Testimony Ministry LogoChristian Testimony MinistryCTM
  • Home
  • Speakers
  • Venues
  • Topics
  • Scripture
  • Fellowship Finder
THAT THE WORD OF THE LORD MAY RUN AND BE GLORIFIED
About CTMContact CTMPrivacy PolicyRelated Ministries
    Self Life vs. Christ's Life © 2026 Christian Testimony Ministry
    0:00
    Self Life vs. Christ's Life
    Self Life vs. Christ's Life
    Lambert, Lance

    A vitória mediante a renúncia à vida do eu

    Vocês poderiam abrir na passagem das Escrituras que tem sido o tema deste nosso tempo juntos: Apocalipse 12:10 em diante?

    E ouvi uma grande voz no céu, que dizia:
    Agora são chegados a salvação, o poder, o reino do nosso Deus e a autoridade do Seu Messias:
    porque foi lançado fora o acusador de nossos irmãos, o qual os acusa diante do nosso Deus dia e noite.
    E eles o venceram por causa do sangue do Cordeiro e por causa da palavra do seu testemunho;
    e não amaram a sua vida, mesmo diante da morte.

    Gostaria de acrescentar a essa passagem Marcos 8:27 em diante.

    E saiu Jesus com os Seus discípulos para as aldeias de Cesareia de Filipe; e, no caminho, perguntou aos Seus discípulos, dizendo-lhes: Quem dizem os homens que Eu sou?
    E eles Lhe responderam, dizendo: João Batista; e outros, Elias; mas outros, um dos profetas.
    E Ele lhes perguntou: Mas vós, quem dizeis que Eu sou? Pedro respondeu e Lhe disse: Tu és o Cristo.
    E Ele lhes ordenou que a ninguém falassem a Seu respeito.

    E começou a ensinar-lhes que era necessário que o Filho do Homem padecesse muitas coisas, fosse rejeitado pelos anciãos, pelos principais sacerdotes e pelos escribas, fosse morto e, depois de três dias, ressuscitasse.
    E dizia isso abertamente. E Pedro O tomou à parte e começou a repreendê-Lo.
    Mas Ele, voltando-Se e vendo os Seus discípulos, repreendeu Pedro e disse: Para trás de Mim, Satanás; porque não cogitas das coisas de Deus, mas das coisas dos homens.

    E, chamando a Si a multidão com os Seus discípulos, disse-lhes: Se alguém quiser vir após Mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me.
    Porque qualquer que quiser salvar a sua vida perdê-la-á; e qualquer que perder a sua vida por amor de Mim e do evangelho salvá-la-á.
    Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua vida?
    Ou que dará o homem em troca da sua vida?

    Oração por unção e realidade espiritual

    Vamos fazer mais uma oração?

    Amado Senhor, nós Te agradecemos porque estás aqui, presente conosco nesta noite. Senhor, temos Te adorado, Te louvado e Te agradecido, expressando um pouco da adoração que há em nosso coração por Ti.

    Senhor, agora pedimos que enchas este tempo com o Teu poder e a Tua unção. Obrigado, Senhor, porque conquistaste para todos nós, nesta noite, uma unção de graça e poder por meio da obra consumada de nosso Senhor Jesus no Calvário. Tu disponibilizaste essa unção, em toda a sua plenitude, para nós na Pessoa do Espírito Santo.

    Nesta noite, simplesmente nos prostramos diante de Ti. Em nós mesmos, não somos nada, Senhor, mas Te agradecemos porque Tu és tudo, e tudo de que precisamos está em Ti. Vem ao nosso encontro, Senhor, nesta noite. Pelo Teu Espírito, confronta-nos. Desafia-nos. Vem ao nosso encontro, Senhor.

    Onde houver falta de realidade, traz realidade. Onde houver aparência, traz a essência, a substância. Senhor, conduz-nos a uma experiência nova e mais profunda da Tua tão grande salvação e de tudo o que nosso Senhor Jesus conquistou para nós a um preço tão alto.

    Agora, pela fé, nos firmamos nessa unção, graça e poder, tanto para falar a Tua Palavra quanto para traduzi-la e ouvi-la. Teremos o cuidado, Senhor, de Te dar todo o louvor e toda a glória por responderes a esta nossa oração. Pedimos em nome do nosso Messias, o Senhor Jesus. Amém.

    A vida do eu como obstáculo à vitória

    Bem, não tenho dúvida de que vocês sabem que o tema desta conferência tem sido: “Eles venceram”. Minha responsabilidade aqui é tratar do último dos três elementos da vitória:

    E eles venceram Satanás por causa do sangue do Cordeiro
    e por causa da palavra do seu testemunho;
    e não amaram a sua vida, mesmo diante da morte.

