Porque a nossa glória é esta: o testemunho da nossa consciência, de que, com simplicidade e sinceridade diante de Deus, não com sabedoria carnal, mas na graça de Deus, temos vivido no mundo, e de modo especial para convosco.
— 2 Coríntios 1:12
E eles o venceram — isto é, o acusador — pelo sangue do Cordeiro e pela palavra do seu testemunho;
e não amaram a própria vida até à morte.
— Apocalipse 12:11
Querido Senhor, ao nos reunirmos em Tua presença, nossos corações se prostram diante de Ti. Quem somos nós, para que Te lembres de nós? Somos apenas pó e cinza, e, ainda assim, Tu Te revelas a nós por meio de Teu Filho e nos conduzes.
Tu desejas nos introduzir em Teu pleno propósito, para que possamos ser úteis a Ti. Ó querido Senhor, estamos aqui nesta manhã, abrindo-nos a Ti e pedindo que abras os céus e nos reveles mais uma vez esse Filho amado.
Remove tudo e qualquer coisa que impeça a Tua obra. Enche-nos, ó Senhor, de Ti mesmo, para que sejamos Teus servos sábios e fiéis. Queremos dar-Te todo o louvor e toda a glória, porque somente Tu és digno. Pedimos em Teu precioso nome. Amém.
Ontem de manhã, encerramos nosso tempo juntos falando do testemunho de Jesus. Sabemos que há um conflito, uma guerra espiritual, acontecendo no universo, e que ela está centrada nessa questão do testemunho de Jesus.
É a vontade de Deus reunir todas as coisas em Seu Filho amado, nosso Senhor Jesus. E, para isso, Ele veio a este mundo. O Verbo Se fez carne e habitou entre os homens, cheio de graça e de verdade.
Enquanto esteve na terra, Ele venceu todas as obras do inimigo. Foi tentado pelo diabo com todas as tentações que podemos imaginar e, ainda assim, em cada caso, vemos que Ele venceu.
Finalmente, na cruz do Calvário, embora aos olhos humanos aquilo pudesse parecer um sinal de derrota, nosso Senhor Jesus, antes de Sua morte, clamou:
Está consumado. Está feito.
O pecado foi removido. Adão, o homem pecador, foi levado à morte. O mundo foi vencido, e Satanás foi expulso do mundo. Aqui vemos um Homem, o Deus-homem. Ele venceu.
Então Ele ascendeu ao trono, enviando Seu Espírito Santo ao mundo, para dentro de nós, para que nós, que cremos Nele, também possamos vencer.
Como vencemos o acusador? Como vencemos o mundo? Como vencemos o pecado? Como vencemos até mesmo a nós mesmos, o eu pecaminoso? Não é por nós mesmos. Não podemos vencer.
O diabo é mais astuto do que nós. O mundo é mais forte do que nós. O pecado é mais poderoso. Não podemos vencer a nós mesmos. Mas, graças a Deus, vencemos porque Ele venceu.
Então, queridos irmãos e irmãs, quem são os vencedores, especialmente os vencedores no fim desta era, como vemos simbolizados pelo filho varão? Eles vencem pelo sangue do Cordeiro. Vencem pela palavra do seu testemunho. E não amam a própria vida até à morte.
Em outras palavras, os vencedores são aqueles que têm o testemunho de Jesus, e vencem por causa do testemunho de Jesus. Foi nesse ponto que encerramos ontem de manhã. Agora, nesta manhã, gostaríamos de continuar.
Lemos nas Escrituras que o apóstolo Paulo disse aos crentes tessalonicenses que o nosso testemunho entre eles havia sido recebido. Aqui encontramos essa expressão: “nosso testemunho”.
Novamente, em 2 Coríntios 1:12, o apóstolo Paulo disse aos crentes coríntios que o testemunho da nossa consciência é este: vivemos com sinceridade e simplicidade, não pela sabedoria carnal, mas pela graça de Deus. Finalmente, em Apocalipse 12:11, encontramos:
Pela palavra do seu testemunho.
Então, aqui encontramos uma expressão. Não é o testemunho de Jesus; é o nosso testemunho, o testemunho da nossa consciência. É pela palavra do nosso testemunho que vencemos.
