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    Loved Not Their Life Even Unto Death © 2026 Christian Testimony Ministry
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    Loved Not Their Life Even Unto Death
    Loved Not Their Life Even Unto Death
    Lambert, Lance

    A Vitória por Meio da Renúncia à Vida do Eu

    Obrigado. Não sei quanto ao mau tempo; penso apenas que o Senhor está dando ênfase às mensagens.

    Leituras Bíblicas

    Vocês poderiam abrir comigo na passagem que estamos considerando em Apocalipse 12? Vamos ler a partir de Apocalipse 12:7.

    E houve guerra no céu: Miguel e seus anjos saíram a pelejar contra o dragão; e pelejaram o dragão e seus anjos. E não prevaleceram; nem mais se achou no céu o lugar deles. E foi lançado fora o grande dragão, a antiga serpente, aquele que se chama diabo e Satanás, o enganador de todo o mundo. Foi lançado à terra, e seus anjos foram lançados com ele. E ouvi uma grande voz no céu, que dizia: Agora são vindos a salvação, e o poder, e o reino do nosso Deus, e a autoridade do Seu Messias: porque foi lançado fora o acusador de nossos irmãos, que os acusava diante do nosso Deus dia e noite. E eles o venceram por causa do sangue do Cordeiro e por causa da palavra do seu testemunho; e não amaram a sua vida até a morte.

    Quero acrescentar outra passagem das Escrituras: 2 Coríntios 5:14-15.

    Porque o amor de Cristo nos constrange; pois assim julgamos: Um morreu por todos; logo, todos morreram. E Ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si mesmos, mas para Aquele Que, por eles, morreu e ressuscitou.

    Oração Inicial

    Vamos fazer uma breve oração.

    Amado Senhor, somos tão gratos por estarmos aqui, em Tua presença, nesta noite. Somos gratos, Senhor, porque, na verdade, Tu tens mais interesse em que nos reunamos do que nós mesmos temos às vezes.

    Mas, Senhor, pelo Teu Espírito Santo, Tu podes, de alguma maneira, operar em nosso coração nesta noite. Todos conhecemos muito da verdade. Ela está em nosso coração e em nossa mente, mas, Senhor, muitas vezes a realidade não está presente.

    Somente o Espírito Santo pode iluminar nosso coração e nosso espírito nesta noite e, por meio da revelação, fazer-nos compreender o que tudo isso significa. Ouve-nos, Senhor.

    Nós Te agradecemos pela unção que conquistaste para nós a um preço tão alto no Calvário. Pela fé, firmamo-nos nessa unção, nesse poder e nessa graça, tanto para quem ouve como para quem fala e para quem traduz.

    Senhor, que este seja um tempo ungido, assim como foram nossos encontros anteriores. Faz deste um tempo ungido, Senhor, em que realmente nos encontremos Contigo. Pedimos isso em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.

    Os Elementos Essenciais da Vitória

    Todos vocês sabem que o tema destas conferências é: Eles venceram. Eles venceram Satanás.

    É muito interessante que tenhamos estes três elementos na vitória. Eles venceram Satanás por meio do sangue do Cordeiro e por meio da palavra do seu testemunho; e não amaram a sua vida até a morte.

    Algumas versões, na verdade, colocam um artigo definido antes de “morte”: “Não amaram a sua vida até a morte”, com ênfase nessa morte.

    É interessante que os dois primeiros elementos da vitória sejam apresentados de determinada maneira. O último é bem diferente. É quase como se o Espírito Santo estivesse dizendo: “Este último elemento precisa estar na base dos outros dois, ou não haverá realidade”.

    Será uma farsa. Haverá profissão de fé, haverá religião, haverá palavras, haverá doutrina, haverá conhecimento, mas não haverá realidade.

    A Verdade como Realidade Espiritual

    Agora, é muito interessante: na Palavra de Deus, a verdade… Quase imediatamente, ao ouvirmos a palavra verdade, pensamos em doutrina, em palavras, em ensino, nas Escrituras. E, naturalmente, ela abrange tudo isso.

    Mas a palavra, no grego, significa realidade. Não se trata apenas da verdade como ela é em Jesus, como se somente a doutrina fosse importante — uma doutrina sã e boa —, mas da realidade como ela é em Jesus.

    Quando o Senhor Jesus disse:

    Eu sou o caminho, a verdade e a vida.

