Por favor, abram no livro de Apocalipse.
Apocalipse 1:9:
Eu, João, vosso irmão e participante convosco na tribulação, no reino e na perseverança que há em Jesus, estava na ilha chamada Patmos, por causa da palavra de Deus e do testemunho de Jesus.
Vamos fazer uma oração.
Querido Senhor, ao nos reunirmos em Tua presença, o clamor do nosso coração é que Tu voltes. Nós Te agradecemos porque nos prometeste que virás em breve, e estamos aqui esperando por Ti.
Prepara-nos para que, quando virmos a Tua face, não haja vergonha, mas possamos alegrar o Teu coração, sabendo que, pela Tua graça, nós Te seguimos até o fim.
Prepara-nos para Ti mesmo. Mesmo nesta hora tão avançada, Senhor, prepara-nos para que possamos seguir-Te por onde quer que vás. Entregamos este tempo em Tuas mãos amorosas.
Fala, Senhor; os Teus servos ouvem. Completa a obra que começaste em nós, para que sejas glorificado. Pedimos tudo em Teu precioso nome. Amém.
Amém.
Bem, graças ao Senhor por nos reunir nesta manhã. Estamos reunidos aqui com um propósito: queremos aprender o caminho para a restauração do testemunho de Jesus.
Sabemos que é da vontade de Deus que o testemunho de Jesus seja conhecido em todo o mundo, e Ele confiou essa missão à Sua própria igreja.
Lamentamos que, na história da igreja, ela tenha falhado repetidas vezes nessa missão. Mas graças a Deus: os homens podem falhar, mas Deus nunca falha.
Por isso, Ele está sempre realizando a obra de restauração do Seu próprio testemunho. Estamos agora no fim dos últimos tempos, e cremos que é da vontade de Deus que essa restauração se realize plenamente.
É por isso que estamos aqui: para aprender o caminho para a restauração do testemunho de Jesus.
Como eu disse, lembramos que, na primeira vinda do nosso Senhor Jesus, havia alguns irmãos e irmãs que realmente estavam esperando e preparando o caminho para a vinda do Senhor.
Embora parecesse que toda a nação judaica estava esperando a vinda do Messias, na verdade havia apenas alguns que realmente se preparavam para a Sua vinda.
E cremos que, em Sua segunda vinda, acontecerá a mesma coisa. Deus está procurando pessoas que estejam prontas e preparadas para a Sua vinda.
Quem são essas pessoas? São aquelas que têm o testemunho de Jesus.
Assim, encontramos em Apocalipse 1:9 as palavras de João:
Eu, João, vosso irmão e coparticipante na tribulação, no reino e na perseverança em Jesus, estava na ilha chamada Patmos, por causa da palavra de Deus e do testemunho de Jesus.
O apóstolo João foi exilado naquela ilha por causa da palavra de Deus e do testemunho de Jesus. Como ele chegou a ter o testemunho de Jesus? Porque estava na tribulação, no reino e na perseverança em Jesus.
Cremos que essas três coisas — tribulação, reino e perseverança — são os caminhos para a restauração do testemunho de Jesus.
Quando olhamos para a tribulação, ela parece tão negativa. Contudo, Deus pode usar esse meio negativo para cumprir um propósito positivo. Se pudermos enxergar a tribulação do ponto de vista de Deus, então realmente tiraremos proveito dela.
Descobrimos que a tribulação realmente nos conduz de volta ao testemunho de Jesus. Tivemos comunhão a respeito disso na quinta-feira pela manhã.
Agora, nesta manhã, gostaríamos de abordar o segundo ponto: o reino é o caminho para a restauração do testemunho de Jesus.
Não sei, irmãos e irmãs, quanto conhecemos a respeito do reino. Mas, se examinarmos a Palavra de Deus, descobriremos que o reino de Deus — o reino dos céus — é o tema da Palavra de Deus.
Lembramos de Colossenses 1:13:
Ele nos libertou do poder das trevas e nos transportou para o reino do Filho do Seu amor.
Antes, estávamos no reino das trevas. Estávamos sob a autoridade do inimigo de Deus, embora talvez não tivéssemos consciência disso. Mas esse era o fato.