Mas, irmãos e irmãs, se conhecemos a nós mesmos, vocês acham que há alguma coisa em nós que possa vencer? Creio que essa é a maneira natural do ser humano. Antes de sermos salvos, tentávamos vencer os pecados, aqueles hábitos que sabíamos que não eram certos.
O que fazíamos? Dávamos o melhor de nós. Tentávamos nos controlar. Tentávamos nos educar. Tentávamos acumular méritos para sermos salvos. Mas, por mais que tentássemos, creio que todos sabíamos que acabávamos em fracasso.
Nossa vontade era tão forte que nos recusávamos a desistir. Tentávamos e fracassávamos; tentávamos e fracassávamos; fracassávamos e tentávamos. Enquanto procurávamos depender de nós mesmos para vencer, nunca vencíamos.
Mas, um dia, pela graça de Deus, Ele nos mostrou que não podíamos fazer isso. Desistimos e olhamos para nosso Senhor Jesus, o Vencedor. Ele levou nossos pecados em Seu corpo.
Sabem, é como aconteceu com os filhos de Israel quando estavam no deserto. Eles murmuraram, e Deus enviou serpentes abrasadoras para o meio deles. Os que eram picados pelas serpentes morriam.
Mas Deus fez uma provisão. Pediu a Moisés que fizesse uma serpente de bronze e a levantasse. Todo aquele que havia sido picado pela serpente abrasadora, ao olhar para aquela serpente de bronze, era curado.
Então, queridos irmãos e irmãs, vemos que fomos picados pela serpente abrasadora. Estávamos morrendo. Mas, graças a Deus, Seu Filho unigênito assumiu a carne de um homem.
Lembrem-se: a serpente de bronze parecia uma serpente, mas não havia veneno nela. Assim é nosso Senhor Jesus. Ele veio em carne como um homem, e é um Homem; contudo, nasceu do Espírito. Não havia pecado Nele.
Graças a Deus, porque Ele não tem pecado, foi feito pecado por nós, para que fôssemos justiça de Deus. Olhe para Ele, e você será salvo. Ora, não foi isso que experimentamos quando cremos no Senhor Jesus?
Depois que somos salvos, parece haver uma mudança em nosso coração. Em vez de amar o pecado, começamos a odiá-lo. Pela graça de Deus, começamos a saber o que é certo e o que é errado aos olhos de Deus.
É como o apóstolo Paulo em Romanos 7, quando disse:
Sei o que é certo e quero fazer o que é certo.
O querer está em mim, mas o realizar não está em mim.
Faço o que não quero fazer, mas não consigo fazer o que quero.
Creio, irmãos e irmãs, que isso acontece com cada um de nós. Mas nós lutamos. Ainda confiamos em nós mesmos. Pensamos que, se tentarmos e tentarmos, se nos esforçarmos cada vez mais, venceremos.
Mas, estranhamente, quanto mais você se esforça, mais fundo cai. Até que um dia, como o apóstolo Paulo, você clama:
Miserável homem que eu sou! Quem me livrará deste corpo de morte?
Agora, irmãos e irmãs, vocês já chegaram a esse ponto? Se ainda não chegaram, posso prever que fracassarão, fracassarão e fracassarão de novo.
Mas, se já chegaram a esse ponto, vocês começam a perceber: “Ó miserável homem, não consigo mais fazer isso. Sou cristão. Devo viver uma vida cristã. Devo fazer o que é certo. Não devo fazer o que é errado aos olhos de Deus”.
Deus conhece meu coração. Quero muito isso, e tento, tento e tento. Mas, irmãos e irmãs, é inútil, porque o velho homem estava debaixo da lei do pecado e da morte. É melhor que vocês desistam mais depressa, o quanto antes.
Estranhamente, parece que isso nunca acontece com ninguém, porque temos tanta confiança em nós mesmos. Mas, graças a Deus, por Sua graça, clamamos:
Miserável homem que eu sou! Quem me livrará deste corpo de morte?
Logo em seguida, em Romanos 7:25, vem a resposta:
Graças a Deus por Jesus Cristo.