    Ele estava dizendo: “Eu sou o caminho, a realidade e a vida”. Agora, se não temos essa realidade, onde estamos?

    É simplesmente religião — profissão de fé sem a experiência que é tão vital.

    Somente o Espírito Santo pode tomar a doutrina, tomar o ensino e penetrar nosso coração.

    Vocês que foram criados em lares cristãos, lares profundamente religiosos, conheciam o Senhor — conheciam tudo isso. Mas certamente chegou um dia em que aquilo que vocês conheciam desde pequenos subitamente se tornou claro, e naquele momento vocês foram salvos.

    Vocês nasceram do Espírito. Já tinham ouvido tudo. Era tudo tão conhecido. Quase poderiam pregar aquilo, ainda crianças ou adolescentes. Mas o fato é que, quando aquela verdade se tornou realidade, naquele momento vocês nasceram de Deus.

    Foi diferente. Vocês entraram em uma nova dimensão. Entraram em um novo mundo. Entraram em uma nova criação. O restante era algo exterior, mas, quando o Espírito Santo, pela graça de Deus, tocou seu coração, vocês foram salvos.

    Não existem cristãos de segunda geração. Deus não tem netos. Ele tem apenas filhos. Há algo absolutamente direto, absolutamente original, no relacionamento com o Senhor.

    O Significado de Não Amar a Própria Vida

    Agora, quero examinar um pouco mais de perto esta palavra extraordinária:

    E não amaram a sua vida até a morte.

    Essa é minha responsabilidade nesta conferência.

    Agora, se vocês quiserem dormir, podem dormir, mas acho que os trovões talvez os mantenham acordados, o que é uma bondade do Senhor para conosco.

    É de martírio que o Senhor está falando?

    E eles venceram Satanás por meio do sangue do Cordeiro, E por meio da palavra do seu testemunho; E não amaram a sua vida até a morte.

    É o martírio que está em vista aqui?

    Não há absolutamente nenhuma dúvida de que é verdadeiro o antigo ditado dos pais da igreja: “O sangue dos mártires é a semente da igreja”.

    Onde quer que os crentes tenham morrido na fé, onde quer que tenham sido martirizados por causa do seu testemunho, não demorou muito para que algo acontecesse.

    Pensem nos anabatistas, afogados aos milhares. Não há uma única fonte ou um único tanque na cidade de Salzburgo, na Áustria, que não tenha visto homens, mulheres e crianças amarrados dentro de sacos, com pesos, e lançados naquelas fontes e naqueles tanques para se afogarem.

    Mas o que aconteceu? É algo impressionante: os batistas se espalharam por toda parte. Tornaram-se uma das maiores denominações da igreja. Às vezes, pode haver pouca realidade espiritual, mas o fato é que estão por toda parte.

    O sangue dos mártires tem sido a semente da igreja.

    Pensem nos seguidores de Jan Hus, o reformador tcheco, que foi enganado pelos católicos para ir a Constança dialogar com os líderes católicos e acabou queimado na fogueira.

    Seus seguidores por toda a Boêmia, por toda a região que hoje chamamos de República Tcheca, pelas regiões do sul da Alemanha e por toda a Áustria — eles morreram aos milhares. Mas do sangue dos mártires surgiu a Igreja Morávia.

    Foi uma das épocas mais extraordinárias da história da verdadeira igreja. Aquelas pessoas foram a toda parte com o evangelho. Chegaram a vender a si mesmas como escravos para estar com os escravos e ganhá-los para o Senhor Jesus.

    Contraíram lepra ao cuidar de leprosos e então se tornaram missionários entre os leprosos. É extraordinário. Foram aos esquimós no Ártico. Foram até mesmo ao Tibete, o teto do mundo.

    A história dos morávios é incrível. Mas poderíamos continuar falando sem parar sobre essa questão do martírio. Onde quer que os crentes tenham morrido, tenham sido mortos, assassinados por sua fé e por manterem o testemunho de Jesus, no fim houve fruto.

    Hoje vemos isso na China. Talvez o maior grupo étnico de crentes do mundo esteja na China continental. Mas e os mártires? Seu sangue se tornou a semente da igreja.

    O Testemunho de Missionários e Mártires

    Lembro-me de algo que aconteceu há muitos anos — e relatei isso em meu livro mais recente, que acaba de ser publicado pela Christian Testimony Publishers. Lembro-me de conversar, no Egito, com duas missionárias idosas que exerceram certa influência sobre minha vida.

