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THAT THE WORD OF THE LORD MAY RUN AND BE GLORIFIED
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    Prayer #1 © 2026 Christian Testimony Ministry
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    Prayer #1
    Prayer #1
    Lambert, Lance

    O Ministério da Intercessão

    Abram na profecia de Isaías, em Isaías 56:6.

    Também os estrangeiros que se unirem ao Senhor, para O servirem e para amarem o nome do Senhor, sendo Seus servos, todos os que guardarem o sábado, não o profanando, e abraçarem a Minha aliança;
    Também os levarei ao Meu santo monte e os alegrarei na Minha casa de oração:
    Os seus holocaustos e os seus sacrifícios serão aceitos no Meu altar;
    Porque a Minha casa será chamada casa de oração para todos os povos.
    Assim diz o Senhor Deus, Que congrega os dispersos de Israel: Ainda congregarei outros a ele, além dos que já se acham congregados.

    Agora abram na Nova Aliança, no Evangelho de Mateus, em Mateus 21:12.

    E Jesus entrou no templo de Deus e expulsou todos os que vendiam e compravam no templo; e derrubou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas;
    E disse-lhes: Está escrito: A Minha casa será chamada casa de oração; mas vós a fazeis um covil de ladrões.

    Depois, na carta de Paulo aos Efésios, em Efésios 6:17:

    Tomai também o capacete da salvação e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus;
    Com toda oração e súplica, orando em todo tempo no Espírito e vigiando nisso com toda perseverança e súplica por todos os santos;
    E por mim, para que me seja dada, ao abrir a minha boca, a palavra, a fim de tornar conhecido com ousadia o mistério do evangelho.

    Por último, no Evangelho de Marcos, em Marcos 13:33:

    Olhai, vigiai e orai; porque não sabeis quando chegará o tempo.

    Vamos nos inclinar juntos para uma breve oração?

    Amado Senhor, queremos Te agradecer, enquanto estamos reunidos aqui na Tua presença, porque fizeste provisão para este tempo que passaremos juntos. Queremos nos apropriar dessa provisão, Senhor.

    Em nosso Senhor Jesus, Tu nos deste toda a graça e todo o poder de que precisamos, tanto para falar a Tua Palavra quanto para ouvi-la e, de fato, para traduzi-la quando necessário.

    Senhor, queremos simplesmente, pela fé, permanecer nessa unção durante este tempo juntos, para que ele tenha vida em Ti, na Tua presença, no Teu falar e no Teu agir. Escreve algo em nosso coração, Senhor, pelo Teu Espírito, que seja nosso para sempre.

    Toma a Tua Palavra e faz com que ela se torne carne e sangue em nós, nós Te pedimos. Nós Te daremos todo o louvor e toda a glória, porque pedimos isso em nome do nosso Messias, o Senhor Jesus. Amém.

    O Chamado à Intercessão

    Nesta tarde e amanhã à tarde, pediram-me que falasse a vocês sobre o tema da oração.

    Na minha avaliação, não há chamado mais elevado do que a intercessão. Posso estar errado. Penso que é um chamado mais elevado do que o apostolado, mais elevado do que o ofício profético, mais elevado do que ser mestre ou pastor e mais elevado do que ser evangelista.

    Não há chamado com que Deus chame Seus filhos que seja mais elevado do que o chamado para ser intercessor.

    É muito interessante que, ao descrever Sua casa, o Senhor a tenha chamado de casa de oração para todas as nações, referindo-Se especificamente àqueles que não eram judeus e que, um dia, pela salvação de Deus, seriam trazidos para fazer parte dessa casa.

    Também é interessante como o próprio Senhor Jesus citou essa mesma profecia ao encontrar o templo sendo tudo, menos uma casa de oração para todas as nações. Como isso é interessante quando realmente examinamos a questão. No entanto, são tão poucas as pessoas que respondem a esse chamado do Senhor.

    Acho que é por causa do preço. É mais fácil ser pregador do que ser intercessor. Você não precisa entregar a sua vida. Pode passar sem isso. Pode ser pregador e continuar sendo muito dono de si mesmo.

    Não estou dizendo que essa pregação seja particularmente valiosa, frutífera ou ungida, mas há milhares de pregadores que nunca entregaram a própria vida e nada sabem sobre o poder do Espírito Santo. Há mil e uma outras coisas na casa, na vida do povo de Deus, que podemos fazer sem essa entrega, se vocês entendem o que quero dizer.

    Mas, quanto à intercessão, não há como um filho de Deus ser intercessor sem entregar a própria vida. É uma ocupação de vinte e quatro horas. Não se trata de dedicar alguns minutos por semana, uma hora por semana, ou uma semana ou um mês por ano. São vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana, cinquenta e duas semanas por ano, por toda a sua vida.

    Há um preço. Não há como um homem ou uma mulher exercer o ministério de intercessão sem que sua vida esteja no altar, sem que tenha sido, por assim dizer, consumida, sem que tenha sido inteiramente entregue e sem que o Espírito Santo o capacite, na vida e no poder da ressurreição, a exercer esse ministério de intercessão.

    Considerando o quadro geral, não há chamado mais estratégico e, em muitos aspectos, mais necessário neste momento da atuação do Senhor entre Seu povo do que o de ser intercessor.

    Aqueles que respondem ao chamado, que entregam a própria vida, nunca se chamarão de intercessores. Todos são aprendizes.

    Muitas vezes, as pessoas vêm até mim e dizem: “Sou intercessor”. Sei imediatamente que não são. Nunca encontrei alguém que me dissesse, de maneira um tanto orgulhosa, que era intercessor e que realmente o fosse.

    Quanto mais você avança no ministério de intercessão, mais incapaz e impotente se sente, mais pobre se sente. Todo verdadeiro intercessor é um aprendiz, quase um iniciante. Permanecemos assim por toda a vida, por mais lições que aprendamos sobre oração e intercessão.

    Esse é um assunto vasto, e só poderei tocar nele nestes dois encontros. Confiarei no Senhor para que encontremos e abordemos aquelas coisas que Ele realmente deseja escrever em nosso coração neste momento.

    Oração, Vigilância e a Casa de Deus

    Como é interessante que o Senhor não apenas tenha falado de Sua casa como uma casa de oração para todas as nações, mas também, naquela última mensagem sobre Sua volta, tenha encerrado dizendo, em essência:

    Olhai, vigiai e orai.

    O fato de os tempos serem maus e de enormes pressões estarem sendo exercidas sobre o povo de Deus não nos dá desculpa alguma para nos afastarmos desse ministério. Ele é ainda mais importante do que em tempos normais.

    Infelizmente, nós, os crentes, destruímos a intercessão. Nossa reunião de oração normalmente é a reunião mais enfadonha na rotina de qualquer comunidade. Não importa aonde eu vá: se pergunto às pessoas, todas dizem que a reunião de oração é aquela para a qual precisam se forçar a ir.

    Podemos ir ao estudo bíblico. Podemos participar da Ceia do Senhor, de um tempo de louvor e adoração, de quase qualquer coisa, mas é a reunião de oração que achamos tão monótona. Muitas vezes, nós mesmos a tornamos monótona.

    Conseguimos destruir todos os princípios divinos da intercessão coletiva, de tal maneira que todo aquele tempo se torna penoso, pesado, difícil, disperso, confuso e desordenado. Passamos tanto tempo lutando para vencer o próprio peso que nós mesmos criamos.

    Sempre me lembro de Golda Meir, porque ela costumava dizer a respeito de certos amigos de Israel: “Não precisamos de inimigos quando temos amigos como estes”. Em outras palavras, eles conseguiam causar tanto dano a Israel que o país quase não precisava de inimigos.

    Às vezes, sinto que o Senhor diz: “Quase não preciso de um inimigo quando tenho pessoas como as do Meu povo. Deixem por conta delas, e simplesmente destruirão a reunião de oração”.

    Ela se torna um tempo completamente desordenado: um lugar para aspirantes a pregadores pregarem sob o disfarce de oração; um lugar para despejar passagens bíblicas que não têm relação alguma com o assunto em questão. Às vezes, é um lugar de oratória e eloquência. Às vezes, serve para transmitir informações uns aos outros.

