Eles compartilham conosco. Bem, recebi uma página inteira de perguntas.
Em primeiro lugar, gostaria de dizer que ninguém pode responder a todas as perguntas. Mesmo quando as pessoas tentam respondê-las, suas respostas ainda são bastante limitadas. O único que pode responder a todas as perguntas, creio que vocês todos sabem, é o próprio Senhor.
É por isso que, na nova aliança, nosso Senhor Jesus estabeleceu uma aliança conosco. Há uma cláusula: se vocês lerem Hebreus 8:11, Ele lhes dirá:
Não precisais de ninguém que vos diga: “Conhece o Senhor”,
porque cada um de vós O conhece em seu interior,
desde o menor até o maior.
Isso está na nova aliança, e hoje somos o povo da nova aliança. Antigamente, como eles não tinham o Espírito Santo, como conheciam o Senhor? Conheciam o Senhor por meio de pessoas que lhes diziam: “Conheça o Senhor”. Pessoas que conheciam as Escrituras e tinham entendimento diziam aos outros: “Conheça o Senhor”.
Mas esse conhecimento é objetivo. Isto é, você reúne conhecimento que vem de fora. Hoje vivemos na nova aliança, e o Senhor nos diz que não precisamos de ninguém que nos diga: “Conheça o Senhor”. Por quê? Porque Ele diz:
Todos O conhecerão em seu interior.
O segundo “conhecer” é diferente do primeiro, porque esse conhecimento é subjetivo. Em outras palavras, é um conhecimento por experiência. Em seu interior, você conhecerá o Senhor, porque o Espírito Santo habita em você, e Ele lhe mostrará o Senhor.
Mesmo os menores — isto é, se você acabou de ser salvo — têm o Espírito Santo em seu interior. Portanto, você tem a oportunidade de conhecer o Senhor dentro de si, por experiência: um conhecimento interior. Se você é o maior, é a mesma coisa; mas, é claro, você O conhece com mais experiência e O conhece mais.
Essa é a nova aliança. Em primeiro lugar, espero que nós, como crentes, exercitemos nosso espírito e procuremos conhecer o Senhor interiormente. Se abrirmos nosso coração ao Senhor, se orarmos a Ele, se esperarmos Nele, Ele nos mostrará, em nosso espírito, qual é a vontade de Deus. Esse é o verdadeiro conhecimento do Senhor.
Ora, se é assim, muitas vezes dizemos que vamos jogar todos os mestres pela janela, porque não precisamos deles. Então, por que Deus levanta mestres, profetas e evangelistas? Não é porque Ele quer que sejamos ensinados apenas de maneira exterior.
Sua vida é muito preciosa para o Senhor. Ele não entregará sua vida aos cuidados de ninguém. Ele mesmo cuidará de sua vida, e faz isso por meio do Espírito Santo, que habita em você.
Mas, como somos seres humanos, temos nossas fraquezas. Talvez entendamos mal o que o Espírito Santo está nos dizendo. Por isso Deus levanta mestres, profetas, evangelistas e pessoas assim — não para dirigir nossa vida, mas para confirmar ou corrigir aquilo que sentimos. Essa é a obra deles.
Em outras palavras, talvez eu possa ajudá-los um pouco com suas perguntas, mas a verdadeira resposta — o Senhor é Quem precisa lhes dar a verdadeira resposta.
Ao examinar todas essas perguntas, sinto que são boas perguntas. Com base na minha pequena experiência, gostaria de compartilhar com vocês como vejo essas coisas. Vocês podem receber isso simplesmente como está, porque é tudo o que sei. Espero compartilhar algo de acordo com a Palavra de Deus, e talvez isso lhes seja útil. Não acho que vá resolver seus problemas, mas pode ajudar. É tudo o que posso fazer.
Vocês têm dois tipos diferentes de perguntas. Um deles não tem relação com o que estão lendo agora, O segredo da vida cristã. As outras perguntas têm relação com O segredo da vida cristã. Agora vou ler a primeira.
