Por favor, abram em Efésios, na carta aos Efésios, capítulo 5. Começaremos em Efésios 5:21 e seguiremos até Efésios 6:4.
Sujeitando-vos uns aos outros no temor de Cristo.
Mulheres, sujeitai-vos a vossos próprios maridos, como ao Senhor.
Porque o marido é a cabeça da mulher, como também Cristo é a Cabeça da assembleia; e Ele é o Salvador do corpo.
Mas, assim como a assembleia está sujeita a Cristo, assim também as mulheres sejam em tudo a seus próprios maridos.Maridos, amai vossas próprias mulheres, como também o Cristo amou a assembleia e entregou-Se por ela;
a fim de que Ele a santificasse, purificando-a pela lavagem da água, pela Palavra,
para que Ele apresentasse a Si mesmo a assembleia gloriosa, sem mancha, nem ruga, nem coisa semelhante; mas para que fosse santa e irrepreensível.Assim devem também os homens amar suas próprias mulheres como a seus próprios corpos. Quem ama sua própria mulher ama a si mesmo.
Porque ninguém jamais odiou a sua própria carne, mas a alimenta e dela cuida, como também o Cristo à assembleia;
porque somos membros do Seu corpo, da Sua carne e dos Seus ossos.Por isso, deixará o homem seu pai e sua mãe e unir-se-á à sua mulher, e os dois serão uma só carne.
Grande é este mistério, mas eu falo quanto a Cristo e quanto à assembleia.
Todavia, também vós, cada um de vós, ame sua própria mulher como a si mesmo; e, quanto à mulher, que tema o marido.Filhos, obedecei a vossos pais no Senhor, porque isto é justo.
Honra teu pai e tua mãe, que é o primeiro mandamento com promessa,
para que te vá bem e sejas de longa vida sobre a terra.
E vós, pais, não provoqueis vossos filhos à ira, mas criai-os na disciplina e admoestação do Senhor.
Querido Senhor, nós Te agradecemos por Tua preciosa Palavra, por Tua Palavra viva. Pedimos, Senhor, que abras nosso coração e nosso entendimento, para que sejamos introduzidos no verdadeiro poder da Tua Palavra viva; para que sejamos verdadeiramente transformados em nossa vida familiar e glorifiquemos o Teu nome. Pedimos em Teu precioso nome. Amém.
Nesta manhã, gostaríamos de compartilhar sobre essa questão do exercício espiritual e da nossa vida familiar. Vou começar com uma história.
Hudson Taylor — creio que a maioria de vocês provavelmente conhece seu nome — foi alguém grandemente usado por Deus para levar o evangelho ao interior da China. Vou falar sobre o avô dele.
Quando seu avô era jovem, era um rapaz despreocupado, não muito religioso. Mas chegou o dia em que ele iria se casar. Naquela manhã, ao se levantar, de repente pensou que se casaria naquele dia e sentiu que aquilo era uma grande responsabilidade.
Então foi ao campo para orar. Orou, orou e orou. Esqueceu-se da hora. Na verdade, já era meio-dia, e a noiva e os amigos estavam todos esperando. Eles se perguntavam: “Onde está o noivo?”
Quando terminou de orar, já era meio-dia. De repente, ele se lembrou: “Bem, esta é a hora em que eu deveria estar me casando”. Então correu para o prédio da igreja e se casou.
À noite, quando ele e sua esposa recém-casada iam se deitar, disse a ela: “Precisamos orar”. Então se ajoelhou, fez sua esposa se ajoelhar também e começou a orar.
Sua esposa ficou realmente chocada, porque não entendia o que estava acontecendo. Eles gostavam de dançar. Gostavam do mundo. Agora, de repente, ela percebeu que talvez tivesse se casado com um metodista. Mas foi assim que começaram a vida juntos.
E, vocês sabem, por gerações aquela família serviu ao Senhor. Hudson Taylor era o neto, e agora, creio eu, é a quarta geração de Hudson Taylor que está servindo ao Senhor.
O casamento e a vida familiar são um grande problema hoje. Encontramos esse problema não apenas entre as pessoas do mundo; encontramos esse problema entre o povo de Deus.
