Por favor, abram em Efésios 4:17-32. Vamos ler essa passagem.
Isto, portanto, digo e testifico no Senhor: que não mais andeis como também andam os gentios, na vaidade da sua mente;
obscurecidos no entendimento, separados da vida de Deus por causa da ignorância que há neles, por causa do endurecimento do seu coração;
os quais, tendo perdido toda a sensibilidade, entregaram-se à lascívia, para praticarem com avidez toda sorte de impureza.
Mas vós não aprendestes assim a Cristo;
se é que O ouvistes e Nele fostes ensinados, conforme a verdade está em Jesus:
que, quanto à vossa antiga maneira de viver, vos despojeis do velho homem, que se corrompe segundo as concupiscências do engano;
e sejais renovados no espírito da vossa mente;
e vos revistais do novo homem, que, segundo Deus, foi criado em justiça e santidade da verdade.
Por isso, deixando a mentira, falai a verdade, cada um com o seu próximo: porque somos membros uns dos outros.
Irai-vos e não pequeis: não se ponha o sol sobre a vossa ira;
nem deis lugar ao diabo.
Aquele que furtava não furte mais; antes, trabalhe, fazendo com as próprias mãos o que é bom, para que tenha o que repartir com quem tem necessidade.
Não saia da vossa boca nenhuma palavra corrompida, mas somente a que for boa para a edificação, conforme a necessidade, para que conceda graça aos que a ouvem.
E não entristeçais o Espírito Santo de Deus, no Qual fostes selados para o dia da redenção.
Toda amargura, indignação, ira, gritaria e maledicência sejam afastadas de vós, bem como toda malícia;
e sede bondosos uns para com os outros, compassivos, perdoando-vos mutuamente, assim como também Deus, em Cristo, vos perdoou.
Por favor, abram também em Colossenses 4:5-6.
Andai com sabedoria para com os que são de fora, remindo o tempo.
A vossa palavra seja sempre com graça, temperada com sal, para que saibais como deveis responder a cada um.
Vamos fazer uma oração.
Querido Senhor, mais uma vez queremos agradecer-Te por seres tão bondoso para conosco, reunindo-nos em Teu nome. E, Senhor, enquanto estamos aqui reunidos, o desejo do nosso coração é que Tu nos fales por meio da Tua Palavra.
Cremos que a Tua Palavra é viva e operante. Cremos que a Tua Palavra é vida, que nos livrará da morte e nos conduzirá à vida — vida abundante. Por isso, Senhor, depositamos nossa confiança em Ti, na Tua Palavra e no Teu Espírito. Pedimos em Teu precioso nome. Amém.
Temos considerado juntos essa questão do exercício espiritual em nossa vida diária. Sabemos que o exercício espiritual é proveitoso para tudo, tendo a promessa da vida presente e também da que há de vir.
Assim, nossa ênfase nestes dias está na promessa de vida no tempo presente — nos dias em que vivemos, dia após dia — e em como podemos, por meio do exercício espiritual, receber a vida eterna.
Temos considerado o exercício espiritual em nossa vida pessoal e também compartilhado sobre o exercício espiritual na vida da igreja. Nesta manhã, gostaríamos de compartilhar sobre o exercício espiritual na vida social.
Assim que nascemos neste mundo, passamos a fazer parte dele. Não estamos sozinhos. Quando nascemos, estamos com nossa família. Temos nossos pais e nossos irmãos; ali já existe uma vida social.
À medida que crescemos, vamos à escola e temos colegas de escola, colegas de classe e amigos. Quando nos formamos e ingressamos na sociedade, temos colegas de trabalho, vizinhos e amigos. Em outras palavras, somos seres sociais. Estamos sempre com pessoas e vivemos com pessoas. Isso é a vida social.
Mas, quando cremos no Senhor Jesus, algo muito radical acontece. Quando cremos no Senhor Jesus, nascemos na família de Deus.
Além da nossa vida pessoal, da nossa vida social e da nossa vida familiar, encontramos outra dimensão: a vida da igreja. Tornamo-nos membros do Corpo de Cristo. Há tamanha intimidade, tamanha unidade, tamanha proximidade de vida — a vida espiritual, a vida de Deus, a vida de Cristo em nós — que parece que ela começa a tomar o lugar da nossa vida social ou a substituí-la.
Agora, deixem-me explicar. Como vivíamos neste mundo antes? Embora vejamos que cada pessoa é diferente, há uma coisa comum a todos nós: a vida que recebemos de nossos pais vem de Adão.