O Senhor realizou uma obra especial entre os morávios, entre os Irmãos e na China nas décadas de 1920 e 1930, assim como em outras épocas. Como o Senhor pode realizar uma obra semelhante em nosso meio hoje? O que havia de singular nesses irmãos que permitiu ao Senhor trabalhar? Era porque oravam mais, entregavam mais a própria vida, ou porque o Senhor, soberanamente, fez uma provisão especial para que pudessem seguir Sua verdade? O senhor pode compartilhar conosco sua experiência do avivamento na China, para que aprendamos com a história?
Sinto que o espírito por trás de uma pergunta como essa é digno de elogio. Há uma oração que realmente considero que deveria ser nossa oração constante: a oração de Habacuque. Vocês se lembram de Habacuque, no Antigo Testamento, em Habacuque 3:2. Ele orou:
Aviva, ó Senhor, a Tua obra no meio dos anos.
Portanto, quaisquer que sejam os dias em que vivemos, deve haver, no fundo do nosso ser, uma oração ao Senhor: “Aviva a Tua obra”. Avivar a Tua obra não é aquilo que normalmente entendemos por avivamento.
Creio que vocês já ouviram falar de campanhas de avivamento, conferências de avivamento e reuniões de avivamento. De tempos em tempos, realiza-se uma reunião especial de avivamento, procurando despertar o povo de Deus. Mas, muitas vezes, esses avivamentos vêm e vão. São mais um estímulo às nossas emoções do que uma verdadeira solução para o problema.
Não. “Aviva a Tua obra” está relacionado ao propósito de Deus. Percebemos que Deus está realizando Seu propósito. Vocês se lembram de que nosso Senhor Jesus disse, em João 5:17:
Meu Pai trabalha até agora, e Eu trabalho também.
Há uma obra que Deus está realizando, e essa é a obra de Cristo. É a obra confiada a nós para que Deus possa realizar Seu propósito.
Portanto, em qualquer época em que vivamos, essa deve ser a oração do povo de Deus. Em outras palavras, não estamos preocupados apenas com nossos próprios interesses; estamos preocupados com os interesses de Deus. Por isso digo que o espírito de uma pergunta como essa é digno de elogio. Devemos ter esse espírito.
Embora eu tenha lido sobre o movimento morávio e sobre o movimento dos Irmãos, e suponha que vocês tenham lido ou ouvido falar dessa história, participei daquela obra de avivamento de Deus na China. Por isso, vejo mais de perto o que Deus fez na China.
Na verdade, podemos ver que aquilo foi resultado da oração perseverante e eficaz de duas irmãs: a senhorita Margaret E. Barber e sua sobrinha.
A senhorita Margaret E. Barber foi para Fuzhou, na China, como missionária da Igreja Anglicana. Foi enviada para ensinar em uma escola. Ela conhecia o Senhor e O amava. Enquanto ensinava naquela escola, levou vários alunos ao Senhor.
Por causa disso, despertou a inveja dos outros professores. Eles fizeram algumas acusações contra ela, e a comissão, sem lhe dizer do que era acusada, comunicou que ela deveria voltar à Inglaterra.
Quando perguntou o motivo e quem a estava acusando, recusaram-se a lhe dizer. É claro que ela ficou muito angustiada. Orou ao Senhor. Sentia que aquilo era uma injustiça. Pelo menos deveria saber quem a acusava ou do que era acusada, mas eles se recusaram a lhe dizer.
Enquanto ela orava, o Senhor a chamou. Ele disse: “Eu sou a Cabeça. Você é um membro do Corpo de Cristo, e quem a acusa também é um membro do Corpo de Cristo. Lembre-se: qualquer que seja o membro que sofre, Eu sofro. Então, por que você não fica simplesmente em silêncio?”
E ela se submeteu. Assim, voltou à Inglaterra. Por fim, sua inocência foi reconhecida.
Depois de voltar à Inglaterra, passou a se reunir com um grupo independente liderado por D. M. Panton. Suponho que alguns de vocês tenham lido os escritos de D. M. Panton. Ele foi alguém muito usado pelo Senhor, especialmente na área da profecia.