Muitos livros são escritos. Muitos conselheiros oferecem bons conselhos. Mas eles não resolvem o problema, porque todas essas coisas ficam na superfície — são superficiais.
Enquanto meditava diante do Senhor, senti que provavelmente a razão é que nos esquecemos do que Deus disse sobre a família.
Nós, como povo de Deus, consideramos a família algo terreno, algo natural, algo que podemos administrar por nós mesmos. Em outras palavras, consideramos a família como nossa: “É o meu castelo”.
Tentamos viver a vida familiar por nossa própria vida natural. Sabemos o que fazer. Parece que nascemos naturalmente para ser pais, para ser mães, para ser maridos, para ser esposas e para ser filhos. Sabemos como nos comportar, e usamos nossa sabedoria, nossa experiência e tudo o que temos, fazendo o melhor possível para edificar nossa família.
Alguma vez vocês já se perguntaram: qual é o conceito de Deus sobre a família? Qual é o propósito de Deus para a família?
Ao ler sobre a criação do homem, encontramos em Gênesis 1:27 que Deus criou o homem à Sua própria imagem:
À Sua própria imagem Ele o criou; macho e fêmea Ele os criou.
Em outras palavras, quando Deus criou o homem, Ele o criou como homem e mulher. Dito de outra maneira, Ele tinha uma família em vista.
Muitas vezes pensamos que fomos criados individualmente — um, mais um, mais um. Esquecemos que, quando Deus criou o homem, o homem era um ser coletivo. Ele é homem e mulher, e os dois são unidos em uma só carne.
Ao ler Gênesis 2:18, vemos que o Senhor Deus disse:
Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma auxiliadora, semelhante a ele.
E Deus fez a mulher a partir do homem e os uniu.
Por que não é bom que o homem esteja só? Normalmente entendemos assim: porque o homem tem necessidades, ele precisa que suas necessidades sejam satisfeitas. Em outras palavras, olhamos para a Palavra de Deus exclusivamente do nosso ponto de vista.
Se adotamos esse tipo de ponto de vista, não é de admirar que a situação da família hoje seja tão séria e terrível.
Por que Deus disse:
Não é bom que o homem esteja só?
Porque, em Seu propósito na criação, Deus não quer criar um homem isolado. Ele quer criar um homem que seja uma união de homem e mulher.
Em outras palavras, o Adão que Ele criou era apenas uma metade e, por ser uma metade, não estava completo. Não apenas estava incompleto, como também jamais poderia cumprir o propósito de Deus ao criar o homem.
O propósito de Deus ao criar o homem é tão nobre que nenhuma pessoa sozinha pode cumpri-lo. É necessária uma família para cumpri-lo. É por isso que Deus disse:
Não é bom que o homem esteja só.
A família, aos olhos de Deus, é santa. “Santa” significa que ela é algo separado. Não é mundana, não é terrena; é algo espiritual e celestial.
Muitas vezes nos esquecemos de que a família é santa. Nós a tratamos como se fosse algo natural e, ao mesmo tempo, tentamos resolver todos os problemas familiares com nossa sabedoria natural, nossa experiência e nossa boa vontade. Mas descobrimos que é algo que está além de nós.
Então, penso que, antes de tudo, quando falamos de vida familiar, precisamos ver que a família não tem sua origem no homem. Ela tem sua origem em Deus, e Deus tem um propósito definido ao estabelecer famílias, porque Ele quer usar a família para cumprir o Seu propósito.
Em primeiro lugar, sinto que, ao considerarmos a vida familiar, precisamos reconhecer a necessidade do exercício espiritual. Pergunto-me se alguma vez exercitamos nosso espírito em relação à nossa família.
Será que realmente buscamos o Senhor quando procuramos alguém com quem nos casar? Você considera sua família como sua, ou considera que a família pertence ao Senhor e que o Senhor é a favor da família? Creio que há um conceito básico que precisamos mudar.
Se realmente virmos que a família vem de Deus e existe para Deus, perceberemos imediatamente que não podemos viver a vida familiar por nossa própria vida natural, pela vida do nosso eu. Como essa vida do eu precisa ser tratada!
Há apenas uma maneira de realmente realizar a vida familiar: precisamos vivê-la pela vida de Cristo, e não por nós mesmos.
