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    Making Disciples: Part #3 - The Making Process © 2026 Christian Testimony Ministry
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    Making Disciples: Part #3 - The Making Process
    Making Disciples: Part #3 - The Making Process
    Pittman, Kenny

    Formação de discípulos, parte três: o processo do discipulado

    Gostaria de pedir que vocês abrissem comigo no final do Evangelho de Mateus, no capítulo 28. Vamos ler os versículos que temos usado como tema destas mensagens sobre a formação de discípulos.

    Começando em Mateus 28:16:

    Os onze discípulos, porém, foram para a Galileia, para o monte que Jesus lhes havia designado.
    E, quando O viram, adoraram-No; mas alguns duvidaram.
    E Jesus, aproximando-Se, falou-lhes, dizendo: Toda a autoridade Me foi dada no céu e na terra.
    Ide, portanto, e fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo:
    ensinando-os a observar todas as coisas que vos ordenei; e eis que Eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos.

    Agora, em Mateus 13:51-53, vou ler estes três versículos da American Standard Version, de 1901. Esta passagem está no final do ensino do Senhor por meio de parábolas:

    Entendestes todas estas coisas? Disseram-Lhe: Sim.
    E Ele lhes disse: Portanto, todo escriba que foi feito discípulo do reino dos céus é semelhante a um pai de família, que tira do seu tesouro coisas novas e velhas.
    E aconteceu que, quando Jesus terminou estas parábolas, retirou-Se dali.

    Mateus 10:24-25:

    O discípulo não está acima do seu mestre, nem o servo acima do seu senhor.
    Basta ao discípulo ser como seu mestre, e ao servo como seu senhor.

    Lucas 14:26-27:

    Se alguém vem a Mim e não odeia seu próprio pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs, e ainda a sua própria vida, não pode ser Meu discípulo.
    Quem não leva a sua própria cruz e não vem após Mim não pode ser Meu discípulo.

    E então aquele chamado aos discípulos em Mateus 4:19, que, creio eu, tem estado no centro deste encargo:

    Vinde após Mim, e Eu vos farei pescadores de homens.

    Senhor, nós Te agradecemos pela Tua Palavra. Como sempre, cremos que as Tuas palavras são espírito e vida. Se Tu não soprares mais uma vez sobre a Tua Palavra viva, este tempo não nos trará benefício algum.

    Dizemos, como disse o apóstolo Pedro, aquele discípulo que Tu formaste:

    Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna.

    Fala, Senhor; os Teus servos ouvem. Concordamos com aquele cântico: fura a nossa orelha, traz-nos para junto de Ti, ensina-nos os Teus caminhos e faz de nós aquilo que Tu queres. Pois pedimos isso no precioso nome do Senhor Jesus. Amém.

    O processo de formação de discípulos

    Bem, vocês sabem que, nas últimas vezes em que compartilhei, tenho falado sobre esta questão da formação de discípulos. Esta é a terceira parte. Acho que haverá uma quarta parte, e creio que ela será a conclusão.

    Nesta parte, Formação de discípulos, parte três, gostaria de tratar do processo de formação. Há um processo. Não acontece simplesmente de, de repente, sermos discípulos.

    É por isso que a Palavra de Deus enfatiza tanto, quando trata desta questão dos discípulos, que eles são formados. Naquela Grande Comissão, nas últimas palavras do Evangelho de Mateus, Ele disse:

    Ide, portanto, e fazei discípulos.

    Quando chamou os discípulos pela primeira vez, Ele disse a Pedro e André:

    Eu vos farei pescadores de homens.

    Quando estava ensinando por meio daquelas parábolas, tão pouco compreendidas, Ele disse:

    Todo escriba que foi feito discípulo do reino dos céus é semelhante a um pai de família, que tira do seu tesouro coisas velhas e novas.

    Portanto, não acho que essa expressão, “formação de discípulos”, seja algo que inventei para vocês. É a Palavra de Deus, e há um processo por trás da formação de discípulos. Se você será discípulo ou não depende de se submeter a esse processo. Esse é o encargo que vamos abordar hoje.

    As impressões iniciais acerca do discipulado

    Eu disse que houve três impressões iniciais quando este encargo foi colocado em meu coração no verão passado.

    Em primeiro lugar, o chamado ao discipulado vai além daquele chamado inicial para crer no Senhor Jesus. É distinto; vai além.

    Na semana passada, nosso irmão Jeffrey falou sobre dádiva e recompensa. Se você crê no Senhor Jesus, tem a vida eterna. Ela nunca lhe será tirada. Você não pode perdê-la. É a dádiva gratuita de Deus.

    Mas, sempre que você lê sobre esta questão do discipulado, como em Mateus 10 ou Mateus 16, encontra uma palavra diferente. Encontra a palavra que aparece na conclusão: recompensa. A formação de discípulos vai além daquele chamado inicial para crer. Há uma diferença.

    Em segundo lugar, o encargo em meu coração é que o chamado ao discipulado é um chamado ao qual se responde voluntariamente — nem todo crente responde a ele. Agora, deixem-me ser muito cuidadoso aqui. Não quero confundir ninguém. Não quero que vocês pensem, nem por um momento: “Puxa, que bom! Podemos pular essa parte”.

    Não está no coração de Deus que ignoremos o chamado ao discipulado. Esse nunca foi o Seu plano. Todo crente deve ser discípulo. É isso que Ele busca. Todo crente deve responder voluntariamente e, ao final, tornar-se discípulo — ser formado como discípulo. Mas nem todo crente o faz.

