãos e irmãs, tanto a nossa maneira de viver como o nosso serviço têm uma aparência exterior. Podemos prestar atenção à aparência e desejar ter uma boa aparência, mas podemos negligenciar o espírito interior.
Se prestarmos atenção apenas à aparência, podemos enganar os outros e até a nós mesmos; mas não podemos enganar a Deus. Deus não Se satisfaz com a aparência exterior. Deus presta atenção ao espírito interior. Isso procede de Cristo ou procede de nós mesmos?
Se o meu comportamento ou o meu trabalho não passa daquilo que procede de mim mesmo — do meu próprio bom comportamento —, posso ter um comportamento muito bom. Mas, se isso não procede de Cristo, não passa de uma suposta virtude e não tem verdadeiro valor espiritual. Para ser verdadeiramente bom, precisa proceder de Cristo. Então é aceitável a Deus.
Especialmente em nosso serviço, podemos fazer muitas coisas religiosas por nós mesmos. Mas, se não procedem de Cristo, essas coisas não têm valor diante de Deus.
Portanto, irmãos e irmãs, é isso que queremos enfatizar: quando servimos, qual é o espírito por trás do nosso serviço? Ele procede de Cristo? Depende de Cristo? É para Ele?
Há três aspectos no serviço:
Nesta manhã, gostaríamos de compartilhar sobre o primeiro ponto: como servimos a partir de Cristo?
Quanto ao serviço, se olharmos do ponto de vista da Palavra de Deus, sabemos que cada um de nós é chamado a servir ao Senhor. Na verdade, quando Deus criou o ser humano, Ele já tinha esse pensamento.
Em Gênesis 1, Deus criou o ser humano segundo a Sua própria imagem, homem e mulher. Então a Bíblia nos diz que Deus queria que o ser humano frutificasse e se multiplicasse, sujeitasse a terra e dominasse sobre todas as coisas.
O ser humano que Deus criou não foi criado para si mesmo, nem apenas para o seu próprio prazer. O ser humano foi criado com o propósito de Deus nele. Deus disse que o ser humano deveria sujeitar todas as coisas.
Por que sujeitar todas as coisas? Porque todas as coisas haviam caído nas mãos do inimigo e estavam sob o pecado. Todas as coisas haviam se afastado de Deus. Não haviam feito a vontade do Senhor nem glorificado a Deus.
Por isso, Deus criou o ser humano com uma grande missão: sujeitar todas as coisas. O que significa sujeitar todas as coisas? Significa trazer todas as coisas de volta para debaixo dos pés de Deus, porque a vontade de Deus é que todas as coisas estejam debaixo dos pés de Seu Filho. Esse trabalho foi confiado ao ser humano.
Fomos criados segundo a imagem de Deus. Isso é algo glorioso, mas há também uma missão. A missão é sujeitar todas as coisas e trazê-las de volta para debaixo dos pés de Cristo.
Deus nos deu poder e autoridade para dominar sobre todas as coisas. Qual é o propósito dessa autoridade? Ela nos foi dada para que possamos sujeitar a terra em sua condição caída.
Quando chegamos a Gênesis 2, vemos que Deus colocou o homem no jardim do Éden. O que Deus disse? O homem deveria cultivar e guardar o jardim. O jardim não tinha uma muralha, e Deus queria que o homem fosse essa muralha — que o guardasse.
Por que guardar? Porque havia inimigos do lado de fora. O homem deveria guardar o jardim do Éden para que os inimigos não pudessem entrar. Também deveria cultivar aquilo que Deus havia criado, para que Deus recebesse a glória.
Quando Deus criou o ser humano, confiou-lhe um serviço. Deus não criou o homem e o colocou no jardim do Éden apenas para desfrutar dele. Se fosse esse o caso, todos nós seríamos pessoas egoístas.
Deus criou você e a mim de maneira tão gloriosa porque nos confiou uma missão gloriosa. Mas, lamentavelmente, o ser humano buscou a sua própria glória e desprezou a glória de Deus. Por fim, pecou e caiu.
Queridos irmãos e irmãs, quando olhamos para a história de Israel, vemos a mesma coisa. Os israelitas eram escravos no Egito. Eles nem sequer tinham esperança de vida. Mas, graças a Deus, Ele enviou Moisés para libertá-los.