Enquanto estava lá, sentiu que o Senhor queria que ela voltasse à China. Mas não havia nenhuma missão que a apoiasse, por isso ela se perguntava se deveria voltar. Por fim, alguém lhe disse: “Se o Senhor a envia para lá, então vá”.
Então ela voltou. Como os outros missionários a excluíam, foi para uma aldeia nos arredores de Fuzhou. Veio com sua sobrinha. As duas ficaram na aldeia e procuraram evangelizar seus moradores.
Enquanto faziam isso, ela sentiu em seu coração que, se Deus fosse realizar algo na China, algumas pessoas de formação intelectual precisariam ser alcançadas por Ele, e isso influenciaria a China. Assim, começaram a orar para que o Senhor levantasse algumas pessoas instruídas para iniciar a obra de Deus na China.
Foi principalmente por meio da oração delas que os alunos do Trinity College começaram a receber ajuda dessa irmã. O irmão Watchman Nee foi o mais ajudado, porque ela era muito rigorosa na disciplina. Quando as pessoas a procuravam, eram tratadas, e não conseguiam suportar aquilo.
Graças a Deus por nosso irmão, que conseguiu permanecer sob essa disciplina por muito tempo. Ele mesmo nos contou como, às vezes, sofria por causa de seus cooperadores e sentia que tinha razão. Então ia visitar a senhorita Barber, esperando que ela ficasse do seu lado.
A senhorita Barber sempre lhe dizia: “Seu irmão é mais velho que você. Obedeça ao mais velho”. Ele dizia que ficava muito decepcionado. Mas, pela graça de Deus, aprendeu a lição.
Quando você volta às origens do que Deus fez na China na década de 1920, a razão fundamental daquele avivamento foi a oração perseverante e eficaz da senhorita Barber e de sua sobrinha.
No início da década de 1920, Deus começou a salvar um grupo de alunos do Trinity College. Em cada turma, tanto os melhores quanto os piores alunos foram salvos.
Então, em 1922, procuraram realizar uma reunião pública pela primeira vez. Convidaram uma irmã de Nanquim para participar de sua reunião de avivamento. Essa irmã era a senhorita Ruth Lee, que, naquela época, era editora de uma revista cristã famosa.
A história dela daria uma história à parte. Era uma mulher muito instruída, mas era ateia e contrária ao cristianismo. O Senhor a salvou maravilhosamente. Então a convidaram para dirigir a reunião de avivamento.
Na verdade, ela veio apenas por três dias e depois precisou partir. Mas a obra de Deus havia começado, então os alunos simplesmente continuaram. Foi assim que tudo começou em Fuzhou.
Naquele tempo, o principal encargo deles era a evangelização. Saíam às ruas e pregavam. Durante as férias, iam a outras cidades pregar o evangelho. A atuação era principalmente evangelística.
Mas, enquanto se reuniam, o Senhor começou a abrir os olhos de nosso irmão Watchman Nee. Ao estudar a Bíblia, ele começou a perceber que Deus tinha algo além da evangelização. Deus queria que as pessoas fossem reunidas e edificadas juntas como Sua igreja, como Sua esposa.
Então ele procurou compartilhar isso com seus cooperadores, mas eles não tinham essa visão. Por fim, precisou sair.
Quando acompanhamos a história, vemos que a obra começou, de fato, em Xangai, por causa da situação de guerra. A irmã Ruth Lee, a irmã Peace Wang e outros se mudaram para Xangai. O irmão Nee também foi para lá.
Primeiro se reuniram na casa da irmã Peace Wang. Com o tempo, em 1923, alugaram um local na rua Hardoon, em Xangai, e começaram a se reunir ali.
Graças a Deus, conheci o Senhor na década de 1930. Eu estava no último ano do ensino médio, e organizávamos reuniões cristãs todas as sextas-feiras, depois das aulas. Usávamos o prédio da escola dominical da Igreja Metodista para realizar o que chamávamos de reuniões de mensagens.