    Fazemos mil e uma coisas sob o disfarce de oração, e muito raramente aquilo é oração de verdade.

    O Modelo de Oração

    Se vocês examinarem o modelo de oração que nosso Senhor Jesus ensinou aos discípulos, verão que até uma criança pequena poderia compreendê-lo. É tão direto, tão prático, tão concreto, no bom sentido, e, ainda assim, tão poderoso.

    Pai nosso, Que estás nos céus,
    Santificado seja o Teu nome.
    Venha o Teu reino.
    Seja feita a Tua vontade, assim na terra como no céu.
    O pão nosso de cada dia dá-nos hoje.
    E perdoa-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos aos que nos têm ofendido.
    E não nos conduzas à tentação, ou à provação,
    Mas livra-nos do maligno.

    Como tudo isso é simples. Como tudo isso é direto. Não se está transmitindo informação alguma. Não há grande eloquência nem oratória. Vai absolutamente ao ponto.

    Ora, isso é claramente um modelo. Não é como se, ao repeti-lo, estivéssemos de alguma maneira conquistando mérito aos olhos do Senhor. O fato é que Ele nos deu um modelo. É assim que devemos orar.

    Na verdade, se vocês examinarem com cuidado o capítulo 6 de Mateus, onde isso está registrado, também verão que o Senhor fala daqueles que fazem longas orações. Sempre gosto da maneira como nosso Senhor disse isso: “Fazem longas orações”. Elas são produzidas pela própria carne e pela própria mente dessas pessoas.

    Não são orações do coração; são orações da cabeça. Essas orações da cabeça raramente passam do teto. Normalmente, é a oração do coração que toca o trono.

    Bem, esse é um assunto vasto, como eu disse. As pessoas sempre me perguntam: “Por que nossa reunião de oração é tão monótona?”. Só posso dizer, primeiro, que nós mesmos a tornamos assim; e, segundo, que muitas vezes — e não estou criticando ninguém aqui, por favor, entendam — temos líderes sem experiência em oração.

    Essa é uma questão em que a liderança precisa entrar na batalha primeiro, e as tropas precisam seguir. Não se pode, por assim dizer, usar a igreja como bucha de canhão nessa batalha, empurrar todos para a frente e deixá-los se virar, enquanto ficamos atrás, sentados, sem fazer nada.

    Mas o fato é que todos somos aprendizes nessa questão. Precisamos aprender algo sobre oração.

    O Poder da Oração Genuína

    Há uma ou duas coisas nas quais quero me deter hoje, e amanhã quero me aprofundar um pouco mais em toda essa questão. Primeiro, quero ressaltar o imenso poder que há na oração verdadeira.

    Há um poder tremendo na oração genuína. Não quero dizer que o poder esteja na oração em si, como se ela fosse um exercício religioso que tivesse grande poder por si mesmo.

    Algumas pessoas fazem da fé um poder, como se a fé funcionasse por si mesma. Tudo o que a fé faz é nos unir ao Senhor. Ele é o poder. Com a oração acontece exatamente o mesmo. Quando fazemos uma oração genuína, que nos é dada pelo Espírito Santo, há um poder imenso disponível naquele momento — um poder imenso.

    Se você tiver alguma ideia desse privilégio, querido filho de Deus — deixe-me colocar assim —, quando começamos a compreender a verdadeira natureza da oração e da intercessão, especialmente se somos líderes, e começamos a aprender as lições e a conduzir outros, descobrimos que a oração não é algo que se possa ensinar. É algo que se precisa captar.

    É um contágio. Foi porque o Senhor Jesus orava de determinada maneira que os discípulos O ouviram, foram contagiados e vieram dizer: “Ensina-nos a orar”. Em outros casos: “Ensina-nos como orar”.

    Em outras palavras, não era que eles pensassem que poderiam receber algum ensino religioso ou litúrgico sobre como orar — as palavras certas ou a maneira certa. Antes, viram algo na maneira como o Senhor Jesus orava: um relacionamento com Seu Pai tão real, tão poderoso, tão direto. Eles ansiavam por ter esse mesmo relacionamento com o Pai.

    Quando a reunião de oração é uma verdadeira reunião de oração, ela se torna uma das reuniões mais empolgantes da vida da igreja.

    É tremendo quando uma reunião de oração se torna uma verdadeira reunião de oração, em que as pessoas começam, por assim dizer, a aprender. Então chegam os jovens, pessoas que acabaram de ser salvas.

    Lembro-me de anos atrás, em Halford House, em Richmond, quando jovens eram salvos no domingo e, em menos de uma semana, já estavam na reunião de oração. Tinham aprendido com outros que a reunião de oração era um lugar empolgante para estar. Aprendiam ali que era onde se via Deus em ação.

    O estudo bíblico era onde se aprendiam os princípios; a reunião de oração era onde se viam esses princípios em ação.

    Então a reunião de oração se torna tão empolgante. Às vezes, quando as pessoas oravam por questões relacionadas à nação ou mesmo à região, ninguém ficava muito tempo conversando depois, porque todos corriam para casa a fim de ligar o rádio ou a televisão e ver se a oração já havia sido respondida.

    Não estou dizendo que sempre recebemos uma resposta tão imediata. Mas o que estou tentando dizer a vocês é que há um poder imenso na oração. A oração é mais poderosa do que ocupar uma posição na Casa Branca ou no Congresso.

    Há muito mais poder numa pequena e simples reunião de oração do que na Casa Branca ou no Congresso. Eles só podem agir politicamente. Precisam manipular, discutir, fazer alianças, sentar-se à mesa e fazer concessões.

    Mas, no lugar de oração, o Altíssimo, Que governa os assuntos dos homens, pode tocar qualquer situação, em qualquer lugar do mundo, a qualquer momento. Há mais poder na reunião de oração do que no Kremlin.

    O Ministério de Oração de Daniel

    Deixem-me dar alguns exemplos disso. Penso em Daniel. No capítulo 9 de Daniel, vocês certamente conhecem — pelo menos a maioria de vocês — aquela passagem extraordinária da oração de Daniel.

    Temos ali uma paráfrase ou um resumo de sua oração, não tudo o que ele orou, mas, basicamente, por assim dizer, uma paráfrase de como estava orando. Ali vocês encontram um ministério de oração incrível.

    Agora, ouçam-me com atenção. As pessoas, especialmente os homens, dizem que estão ocupadas demais para vir à reunião de oração. Deixam isso para as mulheres, porque dizem que estão ocupadas demais para vir orar.

    Aqui estava Daniel, um dos principais estadistas do mundo naquele tempo, abaixo apenas do imperador ou sultão. Tudo precisava passar por ele para exame, e só se tornava lei quando recebia sua assinatura e a do imperador.

    Se havia um homem no Império Persa que poderia ter dito: “Acho que devo ser dispensado da oração”, esse homem era Daniel. Ele poderia facilmente ter dito: “Estou ocupado demais e creio que o Senhor me chamou para participar da alta política do império por causa do Seu propósito, por causa da vinda do Messias”.

    “Portanto, creio que minha função é estar no governo e trabalhar com o Senhor ali. Agora, vamos chamar Sadraque, Mesaque e Abede-Nego. Vamos pedir que eles participem da reunião de oração. Não estão tão ocupados quanto eu. Que eles orem, não eu.”

    Daniel via aquele ministério de oração como prioridade. É muito interessante que, como resultado disso, primeiro o Senhor lhe tenha mostrado nas Escrituras uma profecia pronunciada quase setenta anos antes pelo Espírito Santo, por meio do profeta Jeremias.

    O interessante é que o Senhor revelou a Daniel o que aquela profecia realmente significava e quando sua contagem havia começado. Os teólogos cristãos têm discutido bastante sobre quando ela começou, mas Daniel entendeu isso com muita clareza. Não começou com o rei Zedequias; começou com o rei Jeoaquim.

    Isso significava que Daniel, usando sua mente muito perspicaz e sagaz, calculou imediatamente que faltavam apenas dois, três ou quatro anos para o fim dos setenta anos profetizados por Jeremias.