    Minha responsabilidade, portanto, tem sido tratar do terceiro desses elementos da vitória:

    E não amaram a sua vida, mesmo diante da morte.

    Não pode haver vitória de espécie alguma, em nenhum nível, sem a perda da nossa vida do eu.

    A nossa vida do eu é o maior problema no meio cristão. Seja na edificação da igreja, seja na obra de Deus, seja na vida individual do crente — se você e eu não estivermos dispostos a perder a nossa vida do eu por amor a Ele e ao evangelho, não iremos além da conversão.

    Continuamos convertidos. Continuamos crentes, nascidos do Espírito de Deus, mas sem crescimento, sem progresso, sem avanço — nada.

    A plenitude de que a Palavra de Deus fala — que no Senhor Jesus habitava corporalmente toda a plenitude da divindade e que nEle vocês estão completos — permanece uma espécie de lema, sem significado, sem realidade, sem experiência. É algo em que cremos, mas que, para nós, é como um conto de fadas.

    As insondáveis riquezas de Cristo, das quais fala o apóstolo Paulo, continuam sendo outro lema, outra frase das Escrituras sem significado real. Nunca descobrimos essas riquezas. Nunca experimentamos essas riquezas enquanto temos uma vida do eu intacta — não quebrantada, não crucificada, não rendida ao senhorio de Jesus.

    É tão simples. Tanta coisa é nossa. Deus não nos deu coisas; Ele nos deu o Seu Filho. E, em Seu Filho, Ele nos deu tudo: riquezas insondáveis, toda bênção.

    Como diz Efésios 1:3, nos lugares celestiais — não apenas algumas, mas inúmeras bênçãos nEle. Toda necessidade é suprida segundo as riquezas de Deus em Cristo Jesus.

    Plenitude sem limites. Riquezas insondáveis. Toda bênção. Toda necessidade suprida. Mas tudo isso permanece na categoria da doutrina, a menos que você e eu estejamos dispostos a abrir mão da nossa vida do eu.

    O problema é a nossa vida do eu. Não há uma única pessoa aqui nesta noite, seja qual for o seu grupo étnico, que não tenha uma vida do eu. Nesse seu corpo, sentado nessa cadeira, há uma vida do eu não crucificada, não rendida, não quebrantada.

    Talvez alguns já tenham se rendido ao Senhor. Permitiram que o Espírito Santo fizesse a Sua obra neles e avançaram além dessa etapa. Mas muitos de nós temos uma vida do eu tão poderosa que ela não permite que Jesus seja Senhor.

    Salvador, sim. Estamos dispostos a deixar que Ele nos salve, dispostos a deixar que Ele nos faça nascer de novo, dispostos a ser introduzidos no reino de Deus. Mas, além disso, não. Precisamos estar no comando do nosso próprio destino. Precisamos estar no comando da maneira como fazemos as coisas. Precisamos estar no comando da nossa própria vida. É a vida do eu que constitui o problema.

    Os pecados podem ser tratados. Como eu disse ontem à noite, não há problema nisso. Podemos confessar o nosso pecado, e Ele é fiel e justo para nos perdoar o pecado e nos purificar de toda injustiça. Mas a vida do eu está na raiz do pecado.

    “Eu” primeiro, “eu” por último e “eu” no meio. Minha vida começa com “eu”, termina com “eu”, e tudo nela é uma expressão de mim mesmo. Essa é a vida do eu.

    Não adianta dizer coisas agradáveis. Essa sua vida do eu vai destruir você. Ela fará com que você não cresça no Senhor, que nunca entre em tudo aquilo que Ele morreu para que você experimentasse. Ela garantirá que sua vida seja empobrecida, enredada no pecado, em pecados persistentes e em mil e uma outras coisas.

    A morte para o eu e a vida de ressurreição

    Essa questão é tão simples.

    Eles venceram Satanás por causa do sangue do Cordeiro,

    A obra consumada do Senhor Jesus.

    Eles o venceram por causa da palavra do seu testemunho.
    E não amaram a sua vida, mesmo diante da morte.

    Não se trata apenas de martírio, embora possa incluí-lo. É mais do que isso. Se você não estiver disposto a perder a sua vida do eu, a abrir mão dela, nunca será um mártir. Dê uma oportunidade à vida do eu, e ela dará um jeito de escapar. De uma forma ou de outra, você salvará e preservará a sua vida.

    Esse é o desafio — não apenas do apóstolo Paulo, nem dos outros apóstolos, mas do próprio Senhor Jesus.

    É muito interessante. Quando olhamos para o Evangelho de Marcos, ele registra como Jesus lhes perguntou:

    Quem dizem os homens que Eu sou?