    Fiquei encorajado pelo que Oswald Chambers disse e pela maneira como isso confirmou essa impressão em meu coração. Ele disse que, quando se trata de discípulos, o Senhor nunca disse: “Você tem que ser”. Ele disse: “Lembrem-se dos ses de Deus”.

    Lucas 14:26-27 diz:

    Se alguém vem a Mim…

    E então Ele prossegue e diz que, se essa pessoa não odeia seu pai e sua mãe — aquele versículo desconcertante com o qual também temos dificuldade —:

    …não pode ser Meu discípulo.

    Depois, Ele disse:

    Quem não leva a sua própria cruz e não vem após Mim não pode ser Meu discípulo.

    A resposta é voluntária. Ele quer que todos respondam, mas a questão está no se.

    A terceira impressão é esta: discípulos não nascem; são formados. Não somos como os reis e os membros da realeza; não nascemos nessa condição. Precisamos ser formados.

    Vocês já me ouviram dizer isto: sou fã de futebol americano, e gosto muito do que disse Vince Lombardi, aquele grande treinador. Ele pegou homens, alguns dos mais modestos, e os transformou em uma equipe. Sua filosofia era que os líderes não nascem; são formados.

    Creio que isso também é verdade para os discípulos. Nascemos de novo, mas precisamos ser formados. Precisamos ser transformados. Precisamos ser conformados. É necessário que Deus trate conosco para nos levar da condição de crentes em Cristo Jesus, pela graça gratuita de Deus, à condição de discípulos.

    A Palavra diz:

    Basta ao discípulo ser como seu mestre.

    Isso é um processo.

    A vida do discípulo

    Da última vez, tratamos de algumas coisas: a necessidade do discipulado. Se algum de vocês acha que estou dizendo que isso não é importante, ou que pode simplesmente ignorá-lo como uma opção — mais ou menos como quando você compra um carro e deixa de fora um item opcional —, considere a necessidade do discipulado.

    Ele confia aos Seus discípulos o Seu testemunho. Ele reúne os Seus discípulos em Seu propósito eterno. Seus discípulos tornam-se Sua habitação. Seus discípulos são aqueles que são formados à Sua imagem. Essa é a necessidade do discipulado.

    Também falamos sobre a necessidade de revelação. Se vamos ser formados como discípulos, precisamos de revelação divina. É isso que, creio eu, a Palavra ensina claramente. Foi o que aconteceu com Pedro.

    Vocês se lembram da história em Mateus 16. Antes que esse homem pudesse ser formado como discípulo, transformado de maneira plena, Deus teve que abrir seus olhos para ver o Cristo incomparável. Isso mudou tudo.

    Então o Senhor abriu ainda mais os seus olhos e disse:

    Sobre esta rocha edificarei a Minha igreja; e as portas do Hades não prevalecerão contra ela.

    Ele lhe revelou os Seus segredos mais profundos.

    Creio que, na formação de um discípulo, se nos submetermos a Ele e respondermos a Ele, Ele nos fará discípulos e nos mostrará os Seus segredos mais profundos.

    Então Ele disse: “Pedro, você é uma pedra viva” — material para a edificação daquela casa. Quando Pedro reflete sobre isso e escreve aos dispersos, em 1 Pedro 2:5, ele diz:

    Vós também, como pedras vivas…

    Essa preciosa revelação Ele compartilhou conosco.

    Outra coisa que compartilhei foi que o próprio nome Simão, forma grega de Simeão, significa ouvir. Em termos simples, a chave para ser formado como discípulo é responder.

    Nenhum de nós tem o que é necessário. Você pensa, por um momento, que tem os requisitos? Pensa, por um momento, que isso está em seu poder? Se você é constrangido pelo amor de Deus, uma coisa está em seu poder: você pode responder.

    Foi o que Pedro fez repetidas vezes. Ele respondeu. Muitas de suas respostas podem ter sido passos em falso, mas cada uma foi uma resposta verdadeira. Por causa disso, Deus o fez discípulo.

    Hoje quero falar sobre a vida do discípulo. Se vamos ser transformados nesse processo, precisamos ver o que é a vida do discípulo.

    Não acho, nem por um momento, que compreendamos plenamente a vida cristã. De alguma forma, pensamos que a vida cristã é aquilo que nós mesmos devemos viver. Já repeti isso tantas vezes que estou cansado de falar, e alguns de vocês talvez já estejam cansados de ouvir.

    Mas, muito tempo atrás, quando eu era um cristão novo e estava naquele processo de dar com a cabeça na parede tentando viver a vida cristã, pareceu-me que o Espírito Santo me revelou isto: é impossível para nós viver a vida cristã. Impossível.

    Isso deveria fazer todos nós relaxarmos um pouco. Deus nunca pretendeu que você vivesse a vida cristã. Você talvez diga: “Irmão, isso é blasfêmia! Ou, pelo menos, heresia! Do que é que você está falando?”

    Não, nunca fomos destinados a viver a vida cristã por nós mesmos. O apóstolo Paulo disse:

    Porque para mim o viver é Cristo.

    Ele disse aos gálatas:

    Estou crucificado com Cristo; e já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim.

    Se vamos ser formados como discípulos, precisamos enxergar a vida do discípulo.

