…manifestação de nosso Senhor Jesus Cristo.
Por favor, abram em 1 João 1:1-4.
O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplamos e as nossas mãos tocaram, concernente à Palavra da vida —
e a vida foi manifestada, e nós a vimos, e dela damos testemunho, e vos anunciamos a vida eterna, que estava com o Pai e nos foi manifestada —;
o que vimos e ouvimos, isso vos anunciamos, para que também tenhais comunhão conosco; e, de fato, a nossa comunhão é com o Pai e com Seu Filho Jesus Cristo.
E estas coisas vos escrevemos, para que a vossa alegria seja completa.
E, por fim, o Evangelho segundo João, em João 17:3.
E a vida eterna é esta: que Te conheçam a Ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a Quem enviaste.
Querido Senhor, nós Te agradecemos por nos reunires aqui nesta manhã em torno de Ti. Lembramo-nos da Tua promessa a nós:
Onde dois ou três estão reunidos em Meu nome, ali estou Eu no meio deles.
E Tu sempre cumpres a Tua promessa.
Por isso, cremos que Tu estás aqui, e isso faz deste lugar solo santo. Senhor, queremos tirar os nossos sapatos, assumir o lugar de Teus servos, olhar para Ti e dizer: “Senhor, fala o que tens a nos dizer. Teus servos ouvem, para que façamos a Tua vontade”. Pedimos em Teu precioso nome. Amém.
Queridos irmãos e irmãs, nos últimos meses e anos, o Senhor parece ter colocado uma coisa em meu coração: voltar aos fundamentos.
Todos nós estamos vivendo no fim dos últimos dias. Este é um tempo perigoso. Vemos tentações ao nosso redor, violência, pecado e afastamento da verdade por toda parte.
E, já que vivemos em um tempo assim, o que devemos fazer? Sinto que há uma coisa que precisamos fazer: examinar nosso fundamento, para ver se ele é firme, de modo que, não importa quando o vento sopre e a chuva caia, a casa permaneça de pé.
E creio que, entre os fundamentos, há uma coisa que podemos considerar juntos diante do Senhor neste momento. Penso que este é o mais básico dos fundamentos: a vida eterna.
Creio que todos os que estão aqui nesta manhã já experimentaram a vida eterna. Nós, que antes estávamos mortos em pecados e transgressões, não tínhamos esperança nem futuro; no entanto, pela graça de Deus, Ele enviou Seu Filho amado, nosso Senhor Jesus, a este mundo.
Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu Seu Filho unigênito, para que todo aquele que Nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.
Assim, graças a Deus, pela Sua graça, creio que cada um de nós nesta sala já experimentou a vida eterna. Agradecemos a Deus porque, por meio de Jesus Cristo, nossos pecados foram perdoados. Ele não apenas nos livrou do inferno, mas também nos deu a vida eterna.
A vida eterna é a dádiva de Deus. E a Bíblia diz que os dons de Deus são irrevogáveis. Em outras palavras, uma vez concedida essa dádiva, Ele não a tomará de volta.
Sabem, muitas vezes penso nas crianças. Quando estão brincando juntas, podem até compartilhar seus brinquedos; mas, depois de algum tempo, acontece alguma coisa, e elas começam a disputar os brinquedos. Vocês as ouvem dizendo: “Isto é meu”.
Às vezes, podemos dar alguma coisa a alguém quando estamos em bons termos, mas, quando já não estamos, acho que a tendência humana é dizer: “Isto é meu”, e tomar de volta. Mas Deus não é como o homem. Quando Ele dá alguma coisa, nunca a pede de volta.
Então, irmãos e irmãs, penso que, pelo menos, todos nós aqui sabemos que Deus nos deu a vida eterna, e nunca perderemos essa vida eterna. Uma vez dada, ela é sua para sempre.
Sabem, pelo que me lembro, quando eu era jovem, a geração anterior à minha nem sequer sabia se era salva, se tinha vida eterna ou não.
A geração anterior era muito piedosa, muito devota, por assim dizer. Mas, se vocês perguntassem: “Vocês têm vida eterna?”, eles responderiam: “Não, não se pode dizer isso. É preciso se comportar bem, continuar crendo e, quando você morrer e for para o céu, então será decidido se poderá entrar ou não”. Você nunca sabia se tinha vida eterna.