    Então ele se põe a orar. Em outras palavras, em vez de simplesmente realizar uma boa reunião carismática de louvor e dizer: “Bem, se o Senhor disse que fará isso, e disse ao profeta Jeremias quase setenta anos atrás, podemos apenas louvar ao Senhor. Não precisamos fazer nada. Vai acontecer de qualquer maneira”.

    Ele ora, e ora quase como se tudo dependesse de seu ministério de oração. Como resultado, Deus lhe dá uma compreensão da história que é incrível.

    Vocês têm os quatrocentos e noventa anos. Não vou entrar nisso, porque é outro assunto. Mas o interessante é que ele vê toda a história culminando e se cumprindo na vinda do Senhor Jesus. Isso veio de seu ministério de oração.

    Isso é o extraordinário: o ministério de oração começa com revelação, e depois há mais revelação no ministério de oração. Muitas vezes, é quando você está de joelhos, lutando por algo que Deus nos revelou, que depois vêm mais luz e mais entendimento.

    No capítulo 10 de Daniel, há algo muito interessante. São três semanas de oração, e ele também tem uma grande dor de cabeça por causa disso; portanto, aquilo lhe custa alguma coisa.

    Ao fim das três semanas, de repente aparece um anjo. Sei que não deveria colocar dessa maneira, mas alguns de vocês já me ouviram dizer isso, então posso muito bem repetir. Aquele anjo chega meio que se segurando na porta, um pouco machucado, com penas para todo lado, a auréola torta, e diz: “Ó homem muito amado, desde o momento em que começaste a orar, tua oração foi ouvida”.

    “O Altíssimo me enviou, mas, no caminho, entrei numa luta.” Havia uma luta entre o príncipe da Pérsia e o príncipe da Grécia — dois enormes principados, não príncipes físicos, mas principados espirituais, dominadores mundiais destas trevas presentes.

    Ele disse: “Tive de ir em auxílio de Miguel, o arcanjo, e só agora, depois de três semanas, consegui chegar até ti”.

    Pergunto-me se Daniel tinha alguma ideia do que seu ministério de oração havia feito. Ele pensava que estava apenas orando por alguma questão mais relacionada à vinda do Messias.

    Ele entendia que o povo precisava voltar a Jerusalém. Por isso, a terra precisava ser novamente habitada e as cidades, reconstruídas. Todas as profecias dadas por meio de Miqueias e Isaías não poderiam se cumprir sem que o povo judeu voltasse à terra, a habitasse novamente e reconstruísse as cidades.

    Ele entendia isso. Era isso que o Senhor queria dizer quando lhe deu aquela extraordinária compreensão dos quatrocentos e noventa anos.

    Mas agora ele via outra coisa — inacreditável. Rodas dentro de rodas. O querido Daniel não tinha ideia de que, em seu ministério de intercessão, havia sido verdadeiramente envolvido pelo Senhor no cumprimento desse propósito de Deus.

    Na verdade, os persas estavam prestes a chegar, como vocês sabem. Já haviam quase chegado, e depois deles viriam os helenistas, os gregos. Não vou entrar em tudo isso, mas só quero dizer: aqui está um exemplo extraordinário de oração.

    Não tenho certeza de que algum filho de Deus compreenda plenamente em que está entrando quando é chamado para ser intercessor. Nenhuma comunidade que começa a experimentar um ministério genuíno de oração, uma verdadeira intercessão coletiva, tem ideia de tudo em que está entrando. É empolgante e extraordinário. Só posso tocar nesse assunto.

    As Orações dos Santos

    Há outro exemplo que gostaria de dar, desta vez no Novo Testamento, na Nova Aliança. Vocês o encontram em Apocalipse 5:8.

    E, havendo Ele tomado o livro, os quatro seres viventes e os vinte e quatro anciãos prostraram-se diante do Cordeiro, tendo cada um uma harpa e taças de ouro cheias de incenso, que são as orações dos santos.

    Não é interessante? Vocês encontram isso duas vezes no livro de Apocalipse: essas taças de ouro cheias das orações dos santos.

    Querido filho de Deus, mais adiante — não hoje, mas provavelmente amanhã — vou ressaltar mais essa lição. Mas não pense, nem por um momento, que o Senhor precisa de você. Todos acabam com essa ideia: o Senhor precisa de nós; todo o céu desabará se não respondermos ao chamado.

    Se não entrarmos nisso, todo o céu ficará paralisado. É quase como se o Senhor Jesus fosse abdicar porque simplesmente não estamos prontos. Querido filho de Deus, Deus não precisa de você. Ele não precisa de mim. Na verdade, somos um problema.

    O próprio fato de nos introduzir nessa guerra, nesse ministério de oração, é um problema para o Senhor. Ele poderia fazer isso muito mais facilmente sem nós.

    Por exemplo, quando Ele disse:

    Haja luz.

    E houve luz, Ele não tinha você e eu ali orando, dizendo: “Senhor, precisamos de luz. Precisamos ter luz. Firmamo-nos na Tua Palavra de que haverá luz”.

    Ele podia fazer isso instantaneamente. Pensem em como foi fácil: Ele disse:

    Haja luz.

    E houve luz. Ele não tinha a igreja ali para atrapalhar as coisas. É por isso que aquilo pôde ser feito tão facilmente.

    Ao longo de tudo, vocês encontram o Senhor trazendo à existência, por Sua palavra, coisas que não existiam, porque Ele não tinha a nós para atrapalhar. Você já compreendeu o problema que é? E o problema que eu sou?

    Isso nos leva a uma conclusão extraordinária, da qual falarei amanhã. Não é que Deus precise de nós; Ele nos quer. Não é que Ele precise de nós. Poderia fazer tudo isso sem nós, mas Ele nos quer.

    Isso nos leva a uma descoberta incrível: a oração é a forma mais elevada de educação e instrução para o povo de Deus.

    Bem, preciso ter cuidado. Esperem um pouco. Deixem-me apresentar outra passagem: Apocalipse 8:2-7. Vou ler a partir do versículo 2.

    E vi os sete anjos que estão diante de Deus; e foram-lhes dadas sete trombetas.
    E veio outro anjo e pôs-se junto ao altar, tendo um incensário de ouro; e foi-lhe dado muito incenso, para que o acrescentasse às orações de todos os santos sobre o altar de ouro que estava diante do trono.
    E a fumaça do incenso, com as orações dos santos, subiu da mão do anjo diante de Deus.
    E o anjo tomou o incensário, encheu-o do fogo do altar e lançou-o sobre a terra; e houve trovões, vozes, relâmpagos e um terremoto.
    E os sete anjos que tinham as sete trombetas prepararam-se para tocar.
    E o primeiro tocou.

    O que quero transmitir a vocês é como isso é maravilhoso. Ah, se as reuniões de oração e as comunidades aqui representadas tivessem apenas um pouco de trovão e relâmpago e um pequeno terremoto aqui ou ali — algo que acontecesse como resultado de nossa oração.

    Como isso é interessante. Não são apenas as orações dos santos; é aquilo que se acrescenta às orações dos santos. Enquanto eles participam desse ministério de intercessão, todas as excelências, belezas e qualidades do Senhor Jesus são acrescentadas à sua oração.

    O Intercessor entra, por assim dizer — se me permitem uma expressão um tanto rudimentar —, na intercessão do povo de Deus, e então algo acontece. Aqui está um ponto de virada. Vocês entendem o que estou tentando dizer?

    Aqui está um ponto de virada no livro de Apocalipse, seja qual for a maneira como vocês o interpretem. Essas trombetas significam alguma coisa. Significam uma progressão. Algo está avançando no propósito de Deus.

    Antes que isso aconteça, os santos na terra participam disso pela graça de Deus, pela direção do Espírito Santo. Estão ali fazendo orações muito pobres, muito fracas. Mas algo do poder e da autoridade do Senhor Jesus é acrescentado às suas orações, e então aquilo se cumpre. Não é maravilhoso?

    Intercessores nos Momentos Decisivos da História

    Aqui está a terceira coisa que quero acrescentar ao dar alguns exemplos do poder da oração. Em cada ponto de virada da história registrada na Palavra de Deus, vocês encontrarão um intercessor.

    Abraão. Moisés. Samuel. Não sei se vocês percebem que Samuel representa um grande ponto de virada na obra de Deus, introduzindo o reino e o rei certo.