Mas graças a Deus, Ele nos libertou da autoridade das trevas e nos transportou para o reino do Filho do Seu amor.
Muitas vezes, pensamos na salvação apenas em termos do perdão dos nossos pecados, para que um dia possamos ir para o céu. Não percebemos que Deus fez algo muito maior.
Não apenas nossos pecados foram perdoados, e não apenas Ele nos deu a vida eterna, mas algo maior aconteceu: Ele nos libertou da autoridade das trevas e nos transportou para o reino do Seu amor.
Podemos usar a história dos filhos de Israel como exemplo. Vemos que eles eram escravos no Egito. Eram submetidos a trabalhos forçados e nem sequer tinham permissão para viver. Todas as crianças do sexo masculino tinham de ser lançadas no rio Nilo.
Eles não tinham esperança. Estavam sob o domínio de ferro de Faraó. Clamaram a Deus, e Deus os libertou.
Sabemos que eles não apenas foram libertos da morte pelo cordeiro da Páscoa, mas Deus também os tirou do Egito e os transportou para o Seu próprio reino. Ele os trouxe para Si.
Que libertação foi aquela!
Quando chegamos ao Novo Testamento, descobrimos que aquilo que aconteceu fisicamente aos filhos de Israel aconteceu espiritualmente conosco. Embora, no que diz respeito ao nosso corpo físico, ainda estejamos neste mundo, este mundo não mudou em nada. Na verdade, ele tem se tornado cada vez pior.
O mundo ainda está sob a autoridade das trevas. Os homens ainda andam às apalpadelas nas trevas. Não sabem para onde vão, e o fim é a morte eterna. Não há esperança nem Deus. Essa era a nossa situação anterior.
Mas graças a Deus, Ele nos libertou da autoridade das trevas. Já não estamos sob a autoridade de Satanás, o inimigo de Deus. Pertencemos a outro reino — não ao reino deste mundo, mas ao reino do Filho de Deus.
O reino de Deus, o reino dos céus, é onde estamos hoje.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, antes de tudo precisamos compreender que, quando somos salvos, ocorre uma grande transferência. Já não somos do mundo.
Como disse o nosso Senhor Jesus em João 17:16:
Eles não são do mundo, assim como Eu não sou do mundo.
Embora ainda estejamos no mundo, não pertencemos a ele. Pertencemos ao reino celestial. Nossa cidadania está nos céus, e estamos sob outra autoridade: a autoridade do Filho do amor de Deus.
Em outras palavras, todos os que são salvos estão agora no reino dos céus. Essa é a nossa posição. Isso é o que Deus fez por nós.
Vocês se lembram de quando o nosso Senhor Jesus começou Seu ministério público. Seu precursor, João, não apenas pregava, mas proclamava:
Arrependei-vos; porque está próximo o reino dos céus.
Quando o nosso Senhor Jesus começou Seu ministério público, Ele proclamou a mesma mensagem:
Arrependei-vos; porque está próximo o reino dos céus.
Ora, sabemos que os filhos de Israel deveriam ser o povo de Deus, e eram bastante religiosos. Tinham o templo, os cinco livros de Moisés, os profetas, os sacerdotes e todas as cerimônias. Exteriormente, pareciam muito religiosos.
No entanto, a mensagem de Deus para eles era: “Arrependam-se”. Durante quatrocentos anos, Deus permaneceu em silêncio, e agora, de repente, começou a falar. Sua palavra ao Seu povo era: “Arrependam-se”.
Não pensem que estão indo na direção certa. Tudo estava errado. Vocês precisam mudar de direção. Por quê? Porque o reino dos céus se aproximou.
Quando o nosso Senhor Jesus começou a pregar, fez a mesma coisa. Ele disse:
Arrependei-vos; porque está próximo o reino dos céus.
Nosso Senhor Jesus é o Rei do reino dos céus. Ele veio do céu e veio estabelecer Seu reino nesta terra. Mas, naquele momento, não tinha um povo.