Essa era a geração anterior à minha. Mas, graças a Deus, na minha geração, parecia que Deus nos havia dado revelação e restaurado para nós essa verdade fundamental. Na minha geração, as pessoas que criam no Senhor Jesus tinham a certeza da fé. Sabiam que tinham vida eterna. Isso era comum entre o povo de Deus.
Mas, novamente, se vocês lhes perguntassem: “O que é a vida eterna?”, muitas pessoas da minha geração diriam: “Bem, a vida eterna é algo que Deus nos deu como uma apólice de seguro. Quando você morrer, com essa apólice poderá entrar no céu. Mas não é algo para hoje”.
Agora, irmãos e irmãs, creio que vocês provavelmente já compreendem melhor isso.
No final dos anos sessenta, fui convidado a ir ao Peru visitar um casal de missionários. Eles amavam o Senhor. Foram para lá evangelizar os povos nativos.
Eles moravam em um lugar chamado Yurimaguas. Tive de ir de avião, porque não havia estrada para chegar lá. Passavam seis meses em um barco, navegando pelo rio Amazonas e visitando aldeias; depois, durante meio ano, moravam em um caminhão, atravessando as altas montanhas do Peru e visitando aqueles povos nativos. Eles amavam muito o Senhor.
Um dia, souberam que uma família chinesa havia se mudado para o Peru e que essa família era cristã. Então foram visitar essa família chinesa, que eu conhecia muito bem.
Durante a conversa, descobriu-se que esse missionário e sua esposa, embora se sacrificassem pelo Senhor, amassem o Senhor, pregassem o evangelho e levassem pessoas a Cristo, não sabiam que a vida eterna é agora — ela começa agora.
Eles diziam às pessoas: “Se você crer no Senhor Jesus, terá vida eterna. Então, quando morrer, irá para o céu”. Era só isso que faziam.
Assim, por meio daquela comunhão, começaram a perceber que a vida eterna começa hoje. Disseram aos meus amigos: “Vamos pregar o evangelho dizendo ao nosso povo que a vida eterna não é apenas para o futuro. A vida eterna é agora. Vocês podem viver essa vida já hoje”.
Meu amigo me convidou a visitá-los, e passei três semanas com eles, viajando com eles pelo rio Amazonas e também pelas altas montanhas.
Então, irmãos e irmãs, creio que vocês que estão aqui certamente compreendem melhor isso. Sabemos que a vida eterna é a dádiva de Deus, e sabemos que, quando Sua vida nos é dada, é para ser vivida hoje e por toda a eternidade.
Ao ler 1 Timóteo 6, lembrei-me de que essa carta foi escrita por Paulo a seu filho em Cristo, Timóteo.
Timóteo era, por natureza, uma pessoa tímida. Não era extrovertido; era introvertido. E o apóstolo Paulo procurava encorajá-lo.
Perto do final de sua carta, ele disse:
Combate o bom combate da fé.
Em outras palavras, mesmo naquela época, não era fácil para os cristãos viverem entre os incrédulos. Eles estavam cercados de tentações e ataques, e precisamos combater o combate da fé para permanecermos na fé.
Então ele disse:
Toma posse da vida eterna.
Agora, essa expressão, “toma posse da vida eterna”, chamou muito a minha atenção.
A vida eterna não é a dádiva de Deus? A vida eterna não é algo que já temos? E não apenas isso: nós nunca a perderemos. Deus nunca a tomará de nós. Temos essa certeza.
E, no entanto, quando vocês leem essas palavras, “toma posse da vida eterna”, a expressão “toma posse” significa simplesmente agarrá-la, segurá-la firmemente. É como se algo pudesse escapar de suas mãos.
Sabem, em Mateus 11:12, nosso Senhor Jesus disse:
O reino dos céus é tomado por violência, e os violentos se apoderam dele.
A violência aqui, é claro, não significa praticar violência contra outras pessoas. Significa praticar violência contra si mesmo — negar a si mesmo. Somente os violentos se apoderam dele.
Isso significa algo que vocês precisam segurar. Precisam agarrá-lo. Precisam se esforçar, por assim dizer. Isso é tomar posse da vida eterna.