Quando Deus enviou Moisés ao Egito, Faraó estava no trono. Deus enviou Moisés para dizer a Faraó, conforme Êxodo 4:23:
Deixa ir Meu filho, para que Me sirva.
Vejam, Deus libertou os israelitas não apenas porque eles estavam em sofrimento. É claro que Ele tinha compaixão e Se compadecia deles, mas Seu propósito ao libertar os israelitas não era apenas esse.
Enquanto os israelitas estavam sob o domínio de Faraó, não podiam servir a Deus. Faraó exigia que servissem a ele. Eles viviam sem sequer ter esperança de vida.
Desde o princípio, Deus lhes revelou o propósito de sua libertação, conforme Êxodo 8:1:
Deixa ir o Meu povo, para que Me sirva.
Ninguém pode servir a dois senhores. Ou serve a Deus, ou serve a Mamom. Se você serve a Mamom, não pode servir a Deus.
Deus salvou os israelitas para que pudessem servir a Deus. Quando os libertou do Egito, levou-os ao monte Sinai, deu-lhes a lei e fez uma aliança com eles, para que fossem, de fato, Seu povo.
Com que propósito? Deus queria habitar entre eles. Eles deveriam preparar um tabernáculo para que Deus pudesse habitar entre eles e, ali, pudessem servi-Lo. O propósito do tabernáculo era que o ser humano pudesse servir a Deus naquele lugar.
O Senhor queria que toda a nação fosse um sacerdócio real. Todos deveriam ser sacerdotes. O que é um sacerdote? Desde o seu nascimento, ele vive toda a sua vida para Deus. Seu propósito é servir à vontade de Deus.
Mas, lamentavelmente, os israelitas adoraram o bezerro de ouro e, como resultado, foram desqualificados para servir a Deus.
Às vezes, achamos que, quando servimos ao Senhor, Ele deveria nos considerar qualificados. Podemos pensar: “Uma pessoa como eu pode servir a Deus”, como se o nosso serviço pudesse acrescentar algo à glória de Deus. Mas, irmãos e irmãs, não é assim.
Deus nos permite servi-Lo; isso é Sua grande misericórdia. Quem somos nós? Pó e cinza — os principais entre os pecadores. Contudo, Deus nos salvou e quer que O sirvamos. Devemos nos prostrar diante Dele e agradecer-Lhe por nos dar a oportunidade de servi-Lo.
O desejo de Deus de que o ser humano O sirva é a maior glória que Ele concedeu ao ser humano. Do fundo do coração, nós Lhe agradecemos. Contudo, o ser humano tem desprezado essa questão do serviço. Os israelitas foram desqualificados para servir, e até os levitas falharam.
Quando chegamos aos tempos do Novo Testamento, vemos que o Senhor nos salvou porque conhece a nossa condição atual. Nós, que estávamos mortos em pecados e transgressões, só podíamos servir a Satanás e ao mundo; não podíamos servir a Deus.
Por isso, a salvação veio até nós. Deus nos salvou e preparou para nós uma salvação completa. Ele pode nos salvar plenamente, para que sejamos salvos de nós mesmos e cheios de Cristo.
Essa é a vontade de Deus. Aqueles que Ele predestinou, chamou para serem conformados à imagem de Seu Filho. Aqueles que chamou, justificou; e aqueles que justificou, glorificou.
O desejo do coração de Deus é que sejamos plenamente conformados à imagem de Seu Filho, que o caráter de Cristo seja formado em nós. Exteriormente, somos nós; interiormente, porém, é Cristo. Assim, Paulo pôde dizer, em Filipenses 1:21:
Porque para mim o viver é Cristo.
Por essa razão, podemos servi-Lo. Quando você lê os capítulos 1 a 11 de Romanos, vê as diversas misericórdias de Deus. Ele nos salvou do pecado — não apenas da penalidade do pecado, mas também da lei e do poder do pecado —, para que sejamos santificados e glorificados. Sua salvação é completa.
Quando recebemos essa graça, qual deve ser a nossa resposta? É isso que aparece em Romanos 12:1:
Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus,
Que apresenteis os vossos corpos como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus,
Que é o vosso serviço espiritual.
Nós, que recebemos a graça, devemos oferecer os nossos corpos como sacrifício vivo. Por que os nossos corpos? Porque usamos os nossos corpos para andar e trabalhar. Na verdade, o corpo representa todo o nosso ser — nosso espírito, nossa alma e nosso corpo.