    Eu nunca tinha visto um ministério de oração como aquele. Já havia participado de reuniões de oração maravilhosas e visto respostas maravilhosas à oração, mas nunca tinha visto nada como Alexander Liblich e Kathleen Smith.

    Só pude conhecê-las porque fiquei muito, muito doente. Durante um ou dois meses, estive no hospital, deitado, sem permissão para colocar sequer um pé no chão. Mas, quando finalmente recebi alta do hospital da Força Aérea Real, os médicos disseram: “Você precisa passar por um período de convalescença. Nós pagaremos por isso, e você precisa ter pelo menos três semanas de descanso”.

    Conversei com Susan Hamill, esposa do superintendente da Missão Geral do Egito. Eu disse: “Não sei aonde posso ir. Aonde posso ir por três semanas? Não quero ir sozinho para algum lugar e ficar lá três semanas”.

    Ela disse: “Ah, deixe comigo. Há duas missionárias idosas e piedosas que estão aposentadas em Port Said. Vou telefonar para elas”. Ela falou com elas e voltou: “Michael, já organizei tudo. Elas estão esperando você a qualquer momento; é só ir”.

    Então ela me disse: “Lembre-se apenas de que você é muito jovem” — eu tinha só dezoito anos —, “é muito arrogante e muito direto no que diz. Essas missionárias são muito piedosas e devotas. Tenha muito cuidado”.

    Descobri que essas missionárias tão piedosas e devotas tinham exatamente a mesma experiência que eu, e nos tornamos grandes amigos.

    Então, um dia, perguntei a Alexander Liblich: “Você está aqui no Egito há cinquenta anos. Quase nunca saiu deste país, exceto por um mês de férias nas montanhas. Quantas pessoas se converteram por meio do seu trabalho?”

    Ela levantou a mão e disse: “Cinco”.

    E eu perguntei: “Vale a pena?”

    Ela respondeu: “Um dia haverá uma enorme colheita entre os muçulmanos”.

    Essa colheita chegou. Meus amigos em Atenas não conseguem acompanhar o número de muçulmanos que estão se voltando para o Senhor. Isso está acontecendo por toda a Indonésia, no Paquistão, no Afeganistão, no Curdistão.

    Nessas regiões islâmicas, pela primeira vez desde o século VII, muçulmanos estão se voltando para o Senhor Jesus. E vejam como estão se voltando: têm visões extraordinárias em sonhos, às vezes visões reais durante o dia, e ouvem vozes que lhes falam dos céus — famílias inteiras se voltando para o Senhor. Nunca vi nada igual.

    E tudo isso é resultado da brutalidade de muçulmanos contra muçulmanos e do assassinato de muçulmanos que se tornaram cristãos.

    Vocês ouvem isso repetidas vezes: “O que levou você a começar essa jornada em direção ao Senhor?” “Eu vi o irmão Fulano. Cortaram um de seus braços e mandaram que recitasse a profissão de fé islâmica, mas ele não quis. Então cortaram o outro braço e, depois, o decapitaram.”

    O sangue dos mártires é a semente da igreja.

    Mas é realmente isso que este versículo está dizendo?

    E não amaram a sua vida até a morte.

    A Necessidade de Renunciar à Vida do Eu

    Afinal, vocês conhecem alguém que tenha dado a vida por amor ao Senhor e ao evangelho sem antes ter renunciado à vida do eu?

    Seria algo bastante extraordinário estar disposto a morrer fisicamente pelo Senhor sem antes ter renunciado à vida do eu, porque o instinto mais profundo do ser humano é o da autopreservação.

    Deus sabia o que estava fazendo quando disse:

    Amarás o teu próximo como a ti mesmo.

    Todos nós amamos a nós mesmos. Todos procuramos nos proteger. Todos procuramos nos expandir. Todos procuramos promover a nós mesmos. Buscamos glória para nós mesmos. Buscamos posição para nós mesmos — títulos antes do nome, graus acadêmicos depois do nome —, qualquer coisa que nos dê alguma sensação de que somos bem-sucedidos por nós mesmos.

    Se chegássemos ao ponto de enfrentar esta escolha: morrer ou negar o Senhor Jesus, a maioria de nós negaria o Senhor Jesus se não tivesse primeiro renunciado à vida do eu.

    É por isso que li aquela passagem extraordinária de 2 Coríntios 5:14-15.