    Neemias: a reconstrução de Jerusalém, juntamente com a restauração de Israel e da lei — um ponto de virada. Daniel: um enorme ponto de virada. E ele também está ligado a eles, precedendo-os.

    Depois, é claro, penso que, na Nova Aliança, temos o apóstolo Paulo. Esse apóstolo, cujo ministério é tão incrível que nenhum de nós jamais conseguiu compreender plenamente o que o Senhor nos deu por meio dele, era, acima de tudo, um homem de oração.

    Em quase todas as cartas, ele menciona sua oração. Em algumas, como Efésios e Colossenses, diz com muita clareza exatamente pelo que ora e como está orando por eles.

    Esse homem não é apenas mestre nem apenas profeta. É muito mais: é pai. Ele ora pelo povo de Deus. Ora para que o propósito de Deus se cumpra neles.

    Quanto ao poder da oração, a evidência suprema desse poder é, naturalmente, o Senhor Jesus, porque Ele vive sempre para interceder por nós à direita de Deus Pai.

    A Intercessão de Cristo Compartilhada com Seu Corpo

    Vocês estão me ouvindo? Ouçam realmente o que estou tentando dizer nesta tarde.

    A verdadeira intercessão acontece quando o Espírito de Deus toma a intercessão que está no coração do Cabeça da igreja e a traz para os membros de Seu corpo.

    Em outras palavras, não é que você possa fazer alguma coisa por si mesmo, mas o Espírito Santo o une ao Senhor Jesus. O encargo que está no coração Dele transborda para o seu coração, para o meu coração, para o nosso coração.

    De alguma maneira, por mais fraco que seja, isso sai de nossos lábios em palavras. É verbalizado, para usar o termo americano. De alguma maneira, torna-se algo falado. Então é quase como se, pela boca de duas ou três testemunhas, algo fosse estabelecido.

    Isso mostra o poder da oração. Não consigo pensar em nada mais glorioso, mais significativo, mais cheio de sentido ou mais poderoso do que estar unido ao Senhor Jesus pelo Espírito Santo e receber em meu coração algo, por menor que seja, do encargo Dele.

    Não estou falando de algo emocional, ou de alguma coisa fabricada ou provocada artificialmente. Estou falando daquele tipo de encargo — falarei um pouco sobre ele amanhã — que o Espírito Santo concebe no espírito humano.

    Você não consegue abandoná-lo. Ele o acompanha. Quase chega a destruí-lo. Você está grávido de alguma coisa. Algo foi concebido em você e está dentro de você. Está tomando, por assim dizer, a sua própria vida. Está vivendo em você.

    Mesmo que tente esquecê-lo, não conseguirá. Ele voltará outra vez, e outra vez, e outra vez, até que chegue a hora de vir à luz.

    Isso é oração de verdade.

    Oração e Maturidade Espiritual

    A maioria dos estudiosos e mestres cristãos da Bíblia acredita que a carta aos Efésios é o ponto culminante da revelação no Novo Testamento e, de fato, em toda a Bíblia.

    Ali temos uma revelação do propósito eterno de Deus. Temos o coração de Deus revelado, a mente de Deus revelada.

    Acho muito interessante que, quando o apóstolo, pelo Espírito Santo, chega à conclusão dessa carta tão vital, ele a encerre, a complete, com um chamado à oração.

    Ele nos diz que corremos o risco de perder tudo se não aprendermos a permanecer firmes em Cristo.

    Em outras palavras, você pode ter uma revelação tremenda e uma compreensão tremenda do propósito de Deus, mas isso, por si só, não significa que o propósito de Deus será cumprido e que você e eu realmente participaremos dele.

    É necessário algo mais. Não exige apenas nossa obediência e nosso compromisso com o Senhor para seu cumprimento; exige que aprendamos a guardá-lo em oração.

    Toda a história da igreja é uma extraordinária ilustração daquilo que o Espírito Santo fez e de como, depois, isso se institucionalizou, se denominacionalizou, se tradicionalizou — com a entrada do erro ou de qualquer outra coisa —, até que, no fim, o Senhor ainda o usa e salva pessoas, mas aquilo já não é o que Ele queria.

    Vocês pensariam que o Senhor, em algum ponto da história, poderia ter mantido vivo um único movimento do Espírito Santo, não é? Não pensariam que, de alguma maneira, o Senhor poderia fazer algo tão admirável e maravilhoso?

    É claro que o Senhor pode fazer isso. A questão é: por que não faz? A resposta é muito simples. É porque você e eu precisamos aprender a guardá-lo.

    É quase como se o Senhor dissesse: “Se vocês não o guardarem, certamente morrerá”. Você e eu precisamos guardá-lo.

    É muito interessante, não é?

    Fortalecei-vos no Senhor e na força do Seu poder.
    Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para que possais permanecer firmes contra as ciladas, ou os artifícios, ou as estratégias do diabo.
    Porque a nossa luta não é contra carne e sangue, mas contra os principados, contra as potestades, contra os dominadores mundiais destas trevas, contra as hostes espirituais da maldade nas regiões celestiais.
    Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, havendo feito tudo, permanecer firmes.

    Acho isso extraordinário. Permanecemos firmes. Tudo o que precisamos fazer é permanecer firmes. Precisamos aprender a permanecer firmes com o Senhor. Não avançamos, não recuamos; permanecemos firmes.

    Permanecemos firmes com o Senhor para o cumprimento e a preservação de Seu propósito, de Sua obra e de Sua igreja em nossos dias.

    Tendo dito isso, tendo ressaltado um pouco o poder da oração, deixem-me conduzi-los mais um passo adiante.

    A palavra oração é um termo muito amplo. Abrange diversos aspectos do ministério de oração. Se vocês procurarem a melhor relação desses aspectos que temos na Palavra, ela está em 1 Timóteo 2:1-2.

    Exorto, pois, antes de tudo, que se façam súplicas, orações, intercessões e ações de graças por todos os homens;
    Pelos reis e por todos os que estão em posição de autoridade, para que tenhamos uma vida tranquila e sossegada, em toda piedade e dignidade.

    É interessante que aqui sejam mencionados quatro tipos de oração: súplicas, orações, intercessões e ações de graças. Tudo isso está incluído nesse termo amplo.

    A palavra oração é a que normalmente usamos para abranger tudo. Ela compreende uma família de significados, de aspectos relacionados à oração.

    A oração pode ir desde uma oração muito voltada para si mesmo, ou o que eu chamaria de oração quase egocêntrica — as orações de “me dá”. “Quero isto, Senhor. Preciso disto, Senhor. Por favor, me dá.” Esse tipo de oração pode se estender até o ponto de permanecermos firmes com o Senhor para que Seu propósito se cumpra.

    Essa é uma amplitude enorme de oração. Também precisamos reconhecer que a idade espiritual está envolvida nisso.

    Quando você é um bebê, a maioria de suas orações se resume a duas palavras: “Me dá”. E ninguém censura um bebê por isso, não é?

    Quando pensamos em bebês, a maioria de nós diz: bem, isso faz parte dessa fase. Eles querem isto, querem aquilo, querem aquela outra coisa. Nem sempre conseguem, mas estão sempre pedindo isto ou aquilo. Veem alguma coisa e querem pegá-la, querem segurá-la.

    Quando somos recém-convertidos, a maior parte de nossa oração é assim. Queremos coisas muito simples. Queremos que o Senhor responda de maneiras muito simples, e o Senhor tem prazer em fazer isso.

    Mas precisamos crescer. A maturidade é vital para a intercessão. Você não pode ser intercessor sem um mínimo de maturidade.

    Esse é o enorme problema do Senhor, se posso colocar assim. O Senhor não pode ficar sem nós — Ele pode muito bem ficar sem nós —, mas, se vai conduzir pessoas ao governo, ao trono com Ele, para reinarem com Ele, então, de uma maneira muito real, precisa nos ensinar a interceder.

    Ele precisa nos ensinar a orar de verdade, de uma maneira muito mais profunda do que temos orado até agora.

    É por isso que considero tão notável a maneira como o apóstolo Paulo encerra sua carta aos Efésios, porque, na verdade, é um chamado à maturidade.

    Se somos bebês, vamos perder tudo. Por quê? Porque, normalmente, estamos tentando agarrar alguma coisa que talvez não seja boa para nós.