Pergunto-me se esse pensamento alguma vez passou por nossa mente. Assim como nossa vida pessoal como cristãos não pode ser vivida por nossa vida natural, pela vida do eu, da mesma forma nossa vida familiar não pode se realizar a menos que estejamos dispostos a vivê-la pela vida de Cristo, em vez de pela nossa própria vida. Isso é tão importante quanto na vida individual.
Irmãos e irmãs, enquanto esperava diante do Senhor, senti que há um conceito que precisa ser ajustado. Precisamos ver nossa família como pertencente ao Senhor, e não como algo apenas nosso.
O benefício que recebemos da família é um resultado secundário. O benefício que Deus recebe, se posso dizer assim, é a razão principal da família. Nossa família é Dele, não nossa.
Se assumirmos essa posição, creio que haverá uma mudança tremenda em nossa vida familiar.
Vocês se lembram de Josué, aquele que conduziu os filhos de Israel à terra prometida. Na velhice, ele desafiou os filhos de Israel: “Para quem vocês vão viver?”
Ele disse: “Se vocês querem viver para os ídolos dos egípcios, ou mesmo para os ídolos dos cananeus…”
Mas, quanto a mim e à minha família, serviremos ao Senhor.
Creio que esse é o princípio básico da família. Por que tenho uma família? Como vivo como membro da família, seja como marido, esposa, mãe, pai, filho, irmão ou irmã? Como vivemos nossa vida familiar?
A primeira coisa que precisamos ver é que nossa família existe por uma razão: servir ao Senhor.
Normalmente pensamos que nossa família nos serve, serve ao nosso propósito. Como estamos enganados! Precisamos ver que, antes de tudo, nossa família deve servir ao propósito de Deus. Se isso é verdade, então você não pode viver sua vida familiar por sua vida natural, pela vida do seu eu.
É por isso que sinto que precisamos voltar aos princípios básicos da Bíblia. Como podemos restaurar nossa vida familiar de acordo com o propósito de Deus?
Na obra de Deus, há uma ordem. Deus governa este mundo segundo uma ordem — não apenas no governo, mas também na família.
Encontramos em 1 Coríntios 11:3:
Cristo é a Cabeça de todo homem;
a cabeça da mulher é o homem;
e a Cabeça de Cristo é Deus.
A base da ordem divina já foi demonstrada por Cristo Jesus.
No que diz respeito à vida, o Filho compartilha a mesma vida que o Pai. Ele disse:
Eu e o Pai somos um.
Ele é a plenitude da Divindade; toda a plenitude da Divindade habita Nele corporalmente. Eles são iguais, e ser igual a Deus não é algo a que Ele precise Se agarrar. Isso já é Seu.
No que diz respeito à vida, Eles são iguais. Mas, por causa da obra de Deus, nosso Senhor Jesus esvaziou-Se. Ele tomou a forma de servo.
Durante toda a Sua vida na terra, Seu princípio de vida foi submeter-Se, obedecer ao Pai — a ponto de ser obediente até a morte, e morte de cruz.
Ele nos demonstra plenamente essa ordem divina: como Se colocou inteiramente sob a autoridade de Seu Pai. Ele chegou a dizer que não tinha o direito de falar coisa alguma por Si mesmo; só podia dizer o que ouvira Seu Pai dizer. Não podia fazer coisa alguma por Si mesmo, a menos que visse Seu Pai fazê-la.
Nem mesmo o Seu tempo era Seu. Ele esperava pelo tempo que Seu Pai havia determinado. Ele nos mostra que não se trata de uma questão de vida; trata-se de uma questão de ordem.
Irmãos e irmãs, existe um tipo de mal-entendido: por que o marido deve ser a cabeça da família? Por que a esposa deve se submeter ao marido? Não somos iguais?
Não é verdade que muitas vezes as irmãs são mais espirituais que os irmãos? Isso é comum. A esposa geralmente é mais espiritual que o marido. Então, por que Deus determinou que o marido seja a cabeça da família e que a esposa seja o corpo da família, para realizar as coisas que precisam ser feitas?
Por quê? Isso não é desigual? Agora estamos pensando em igualdade. Não, porque, no que diz respeito à vida, a graça de Deus não faz acepção de pessoas. Não é por você ser homem que necessariamente será mais espiritual. Não, muitas vezes é exatamente o contrário.