    Porque o amor de Cristo nos constrange; pois assim julgamos: Um morreu por todos; logo, todos morreram. E Ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si mesmos, mas para Aquele Que, por eles, morreu e ressuscitou.

    Há quatro ou cinco dias, acordei no meio da noite com esse versículo passando pela minha cabeça. Não conseguia encontrá-lo. Achei que estivesse em Romanos, mas ele ficava indo e voltando em minha mente.

    Que palavra incrível é esta. Ouçam novamente: Ele — isto é, Jesus — morreu por todos. Agora, ouçam: logo, todos morreram.

    E Ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si mesmos, mas para Aquele Que, por eles, morreu e ressuscitou.

    Querido filho de Deus, esse é o outro lado do evangelho. Jesus morreu por você. Ele morreu em seu lugar. Levou em Seu corpo, no madeiro, o castigo do seu pecado. Ele não recuou. Seguiu em frente. Suportou tudo por você.

    Mas há outro lado. Ele não apenas morreu por você; Ele morreu como você, representando você.

    Ouçam novamente: Ele morreu por todos; logo, todos morreram.

    O Dr. Martin Lloyd-Jones costumava dizer: “Prestem muita atenção às pequenas palavras: de, mas, a, por, por isso, portanto, e palavras desse tipo”.

    Ouçam novamente: Ele, Jesus, morreu por todos; logo, todos morreram. Do ponto de vista de Deus, se você é filho de Deus, Jesus morreu por você, e você morreu com Ele.

    Portanto, nós que estamos vivos nesta terra devemos viver para Ele.

    Gostaria de conseguir tornar isso mais claro e simples. É algo tão grandioso, realmente.

    Na passagem que estamos considerando em Apocalipse 12, está escrito:

    E não amaram a sua vida até a morte.

    Agora, a palavra usada ali para “vida” é psuchē, da qual vêm as palavras “psiquiatria” e “psicologia”. É a alma. Eles não amaram a vida da sua alma até a morte.

    Ou, deixando-me dizer de outra maneira: eles não amaram a vida do eu.

    Até mesmo aqueles de nós que passam o tempo todo dizendo como são pobres, como não têm esperança, como são feios, como é impossível que alguma coisa aconteça conosco, e tudo o mais — isso é apenas uma maneira invertida de inflar o próprio eu.

    “Coitado de mim. Herdei tanta coisa dos meus pais, dos meus avós e dos meus bisavós. Coitado de mim, tenham pena de mim — deste meu pobre euzinho aqui.”

    Não, você não tem um eu pequeno coisa nenhuma. Você tem um eu grande. Ele quer aparecer. Quer avançar. Quer se expandir. Quer alcançar posição. Quer ser muito estimado. Essa é a nossa vida do eu, não é?

    A Vida do Eu como Problema Central do Crente

    Agora, pensem em outra coisa. Todos os problemas na vida do crente não vêm dessa vida do eu?

    Sabemos o que fazer com os pecados. Sabemos que Jesus morreu por nossos pecados. Sabemos que o sangue do Senhor Jesus nos purifica. Sabemos que, se confessarmos nosso pecado, Ele é fiel e justo para nos perdoar o pecado e nos purificar de toda injustiça.

    Não há problema quanto ao pecado. O problema dos pecados já foi resolvido. O problema está na vida do eu.

    Você pode ser perdoado. Seus pecados podem ser apagados, mas a vida do eu pode estar vibrante, cheia de energia, com toda a força, com todo o poder. Esse é o problema na vida do crente.

    É por isso que está escrito:

    Eles venceram Satanás pelo sangue do Cordeiro.

    Pela obra consumada do Senhor Jesus — essa salvação plena que Deus nos deu por meio da obra consumada e completa do Senhor Jesus.

    Ela nos é dada. Não precisamos pagar por ela. Não precisamos fazer boas obras para obtê-la. Ela nos é dada pela graça de Deus.

    Pela graça sois salvos; e isto não vem de vós: é dom de Deus.

    Mas o que fazemos com a vida do eu? É isso que nos impede de experimentar a plenitude da Sua salvação. É essa condição que destrói completamente qualquer crescimento no Senhor. Ela nos paralisa. Impede-nos de avançar, de abundar no Senhor.

    É exatamente o mesmo com a igreja. Você reúne uma porção de “eus” e tem problemas: “Eu penso, eu sinto, eu sei, eu não quero, eu quero”.