    Eles responderam que era este, aquele ou aquele outro. Então Ele perguntou:

    Vós, quem dizeis que Eu sou?

    Pedro disse:

    Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo.

    A partir daquele momento, pela primeira vez, Jesus começou a falar da Sua crucificação, da Sua morte, do Seu sepultamento e da Sua ressurreição. Ele não havia falado disso antes. Portanto, foi um grande choque para os doze discípulos.

    É interessante observar, de passagem, que o Senhor Jesus nunca falou da Sua morte sem associá-la à Sua ressurreição. A morte, em si, não era o fim; o fim era a ressurreição.

    É exatamente assim com você. Talvez vocês pensem que sou como Jeremias, insistindo nessa história de a vida do eu ser quebrantada, rendida e crucificada. Talvez digam: “Não podemos ouvir algo um pouco mais alegre do que esse tipo de mensagem? Quero dizer, isso é muito pesado e muito sombrio — e essa santidade, sabe, de vestir preto, parecer infeliz, estar sempre aflito. Temos de ser assim para sermos cristãos de verdade?”

    Não, não, não. Não é disso que estamos falando. Toda vez que a Palavra de Deus fala de ser crucificado com Cristo, ela associa isso à vida eterna ou à plenitude da vida.

    Ouçam isto, o testemunho do apóstolo Paulo:

    Fui crucificado com Cristo; não obstante, vivo;
    contudo, não mais eu, mas Cristo vive em mim:
    e a vida que agora vivo na carne, vivo pela fé,
    a fé que está no Filho de Deus, o Qual me amou e Se entregou por mim.

    Se vocês contarem, encontrarão uma crucificação e vida, vida, vida, vida, vida — vivo, vida, Cristo vive em mim. Está tudo ali. É disso que se trata.

    Deus não exige que você abra mão da sua vida do eu para se tornar um crente infeliz e mórbido, que fica andando em círculos o tempo todo, pensando apenas no seu eu quebrantado. De modo nenhum.

    Todo o propósito do Senhor é que você seja cheio do poder da ressurreição, da vida de ressurreição e do fruto que vem dessa vida de ressurreição. Esse é o propósito do Senhor. Ele quer que a morte seja tragada pela vida, pela plenitude da vida. É por isso que o Senhor Jesus nos desafia dessa maneira.

    O chamado para seguir a Cristo

    Pedro nunca teve medo. Todos vocês sabem disso. É interessante, naturalmente, que ele apenas servia de porta-voz dos demais. Uma ou duas vezes, nos Evangelhos Sinóticos, lemos:

    E todos disseram o mesmo.

    Mas era Pedro quem sempre metia os pés pelas mãos. Ele era sempre o primeiro a falar, a ser direto, a dizer exatamente o que pensava.

    Ele levou Jesus à parte — imagino que O tenha segurado pelo braço e feito parar de andar — e disse: “Tu não podes fazer isso. É impossível que o Messias seja crucificado. Não é isso que estamos esperando. Tu não podes fazer isso”.

    Jesus, olhando diretamente nos olhos dele, disse:

    Para trás de Mim, Satanás; porque não cogitas das coisas de Deus, mas das coisas dos homens.

    Quero dizer algo muito simples aqui. Se eu dissesse alguma coisa a vocês e, depois, quando um de vocês viesse me procurar com um problema, tentando dar um jeito de escapar dessa questão, eu olhasse diretamente nos seus olhos e dissesse: “Para trás de mim, Satanás”, vocês iriam imediatamente aos irmãos aqui da primeira fila e diriam: “Nunca mais convidem esse irmão para vir falar!”

    Vocês diriam: “Sabe o que ele me disse? Olhou diretamente nos meus olhos e disse: ‘Para trás de mim, Satanás’. Ora, nunca fui chamado de Satanás na vida. Sou um filho de Deus. Sou convertido. Pertenço ao Senhor. Nasci de novo”.

    Se Ele tivesse dito apenas: “Satanás está perturbando a sua mente”, eu poderia aceitar. Se tivesse dito: “Você está tendo pensamentos negativos”, eu aceitaria. Mas olhar nos meus olhos e dizer: “Para trás de mim, Satanás” — isso é demais. Como Ele poderia fazer uma coisa dessas? Eu tenho uma reputação. Tenho direitos. Não é certo alguém sair por aí me chamando de Satanás. Não acho que eu seja parecido com Satanás.

    Essa questão era tão importante que Jesus reuniu toda a multidão com os discípulos. Já não se tratava apenas dos doze discípulos. Já não se tratava apenas do círculo daqueles que eram próximos dEle. Agora Ele reuniu toda a multidão e então disse:

    Se alguém quiser vir após Mim, negue-se a si mesmo,
    tome a sua cruz e siga-Me.
    Porque qualquer que quiser salvar a sua vida perdê-la-á;
    e qualquer que perder a sua vida por amor de Mim e do evangelho salvá-la-á.

