Por favor, abram no livro de Apocalipse 1:9.
Eu, João, vosso irmão e companheiro na tribulação, no reino e na perseverança que há em Jesus, estava na ilha chamada Patmos, por causa da palavra de Deus e do testemunho de Jesus.
Pai celestial, queremos agradecer-Te por nos trazeres aqui. Reconhecemos que estamos em Tua presença, pois esta é a Tua preciosa promessa para nós, em Mateus 18:20:
Onde estiverem dois ou três reunidos em Meu nome, ali estou Eu no meio deles.
Verdadeiramente, Senhor, estamos reunidos em Teu nome e temos a certeza de que a Tua presença está aqui conosco. Não há nada mais precioso para nós, Senhor, do que a Tua própria presença.
Oramos, Senhor, para que, estando em Tua presença, a luz do Teu rosto resplandeça sobre nós. Tu és o único que nos conhece. Estamos abertos a Ti.
Oramos, Senhor, para que nos sondes e nos examines, para que nos dês um coração aberto, a fim de contemplarmos a glória do Senhor e sermos transformados de glória em glória, como pelo Senhor, o Espírito.
Pedimos em Teu precioso nome. Amém.
Queremos agradecer ao Senhor por nos reunir. Sempre penso que cada oportunidade de nos reunirmos diante do Senhor é uma graça especial.
Não sabemos quando o nosso Senhor voltará. Só podemos dizer que está muito, muito próximo. Agradecemos a Ele por nos dar esta oportunidade, para que possa nos preparar para Si mesmo.
A oração do nosso coração é simplesmente esta: quando Ele vier, que possamos vê-Lo sem vergonha. Esta é a nossa oração. Esta é a razão pela qual estamos reunidos aqui nesta manhã.
Creio que todos aqui sabem qual é o nosso tema: o caminho para a restauração do testemunho de Jesus.
Vocês têm diante de si três coisas:
Fico pensando quantos de vocês aqui estão familiarizados com a expressão o testemunho de Jesus. Talvez já a tenham ouvido tanto que estejam cansados dela. Ou talvez nunca tenham ouvido essa expressão. Mas uma coisa é certa: na Palavra de Deus, descobrimos que o testemunho de Jesus é o propósito eterno de Deus.
Essa expressão, e outras semelhantes, aparece pelo menos oito vezes no livro de Apocalipse. Não tentarei mencionar todas; deixarei que vocês as encontrem.
Esse livro nada mais é do que o testemunho de Jesus, porque Apocalipse 19:10 diz:
O testemunho de Jesus é o espírito da profecia.
O livro de Apocalipse é um livro de profecia. E qual é o espírito da profecia? Acho que todos temos curiosidade a respeito da profecia, mas será que conhecemos o espírito da profecia?
Quando vocês leem o livro de Apocalipse como um todo, estão interessados apenas nos acontecimentos futuros? Estão tentando decifrar todas essas profecias, até ficarem absorvidos pela própria profecia?
O espírito da profecia é o testemunho de Jesus. Se vocês não veem Jesus, mas apenas os acontecimentos futuros, perdem todo o sentido.
Na verdade, a Bíblia inteira é o testemunho de Jesus. O Senhor Jesus disse, em João 5:39-40:
Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna;
e são elas mesmas que testificam de Mim;
contudo, não quereis vir a Mim para terdes vida.
Portanto, o testemunho de Jesus é a Bíblia inteira. Se não sabemos o que é o testemunho de Jesus, nunca conhecemos verdadeiramente a Palavra de Deus.
O que é o testemunho de Jesus? Se a Bíblia inteira trata do testemunho de Jesus, então ficaríamos aqui até a vinda do Senhor. É impossível resumirmos tudo isso de maneira simples.
Mas, para mim, creio que o testemunho de Jesus pode ser resumido em apenas dois versículos: Apocalipse 1:17-18. Por favor, abram nessa passagem.