    Isso explica muita coisa na igreja. Estamos brincando com coisas que nos satisfazem. Quando somos pequenos, pequenas coisas nos satisfazem.

    É impressionante quantos filhos de Deus se satisfazem com coisas muito pequenas. As pessoas me dizem: “Ah, meu Deus, você é contra as coisas simples da fé”. Sim, é claro que há coisas simples, mas as coisas simples são profundas. Agora, estou falando de coisas pequenas.

    Muitas vezes, temos igrejas inteiras interessadas apenas em coisas pequenas — basicamente, brincando com pequenas coisas, apenas ficando felizes, apenas olhando para as coisas como uma criança pequena olha para uma estrelinha de fogos de artifício.

    Uma estrelinha chama a atenção de uma criança: “Que maravilha! Ah, ela gira!”. A criança fica olhando as faíscas por toda parte. “Maravilhoso, maravilhoso. Agora vamos acender outra. Vamos acender outra? Queremos outra. Todos os dias queremos uma estrelinha.”

    Vocês sabem o que é uma estrelinha? Não sei como vocês a chamam no inglês americano. É a mesma palavra? Certo. Ótimo.

    Sempre digo que o inglês é a língua que dividiu os Estados Unidos e o Reino Unido. Isso costumava aparecer no cabeçalho do New York Times, nos bons e velhos tempos.

    Mas o fato é que, como crianças pequenas, só queremos estrelinhas. A vida não vale a pena sem estrelinhas. Depois de algum tempo, ficamos entediados com elas e queremos bolas.

    Agora precisamos de bolas e de alguém que as jogue para nós, para que possamos jogá-las de volta. A vida inteira se resume a jogar bolas uns para os outros.

    Só quando crescemos é que começamos a jogar de outra maneira. Às vezes, é o mesmo princípio, mas num nível muito mais elevado.

    Mas, no fim, precisamos crescer e compreender que devemos viver para os outros.

    A Maturidade nos Últimos Dias

    É por isso que considero o capítulo 6 de Efésios tão notável. Creio que, na última fase da história mundial, veremos todas as formas imagináveis de engano e de mistura.

    Aqueles que puderem ser desviados serão desviados. A única resposta é crescer no Senhor — não apenas crescer no Senhor, mas aprender algo sobre a verdadeira intercessão e oração.

    É por isso que o Senhor Jesus disse:

    Olhai, vigiai e orai.

    Agora, se vocês ainda estão me acompanhando, deixem-me conduzi-los um passo adiante. Deixem-me ver: estou bem quanto ao tempo? Estou indo bem. Muito obrigado.

    Vocês ainda estão todos me acompanhando? Acho as reuniões da tarde terríveis, porque são, de certo modo, as mais sonolentas de todas.

    Sei que os anglo-saxões não dormem, mas todos os povos mediterrâneos e outros povos assim, acho que fazem uma sesta à tarde. Muitas vezes, penso que nessas reuniões fazemos uma sesta de olhos abertos.

    Precisamos olhar para o Senhor, para que Ele nos reanime e vivifique, de modo que não durmamos e percamos o que Ele tem para nós.

    A Natureza Espiritual do Mundo

    Se vocês me acompanharam até aqui, estão prontos para mais um passo? Esse passo é muito importante e muito simples.

    Ninguém jamais se tornará intercessor sem que seus olhos tenham sido abertos para o fato de que o mundo em que estamos é essencialmente um mundo espiritual.

    Sei que a Escritura diz:

    Primeiro o natural, depois o espiritual.

    E temos um mundo natural, de tempo, de sentidos e de todas essas coisas. Mas este mundo no qual nascemos é essencialmente um mundo espiritual.

    Se leio minha Bíblia corretamente, ele está cheio de seres imensamente poderosos, que vocês não podem ver com estes olhos, ouvir com estes ouvidos ou tocar com estas mãos. Não é um conto de fadas. É verdade.

    Principados, potestades, dominadores mundiais destas trevas, hostes de espíritos malignos nas regiões celestiais — é um mundo invisível.

    Ninguém jamais perceberá a necessidade da intercessão sem que seus olhos tenham sido abertos para ver que esse é um mundo invisível. Não são apenas os poderes satânicos das trevas que são seres espirituais invisíveis; o próprio Senhor é invisível.

    Perseveramos como quem vê Aquele Que é invisível. O que há de mais real em você, como filho de Deus, é o seu Senhor; mas, neste momento, você não pode vê-Lo com estes olhos, tocá-Lo com estas mãos ou ouvi-Lo com estes ouvidos.

    Vocês entendem? Em outras palavras, vocês perseveram como quem vê Aquele Que é invisível. São os olhos do coração que se abrem para ver o Senhor.

    Eliseu e o Exército Invisível

    Deixem-me contar uma história, e depois contarei mais algumas. Esta, porém, é uma história bíblica. Todos vocês se lembram da história, na Antiga Aliança, de Eliseu, aquele fiel profeta do Senhor, que profetizou com tanta fidelidade, dando continuidade ao ministério de Elias.

    Vocês sabem como ele foi dormir certa noite em Dotã, perto da Galileia, em Israel. Seu jovem servo, que cuidava dele e o ajudava, levantou-se cedo pela manhã e desceu para preparar o café.

    Olhando pela janela — ou saindo para colocar o lixo para fora, ou fosse o que fosse —, de repente viu uma porção de pessoas com uniformes militares. Pensou: “Que estranho. Quem são eles?”.

    Então, assustado, percebeu que eram sírios. Não há nada novo debaixo do sol, é claro; isso faz parte do mundo de hoje. Ele voltou rapidamente à cozinha e olhou por outra janela.

    Posso imaginá-lo afastando um pouco a cortina e olhando, e lá estava outro destacamento. Depois foi a outra janela e viu mais um destacamento. De repente, percebeu que todo o lugar estava cercado pelo exército sírio — e não eram poucos soldados.

    Então correu até Eliseu. Ou o acordou, ou o interrompeu em seu momento a sós com o Senhor, e disse: “Senhor, meu mestre, estamos perdidos. Estamos cercados pelos sírios. O senhor sabe como eles o odeiam. Eles chegaram”.

    Eliseu disse: “Ah, não se preocupe”.

    Mais são os que estão conosco do que os que estão com eles.

    Esse pobre rapaz deve ter pensado que Eliseu estava maluco. “Não, não, não — mais conosco do que com eles? Do que o senhor está falando? De quem ele está falando? Não vi um único soldado israelense, em lugar algum. Só vi sírios por toda parte, ao nosso redor.”

    Eliseu não se preocupou em lhe dar um estudo bíblico ou uma palavra pesada, como muitos de nós teríamos feito, para tentar esclarecer tudo para ele.

    Ele fez uma das orações mais curtas das Escrituras:

    Senhor, abre os olhos dele.

    O Senhor respondeu imediatamente à oração, e os olhos daquele rapaz foram abertos. De repente, ele viu toda a encosta do monte cheia dos exércitos do céu.

    Vocês podem compreender esse rapaz. Ele poderia ter dito: “Não é maravilhoso? De repente, os exércitos do céu chegaram todos”. Não, eles estavam ali o tempo todo. Ele apenas não os via. Vocês entendem?

    Que pessoa extraordinária era Eliseu. Em vez de dizer: “Venha e sente-se. É melhor eu lhe dar um estudo bíblico. Você não entende que as coisas espirituais são coisas espirituais? Não entende que precisa confiar no Senhor?”.

    “Você está me decepcionando. Deveria ser meu servo. Ainda bem que ninguém ouviu o que você disse, e ainda bem que essas coisas foram ditas entre as quatro paredes desta casa. Isso é pura incredulidade da sua parte. Você precisa compreender que o Senhor está sempre com Seu povo.”

    Não, não, não. Ele compreendia o poder da oração:

    Abre os olhos dele, Senhor.

    Num único instante, toda a sua compreensão de uma situação pode mudar.

    A diferença está nos olhos do coração. Vocês entendem?

    Em outras palavras, no momento em que o servo de Eliseu viu que realmente havia mais com eles do que com os sírios, viu também Eliseu sair e dizer: “Em nome do Senhor, fiquem todos cegos”. Todos eles ficaram cegos.