É uma vida caída. É uma vida pecaminosa. É carne. É centrada em si mesma. Essa é a natureza da vida que recebemos de nossos pais, e é por essa vida que vivemos na terra.
Seja em sua vida pessoal, em sua vida familiar ou em sua vida social, você vive por essa vida natural. Segundo a Palavra de Deus, essa maneira de viver socialmente não é exatamente a que Deus deseja para nós.
Em Efésios 2:1-2, somos informados de que estávamos mortos em delitos e pecados, nos quais antes andávamos segundo o curso deste mundo.
Como andávamos no mundo? Andávamos segundo o curso deste mundo — isto é, segundo os padrões deste mundo. Mas, na verdade, andávamos segundo o príncipe da autoridade do ar, o espírito que agora opera nos filhos da desobediência.
Exteriormente, seguimos a corrente do mundo; na verdade, andamos segundo as ordens do inimigo. Satanás está controlando o mundo.
Antes, vivíamos nas concupiscências da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos, e éramos, por natureza, filhos da ira, como também os demais. Era assim que vivíamos neste mundo, em nossa vida social.
Mais uma vez, Efésios 4:17-18 diz que andávamos na vaidade da nossa mente — vivíamos conforme aquilo que pensávamos. Nosso entendimento estava obscurecido. Andávamos nas trevas, separados da vida de Deus. Não tínhamos a vida de Deus em nós.
Havia endurecimento do coração; havíamos perdido toda a sensibilidade e praticávamos toda sorte de impureza com uma cobiça insaciável. Era assim que vivíamos antes no mundo.
Mas, assim que cremos no Senhor Jesus, algo radical acontece. Como Paulo diz em Efésios 4:20:
Mas vós não aprendestes assim a Cristo.
Quando você tem Cristo Jesus em você, ocorre uma mudança radical.
Por quê? Porque a vida dentro de você é uma vida diferente. Já não é a vida de Adão; é a vida de Cristo. Já não é terrena; é celestial. Já não é carnal; é espiritual.
Agora temos a vida de Cristo em nós. Tendo essa vida, como vamos viver neste mundo? Será que ainda podemos viver neste mundo como vivíamos antes — vivendo por nós mesmos, conforme pensamos e queremos, centrados em nós mesmos? Não.
Depois que recebemos a vida de Cristo em nós, nosso andar neste mundo deve ser radicalmente diferente.
Vocês se lembram de quando os filhos de Israel eram escravos no Egito. O Senhor os libertou por meio do cordeiro pascal. Mas, ao mesmo tempo, Deus lhes ordenou que, quando colocassem o sangue nos umbrais das portas e se reunissem dentro de casa para comer a carne do cordeiro, deveriam estar com as sandálias nos pés, cingidos e com o cajado na mão.
Por quê? Porque estavam prontos para caminhar, para partir. Naquela mesma noite, os filhos de Israel saíram marchando do Egito.
Não apenas isso: o Senhor os fez atravessar o mar Vermelho para que não houvesse retorno. Antes, pertenciam a Faraó e serviam a Faraó, mas agora estavam fora do Egito. Foram, por assim dizer, batizados em Moisés.
Irmãos e irmãs, foi exatamente isso que aconteceu conosco, os que cremos. Quando cremos no Senhor Jesus, não se trata apenas de termos nossos pecados perdoados e de a morte eterna ser afastada de nós. Não. Não permanecemos no Egito; temos de sair marchando do Egito imediatamente.
Não depois de um dia, de um mês, de um ano, nem ficando para sempre no Egito. Não. Assim que somos salvos da morte eterna, saímos do mundo.
Colossenses 1:13 nos diz que Deus nos libertou da autoridade das trevas e nos transportou para o reino do Filho do Seu amor. Quando somos salvos, somos salvos dos pecados e da morte, e somos libertos do mundo.
Ele nos transportou para fora deste mundo de trevas e nos colocou no reino do Filho do Seu amor. É a esse reino que pertencemos agora.
Essa é a razão pela qual, quando cremos no Senhor Jesus, precisamos ser batizados. Alguém pode dizer: “Bem, eu estou salvo. Agora tenho a vida de Cristo em mim. Tenho a vida eterna; então, por que devo ser batizado? A água não vai me purificar dos meus pecados”.
Não, mas recebemos a ordem de ser batizados. Por quê? Porque o batismo é nosso testemunho em resposta ao que Deus fez. Ele nos transportou para fora deste mundo, para dentro de Cristo, e agora, no batismo, respondemos com fé.