Agora, há uma contradição aqui? Por um lado, sabemos que a vida eterna é a dádiva de Deus, e Deus não é como o homem. Uma vez que Ele nos deu essa dádiva, ela é nossa para sempre. Vocês nunca a perderão. Ela está assegurada.
E, no entanto, por outro lado, quando vocês leem este versículo, “toma posse da vida eterna”, é como se algo pudesse deixar de ser alcançado. É preciso ter muito cuidado, muita diligência. É preciso se esforçar, por assim dizer, para desfrutar toda a sua plenitude.
Então, o que significa “toma posse da vida eterna”? Bem, ao continuar a leitura, vocês encontrarão:
Para a qual foste chamado.
Em outras palavras, vocês descobrem que a vida eterna não é apenas uma dádiva de Deus; a vida eterna é também um chamado de Deus.
Quando você recebe uma dádiva, ela é sua. Você não a perderá, seja qual for o seu comportamento. “Uma vez salvo, salvo para sempre” — esse é um lema usado ao longo dos séculos. Mas, quando chegamos a essa questão do chamado, então é algo diferente.
A vida eterna também é um chamado. Em outras palavras, quando Deus nos dá a vida eterna, dentro dessa dádiva há um chamado a todos os que a receberam.
E todos sabemos que um chamado é um chamado para alguma coisa. A Escritura nos diz que nosso chamado é celestial, é santo e é um chamado do alto.
O que significa tudo isso? Significa simplesmente que, quando Deus nos chama, quando Deus nos dá a vida eterna, dentro dessa vida há um chamado, algo a ser cumprido.
Ou seja, quando Deus nos chama, Ele não nos chama segundo a nossa necessidade. Ele nos chama segundo Seu caráter, Sua glória e Sua virtude. É isso que encontramos em 2 Pedro 1:3: Deus nos chamou segundo Sua virtude, segundo Sua natureza.
Então, irmãos e irmãs, penso que há algo que precisamos compreender com muita clareza: nós, que recebemos a vida eterna, recebemos, juntamente com ela, um chamado.
E qual é esse chamado? Vocês conhecem Romanos 8:29-30:
Aos que Deus de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de Seu Filho amado.
Aos que predestinou, também chamou;
aos que chamou, também justificou;
e aos que justificou, também glorificou.
Em outras palavras, Ele nos chamou para a glória. Agora, “glória” é uma palavra muito difícil de definir, mas sabemos que, sempre que Deus aparece, há glória. Então, em outras palavras, glória é quase sinônimo de Deus.
E Deus nos chama dando-nos a vida eterna, para que sejamos transformados e conformados à imagem de Seu Filho amado. E, assim, nos tornamos coerdeiros com Cristo; e, se sofremos com Ele, também seremos glorificados com Ele.
Então, irmãos e irmãs, aqui vocês veem que a vida eterna é mais do que apenas uma dádiva. Dentro dessa dádiva há um chamado, e é um chamado para que sejamos semelhantes a Ele.
Ele nos deu Sua vida. Agora, com que propósito? Apenas para nos garantir que podemos ir para o céu? Não.
Ele nos deu Sua vida para que haja o potencial e a possibilidade de sermos transformados de glória em glória, como pelo Senhor, o Espírito.
E receio, irmãos e irmãs, que, ao considerarmos a vida eterna, muitas vezes negligenciemos esse aspecto dela. Para que serve a vida eterna? Por que Deus nos dá a vida eterna?
Há apenas uma razão: Ele quer que sejamos semelhantes a Seu Filho amado, para que nos tornemos Sua companheira de vida, adequada a Ele.
Ao ler 1 Timóteo 6:12-13, vocês encontram a continuação:
Para a qual foste chamado e fizeste a boa confissão perante muitas testemunhas.
Ordeno-te, na presença de Deus, que conserva todas as coisas em vida, e de Cristo Jesus, que perante Pôncio Pilatos deu testemunho da boa confissão.
Vocês veem aqui que, quando recebemos a vida eterna, recebemos dentro dela um chamado. E, se formos fiéis ao nosso chamado, teremos uma boa confissão, assim como nosso Senhor Jesus.