É por meio de Jesus Cristo que vencemos este corpo de morte.
Irmãos e irmãs, esse princípio se aplica a cada etapa da nossa vida. A única razão pela qual podemos vencer é que Ele venceu. Se confiarmos Nele em vez de confiarmos em nós mesmos, venceremos.
Então, irmãos e irmãs, quando ouvimos a expressão “nosso testemunho”, talvez vocês se surpreendam. Onde está o nosso testemunho? Se vocês considerarem a si mesmos, considerarem suas vidas e considerarem o que lhes aconteceu, se conhecerem a si mesmos ainda que um pouco — embora, na verdade, ninguém conheça a si mesmo —, de que poderão se gloriar?
O apóstolo Paulo disse que, mesmo com todas as experiências espirituais que teve, todas as revelações e todos os sofrimentos, havia apenas uma coisa da qual poderia se gloriar: sua enfermidade, sua fraqueza.
A graça de Deus me basta. Seu poder se manifesta em minha fraqueza. Portanto, glorio-me da minha fraqueza, para que o poder de Deus se manifeste em mim.
Quando vocês pensam em nosso testemunho, no que diz respeito a nós mesmos, não temos testemunho algum. O testemunho que damos de nós mesmos não pode ser aceito.
Essa é a regra geral: se alguém der testemunho de si mesmo, não será aceito. Até nosso Senhor Jesus, vocês se lembram, disse em João 5:31 que, se Ele desse testemunho de Si mesmo, Seu testemunho não seria aceito; mas havia Outro que dava testemunho Dele.
Mas, curiosamente, em João 8:14, Ele disse:
Ainda que Eu dê testemunho de Mim mesmo, o Meu testemunho é verdadeiro.
Por quê? Porque Ele é diferente de toda a humanidade. Nós não sabemos de onde viemos nem sabemos para onde vamos. Mas Ele sabe.
Ele veio do Pai e voltaria para o Pai. Porque Ele é o Deus que tudo sabe, o Deus de toda a sabedoria, tudo o que diz de Si mesmo é verdadeiro. Mas isso só pode se aplicar a Ele, não a você nem a mim.
Então, irmãos e irmãs, o que significa “nosso testemunho”? Vencemos o acusador pela palavra do nosso testemunho. Parece haver algo mais: o testemunho de Jesus precisa se tornar o nosso testemunho.
A menos que se torne o nosso testemunho, ele não opera em nós. Quanto ao testemunho de Jesus, ele é eterno, é vitorioso e se aplica a toda ocasião e a todas as coisas.
Ele é o Vencedor do Calvário. Ele é o Conquistador de todas as coisas. Ele venceu o inimigo. Não há dúvida alguma a esse respeito.
Mas conhecer o testemunho de Jesus apenas mentalmente, apenas como doutrina ou como ensinamento, não fará com que ele opere em sua vida. Não há nada de errado com o testemunho de Jesus. Ele permanece para sempre.
Quando nosso Senhor Jesus clamou na cruz do Calvário:
Está consumado.
Estava consumado. O que foi consumado continua tão vivo e real quanto era há dois mil anos. A verdade é eterna.
O que nosso Senhor Jesus fez é eterno. Sua vitória é eterna e definitiva. Não há nada de errado com ela. Mas, queridos irmãos e irmãs, a menos que o testemunho de Jesus se torne o nosso testemunho — se torne seu e se torne meu —, ele não operará em nossas vidas.
Essa é provavelmente a razão pela qual vemos que ele é tão real em Cristo Jesus e, ainda assim, não é real em nossa vida. Dito de outra maneira, o testemunho de Jesus precisa ser o nosso testemunho. É isso que significa ter o testemunho de Jesus.
Então, queridos irmãos e irmãs, a questão é esta: temos o testemunho de Jesus? Ter esse testemunho não significa que vocês ouviram falar dele, que sabem a respeito dele ou que conhecem o ensinamento e a doutrina.
Todas essas coisas são boas, mas, a menos que o testemunho de Jesus se torne o seu testemunho e o meu testemunho, ele não é real em nossas vidas. Portanto, creio que nossa verdadeira questão está aqui: como o testemunho de Jesus pode se tornar o meu testemunho?
