Por favor, abram no Salmo 16. Vamos ler apenas um versículo, o versículo 11.
Tu me mostrarás o caminho da vida:
Na Tua presença há plenitude de alegria;
À Tua direita há delícias perpetuamente.
— Salmos 16:11
Vamos fazer uma oração.
Amado Senhor, queremos Te agradecer pelo privilégio que nos deste de nos reunirmos novamente em Teu precioso nome. Agradecemos pela Tua presença conosco e queremos abrir nosso coração a Ti.
Pedimos que a Tua palavra nos seja dada pelo poder do Espírito Santo, para que se torne viva e operante em nossa vida. Queremos entregar este tempo e a nós mesmos a Ti, e pedimos que a Tua vontade seja feita na terra como no céu. Pedimos em Teu precioso nome. Amém.
Como mencionei ontem pela manhã, pareceu-me que o Senhor colocou em meu coração esta questão de voltar aos fundamentos. Sinto que estamos em um momento em que devemos reexaminar, por assim dizer, o fundamento da nossa fé.
Nada é mais fundamental do que esta questão da vida eterna. Creio, irmãos e irmãs, que todos nós estamos familiarizados com a vida eterna. Não apenas conhecemos o termo, mas, graças a Deus, por Sua graça, todos nós temos a experiência da vida eterna.
Quem tem o Filho tem a vida;
Quem não tem o Filho de Deus não tem a vida.
— 1 João 5:12
Graças a Deus, Ele nos deu Seu Filho amado e, por Sua misericórdia e graça, todos nós O recebemos e cremos Nele. Assim, recebemos a vida eterna.
Mas creio que precisamos entender que a vida eterna não é apenas uma dádiva de Deus. A vida eterna, como vemos em 1 Timóteo 6, é também um chamado. Todos os que receberam a vida eterna têm nela um chamado.
Para que somos chamados? Qual é esse chamado? Quando Deus nos dá a vida eterna — a vida de Seu Filho amado —, Ele tem uma razão para isso. Ele tem um propósito. O propósito é que, com essa vida em nós, sejamos conformados à imagem de Seu Filho amado.
Se não formos fiéis ao nosso chamado, deixaremos de alcançar o próprio propósito de Deus ao nos dar a vida eterna. A vida eterna não é apenas um chamado; é uma confissão. É o nosso testemunho. É mandamento de Deus que, pela Sua graça, entremos na plenitude desse chamado.
Agora, nesta manhã, gostaríamos de dar um passo adiante e tratar do caminho da vida. Creio que todos nós conhecemos o Salmo 16. É um salmo de Davi, e ali, no versículo 11, ele disse:
Tu me mostrarás o caminho da vida.
Em outras palavras, a vida tem um caminho. A vida tem uma direção. Deus não apenas nos dará vida, mas também nos fará conhecer o caminho da vida.
Agora, se seguirmos o caminho da vida, o que acontecerá? Ele diz:
Na Tua presença há plenitude de alegria.
Irmãos e irmãs, se seguirmos o caminho da vida e andarmos de acordo com ele, veremos o rosto sorridente de nosso Senhor Jesus. Nosso Senhor ficará contente com isso, e entraremos na alegria de Seu rosto sorridente. Veremos Sua aprovação.
E não apenas isso:
À Tua direita há delícias perpetuamente.
Não apenas veremos Seu rosto ao viver essa vida, mas também experimentaremos Sua autoridade e Seu poder, porque é isso que a mão direita representa.
Lembro-me de quando estava na China. Durante certo período, eu trabalhava em uma empresa e escrevi estas palavras sobre minha mesa: “Deixa-me ver Teu rosto sorridente”. Esse é o anseio do meu coração. Nós, que pertencemos ao Senhor, queremos ver Seu rosto.
Mas que tipo de rosto esperamos ver? Seu rosto sorridente ou não? Esse deve ser o desejo do nosso coração.
Se seguirmos o caminho da vida, experimentaremos a autoridade e o poder de Deus. Poderemos servi-Lo, não com nossa própria força ou sabedoria, mas com Seu poder — o poder do Espírito Santo. Isso não apenas agradará a Deus; também nos dará grande prazer.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, graças a Deus por nos dar Sua vida. Já mencionamos que a vida que Ele nos deu não é uma coisa; é uma Pessoa.