Ele veio a este mundo e deu um testemunho perfeito de Deus. Mesmo diante de Pôncio Pilatos, Seu testemunho foi firme e forte. Sim, Ele sofreu por Sua confissão, mas, graças a Deus, realizou a obra da redenção.
Então, irmãos e irmãs, nós, que recebemos um chamado, temos a responsabilidade de verificar se somos capazes de dar um bom testemunho nesta terra.
Então vocês descobrem que isso é mais do que apenas um chamado e uma confissão. Ele disse que é um mandamento. O Senhor nos ordenou que cumpríssemos nosso chamado.
Devemos guardar o mandamento sem mácula, de modo irrepreensível, até a manifestação de nosso Senhor Jesus Cristo.
Irmãos e irmãs, acabamos de cantar uma canção sobre a vinda do Senhor: Maranata. Graças a Deus, estamos no limiar da vinda do Senhor.
O Senhor virá como um ladrão, quando as pessoas não estiverem esperando. De repente, Ele vem e leva Seu tesouro.
Assim como diz a Bíblia: dois estão moendo o grão pela manhã, dois estão trabalhando no campo durante o dia e dois estão dormindo à noite. De repente, o Senhor virá como um ladrão, e levará um e deixará o outro.
Agora, é claro, vocês sabem que, quando um ladrão vem, ele nunca toca uma trombeta e diz: “Estou chegando”. Curiosamente, o ladrão parece sempre saber quando você não está vigilante. Ele vem de repente e em silêncio.
E ele nunca vai ao seu lixo para levá-lo. Ele sabe onde está o seu tesouro, pega-o e vai embora.
Irmãos e irmãs, no que diz respeito à vinda do Senhor, estamos vivendo em um tempo extremamente emocionante. Ele pode vir a qualquer momento.
Mas lembrem-se: isso tem muito a ver com nosso chamado. Sem dúvida, todos nós temos vida eterna. Agora, pessoalmente, creio que esses dois representam, de fato, os cristãos que ainda estarão vivos na vinda do Senhor.
O Senhor prometeu que virá, e até disse a João, em Apocalipse:
Venho sem demora.
Mas agora estamos no século XXI, e, em todos os séculos, vocês encontram pessoas do povo de Deus que amam o Senhor esperando pela Sua vinda.
Estavam erradas? Não. Sua atitude interior estava certa, porque estavam esperando, estavam se preparando, estavam cumprindo seu chamado, estavam fazendo uma boa confissão e guardavam o mandamento do Senhor de modo irrepreensível.
O século XX já passou. Creio que nós, que estamos esperando pelo Senhor, de alguma forma temos, em nosso espírito, a percepção de que Ele está à porta — muito, muito perto.
Ele levará aqueles que são fiéis ao seu chamado.
Sabem, quando vocês leem Mateus 20, nosso Senhor Jesus usa uma parábola. Ele disse que um homem saiu para contratar pessoas para trabalhar em seu campo. Saiu de manhã e combinou o salário com alguns, e eles foram trabalhar em seu campo.
Depois, saiu novamente e fez a mesma coisa, e tornou a sair. Viu que, mesmo já sendo tarde, algumas pessoas ainda estavam ali, porque ninguém as havia contratado. Então o senhor disse:
Venham trabalhar, e eu lhes darei o que for justo.
Depois que terminaram o trabalho do dia, vocês se lembram de que o senhor disse ao administrador:
Pague-lhes o salário. Comece pelo último.
Quando o último, que havia chegado apenas uma hora antes do fim do trabalho, recebeu um denário — o salário de um dia —, os que haviam começado de manhã cedo disseram: “Bem, é claro que devemos receber mais”.
Mas, curiosamente, o senhor também lhes deu a mesma quantia, e eles ficaram descontentes. Então, o que o Senhor disse?
Muitos são chamados, mas poucos são escolhidos.
Porque aqueles que trabalharam desde o início do dia trabalharam pelo salário. Mas os que trabalharam mais tarde não tinham o salário em vista. Simplesmente trabalharam por amor.
E, em Mateus 22, vocês encontram nosso Senhor Jesus usando outra parábola. Um homem havia preparado uma festa de casamento, mas os convidados estavam ocupados demais. Recusaram-se a ir à festa de casamento. Queriam ser dispensados, mas, quando vocês leem todas aquelas desculpas, elas eram um tanto indesculpáveis.