Nosso irmão Linch já mencionou isso ontem à noite. O segredo de transformar uma verdade em experiência, um ensinamento em realidade, é algo que somente o Espírito Santo pode realizar.
Sabem, quando fomos salvos, muitas vezes nosso conceito de salvação era ter os pecados perdoados ou ser libertos do inferno e levados para o céu. Isso era tudo o que pensávamos sobre a salvação.
Lembro-me de uma história. Um irmão disse: “Se ao menos meus dois pés estiverem dentro da porta do céu, estarei satisfeito”. Ele parecia ser uma pessoa que se satisfazia muito facilmente.
Mas você pode estar satisfeito; Deus não está satisfeito. Pois, quando Ele nos chamou, chamou-nos segundo Sua glória e virtude.
Sabem, nosso chamado não é um chamado pequeno. Nosso chamado não é apenas para satisfazer nosso pequeno desejo. Nosso chamado é segundo aquilo que Deus é, porque é isso que a glória significa.
Pecar é vergonhoso. Ir para o inferno é vergonhoso. Ir para o céu é glória, mas isso é apenas um pouco de glória. O desejo de Deus é nos glorificar, e Ele nos glorifica transformando-nos e conformando-nos à imagem de nosso Senhor Jesus.
Então Deus é manifestado. Então há glória. Nós resplandecemos. Ele nos chama por Sua virtude — isto é, por Seu caráter.
Quando fomos salvos da morte para a vida e do inferno para o céu, isso nos satisfez. Mas não satisfaz o caráter de Deus. Seu caráter é tão nobre, tão elevado e tão celestial que Ele nos chama segundo esse caráter.
Ele não Se deterá até que Sua glória seja manifestada e Seu caráter seja demonstrado. É por isso que, quando fomos salvos, Deus fez muitas coisas.
Não apenas nossos pecados foram removidos, e não apenas Ele nos deu Sua vida; nosso espírito morto foi vivificado. A vida de Deus, que é Cristo, veio habitar em nosso novo espírito.
Então vemos que o Espírito Santo também vem habitar em nosso novo espírito. Por que Ele fez isso? Já recebemos vida. É a vida de Cristo. Isso não basta?
Graças a Deus, temos a vida de Cristo em nós. Mas a vida deve crescer e ser vivida. Qual é o sentido da vida se ela não se expressa no viver?
Lembro-me de que, muitos anos atrás, fui ao Peru e visitei um casal de missionários. Durante metade do ano, eles viviam em um pequeno barco, viajando pelo rio Amazonas e visitando diferentes aldeias. Na outra metade do ano, dormiam em seu caminhão, percorrendo as altas montanhas do Peru, visitando as pessoas, ajudando-as e evangelizando-as.
Embora fossem missionários e servissem fielmente ao Senhor no Peru, não sabiam que a vida eterna começa agora. Quando pregavam aos nativos, diziam: “Se vocês crerem no Senhor Jesus, terão a vida eterna. Terão o passaporte para o céu e poderão usá-lo depois de morrer. Vocês serão recebidos no céu”.
Esse era o evangelho deles. Mas, graças a Deus, um irmão chinês foi convidado por pessoas do Peru para ser consultor e diretor de uma empresa açucareira.
Quando esse casal de missionários soube que havia uma família cristã naquela região, foi visitá-la. Enquanto tinham comunhão, o irmão da China descobriu que esse casal não sabia que a vida eterna é para ser vivida hoje.
Então, durante a comunhão que tiveram, Deus abriu os olhos dos missionários. Eles começaram a ver que a vida eterna começa agora. Ela deve ser vivida neste mundo.
Eles disseram ao nosso irmão: “Agora preciso realmente pregar o evangelho”. Por esse motivo, nosso irmão me convidou para ir visitá-los. Passei três semanas com eles, no barco e no caminhão, visitando todos esses crentes.
Foi uma experiência e tanto. Irmãos e irmãs, por que Deus nos dá a vida eterna? Para que seja vivida. Somente essa vida pode viver uma vida cristã.