    É interessante, porque aqui o Senhor lançou um desafio. Tudo isso tem a ver com o evangelho. Não é um ensinamento mais profundo. Não é algo que vocês, os mais jovens, possam adiar por alguns anos, aproveitando a vida por aqui — especialmente a sua vida do eu — enquanto são jovens e felizes, para só depois começar a viver como devem.

    Não é isso. Jesus estava dizendo que isso tem a ver com o evangelho. Tem a ver com a morte, o sepultamento e a ressurreição do Senhor Jesus.

    Era como se o Senhor Jesus estivesse dizendo: “Vejam, por meio dessa morte, desse sepultamento e dessa ressurreição, Eu os salvei com uma salvação tremenda. Mas vocês nunca conhecerão os seus efeitos na prática. Nunca conhecerão todo o seu poder, a sua plenitude, se continuarem a se agarrar a essa vida do eu”.

    É de uma simplicidade absoluta. Ouçam: duas palavras — “Siga-Me”. “Siga-Me”. Entre os dois chamados para segui-Lo, vem isto:

    Negue-se a si mesmo. Tome a sua cruz.

    Em outras palavras, o que o Senhor Jesus estava dizendo a toda a multidão era simplesmente isto: se vocês querem Me seguir, não há outro caminho senão a renúncia à sua vida do eu e o tomar a cruz.

    Não poderia ser mais simples:

    Se alguém quiser vir após Mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me.

    Portanto, não é possível seguir o Senhor Jesus sem isso. Você pode ser convertido e, como a mulher de Ló, tornar-se um memorial de algo que aconteceu — morto. Sem crescimento, sem avanço, sem progresso, sem plenitude.

    Seguir o Senhor fala de progresso. Seguir o Senhor fala de avanço. Seguir o Senhor fala de serviço. Seguir o Senhor fala da Sua obra. Não é possível seguir o Senhor sem perder a sua vida do eu.

    A renúncia ao domínio sobre si mesmo

    Agora, deixem-me voltar a isso mais uma vez. Sinto muito por falar com tanta franqueza, mas este é o tema que me foi dado. Não posso fugir dele. Eu preferiria falar sobre o sangue do Cordeiro e a palavra do nosso testemunho, porque isso é muito mais positivo. Mas os irmãos me deram este elemento da vitória, e tenho de me ater a ele. Não posso fugir disso.

    Portanto, se vocês não morrerem, ficarei muito infeliz.

    Ouçam novamente:

    Se alguém quiser vir após Mim…

    E:

    Siga-Me.

    O que há entre essas duas expressões que falam de seguir? Ouçam com atenção:

    Negue-se a si mesmo.

    Vivemos em um mundo de direitos. Essa palavra é muito interessante no grego. Significa: renuncie a si mesmo, rejeite a si mesmo, abra mão da posse de si mesmo, abandone todo direito sobre si mesmo.

    Vivemos em um mundo de direitos. Tudo é direito. As árvores têm direitos, as plantas têm direitos, as flores têm direitos, os animais têm direitos, os pássaros têm direitos, os peixes têm direitos. As mulheres têm direitos; só os homens não têm direitos neste mundo.

    Direitos, direitos, direitos, direitos. Tudo é direito: direitos nacionais, direitos políticos, direitos étnicos. Somos mimados com essa palavra, “direitos”. “Nossos direitos. Não vou deixar ninguém pisar em mim. Não vou deixar ninguém me controlar de alguma maneira, exercer domínio sobre mim, mandar em mim. Eu tenho direitos.”

    Mas Jesus disse que não há como a plenitude da sua salvação se tornar sua experiência sem que você abra mão do direito sobre si mesmo. O que Ele quis dizer? Quis dizer que Ele precisa ser Senhor de você.

    Enquanto você não entregar a Ele o senhorio, o domínio, haverá um bloqueio na sua vida espiritual. Você só poderá avançar em conhecimento. Só poderá avançar no aprendizado de ensinamentos. Só poderá avançar nesse tipo de coisa acadêmica, em assuntos compreendidos pela mente. Você não conseguirá conhecê-Lo.

    Você não conseguirá conhecê-Lo profundamente, de maneira mais plena. Negue-se a si mesmo.

    O significado de tomar a cruz

    E aqui está ainda outra questão:

    Tome a sua cruz.

    Minha nossa, é inacreditável o que temos feito com isso no meio cristão.