De qualquer maneira, o senhor mandou que fossem pelos caminhos e estradas e trouxessem muitos para encher aquela festa de casamento.
E então o senhor entrou. Sabem, antigamente, quando as pessoas eram convidadas para um banquete real, sempre recebiam uma veste para o banquete. Assim, cada convidado estaria usando uma dessas vestes.
Mas havia uma pessoa que achava que sua própria roupa era suficientemente boa para a mesa do rei, por isso se recusou a receber aquela veste. Vocês se lembram de que o senhor viu isso e o lançou para fora.
Novamente, o Senhor disse:
Muitos são chamados, mas poucos são escolhidos.
Então, em outras palavras, seja no trabalho, seja na vida — vocês sabem, Mateus 20 se refere ao trabalho —, nós, que cremos no Senhor Jesus, também somos Seus servos, Seus companheiros. Devemos trabalhar para Ele, não para nós mesmos.
Mas quantas vezes trabalhamos pelo salário, em vez de trabalharmos por amor a Deus. O apóstolo Paulo era constrangido pelo amor de Cristo.
Na igreja em Éfeso, em Apocalipse 2, tudo estava certo, mas eles haviam perdido o primeiro amor. Por isso, o Senhor disse:
Se não te arrependeres, teu candeeiro será removido.
Então, irmãos e irmãs, nós, que somos salvos, nós, que temos vida eterna, devemos viver para Cristo, trabalhar para Cristo e nos esforçar por Cristo. Mas o que estamos fazendo? Será que realmente O servimos com o primeiro amor?
Qualquer que seja a nossa profissão, nossa vida deve ser dedicada a servi-Lo. É por amor. Mas estamos fazendo isso?
E o mesmo se aplica à nossa vida. Consideramos que somos suficientemente bons para estar na festa de casamento de nosso Senhor Jesus, ou nos revestimos de Cristo — revestimo-nos da obra do Espírito Santo, que forma Cristo em nós —, para que sejamos dignos de estar nas bodas?
Tudo isso, vocês percebem, está ligado ao nosso chamado. Precisamos tornar firme o nosso chamado.
Graças a Deus, temos vida eterna. Isso é certo. Mas se essa vida eterna será plenamente realizada, se essa vida em nós crescerá plenamente e será conformada à imagem de Cristo, isso é algo pelo qual todos nós precisamos assumir responsabilidade.
Então, isso é algo que sinto muito profundamente em meu coração. Graças a Deus, Ele nos salvou. Ele nos deu a vida eterna. Mas, irmãos e irmãs, lembrem-se de que a vida eterna também é um chamado para cada um de nós.
E, quando chegamos a essa questão do chamado, temos uma responsabilidade tremenda.
Agora, o que é a vida eterna? A vida eterna é um conjunto de dádivas que Deus lhe dá quando você crê no Senhor Jesus, ou a vida eterna é algo mais?
Geralmente, consideramos a vida eterna como uma coisa. Mas, se vocês lerem a Escritura com muita atenção, descobrirão que a vida eterna é mais do que uma coisa que lhes é dada.
É como se Deus tivesse muitas coisas, muitas coisas espirituais, coisas celestiais, e, se você pedisse uma, Ele lhe daria uma; se pedisse outra, Ele lhe daria outra; e a vida eterna seria uma dessas dádivas.
Mas, quando vocês leem a Escritura, descobrem o que a vida eterna realmente é.
João 17:3 nos diz o que é a vida eterna:
E a vida eterna é esta: conhecer o Deus vivo e conhecer Aquele que Ele enviou.
Isso é a vida eterna.
A vida eterna não é uma coisa. A vida eterna é uma Pessoa.
Deus amou o mundo de tal maneira que deu Seu Filho unigênito. Em João 1:4:
Nele estava a vida; e a vida era a luz dos homens.
Em João 14:6, o Senhor disse:
Eu sou o caminho, a verdade e a vida.
Ninguém vem ao Pai senão por Mim.
Em 1 João 1:1, o apóstolo João disse:
O que era desde o princípio.
Isso é a eternidade.
O que ouvimos.