Dizemos: “Sim”. Somos batizados, entrando na água, mostrando que nosso velho homem foi morto e sepultado debaixo da água; e, ao sairmos da água, somos ressuscitados para uma vida nova.
É isso que o batismo realmente significa. É o início de uma vida sobre outra base. Ele nos transportou para fora de nós mesmos, para fora do mundo, para dentro de Cristo e da Sua vida.
Portanto, irmãos e irmãs, assim que somos salvos, nossa posição muda. No que diz respeito à nossa relação com o mundo, há uma mudança completa.
Na oração do nosso Senhor Jesus em João 17 — a oração sacerdotal —, nosso Senhor Jesus orou pelos Seus, por aqueles que Lhe pertencem. Nessa oração, Ele mencionou o mundo sob quatro aspectos diferentes.
Primeiro, em João 17:6, Ele disse:
Manifestei o Teu nome aos homens que do mundo Me deste.
Em outras palavras, Deus nos libertou do mundo e nos deu a Cristo. O que significa estar fora do mundo? Significa que já não estamos aqui na terra? Não.
A palavra aqui é kosmos. Trata-se de um sistema — um sistema que Satanás organizou. Satanás organizou todos os diferentes aspectos e áreas do mundo em um sistema gigantesco e, com esse sistema, o mundo como o conhecemos hoje, ele procura se opor a Deus e ao Seu propósito.
Deus nos libertou deste mundo de trevas. Não somos do mundo.
Então, em João 17:11, o Senhor Jesus disse:
Já não estou no mundo.
Isso porque Ele estava de partida. E acrescentou:
Mas eles estão no mundo.
Embora Ele nos tenha libertado do sistema do mundo, ainda estamos no mundo.
O que significa “mundo” nesse sentido? Significa simplesmente a terra e todas as coisas que Deus criou. Salmos 24:1 diz:
Do Senhor é a terra e a sua plenitude;
o mundo e aqueles que nele habitam.
Na poesia hebraica, a repetição é usada para dar ênfase. “A terra e a sua plenitude” e “o mundo e aqueles que nele habitam” são a mesma coisa. Portanto, o mundo tem outra definição: é a terra e todos os que habitam sobre ela.
Nesse sentido, nossa relação com o mundo é que ainda estamos no mundo. Ainda não fomos arrebatados.
Então, em João 17:14, o Senhor disse:
Eu lhes dei a Tua palavra; e o mundo os odiou, porque não são do mundo, assim como Eu não sou do mundo.
Somos libertos do mundo e ainda estamos no mundo; contudo, não somos do mundo. Embora ainda estejamos vivendo nesta terra e cercados por ela, não pertencemos a este mundo.
Em 1 João 2:15-17, lemos:
Não ameis o mundo, nem as coisas que há no mundo.
As coisas do mundo são a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida. Se você ama o mundo, o amor do Pai não está em você.
Nesse sentido, não somos do mundo. Embora ainda estejamos nele, não pertencemos a ele, porque a amizade com o mundo é inimizade contra Deus.
O quarto aspecto está em João 17:18:
Assim como Tu Me enviaste ao mundo, também Eu os enviei ao mundo.
Somos libertos do mundo. Ainda estamos no mundo, mas não somos do mundo. Contudo, somos enviados ao mundo, assim como Deus enviou Cristo ao mundo.
Agora, quando vamos ao mundo, temos um propósito. Não é porque queremos ser amigos do mundo, mas porque queremos dar testemunho ao mundo do nosso Senhor Jesus.
Portanto, irmãos e irmãs, quando cremos no Senhor Jesus, nossa vida social começa a passar por uma mudança radical. Antes, o mundo era nosso amigo, e desejávamos ser amigos do mundo. Mas, depois que somos salvos, uma mudança radical ocorre em nossa vida.
Ainda estamos neste mundo, sim, e permaneceremos aqui até que o Senhor nos leve; mas não pertencemos a ele. Nesse sentido, não temos nada a ver com ele. Mas isso não significa que nos tornamos antissociais. De modo algum.
Ainda precisamos ir ao mundo e ser testemunhas, dar testemunho do Senhor Jesus, para resgatar aqueles que estão mortos em pecados e transgressões.
Essa é nossa posição diante do mundo. Deus nos deu essa posição; qual deve ser nossa resposta? Deus já nos transportou para fora deste mundo. Será que podemos simplesmente continuar vivendo como as pessoas do mundo vivem? Podemos continuar desejando o mundo?