    Para algumas pessoas, suas dores reumáticas são a sua cruz. Outras têm enxaquecas; essa é a sua cruz. Outras têm alguma outra coisa. Algumas têm um marido e dizem que ele é a sua cruz. Algumas têm esposa e dizem que ela é a sua cruz. Algumas têm filhos; essa é a sua cruz.

    É inacreditável para mim como pegamos essa palavra do nosso Senhor Jesus e esvaziamos o seu significado. A cruz é a cruz. Não é apenas uma dor aqui, um incômodo ali, uma pessoa difícil ou um relacionamento difícil. Isso pode levar você à cruz, mas a cruz é a cruz.

    Jesus foi crucificado naquele madeiro. Como podemos reduzir algo assim a uma dor, a um incômodo, a uma dor de cabeça ou a um relacionamento difícil? Não é possível fazer isso.

    A sua cruz. Por meio de muitas pesquisas históricas, e também arqueológicas, descobrimos que, de modo geral — certamente em Jerusalém —, a haste vertical da cruz costumava já estar no lugar. A pessoa condenada à morte levava ao redor do pescoço uma placa com os seus crimes escritos nela e carregava sobre os ombros a trave horizontal. Era conduzida ao lugar da crucificação.

    Foi disso que o apóstolo Paulo falou em 2 Coríntios 1:9, ao dizer que tínhamos em nós mesmos a sentença de morte, para que não confiássemos em nós mesmos, mas em Deus, que ressuscita os mortos.

    É outra maravilhosa imagem de morte e vida. Deus, que ressuscita os mortos — onde houver morte, haverá ressurreição. Quando você estiver disposto a abrir mão da sua vida do eu, você a receberá de volta sob nova direção. Você perde a sua vida do eu para salvá-la, e o veneno que havia nela é retirado.

    Pensem. Ontem à noite, falei sobre a cruz. Algumas pessoas a consideram uma experiência de êxtase. Se alguém teve uma experiência de êxtase ao ser crucificado com Cristo, posso dizer imediatamente: isso é demoníaco — não tem nada a ver com a realidade.

    Ser crucificado com Cristo é exatamente o que a expressão diz. Você é pregado à cruz. NEle, você morreu. Ele morreu como se fosse você. E, quando isso se torna uma experiência viva e uma realidade, é a porta de entrada para a vida de ressurreição e o poder da ressurreição.

    Gostaria de conseguir explicar isso com mais clareza, mas, na verdade, é muito simples. Paulo disse:

    Recebemos em nós mesmos a sentença de morte, para que não confiássemos em nós mesmos, mas em Deus, que ressuscita os mortos.

    Não devemos confiar em nós mesmos. Você recebeu a sentença de morte e está a caminho do lugar da crucificação.

    Portanto, quando você enxergar essa questão e estiver disposto a entregar a sua vida do eu — o domínio e a posse dessa vida — ao Senhor Jesus, assim que estiver disposto, o Espírito Santo o conduzirá ao lugar da crucificação na prática.

    Pode ser qualquer coisa. Pode ser no trabalho. Pode ser em casa. Pode ser na igreja. Mas acontecerá. Tão certo quanto estou aqui nesta noite, acontecerá. Você aceitou uma sentença de morte sobre a sua vida do eu, e, nesse momento, a jornada começa.

    A vida que precisa ser perdida

    Pensem por um momento. Essa palavra, como eu disse ontem à noite, traduzida como “vida” na minha American Standard Version — há duas palavras para vida no grego. Uma é usada para a vida espiritual, para a vida eterna; a outra é usada para a vida da alma, ou vida do eu. Essa palavra aqui diz respeito à sua vida do eu.

    Se alguém quiser vir após Mim, negue-se a si mesmo,
    tome a sua cruz e siga-Me.
    Porque qualquer que quiser salvar a sua vida da alma, a sua vida do eu, perdê-la-á;
    e qualquer que perder a sua vida do eu por amor de Mim e do evangelho achá-la-á.

    Você a perde para encontrá-la. É impressionante o que o Senhor pode devolver a você quando tudo está sob a direção dEle. Algumas coisas nunca voltam.

    Quando eu era um garotinho, tinha uma obsessão por tesouras. Deve parecer muito estranho a todos vocês, vendo-me aqui nesta noite, pensar que eu tinha uma obsessão por tesouras, mas eu adorava tesouras — tesouras de cozinha, as tesourinhas de cuidados pessoais da minha mãe, tesouras de poda para cortar ameixas. Eu vivia tentando pegar tesouras.

    Não sei por quê. Não fazia ideia. Mas eu andava com meus passinhos de criança, apertando essas tesouras contra o peito, como se fossem de valor incalculável. Mesmo quando conseguia pegar tesouras de poda, mantinha-as bem junto de mim, como se fossem feitas de ouro.