    Que problema nós temos.

    E quanto à obra do Senhor? Basta reunir alguns irmãos e irmãs que tenham dons; não demora muito e aparece o quê? Rivalidade, ciúmes — somos espirituais demais para falar disso, mas é ciúme.

    Lá no fundo de nós: “Fulano parece estar avançando mais do que eu, parece ser mais bem-sucedido do que eu, parece causar mais impacto do que eu”.

    Sabem, a realidade americana é algo impressionante para nós do Velho Mundo. Por quê? Porque se baseia no princípio do sucesso. Qualquer pessoa que tenha capacidade pode ser bem-sucedida.

    Isso é simplesmente impressionante para nós do Velho Mundo, onde tanta coisa depende dos vínculos com antigos colegas de escola ou do sangue — sua origem, sua linhagem, sua ascendência, onde você estudou, como foi educado e tudo o mais.

    Antigamente, você não conseguia ir muito longe, por mais bem-sucedido ou capaz que fosse, porque não havia essa possibilidade de ascensão pelo sucesso.

    Mas o problema com a síndrome do sucesso é que, quando você começa a reunir alguns crentes, logo aparece tudo isso: “Eu quero ser o pastor. Eu quero liderar. Eu quero isso”. É a vida do eu.

    E não amaram a sua vida até a morte.

    Viver para si mesmo ou viver para Cristo — é tão simples.

    Ele morreu por todos; logo, todos morreram. E Ele morreu por todos para que os que vivem não vivam para si mesmos, promovendo a vida do eu, mas vivam para Aquele Que, por eles, morreu e ressuscitou.

    A Realidade e o Discipulado Cristão

    Sejamos honestos. Essa questão da realidade é nosso maior problema.

    Fico contente por ela ter sido levantada. É preciso que seja. Estamos muito próximos da vinda do Senhor.

    Se você e eu não estivermos dispostos a permitir que o Senhor trate da nossa vida do eu, descobriremos que não haverá recompensa nem um “Muito bem”.

    Nosso problema nos círculos cristãos é muito simples: fizemos milhares de convertidos e pouquíssimos discípulos.

    Jesus nunca disse: “Ide, portanto, ao mundo e fazei convertidos de todas as nações”. Ele disse:

    Ide por todo o mundo e fazei discípulos de todas as nações.

    Ninguém pode ser discípulo sem ter renunciado à vida do eu.

    Se minha vida do eu continua intacta — cristianizada, cantando hinos, fazendo orações, lendo a Bíblia —, exteriormente tudo é uma grande encenação, mas a realidade não está presente.

    Só há realidade quando entrego minha vontade ao Senhor Jesus.

    Essa questão da vontade é a maior questão na vida de qualquer filho de Deus, porque é natural para nós. Nossa capacidade de raciocínio, nossa vontade e nossas emoções estão todas centradas na alma, em nossa psuchē, na vida do eu.

    Assim, é natural que, de uma maneira ou de outra, tentemos dar a impressão de que estamos avançando com o Senhor, quando a verdade é bem diferente. Estamos avançando em conhecimento, mas não em experiência.

    Há realidade quando você cresce na graça e no conhecimento do Senhor Jesus Cristo, como disse o apóstolo Pedro. Esse conhecimento não é apenas conhecer coisas, verdades, doutrinas; é conhecê-Lo.

    Quando você passa a conhecê-Lo, a doutrina também fica correta. O Senhor Jesus cuidará disso, e o Espírito Santo também. Então, aí estão os trovões e a chuva.

    O grande obstáculo à realidade é uma vida do eu não quebrantada, não crucificada. Ela destrói todo progresso, todo crescimento, toda transformação à semelhança do Senhor Jesus e toda frutificação.

    Isso significa que não há poder. Temos de compensar com barulho. O verdadeiro poder não está presente.

    É um obstáculo à experiência de tudo o que Jesus conquistou para você.

    O Aprendizado de Morrer com Cristo

    Quando eu costumava viajar muito pelo mundo inteiro, a pergunta que os jovens mais me faziam era: “Como posso viver a vida cristã?” E eu sempre respondia da mesma maneira.

    “Essa não é a pergunta”, eu dizia. “A pergunta não é: ‘Como você pode viver a vida cristã?’ A pergunta é: ‘Como você pode morrer?’”