    A resposta imediata do discípulo

    Voltem a Mateus 4. Há algumas coisas que queremos examinar. Isso acontece logo depois do chamado ao discipulado.

    Em João 1, vemos o chamado dessas mesmas pessoas para serem crentes. Aqui, vemos o chamado ao discipulado. Em Mateus 4:18-22, não vou ler todos os versículos, mas quero que vocês observem o que aconteceu quando eles foram chamados.

    Primeiro, Pedro e André. Mateus 4:20 diz:

    E eles, deixando imediatamente as redes, seguiram-No.

    Depois, Ele chamou João e Tiago, os filhos de Zebedeu. Mateus 4:22 diz:

    E eles, deixando imediatamente o barco e seu pai, seguiram-No.

    Essa é a resposta que o Senhor procura. Como é lenta a nossa resposta! Quando o Senhor toca o coração para formar um discípulo, Ele procura uma resposta simples — não uma resposta que diga: “Eu consigo viver a vida cristã”, nem uma que diga: “Eu consigo fazer tudo aquilo para o qual Tu me chamaste”, mas uma resposta simples, imediata e sincera, que diga: “Sim, Senhor”.

    As pessoas muitas vezes me perguntam o que devem fazer como cristãs. Tenho um único conselho: apenas diga: “Sim, Senhor”. Ele fará a obra de formação. Ele é o Oleiro; você é o barro.

    O poder da vida de Cristo

    Agora vejam Mateus 4:23-25:

    E Jesus percorria toda a Galileia, ensinando nas sinagogas deles, e pregando o evangelho do reino, e curando toda espécie de doença e toda espécie de enfermidade entre o povo.
    E a Sua fama se espalhou por toda a Síria: e trouxeram-Lhe todos os que estavam enfermos, acometidos de várias doenças e tormentos, endemoninhados, epilépticos e paralíticos; e Ele os curou.
    E grandes multidões O seguiram, vindas da Galileia, e de Decápolis, e de Jerusalém, e da Judeia, e de além do Jordão.

    O que isso significa? Creio que, depois daquele chamado inicial, Ele queria mostrar-lhes o poder da Sua vida.

    Ele não foi à Galileia apenas para ensinar. Agora, alguns de vocês talvez queiram discutir comigo sobre isso. Ele não foi apenas para curar toda espécie de doença, os endemoninhados e os aflitos. Se tivesse sido esse o Seu propósito, creio que Ele teria permanecido com as multidões.

    Mas, quando lemos o capítulo seguinte, Ele Se afasta das multidões e reúne os discípulos para lhes dizer o que realmente queria que ouvissem.

    Ele queria mostrar-lhes o poder. Vejam esse poder: toda doença, toda espécie de enfermidade, toda fraqueza. O que Ele estava demonstrando era o poder incorruptível daquela vida.

    Esta deve ser a vida do discípulo: aquela vida. Não a sua vida — a sua vida recuperada, retrabalhada e modificada. Muitas vezes descrevemos a vida cristã como uma vida mudada. Ela não é apenas uma vida mudada; é uma vida substituída por outra. É uma vida diferente.

    Aquela vida é poderosa o suficiente para tomar você e fazer de você um discípulo. Para mim, essa é a lição que vem depois do chamado.

    O caráter revelado no Sermão do Monte

    Agora passamos a Mateus 5:1-2:

    E, vendo as multidões, Ele subiu ao monte: e, tendo-Se assentado, os Seus discípulos aproximaram-se Dele:
    e Ele abriu a Sua boca e os ensinou.

    A maioria de vocês sabe o que é isso. Nosso irmão Jack leu uma parte dessa passagem na abertura da reunião. É o Sermão do Monte — Mateus 5, 6 e 7. Nunca houve um sermão maior do que esse.

    Mas há um ponto apresentado logo no início que percorre toda essa mensagem. Muitas vezes olhamos para o Sermão do Monte da maneira errada. Nós o vemos como uma lei cristã do Novo Testamento: é assim que devemos viver. Nós o vemos como a conduta de um cristão.

    Mas, na verdade, ele é a revelação do caráter da vida do Senhor. Essa é a diferença. Como precisamos enxergar o Senhor Jesus! É o caráter Dele.

    Todos conhecemos as bem-aventuranças, e gostamos de falar sobre elas. Pensamos: “Bem, só precisamos ser mais pobres de espírito”, e então andamos por aí abatidos, tentando parecer pobres de espírito. Ou pensamos que precisamos ser daqueles que choram, então colocamos uma expressão triste e dizemos: “Ai de mim!”

    Ou pensamos que devemos ser mansos, e então praticamos, com todo o nosso orgulho, a melhor demonstração de mansidão que conseguimos. Ou pensamos que devemos ter fome e sede, mas nossa fome e sede de justiça são tão pequenas.

    Pensamos que precisamos ser misericordiosos, então demonstramos misericórdia de vez em quando, quando nos convém. Ou pensamos que devemos ser puros de coração. Quem é puro de coração? Quem tem mãos limpas e coração puro, e não elevou a sua alma à vaidade? É você?

    Ele está falando aqui sobre a nossa conduta? Não creio.

    Creio que Ele chamou esses discípulos à parte como quem diz: “O processo secreto começa quando vocês enxergam que não se trata, de modo algum, da própria vida de vocês”.

    É Cristo em vós, a esperança da glória.

    Esse é o segredo.