Se há um rei sem um povo, não há um reino. Por isso, embora o nosso Senhor Jesus já tivesse vindo, Ele disse:
Arrependei-vos; porque está próximo o reino dos céus.
O Rei havia chegado. Ele nasceu Rei, mas não tinha um povo e, portanto, não tinha um reino. Assim, disse:
Arrependei-vos. O reino dos céus se aproximou de vós.
Se vocês se arrependerem, se mudarem de direção, se crerem Nele e se colocarem sob o Seu governo como Rei, então Ele terá o Seu reino. O reino dos céus terá vindo a este mundo.
Graças a Deus, houve pessoas que verdadeiramente se arrependeram, verdadeiramente mudaram de direção e creram Nele. Não apenas creram Nele, mas O seguiram.
Enquanto o nosso Senhor Jesus pregava, começou a chamar discípulos. Aqueles que criam Nele precisavam entregar-se a Ele e colocar-se sob o Seu governo como Rei, para que Ele os tornasse filhos do reino — não apenas quanto à posição, mas também quanto à condição.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, é muito importante perceber que não deve haver separação entre crer e entregar-se.
Hoje, muitas vezes, o evangelho é pregado de tal maneira que se torna um chamado evangelho barato. As pessoas dizem que, se você crer Nele, será salvo e poderá ir para o céu. E isso é tudo.
Mas nos esquecemos de que o evangelho é um evangelho pleno, e a salvação é uma grande salvação. Deus não nos salva de acordo com a nossa necessidade, mas de acordo com o Seu propósito e com a Sua glória.
Ele não quer apenas nos tirar do inferno e nos levar para o céu. Isso pode nos satisfazer, mas não satisfará a Deus. Ele quer nos salvar até que Ele esteja satisfeito. Quer nos salvar plenamente, para que nos tornemos filhos do reino.
Crer no Senhor Jesus e submeter-se ao Senhor Jesus — essas duas coisas devem ser uma só. Se você se torna um crente, precisa ser um discípulo. Não deve haver separação entre crente e discípulo.
Depois que o Senhor começou a pregar, chamou discípulos. Agora, quem são os discípulos?
Quando o nosso Senhor chamou discípulos, estava caminhando à beira do mar da Galileia. Viu ali dois irmãos, Simão Pedro e André, e os chamou:
Vinde após Mim, e Eu vos farei pescadores de homens.
Imediatamente, eles deixaram o barco e seguiram o Senhor. Um pouco mais adiante, Ele viu os dois filhos de Zebedeu. Chamou-os, e eles deixaram o pai e o barco e seguiram o Senhor.
Vocês percebem que o chamado ao discipulado vem logo após o chamado à fé.
Qual é a diferença entre essas duas coisas? Crer no Senhor Jesus é receber graça do Senhor, mas isso ainda pode estar voltado para si mesmo. Ser discípulo é entregar a sua vida a Ele, e Ele Se torna a razão da sua vida.
Essas duas coisas devem andar juntas. Como podemos crer Nele, receber toda a Sua misericórdia e graça e guardar essas coisas apenas para nós mesmos? Devemos entregar toda a nossa vida Àquele que nos ama.
Ele nos amou e nos lavou dos nossos pecados com o Seu próprio sangue. Ele nos constituiu um reino. Isso está em Apocalipse 1:6.
Todos os que creem no Senhor Jesus são, ao mesmo tempo, chamados a ser Seus discípulos.
O discípulo, como o encontramos na Palavra de Deus, é muito diferente do conceito moderno de aluno.
Hoje, se você se torna um aluno, paga uma quantia e ingressa em uma escola. Senta-se em uma sala, ouve o professor e tenta absorver tudo o que ele sabe. Você está ali simplesmente para aprender, mas continua independente. Continua vivendo sua própria vida. É livre.
Mas um discípulo é diferente. Um discípulo é como um aprendiz dos tempos antigos. Acho que a maioria de vocês, jovens, não sabe como era ser aprendiz.
Antigamente, o aprendizado de um ofício era um modo de vida. Quando um menino crescia, tornava-se aprendiz de um mestre. Suponhamos que você quisesse ser carpinteiro. Como se aprendia carpintaria antigamente? Tornando-se aprendiz.