    Minha mãe vinha — ela me chamava de “La-la-la” — e dizia: “Dê-me essas tesouras”. Eu dizia: “Não”. Ela dizia: “Dê-me essas tesouras”. “Não.” Então ela as arrancava de mim. Eu achava que ela era uma bruxa. Pensava comigo: “Minha mãe é uma verdadeira bruxa por tirar uma coisa dessas de mim — por quê? O que há de errado com tesouras? Há tesouras por toda a casa”.

    Isso não significava que minha mãe achasse que eu nunca usaria tesouras ou tesouras de poda. Significava que elas poderiam me matar ou me ferir naquela fase da minha vida.

    É isso que acontece com o Senhor quando perdemos a nossa vida do eu. Lembro que, durante anos, nunca fui ao cinema. Nunca assisti a um filme. Eu até achava que a televisão era um pouco picante e não queria tê-la.

    Por que o Senhor me disse tão cedo na minha vida cristã: “Entregue-Me isso”? Eu entreguei a Ele. Minha irmã também. Minha mãe costumava dizer: “Tenho um monge e uma freira como filho e filha. Eles são tão puros”. Mal sabia ela, mas, enfim, era isso que pensava.

    O fato é que, naturalmente, crescemos. O Senhor certamente nos devolveu algumas coisas. Algumas coisas Ele nunca devolve; outras, sim. É uma questão de crescimento.

    Mas o grande ponto é este: há Alguém que morreu por você, que o amou tanto que morreu por você. Ao morrer por você, Ele deseja tudo o que é bom para você, tudo o que será uma bênção, tudo o que será espiritualmente útil. Ele quer tudo isso para você.

    Quando Ele pede que você abra mão de certas coisas — um relacionamento, uma amizade, algo do mundo ou alguma outra coisa; não sei, pode ser qualquer coisa —, é porque está colocando você à prova para ver se Ele realmente é Senhor.

    A cruz no caminho do discipulado

    Meus queridos, esse desafio do Senhor Jesus é extraordinário, porque Ele prossegue como se isso fosse simplesmente o evangelho:

    Que dará o homem em troca da sua alma, da sua vida?
    Que aproveitará ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?

    Esse desafio do Senhor é tremendo. Ninguém consegue seguir o Senhor Jesus por muito tempo sem que, em seu caminho, se erga a cruz: ensanguentada, inescapável.

    Se você não estiver preparado para isso, continuará sendo um convertido e nunca se tornará um discípulo.

    Pedro e o veneno da vida do eu

    Mencionei um pouco sobre Pedro porque ele é a grande ilustração disso. Pedro tinha uma vida do eu enorme. Não tinha medo dela. Nunca a escondia. Nunca foi uma dessas pessoas tímidas e modestas. Dizia exatamente o que pensava. Era um pescador rude.

    Seu cristianismo era de fabricação própria. Ele havia andado com o Senhor por três anos, achava que era o principal discípulo e considerava que sua posição estava bem definida. Era ele quem expressava em palavras o que os outros pensavam. Era um cristianismo de fabricação própria.

    Quando Jesus olhou nos olhos dele e disse:

    Para trás de Mim, Satanás,

    Na verdade, Ele estava dizendo a verdade. Vejam, na sua vida do eu, na minha vida do eu, está o veneno do inferno — o veneno de Satanás, o veneno da serpente. Ele está bem ali, no seu direito sobre si mesmo. Isso é a Queda. Esse é o resultado da Queda.

    Esse veneno em você e em mim destruirá a comunhão com outros crentes, causará divisão, causará facções. Tornará difícil que eu seja edificado juntamente com outros crentes. Esse tipo de veneno dentro da minha vida do eu destrói casamentos, arruína famílias e faz surgir todo tipo de problema.

    Moisés, a vara e a serpente

    Vocês se lembram de quando Moisés encontrou o Senhor na sarça ardente — aquele arbusto que ardia em fogo? Era algo que Moisés havia visto muitas vezes. Arbustos espinhosos, ressecados, que de repente pegavam fogo espontaneamente sob o sol.

    Quando eu fazia serviço de guarda na R.V.F., víamos isso repetidas vezes. Eu perguntava ao beduíno que estava comigo: “O que é aquele clarão de fogo?” “Algum arbusto espinhoso.”

    Moisés viu aquele arbusto ardendo e disse: “Um arbusto espinhoso pegou fogo”. Alguns minutos depois, olhou para trás, e ele ainda estava queimando. Meia hora depois, olhou novamente e disse: “Minha nossa, aquele arbusto ainda está queimando”. Uma hora depois, disse: “Preciso ir até lá ver isso. Que tipo de arbusto espinhoso é esse, que ficou queimando por uma hora?”