A vida é a mesma. É por causa da obra; é por causa da família, para que a família possa cumprir o propósito de Deus. É necessária a cooperação.
Falando segundo nossa natureza, todos querem mandar. “Por que eu deveria estar debaixo de alguém? Por que deveria me submeter a alguém?” Todos queremos mandar. Vocês sabem, essa é a natureza humana.
Olhem para os discípulos do nosso Senhor Jesus. Embora viessem de uma origem humilde, vemos que estavam sempre discutindo entre si sobre quem era o maior. Queriam autoridade; não queriam submissão.
Nosso Senhor Jesus precisou ensiná-los repetidas vezes — não apenas com palavras, mas pelo exemplo. Ele tomou uma criança, colocou-a no meio deles e disse:
Se não vos converterdes como uma criança, não podeis entrar no reino de Deus.
O maior no reino é como esta criança.
Naturalmente, não queremos submissão; queremos autoridade. Isso não é verdade apenas na vida familiar; também é verdade na igreja. Não queremos a ordem de Deus, porque queremos mandar.
Mas o caminho para a autoridade passa pela submissão.
É por isso que sinto que, ao ler Efésios 5, geralmente começamos a seção sobre a família em Efésios 5:22. É assim que a encontramos dividida na Bíblia.
Antes disso, encontramos como precisamos viver diante do Senhor, como precisamos ser gratos ao Senhor, como precisamos cantar salmos ao Senhor e todas essas coisas. Depois encontramos a seção sobre a família. Normalmente colocamos Efésios 5:21 no parágrafo anterior. Por quê? Porque sentimos que ele parece não se encaixar em nada.
Se compararmos Efésios 5 e Colossenses 3, veremos que esse versículo não está em Colossenses 3.
Sujeitando-vos uns aos outros no temor de Cristo.
Isso não está em Colossenses 3. Em Colossenses 3, o trecho termina com ações de graças a Deus, e então outro parágrafo começa com as esposas.
Agora, onde vocês colocam Efésios 5:21? Para mim, sinto que esse versículo deveria, naturalmente — ou devo dizer sobrenaturalmente? —, ser o início da passagem que começa em Efésios 5:22.
Como uma esposa pode se submeter ao marido? Como um marido pode ser a cabeça da família? O caminho é Efésios 5:21: sujeitando-nos uns aos outros no temor de Cristo.
A menos que Cristo entre nessa relação, a esposa jamais poderá ser alguém que se submete ao marido, nem o marido poderá exercer corretamente a autoridade. O marido abusará de sua autoridade, pensando que ele é a autoridade: “Então, me escute”. Isso é despotismo.
E a esposa diz: “Quem é você para que eu tenha de me submeter a você? Eu sei mais do que você”. Isso é natural. Todos fazemos isso.
Mas lembrem-se: a família é sobrenatural. Por isso, a única maneira de viver nossa vida familiar é sobrenatural. Ela precisa vir do alto. Precisa ser Cristo.
Cristo, por Seu exemplo, nos diz que Ele chega à autoridade por meio da submissão.
Deus O exaltou soberanamente e Lhe deu um nome que está acima de todo nome;
para que, ao nome de Jesus, todo joelho se dobre,
e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor.
Na verdade, é mais difícil exercer autoridade do que se submeter. Quando você se submete, a responsabilidade não é sua. Mas, quando exerce autoridade, ah, a responsabilidade é sua.
Isso vale igualmente para os dois: não é porque seja mais fácil exercer autoridade ou mais fácil se submeter. Naturalmente, não conseguimos fazer nenhuma das duas coisas. Precisamos da vida de Cristo.
Assim, vemos que a vida familiar começa com a submissão de uns aos outros no temor de Cristo. Quando olhamos para nós mesmos, não conseguimos nos submeter. Mas, se tivermos o temor de Cristo, a submissão será nossa reação sobrenaturalmente natural.
Cristo é a Cabeça tanto dos homens quanto das mulheres. Deus O fez Cabeça sobre todas as coisas.
O temor de Cristo aqui não é o medo em que normalmente pensamos. O medo em que normalmente pensamos é o medo de um escravo, porque ele é escravo e tem medo de seu senhor. Do que ele tem medo? Tem medo do castigo.