Quando O vi, caí a Seus pés como morto. E Ele pôs sobre mim a Sua mão direita, dizendo: Não temas; Eu sou o Primeiro e o Último,
e Aquele que vive; estive morto, mas eis que estou vivo pelos séculos dos séculos e tenho as chaves da morte e do Hades.
Em Apocalipse 1, João recebeu uma visão do Senhor ressurreto. Essa é uma visão destinada a cada um de nós. Precisamos ter uma nova visão do nosso Senhor Jesus.
Nós O conhecemos como nosso Salvador, mas precisamos conhecê-Lo em Sua divindade. Esta é a visão do nosso Senhor Jesus, e a interpretação dessa visão é simplesmente esta: quem é a Pessoa que aparece nela?
Ele é o Primeiro e o Último, e Aquele que vive. Isso fala de Sua eternidade. Isso fala de Sua divindade. Ele é o Primeiro e Ele é o Último; e Ele é Aquele que vive. Ele é o Eterno, e Ele é a própria vida.
Isso é o que o nosso Senhor Jesus era na eternidade. Mas, graças a Deus, Ele diz:
Estive morto.
Como Aquele que vive pode ter estado morto? A única explicação é o Seu amor.
Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu Filho unigênito. Deus, o Filho, tornou-Se homem. Aquele que não conheceu pecado foi feito pecado por nós, para que nos tornássemos justiça de Deus.
Louvem-No e agradeçam a Ele pelo que fez por nós. Não estaríamos aqui se Ele não tivesse vindo a este mundo. Não estaríamos aqui se Ele não tivesse morrido. Sua morte é a nossa salvação, e não podemos deixar de louvá-Lo e agradecer a Ele o tempo todo.
Então Ele disse:
Eis que estou vivo pelos séculos dos séculos e tenho as chaves da morte e do Hades.
Isso fala de Sua ressurreição e ascensão. Deus O fez Senhor e Cristo. Ele é o Vitorioso.
Esta é a visão que o apóstolo João teve na ilha de Patmos, e é exatamente isso que Deus deseja que cada um de nós veja.
Vemos o nosso Senhor Jesus como o Primeiro? Ele é o Primeiro em nossa vida. Ele é a origem de tudo em nossa vida.
Nós O vemos como o Último? Não no sentido de que Ele seja o último de uma sequência, mas no sentido de que Ele é o fim, o propósito e o alvo de tudo para nós.
Nós O vemos como Aquele que vive — Cristo vivendo em nós, a esperança da glória? Percebemos como Ele passou pela cruz do Calvário e abriu para nós um novo e vivo caminho? Ele nos convida a andar por esse caminho.
Vemos que Ele é o Ressurreto? Ele está no trono e nos convida: “Subam”. Um dia poderemos reinar com Ele.
Nós O vemos como tudo e em todos? Há algum rival em nosso coração? Podemos verdadeiramente dar este testemunho de Salmos 73:25?
Quem mais tenho eu no céu senão a Ti?
E na terra não há quem eu deseje além de Ti.
Este é o testemunho de Jesus.
Queridos irmãos e irmãs, o testemunho de Jesus foi confiado à igreja. Foi confiado a cada um de nós, e devemos dar esse testemunho.
Nós louvamos e agradecemos a Deus. Quando vocês leem a história da igreja primitiva — Atos 2 e Atos 4 —, veem que eles tinham o testemunho de Jesus.
Os que criam perseveravam na doutrina e na comunhão dos apóstolos, nas orações e no partir do pão. A doutrina dos apóstolos nada mais é do que a doutrina de Cristo. Eles não tinham um ensino próprio; ensinavam o que Cristo lhes havia ensinado.
Eles não tinham uma comunhão própria. Vocês se lembram de Paulo repreendendo os crentes de Corinto, quando diziam, em 1 Coríntios 1:12-13:
Eu sou de Paulo;
eu, de Apolo;
eu, de Cefas;
eu, de Cristo.