Quem tem o Filho tem a vida;
Quem não tem o Filho de Deus não tem a vida.
— 1 João 5:12
Portanto, é uma Pessoa. Pensem nisso. Que misericórdia Deus nos concedeu! Agradecemos a Deus pela vida eterna, mas muitas vezes a consideramos uma coisa.
Quando Deus nos dá a vida eterna, Ele está dando a Si mesmo a nós. Ele nos dá Seu Filho amado, e todas as coisas estão em Seu Filho. Ele nos dá tudo, sem reter coisa alguma.
Pensem também que essa vida — esse Cristo — habita em nosso novo espírito. Ele está dentro de você e dentro de mim. E não apenas isso: vemos que o Espírito Santo, o Espírito da vida, também está ali.
Já mencionamos que o Espírito Santo, Que habita em nós, tem uma incumbência especial. Sua missão é assegurar que a vida de Cristo em nós cresça adequadamente, amadureça e seja conformada à imagem de Cristo.
Irmãos e irmãs, Ele nos deu tudo o que é necessário para a vida, para o crescimento da vida e para o cumprimento do propósito de Deus em nós. Há uma coisa que me parece de extrema importância: precisamos conhecer o caminho da vida.
Toda vida tem uma natureza, e sua natureza é sua lei. Se você segue sua natureza e a lei dessa natureza, é saudável, vive normalmente e cresce. Mas, se desobedece à lei da vida e anda em oposição a ela, então, é claro, sofrerá, e por fim virá a morte.
Lembro-me de que, quando estava na idade do jardim de infância, lemos uma história em um livro. Havia uma galinha, e, sem que ela soubesse, colocaram ali um ovo de pata. A galinha chocou os ovos, pensando que os filhotes seriam seus.
De fato, os pequeninos nasceram, e ela cuidou deles como mãe. Um dia, ela os levou para perto de um lago e, de repente, os pequeninos pularam na água. A galinha cacarejava sem parar e os chamava de volta, mas eles estavam gostando tanto da água!
Por quê? Porque eram patos, não galinhas. Assim, irmãos e irmãs, vocês veem que toda vida tem sua própria natureza. Quando essa natureza é seguida, há paz, há alegria e há prazer.
Você sabe que tem uma vida divina em si? Você tem uma vida celestial, espiritual e santa. Essa vida também tem sua lei.
Qual é a lei da vida de Cristo em nós? Você a encontra em Romanos 8:2: a lei do Espírito da vida em Cristo Jesus.
Porque a lei do Espírito da vida em Cristo Jesus me libertou da lei do pecado e da morte.
— Romanos 8:2
O Espírito Santo é o Espírito da vida de Cristo. Temos a vida de Cristo em nós, e o Espírito Santo habita em nosso espírito para assegurar que essa vida de Cristo siga sua lei. Se seguirmos a lei do Espírito da vida, ela nos libertará da lei do pecado e da morte.
Precisamos dizer algo mais. Quando Deus criou o homem, em Gênesis 2, lemos que Deus tomou a terra vermelha e a formou em um corpo. Então Deus soprou em suas narinas o fôlego de vida, e a Bíblia diz que o homem se tornou alma vivente.
Quando o homem foi criado, recebeu uma vida. Mas essa vida não era a vida do próprio Deus. Era uma vida animal, uma vida humana. Com essa vida soprada na alma, o homem se tornou alma vivente. Portanto, temos uma vida criada, uma vida humana.
Por que Deus nos deu essa vida? Porque Ele nos criou à Sua imagem, conforme a Sua semelhança. A vida criada que Ele nos deu é suficiente para vivermos e permanecermos vivos na terra, mas Ele sabia que essa vida não era suficiente para cumprir Seu propósito para nós.
Então Ele colocou o homem no jardim do Éden e plantou a árvore da vida no meio do jardim. Creio que qualquer coisa colocada no meio de muitas outras deve chamar sua atenção.
O propósito de Deus ao colocar a árvore da vida no meio do jardim era que o homem comesse seu fruto. Se o homem comesse o fruto da árvore da vida, então, além daquela vida animal criada que havia em nós, receberíamos uma vida divina — a vida do próprio Deus.