Se fizermos isso, Tiago 4:4 diz que, se somos amigos do mundo, tornamo-nos inimigos de Deus. Em 2 Coríntios 6:14-16, lemos que não há comunhão, não há identidade, entre os que estão na luz e os que estão nas trevas; entre os que têm vida e os que não têm vida; entre os que são de Cristo e os que não são de Cristo.
Irmãos e irmãs, para mim isso é algo muito básico. Se vocês realmente seguem o Senhor, descobrirão que esse é o caminho a seguir.
Lembrem-se do nosso Senhor Jesus quando Ele estava neste mundo. Vejam como Ele viveu neste mundo. Ele veio a este mundo e viveu uma vida como a nossa, mas, durante toda a Sua vida, viveu por aquela vida divina.
O princípio da Sua vida era: “A vontade do Meu Pai”. Ele não vivia pela vida natural. Ele andava no caminho de negar a Si mesmo, tomar a Sua cruz e seguir a Deus. Esse é o caminho que precisamos seguir.
Depois que somos salvos, precisa haver uma mudança radical em nossa vida social. Parece-me que a vida da igreja quase toma o lugar da vida social — não de maneira exclusiva, porque ainda somos enviados ao mundo para dar testemunho às pessoas.
Mas não creio que seja a vontade de Deus que continuemos tentando ser amigos do mundo, porque isso significa que nos tornamos inimigos de Deus.
Como podemos vencer o mundo? As coisas deste mundo são muito tentadoras. Em 1 João 2:14, os jovens vencem o mundo porque a Palavra de Deus permanece neles.
O caminho para vencer o mundo é a Palavra de Deus. A Palavra de Deus nos diz o que o mundo realmente é. O mundo é um engano, e a única maneira de enxergarmos através do engano do inimigo é pela Palavra de Deus.
Se a Palavra de Deus habita em nosso coração, então temos sabedoria, discernimento e até poder para vencer o mundo.
Olhem para o nosso Senhor Jesus. Quando Ele tinha trinta anos, depois de ser batizado, o Espírito Santo O conduziu ao deserto, e Ele foi tentado pelo inimigo.
Aquelas três tentações registradas abrangem todas as tentações que podem vir ao ser humano. Satanás usou as coisas deste mundo — a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida — para tentar o nosso Senhor Jesus.
Mas, em cada tentação, nosso Senhor Jesus venceu pela Palavra de Deus. Ele não tentou discutir com Satanás. Não tentou resolver a questão por meio de argumentos. Simplesmente citou a Palavra de Deus que estava em Seu coração.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, especialmente os jovens, por favor, ouçam: a única maneira de vencer o mundo é guardar a Palavra de Deus em seu coração e vencer o inimigo pela Palavra de Deus.
Infelizmente, em nossos dias, muitos cristãos parecem ter sido libertos do mundo quanto à sua posição, mas, na experiência, são como os filhos de Israel. Deus os libertou do Egito, mas, no deserto, foram provados.
Em seu coração, ainda sentiam saudade do Egito. Queriam todas aquelas coisas que podiam encontrar no Egito. Por causa disso, toda aquela geração morreu no deserto. Não puderam tomar posse da sua herança.
Da mesma maneira, o povo de Deus hoje corre esse mesmo perigo. Deus nos libertou do mundo, mas, se nosso coração ainda está voltado para o mundo e para as coisas do mundo, talvez não consigamos tomar posse da nossa herança.
Deus nos prometeu um reino. Deus nos prometeu uma herança que não perde o seu esplendor, imaculada e incorruptível, reservada nos céus para nós, os que cremos. Somente aqueles que, como Josué e Calebe, têm um espírito diferente poderão entrar na promessa.
Portanto, irmãos e irmãs, depois que cremos no Senhor Jesus, precisa haver uma mudança radical.
Talvez algumas pessoas digam: “Devemos ser tão pouco sociáveis assim?”. Quando vocês leem 1 Coríntios, descobrem que os cristãos de Corinto gostavam da vida social. Antigamente, sua vida social acontecia nos templos dos ídolos. A melhor comida estava ali, e as melhores ocasiões sociais eram passadas no templo.
Eles queriam tanto manter sua vida social que argumentavam: “Temos apenas um Deus, e esses ídolos não são deuses. Se não são deuses, então podemos ir ao templo e comer a comida do templo, porque isso não significa nada”.