    Se você aprender a morrer com Cristo, a vida cristã se desenvolverá por si mesma. Ela florescerá. Crescerá. Dará fruto. Todos os dons de que você precisa virão à tona assim que você estiver disposto a morrer com Cristo.

    Agora, você dirá imediatamente: “Como se morre com Cristo?” Ah, não esquente a cabeça. As pessoas queridas farão isso por você.

    Se você tem esposa, ela fará isso por você. Se tem marido, ele fará isso por você. Se tem pais, eles farão isso por você. Se tem filhos, eles farão isso por você. Se tem colegas de trabalho, eles farão isso por você. Se está na igreja, certamente farão isso por você.

    Deixem-me dizer: vocês não precisam esquentar a cabeça com isso. A experiência de ser crucificado com Cristo já está toda ali. Está tudo nas mãos do Senhor, por assim dizer.

    As pessoas parecem imaginar que terão alguma experiência espiritual maravilhosa e extática, em que um anjo vem visitá-las, pega sua mão e a beija, coloca-a na cruz, pega um prego de prata e, com um martelo de ouro, o crava de um lado. Depois pega a outra mão e as prega na cruz, e elas ficam cheias de euforia e de uma maravilhosa sensação de paraíso — em êxtase.

    Não existe experiência assim.

    Assim que você estiver disposto a morrer com Cristo, o Espírito Santo cuidará da sua crucificação em questão de horas.

    Você descobrirá que, em poucas horas, já está diante de uma situação em que ou se defende ou morre.

    O Senhor está envolvido nesse trabalho. Não se pode criar uma escola para isso nem dar três passos bem organizados — uma metodologia. É obra do Espírito Santo.

    É por isso que toda essa questão da realidade está intimamente ligada à Pessoa do Espírito Santo. Ele guia você a toda a verdade. Ele toma as coisas do Senhor Jesus e as torna reais para você.

    É obra do Espírito Santo. Quando apagamos o Espírito Santo, quando entristecemos o Espírito Santo, fazemos algo terrivelmente prejudicial a nós mesmos.

    O Senhorio de Jesus Cristo

    Então, querido filho de Deus, sinto muito que esta mensagem pareça tão pesada nesta noite. Mas os irmãos me deram esse versículo; o que mais posso fazer? Ele não diz: “E há bênção abundante”. Ele diz:

    E não amaram a sua vida até a morte.

    Você precisa morrer.

    Bem, alguém diz: “Ah, mas isso não tem tudo a ver com martírio?” Você está tentando escapar. Está pensando mais ou menos assim: “Bem, eu nunca serei mártir. Acho que tudo isso tem a ver com ser mártir”.

    Meu querido amigo, você nunca será mártir se primeiro não renunciar à vida do eu. Esse é o caminho.

    Não haverá realidade em manter o testemunho de Jesus. Esse obstáculo da vida do eu se encarregará disso.

    Nunca conheceremos a verdadeira vida da igreja. Nunca saberemos o que é ser edificados juntos. Nunca saberemos o que é ver homens e mulheres entrarem em nosso meio, tocarem a presença de Deus entre nós e serem salvos.

    Nunca saberemos o que é ser o lar de Deus nesta terra. Todo ser humano procura um lar. Isso está dentro de nós. É um instinto de voltar para casa, colocado em nós desde o princípio dos tempos.

    E a igreja deve ser esse lar, porque, sem Deus, não temos lar. Somente Deus é o nosso lar.

    Quando Deus pode edificar a casa do Senhor, ela se torna um lar — o Seu lar. Então, imediatamente, o mundo toca algo que nunca havia tocado: algo de amor, algo de graça, algo de abnegação, algo que poderia mudar o mundo inteiro, se ao menos fosse imitado.

    O obstáculo a manter o testemunho de Jesus é a minha vida do eu — a sua vida do eu.

    Não há realidade quando a vida do eu não foi quebrantada nem crucificada — apenas uma fachada, apenas palavras, apenas profissão de fé, apenas religião.

    Portanto, a porta de entrada para a realidade é de uma simplicidade absoluta: é morrer.

    Se você estiver disposto a morrer com Cristo, o Espírito Santo cuidará da ressurreição.

    “Ah”, você diz, “tirar a minha vida do eu — toda a música da minha alma, toda a arte da minha alma, toda a criatividade da minha alma e até, para um ou dois de nós — não para mim —, a genialidade da minha alma. Tirar tudo isso? Crucificar? Perder? Esse é o evangelho?”