Mas essa vida precisa crescer: de crianças para jovens, e de jovens para pais. Como essa vida de Cristo em nós crescerá? Quem cuidará dessa vida? É aí que entra o Espírito Santo.
Todo aquele que crê no Senhor Jesus não apenas tem um novo espírito, mas, nesse novo espírito, tem vida; e, com essa vida, tem o Espírito Santo dentro de si.
Se você não tem o Espírito Santo em você, não pertence ao Senhor. Mas, graças a Deus, nós O temos. Infelizmente, no cristianismo, algumas pessoas pensam que, quando alguém é salvo, não tem o Espírito Santo. Pensam que é preciso passar por uma segunda bênção para receber o Espírito Santo.
Mas isso não é bíblico. Segundo a Palavra de Deus, quando cremos no Senhor, o Espírito Santo que habita em nós testifica com nosso espírito que somos filhos de Deus, e clamamos:
Aba, Pai.
Caso contrário, como poderíamos clamar: “Aba, Pai”? É o Espírito Santo dentro de nós que está encarregado, por assim dizer, da administração da nova vida em nós.
Ele não está ali para falar de Si mesmo. Está ali para glorificar a Cristo. Está ali para cuidar que a vida de Cristo em nós cresça, amadureça e vença. Essa é a obra do Espírito Santo.
Irmãos e irmãs, as pessoas hoje não dão o devido valor ao Espírito Santo. É verdade que buscam o chamado batismo do Espírito Santo. Buscam poder. Buscam dons. Mas, infelizmente, negligenciam a Pessoa do Espírito Santo.
A Pessoa do Espírito Santo é Deus. Ele está em cada um de nós, e é Sua responsabilidade — é Sua missão — cuidar para que a vida de Cristo seja vivida.
É preciso dar à vida de Cristo a oportunidade de se expressar. A vida de Cristo pode crescer dentro de nós, para que, por meio da obra do Espírito Santo em nós, o testemunho de Jesus se torne o nosso testemunho.
Em outras palavras, Ele é o único que pode transformar a verdade objetiva em experiência subjetiva. Ele traz aquilo que Cristo fez há dois mil anos e o torna vivo, real e operante em nós hoje.
Essa é a obra do Espírito Santo. É por isso que a Bíblia nos diz que precisamos obedecer ao Espírito Santo.
O instrumento que o Espírito Santo usa para realizar essa transformação é a cruz. É por isso que encontramos na Palavra de Deus este chamado para nós:
Nega-te a ti mesmo, toma cada dia a tua cruz e segue-Me.
Quem ama a sua vida da alma perdê-la-á;
e quem perde a sua vida da alma por amor a Cristo e ao evangelho a salvará para a eternidade.
Irmãos e irmãs, esse é o único caminho pelo qual podemos ver o testemunho de Jesus se tornar o nosso testemunho.
Infelizmente, hoje, por um lado, o povo de Deus desconhece o Espírito Santo que habita em nós. As pessoas não sabem que o Espírito Santo, a terceira Pessoa da Divindade, está ali, dentro delas.
Não percebem que essa é a Sua obra, e que Ele é o único capaz de realizá-la: tornar a verdade uma realidade.
Vocês entendem isso? No que diz respeito à nossa experiência, creio que cada um de nós tem alguma experiência do Espírito Santo que habita em nós. Porque Ele é Espírito, vocês não podem vê-Lo. Não podem tocá-Lo por meios físicos, nem mesmo alcançá-Lo intelectualmente. Ele está além disso.
Como vocês sabem que o Espírito Santo está trabalhando em vocês? Sabemos disso interiormente. A vida cristã não é um modo de vida exterior. A vida cristã é um modo de vida interior.
Muitas vezes sinto que o problema do cristianismo hoje é que, assim que somos salvos, somos desviados do caminho. Somos conduzidos às coisas exteriores. Somos conduzidos a mandamentos, regras e regulamentos.
Dizem-nos que, se fizermos isto ou aquilo, se não fizermos isto ou aquilo, então seremos bons cristãos, em vez de seguirmos aquilo que o Espírito Santo já nos deu e já começou em nossas vidas.