Paulo perguntou:
Está Cristo dividido?
É para a comunhão do Filho de Deus, Jesus Cristo, que todos nós fomos chamados.
Na igreja primitiva, todos eram um. Reuniam-se, louvavam ao Senhor juntos, partiam o pão juntos e se alegravam no Senhor juntos. Grande poder se manifestava por meio deles, e Deus lhes acrescentava pessoas dia após dia.
A mesma coisa é encontrada em Atos 4. Eles estavam completamente livres do apego às próprias posses. Amavam uns aos outros assim como Cristo os havia amado. Que testemunho davam do Senhor Jesus!
Quando o mundo olhava para eles, ficava admirado. As pessoas não conseguiam entender como aquilo era possível, porque eles viviam uma vida totalmente diferente da de qualquer nação do mundo. Jesus era tudo em sua vida.
Finalmente, em Atos 11, os discípulos foram chamados cristãos pela primeira vez em Antioquia. Essa era a única maneira de identificá-los corretamente. Quem eram eles? Eram tão diferentes que não se podia classificá-los como pertencentes a qualquer país ou nação. Eram homens de Cristo.
Vejam como eles davam o testemunho de Jesus. Em trinta e sete anos, o evangelho havia sido pregado até os confins da terra, pois, naquele tempo, Roma era o centro e o extremo da terra. Que poder foi manifestado! Que glória foi dada a Deus!
A igreja primitiva guardou o testemunho de Jesus. Mas, irmãos e irmãs, o inimigo de Deus odiava o testemunho de Jesus. Ele tentou todos os meios para destruí-lo.
Quando vocês chegam ao final do primeiro século e leem Apocalipse 2 e 3, encontram as sete igrejas da Ásia. Considerem a igreja em Éfeso.
Todos os que já leram a Bíblia sabem que a igreja em Éfeso era uma igreja gloriosa. Paulo passou três anos em Éfeso e lhes apresentou todo o conselho de Deus. Eles amavam tanto o Senhor que, quando Paulo estava na prisão, pôde compartilhar com eles o propósito eterno de Deus, por causa do amor imperecível que tinham.
Mas, quando chegamos a Apocalipse 2, perto do final do primeiro século, outros trinta e sete anos haviam se passado. O que o nosso Senhor Jesus encontrou ali?
Ele encontrou uma igreja em que tudo continuava como de costume. Eles tinham o conhecimento e o ensino. Tinham a obra e o trabalho. Mas o fogo interior havia se apagado.
O Senhor Jesus disse, em Apocalipse 2:4:
Abandonaste o teu primeiro amor.
Se não te arrependeres, o teu candeeiro será removido.
Irmãos e irmãs, vocês veem que o testemunho de Jesus começou a se perder na igreja.
Então, se vocês leem a história da igreja, descobrem que, do século IV até o início do século XVI, a igreja foi acolhida pelo mundo — mas o mundo conquistou a igreja.
A igreja entrou em uma era de trevas. Até mesmo a verdade mais básica do evangelho foi perdida. Não conheciam a justificação pela fé. Tentavam ser justificados acumulando méritos. Todo tipo de ensino e doutrina falsos se espalhava sem controle.
Não era possível distinguir onde terminava a igreja e onde começava o mundo. A igreja havia perdido o testemunho de Jesus.
Graças a Deus, os homens podem falhar, mas Deus nunca falha. Mesmo durante todos aqueles séculos de decadência, em cada século vocês encontram uma minoria — algumas pessoas que desejavam voltar ao Senhor. Por causa disso, sofreram nas mãos da igreja oficial.
Se vocês quiserem ler sobre a restauração do testemunho de Jesus, então diríamos que ela começou de modo mais efetivo a partir do século XVI.
No século XVI houve a Reforma. Pessoas como Martinho Lutero, Calvino, Zwinglio e outros restauraram para nós a justificação pela fé.