    Ali estava esse servo do Senhor, com aquele rapaz, conduzindo-os pela mão — os oficiais, suponho, e depois os soldados seguindo, imagino, em fileiras. Foram até o rei de Israel.

    Vocês conhecem toda a história. Não preciso contá-la. Mas não é extraordinário? Havia um mundo invisível. Eliseu via esse mundo invisível. Compreendia que o mundo é, basicamente, um mundo espiritual.

    Aquele rapaz não compreendia isso. Como olhava apenas para as coisas tal como se apresentavam, ficou dominado pelo medo.

    A Visão Espiritual das Circunstâncias

    O querido Norman Grubb costumava dizer algo muito interessante, que sempre ficou em meu coração. Ele dizia — e isso é um inglês muito ruim, mas aqui nos Estados Unidos não parece importar —: “Não seja alguém que apenas olha para as coisas; seja alguém que enxerga através delas”.

    Vou repetir: não seja alguém que apenas olha para as coisas; seja alguém que enxerga através delas. Não apenas olhe para as coisas; enxergue através delas.

    Em outras palavras, quando você olha para alguma coisa, vê apenas os fatos. O exército sírio está ali. Estamos perdidos. Há um número enorme deles, armados até os dentes, com ordens do rei da Síria para prender Eliseu e levá-lo acorrentado a Damasco.

    Isso é muito, muito simples. É o que acontece quando você olha para as circunstâncias. Você diz: “Onde está nosso poder? Não temos poder. Onde está nosso exército? Não temos exército. Onde estão nossas armas? Não temos armas. Onde está nossa segurança? Não temos segurança”.

    “Então, o que vai acontecer? Seremos capturados.” Essa é a conclusão simples, obviamente. Eles estão aqui, nós estamos aqui. Não temos nada. Eles têm tudo. É isso que acontece quando você apenas olha para alguma coisa.

    Mas, quando você enxerga através de tudo isso, a situação é a mesma, porém você enxerga além dela. Vocês entendem? Agora você vê: o Senhor está conosco. Há mais conosco do que com eles.

    Como você pode dizer uma coisa dessas? Porque enxerga através das circunstâncias. Você está perseverando como quem vê Aquele Que é invisível.

    O mesmo exército continua ali. Você continua sem exército. Eles têm armas; você não tem armas. Mas você tem absoluta confiança. Então pode falar a Palavra do Senhor. Pode dizer: “Fiquem cegos em nome do Senhor”.

    Essa era a palavra para eles naquele momento, porque você está sob o governo do Espírito Santo. Vocês entendem?

    Ah, querido filho de Deus, pense por um momento. Isso é tão maravilhoso — ter os olhos do coração abertos.

    Uma Lição Inicial sobre Oração

    Agradeço a Deus por ter aberto meus olhos muitos anos atrás. Acho que eu não tinha mais de treze anos.

    Já contei essa história antes, então aqueles que a ouviram podem dormir por alguns minutos e tirar uma soneca. Mas, para os que não ouviram, deixem-me contar.

    Lembro-me de uma irmã idosa na comunidade da qual eu fazia parte. Todos achavam que ela era maluca. Achavam que tinha um parafuso a menos. Por quê? Porque estava sempre falando do Senhor Jesus, sempre falando do Senhor Jesus.

    Era como se Ele morasse no apartamento dela. Ela falava Dele dia e noite — de como Ele era maravilhoso, do que fazia, do que lhe havia dito e de todas essas coisas.

    Ela costumava recitar poemas de Amy Carmichael, hinos de Frances Ridley Havergal, textos de Margaret Barber e todo tipo de coisa. Era uma senhora um tanto extraordinária.

    Havia sido cantora de ópera e passado uma vida inteira nos palcos. Só no fim dessa carreira foi maravilhosamente salva. Mas, em alguns aspectos, tinha muito pouca habilidade para as coisas práticas, então todos achavam que tinha um parafuso a menos.

    Simplesmente não se falava do Senhor nos momentos de convívio daquela comunidade, que era uma excelente comunidade evangélica, e Alan Redpath era o pastor. Isso dá alguma ideia, para os mais velhos entre vocês que se lembram desse nome.

    Era uma ótima comunidade, mas nunca se falava do Senhor. Nunca se falava do Senhor, a não ser quando o pastor vinha tomar chá.

    Quando o pastor vinha tomar chá, falava-se do Senhor, porque era o que se devia fazer. Afinal, ele era pago para falar do Senhor. Então, quando vinha tomar chá, falava-se do Senhor. Mas nunca se falava do Senhor uns com os outros. Isso significaria que você era fanático — que havia passado dos limites.

    Ela ensinava minha querida irmã a cantar, e eu precisava ir buscá-la depois da aula. Quando fui naquele dia, a tia Ella veio à porta.

    “Ah”, ela disse, “outra pessoa veio e levou Teresa. Entre, meu querido rapaz. Vamos ter um pouco de comunhão.”

    Então entrei. Sempre me lembro de que, quando nos sentamos, ela disse: “Sabe, quando eu chegar ao céu, vou ter uma conversa com aquele jovem Sofonias”.

    Nunca me esqueci disso, porque pensei comigo mesmo: quem mais naquela igreja — e, anos depois, quem mais em toda aquela comunidade — sabia que Sofonias era um jovem? Quero dizer, ele era um jovem.

    Enfim, ela disse: “Estou tentando fazer uma coisa na minha máquina de costura”. Estava passando alguma coisa pela máquina. Sentou-se ali, deu-me uma xícara de chá e ficou falando do Senhor, dizendo como Ele era maravilhoso.

    De repente, alguma coisa deu errado na máquina de costura. Ela não conseguia fazer o tecido passar. Olhou a agulha, abriu algumas pecinhas e fez todo tipo de coisa. Então disse: “Ai, ai, ai. Lance, você pode fazer alguma coisa com esta máquina de costura?”.

    Eu disse: “Tia, não entendo nada de máquinas de costura”.

    “Ah, meu bem”, ela disse, “então precisamos pedir ao nosso Pai celestial”.

    Eu tinha treze anos. Então ela disse: “Ajoelhe-se”.

    Eu me ajoelhei, e ela também. Nunca esqueci aquela oração; está gravada na minha memória. Ela levantou a mão e disse: “Pai celestial, Lance, este querido rapaz, e eu estamos tendo um maravilhoso tempo de comunhão a respeito do Teu querido Filho, nosso Senhor Jesus — de como Ele é glorioso e de como Ele é belo”.

    “Mas”, ela disse, “Tu sabes, querido Senhor, sou uma senhora idosa sem habilidade para coisas práticas. Não entendo nada de máquinas de costura, e Lance, este querido rapaz, também não entende nada de máquinas de costura.”

    “Eu tentei; ele tentou. Nenhum de nós consegue fazer coisa alguma. Pai celestial, todas as Tuas promessas são sim em Cristo e, por meio Dele, amém.”

    Aquilo era novidade para mim. “Lance e eu estamos vindo a Ti com uma dessas promessas: Hebreus 1:14, que os anjos são enviados para ministrar aos que são herdeiros da salvação.”

    Então ela se inclinou e disse: “Pai, envia um anjo para consertar esta máquina de costura”.

    Ela inclinou a cabeça, e eu estava de olhos abertos. Meus olhos estavam enormes, como pires. Eu esperava ver se conseguiria enxergar um anjo entrando pela porta.

    Nunca havia tido uma experiência assim. Ouvíamos toda aquela pregação maravilhosa do púlpito, mas ninguém esperava que você se firmasse na Palavra de Deus. Isso seria loucura.

    Você ouvia aquelas coisas maravilhosas, mas ninguém esperava que alguma coisa acontecesse antes de você morrer e ressuscitar no reino vindouro. Então todas aquelas coisas maravilhosas aconteceriam.

    Então eu disse: “Tia…”.

    “Psiu”, ela disse. “Dê tempo ao anjo.”

    Depois ela disse: “Obrigado, querido Senhor. Obrigado. Tu nunca falhas”. Para minha surpresa, levantou-se, puxou o banquinho para se sentar e continuou imediatamente a trabalhar com a máquina.