    Quando ele se aproximou do arbusto espinhoso, Deus falou dali, do chão, a Moisés e disse:

    Tira os sapatos dos teus pés; o lugar em que estás é santo.

    Então o Senhor falou com ele, revelando o Seu grande nome:

    EU SOU O QUE SOU.

    Ele disse a Moisés que precisava ir a Faraó, e Moisés disse: “Eu gaguejo”, o que, naturalmente, era um absurdo. Essa é a vida do eu para vocês verem. Ele disse: “Eu, eu, eu, eu, eu, eu, eu, eu”. E o Senhor lhe disse, com muito humor: “Então leve Arão. Ele falará”. Arão nunca falou. Moisés fez toda a fala.

    O Senhor não ia ficar ali discutindo. Então, quando Moisés disse: “Mostra-me, dá-me um sinal”, Ele lhe perguntou:

    Que é isso na tua mão?

    Ele respondeu: “Ah, é a minha vara”.

    “O que você faz com essa vara?” “Bem, eu a uso para tocar as ovelhas, as cabras e os camelos. Às vezes, uso-a para afastar os animais selvagens que nos atacam à noite. E ela é, na verdade, um símbolo de autoridade.”

    Então o Senhor disse:

    Lança-a no chão.

    Naquele instante, ela se tornou uma víbora da areia. No hebraico, é uma víbora da areia — a cobra mais venenosa do deserto do Sinai. Moisés fugiu. Havia passado quarenta anos pastoreando ovelhas, cabras, camelos e jumentos. Sabia muito bem o que era uma víbora da areia.

    Foi um choque terrível para ele. “Quer dizer que aquela vara que eu deixava ao meu lado quando ia dormir tinha uma víbora da areia bem dentro dela? Como isso é possível?”

    Então o Senhor disse: “Moisés, volte”.

    Pega essa víbora da areia pela cauda.

    Posso imaginar Moisés olhando para o Senhor e dizendo: “Será que ouvi direito? Estou ficando velho — oitenta anos. Acho que Tu poderias pegá-la pela cauda, Senhor”.

    Todos sabemos que nunca se pega uma víbora da areia pela cauda. Mas ele a pegou pela cauda, e ela se tornou uma vara. Essa foi a vara que dividiu o mar Vermelho. Essa vara fez sair água da rocha. Essa vara realizou milagre após milagre após milagre diante de Faraó e ao longo de toda a vida de Moisés, durante quarenta anos, até ele ir estar com o Senhor.

    Qual é a imagem? Muito simples. Aquela vara era o símbolo do seu serviço a Deus. Aquela vara era o símbolo da sua autoridade, do seu próprio ser, da pessoa que ele era. Havia nela uma serpente, com o veneno e a peçonha de uma serpente, e ele não sabia.

    Querido filho de Deus, na sua vida do eu — não rendida, não quebrantada, não crucificada — está a serpente. É Satanás, com o veneno de Satanás.

    Esse veneno destruirá a sua comunhão. Esse veneno destruirá o seu ministério. Esse veneno destruirá o seu serviço. Esse veneno destruirá o seu casamento. Esse veneno destruirá o seu lar — a menos que você abra mão dessa vida.

    Foi a fé que capacitou Moisés a pegar a serpente pela cauda, e ela se tornou a vara.

    A restauração e o serviço de Pedro

    Querido, querido Pedro — voltemos a Pedro. O Senhor Jesus disse:

    Para trás de Mim, Satanás.

    Ele sabia exatamente o que estava dizendo. Dentro da vida cristã de fabricação própria de Pedro estava o veneno da serpente.

    Ele chegou a tentar impedir Jesus de ir à cruz. Sim, ele queria o melhor para Jesus.

    É por isso que, em um dos outros Evangelhos, a mesma passagem é registrada com esta declaração adicional:

    Tu és para Mim uma pedra de tropeço.

    Para trás de Mim, Satanás.

    Você acha que poderia ser uma pedra de tropeço para o Senhor? Acha que, de uma forma ou de outra, poderia destruir justamente aquilo que você deseja — e que Ele também deseja?

    Conheci uma senhora — não direi onde, para não pôr a imaginação de vocês para trabalhar —, mas foi neste continente norte-americano. Ela nunca falava de outra coisa senão da igreja. Mas todos nós sabíamos que ela destruía qualquer possibilidade de a igreja ser edificada no lugar onde morava.

    Ela estava completamente tomada por esse assunto. Poderia dar uma mensagem inteira sobre ele. Mas o veneno estava ali.