Somente com essa vida de Deus em nós podemos cumprir a missão que Deus tem para o homem. Mas, infelizmente, Adão e Eva comeram o fruto proibido, em vez de tomar o fruto da árvore da vida, ter a vida de Deus em si e viver uma vida de dependência de Deus para cumprir Seu propósito eterno.
Eles comeram da árvore do conhecimento do bem e do mal. Ora, essa não é uma árvore má. Muitas vezes penso que Deus jamais plantaria uma árvore má no jardim do Éden. Todas as árvores do jardim eram boas para alimento.
Deus havia providenciado o necessário para nossas necessidades físicas e também colocou ali a árvore do conhecimento do bem e do mal. Por que fez isso? Porque a árvore do conhecimento do bem e do mal é alimento para nossa alma. Não é uma árvore má.
Mas Deus sabia que, sem Sua vida em nós, ter conhecimento significaria morte para nós. Por isso, Ele nos proibiu de comer da árvore do conhecimento do bem e do mal.
Infelizmente, nossos antepassados preferiram ser independentes de Deus, fazer de si mesmos deuses e pensar que conheciam o bem e o mal.
Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás:
Porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás.
— Gênesis 2:17
Adão e Eva viveram fisicamente por centenas e centenas de anos. Geraram filhos e filhas. Então, o que morreu no dia em que comeram da árvore proibida? Seu espírito — o espírito humano — morreu.
Porque Deus é Espírito, você só pode se comunicar com Deus por meio do seu espírito. Não pode tocar Deus com seu corpo. Não pode entrar em contato com Deus por meio da sua mente ou da sua alma. Só pode ter comunhão com Deus por meio do seu espírito.
Mas, por causa do pecado deles, seu espírito morreu. Isso não significa que o órgão deixou de existir. O espírito, como órgão, continuava ali, mas, se posso dizer assim, estava em coma. Estava morto.
Na Escritura, morte significa separação do ambiente apropriado para a comunicação. O ambiente apropriado do nosso espírito é Deus. Quando a morte alcança nosso espírito, a comunicação se perde, embora o espírito ainda exista como órgão.
Assim, vemos que as pessoas podem se comunicar com espíritos malignos, mas não podem se comunicar com Deus, Que é Espírito. Que vida resta ao homem? Que vida herdamos de nossos antepassados?
A vida que herdamos deles é a vida caída da alma. Aquela vida criada que nos animava e nos tornava vivos agora é uma vida caída. Ainda vivemos neste mundo, mas, infelizmente, se vivermos pela vida caída da alma — a vida que a Escritura às vezes chama de carne —, essa vida também tem sua lei.
Se você vive nessa vida, está debaixo dessa lei, e essa lei é a lei do pecado e da morte.
Em Romanos 8, lemos que, se andarmos segundo a carne, morreremos; se andarmos segundo o Espírito, teremos vida e paz.
Para aqueles que não estão no Senhor, a única vida que conhecem é a vida adâmica, a vida caída. Essa era a única vida que conhecíamos antes. Enquanto vivemos nesta terra, não importa por quanto tempo, estamos debaixo da lei do pecado e da morte.
Antes de crermos no Senhor, estávamos debaixo dessa lei. Não podíamos deixar de pecar e não podíamos viver para sempre. Tínhamos de morrer porque estávamos debaixo dessa lei. Vivíamos por essa vida e tínhamos de nos sujeitar à sua lei.
Se andamos segundo a carne, estamos em inimizade com Deus. Não podemos obedecer-Lhe e nos recusamos a obedecer-Lhe.
Irmãos e irmãs, isso explica por que, depois de crermos no Senhor Jesus, descobrimos em nossa experiência que é como se fôssemos duas pessoas. Dentro de nós há duas vidas.
Há a vida de Deus — Cristo — em nosso espírito. Mas há a vida adâmica, o eu caído e pecaminoso, em nossa alma. Por isso, muitas vezes, depois de crer no Senhor Jesus, você experimenta uma guerra civil, como se houvesse duas pessoas lutando uma contra a outra.
Você encontra isso em Romanos 7. Paulo teve a mesma experiência. Ele descobriu que aquilo que queria fazer não conseguia fazer; mas aquilo que não queria fazer, isso fazia.