Por causa do amor de Deus, nós nos oferecemos inteiramente como sacrifício vivo. Nos tempos do Antigo Testamento, todos os sacrifícios eram mortos; no Novo Testamento, são sacrifícios vivos.
O que é um sacrifício vivo? É isto: agora sou um sacrifício oferecido a Deus. Não pertenço a mim mesmo; pertenço a Ele. Tu tens plena autoridade sobre mim. A Tua vontade pode prevalecer em mim — não segundo a minha vontade, mas segundo a Tua vontade; não o meu pensamento, mas o Teu pensamento.
Todo o meu ser pertence a Ti. A autoridade sobre mim já é Tua. Agora podes realizar a Tua vontade em mim e usar o meu corpo para Te servir.
Irmãos e irmãs, a consagração é a primeira coisa que todo filho de Deus deve fazer. A consagração é a primeira experiência espiritual e também a última experiência espiritual da nossa vida.
Ao longo de toda a nossa vida, a consagração deve continuar. Com o passar do tempo, ela se aprofunda, até que Cristo seja tudo em todos nós.
Por que nos consagramos? Nós nos consagramos não apenas para que Deus realize Sua obra em nós, mas também porque aquilo que Ele fez em nós nos capacita a servir a Deus, para que Ele seja glorificado.
Portanto, no Novo Testamento, todo aquele que foi salvo pela graça é sacerdote. Embora não tenhamos o título de sacerdote, precisamos ter a realidade de um sacerdote.
Qual é a realidade de um sacerdote? Eu vivo para o Senhor. O Senhor vive em mim. Vivo para servi-Lo, e essa é a minha adoração.
Não pensemos que somente missionários ou pregadores precisam se oferecer. Quando fui salvo, esse era o ensino da época: se você se oferecesse, então se tornaria pregador ou missionário.
Na década de 1930, no dia em que fui salvo, o Espírito do Senhor me iluminou. Vi que estava cheio de pecado, mas agradeci ao Senhor porque Ele me havia salvado.
No fim daquela conferência, no último dia, falaram sobre consagração. Um enorme mapa da China foi colocado na parede, e o pregador falou sobre oferecer-se ao Senhor.
Ele disse: “O Senhor ama muito você. Você deve se apresentar para ser pregador ou tornar-se missionário. Escolha por si mesmo. Venha até a plataforma, e o lugar para onde apontar o dedo será onde você servirá como missionário”.
Eu havia acabado de ser salvo. Tinha quinze anos e estava cheio de emoção. Disse: “Eu amo o Senhor. Quero ir ao lugar mais difícil, ao lugar mais distante”. Então subi à plataforma e apontei o dedo para a Mongólia, porque, naquela época, a Mongólia era o lugar mais distante.
Durante o primeiro ano depois de ser salvo, reuni todos os documentos sobre a Mongólia e me preparei para ir até lá. Depois de concluir o ensino médio, não queria ir para a faculdade. Eu dizia que, se fosse para a faculdade, desperdiçaria quatro anos. Então escolhi uma escola bíblica e quis me preparar para ser pregador.
Mas dou graças a Deus: Ele tinha outro pensamento. Até hoje, não fui à Mongólia.
Queridos irmãos e irmãs, consagrar-se não é tornar-se pregador. Consagrar-se é tornar-se escravo. Você perde os seus próprios direitos; pertence a Deus.
Aquele a Quem você serve é Deus. Você já não serve a este mundo nem a si mesmo. A vontade Dele prevalece. Essa é a nossa primeira experiência espiritual como cristãos.
Se você ainda não teve essa experiência espiritual, não começou a viver a vida espiritual. Mas damos graças e louvores a Deus: cada irmão e cada irmã vive para servir a Deus. Todos nós somos sacerdotes reais.
Essa é a nossa vida; esse é o nosso trabalho. Pertencemos a Ele. Servimos a Ele, e somente a Ele.
Mas, irmãos e irmãs, o serviço é algo tão santo. Será que podemos servir simplesmente segundo a nossa própria vontade? Hoje damos pouca importância ao serviço e importância demais a nós mesmos.
Se voltarmos à Palavra de Deus, veremos que o nosso serviço deve proceder da revelação. A questão hoje é esta: o nosso serviço procede da revelação ou procede da tradição?
Podemos, de fato, servir segundo a tradição. Eu era assim. Depois de ser salvo, queria servir a Deus, mas todo o meu serviço era segundo os meus próprios pensamentos. Eu achava que era assim que Deus deveria ser servido.