Procurávamos convidar todos os pregadores famosos de Xangai para vir pregar para nós. A cada sexta-feira, mudávamos de pregador, até que, depois de algum tempo, havíamos esgotado a lista de todos os pregadores famosos.
Ainda me lembro de que quatro de nós eram responsáveis — dois professores e dois alunos. Conversamos sobre quem deveríamos convidar em seguida. Um dos professores disse: “Ouvi falar de um tal Watchman Nee. Vou tentar encontrá-lo e pedir que venha pregar para nós”.
E foi o que ele fez. Nossa escola ficava no lado oposto de Xangai em relação ao lugar onde o irmão Nee se reunia, e era uma terça-feira. O professor foi participar do estudo bíblico deles. Naquela época, tinham estudo bíblico todas as terças-feiras.
Durante o estudo bíblico, estudavam o que vocês hoje chamariam de “perguntas e respostas” — questões relacionadas ao evangelho. Toda terça-feira, alguém levantava uma pergunta sobre o evangelho, eles tinham comunhão a respeito, e o irmão Nee também falava sobre o assunto.
Depois daquela reunião, o professor pediu ao irmão Nee que viesse pregar para nós, e ele veio. Ainda me lembro de uma sexta-feira à tarde, depois das aulas, quando fui ao prédio da escola dominical daquela Igreja Metodista e fui apresentado ao irmão Watchman Nee. Ele era doze anos mais velho que eu e veio acompanhado de outro irmão.
É claro que ele nos deu uma mensagem evangelística. Ainda me lembro do tema: “Deus está disposto”. Ela foi publicada mais tarde. Fomos tocados, mas, graças a Deus, eu já era salvo.
Desde então, voltei para ouvi-lo pelo menos mais uma vez. Fiquei profundamente impressionado. Naquele tempo, eles se reuniam aos domingos, às duas da tarde. Por causa da distância, não sabíamos quanto tempo levaríamos para chegar, então outro professor e eu saímos cedo e chegamos à uma da tarde.
Entramos no local da reunião. Era uma casa. Havia cadeiras dentro, e no pátio havia bancos compridos, ao ar livre. Não havia ninguém, então éramos os únicos dois naquela sala.
Como éramos jovens, começamos a conversar, a rir e a fazer muito barulho. De repente, a porta dos fundos se abriu, e um irmão entrou e disse: “Por favor, façam silêncio, porque o senhor Nee está descansando no andar de cima”. Nossa, ficamos tão assustados!
Às duas da tarde, o lugar estava cheio. Ninguém conversava. Sempre que as pessoas chegavam, sentavam-se e ficavam lendo a Bíblia ou orando em silêncio. Aquela atmosfera me tocou profundamente.
Às duas da tarde, o irmão Nee desceu e pregou durante duas horas. Não havia movimentação nem atividades externas. A atmosfera realmente tocava a pessoa muito profundamente. Nunca consegui me esquecer daquilo.
Mas, é claro, eu estava entusiasmado demais. Naquele tempo, estava pegando fogo. Até procurava servir ao Senhor à minha própria maneira, então não estava pronto para ouvir mais.
Graças a Deus, depois o Senhor me tirou daquele tipo de atmosfera e me colocou em um congelador espiritual. Eu estava completamente sozinho no dormitório da escola. Foi durante aquele tempo que o Senhor começou a abrir meu coração e a me mostrar Seu caminho.
Naqueles primeiros dias, vimos que o Senhor começou a usar o irmão Nee. Na década de 1930, havia reuniões por toda a costa da China.
Algumas reuniões começaram sem que soubéssemos, especialmente a reunião na Manchúria. O Senhor deu àqueles irmãos a mesma visão. Só depois entramos em contato uns com os outros.
Quando começou a guerra com os japoneses, as pessoas passaram a migrar para o interior da China. Muitos irmãos e irmãs foram para o interior, e nós também os acompanhamos. Foi assim que a obra começou a se expandir.
Depois que a guerra terminou, vimos que a obra de Deus havia se espalhado por toda a China. É assim que Deus trabalha.
Você não pode reproduzir a obra de Deus, mas pode perceber que há alguns princípios por trás dela.