Não é essa a nossa experiência depois de crermos no Senhor Jesus? É uma experiência que você não tem antes de crer no Senhor Jesus. Talvez você até pense: “Antes de crer no Senhor Jesus, eu vivia de maneira natural e feliz. Podia fazer o que quisesse”.
Mas, depois que creio no Senhor Jesus — nossa, que vida! Descubro que há uma guerra civil acontecendo o tempo todo, e há mais fracasso do que sucesso. Por quê? Porque o velho Adão é velho e muito experiente, enquanto a vida de Cristo em você é nova, como um bebê. É como se ela ainda não tivesse força suficiente para vencer essa vida adâmica.
Durante a Reforma, no século XVI, Filipe Melanchthon, o teólogo da Reforma, disse: “Descubro que o velho Adão é forte demais para o jovem Melanchthon”.
Você percebe a tirania da carne em sua vida? Martinho Lutero disse: “Não tenho medo do papa, dos cardeais ou dos reis; mas tenho medo do papa dentro de mim”. É o eu.
Você já chegou a este ponto: perceber que é impossível viver a vida cristã pela sua vida adâmica? Já chegou a tamanho desespero que, como o apóstolo Paulo, clamou:
Miserável homem que eu sou! Quem me livrará do corpo desta morte?
— Romanos 7:24
Você não pode libertar a si mesmo, porque isso é você mesmo. Quem pode libertá-lo?
Irmãos e irmãs, em nossa experiência cristã, precisamos chegar a um ponto em que percamos toda esperança em nós mesmos, em que percebamos que em nós — isto é, em nossa carne — não habita bem algum.
Somente quando você chega a esse ponto a libertação está próxima. Imediatamente depois de o apóstolo Paulo clamar:
Miserável homem que eu sou! Quem me livrará deste corpo de morte?
O versículo seguinte diz:
Graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor.
Ele começou a receber uma revelação, uma luz. A revelação é que, quando Cristo Jesus morreu na cruz, Ele não apenas levou nossos pecados em Seu corpo e pagou a pena por eles, de modo que, quando cremos no Senhor Jesus, nossos pecados são julgados e perdoados, e somos justificados diante de Deus.
Mais do que isso, descobrimos que, quando Cristo Jesus morreu na cruz, Ele levou o velho homem Consigo. Quando Ele foi crucificado, esse velho homem foi crucificado Nele e com Ele.
“Velho homem” é o termo coletivo: Adão. O termo pessoal, individual, é “carne”. Todos nós temos nossa carne. Embora a carne seja diferente em cada um de nós, herdamos esses elementos adâmicos de nossos antepassados.
Nosso Senhor Jesus, como diz a Bíblia, é o último Adão. Portanto, quando o último Adão foi crucificado, a raça adâmica teve seu fim. Romanos 6:6 trata de saber. Precisamos saber o que Deus já fez em Cristo Jesus na cruz do Calvário.
Não podemos crucificar a nós mesmos. Sabe, é curioso: você pode fazer algo contra sua própria vida, mas não pode crucificar a si mesmo. É possível? Espiritualmente falando, é a mesma coisa. Tentamos crucificar a nós mesmos, mas não conseguimos.
Graças a Deus, Ele fez isso em Cristo Jesus. Essa é a razão pela qual Ele colocou você e eu em Cristo Jesus. Se estamos em Cristo Jesus, então nosso velho homem foi crucificado.
Este corpo de morte foi tornado inoperante. Isso não significa que deixou de existir. Não, o corpo ainda está ali. Significa, porém, que esse nosso velho corpo foi dispensado do serviço e ficou desempregado.
Esse corpo era empregado pela vida da alma para pecar, mas agora foi dispensado e ficou desempregado. Já não servimos ao pecado e, graças a Deus, estamos sendo empregados novamente por um novo Administrador.
A Bíblia diz que devemos nos considerar mortos para o pecado e vivos para Deus. Em outras palavras, é uma questão de fé.
O que é fé? Fé não é olhar para dentro de si mesmo. A fé é como uma âncora que você lança nas profundezas. Em outras palavras, ter fé é lançar sua âncora em Cristo.
Quanto a tudo o que Ele fez na cruz do Calvário, Ele disse:
Está consumado.