Mas este é o temor de um filho. É o temor que Cristo tem para com Seu Pai, e esse temor não é nada negativo. Não há castigo nele.
É o temor de desagradar ao Pai, a Quem Ele ama. Esse é o temor.
Quanto ao medo do castigo, a Bíblia diz:
O perfeito amor lança fora o medo.
Não há medo de castigo no perfeito amor. Mas há o temor de Deus, o temor de Cristo, que nós, como filhos de Deus, devemos ter.
Tememos desagradá-Lo. Queremos agradá-Lo e tomamos muito cuidado para não desagradá-Lo.
Se esse é o espírito dentro de nós — o temor de Cristo —, então a submissão é o que devemos praticar. O homem quer se submeter à mulher, e a mulher quer se submeter ao homem. Eles não pensam em assumir a autoridade por si mesmos, porque Cristo é a autoridade. Querem agradar ao Senhor.
Irmãos e irmãs, há um espírito que todos precisamos ter. Isso não é verdade apenas na família; também é verdade na igreja.
Como disse nosso irmão Nee, quando você vai à igreja, não procura descobrir sobre quem tem autoridade. Pelo contrário, você vem para descobrir: “A quem devo me submeter?” Essa é a atitude correta, porque é a atitude de Cristo. Ele Se submeteu ao Pai voluntariamente, de bom grado, com alegria.
Ter o espírito de submissão significa ter o amor de Cristo em nós, com a vida de Cristo manifestada em nossa vida. Aprendemos que nosso espírito é um espírito de submissão. Não estamos tentando dominar todo mundo; estamos dispostos a nos submeter.
É com esse tipo de espírito que a ordem divina se estabelece.
Então o marido, no temor de Cristo, treme diante do Senhor e diz: “Senhor, é Tua vontade que eu seja a cabeça da família. Não ouso fazer isso por mim mesmo. Preciso buscar; preciso conhecer a Tua vontade”.
Essa é a maneira correta de exercer autoridade — de ser a cabeça da família. O mesmo se aplica à esposa. Você pensa em Cristo. Assim como Cristo Se submeteu a Deus Pai, com esse mesmo espírito você está disposta a se submeter, para que possam trabalhar juntos como um só.
Caso contrário, como duas pessoas podem estar juntas? Como algum trabalho pode ser realizado se cada uma se torna a cabeça? Onde está o corpo? Tudo o que a cabeça deseja fazer deve ser realizado por meio do corpo. O corpo deve expressar e manifestar a glória da cabeça.
Para mim, sinto que, se lermos com cuidado, Efésios 5:21 deve preceder Efésios 5:22 no que diz respeito à vida familiar. Se pudermos ter esse tipo de espírito, a ordem aparecerá naturalmente.
O marido deve ser a cabeça da família. Mas lembrem-se: para ser a cabeça da família, ele precisa estar submisso a Cristo. Caso contrário, não tem o direito nem a capacidade de ser a cabeça da família.
Como maridos, devemos ser humildes. Devemos tremer diante do Senhor, para não representar Cristo de maneira errada. Quanto à esposa, o mesmo é verdade. Não nos submetemos a homens; nós nos submetemos a Cristo.
Se pudermos ver dessa maneira, veremos que a vida familiar será bela. Haverá harmonia. Eles trabalharão juntos, e o trabalho será realizado.
Como encontramos em Eclesiastes 4:9-12:
Melhor é serem dois do que um;
e o cordão de três dobras não se pode romper.
Irmãos e irmãs, essa é a glória da família: seus membros trabalham juntos para servir a Deus.
A família não se limita apenas ao marido e à esposa. Em uma família há pais e filhos. Assim, vemos que a Escritura nos dá instruções a respeito dos filhos.
Filhos, obedecei a vossos pais.
Porque isso é simplesmente o certo a fazer.
Honra teu pai e tua mãe.
Porque esse é o primeiro mandamento com promessa.
Talvez aqui vocês possam perceber uma pequena diferença. O texto diz:
Filhos, obedecei a vossos pais.
Há uma diferença entre obediência e submissão. Submissão é uma atitude; obediência é um ato.