Primeiro: Deus é soberano. Não é porque queremos um avivamento que podemos produzi-lo. Não podemos fazer isso. Deus tem Seu próprio tempo.
De tempos em tempos, na história, vemos que, quando Deus Se move, há um avivamento, uma restauração, algo que chega a afetar o mundo inteiro. Cada ocasião é diferente, mas o princípio é o mesmo.
Quando Deus começa a Se mover, geralmente toca uma pessoa ou algumas pessoas e lhes dá o encargo de orar — de lutar em oração como quem sofre dores de parto.
Você sempre pode investigar as origens de qualquer um dos grupos que existem hoje. Tudo começa muito pequeno — talvez com uma pessoa, talvez com algumas. O Senhor começa a Se revelar a elas, dá-lhes algum entendimento do que Ele deseja, e elas começam a orar e a perseverar até prevalecerem.
Gradualmente, percebemos que o Senhor começa a levantar algo para a restauração de Sua obra. Esse princípio está sempre presente.
Sinto que cada época parece mostrar Deus agindo de maneira diferente. Agora estamos vivendo no fim desta era. Será que Deus, antes da vinda do Senhor, nos dará outro movimento como os que encontramos no passado? Essa é uma pergunta que não sei responder.
Quanto a Deus ainda realizar uma obra visível como essa antes da volta de nosso Senhor, alguns acham que isso acontecerá; outros acham que provavelmente não. Portanto, não sei se teremos, de maneira visível, outro movimento que afetará o mundo inteiro, ou se Deus fará isso de modo mais oculto.
Em outras palavras, Deus fará algo para preparar a Noiva de Cristo. Ele não pode voltar se Sua Noiva não estiver pronta. Ao observarmos o tempo em que vivemos, sentimos que Ele está muito perto.
Não sei se haverá novamente um movimento exterior e visível como esse na história da igreja. Mas uma coisa eu sei: haverá um mover assim em segredo.
Nos últimos dias, Deus Se moverá pelo mundo para conquistar o coração de pessoas em toda parte, como uma minoria — não a igreja inteira sendo avivada, mas os vencedores, aqueles que são fiéis ao Senhor. Eles serão como o filho varão que está nascendo. Quando isso acontecer, chegará a vinda do Senhor.
Muitas vezes, olhando para a situação da igreja hoje, as pessoas me perguntam: “É possível esperar uma igreja gloriosa, sem mácula nem coisa semelhante, para ser a Noiva do Cordeiro?” Não parece que seja assim.
Se você quer que a igreja inteira seja avivada no mundo todo, da maneira como aconteceu no passado, isso parece totalmente impossível. Mas como Deus realizará Seu propósito? Ele o realizará — mas como?
É assim que vejo isso. Com os olhos da fé, podemos perceber que Deus tem Seus caminhos ocultos em todo este mundo. Conheci pessoas em lugares inesperados onde Deus agiu de maneira real, mas isso era desconhecido do mundo.
Portanto, irmãos e irmãs, realmente sinto que esse é nosso encargo e nossa responsabilidade. Devemos orar para que o Senhor avive Sua obra em nossos dias. Talvez isso não venha como esperamos, mas virá.
Se, pela graça de Deus, estivermos entre o remanescente, graças a Deus por Sua misericórdia. É assim que vejo a primeira pergunta.
Agora, a segunda pergunta é: “Por que é tão difícil amar o Senhor? Qual é o seu segredo para manter seu primeiro amor tão vivo até hoje?” Bem, vocês não me conhecem.
Confesso que hoje é muito difícil amar o Senhor, porque estamos vivendo nos últimos dias. A iniquidade prevalece. Como nosso Senhor Jesus disse em Mateus 24:12, por prevalecer a iniquidade, nosso amor esfria.
As tentações do mundo e a época em que vivemos tornam muito difícil amar o Senhor. Podemos perder nosso primeiro amor com muita facilidade. Isso é verdade.
Mas o Senhor diz, em Mateus 24:13:
Aquele que perseverar até o fim será salvo.