    Quem é o pacificador? Você é o pacificador? Os liberais adoram citar esse versículo — ah, os pacificadores! Vou tomar cuidado aqui; não vou entrar na política, prometo.

    Ele é Aquele que fez a paz. Ele trouxe a paz de Deus. Ele derrubou a parede de separação e fez de ambos um só — judeus e gentios. Ele é o Pacificador.

    Quem chorou como o Senhor Jesus? Pensem Nele no Getsêmani: grandes gotas de suor como sangue. Vocês conseguem imaginar aquela tristeza? Há uma expressão que diz que Ele estava triste até a morte. Ele é Aquele que chora.

    Quem é perseguido? Gostamos de dizer: “Puxa, como têm perseguido a nós, cristãos!” Mas não foi Ele o mais perseguido e, ao mesmo tempo, o mais inocente?

    Até a autoridade daquela época, angustiada por não conseguir libertá-Lo, trouxe-O para fora e disse:

    Eis o homem.

    Não acho Nele culpa alguma.

    Ele é o Perseguido. Ele é Aquele que suportou o opróbrio.

    O castigo que nos traz a paz estava sobre Ele.

    Creio que a lição simples, quando Ele deixou a multidão e chamou os discípulos à parte, era esta: há uma vida de que você precisa para ser formado como discípulo. Há um caráter que você precisa enxergar, e não é o seu caráter. Não se trata de aperfeiçoamento pessoal.

    É o caráter do Senhor Jesus. As bem-aventuranças não nos dizem qual deveria ser a nossa conduta; elas nos mostram qual é o caráter Dele. Essa é a diferença.

    Caráter e conduta

    Espero que vocês comecem a enxergar isso. Creio que a mensagem é clara, porque Mateus 5, no Sermão do Monte, trata da revelação dessa vida, desse caráter. Mateus 6 e 7 tratam da conduta.

    Há uma lição simples aí: se você tiver o caráter correto, terá a conduta correta. Não compliquem demais o Sermão do Monte.

    No início, com aquelas nove bem-aventuranças — aqueles nove gloriosos traços de caráter —, Ele está lhes dizendo que, se esse caráter estiver neles, a conduta não será um problema. É isso que Ele está dizendo.

    O padrão da vida de Cristo

    Outra maneira pela qual gostamos de olhar para o Sermão do Monte é como um padrão de vida, aquela nova lei segundo a qual vivemos. Pensamos no Novo Testamento como se o Senhor Jesus simplesmente tivesse vindo e reduzido o padrão.

    É como o que fazíamos no ensino médio. Costumávamos ter que fazer salto em altura — meninos e meninas, por sinal. Sou tão velho que tínhamos que saltar em uma caixa de serragem. Acho que vocês agora têm algum material moderno chamado espuma sobre o qual podem cair.

    Saíamos suados, sujos e cobertos de serragem. Se alguém não conseguia fazer o salto em altura, íamos baixando a barra. Havia pessoas em nossa turma — sem mencionar nomes — para as quais chegávamos ao ponto de deixá-las simplesmente passar por cima da barra.

    O padrão era reduzido a tal ponto que tudo o que você precisava fazer era passar por cima da barra. De alguma forma, pensamos que foi isso que o Senhor fez no cristianismo. Ele simplesmente baixou a barra.

    Não foi isso que Ele fez. Quando lemos o Sermão do Monte, vemos que, na verdade, Ele elevou a barra. É incrível. Ele disse:

    Se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo algum entrareis no reino dos céus.

    Ele não reduziu o padrão de forma alguma. E encerra Mateus 5 com estas palavras:

    Sede vós, portanto, perfeitos, como é perfeito o vosso Pai celestial.

    Se você acha que Ele reduziu o padrão, veja Mateus 5:48:

    Sede perfeitos, como é perfeito o vosso Pai celestial.

    No restante de Mateus 5, há cinco lugares em que Ele diz:

    Ouvistes…

    Ele está falando da lei do Antigo Testamento. Então diz repetidamente:

    Eu, porém, vos digo…

    Em Mateus 5:21-22:

    Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás; e quem matar estará sujeito ao juízo:
    Eu, porém, vos digo que todo aquele que se irar contra seu irmão estará sujeito ao juízo.

    Ele reduziu o padrão? Não. Ele nos mostrou uma vida superior, capaz de corresponder ao padrão. Ele elevou o padrão e disse que o padrão do discípulo é a vida de Cristo. Esse é o segredo.

    Em Mateus 5:27-28:

    Ouvistes que foi dito: Não adulterarás:
    Eu, porém, vos digo que todo aquele que olhar para uma mulher para a cobiçar já cometeu adultério com ela em seu coração.

    Ah, eu gostaria que Ele não tivesse dito isso. Todos os homens estão se encolhendo na cadeira. Vocês sabem que Ele não reduziu o padrão.

    Então, em Mateus 5:33-34:

    Também ouvistes que foi dito aos antigos: Não jurarás falsamente, mas cumprirás ao Senhor os teus juramentos:
    Eu, porém, vos digo: Não jureis de modo algum.

    Ele reduziu o padrão? Não. Ele mostra uma vida. É isso que Ele faz.

    Em Mateus 5:38-39:

    Ouvistes que foi dito: Olho por olho, e dente por dente:
    Eu, porém, vos digo: Não resistais ao malvado; mas, se alguém te ferir na face direita, oferece-lhe também a outra.