Eu era zeloso. Organizei grupos de evangelização para ir às áreas rurais e pregar o evangelho. Quando alguém morria, eu colocava a mão sobre ele para que voltasse à vida. Era tudo segundo a minha própria vontade. Eu não buscava a vontade de Deus.
Se essa é a maneira de servir, então tudo o que você precisa é de zelo. Mas o Senhor fez Sua luz brilhar sobre mim, e vi que o serviço não era uma questão de tradição.
A tradição procede do ser humano e procede do próprio eu. Posso ter a boa intenção de que Deus seja glorificado, mas isso não é o que Deus quer. O serviço deve começar com a revelação.
No Antigo Testamento, o exemplo mais evidente de servo de Deus é Moisés. Repetidas vezes, a Bíblia o chama de “Moisés, Meu servo”.
Quando Moisés nasceu, foi milagrosamente livrado de morrer afogado no rio Nilo. Tornou-se o filho adotivo da filha de Faraó, mas foi amamentado por sua própria mãe.
Sua mãe não apenas o alimentou com seu leite, mas, de alguma forma, também lhe comunicou a vontade e o pensamento de Deus: Deus o havia livrado e pretendia usá-lo para libertar os israelitas. Esse pensamento lhe foi transmitido enquanto ainda era amamentado.
Moisés cresceu no palácio do Egito. Aprendeu todo o conhecimento do Egito e era poderoso. Quando tinha quarenta anos, sentiu que havia chegado a hora de libertar o seu próprio povo.
Ele usou a sua própria força para tentar realizar a libertação. Viu um egípcio maltratando um israelita. Como não havia ninguém por perto, matou o egípcio. No dia seguinte, viu dois israelitas discutindo e perguntou: “Como vocês podem brigar um com o outro — irmãos brigando entre si?”.
A notícia se espalhou, Faraó quis matá-lo, e Moisés fugiu. Foi para Midiã, onde permaneceu por mais quarenta anos. Durante esses quarenta anos, cuidou de ovelhas.
Depois de quarenta anos, Deus lhe deu uma visão. Moisés viu uma sarça. Isso era algo comum no deserto, porque o deserto era quente e seco, e as sarças muitas vezes pegavam fogo por si mesmas. Como eram sarças, logo eram consumidas.
Mas Moisés viu aquela sarça ardendo sem ser consumida. Era algo extraordinário. Então se aproximou.
Da sarça veio uma voz. Deus começou a falar, conforme Êxodo 3:5:
Este lugar é terra santa;
Tira as sandálias dos pés.
Moisés ficou ali na posição de escravo.
Deus falou com ele e lhe disse que voltasse ao Egito para libertar os israelitas. Mas, àquela altura, Moisés tinha oitenta anos. Considerava que já estava acabado.
Vocês se lembram de Salmos 90:10: uma pessoa pode viver setenta anos e, se tiver vigor, oitenta anos. Moisés se considerava praticamente morto. Contudo, Deus queria que ele fosse. Moisés disse, em Êxodo 4:10:
Senhor, sou pesado de boca e pesado de língua.
Isso era verdade. Depois de falar com ovelhas durante quarenta anos, ele havia perdido toda a sua eloquência. Também não tinha poder algum. Como poderia ir a Faraó?
Mas, graças a Deus: o fim do ser humano é o começo de Deus.
Quando Moisés tinha quarenta anos, serviu segundo a tradição — segundo a sua própria vontade e a sua própria força. Agradecemos a Deus porque ele fracassou. Se tivesse sido bem-sucedido, a situação teria sido outra.
Por meio daquele fracasso e dos quarenta anos no deserto, todo o seu aprendizado anterior se perdeu. Mas ele aprendeu uma coisa: aprendeu a conhecer a Deus. Com base no conhecimento de Deus, pôde voltar ao Egito e libertar os israelitas.
Irmãos e irmãs, o nosso serviço é segundo a tradição ou segundo a revelação? É porque alguém lhe disse que você deveria servir, segundo a maneira humana e segundo a sua própria força? Ou Deus lhe deu luz, revelação, visão e graça?
Não devemos mais depender de nós mesmos. Tudo deve ser segundo Ele. Somente esse serviço procede Dele e tem sua origem Nele. Então a fonte é a correta.