Hoje, a justificação pela fé parece ser conhecida por todos. Mas, naquela época, era algo tão novo, tão maravilhoso. Também passou a haver uma Bíblia aberta, porque, naquele tempo, a Bíblia estava acorrentada. As pessoas comuns não tinham permissão para ler a Bíblia.
Mas agora há uma Bíblia aberta. Desde então, vemos que Deus começou a restaurar verdade após verdade. Mas não é sobre isso que queremos falar neste momento.
O que os irmãos me encarregaram de compartilhar com vocês, queridos irmãos e irmãs, está em Apocalipse 1:9:
Eu, João, vosso irmão e companheiro na tribulação, no reino e na perseverança que há em Jesus, estava na ilha chamada Patmos, por causa da palavra de Deus e do testemunho de Jesus.
Aqui encontramos o apóstolo João. Ele foi exilado na ilha de Patmos. Foi exilado por causa da Palavra de Deus e do testemunho de Jesus.
Em outras palavras, João foi exilado porque tinha o testemunho de Jesus. Mas podemos colocar isso ainda de outra maneira: como ele guardou o testemunho de Jesus?
Ele guardou o testemunho de Jesus passando pela tribulação, pelo reino e pela perseverança em Jesus.
Como podemos restaurar o testemunho de Jesus? Onde está o caminho? O caminho está na tribulação, no reino e na perseverança.
O apóstolo João passou pela tribulação, e a razão pela qual passou por ela foi o testemunho de Jesus. Ele foi exilado em Patmos por causa do reino.
Foi por causa de um reino que não é deste mundo. Se o reino fosse deste mundo, ele não teria sido exilado. Por ser fiel a um reino que não é do mundo, ele foi exilado.
Foi também por causa de sua perseverança — de sua paciente espera no Senhor — que ele foi colocado naquela ilha.
Irmãos e irmãs, podemos aprender algo com isso. Como o testemunho de Jesus pode ser restaurado em nós — restaurado a tal ponto que o mundo o veja e tenha de tomar alguma atitude a respeito?
Há três questões aqui. Na verdade, elas são um único caminho visto de três ângulos: tribulação, reino e perseverança. Para restaurar o testemunho de Jesus hoje, precisamos saber o que é tribulação, o que é reino e o que é perseverança.
Nesta manhã, gostaríamos de concentrar nossa atenção na tribulação.
Quando vocês voltam à história da igreja, as sete igrejas da Ásia podem ser aplicadas profeticamente a toda a história da igreja. Naquele tempo, havia sete igrejas reais na Ásia Menor, mas elas também podem ser aplicadas profeticamente a toda a história da igreja.
Costumamos dizer que a igreja do primeiro século começou com tamanha glória. Eles guardaram o testemunho de Jesus até que o mundo reconheceu que eram homens de Cristo.
Mas, infelizmente, aos poucos, a igreja que era conhecida pelo amor perdeu o seu primeiro amor. Por que perderam o testemunho de Jesus?
Talvez, na segunda e na terceira geração, as pessoas tenham herdado o ensino e seguido as formas da primeira geração, mas não tenham visto o Senhor por si mesmas.
Os cristãos da primeira geração viram o Senhor, e a visão do Senhor os conquistou de tal maneira que eles pagaram um preço. Permaneceram firmes pelo testemunho de Jesus e sofreram por ele. Durante aquela primeira geração, tudo era novo, fresco, vivo e vibrante.
Então veio a segunda geração. Eles receberam todo o ensino da primeira geração e seguiram todas as formas da primeira geração.
Mas, infelizmente, por nunca terem pago um preço, nunca tiveram uma nova revelação do Senhor. O que receberam foi tradição. Eram fiéis à tradição, mas ela se tornou uma formalidade. Não havia um fogo verdadeiro dentro deles.
Quando se chega à terceira geração, tudo o que resta é tradição. Quando se chega a esse tipo de situação, percebe-se que a fonte interior esfriou.