Você escolhia um mestre carpinteiro e, depois de assinado o contrato, saía de casa para morar com ele. Tornava-se parte da família dele.
Normalmente, durante o primeiro ano, ele nem sequer permitia que você tocasse nas ferramentas. O que você fazia durante esse primeiro ano? Ajudava a limpar a casa, segurava os bebês no colo e servia à mesa, como um criado.
Talvez você dissesse: “Por que vim para cá? Vim para aprender um ofício”. Mas não — esse era o caminho do aprendizado.
Há um significado real nisso. Um aprendiz está aprendendo mais do que um ofício; está aprendendo uma vida.
Talvez, depois de um ano, o mestre permitisse que você tocasse nas ferramentas. Ele lhe mostraria alguns dos segredos. Ao concluir seu aprendizado, você não teria aprendido apenas o ofício do mestre; teria aprendido a vida dele.
Você andaria como ele. Falaria como ele. Em tudo, seria como ele. Essa é a maravilha do aprendizado.
E isso é discipulado, irmãos e irmãs. Nós, que cremos no Senhor Jesus, somos todos chamados a ser Seus discípulos, porque o discipulado tem como objetivo nos tornar filhos do reino.
Talvez vocês tenham ouvido a história do nosso querido irmão Watchman Nee. Quando jovem, ele era muito talentoso. Tinha seu próprio futuro e seus próprios amigos, embora tivesse nascido em uma família cristã. Na verdade, ele era um cristão de terceira geração.
Era algo notável: ele estudava em uma faculdade cristã e, no entanto, não cria no Senhor.
Mas, certo dia, foi profundamente tocado por sua mãe. Sua mãe era uma mulher muito firme — eu sei disso, porque ela me tratava dessa maneira.
O irmão Nee odiava a mãe porque ela o tratava com dureza. Mas, quando ela foi salva, quis fazer o culto doméstico. Então reuniu a família. Foi até o piano e quis orar.
O Espírito de Deus a tocou, e o Senhor disse: “Vá e confesse ao seu filho”. Ela não conseguia fazer isso. Na China, esse não era o costume. Os pais sempre tinham razão.
Mas o Espírito de Deus não a deixava em paz. Então ela se levantou, foi até o filho, abraçou-o e lhe pediu perdão.
Isso tocou muito profundamente o coração do nosso irmão.
Quando foi convidado a ouvir a doutora Dora Yu, ele disse: “Vale a pena ouvir qualquer pessoa que tenha convertido minha mãe”. Na primeira noite, foi convencido do pecado. Sabia que era pecador e que o Senhor Jesus era o único Salvador do mundo.
Mas não conseguia crer. Lutava, porque compreendia que, se cresse no Senhor Jesus, teria de entregar sua vida a Jesus como seu Senhor.
Isso ele não conseguia fazer, porque tinha seus próprios planos e suas próprias ambições. Lutou com isso durante dias.
Certa noite, estava em seu quarto e começou a orar. Ele nos contou que viu a negrura do seu pecado e o vermelho do sangue do Senhor Jesus.
Foi tão constrangido pelo amor de Cristo que se entregou.
Irmãos e irmãs, infelizmente, hoje o evangelho é pregado de tal maneira que se torna um evangelho barato. Parece que você coloca tudo, até mesmo Cristo, ao seu redor. Você é o centro do universo.
Você entende mal a natureza do evangelho. O evangelho não é apenas o evangelho da graça; é o evangelho do reino dos céus. Não são dois evangelhos, mas um só evangelho.
A graça conduz ao reino, e o reino nos mostra o que a graça realmente é.
Irmãos e irmãs, vocês percebem que Deus os libertou do poder das trevas e os transportou para o reino do amor de Deus? Compreendem que Ele os salvou e os colocou em Seu próprio reino?
Vocês já não pertencem a si mesmos. Pertencem a Ele. A consagração é indispensável para todos os crentes.
Se você não apresentou seu corpo como sacrifício vivo, ainda não começou a viver a vida cristã. A vida espiritual começa com a consagração.