Sabem, depois que vocês são salvos, o que acontece? Suponha que você seja alguém que gosta de exagerar. Suponha que seja alguém que costumava mentir — não mentiras graves, mas pequenas mentiras, daquelas consideradas inofensivas.
Quando você exagera ou conta uma dessas mentirinhas, e as pessoas parecem acreditar, você fica feliz. Mas, depois que é salvo, antes mesmo que alguém lhe diga que não deve exagerar nem mentir — nem mesmo contar uma mentirinha —, que deve ser verdadeiro, que seu “sim” deve ser sim e seu “não” deve ser não, algo acontece dentro de você.
Por causa do seu antigo hábito, talvez você comece a exagerar novamente enquanto conversa com as pessoas. Talvez conte uma mentirinha para enganá-las. Mas, enquanto faz isso, o que acontece?
Aqueles que estão ouvindo talvez não o impeçam, mas há Alguém dentro de você tentando detê-lo. O Espírito Santo coloca um freio em seu interior.
É como se você estivesse dirigindo muito depressa — depressa demais — e, então, os freios fossem acionados. O Espírito Santo diz: “Já basta. Não continue. Se você continuar, veja bem, isso não é Cristo”.
O que você faz? Bem, você não consegue parar. Talvez continue por algum tempo. Mas, depois, o que acontece? Em vez de se sentir bem e contente, você se sente abatido. Sente-se acusado. Sente-se incomodado.
Quando vai ao Senhor para orar, não consegue orar. Há algo errado. Somente quando você confessa, se arrepende e recorre ao precioso sangue do Senhor Jesus é que o caminho fica livre para sua comunhão com o Senhor.
Agora, vocês têm esse tipo de experiência?
Ou, de outra maneira, suponha que você perca alguma coisa. Não sabe onde a colocou e tenta encontrá-la aqui e ali, mas não consegue. Então para e ora, e, de alguma forma, o Espírito Santo lhe mostra onde havia colocado aquilo que perdeu. Vocês têm essa experiência?
Ou vocês ouvem alguma coisa acerca da verdade? Por exemplo, no meu caso, depois que cri no Senhor Jesus, ouvi falar sobre o batismo.
Fui batizado quando era bebê, por isso sempre me considerei alguém que já havia sido batizado. Mas, depois que fui salvo, disseram-me que, segundo a Palavra de Deus, eu deveria ser batizado por imersão, porque essa é a forma do batismo, e somente ela pode demonstrar o que o batismo significa.
Além disso, quando eu era bebê, não cria; era a fé dos meus pais. Mas a Palavra diz:
Crê e sê batizado.
Quando ouvi isso, rebelei-me. Durante anos lutei contra isso. Tentei argumentar. Disse: “Não posso ser batizado novamente, porque, quando fui aspergido ainda bebê, fui aspergido em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Não posso usar o nome de Deus levianamente”.
Mas isso não me satisfazia. Sentia-me inquieto por dentro o tempo todo. Até que, pela graça de Deus, Ele me venceu, e fui batizado.
Mas posso lhes dizer o que aconteceu depois que fui batizado. Foi o começo da abertura do céu para mim. Uma coisa pequena, por assim dizer, mas, para mim, foi algo grande.
Vocês têm esse tipo de experiência? Ou mesmo em relação a algum hábito, à maneira como se vestem ou a alguma coisa que estimam, talvez ninguém lhes diga nada, mas o Espírito Santo é tão fiel. Ele lhes mostrará.
Esse é o caminho interior da vida. Não vem de fora; vem de dentro. Seu propósito é retirar o eu do lugar que ocupa em sua alma e colocar Cristo nesse lugar.
Essa é a salvação da alma, como encontramos na Palavra de Deus. Cristo é o único que vence — ninguém mais. É Cristo em você e em mim que vence. Nós não vencemos.
Se permitirmos que o Espírito Santo fale à nossa consciência, se permitirmos que o Espírito Santo toque nossa intuição — isto é, o conhecimento direto, a iluminação, a revelação dentro de nós, a luz brilhando em nosso interior —, se permitirmos que o Espírito Santo nos conduza na comunhão com o Senhor, então veremos que a vida de Cristo crescerá em nós, e a vida do eu será substituída.