A fé simplesmente aceita isso como é. Assim, vocês se consideram mortos para o pecado em Cristo Jesus e vivos para Deus em Cristo Jesus. Então entregam seu corpo à justiça, para a santificação.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, graças a Deus por Sua salvação completa. Ele não apenas perdoou nossos pecados; também tomou nosso velho homem, nossa carne, e o colocou na cruz do Calvário.
Com essa revelação e essa fé, experimentaremos que já não estamos debaixo da lei do pecado e da morte. Agora estamos debaixo da lei do Espírito da vida em Cristo Jesus.
Como seres humanos, no que diz respeito ao nosso corpo, estamos sujeitos à lei da gravidade. Se você soltar qualquer objeto físico, não importa onde esteja, ele cairá, porque existe uma lei da gravidade que o atrai para o centro da terra.
Mas hoje voamos em aviões porque existe uma lei superior. Por meio dessa lei superior, a lei inferior é vencida, e podemos subir e voar.
Estamos em uma esfera inteiramente diferente. Quando estamos em Adão, estamos debaixo da lei dessa vida terrena — pecado e morte. Não há exceção. Mas, graças a Deus, estamos em Cristo Jesus. Todos nós estamos assentados com Ele nos lugares celestiais.
Estamos em uma esfera inteiramente diferente. Estamos debaixo de outra lei, uma lei superior. Irmãos e irmãs, a vida que vivemos hoje é a vida de Cristo e, por causa disso, estamos debaixo de uma lei superior: a lei do Espírito da vida em Cristo Jesus.
Se vivemos por essa lei, então vivemos uma vida celestial, espiritual e santa. Isso é o que a vida cristã realmente é.
Agradecemos a Deus porque Ele não apenas nos deu Cristo para ser nossa vida — a Bíblia diz:
Cristo em vós, a esperança da glória.
Ao mesmo tempo, Ele nos deu o Espírito Santo.
Como Romanos nos diz, se você não tem o Espírito de Cristo, não pertence a Ele. Mas, graças a Deus, temos o Espírito de Cristo em nós. O Espírito de Cristo em nós é a energia, o poder, o Agente, o Administrador Que assegura que a lei dessa vida superior — a vida de Cristo — se torne operante em cada um de nós.
Quando isso acontece, vivemos uma vida cristã verdadeira: uma vida vitoriosa, uma vida que glorifica a Deus.
Provavelmente levantaremos esta questão: no que diz respeito à verdade, nós a entendemos. Entendemos que hoje não devemos viver pela nossa velha vida adâmica, a vida do eu, porque por ela jamais conseguiremos viver uma vida cristã.
Devemos viver uma vida superior — uma vida celestial, espiritual e santa, como Cristo. Sabemos disso. Também sabemos que Cristo já fez toda a provisão necessária para nós na cruz.
Nossa carne foi crucificada com Cristo, com suas paixões e concupiscências. Não temos obrigação de viver segundo a carne. Temos obrigação de viver segundo o Espírito e deixar que a lei do Espírito da vida opere diariamente em nós, até que sejamos conformados à glória de Deus.
Mas agora a pergunta é: como? Tudo está disponível, e você deve estar nessa esfera, mas como isso opera? Precisamos conhecer o caminho da vida para podermos andar nele.
Agora queremos passar para o lado da experiência. Mas, durante todo o percurso, precisamos nos lembrar do lado da verdade, do lado objetivo, porque, sem a verdade em Cristo Jesus, você não terá uma experiência cristã real. Ela se baseia no que Cristo fez.
Mas gostaríamos de entrar nesse caminho da vida e conhecê-lo. Como essa vida de Cristo em nós opera?
Para dizer de maneira simples, creio que é disso que trata 1 João. O apóstolo João escreveu o Evangelho segundo João e, em João 20:31, concluiu, por assim dizer, afirmando que escreveu essas coisas para que vejamos que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e que, se crermos Nele, teremos vida eterna.
Mas, quando você se volta para a primeira epístola de João, por que ele escreveu essa carta? Antes de concluí-la, em 1 João 5:13, ele disse:
Estas coisas vos escrevi, a vós que credes no Senhor Jesus, para que saibais que tendes a vida eterna.
Em outras palavras, 1 João foi escrita para nos mostrar como sabemos que temos a vida eterna. O que experimentaremos e, por meio dessa experiência, como teremos a certeza de que temos a vida eterna?