    Eu tinha treze anos e nunca havia visto nada parecido. Estava acostumado ao fato de que tudo o que vinha do púlpito era admirável e maravilhoso, sólido e verdadeiro, mas não se esperava que funcionasse.

    Mas ali estava uma senhora idosa que a maioria da igreja considerava maluca, e ela havia tomado determinada promessa e se firmado nela.

    Pensei comigo mesmo: “O anjo veio enquanto nós dois estávamos de joelhos? Essa irmã idosa se firmou na Palavra de Deus, e um anjo realmente veio em resposta?”. Certamente a máquina estava funcionando. Isso mudou minha vida.

    De repente, olhei para a Bíblia de uma maneira nova. Onde estão todas essas promessas de Deus?

    Quantas sejam as promessas de Deus, no Messias está o sim e, por meio Dele, o amém.

    Então percebi de repente: “Eu também posso confiar no Senhor. Ele realmente está conosco. Ele me ensinará e me conduzirá”. Eu vinha de um lar não cristão, de pessoas que não eram salvas; portanto, para mim, aquilo foi tremendo. Não consigo dizer como foi tremendo.

    Lições de Intercessores no Egito

    Anos depois, fui ao Egito, e ali, pela primeira vez, meus olhos foram abertos para um mundo espiritual.

    É claro que eu continuava sendo normalmente irreverente. Estava realmente andando com o Senhor e havia tido uma experiência real da cruz e do Espírito Santo, mas isso não me impedia de ser eu mesmo.

    Eu havia estado muito doente. Nunca tinha tido uma saúde muito robusta e vivia pela vida do Senhor. O médico disse: “Você precisa se afastar por um tempo. Precisa ir para lá. Vamos enviá-lo a dois missionários idosos, aposentados, em Porto Said, e eles cuidarão de você”.

    “Vou telefonar para eles. Mas”, disse o médico, que também era agente de uma missão, “trate de se comportar. São os missionários mais piedosos de todo o Egito. Não queremos que fiquem chocados”.

    Então imaginei que encontraria dois velhos dragões — salvos pelo Senhor, mas dragões, vocês entendem. Pensei: “Meu Deus, o que vai acontecer?”.

    Enfim, cheguei lá e tivemos um tempo maravilhoso. Essa é a versão resumida da história. Mas o que sempre me impressionava era que, de repente, o telefone tocava, e eu ouvia a tia Kathleen dizer: “Sim, sim, espere um pouco. Vou pegar um lápis. Agora me diga: qual é o problema? Sim, já anotei”.

    A ligação vinha de Argel. Ela anotava tudo e depois vinha dizer: “Alex, há um problema em determinada comunidade em Argel. Um problema muito grande. Precisamos orar por isso”.

    Às vezes, era uma carta. Recebiam duas ou três cartas. Vinham do norte do Egito, lá de Assiut, ou de algum outro lugar, ou de todas as partes do Oriente Médio.

    Nunca esquecerei uma ocasião que sempre conto, porque resume tudo. Houve uma ligação, e depois ouvi a tia Kathleen dizer: “Alex! Alex!”.

    Alexander era estoniano, e a tia Kathleen era da Irlanda do Norte. Era uma mulher do Ulster. Ela disse: “Alex! Alex!”.

    Então ouvi os dois vindo pelo corredor, entrando numa sala e fechando a porta. Eu era tão curioso, porque sou judeu. Não conseguia evitar. Era muito curioso.

    Saí do meu quarto e tentei escutar. O que estaria acontecendo ali dentro? Ficavam lá por meia hora, quarenta e cinco minutos, e então, de repente, saíam.

    Estavam muito felizes. Eu perguntava: “Era algum problema?”.

    “Bem, não; perguntamos ao Senhor a respeito, e Ele nos deu uma palavra na qual nos firmar.”

    Mais tarde, naquela noite, lembro-me de que o telefone tocou novamente, e ouvi a tia Kathleen dizer: “Sim, sim, sim, alcançamos a vitória. Sim, nós sabíamos. Nós sabíamos. Não é maravilhoso? Louvado seja o Senhor”.

    Ela vinha dizer: “Acabou. Está resolvido. Louvado seja o Senhor. Ele respondeu muito bem”.

    Eu pensava: o que está acontecendo neste pequeno apartamento tão peculiar em Porto Said? Parece que, de uma maneira ou de outra, todo o Oriente Médio está sendo tocado por esses dois idosos que se aposentaram da missão porque já estavam velhos demais para continuar servindo.

    Ali estavam eles, recebendo pedidos de oração de todo o Oriente Médio e conversando sobre eles.

    Então chegou o famoso dia em que, de repente, receberam uma carta. Era do sul do Egito, na fronteira com o Sudão.

    Lembro-me de que disseram: “Você gostaria de se juntar a nós?”. Então tentei ser o mais inglês possível. “Ah, seria muito bom.” Eu estava morrendo de vontade de me juntar a eles, porque queria ver o que acontecia.

    Entramos na sala, e os dois se ajoelharam. Depois leram a carta para mim, porque ambos já conheciam seu conteúdo. Disseram: “Você entende qual é o problema?”.

    Respondi mais ou menos assim: “Sim, acho que entendo”.

    Então disseram: “Bem, agora vamos orar”. Um perguntou ao outro: “Você tem alguma palavra do Senhor sobre isso?”.

    O outro respondeu: “Sim”, e, para minha surpresa, era um versículo de Obadias. Eu nem sabia onde ficava Obadias. Pensei: “Minha nossa!”.

    Um leu a passagem para o outro e disse: “Você quer procurar? Porque precisa tê-la diante de você”. Eu disse: “Bem, vou tentar”. Tentei encontrar Obadias o mais rápido possível.

    Eu tinha apenas dezoito ou dezenove anos. Tentei encontrar Obadias, e eles me ajudaram. Então disseram: “Agora vamos nos firmar nesta palavra”.

    Nunca havia visto nada parecido. Aqueles dois tomaram aquela situação, naquela pequena cidade de que eu nunca tinha ouvido falar, na fronteira com o Sudão. Trouxeram-na à luz e se firmaram naquela palavra até que, no fim, pareceu-me que toda aquela resistência havia sido quebrada.

    Então começaram a louvar ao Senhor. Um perguntou ao outro: “Você acha que já vencemos?”.

    O outro respondeu: “Ainda não completamente”. Então continuaram a orar um pouco mais. Depois, de repente, simplesmente se levantaram.

    Para mim, foi como abrir os olhos. Foi o início do verdadeiro ministério de oração em minha vida. A primeira experiência apenas havia aberto meus olhos para enxergar alguma coisa.

    Mas a segunda foi como compreender que existem principados e potestades, hostes de espíritos malignos e dominadores mundiais das trevas. De alguma maneira, precisamos vestir toda a armadura. Precisamos estar escondidos no Senhor.

    De repente, percebi que a Palavra de Deus é nossa arma; é a espada do Espírito. Não consigo dizer o que aquilo fez por mim. Transformou toda a minha compreensão da obra do Senhor e da igreja de Deus.

    Autoridade na Oração

    Anos depois, mais uma vez, eu estava doente e me recuperava na casa de uma senhora — alguns de vocês saberão que ela tinha um título de nobreza —, Lady Ogle.

    Na comunidade, no trabalho em Richmond, havia um casal muito difícil. Eles vinham provocando divisões e problemas em toda a obra e, basicamente, paralisando-a.

    Mas, quando perguntei ao Senhor o que fazer, Ele me disse: “Você precisa lavar os pés deles”.

    Então, diante daquele empresário muito difícil, que havia construído a própria fortuna, assumi a posição mais humilde que o Senhor me ajudou e capacitou a assumir.

    A querida Lady Ogle e eu estávamos fazendo uma refeição naquela incrível sala de jantar. A mesa era tão comprida que era preciso usar binóculos para ver alguém na outra ponta. Nós dois estávamos numa das extremidades.

    Ela disse: “Depois teremos um tempo de oração. Acho que devemos orar por aquele irmão da comunidade”.

    Ela me disse: “Sabe, tenho um encargo do Senhor e vou orar para que ele seja removido. Você se juntará a mim?”.

    Eu disse: “Ah, Lady Ogle, sinto muito, mas creio que preciso lavar os pés dele”.