Mas aqueles cuja consciência era fraca tropeçavam. O apóstolo Paulo disse que, se comer carne fizesse seu irmão tropeçar, embora fosse lícito, ele não o faria. Isso é amor.
É muito natural que o povo de Deus ainda se apegue à vida social e anseie por ela. Deus não quer nos privar da vida social, porque somos seres sociais. Mas Ele quer substituí-la pela vida da igreja. Ela está em um plano mais elevado; está em uma esfera espiritual.
Quanto ao mundo, nossa relação com ele é esta: somos enviados ao mundo por uma razão — para sermos testemunhas e darmos testemunho às pessoas.
Há um tipo de amizade que encontramos na Bíblia. Dissemos anteriormente que a amizade é substituída pela comunhão, porque a amizade se baseia na vida natural, enquanto a comunhão está fundamentada na vida espiritual que há em nós.
Mas a Escritura nos apresenta uma exceção: um tipo diferente de amizade. Deus chamou Abraão de Seu amigo. Abraão era amigo de Deus. Deus também tratou Moisés como amigo; Ele falou com Moisés como se fala com um amigo.
Quando nosso Senhor Jesus estava na terra, Ele chamou Seus discípulos de Seus amigos. Em Lucas 12:4, Ele disse:
Meus amigos, não temais os que matam o corpo.
Ele estava falando com Seus discípulos.
Em João 15:14, Ele disse:
Vós sois Meus amigos, se fazeis o que Eu vos mando.
Ele compartilhou Seu coração com eles. Curiosamente, Ele até chamou Judas de amigo.
Em Mateus 26:50, quando Judas veio com uma multidão para prender o Senhor, aproximou-se e O beijou, e o Senhor disse:
Amigo, faze aquilo para que vieste.
Até o apóstolo João, em sua velhice, quando escreveu 3 João 1:15, disse:
Os amigos te saúdam. Saúda os amigos pelo nome.
Portanto, irmãos e irmãs, há uma amizade nas Escrituras.
Não é amizade com o mundo, mas um tipo mais elevado de amizade. Em certo sentido, é a condescendência Daquele que é superior para com aquele que é inferior.
Assim como Deus Se dispôs a tomar Abraão e Moisés como Seus amigos, nosso Senhor Jesus tomou Seus discípulos consigo, chamou-os de amigos e compartilhou Seu coração com eles. Ele era amigo de pecadores e publicanos. Até chamou Seu inimigo de “amigo”.
Isso mostra Seu amor e Sua condescendência. Esse tipo de amizade é permitido na Bíblia.
Por fim, enquanto vivemos nesta terra, temos uma vida pessoal a viver. Isso é muito importante. Não podemos nos esquecer da nossa vida pessoal e tentar nos esconder no meio da multidão.
Também temos uma vida familiar a viver, uma vida da igreja a viver e uma vida social a viver. Todos esses aspectos da vida são muito exigentes, quase como se cada um exigisse todo o nosso tempo. No entanto, temos apenas vinte e quatro horas, e precisamos descansar e dormir.
Como vamos administrar tudo isso e viver uma vida cristã equilibrada diante de todas essas exigências?
Lembro-me de quando estava na China. Entre nós, enfatizávamos tanto a vida da igreja que tínhamos reuniões todas as noites. Por causa disso, negligenciávamos nossa vida familiar. Esse era o problema quando estávamos na China.
Mas, quando vim para este país, vi o contrário. Entre os cristãos, sacrificava-se a vida da igreja por causa da vida familiar. A vida familiar é muito exigente, especialmente neste país.
Não é apenas a escola que exige muito; as atividades depois da escola também exigem muito. Os pais sentem-se obrigados a atender a essas demandas e, por causa disso, os filhos se tornam mais importantes do que Cristo. A vida familiar se torna mais importante do que a vida da igreja. É exatamente o oposto.
Reconheço que é muito difícil distribuir o tempo de modo adequado para fazer a coisa certa. Essa é a razão pela qual Colossenses 4:5 diz:
Andai com sabedoria.
Precisamos de sabedoria para andar diante do mundo e aproveitar as oportunidades — remir nosso tempo, para que ele não seja desperdiçado, mas usado segundo a Palavra de Deus.
Irmãos e irmãs, sei que precisamos de sabedoria. Tiago diz que, se você precisa de sabedoria, deve orar com fé, crendo, e Deus lhe dará sabedoria.
Precisamos ir ao Senhor em oração. Cada um de nós precisa fazer isso; ninguém pode decidir por você como viver em todas essas áreas.