Para mim, 1 João é a maneira mais simples de explicar a lei do Espírito da vida em Cristo Jesus. A lei está de acordo com a natureza. Toda vida tem sua natureza, e toda natureza tem sua lei.
Se você segue a lei, anda de acordo com a natureza e, então, cresce de maneira adequada e saudável. Se não segue a lei e faz coisas contrárias à natureza dessa vida, encontrará frustração, derrota e morte.
Agora queremos perguntar: qual é a natureza da vida de Deus? Qual é a natureza da vida de Cristo?
Creio que, em 1 João, nos são apresentadas três coisas a respeito de Deus, a respeito de Sua natureza. Primeiro, em 1 João 1:5, ele diz:
Deus é luz.
Deus é luz, e Nele não há treva alguma.
— 1 João 1:5
Sabemos que a palavra de Deus é lâmpada para nossos pés, mas aqui não se trata da palavra de Deus. Trata-se do próprio Deus. Deus é luz.
Isso quer dizer que a vida que você tem agora é Cristo; é a própria vida de Deus. Qual é a natureza dessa vida em você? Luz. Para que serve a luz? A luz serve para iluminar você.
Depois de crermos no Senhor Jesus, creio que todos nós temos essa experiência. Éramos completamente ignorantes a respeito de muitas coisas, especialmente das coisas espirituais. Mas, depois de crer no Senhor Jesus, você começa a receber luz de Deus.
Ela não vem de fora; vem de dentro. Deus é luz. Quando Ele resplandece sobre você e você crê no Senhor Jesus, Sua vida está em você. Com essa vida, já há luz.
Antes, você andava nas trevas. Nem sequer sabia que estava em pecado. Não sabia que Cristo Jesus era seu Salvador. Mas então Sua vida resplandeceu sobre você e, quando Sua luz brilhou sobre você, ela não apenas o iluminou; entrou em você.
Cristo é revelado em você. Quando Ele entra, o que você tem agora? Você tem luz em si. Antes, você era inteiramente trevas e andava nas trevas sem perceber. Mas agora, graças a Deus, Ele resplandece sobre você, Sua vida entra em você, e há luz em seu interior.
Essa luz em seu interior permite que você clame a Deus: “Aba, Pai”. Agora você está na luz, mas deve andar na luz. Já que tem a luz, precisa andar de acordo com ela — não uma luz exterior, mas uma luz interior, a luz da vida.
Você deve andar de acordo com a luz da vida. Mas posso usar uma ilustração? A luz em você é apenas a luz de uma vela. Esse é o começo.
Graças a Deus, agora você conhece algo espiritual. Conhece Cristo, conhece Deus, conhece Sua salvação; conhece alguma coisa. Depois de conhecer alguma coisa, é claro que você anda nessa luz. Mas, à medida que anda nela, curiosamente, descobre que essa luz começa a crescer em seu interior.
Essa natureza da vida começa a crescer em você, e você passa a ver algo mais — algo que nunca havia conhecido nem percebido antes. O Espírito de Deus começa a iluminá-lo nas coisas de Deus.
Quando se trata das coisas espirituais, humanamente falando, compreendê-las é absolutamente impossível. Somente quando Deus nos ilumina, somente quando essa vida em nós resplandece, começamos a enxergar algo mais.
Em 1 João 1:7, ele diz:
Mas, se andarmos na luz, como Ele na luz está,
Temos comunhão uns com os outros,
E o sangue de Jesus, Seu Filho, nos purifica de todo pecado.
— 1 João 1:7
Agora você tem a luz da vida em si. Precisa andar de acordo com essa luz. Se você anda nessa luz, como Deus está na luz, Deus é, se posso dizer assim, como a luz de cem velas, porque Ele é luz. Ele vive na luz, e você está apenas andando na luz que possui — talvez apenas a luz de uma vela.
Mas, graças a Deus, você foi salvo e anda de acordo com essa luz. Deus começa a lhe mostrar algo mais na esfera espiritual.
Às vezes penso: como Deus pode se comunicar conosco? Ele é luz. Mesmo que tenhamos Sua vida em nós e um pouco de luz em nosso interior, em comparação com Deus, isso é quase escuridão.