Consagração não é entregar-se ao Senhor para fazer alguma coisa. Consagração é colocar-se sob a autoridade do seu Rei e permitir que Ele tenha todos os direitos sobre a sua vida.
Não tenha medo disso. Não é melhor colocar-se nas mãos Dele do que manter-se em suas próprias mãos? O que você pode fazer consigo mesmo?
Mas, se você se colocar nas mãos Dele, Ele o transformará. Colocará Seu caráter em você e o tornará apto para o Seu reino.
Quando o nosso Senhor estava na terra, Ele não apenas chamou as pessoas ao arrependimento; também chamou discípulos. Depois de chamar discípulos, começou a revelar a natureza do Seu reino.
Seu reino não é o reino deste mundo. Vocês se lembram de como Ele testemunhou diante de Pilatos:
O Meu reino não é deste mundo.
É um reino celestial. É um reino espiritual. A natureza do reino vem do próprio Rei.
Seu reino não é comida nem bebida, mas justiça, paz e alegria no Espírito Santo. Seu reino é aquilo que Ele é.
Ele quer que sejamos como Ele. Quer imprimir em nós o Seu próprio caráter.
Alguns dos Seus discípulos disseram:
Dura é esta palavra.
E O deixaram. Vocês se lembram de que o nosso Senhor Jesus disse aos doze:
Quereis vós também retirar-vos?
Graças a Deus por Simão Pedro. Ele disse:
Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna.
Vocês têm essa atitude? Estão pensando que a palavra Dele é dura demais e, por isso, O deixam e já não andam com Ele? Ou estão dispostos a segui-Lo por onde quer que Ele vá?
Vocês O reconhecem como seu Rei, seu Soberano?
Quando chegamos a Mateus 11:12, o Senhor Jesus disse:
O reino dos céus sofre violência, e os violentos o tomam à força.
A palavra violência parece violenta demais para nós, então tentamos suavizá-la. Mas é violência — não contra outras pessoas, e sim contra o seu próprio eu.
Se você quiser seguir o Senhor e não for violento contra si mesmo, não conseguirá segui-Lo. Será como os outros discípulos, que disseram:
Dura é esta palavra.
E deixaram de segui-Lo.
Precisamos ser violentos contra nós mesmos. Isso não significa tentar maltratar o próprio corpo.
Na Idade Média, as pessoas realmente praticavam violência contra si mesmas. Tentavam ser santas e pensavam que o corpo era mau. Por isso, acreditavam que tinham de maltratar o corpo. Açoitavam-se até sangrar e dormiam em camas com pontas de ferro.
Tentavam todo tipo de violência, pensando que, por meio disso, poderiam libertar a si mesmas. Até o reformador Martinho Lutero fez a mesma coisa. Ele era professor, mas deixou a docência e foi para um mosteiro agostiniano.
Jejuou e maltratou a si mesmo até quase morrer. Mas esse não é o significado.
A violência é dirigida contra a vida da alma, porque a nossa vida da alma é uma vida caída. Nossa vida da alma, nossa carne, é aliada do inimigo de Deus. Ela não se submete a Deus e não conhece a Deus.
Ela está sempre resistindo ao Espírito Santo. O Espírito Santo luta contra a carne, e a carne luta contra o Espírito Santo.
É por isso que o Senhor disse:
Se alguém quiser vir após Mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me.
A menos que você negue a si mesmo, tome sua cruz e O siga, não pode ser Seu discípulo. Se quiser salvar a vida da sua alma, você a perderá; mas, se a perder por causa Dele e do evangelho, você a salvará para a eternidade.
Essa é a Palavra de Deus. Irmãos e irmãs, ao nos tornarmos discípulos do nosso Senhor Jesus, somos discipulados para o reino. Descobrimos que precisamos ser violentos contra nós mesmos. Precisamos negar a nós mesmos.
Pedro negou a Pessoa errada. Deveria ter negado a si mesmo. Quantas vezes negamos a Pessoa errada! Negamos o Senhor Jesus quando satisfazemos a nossa carne.