Portanto, este é um tempo crítico para nós. Não é fácil manter nosso primeiro amor por Ele.
As exigências desta época, as tentações que nos cercam e a iniquidade que prevalece neste mundo tornam muito fácil perdermos nosso primeiro amor. Então, o que podemos fazer? Como podemos manter nosso primeiro amor?
Lembro-me das palavras do apóstolo Paulo em 2 Timóteo 1:12. Ele diz:
Eu sei em Quem tenho crido,
e estou certo de que Ele é poderoso para guardar o que Lhe confiei até aquele dia.
Em outras palavras, a preservação dos santos não está em nós mesmos. A preservação dos santos depende do Senhor. Ele é capaz de nos guardar; nós não somos.
Por mais que você tente ou se esforce ao máximo, o mundo é forte demais para você. O eu é forte demais. Você não consegue vencer. Para o homem isso é impossível; para Deus, todas as coisas são possíveis.
Então, primeiro, graças a Deus, sabemos em Quem temos crido. Segundo, nós nos entregamos ao Senhor como um depósito para que Ele nos guarde? Se tentarmos guardar a nós mesmos, nós nos perderemos.
Mas, se realmente nos entregarmos ao Senhor, veremos que Ele é capaz de nos guardar até aquele dia. Podemos cair, mas, mesmo que caiamos sete vezes, ainda nos levantaremos novamente. Essa é Sua graça.
Portanto, irmãos e irmãs, tudo o que posso dizer é que o Senhor Jesus Cristo é nossa única garantia. Entregue-se a Ele, e Ele cuidará para que você não perca seu primeiro amor. É tudo o que posso dizer.
Essas são perguntas gerais. Agora chegamos às perguntas feitas depois da leitura de O segredo da vida cristã. Considero O segredo da vida cristã muito útil.
Vocês sabem, A vida cristã normal realmente teve uma influência muito grande sobre o povo de Deus neste mundo. Quando vim para este país, em 1952, esse era o livro que realmente estava despertando os cristãos.
Pastores me contavam como aquele livro havia transformado a vida da igreja. Grandes editores e responsáveis por publicações me diziam como haviam sido transformados. Um editor de uma grande editora me contou que foi transformado pela leitura de O homem espiritual, porque editava livros sobre coisas sobrenaturais assustadoras, e ele mesmo havia se tornado uma pessoa assustadora. Aquele livro o salvou.
Aquele livro realmente ajudou muito, mas, é claro, é um pouco difícil de ler. A razão é que nosso irmão Watchman Nee deu essa mensagem enquanto estava na Europa, e, depois que ele falou, o doutor Kinnear a editou. Portanto, é inglês da Inglaterra — inglês de Londres — e um pouco difícil.
Mas, graças a Deus, antes de o irmão Nee ir para a Europa, em 1936, ele viajou pela China e deu as mesmas mensagens em lugares diferentes. Aqueles ouvintes não eram tão instruídos nem sofisticados, então ele procurou falar com muitas ilustrações e de maneira mais direta. Era muito mais fácil de entender.
Por isso, sinto que este livro, O segredo da vida cristã, é realmente mais fácil de entender do que A vida cristã normal.
Agora, ao lerem esse livro, vocês têm esta pergunta:
Tenho ouvido e aprendido muito sobre o conhecimento da verdade, e muitas vezes o espírito está disposto, mas a carne é fraca. Nós nos encontramos sempre lutando, sem conseguir viver aquilo que aprendemos. O senhor teve uma experiência semelhante nos primeiros anos? Poderia compartilhar conosco como o Senhor o conduziu através disso?
Bem, dou graças a Deus por uma experiência como essa. Se você nunca teve essa experiência, não sei onde você está.
Depois que somos salvos, como disse nesta manhã, temos uma nova vida em nós. Essa nova vida em nós é o que vocês expressam aqui: “O espírito está disposto”. Os incrédulos não têm esse problema, mas, quando você se torna crente, começa a ter esse problema.
Seu espírito está disposto. Como Paulo diz em Romanos 7:18:
O querer está em mim;
mas o realizar o bem, não.