    Não sei se vocês já colocaram isso em prática pessoalmente, mas é uma coisa difícil de fazer. “Espere um pouco. Só me dê um momento. Estou pronto para oferecer a outra face.” Impossível. É impossível.

    Agora, Mateus 5:43-44:

    Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo, e odiarás o teu inimigo:
    Eu, porém, vos digo: Amai os vossos inimigos, e orai pelos que vos perseguem.

    Eu gostaria que Ele não tivesse dito isso. Há pessoas que eu não amo, e sei que há um monte de pessoas que não me amam.

    O que Ele está tentando nos mostrar é que, no processo de formação de um discípulo, há uma vida além da sua própria vida. Não se trata da sua conduta; trata-se do caráter Dele. Não se trata de você se adequar a uma lei, nem mesmo da redução de um padrão. É simplesmente a vida de Cristo em nós que nos faz discípulos.

    Este é o processo. Se você quer levar estas mensagens a sério e se submeter imediatamente ao Senhor, como aqueles quatro fizeram, então diga: “Senhor, mostra-me. Ensina-me a viver pela Tua vida”. Essa é a única maneira de ser formado como discípulo.

    A lei do discípulo

    A próxima coisa que queremos examinar é a lei do discípulo. Há uma lei. A lei do discípulo é a lei da cruz.

    Esta não é uma mensagem muito bem recebida no cristianismo. Amamos a cruz na qual encontramos a nossa salvação, onde Ele sofreu e morreu sozinho, onde sofreu fora do arraial. Amamos essa cruz.

    Amamos até mesmo a cruz que nos liberta, no sentido de que somos crucificados com Cristo e identificados com Ele. Mas, quando o Senhor disse àqueles que estava prestes a formar como discípulos: “Se não tomarem a sua cruz e Me seguirem, não podem ser Meus discípulos”, Ele apresentou esta única lei do discipulado.

    Deixem-me dizer isso de maneira mais clara: você nunca será discípulo se não levar a cruz. Você nunca será formado como discípulo se não levar a cruz.

    O Senhor falou sobre essa cruz subjetiva em três ocasiões. A primeira está em Mateus 10, que apresenta o mesmo ensino encontrado em Lucas 14 e em Marcos.

    Lucas 14:25-27 diz, como já lemos:

    Quem não leva a sua própria cruz e não vem após Mim não pode ser Meu discípulo.

    Essa é a lei do discipulado. Se vocês examinarem Mateus 10 e Lucas 14, verão que essas exposições terminam com a palavra recompensa. Isso não tem a ver com a sua salvação eterna. Não tem.

    Se você tomar a sua cruz, ao final haverá recompensa. Essa é a lei do discipulado.

    A cruz e a lei da autopreservação

    A segunda ocasião está em Mateus 16. Tratamos um pouco disso da última vez. O Senhor Jesus deu aquela grande revelação, mas mudou de tom e de assunto em Mateus 16:21:

    Desde aquele tempo começou Jesus a mostrar aos Seus discípulos que Lhe era necessário ir a Jerusalém, e sofrer muitas coisas dos anciãos, dos principais sacerdotes e dos escribas, e ser morto, e ressuscitar ao terceiro dia.

    Ele começou a falar claramente sobre o Seu sofrimento pela primeira vez. Então Mateus 16:22 diz:

    E Pedro, tomando-O à parte, começou a repreendê-Lo, dizendo: Longe de Ti, Senhor; isso de modo algum Te acontecerá.

    Vocês conseguem imaginar a presunção de Pedro — agarrar o Senhor Jesus? Tenho a impressão de que ele O estava sacudindo e dizendo: “Poupa-Te a Ti mesmo”.

    A Tradução Literal de Young apresenta assim: “Sê bom para Ti mesmo”. Literalmente, significa: “Tem pena de Ti mesmo”. Acho que muitos de nós entendemos essa filosofia. Boa parte do tempo, vivemos nos entregando à autopiedade.

    Mas Pedro está dizendo: “Olha, não deixes que isso aconteça Contigo”. O Senhor lhe deu a repreensão mais forte que já deu a alguém:

    Para trás de Mim, Satanás: tu Me és pedra de tropeço: porque não cogitas das coisas de Deus, mas das coisas dos homens.

    Aqui está a diferença entre a lei do discípulo e a lei deste mundo. A lei deste mundo diz: “Seja bom para si mesmo. Tenha pena de si mesmo. Poupe a si mesmo”.

    Essa é a lei deste mundo. Ela me lembra a famosa frase de Shakespeare: “Sê fiel a ti mesmo”. Se eu ouvir isso em mais um discurso de formatura, vou gritar. Essa é a lei deste mundo.

    Mas essa não é a lei para a qual fomos chamados. É muito diferente. Mateus 16:24 diz:

    Se alguém quer vir após Mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me.

    Você talvez ache isso extraordinariamente difícil, mas, na verdade, é a nossa libertação. Estamos presos à lei deste mundo.

    Não pensem que isso acontece porque nos amamos pouco. Eu, particularmente, acho que as pessoas infelizes amam a si mesmas. Muitas vezes penso que essa é a razão de serem tão infelizes. É apenas uma maneira estranha de demonstrar esse amor.

    A lei deste mundo diz: “Seja bom para si mesmo”. A lei do discípulo — a lei indispensável do discípulo, a lei sem a qual você não pode ser formado como discípulo — é: tome a sua cruz; siga-Me.