Então o testemunho de Jesus se torna o seu testemunho.
Assim, os vencedores vencem o acusador pela palavra do seu testemunho. Sabem, em Atos 19, houve um episódio quando Paulo estava em Éfeso.
Havia sete filhos de um sumo sacerdote judeu. Eles tentavam praticar exorcismos, expulsar demônios. Viram como Paulo expulsava demônios em nome do Senhor Jesus, e isso funcionava. Então tentaram adotar o que Paulo fazia.
Havia um homem possesso de demônios, e esses sete filhos de Ceva se aproximaram e disseram:
Em nome de Jesus Cristo, a Quem Paulo prega, eu te expulso.
A fórmula parecia correta, mas não funcionou. Vemos que o homem possesso de demônios se lançou sobre eles e os dominou, e eles tiveram de fugir feridos e nus.
Por quê? Porque o demônio disse:
Conheço Jesus e conheço Paulo; mas vós, quem sois?
Agora, irmãos e irmãs, vocês veem que o testemunho de Jesus é todo-poderoso? Ele fará com que vocês vençam. Mas, se for apenas uma fórmula, não funciona. O demônio sabe muito bem a diferença. Precisa ser o seu testemunho.
Precisamos reconhecer que o processo pelo qual o testemunho de Jesus se torna o seu testemunho e o meu é longo. Não é um processo fácil.
Se você espera que sua vida cristã seja ficar sentado em uma cadeira e ser carregado para o céu, está enganado. A Palavra de Deus nos adverte repetidas vezes de que esse é um caminho estreito.
Muitos encontram o caminho largo, mas ele conduz à destruição. Há um caminho estreito; poucos o encontram, mas ele conduz à vida eterna.
Irmãos e irmãs, não esperem uma vida fácil. Nós, cristãos, estamos nesta terra que nos é estrangeira, sob o domínio do inimigo de Deus. Vocês podem esperar uma vida fácil? Não.
Devemos estar dispostos a sofrer. Assim como nosso Senhor Jesus, enquanto esteve na terra, sofreu muito antes de ser glorificado, nós não podemos seguir por outro caminho.
Não podemos ser soldados de chocolate, como soldados que derretem tão depressa. O apóstolo Paulo disse que devemos ser como soldados do Senhor, para combater o bom combate da fé.
É a fé que nos dá a vitória, e a fé não é algo que tenha sua origem em nós. A fé está ancorada em Cristo, porque Ele fez tudo. Portanto, podemos confiar Nele.
Ele vai à frente, e nós O seguimos. Então, irmãos e irmãs, especialmente os jovens, eu os encorajo: não procurem uma saída fácil.
Fomos chamados a negar a nós mesmos, tomar nossa cruz e seguir o Senhor. Aonde quer que o Cordeiro vá, nós vamos. Esses são os vencedores.
Mas não tenham medo. Por quê? Porque Deus já nos deu toda a provisão necessária para esse caminho.
Se vocês se lembram de 2 Pedro, encontramos em 2 Pedro 1:3-4:
Visto como o Seu divino poder nos tem concedido todas as coisas que dizem respeito à vida e à piedade, pelo conhecimento Daquele que nos chamou por Sua própria glória e virtude;
pelas quais Ele nos tem concedido as Suas preciosas e grandíssimas promessas;
para que por elas vos torneis participantes da natureza divina, havendo escapado da corrupção que há no mundo pela concupiscência.
Portanto, vemos que Deus fez toda a provisão para nós. Se Ele proveu, então tudo o que precisamos fazer é confiar Nele. Confiar e obedecer; não há outro caminho.
Querido Senhor, reconhecemos que não há outro caminho senão aquele que Tu abriste para nós. Ó querido Senhor, pedimos que sejamos aqueles que têm coragem de seguir o Teu caminho, o caminho da cruz, o caminho do Cordeiro, e de seguir a Ti.
Senhor, isso não é apenas para a nossa salvação. É, acima de tudo, para a Tua glória. Pedimos em Teu precioso nome. Faze isso agora.