Na realidade, não existe cristão de segunda ou terceira geração. Todo cristão deve ser da primeira geração. Todo cristão deve ter uma visão. Todo cristão deve ter o testemunho de Jesus, e todo cristão deve pagar um preço por ele.
Quando isso falta, o que resta são formas e tradição. Quando Deus olha para essa situação, o que Ele fará para restaurar o testemunho? Ele usa a tribulação.
Quando a igreja entrou nos séculos II e III, conforme tipificado pela igreja em Esmirna, Deus permitiu que o Império Romano perseguisse os cristãos dez vezes. Houve grandes perseguições contra os cristãos.
Mas, graças a Deus, foi por meio da tribulação e da perseguição que a igreja foi reavivada. É isso que vocês encontram na igreja em Esmirna.
Não gostamos de tribulação. Naturalmente, gostamos de prosperidade. Vocês acham que Deus quer nos castigar? Não está no coração de Deus o desejo de abençoar?
Quando Ele criou o homem, o que fez primeiro? Disse que o homem deveria ter domínio sobre as aves do céu, os seres vivos da terra e os peixes do mar. Deus abençoou o homem que criou. Abençoar é o que está no coração de Deus.
Mas, infelizmente, Adão e Eva se rebelaram contra Deus. Caíram na tentação do maligno e, por causa do pecado, perderam a condição de receber a bênção.
Se Deus abençoasse uma pessoa pecadora com riquezas, bens, fama e tudo o mais, isso seria uma bênção ou uma maldição?
Vocês se lembram de como Deus tratou os filhos de Israel. Ele os libertou do Egito e os levou a uma terra que mana leite e mel. O que aconteceu com aquele povo?
Antes de Moisés morrer, ele recebeu a ordem de escrever um cântico. Deus queria que ele tivesse um cântico porque as pessoas podem se esquecer dos ensinos, mas um cântico é fácil de lembrar.
Em Deuteronômio 32:15, lemos:
Mas Jesurum engordou e deu coices:
Engordaste, engrossaste, tornaste-te nédio;
então abandonou a Deus, que o fez,
e desprezou a Rocha da sua salvação.
Eles eram um povo reto porque haviam sido libertos pelo Senhor, e o Senhor os abençoou. Mas, sob a bênção de Deus, engordaram e começaram a dar coices. Abandonaram a Deus, que os havia feito, e desprezaram a Rocha da sua salvação.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, pessoas pecadoras não merecem a bênção de Deus. Quanto mais são abençoadas, mais perversas podem se tornar. Posso até sugerir que Deus não pode abençoá-las dessa maneira?
Infelizmente, entre o povo de Deus hoje, o evangelho da prosperidade é bem recebido pelo mundo. Se você crer no Senhor, dizem eles, não precisa dirigir um Chevrolet; pode dirigir algo muito melhor.
Irmãos e irmãs, não é porque Deus não quer nos abençoar. É por causa da condição humana. A maneira pela qual Deus verdadeiramente nos abençoa é por meio da tribulação.
Quero que vocês mudem todo o seu conceito sobre a tribulação, porque a tribulação hoje tem um novo significado.
Se vocês voltarem a Mateus 24, o Senhor começou a falar sobre a tribulação. Haverá guerras e rumores de guerras. Nação se levantará contra nação, e reino contra reino. Haverá fomes, pestes e terremotos em diversos lugares.
Vocês veem todas essas coisas começando a acontecer neste mundo. À medida que nos aproximamos do fim desta era, essas coisas se acumularão e aumentarão. É isso que estamos vendo hoje. São tribulações.
Mas leiam Mateus 24:8:
Mas todas estas coisas são o princípio das dores de parto.
Elas são o princípio das dores de parto. Irmãos e irmãs, hoje o nosso Senhor nos dá um novo conceito de tribulação. Por que há todas essas tribulações na terra?