Mas, graças a Deus, porque a natureza é a mesma, embora Ele seja perfeito e nós tão imperfeitos, Ele pode Se inclinar até nós e andar conosco. Vocês se lembram de quando nosso Senhor Jesus estava na terra: Seus discípulos simplesmente não conseguiam entendê-Lo. Ainda assim, vemos que nosso Senhor Jesus Se inclinou até eles e teve comunhão com Seus discípulos. Ele está fazendo a mesma coisa conosco.
Temos luz em nós, mas, na verdade, ainda há mais trevas do que luz em nosso interior. Deus é inteiramente luz e pode ter comunhão conosco. O que acontece nessa comunhão?
O sangue de Jesus, Seu Filho, nos purifica de todo pecado. Como isso acontece? Nossos pecados já não foram perdoados e purificados? Como é que, se andamos na luz, como Deus está na luz, temos comunhão uns com os outros e o sangue de Jesus Cristo nos purifica de todos os nossos pecados?
Quando você anda na luz, como Deus está na luz, começa a ver algo mais na esfera espiritual. Coisas que você não considerava pecado agora se tornam pecaminosas aos seus olhos.
Quando isso acontece, graças a Deus, o sangue do Filho de Deus, Jesus Cristo, purifica você de todos os seus pecados. Estamos descobrindo trevas o tempo todo e, à medida que descobrimos nossas trevas, o sangue de Jesus Cristo nos purifica de todo pecado.
Talvez você tenha a luz de uma vela, mas, à medida que prossegue, começa a ter a luz de três velas e enxerga mais trevas — mais daquilo que é carnal, natural, terreno e diabólico. Graças a Deus, porque você tem comunhão com Ele, Seu sangue o purifica de todos os seus pecados. É assim que crescemos.
Nessa mesma seção, vemos que crescemos de filhinhos para jovens e, depois, para pais. Essa seção termina em 1 João 2:27.
Temos a unção em nós, e sabemos que a unção significa simplesmente o Espírito Santo. Ele é o unguento santo. Quando Ele trabalha, é como uma unção; é como se aplicasse óleo sobre nossas feridas.
O Espírito Santo trabalha diligentemente em nós. Ele está ali nos ensinando — ensinando o que é de Cristo, o que é da vida, o que não é de Cristo e o que não é da vida. Ele nos ensina em todas as coisas, não apenas nas grandes, mas também nas pequenas.
Quando enfrentamos grandes questões, começamos a orar. Mas, nas pequenas coisas, pensamos que podemos resolver sozinhos. Contudo, quando você anda com Deus, até nas pequenas coisas Ele o ilumina.
Se você ouvir o Espírito Santo em seu interior, permanecerá em Cristo. É assim que permanecemos em Cristo em nossa vida diária. Como você sabe que hoje está em casa com Cristo? Porque está seguindo o ensino da unção.
O Espírito Santo, Que habita em nós, é um Mestre tão diligente! Ele ensinará você continuamente. Ele assegurará que a vida de Cristo siga Sua natureza, de acordo com Sua lei, para que cresça até a maturidade.
Em certo sentido, isso é exercício espiritual em nossa vida. Isto é, a faculdade intuitiva do nosso espírito está sendo exercitada. Começamos a receber conhecimento diretamente do Espírito Santo.
Se exercitarmos a faculdade intuitiva do nosso espírito, cresceremos na santidade de Deus — separados para Deus.
Depois, no trecho de 1 João 2:29 a 1 João 4:6, encontramos outra natureza de Deus, outra natureza da vida de Cristo sendo mencionada. Ele diz:
Deus é justo.
No que diz respeito aos atos e às ações de Deus, Ele é justo. Ele faz tudo corretamente.
Graças a Deus, quando cremos no Senhor Jesus, nos tornamos justiça de Deus. Em outras palavras, testemunhamos que Deus é justo ao nos perdoar e nos salvar.
Não apenas isso, mas Cristo é nossa justiça. Estamos revestidos de Cristo, assim como o filho pródigo, ao voltar à casa do pai, foi vestido com a melhor roupa.
Graças a Deus, nossos pecados foram perdoados. Estamos revestidos de Cristo como nossa justiça e, portanto, podemos estar diante de Deus justificados.