Quando chegamos ao Novo Testamento, entre todos os que serviram ao Senhor — além do próprio Senhor Jesus —, precisamos pensar em Paulo. Paulo era uma pessoa extraordinária.
Quando era jovem, tinha uma formação completa e muitas oportunidades. Muitos jovens buscam as coisas boas deste mundo, mas esse jovem era diferente. Embora fosse jovem, buscava as coisas espirituais.
Desde a juventude, buscava a lei. Foi a Jerusalém para estudar com o grande rabino Gamaliel e aprendeu a lei. Tornou-se fariseu.
Hoje, quando pensamos nos fariseus, pensamos em hipocrisia. Isso pode ser verdade, mas aqui estava um verdadeiro fariseu. Ele levava as coisas a sério. Buscava a Palavra de Deus, palavra por palavra, e era zeloso pela tradição dos pais.
Se vocês lerem Atos 7, verão que, quando Estêvão foi apedrejado até a morte, Paulo guardava as vestes daqueles que o apedrejavam e aprovava aquilo. Depois começou a perseguir o Caminho.
Um jovem assim — era dessa maneira que ele servia a Deus. Quanto mais servia a Deus, mais Deus rejeitava o seu serviço. Contudo, Deus sabia que seu coração era sincero.
Deus permitiu que ele perseguisse Seus próprios filhos, até o dia em que Paulo recebeu cartas do sumo sacerdote e foi a um lugar estrangeiro para prender os crentes e levá-los a Jerusalém para serem condenados.
Vejam a paciência de Deus. A corda do amor é muito longa. O Senhor permitiu que ele fosse até o fim, mesmo quando já se aproximava de Damasco.
Ao meio-dia, uma luz intensa veio do céu, mais brilhante do que o sol. Ele caiu por terra. A luz o derrubou, e ele ouviu uma voz, conforme Atos 26:14:
Saulo, Saulo, por que Me persegues?
Dura coisa te é recalcitrar contra os aguilhões.
Não era uma voz irada. Era uma voz cheia de compreensão e compaixão. Se você age dessa maneira, está ferindo a si mesmo.
Ali a luz de Deus brilhou sobre ele, e ele foi liberto. Todo o seu serviço foi completamente transformado. Tornou-se o apóstolo Paulo e pôde testemunhar, em Atos 26:19:
Não fui desobediente à visão celestial.
Queridos irmãos e irmãs, esse serviço procedeu da revelação.
Na questão de servir ao Senhor, há duas fontes. Uma fonte procede do ser humano, até mesmo da melhor tradição. A tradição judaica era a melhor tradição religiosa; contudo, essa tradição se opôs a Deus.
Somente o serviço que procede da revelação — da visão celestial — procede de Deus.
Ao longo de toda a nossa vida de serviço, precisamos que Deus faça Sua luz brilhar sobre nós, para que possamos discernir se o nosso serviço procede do ser humano ou de Deus. Ele procede da tradição humana, até mesmo da melhor tradição do cristianismo, ou é uma visão celestial?
Se for uma visão celestial, essa visão se apoderará de você e o transformará, de modo que o seu serviço tenha sua origem Nele, e não em você mesmo.
Vocês se lembram de Mateus 7:22. Perto do final do Sermão do Monte, o Senhor falou de pessoas que viriam a Ele e diriam:
Senhor, Senhor, não profetizamos nós em Teu nome?
E em Teu nome não expulsamos demônios?
E em Teu nome não fizemos muitas maravilhas?
Mas o Senhor disse, em Mateus 7:23:
Apartai-vos de Mim, vós que praticais a iniquidade;
Nunca vos conheci.
No idioma original, isso significa: “Eu não vos aprovo”.
Queridos irmãos e irmãs, um dia podemos chegar diante do Senhor e dizer: “Senhor, Senhor, servi desta maneira. Servi daquela maneira”. Mas, se o Senhor disser: “Eu não aprovo você”, é porque não fizemos isso a partir Dele. Nosso serviço procedeu do ser humano, e não Dele.
Que estas palavras nos encorajem. Vamos orar.
Senhor, se estas palavras tão fracas procedem de Ti, pedimos que acrescentes luz e a faças brilhar sobre elas, para que o nosso serviço não seja em vão ao longo de toda a nossa vida.
Senhor, estamos dispostos a Te servir. Queremos Te servir a partir de Ti. Liberta-nos. Em nome do Senhor Jesus. Amém.