Por quê? Por causa da carne. Então você tem essa experiência de conflito entre o espírito e a carne, ou entre o espírito e a alma.
Você tem duas vidas em seu interior. Tem Cristo em seu espírito; tem o eu em sua alma; e o velho Adão é mais forte do que o jovem Cristo. Essa é nossa experiência.
Como lutamos com essa questão! Até o apóstolo Paulo lutou com ela. Creio que é uma experiência pela qual precisamos passar, porque, por meio dela, começamos a entrar no verdadeiro conhecimento.
O conhecimento que acumulamos de fora — o conhecimento bíblico e da verdade — é objetivo. Você o conhece, mas, em vez de libertá-lo, ele o condena.
Essa é minha experiência. Quando eu não sabia, sentia-me melhor. Mas, porque sabia, era condenado.
Vocês se lembram de que, em João 16:8-10, o Senhor disse que, quando o Espírito Santo viesse, vocês seriam convencidos do pecado, porque não creem em Mim; e da justiça, porque vou para Meu Pai. Em outras palavras, nosso Senhor Jesus pôde voltar ao Pai, mas nós não podemos ir para lá, porque não somos justos. Portanto, isso nos condena.
Graças a Deus, é dessa maneira que o Senhor procura nos libertar. Passaremos por experiências assim até chegar um dia em que, como Paulo, diremos, em Romanos 7:24:
Miserável homem que eu sou!
Quem me livrará do corpo desta morte?
Só naquele dia você será liberto. Até lá, continuará lutando, porque está tentando vencer pela própria força.
O propósito de Deus é levá-lo à derrota. Graças a Deus pela derrota. Se você for bem-sucedido, não aprenderá a lição. Mas, porque fracassa, começa a aprender a lição e chega à mesma conclusão a que Deus já chegou: não há bem algum em sua carne.
Então, não tente mais. O que você pode fazer? Logo em seguida, Romanos 7:25 diz:
Graças a Deus, por Jesus Cristo, nosso Senhor.
É nesse ponto que a crise realmente acontece.
As experiências variam de um cristão para outro. Se vocês lerem O segredo da vida cristã, creio que o irmão Nee compartilhou sua própria experiência. Ele já estava servindo ao Senhor, mas lutava com essa questão.
Disseram-lhe o que está em Romanos 6:6:
Nosso velho homem foi crucificado com Cristo.
Disseram-lhe, com base em Romanos 6:11, que deveria se considerar morto. Então ele procurava considerar-se morto, considerar-se morto, considerar-se morto. Quanto mais se considerava morto, mais vivo ficava.
Ele passou por essa luta durante alguns anos, até que um dia, enquanto lia as Escrituras, Deus de repente lhe deu uma revelação, uma luz. Ele viu que Deus o havia colocado em Cristo. Portanto, quando Cristo morreu, ele morreu. Isso é um fato.
Vocês se lembram de como ele saiu correndo de seu quarto e, na cozinha, encontrou seu irmão. Disse ao irmão: “Você sabe que eu morri?”
Quando lemos livros assim, tudo parece tão marcante. Talvez você espere ter uma experiência igualmente marcante. Esse é o problema de ler biografias, porque elas sempre apresentam algo extraordinário; caso contrário, não seriam interessantes.
Mas, quando chegamos aos fatos reais, é diferente. Deus trata cada pessoa de maneira diferente. Por quê? Porque todos nós temos temperamentos diferentes.
Sempre digo que não apenas a aparência física de cada um é diferente, mas também o formato da alma de cada um é diferente. Olhe para o rosto: uma pequena área, com apenas cinco traços, e Deus consegue organizar essas cinco coisas em seu rosto e tornar cada pessoa diferente. Até os gêmeos são diferentes. Maravilhoso!
Quando Deus nos deu nossa alma, ela também recebeu um formato, e esse formato é diferente em cada pessoa. O formato da nossa alma é o que hoje chamamos de temperamento. Você nasce com determinado temperamento.