É aquilo que ouvimos dos profetas nos tempos antigos.
O que vimos.
Isso foi depois que nosso Senhor Jesus Se fez carne e habitou entre os homens.
Esses apóstolos O viram com seus próprios olhos.
O que contemplamos.
Muitos viram o Senhor Jesus enquanto Ele estava na carne, mas poucos O contemplaram, realmente meditaram, refletiram e foram iluminados pelo Espírito Santo para ver que Ele não é outro senão o Filho de Deus.
E o que tocamos.
Isso se refere à Sua ressurreição, porque o Senhor disse a Tomé:
Toca-Me. Põe teu dedo nas Minhas feridas.
É a Palavra da vida.
Ele disse:
A vida eterna que vimos e contemplamos, nós vos anunciamos, para que tenhais comunhão conosco;
e a nossa comunhão é com o Pai e com o Filho, para que a vossa alegria seja completa.
Então, irmãos e irmãs, quando vocês reúnem todas essas passagens das Escrituras, veem com muita clareza: a vida eterna não é uma coisa. A vida eterna é Cristo.
Quando Deus lhes dá a vida eterna, ela está em Seu Filho. Em 1 João 5:12, lemos:
Quem tem o Filho tem a vida;
quem não tem o Filho de Deus não tem a vida.
Então, a vida eterna é viva, vibrante, espiritual e celestial. A vida eterna é o próprio Cristo Jesus.
Agora, pensem por um momento: quando vocês creem no Senhor Jesus, o que Deus realmente lhes dá?
Provavelmente pensamos: “Bem, o que Deus me deu foi a remissão dos meus pecados”. De fato, nossos pecados são o grande problema para nós. Ninguém pode resolver o problema dos nossos pecados, mas, graças a Deus, por meio de Jesus Cristo, nossos pecados são perdoados.
E talvez vocês estejam pensando: “Bem, eu não tenho vida. Esta minha vida é uma vida caída, uma vida pecaminosa. Não consigo fazer o que quero fazer, mas faço o que sei que não deveria fazer”.
Miserável homem que sou! Quem me livrará?
Graças a Deus, por meio de Jesus Cristo.
Irmãos e irmãs, Deus não apenas perdoa nossos pecados. Ele restaura nosso espírito morto e o torna um espírito novo. Ele próprio vem para dentro do nosso espírito, e até Seu Espírito Santo vem e habita em nosso espírito.
Agora, a pergunta é: por que Ele fez todas essas coisas? Não basta que nosso pecado seja perdoado? Não, porque, se nosso espírito ainda estiver morto em pecados e transgressões, não haverá contato com Deus.
Então, nosso espírito precisava ser renovado.
O que é nascido do Espírito é espírito.
Assim, queridos irmãos e irmãs, quando cremos no Senhor Jesus, naquele momento não apenas nossos pecados são perdoados, mas nosso espírito morto é vivificado.
E o próprio Deus, nosso Senhor Jesus, vem para dentro do nosso espírito e Se torna a vida em nosso espírito.
Mas isso ainda não basta para Deus. Ele também nos dá Seu Espírito Santo para habitar em nosso espírito. Vocês sabem: se alguém não tem o Espírito de Deus, não pertence a Deus.
Então, quando cremos no Senhor Jesus, o Espírito Santo vem e habita em nós. Agora, por quê? Para assegurar que a vida de Cristo em nós cresça, amadureça e que sejamos transformados à Sua própria imagem.
Porque já temos Sua vida, queridos irmãos e irmãs, vocês podem ver todas as provisões que Deus nos deu — não apenas para sermos salvos, mas também para cumprirmos nosso chamado.
Agora, diante disso, creio que há uma urgência entre o povo de Deus hoje. É por essa razão que Pedro, ao escrever sua última carta, disse em 2 Pedro 1:3-4:
Visto que Seu divino poder nos concedeu todas as coisas que dizem respeito à vida e à piedade, pelo conhecimento Daquele que nos chamou por Sua própria glória e virtude;
pelas quais Ele nos concedeu Suas preciosas e grandíssimas promessas, para que por elas vos torneis participantes da natureza divina, havendo escapado da corrupção que há no mundo pela concupiscência.