Lembrem-se de uma única coisa: vocês vivem por uma só vida — a vida de Cristo. Na sua vida pessoal, você vive pela vida de Cristo. Na sua vida familiar, você vive pela vida de Cristo, não pela sua própria vida. Seja na vida da igreja ou na vida social, você vive pela vida de Cristo, não pela sua própria vida.
Isso é certo. Se isso está definido, então a maneira de dividir e distribuir o tempo exige sabedoria. Não temos essa sabedoria; tendemos a ser desequilibrados. Somente Deus tem sabedoria. Ele é a fonte da sabedoria.
Portanto, precisamos orar e pedir ao Senhor que nos mostre como devemos usar nosso tempo para cumprir nossas responsabilidades em todas essas áreas. Se orarmos e crermos, o Senhor nos mostrará.
Não existe uma regra fixa para todos. Não posso dizer que você precisa reservar dez horas para isto, cinco horas para aquilo e duas horas para outra coisa. Ninguém pode decidir por você.
Ao mesmo tempo, à medida que você cresce, isso muda conforme a necessidade do momento e a direção do Espírito Santo. Não é algo legalista; é vivo e muda. Quando realmente buscamos o Senhor, Ele nos mostra como fazer isso.
Pensem no nosso Senhor Jesus. Quando tinha doze anos, Ele foi ao templo e tornou-Se um filho da lei. Começou a sentir que era Sua responsabilidade cuidar das coisas do Seu Pai celestial.
Quando Seus pais partiram, Ele permaneceu no templo. Depois de três dias, Seus pais O encontraram e estavam muito preocupados. O Senhor disse, em Lucas 2:49:
Por que Me procuráveis?
Não sabíeis que Me cumpria estar na casa de Meu Pai?
Mas será que Ele ficou no templo e Se recusou a voltar para casa? Não. Ele obedeceu a Seus pais terrenos e voltou para casa com eles.
Ele sabia exatamente como usar Seu tempo. Sendo ainda menor de idade, embora em Seu coração preferisse ter permanecido no templo, Ele sabia que a coisa certa era voltar com Seus pais e obedecer-lhes.
Vemos que Ele permaneceu em casa até os trinta anos. Parece que José deve ter falecido cedo, porque era muito mais velho. Como primogênito, Ele tinha responsabilidade pela família. Provavelmente, Ele sustentava a família.
Ele era chamado de carpinteiro. Isso era uma perda de tempo? Não. Quando cuidava de Sua família, Ele estava servindo a Deus. Era a mesma vida.
Então, quando Ele tinha trinta anos, provavelmente Seus irmãos e irmãs terrenos já haviam crescido, e Sua responsabilidade pela família havia terminado. Foi então que Ele saiu e Se dedicou inteiramente ao ministério.
Mesmo assim, quando estava na cruz, Ele ainda cuidava de Sua mãe terrena. Ele confiou Sua mãe terrena aos cuidados de João.
Irmãos e irmãs, enquanto nosso Senhor Jesus estava na terra, Ele sabia como usar Seu tempo. Tinha compaixão das pessoas. Pregava a elas e as servia. Quase não tinha tempo para comer; contudo, também procurava proporcionar algum descanso a Seus discípulos.
Ele Se levantava de madrugada e ia ao deserto para orar. Sabia como distribuir Seu tempo para fazer exatamente o que Seu Pai celestial queria que Ele fizesse.
A vida não é estática; ela é viva. Se tivermos esse coração diante do Senhor, conhecermos nossa posição, vivermos pela vida de Cristo em nós e buscarmos o Senhor para receber sabedoria, Ele nos mostrará o que fazer.
É uma questão de vida, não de lei. É graça. Ao agir assim, você tem paz no coração.
O exercício espiritual é uma necessidade. Você não poderá ter essa sabedoria se não exercitar seu espírito e orar. Não poderá viver em nenhuma área da maneira que Deus deseja se não viver pela vida de Cristo.
Assim como Paulo disse em Filipenses 1:21:
Porque para mim o viver é Cristo.
Esse é o resultado do exercício espiritual. Que o Senhor nos ajude.
Querido Senhor, entregamos estas palavras dispersas em Tuas mãos. Oramos, Senhor, para que, se for do Teu agrado, Tu uses a Tua Palavra para nos libertar, a fim de que vivamos uma vida segundo a Tua vontade.
Que cresçamos espiritualmente e sejamos úteis em Tuas mãos. Pedimos a Tua bênção sobre cada um de nós. Em Teu precioso nome, amém.