    O significado de tomar a cruz

    No final de Mateus 16, há três ocorrências de “porque” que explicam o que significa tomar a cruz. No inglês, a palavra é for — F-O-R —, não four, o número quatro.

    Jesus disse aos Seus discípulos:

    Se alguém quer vir após Mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me.

    Aqui está o primeiro “porque”:

    Porque quem quiser salvar a sua vida a perderá: e quem perder a sua vida por Minha causa a achará.

    Não parece um emaranhado de palavras? O que Tu queres dizer: quem quiser salvar a sua vida a perderá, e quem perder a sua vida por Minha causa a achará? Afinal, o que significa esse paradoxo? Essa lei me parece tão estranha.

    Bem, é muito simples. A vida mencionada aí é a vida da alma. É aquilo que você é. É a sua personalidade. Deus nunca quer tirá-la de você. É a sua mente, a sua vontade e as suas emoções.

    Mas a palavra salvar, no primeiro caso, significa preservar ou proteger. É isso que significa. A polícia deve preservar e proteger.

    Como cristão, a lei é que você coloque a sua alma sob nova direção. É isso que a cruz significa. O problema da alma é que ela está sob aquela velha filosofia: “Seja bom para si mesmo. Seja fiel a si mesmo”.

    A lei do discípulo é colocar essa alma sob nova direção — a direção do Espírito Santo. É assim que você é formado como discípulo.

    Não consigo pensar em mensagens mais importantes que tenhamos ouvido no último ano, mais ou menos, do que essas mensagens sobre o exercício espiritual. É disso que se trata: colocar a nossa alma sob nova direção.

    Não mais sob a velha lei, mas sob esta nova lei. Se você fizer isso, encontrará a si mesmo. Isso não é negativo de modo algum. Se não fizer isso, perderá a sua alma; mas, se o fizer, encontrará a sua alma.

    O ganho e a perda da alma

    O segundo “porque” está em Mateus 16:26:

    Porque que proveito terá o homem, se ganhar o mundo inteiro e perder a sua vida? Ou que dará o homem em troca da sua vida?

    Isso é ganho e perda. É como um negócio. Que proveito há se você perder a sua alma, mesmo que ganhe o mundo inteiro?

    Acho que muitos de nós vivemos segundo a filosofia de ganhar o mundo inteiro. Vocês já viram aquele adesivo de carro: “Quem morrer com mais brinquedos vence”. Que triste. Você nunca terá brinquedos suficientes.

    Você pode ganhar o mundo inteiro, mas, se não colocar a sua alma sob nova direção — sob o controle do Espírito Santo — e permitir que Ele comece a formá-lo à Sua imagem, perderá. Perderá a sua alma inteira.

    Quão preciosa é a alma? Vocês conseguem imaginar aquele dia, quando nada tiver sido feito em vocês e vocês tiverem vivido toda a vida segundo a lei desta era? O que dirão ao Senhor? “Eu preservei a minha alma.” Madeira, feno e palha. Tão grande é a perda.

    A recompensa do discipulado

    Finalmente, o terceiro “porque” está em Mateus 16:27:

    Porque o Filho do Homem virá na glória de Seu Pai, com os Seus anjos; e então retribuirá a cada um segundo as suas obras.

    Esse é o fim. Esse é o resultado de levar a cruz. Irmãos e irmãs, essa não é uma mensagem negativa de modo algum.

    Se você entregar a sua alma à nova direção e disser: “Senhor, não seja feita a minha vontade, mas a Tua”, o resultado será uma recompensa incalculável. Você não consegue imaginá-la.

    Entra no gozo do teu Senhor.

    Ele vem, e a Sua recompensa está com Ele.

    Ninguém ficará triste naquele dia por ter se entregado completamente a Cristo e levado a sua cruz. Não é uma mensagem de tristeza. Seu resultado é uma mensagem de libertação e glória, na qual você encontrará a sua alma.

    Você ganhará a sua alma se tratar seriamente com Deus e, ao final, terá uma recompensa incalculável para sempre. Essa é a lei do discípulo.

    As lições do discípulo

    A terceira coisa que queremos considerar, por alguns momentos, nesse processo de sermos formados como discípulos são as lições do discípulo.

    Ser discípulo é algo difícil. Há muitas lições pelas quais você precisa passar. Há muitos tratamentos que o Senhor precisa realizar. Mas deixem-me confortá-los com isto: cada tratamento é realizado em amor e para o seu bem.

    Lembrem-se disso. Cada tratamento pelo qual Deus faz você passar é realizado em amor e para o seu bem.

    O próprio nome discípulo traz consigo a ideia de disciplina. Agora, nós não gostamos da palavra disciplina. Entramos nesta nova era em que disciplina é apenas ficar no cantinho por um tempo.

    Desculpem-me, estou pisando em terreno delicado. Vocês percebem que sou das antigas. Cresci em uma época em que disciplina era: “Eu trouxe você a este mundo; posso tirar você dele”. Essa era uma forma equivocada de disciplina. Não era feita em amor, de modo algum, embora, puxa, às vezes pudesse ser eficaz.

    Lembro-me de uma época em que, achando-me muito esperto, eu cabulava aula. Isso não é um conselho para nenhum jovem. Eu saía para a escola com as outras crianças, ia até o ponto de ônibus e então meus brilhantes amigos e eu nos desviávamos do caminho e íamos para um forte que havíamos construído no bosque. Passávamos o dia ali.