Que provisão Deus fez para nós! Ele nos chamou por glória e virtude, e nos deu todas as coisas — nada ficou de fora — que dizem respeito à vida e à piedade.
Agora, piedade significa simplesmente ser semelhante a Deus. Vocês agora têm a vida de Deus. Agora essa vida precisa amadurecer, para que vocês sejam semelhantes a Ele.
Todas essas coisas nos foram dadas por meio de Cristo Jesus. Todas as bênçãos espirituais nas regiões celestiais nos foram dadas em Cristo Jesus. Tudo está em Cristo, e é inteiramente pelo Espírito Santo que isso será levado à sua plena realização.
Deus fez tudo. Mas qual é a nossa responsabilidade?
Em 2 Pedro 1:5:
E, por isso mesmo, empregando toda a diligência.
Em 2 Pedro 1:10-11:
Portanto, irmãos, procurai com ainda maior diligência tornar firmes o vosso chamado e a vossa eleição; porque, fazendo estas coisas, jamais tropeçareis;
pois assim vos será amplamente concedida a entrada no reino eterno de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.
Então, irmãos e irmãs, gostaria de concluir nesta manhã com esta exortação.
Deus nos deu tudo ao nos dar Seu Filho amado. E Cristo Jesus vive hoje em nós — não para ficar inativo, mas para estar vivo, ativo e vibrante.
Mas como podemos ser transformados e conformados à Sua imagem? Não por imitação exterior, mas pela obra interior do Espírito Santo.
O Espírito Santo nos transfere, por assim dizer, de nós mesmos para Cristo. Ele trabalha para formar Cristo em nós.
O Espírito Santo trabalhará pacientemente conosco durante toda a nossa vida. Ah, irmãos e irmãs, eu realmente agradeço ao Senhor porque o Espírito Santo é tão paciente.
Vocês podem entristecê-Lo, podem apagá-Lo, podem não obedecer a Ele, mas Ele nunca os deixará nem os abandonará, porque tem uma missão em vocês. Ele quer assegurar que a vida de Cristo em vocês se torne a própria vida de vocês.
Não apenas a própria vida de vocês, mas também a vida expressa em todo o seu serviço e ministério para Deus, porque somente isso será aceito. Por isso, precisamos ser diligentes.
Não podemos nos acomodar, enganando a nós mesmos com a ideia de que estamos seguros de qualquer maneira e de que temos vida eterna.
Temos um mandamento. Temos uma confissão a fazer, um testemunho a dar, e precisamos ser diligentes para que nosso chamado e nossa eleição sejam firmes. Assim poderemos entrar no reino de Deus com ampla provisão.
Então, que o Senhor desperte nosso coração. Irmãos e irmãs, este não é um tempo para adormecermos. Precisamos ser despertados pelo Espírito de Deus.
Levantem-se. Busquem-No diligentemente. Permitam que o Espírito Santo faça Sua obra em vocês. Obedeçam a Ele.
E, se precisarmos sofrer, graças a Deus, poderemos reinar com Ele, como encontramos na Palavra de Deus.
Então, que estas poucas palavras nos encorajem, para que estejamos preparados para nosso Senhor que vem. Deus os abençoe. Vamos orar?
Querido Senhor, nosso coração está cheio de gratidão. Nós, que estávamos sem esperança e sem auxílio, mortos em pecados e transgressões, não tínhamos esperança.
E, no entanto, Senhor, Tu, em Tua grande misericórdia, enviaste Teu Filho amado a este mundo, não apenas para realizar a obra da redenção na cruz do Calvário, mas, ainda hoje, diante do Teu trono, Ele é nosso Sumo Sacerdote, vivendo para sempre para interceder por nós, a fim de nos salvar completamente.
Ó querido Senhor, oramos para que o Espírito Santo desperte nosso coração, para que não sejamos como aqueles que se desviam do caminho e permanecem crianças durante toda a vida.
Ó querido Senhor, toca-nos. Vivifica-nos, para que nos levantemos e Te sigamos. Aonde quer que Tu vás, Senhor, nós iremos.
Para que Teu propósito ao nos salvar seja plenamente realizado, para o louvor da Tua própria glória. Pedimos em nome de nosso Senhor Jesus. Amém.