Para os incrédulos e para o mundo, elas são juízo. Mas, para nós, cristãos, são o princípio das dores de parto.
É verdade que são dores, mas essas dores são positivas, não negativas. Esses sofrimentos e essas dores não nos levam à morte; essas dores nos levam ao nascimento.
Deus usa as tribulações para trazer à luz o que está em Seu coração. Ele usará essas tribulações para nos conduzir ao Seu propósito. Este é o caminho da tribulação.
Antes de o nosso Senhor ir para a cruz, Ele falou aos Seus discípulos, conforme registrado em João 14 a João 16. Disse-lhes que não se entristecessem e lhes deu promessas.
Mas encerrou Suas palavras em João 16:33:
Estas coisas vos tenho dito para que tenhais paz em Mim.
No mundo tendes tribulações;
mas tende bom ânimo; Eu venci o mundo.
O nosso Senhor Jesus disse:
No mundo tendes tribulações.
Por que isso acontece? Porque vocês não pertencem ao mundo.
Se vocês pertencerem ao mundo, o mundo não os perseguirá. Mas é porque vocês não pertencem ao mundo que têm tribulação no mundo.
Posso colocar assim? Se vocês não têm tribulação no mundo, será que realmente pertencem a Cristo?
Olhem para o nosso Senhor Jesus. Ele veio a este mundo, mas não era do mundo. Ele era celestial e espiritual. Trazia o céu consigo.
Ele estava no mundo, mas não se conformava com o mundo. Por causa disso, foi rejeitado, perseguido e crucificado. Vocês acham que nós, que pertencemos a Ele, teremos um tratamento melhor?
Se o mundo tratar vocês bem, isso mostra que perderam o testemunho de Jesus. Não buscamos a tribulação, mas ela é necessária em nossa vida.
O que é tribulação? Tribulação é tudo aquilo que aflige vocês. Pode afligi-los física, mental, emocional ou espiritualmente.
Se seguirmos o Senhor, descobriremos que o mundo está contra nós. O mundo tenta nos afastar de Cristo.
Não existe apenas um mundo fora de nós; também temos um mundo dentro de nós. É a vida caída. É a vida natural. É a nossa carne. É o nosso eu. E isso é um aliado do inimigo.
A tentação vem e desperta a carne dentro de nós. Quando a carne se manifesta, torna-se um problema. É por isso que o nosso Senhor disse, em Mateus 16:24:
Se alguém quer vir após Mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me.
Se você amar a vida da sua alma, irá perdê-la. Se perder a vida da sua alma por amor a Mim e ao evangelho, irá ganhá-la para a eternidade.
Se somos fiéis ao Senhor e queremos guardar o testemunho de Jesus, tudo aquilo que é inimigo desse testemunho é nosso inimigo.
Quando vocês estão seguindo o Senhor, o mundo exterior estará contra vocês, mas até a carne se rebelará dentro de vocês. Se a cruz não operar em nossa carne, não conseguiremos guardar o testemunho.
Toda vez que a tentação vem, há uma batalha de fé. Seremos fiéis ao Senhor ou satisfaremos a nós mesmos?
Quando estamos dispostos a tomar a cruz e seguir o Senhor, isso será tribulação. Será sofrimento. Nossa alma sofrerá.
Pensem no nosso Senhor Jesus. Quando Ele estava no jardim do Getsêmani, não foi apenas o Seu corpo físico que sofreu; Sua alma sofreu. Ele disse, em Mateus 26:38:
A Minha alma está profundamente triste até à morte.
Ele estava oprimido em Seu espírito.
Ainda assim, disse, em Lucas 22:42:
Não se faça a Minha vontade, mas a Tua.
Este é o caminho para restaurar o testemunho de Jesus.
Vocês estão dispostos a pagar o preço? Estamos dispostos a seguir o Cordeiro por onde quer que Ele vá?