    O que Jesus disse? Ele disse isto:

    Simão, Simão, eis que Satanás vos pediu para vos peneirar como trigo.

    Foi naquele momento extraordinário em que Jesus foi traído, e todos fugiram. O Senhor disse a Pedro:

    Antes que o galo cante, tu Me negarás três vezes.

    Pedro, com todo o seu cristianismo de fabricação própria, negou o Senhor com juramentos — três vezes — diante de uma simples mocinha que servia, uma criada.

    Naquele momento, o Espírito Santo varreu tudo o que estava na superfície da vida de Pedro. Como uma explosão nuclear, reduziu tudo a nada. E Pedro chorou.

    Então Jesus — e isso é o extraordinário —, Jesus não disse uma palavra. Apenas olhou. Naquele instante, os olhos de Pedro e os olhos de Jesus se encontraram. Ele foi restaurado.

    Dessa vez, outro tipo de vida. Ele havia perdido a sua vida do eu e a encontrado.

    Agora Pedro podia tornar-se o principal dos apóstolos. Foi Pedro quem, por assim dizer, abriu o caminho para a vinda do Espírito Santo com aquelas palavras maravilhosas que temos em Atos 2. Foi Pedro quem introduziu os samaritanos no reino de Deus. Foi Pedro quem abriu a porta aos gentios naquela casa romana em Cesareia, cheia de oficiais gentios e dos seus homens.

    Pedro — isso lhe custou tudo. Satanás foi o agente.

    Lembro que C. T. Studd certa vez disse — e teve muitos problemas com os cristãos por causa disso —: “Satanás é o maior servo de Deus, pois tudo o que ele faz, Deus usa para a Sua glória”.

    Satanás o peneirou. Satanás ficou com a palha. Deus ficou com o trigo.

    Apelo final à entrega da vida do eu

    Agora, meus queridos, precisamos terminar, embora nos tenham dito que, em algumas noites, terminamos mais cedo e que poderíamos usar todo o nosso tempo.

    O fato é este: você e eu temos uma vida do eu. O que você vai fazer a respeito? Vocês, jovens, o que vão fazer com essa vida do eu? Ela será a ruína de vocês se não fizerem alguma coisa.

    Em algum momento, de uma forma ou de outra, vocês terão de encarar toda essa questão. Não podem evitá-la. Não podem fingir que ela não existe, ignorá-la como se, ao fazer isso, de alguma maneira fossem escapar desse problema. Não podem escapar dele.

    Você não pode seguir o Senhor Jesus a menos que renuncie a si mesmo, abra mão da posse de si mesmo e tome a cruz dEle.

    Queremos realidade, não queremos? Acima de tudo, queremos ter uma experiência real e genuína do Senhor Jesus.

    Você nunca é jovem demais. Só uma palavra para vocês, jovens: eu tinha doze anos e meio quando me entreguei ao Senhor.

    Foi alguns anos depois — eu era dedicado ao Senhor —, mas foi dois ou três anos depois que eu disse ao Senhor: “Aqui estão as chaves da minha vida. Toma-a e faz de mim o que quiseres”.

    Nunca é cedo demais para começar. Se você começar agora mesmo, Deus assumirá a sua educação, a sua formação, a sua disciplina, até que você se torne um discípulo.

    Naturalmente, nunca deixamos de ser discípulos. Estamos sempre aprendendo mais, sempre experimentando mais do Senhor.

    Se alguém quiser vir após Mim, negue-se a si mesmo,
    abandone todo direito sobre si mesmo,
    tome a sua cruz e siga-Me.
    Porque qualquer que perder a sua vida do eu por amor de Mim e do evangelho,
    esse a encontrará.

    E eles venceram Satanás porque não amaram a sua vida, mesmo diante da morte.

    O que você vai fazer a respeito dessa questão?

    Oração de encerramento

    Que Deus alcance cada coração. Vamos orar?

    Senhor, Senhor, alcança cada coração nesta noite — não apenas os mais velhos, mas também os jovens. Ajuda-nos a todos, Senhor.

    Queremos saber, Senhor, que Tu tratarás conosco nesta noite. Ajuda-nos, Senhor, a ser reais, a ser honestos, a ser verdadeiros nessa questão. Nenhum de nós quer sacrificar a sua vida do eu. Nenhum de nós quer que outra pessoa seja o Senhor da nossa vida.

    Mas, Senhor, não há outro caminho. Tu desejas o que é melhor para nós — a nossa alegria, a nossa realização, a plenitude de vida e poder. Tu tens tudo isso em vista. Tu tens em vista a glória, a glória.

    Senhor, desafia-nos e vem ao nosso encontro. Pedimos em nome de nosso Senhor Jesus. Amém.