    Éramos tão espertos que, ao final do dia, sabendo o horário, íamos ao ponto de ônibus com nossos livros, encontrávamos os outros alunos e descíamos a rua como se tivéssemos estado na escola o dia inteiro.

    Mas eu não sabia que haviam iniciado uma nova política de telefonar para casa e verificar as faltas. Isso foi quando eu estudava na antiga Hermitage High School. Meu pai trabalhava em turnos. Ele fazia o turno da madrugada e dormia durante o dia, e era melhor não acordar aquele urso durante o dia.

    Essa boa notícia — de que seu doce pequeno Kenny estava por aí cabulando aula — não foi bem recebida. Agravei meu erro quando cheguei à porta e ele disse: “Menino, onde você estava?” Eu respondi: “Pai, eu estava na escola”.

    Ele disse: “Venha aqui, menino”. Que disciplina! Eu tinha uma filosofia: se gritasse como se estivesse morrendo, eles parariam. Nem sempre funcionava. Eu gritava o mais alto que podia, com gritos de gelar o sangue, esperando que algum vizinho ligasse para pedir ajuda. Hoje, alguém iria para a cadeia; eu teria que visitar meu pai.

    Mas, naquela época, a disciplina era coisa séria — não era feita em amor. Hebreus 12 diz que nossos pais terrenos nos disciplinavam, mas Deus disciplina todo aquele que Ele ama.

    Essa obra de disciplina tem o propósito de nos conformar e nos transformar à imagem do Seu Filho. É isso que Ele está fazendo. É por isso que precisa haver tantas lições.

    Os tratamentos de Deus na vida de Pedro

    Penso em Pedro. Há lição após lição após lição na vida de Pedro. Vocês já pensaram sobre Pedro? Anos atrás, quando eu era um crente novo, isso me intrigava: por que Pedro sempre mete os pés pelas mãos? Por que Pedro está sempre sendo exposto? Por que Pedro está sempre dizendo a coisa errada, fazendo a coisa errada, sendo corrigido, sendo disciplinado?

    Qual de vocês já foi chamado de Satanás pelo Senhor? Acho que é porque Ele amava tanto Pedro. Ele queria fazê-lo discípulo.

    Com todos os defeitos de Pedro e todas as suas falhas, o Senhor estava comprometido com aquela promessa: “Eu farei de você”. Essa é a história da vida de Pedro — muitas lições, muitos tratamentos.

    Pensem naquela ocasião em que ele andou sobre as águas. O Senhor tratou profundamente com ele. Pedro viu o Senhor andando sobre as águas e disse:

    Senhor, se és Tu, manda-me ir ter Contigo sobre as águas.

    E ele foi; andou sobre as águas.

    Mas então olhou ao redor, viu o vento e as ondas e começou a afundar. Ele disse:

    Senhor, salva-me.

    O Senhor precisou tratar com a sua fé. A fé de Pedro não era suficiente. O apóstolo Paulo disse:

    Vivo pela fé do Filho de Deus.

    Ou pensem em Mateus 16, quando Pedro repreendeu o Senhor e o Senhor o chamou de Satanás. Ele precisou tratar com o amor de Pedro por si mesmo: “Sê bom para ti mesmo”.

    Ou pensem em Mateus 17, no monte da Transfiguração. Moisés e Elias apareceram com o Senhor em toda a Sua glória, e Pedro teve aquela brilhante ideia. Ele disse:

    Senhor, façamos três tendas: uma para Ti, uma para Moisés e uma para Elias.

    Então o próprio Pai abriu os céus e o repreendeu. Que lição! O Senhor precisou tratar com a visão de Pedro. Sua visão estava completamente errada.

    Poderíamos continuar indefinidamente, só em Mateus, sem falar nos outros Evangelhos. Em Mateus 26, Pedro estava tão convencido de que nunca negaria o Senhor Jesus. Ele disse:

    Ainda que todos se escandalizem por causa de Ti, eu nunca me escandalizarei.

    Vocês conseguem ouvir Pedro dizendo isso. Conseguem imaginá-lo dizendo isso. “Pedro, não diga isso. Pedro, não diga isso.” Mas ele ia dizer, e disse.

    Ele ainda foi além. Disse:

    Ainda que me seja necessário morrer Contigo, de modo algum Te negarei.

    Ah, o Senhor precisou tratar com o seu compromisso. Como é superficial o nosso compromisso!

    De alguma forma, pensamos que somos nós que nos seguramos no Senhor. O Senhor tem uma lição para você: é Ele que nos segura. Que diferença! Ele está comprometido com a Sua promessa.

    Então, é claro, quando Pedro sacou a espada e cortou a orelha do servo no jardim, mais uma vez o Senhor o repreendeu e disse:

    Todos os que tomarem a espada perecerão pela espada.

    Acho que o Senhor precisou tratar com o seu zelo.

    Tudo o Senhor tocou — não havia nada em Pedro com que Ele não tivesse tratado. Quantas vezes impedimos o Senhor de tratar conosco! Dizemos: “Não, Senhor. Nada de lições. Nada de disciplina. Não me toques. Deixa-me intacto”.

    Se você fizer isso, nunca será discípulo.

    O fracasso e a restauração de Pedro

    Naquela história em Mateus 26, há tanta coisa nesse capítulo. Vocês se lembram de quando Pedro realmente negou o Senhor. Gosto da maneira como isso é apresentado em João 18. A acusação feita junto à fogueira era simplesmente:

    Não és tu também um dos Seus discípulos?