Se praticarmos violência contra nós mesmos, veremos o reino — não apenas quanto à posição, por estarmos no reino de Deus, mas também quanto à condição, por sermos verdadeiramente filhos do reino.
O reino é o caminho para a restauração do testemunho de Jesus.
Na igreja primitiva, todos os que criam no Senhor Jesus eram discípulos do nosso Senhor. Foram os discípulos que primeiro receberam o nome de cristãos.
Se você é apenas um crente, e não um discípulo, o mundo não verá que você é verdadeiramente cristão. Você não tem o testemunho de Jesus.
Mas graças a Deus, na igreja primitiva todos eram discípulos e, como discípulos, todos eram cristãos. Tinham o testemunho de Jesus.
Gradualmente, porém, a igreja começou a perder seu primeiro amor. Já mencionamos como o Senhor usou a perseguição e a tribulação para tentar conduzi-los de volta ao testemunho de Jesus.
Mas, quando chegamos ao início do século IV, Constantino, o Grande, adotou o cristianismo. De repente, o cristianismo se tornou popular no mundo.
O inimigo tentou usar a perseguição para matar a igreja, mas, ao contrário, Deus usou a tribulação para restaurar o testemunho de Jesus. Então o inimigo mudou sua estratégia. Começou a favorecer o cristianismo.
O imperador apoiou o cristianismo e, de repente, o cristianismo se tornou popular.
Naquela época, as pessoas confundiram o reino de Deus com o reino do mundo.
Como Constantino apoiava o cristianismo, incentivava os soldados a serem batizados. Se fossem batizados, seriam recompensados com roupas e prata.
É claro que os soldados queriam ser batizados. Poderiam receber alguma coisa e conquistar o favor do imperador.
A maioria das pessoas no cristianismo não era salva. Como poderiam servir a Deus? Por isso, foi necessário preparar um grupo especial de pessoas para exercer o ministério.
Gradualmente, o cristianismo se tornou um império mundial. Eles pensavam que estavam edificando o reino de Deus, sem saber que haviam caído na armadilha do inimigo.
A justificação pela fé se perdeu. As pessoas tentavam acumular méritos para ir para o céu. O cristianismo entrou na chamada Idade das Trevas.
O reino dos céus foi completamente perdido. Tornou-se um reino mundano.
Graças a Deus, no século XVI, Martinho Lutero e outros reformadores começaram a pregar a justificação pela fé. Enfatizavam uma Bíblia aberta: “Voltemos à Palavra de Deus”.
Assim, oficialmente, começou a restauração do testemunho de Jesus. Mas, infelizmente, eles restauraram o evangelho da graça e se esqueceram do evangelho do reino.
Por isso, a verdade do reino era desconhecida entre os protestantes. As pessoas diziam: “Basta crer no Senhor Jesus, e você será salvo”.
Por causa disso, surgiram divisões na teologia. Alguns diziam: “Uma vez salvo, salvo para sempre”. Outros diziam que, se você fosse salvo, poderia perder a salvação; se não se comportasse bem, a perderia.
O cristianismo se dividiu em dois grupos, e a controvérsia continua até hoje. Vocês sabem por quê? Porque o evangelho do reino dos céus se perdeu.
Quando o evangelho do reino dos céus se perdeu, a salvação se tornou graça barata. Não havia força espiritual para prosseguir.
Por que as pessoas deveriam prosseguir? Elas dizem: “Afinal, podemos ir para o céu”. Se você for fiel ao Senhor, se negar a si mesmo e seguir o Senhor, terá o mesmo destino daqueles que simplesmente comem e bebem depois de serem salvos.
A verdade do reino dos céus só foi restaurada no século XIX, quando Deus começou a levantar alguns dos Seus servos para pregar novamente o reino dos céus.
Eles começaram a nos mostrar que aqueles que receberam a graça de Deus não devem pensar que receber graça é tudo. Há algo mais. Deus quer que sejamos filhos do Seu reino.
Se hoje assumirmos o caráter do Rei, então, um dia, reinaremos com Ele. Como você pode reinar com Ele se não tem o Seu caráter?