No que diz respeito a Deus, em nosso relacionamento com Ele, nós nos submetemos absolutamente e obedecemos absolutamente, porque Ele é Deus.
Mas não encontramos na Bíblia que devamos nos submeter e obedecer completamente a qualquer ser humano. Não. Em relação aos seres humanos, precisamos ter o espírito de submissão, mas Deus não exige que obedeçamos em tudo.
Por quê? Porque, quando obedecer a Deus e obedecer ao homem entram em conflito, você precisa obedecer a Deus.
Assim como os discípulos: quando Pedro, Tiago e João estavam diante do conselho, a autoridade máxima do judaísmo, foram proibidos de pregar em nome do Senhor Jesus. O que fizeram? Disseram: “Precisamos pregar. Obedecer a Deus ou obedecer ao homem — o que é certo?”
Mas o texto diz:
Filhos, obedecei a vossos pais.
Em outras palavras, os filhos aqui se referem especialmente aos menores de idade. Quando você ainda não cresceu, quando ainda é menor de idade na família, está sob a responsabilidade de seus pais. Então deve obedecer, porque não pode decidir por si mesmo.
Tomemos, por exemplo, nosso Senhor Jesus. Quando tinha doze anos, Ele foi ao templo. Tornou-Se um filho da lei. Em outras palavras, tinha o direito, no templo e na cidade, de fazer perguntas e responder a perguntas.
Quando Seus pais terrenos voltaram para casa, Ele ficou no templo. Depois de três dias, Seus pais terrenos O encontraram e disseram: “Por que fizeste isso?” Ele disse:
Não Me cumpre estar ocupado com os negócios de Meu Pai?
Mas Ele ficou no templo e Se recusou a voltar para casa? Não. A Bíblia diz que Ele obedeceu a Seus pais terrenos e foi com eles. Por quê? Ele era dependente. Precisava não apenas Se submeter, mas também obedecer.
Mas então encontramos:
Honra teu pai e tua mãe.
Provavelmente isso se refere especialmente àqueles que já cresceram. Agora você é independente. Pensa que não precisa mais de seus pais. Bem, você tem a responsabilidade de honrar seu pai e sua mãe.
Honrá-los é respeitá-los e prover para eles, porque esse é o primeiro mandamento com promessa. Você terá uma vida longa.
Irmãos e irmãs, como filhos, naturalmente somos rebeldes. Essa é nossa vida natural. Queremos viver por conta própria, mandar em nós mesmos. Rebelamo-nos contra qualquer coisa que pareça nos contrariar.
Mas, como menores de idade, como dependentes, aprendam a obedecer a seus pais. Quando vocês crescerem, eles continuarão sendo seus pais, e vocês precisarão honrá-los. Talvez não lhes obedeçam nem façam o que eles querem que façam, mas sua atitude precisa ser de submissão.
Não tentem dizer: “Bem, vocês são todos uns tolos”. Não. Vocês precisam respeitá-los e honrá-los.
Quando leio a Escritura, há algo que me intriga. Não sei se isso também intriga vocês. Quando ela fala sobre os pais, tanto em Efésios quanto em Colossenses, fala apenas dos pais, não das mães — como se as mães não tivessem nenhum papel e não precisassem ser instruídas. É estranho.
Não sei a verdadeira resposta, mas, pelo que consigo perceber, penso que, por um lado, é porque o homem, o marido, é a cabeça da família. Portanto, ele é responsável não apenas pelas necessidades físicas da família, mas também pelas necessidades espirituais.
É por isso que encontramos:
Pais, criai vossos filhos na admoestação e disciplina do Senhor.
Não os magoem a ponto de perderem a vontade de fazer o bem.
Não é verdade que os maridos geralmente negligenciam sua responsabilidade nesse aspecto? Os homens estão tão ocupados com os negócios deste mundo que, por assim dizer, não têm tempo para criar seus filhos na admoestação e disciplina do Senhor.
Quando os homens tentam disciplinar, provavelmente costumam exagerar, porque talvez sua ira tenha se acumulado. Por isso, o texto diz que não devemos magoar nossos filhos a ponto de perderem a vontade.