A tribulação é a disciplina do seu Pai amoroso. Nenhuma disciplina é agradável no momento, mas ela produzirá justiça.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, não se surpreendam com ela. Não desfaleçam debaixo dela. Não tentem escapar dela. Se for a vontade do Senhor, ao segui-Lo, vocês terão de passar por todas essas tribulações.
Recebam isso como a disciplina do Pai. Ele quer nos tornar filhos maduros, e não apenas crianças.
Queridos irmãos e irmãs, não vejo caminho melhor para restaurar o testemunho de Jesus do que a tribulação.
Vocês não precisam procurá-la. O Espírito Santo providenciará isso. Ele sabe quanto vocês podem suportar. Ele mediu tudo em sua vida.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, descobrimos que, afinal de contas, a tribulação não é tão ruim assim.
Em 1900, houve a Revolta dos Boxers na China. Muitos missionários e muitos cristãos chineses deram a vida. Foi uma grande tribulação.
Mas, quando vocês leem a história do cristianismo na China, descobrem que depois houve um grande avivamento na China.
Então, na década de 1920, houve outro período de grande despertamento espiritual. Antes daquele tempo, muitas pessoas mal sabiam se eram salvas ou não. Diziam: “Você crê, e então, quando morrer, será decidido se poderá entrar no céu ou não”.
Mas, durante aquele período, houve tamanho avivamento por toda parte. O evangelho prosperava, e o governo era favorável a ele. Exteriormente, havia muita prosperidade.
Mas, infelizmente, como o cristianismo passou a ser algo bem recebido pelo mundo, surgiram todo tipo de divisões.
Não posso entrar em detalhes. Passei por todas essas coisas. Só posso lhes contar o que conheci. Deus de fato levantou uma obra maravilhosa na China.
Era uma obra sem organização. Não havia organização exterior entre os irmãos e irmãs; nem mesmo entre os que trabalhavam juntos tínhamos uma organização.
Tudo vinha de esperar no Senhor. Assim como o nosso corpo, que não é organizado exteriormente, mas interiormente. Não há organização melhor do que aquela que vem de dentro.
A organização exterior é humana; a organização interior vem do Senhor. A obra se espalhou por toda a China. Tornou-se grande.
Lamento dizer que, aos poucos, passamos a ter uma organização. Não apenas as igrejas foram organizadas; os obreiros também foram organizados.
Então toda a situação política mudou. Sob o novo regime, vi aqueles mesmos cristãos chineses serem perseguidos. Muitos morreram.
De modo geral, aqueles que eram cristãos — católicos ou protestantes, qualquer que fosse a denominação à qual pertenciam — ajudavam uns aos outros. Deus usou a perseguição para purificar.
O evangelho se espalhou, e muitos, muitos vieram ao Senhor. Mas, quando a China se abriu novamente, tudo o que tínhamos antes pareceu voltar. Isso é uma tristeza para o meu coração.
Por que não podemos amar uns aos outros, ser um em Cristo Jesus e não estar divididos?
A tribulação purifica. A prosperidade divide.
Muitos jovens na China desejam as riquezas do mundo. É um problema profundo. Deus sabe. Temos de nos curvar diante Dele e dizer: “Senhor, seja feita a Tua vontade”.
Ao longo das gerações e dos séculos, Deus tem o Seu povo, pessoas dispostas a pagar um preço e que se mostram fiéis ao testemunho de Jesus.
Um dia, o testemunho de Jesus derrubará o deus deste mundo, e então virá o Cabeça.
Irmãos e irmãs, estamos vivendo neste momento empolgante. Podemos seguir por um caminho ou por outro. Que guardemos o testemunho de Jesus.
Querido Senhor, recorremos à Tua misericórdia. Apesar de nós mesmos, não nos deixes. Toma-nos em Tua mão, molda-nos e forma-nos segundo a Tua vontade.
Se for do Teu agrado, faz de nós uma obra completa de vitória. Que o Teu testemunho vença o mundo e o deus deste mundo.