A vida do reino hoje nos permitirá reinar no reino nos dias vindouros.
É verdade que, se você crer no Senhor Jesus, terá a vida eterna. Isso é verdade. É o dom de Deus, e os dons de Deus são irrevogáveis.
Mas, antes de chegar a eternidade, haverá mil anos. É isso que as Escrituras chamam de era vindoura.
Estamos nesta era, e esta é a era da graça. Mas, quando esta era chegar ao fim, virá a próxima — a era vindoura. Esse é o milênio de que falam as Escrituras.
Durante esse milênio, o reino dos céus se manifestará publicamente nesta terra. Hoje, a realidade está aqui, mas está oculta. Um dia, ela se manifestará.
Encontramos em Apocalipse 11:15 que, um dia:
O reino do mundo se tornou o reino de nosso Senhor e do Seu Cristo.
Aqueles que forem fiéis a Ele reinarão com Ele durante mil anos.
Irmãos e irmãs, porque a verdade do reino se perdeu para a igreja, os cristãos de hoje se tornaram tão pouco comprometidos. Não há neles força para prosseguir em direção ao alvo.
Por que deveríamos fazer isso? Por que não aproveitar o melhor dos dois mundos? Hoje desfrutamos do mundo; amanhã estamos no céu. Por que ser tão tolo? Por que pagar um preço? Por que carregar a cruz?
Irmãos e irmãs, é por causa do testemunho de Jesus.
Se não vivermos no reino dos céus hoje, não teremos parte no reino quando ele se manifestar publicamente nesta terra, embora sejamos salvos para a eternidade.
Se hoje não estivermos dispostos a receber a disciplina do Senhor, que nos permite crescer, a disciplina não nos tornará filhos do reino.
Um dia, quando Cristo vier, Ele reinará sobre a terra, e aqueles que O seguirem reinarão com Ele. Isso está muito claro na Palavra de Deus.
Infelizmente, o reino dos céus ainda é amplamente desconhecido pelo povo de Deus. Mas encontramos em Mateus 24:14:
E este evangelho do reino será pregado em todo o mundo, para testemunho a todas as nações; e então virá o fim.
Estamos nos aproximando do fim desta era. Nosso Senhor vem em breve. Mas uma coisa é necessária: o reino dos céus precisa ser pregado a todas as nações como testemunho às nações.
Isso é ser uma testemunha de Jesus, é o testemunho de Jesus.
Portanto, irmãos e irmãs, realmente cremos que este é o momento de despertarmos. Devemos perceber que o reino dos céus faz parte do evangelho de Jesus Cristo. Isso nos preparará para a vinda do Senhor.
Como cantamos gloriosamente no início da reunião, porque Cristo está voltando! Mas isso não acontecerá automaticamente. O cronograma de Deus está de acordo com o Seu propósito.
Talvez nos perguntemos por que o Senhor ainda não veio. No primeiro século, as pessoas esperavam a vinda do Senhor. Estavam enganadas? Não.
Durante as grandes perseguições dos séculos II e III, as pessoas encorajavam umas às outras com estas palavras: “O Senhor está voltando”. Vinte séculos se passaram, e agora estamos no século XXI, mas o Senhor ainda não veio.
Sabemos apenas que Sua vinda é iminente. Por que Ele ainda não veio? Não é porque não queira vir, mas porque Sua noiva não está pronta.
Como Sua noiva pode estar pronta? O evangelho do reino dos céus é a preparação.
Quando o evangelho do reino dos céus for pregado em todo o mundo habitado como testemunho às nações, então virá o fim.
Portanto, em certo sentido, todos nós somos responsáveis. Não podemos simplesmente esperar aqui de maneira passiva. Precisamos esperar ativamente.
Devemos apressar Sua volta. Aqueles que têm a vida do reino apressam Sua volta.
Que o Senhor nos ajude.
Querido Senhor, a Tua Palavra deixou isso claro. Tu nos chamas a seguir-Te, para que tenhamos a vida do reino dos céus, para que sejamos aqueles que têm o testemunho de Jesus e para que apressemos a Tua volta.
Contamos com a Tua misericórdia.