A responsabilidade é do homem. Você precisa admoestar seus filhos. A admoestação na Escritura tem dois aspectos: um é encorajar, e o outro é advertir. Você precisa encorajar seus filhos no Senhor e também adverti-los contra certas coisas.
E a disciplina — não gostamos da palavra “disciplina”. Gostamos da expressão “formação dos filhos”, mas o significado é o mesmo. Você precisa educar seus filhos no temor do Senhor. Essa é sua responsabilidade.
Não fique tão ocupado com as coisas deste mundo, tentando proporcionar abundância à sua família, a ponto de esquecer sua responsabilidade de criar seus filhos no temor de Cristo.
Mas isso não significa que as esposas sejam sempre perfeitas na criação dos filhos. É bem verdade que, ao ler a história, vocês verão que geralmente são as esposas que realmente passam tempo com os filhos, procurando criá-los da maneira correta.
Vemos que foi assim que Mônica fez com Agostinho. Foi assim que Susanna Wesley criou seus muitos filhos. Todos os dias, ela procurava passar tempo com cada um deles — não necessariamente no mesmo dia, mas se encontrava com cada menino, um por um, e procurava ajudá-lo espiritualmente.
Por isso, não é de admirar que tenhamos John Wesley, Charles Wesley e todos esses filhos bem criados, porque elas estavam cumprindo seu dever.
Irmãos e irmãs, se a família puder ter o temor de Cristo como fundamento, então essa família será edificada, e Deus será glorificado.
Por fim, farei uma sugestão. Antigamente, entre os cristãos, o altar familiar era indispensável.
Em outras palavras, antigamente, em uma família cristã, geralmente todos se reuniam todos os dias. Liam a Bíblia e oravam juntos — era o altar familiar.
Mas agora isso é algo quase desconhecido entre o povo de Deus, porque a vida moderna é muito ocupada e exige muito de nós. Tendemos a negligenciá-lo. Mas, por negligenciá-lo, quanto sofremos!
Ainda me lembro de que, na minha família, quando eu era criança, éramos sete irmãos. Meu pai, todos os dias, exceto quando estava fora, nos reunia antes do jantar.
Ele lia a Bíblia, e todos nós nos ajoelhávamos. Ele nos conduzia em oração. Muitas vezes eu me perguntava por que meu pai nunca nos pedia para orar. Ele sempre dirigia a oração.
Porque ele nos conhecia. Não nos pediria para orar até saber que estávamos realmente no Senhor. Essa impressão me acompanhou por toda a vida.
Lembro-me de uma história. Havia um professor que amava o Senhor. Em sua família, na Inglaterra, ele realizava o altar familiar todas as noites.
Mas um de seus filhos se tornou muito rebelde e não participava daquele altar familiar.
Um dia, quando voltou para casa, ouviu que seu pai ainda estava dirigindo a oração familiar e estava orando por ele.
Ele ficou furioso. “Por que você ora por mim e não pelos outros?” Então saiu de casa.
Mas, graças a Deus, Deus o tocou e o trouxe de volta.
Então, como é importante ter o altar familiar! Sempre sugiro que, apesar da nossa vida moderna tão ocupada, reservemos um tempo. Não leva muito tempo — talvez dez minutos, quinze minutos.
Reúna sua família, porque, como família, seus membros oram juntos; eles se unem.
Se cada um está apenas fazendo o que quer, a família fica dispersa. Vocês não têm uma verdadeira vida familiar.
É por isso que sinto que o exercício espiritual é tão importante. Você precisa exercitar seu espírito para ser um bom marido, exercitar seu espírito para ser uma boa esposa, exercitar seu espírito para ser um bom pai e uma boa mãe, e até exercitar seu espírito para ser um bom filho.
Não é natural; é sobrenatural.
A vida familiar é edificada para a glória de Deus. Que o Senhor nos ajude. Vamos orar?
Querido Senhor, se nunca pensamos que nossa família é Tua, em vez de apenas nossa, pedimos que graves em nosso coração que nossa família é Tua.
Não podemos viver a vida familiar a não ser pela Tua vida. Mostra-nos como exercitar nosso espírito, cada membro da família, para que tenhamos o temor de Cristo, para que a vida de Cristo governe e prevaleça sobre tudo.
Nós Te damos glória em Teu precioso nome. Amém.