    Essa era a acusação. “Não, eu não sou. Não conheço este homem”, ele disse. Perguntaram-lhe, e essa foi a sua declaração.

    Então outra pessoa perguntou, em João 18:25:

    Não és tu também um dos Seus discípulos?

    A passagem diz que ele negou e respondeu:

    Não sou.

    Creio que esse foi o fracasso definitivo.

    Temos uma expressão na economia atual: “Grande demais para falir”. Pedro não era grande demais para fracassar. Ele fracassou, e isso quase o destruiu. Saiu chorando. Havia feito exatamente aquilo que dissera que nunca faria.

    Ainda assim, o Senhor, em Seus tratamentos misericordiosos, veio e o resgatou para cumprir Sua promessa de fazê-lo discípulo.

    Jacó e Pedro como exemplos de transformação

    Acho que Pedro é como o Jacó do Novo Testamento. Temos estudado Jacó. Jacó era uma figura e tanto, assim como Pedro.

    Quando os gêmeos, Esaú e Jacó, nasceram, Jacó estava segurando o calcanhar de Esaú. Ele se agarrou a ele. Ia tirar das coisas tudo o que pudesse. Seu próprio nome significava suplantador, enganador.

    Quando estávamos lendo aqueles capítulos de Gênesis, pensamos: “Que história sórdida!” Nenhuma novela da tarde era tão ruim quanto aquilo. Que história de família!

    Mas o Senhor disse:

    Amei Jacó.

    Ele tomou Jacó para Si. Apesar da multidão de defeitos de Jacó e de todas as suas deficiências, nada disso o impediu de ser transformado de Jacó em Israel.

    Essa é a história de Pedro. Simão é chamado, uma promessa é feita, e o Senhor passa aqueles anos tratando com ele — lições vividas — para transformá-lo naquilo que ele deveria ser.

    A entrega do discípulo

    Vou encerrar com esta história. O que isso significa para nós?

    Penso no general Pershing. Ele foi o único oficial de sua época a ter o título de General dos Exércitos, a única pessoa viva que havia recebido esse título. Ele estava prestes a entregar o controle de tudo ao general Foch — isso foi no período da Primeira Guerra Mundial, para vocês que são mais jovens.

    Quando esse poder estava sendo transferido, ele disse algo marcante:

    Infantaria, artilharia, aviação — tudo o que temos é seu. Disponha de tudo como quiser.

    Essa é a vida do discípulo. Tudo o que o Senhor quer ouvir é: “Tudo o que temos é Teu”. Fomos comprados por um preço. “Dispõe de tudo como quiseres.”

    Então Ele fará isso. Ele fará isso.

    O processo de peneiramento

    É como uma peneira. Alguns de vocês sabem o que é uma peneira. Pelo visto, alguns não sabem. Na engenharia, chamamos de tela de peneiramento — uma peneira. Você coloca o material nela e a sacode.

    Você a sacode, sacode e continua sacudindo. Tudo aquilo que não deveria estar ali cai pela parte de baixo daquela peneira — tela, seja lá como vocês a chamem.

    Tudo cai, e o que permanece é aquilo que deve estar ali. Isso vai para a construção. Passa pelo processo. Atende ao padrão.

    É isso que o Senhor está fazendo na vida do discípulo. Ele colocou você em uma peneira e está dizendo mais uma vez:

    Abalarei não somente a terra, mas também o céu.

    Ele disse a Pedro em Lucas 22: “Pedro, Satanás pediu para peneirar vocês”. Fico pensando por que o Senhor não disse não. Essa teria sido a minha resposta: “Senhor, não. Basta dizer não”. Essa era a grande frase que usávamos na era Reagan: “Basta dizer não”.

    Mas Ele não disse. Em uma daquelas lições, permitiu que o próprio Satanás peneirasse Pedro. Então disse:

    Mas Eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça: e tu, quando te converteres, fortalece os teus irmãos.

    Esses são os tratamentos, as lições, do discípulo.

    Conclusão e oração

    Bem, espero que isso ajude. Isso tem estado muito em meu coração.

    Não sei quanto a vocês, mas eu não quero passar esta vida sem ser formado como discípulo. Não quero manter o controle da minha vida. Quero entregá-la a uma nova direção.

    Quero que Ele coloque o Seu amor sobre mim da mesma maneira que o colocou sobre Pedro, com todos os seus defeitos — e os meus são uma legião. Ainda assim, Sua promessa há de se cumprir: “Eu farei de você”.

    Esse é o processo do discipulado. Que o Senhor nos ajude.

    Senhor, aquilo que não conseguimos dizer, somos consolados por saber que o Espírito Santo pode dizer. Queremos ser Teus discípulos.

    Senhor, reconhecemos que, mesmo que não façamos mais nada, temos a vida eterna, e somos tão gratos pela dádiva gratuita de Deus.

    Mas, mesmo em nossa vacilação e em nosso recuo, queremos deixar de lado o nosso erro e dizer: “Senhor, queremos ser um dos Teus discípulos”. Reconhecemos que nunca nos arrependeremos disso. Nosso único arrependimento será se nos retivermos de Ti.

    Mas queremos dizer: “Tudo o que temos e tudo o que somos é Teu”.

    Faze-nos discípulos. Pedimos isso no precioso nome de Jesus. Amém.