    “Bem”, ela respondeu, “você pode lavar os pés dele, mas eu estou orando para que ele seja removido.”

    Sempre me lembro disso. Depois que terminamos a refeição, fomos orar. Lady Ogle era uma senhora pequena, muito, muito baixa, uma senhora pequenininha.

    Nunca me esqueci: quando ela se envolveu intensamente na oração, levantou-se. Deus lhe deu uma passagem das Escrituras, e ela se firmou nela. Senti como se toda aquela enorme sala de jantar tremesse.

    Nunca me esqueci. Eu mesmo tremi. Nunca tinha visto tamanha autoridade na oração em toda a minha vida — nem mesmo naqueles dois do Egito, que eram grandes amigos de Lady Ogle.

    O Senhor certamente respondeu à oração dela de uma maneira terrível. O irmão morreu.

    Nunca me esqueci disso. Mais uma vez, aquilo me ensinou: há um mundo espiritual ao nosso redor.

    Eu poderia continuar contando essas coisas sem parar, mas só quero que vocês saibam que não existe ministério de oração sem enxergar esse mundo.

    Discernimento e Conflito Espiritual

    Essa mesma extraordinária Lady Ogle, naquela mesma semana, certa vez estava tomando chá comigo no jardim. Era um dia glorioso, um daqueles dias que, na Inglaterra, chamamos de verão — ele chega num dia e vai embora no mesmo dia.

    Era um maravilhoso dia de verão, e tudo estava tão tranquilo e agradável. Havia um lindo jardim que cobria toda a encosta de uma colina em terraços. Eu caminhava por ali, ouvindo os pássaros cantar, vendo cobras-de-água descansando sobre cercas vivas aquecidas pelo sol e todo tipo de coisa.

    De repente, ouvi uma voz dizendo: “Querido, querido, você gostaria de tomar um chá?”.

    É claro que respondi: “Ah, sim”. Ela disse: “Está aqui em cima”. Então subi até onde havia um banco de balanço. Sentei-me, e ela serviu o chá.

    Ela me disse: “Que atmosfera de conflito há hoje”.

    Lembro-me de olhar para ela e gaguejar: “Ah, o que a senhora disse?”.

    “Que atmosfera de conflito há hoje”, ela repetiu.

    “É mesmo? Ah, sim”, respondi. Pensei: “Será que estou louco? Tudo o que sinto é este dia lindo. É o dia mais tranquilo que conheço há anos, e simplesmente não entendo”.

    Ela disse: “Desde o momento em que acordei, às cinco da manhã, e tive meu tempo a sós com o Senhor, há conflito. Está acontecendo uma batalha nas regiões celestiais — grandes movimentos nas regiões celestiais”.

    Ela disse: “Perguntei ao Senhor a respeito, e Ele me disse: ‘Oriente Médio’. Às seis, venha ficar comigo; vamos ouvir o noticiário”.

    De fato, às seis ouvimos o noticiário. A primeira notícia era que o rei e a rainha — a família real do Iraque — haviam sido assassinados, incluindo o governador, que era amigo de Lady Ogle, um cristão notável.

    Pensei comigo mesmo: “É possível estar tão em contato com o Senhor que, quando tudo fisicamente está tão belo, tão glorioso, a ponto de quase nos fazer dormir, de nos entorpecer, ainda assim se possa perceber conflito nas regiões celestiais e realmente saber, pelo Senhor, em que lugar do mundo ele acontece?”.

    Intercessão.

    O Chamado para Iniciar a Jornada de Intercessão

    Querido filho de Deus, não sei quem você é. Não sei qual é sua idade espiritual, mas ninguém é jovem demais para iniciar o caminho que o levará a ser intercessor. É algo espiritual.

    Só o Senhor pode tomar sua vida em Suas mãos, mas quero lhe dizer uma coisa: há uma necessidade tremenda de intercessores assim.

    Vou terminar agora. Mas penso repetidamente naqueles que foram intercessores ao longo da história.

    Penso em John Knox e em sua oração angustiada pela Escócia, tão angustiada que ele disse: “Dá-me a Escócia, ou eu morro”. Deus lhe deu a Escócia.

    Penso em Margaret Barber, enviada de volta para casa praticamente em desonra, com acusações muito graves feitas contra ela.

    Quando voltou à Grã-Bretanha, foi à Convenção de Keswick, com a vida em pedaços, o ministério acabado e todos os seus colegas missionários tão contrários a ela. Foi procurar o bispo Handley Moule.

    Ela lhe disse: “O que devo fazer? Toda a minha reputação está destruída. Fizeram todas essas acusações contra mim”.

    Ele perguntou: “São verdadeiras?”.

    Ela respondeu: “Não”.

    Então ele perguntou: “Você acredita que Deus a chamou para a China?”.

    Ela respondeu: “Sim”.

    Então ele disse: “Talvez Deus vá conduzi-la a algo diferente — talvez à intercessão. Se Deus a chamou para a China, você irá para a China”.

    “Mas”, ela disse, “como posso ir? Não tenho uma missão.”

    “Vá”, ele disse.

    Margaret Barber foi, de fato, e orou pela China. Tenho certeza de que houve outros que oraram pela China, muitos ao longo dos anos.

    Mas me parece que, de uma única intercessora — ou de duas, é claro, pois ela levou alguém consigo e, assim, resguardou-se dali em diante contra as acusações que haviam sido feitas —, tanto resultou daquele ministério de oração.

    Um dia, quando chegarmos à glória, conheceremos a verdadeira história por trás da história da igreja.

    Descobriremos que a história de Margaret Barber se repetiu centenas de vezes ao longo de toda a história da igreja.

    Descobriremos que todo grande movimento do Espírito de Deus foi precedido por intercessão — não porque o Senhor precisasse do intercessor, mas porque, de alguma maneira maravilhosa, Ele introduziu o intercessor em Seu coração e em Seu encargo, para que aquilo se cumprisse.

    A Resposta ao Chamado à Intercessão

    Não sei quem você é. Não sei em que condição se encontra, como eu disse, nem qual é sua idade espiritual, mas sei disto: Deus tem uma enorme necessidade de intercessores, se vocês entendem em que sentido uso essa palavra.

    Ele pode ficar sem nós, mas não quer.

    Que o Senhor coloque em seu coração o desejo de responder a Ele de uma maneira nova e profunda. Isso lhe custará tudo, mas você não se arrependerá. Nunca se arrependerá.

    O Senhor fará algo em sua vida e em suas circunstâncias inteiramente para a glória Dele.

    Acho que não poderia haver nada mais maravilhoso do que participar do cumprimento do propósito de Deus em qualquer momento da história.

    Que o Senhor toque seu coração e o chame à intercessão.

    Se, pelo que me ouviu dizer nesta tarde, você sente que não tem chance alguma de ser intercessor — que é uma matéria-prima pobre, ou pouco espiritual, ou qualquer outra coisa —, deixe tudo isso de lado por um momento.

    Se você realmente responder ao Senhor, então Ele poderá, de fato, fazer algo em sua vida para a glória Dele. Todo intercessor começa com um único passo.

    Que Deus o capacite a dar esse passo nesta tarde. Vamos orar?

    Oração Final

    Amado Senhor, queremos simplesmente nos inclinar aqui na Tua presença. Queremos pedir, Senhor, que escrevas em nosso coração as lições da intercessão.

    Senhor, precisamos de Ti. Em muitos aspectos, amado Senhor, não há um de nós que não se sinta totalmente indigno e, de muitas maneiras, incapaz de ser intercessor.

    Mas, Senhor, se Tu nos chamares, Tu nos equiparás. Tu nos treinarás, educarás, disciplinarás e instruirás.

    Senhor, nossa oração nesta tarde é que, pobres como somos, matéria-prima pobre como somos, onde houver um coração voltado para Ti e aberto a Ti, venhas a nós, Senhor, nós Te pedimos.

    Começa toda essa obra de nos transformar naqueles que podem trabalhar Contigo, permanecer firmes Contigo e, de alguma maneira, não ser vistos, estar escondidos, mas participar do cumprimento do Teu propósito em nossos dias e em nossa geração.

    Pedimos isso em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.