    Você perde para receber de volta sob nova direção.

    Talvez não receba tudo de volta, mas pode receber muita coisa. Certamente vocês conhecem isso. Uma pessoa toca piano, e você pensa: “Como essa pessoa é talentosa”. Outra pessoa toca piano, e você está na presença do Senhor.

    Uma pessoa canta um hino, e você pensa: “Que voz bonita. Que talento”. Outra pessoa canta, e você está na presença do Senhor, face a face com Ele.

    Uma pessoa prega, e você pensa: “Nossa, como ele tem conhecimento. Foi muito bom. Parecia uma mensagem enciclopédica sobre teologia”. Mas outra pessoa prega, e você está face a face com o Senhor.

    Realidade. Só há realidade quando Deus obtém em você aquilo que Ele deseja.

    Mas há um problema. O Sr. Sparks costumava dizer: “O Espírito Santo é um perfeito cavalheiro. Ele nunca entra à força. Nunca atropela você. Ele espera que você Lhe entregue as chaves da vida do eu”.

    Estranhamente, é isso que a maioria de nós acha tão difícil fazer. Faremos qualquer outra coisa: correr uma maratona pelo Senhor, caminhar mil milhas, pregar até perder o fôlego, fazer mil coisas pelo Senhor — mas dar a Ele as chaves da minha vida do eu? Nunca.

    A vontade é o problema. Se eu disser de outra maneira, vocês compreenderão melhor: é o senhorio de Jesus.

    Todos podemos dizer: “Tu és Senhor”. Mas Ele é?

    Ele poderia realmente falar com você, dizer-lhe que vá a algum lugar, que faça isto ou aquilo, ou que abra mão de alguma coisa? Ele é Senhor? Ou é Senhor apenas de nome?

    Há alguns anos, tive de falar na Grã-Bretanha, em Leicester, que agora é uma cidade muçulmana, com o chamado à oração ecoando por toda a cidade.

    Preguei em Melbourne Hall, que o Dr. F. B. Meyer havia fundado. No final, o pastor dali me disse: “Você esteve no púlpito em que C. T. Studd pregou no dia em que partiu para a China”.

    Ele disse que C. T. Studd era um jovem formado pela Universidade de Cambridge e que estava partindo para a China com outros seis.

    Depois, na sacristia, o Dr. F. B. Meyer lhe perguntou: “Qual é o segredo do seu ministério e da sua vida?”

    E C. T. Studd pensou por um momento e então disse: “Meu segredo é que entreguei minha vontade ao Senhor”.

    C. T. caiu na terra e morreu. Foi para a China; da China, foi para a Índia; da Índia, foi para o Congo. Nunca voltou à Grã-Bretanha. Dizia que missionários não saem de licença, e morreu no Congo.

    Disso surgiu uma tremenda comunhão missionária.

    É isso que pode acontecer com a vida de um ser humano quando ele entrega sua vontade. Vocês acreditariam que algo tão pequeno, que talvez lhes pareça pequeno, poderia levar a todo um universo de experiência e entendimento, à sabedoria?

    Mas é assim com o Senhor.

    Nesta noite, Ele lhe pergunta: “Sou realmente Senhor da sua vida? Você Me chama de Senhor, mas Eu sou Senhor? Sou realmente responsável por você, pela sua vida? Você está pronto para Me obedecer em tudo o que Eu disser?”

    Somente o Senhor pode ajudar você. Vamos orar?

    Oração Final

    Amado Senhor, com toda a simplicidade, entregamo-nos a Ti.

    Essa nossa vida do eu é um problema. É algo, Senhor, como Tu sabes, semelhante a um polvo com tantos tentáculos. Cortamos um e ainda temos outros sete.

    E, Senhor, mal sabemos o que fazer, além de nos firmarmos nisto: Tu morreste por todos; logo, todos morreram, para que os que vivem não vivam para si mesmos, mas para Ti, Que por nós morreste e ressuscitaste.

    Senhor, trata conosco. Não nos deixes continuar assim, Senhor. Se recusarmos entregar-Te nossa vontade nesta noite, isso significa que ficaremos relegados a uma vida de aparência, sem realidade.

    Uma vida de mera observância religiosa, sem a verdadeira experiência de Ti. Trata conosco, Senhor, pelo Teu Espírito Santo. Pedimos isso em nome de Jesus. Amém.