Mas, além disso, não estamos apenas revestidos de Cristo. Depois de sermos justificados, precisamos andar em justiça. Isso se refere à nossa vida prática diária.
Não se refere à nossa posição. Nossa posição é em Cristo. Somos considerados justos diante de Deus. Mas, quanto à nossa condição, nós, que fomos justificados, precisamos andar diariamente em justiça.
Já que temos essa vida justa em nós, se andarmos de acordo com a natureza dessa vida, devemos praticar a justiça. É isso que a Escritura chama de justiça dos santos.
A justiça dos santos é nossa veste nupcial. É uma veste bordada. Por meio do trabalho paciente do Espírito Santo, Ele está diariamente costurando Cristo em nós, de modo que, quando Cristo voltar, não teremos apenas a veste dourada em nosso interior — Cristo, nossa justiça —, mas também a veste bordada sobre nós, como nossa veste nupcial. Essa é a justiça dos santos.
Agora, como praticamos a justiça? Às vezes nem sabemos o que é justiça. Podemos viver dez, vinte, trinta anos ou mais e pensar que sabemos o que é certo diante de Deus e o que não é certo diante Dele. Como sabemos?
Graças a Deus, temos uma consciência purificada. A consciência é outra faculdade do nosso espírito, e nossa consciência foi purificada pelo sangue do Senhor Jesus. Agora nossa consciência toma Deus como seu padrão.
O Espírito Santo trabalhará em nossa consciência e nos mostrará o que é certo diante de Deus e o que não é certo diante Dele.
O apóstolo Paulo podia dizer:
Procuro sempre ter uma consciência sem ofensa diante de Deus e dos homens.
Irmãos e irmãs, nós, como cristãos, precisamos muitíssimo da nossa consciência.
Se perdermos nossa consciência, perderemos nossa fé; ela naufragará. Graças a Deus, o Espírito Santo tocará continuamente nossa consciência.
Em 1 João, usa-se a palavra “coração”, porque, no Antigo Testamento, a palavra “coração” muitas vezes representa a consciência. Se nosso coração não nos condena, temos confiança diante de Deus. Embora Deus seja muito maior do que nossa consciência, graças a Deus, podemos ter comunhão com Ele.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, este é o caminho: precisamos seguir o que a consciência nos diz. Então estaremos vivendo de acordo com a natureza da nova vida e de acordo com a lei do Espírito da vida. É assim que crescemos em Cristo Jesus.
Por fim, na última seção, vemos que ele diz:
Deus é amor.
Se a intuição está relacionada à santidade, e a consciência está relacionada à justiça, então o amor — a comunhão — está relacionado à glória.
Deus é amor, e o Espírito Santo derramou o amor de Deus em nosso coração. Nós não temos esse amor. Nosso amor humano, nosso amor natural, é um amor caído.
Mas, desde que Cristo entrou em nosso coração, o amor entrou em nós: o amor divino. O Espírito Santo derrama o amor de Deus em nosso coração. Porque esse amor está em nós, podemos amar a Deus e amar uns aos outros.
Nesse caminho de amor, nossa vida espiritual cresce. A vida de Cristo em nós crescerá. Quanto mais temos comunhão com Deus e vivemos em Sua presença, com o rosto descoberto, somos transformados de glória em glória, como pelo Senhor, o Espírito.
Portanto, irmãos e irmãs, é assim que a lei do Espírito da vida opera em Cristo Jesus. Creio que Ele não apenas nos deu vida, graças a Deus; Ele também nos mostrou o caminho.
Que a graça de Deus esteja sobre cada um de nós, para que andemos no caminho da vida, vejamos o rosto sorridente de Deus e O sirvamos de acordo com Seu agrado.
Vamos orar.
Amado Senhor, queremos Te agradecer. Tu não apenas nos deste vida, mas nos mostraste o caminho da vida. Agradecemos pelo Espírito Santo, Que nos ensina incessantemente, para que sejamos conformados à imagem de Teu Filho amado.
Ó amado Senhor, nós nos oferecemos a Ti e pedimos que, pelo Teu Espírito Santo, tenhas livre curso em nossa vida, para que sejamos verdadeiramente aqueles que glorificam Teu nome. Pedimos em Teu precioso nome. Amém.