Algumas pessoas nascem rápidas; outras, lentas. Algumas são extrovertidas; outras, introvertidas. Cada pessoa é diferente. Quando observamos como Deus trata as pessoas, vemos que Ele as trata de acordo com seu temperamento.
Para algumas pessoas, a experiência espiritual é marcante — uma crise, depois outra crise. É assim que crescem. Mas outras crescem gradualmente até que um dia, sem perceber, atravessam o Rubicão e já estão em outro lugar. Até a maneira como Deus fala é assim.
Quanto à minha pequena experiência, de acordo com meu temperamento, cresci nisso muito lentamente. Mas então, um dia, tudo pareceu ficar claro.
Isso não significa que você não fracasse mais. Você continua a fracassar, mas, pela graça de Deus, a recuperação é mais rápida. Não significa que, por ter atravessado, por assim dizer, o limiar, você seja perfeito. Não é assim.
Ninguém pode oferecer uma garantia para a vida toda. Você precisa depender do Senhor. Ele é o único que pode preservar.
Encontramos em 1 Tessalonicenses 5:23-24:
E o próprio Deus de paz vos santifique inteiramente;
e sejam conservados íntegros vosso espírito, alma e corpo,
irrepreensíveis na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo.
Fiel é Aquele que vos chama,
o Qual também o fará.
É o nosso Senhor Quem realiza isso. Sem o Senhor Jesus, você não pode fazer nada. Portanto, quando se deparar com uma questão assim, dê graças a Deus por ela, porque é dessa maneira que Deus realiza Sua obra em sua vida.
Continue crendo. Confie Nele cada vez mais. Você começa a perceber que não consegue fazer nada e deixa de tentar por si mesmo. Até que, um dia, isso acontece — talvez algumas pessoas percebam, e outras não —, mas é assim.
Não fique decepcionado. Conheço várias pessoas que, ao ler biografias, sempre procuram ter o mesmo tipo de experiência. Se não a têm, dizem que não possuem a realidade. Não é assim. Confie Nele. Ele sabe como tratar cada pessoa.
Mas o fato é este: você não pode enganar a si mesmo. Se você tem essa realidade, você a tem — não por seu esforço, mas pela graça de Deus. Se não a tem, não pode fingir que tem. Isso não funciona.
Agora, outra pergunta:
Como grupo, na maior parte do tempo estamos lutando com nossas preocupações individuais, sem ter o encargo pela igreja e por Seu reino. Qual seria o caminho para chegarmos a isso como grupo?
Se você ler as Escrituras, quando é que realmente entra na vida do Corpo? É verdade que, quando você é salvo, sabe que não está sozinho. Quando encontra outro cristão, percebe imediatamente que existe um vínculo. Vocês pertencem a um só Corpo. São membros uns dos outros.
Mas, embora tenha essa consciência do Corpo, isso não significa que você tenha chegado à percepção de que precisa viver a vida do Corpo. Você ainda pode continuar vivendo de maneira individual.
Como você chega ao ponto de começar a perceber que, sem o Corpo, não pode viver?
Muitas vezes me lembro da história contada pelo irmão Nee. Quando estava na Inglaterra, ele foi visitar George Cutting. Talvez vocês tenham ouvido falar de George Cutting, porque ele escreveu um folheto chamado Segurança, certeza e gozo.
Além da Bíblia, aquele folheto estava entre as publicações de maior circulação. Por causa daquele pequeno folheto, muitas pessoas realmente compreenderam o que é a salvação.
O irmão Nee foi visitar George Cutting. Naquela época, ele já tinha mais de noventa anos e, às vezes, entrava em coma. O irmão Nee foi visitá-lo. Ele estava dormindo na cama, então o irmão Nee se sentou ao lado, esperando que acordasse.
Quando acordou, disse ao irmão Nee: “Não posso viver sem Ele, e Ele não pode viver sem mim”. Estava se referindo a Deus. Disse: “Não posso viver sem Cristo”, mas também disse: “Cristo não pode viver sem mim”.
Esse era seu entendimento. O irmão Nee queria ampliar isso. Não se trata apenas de não podermos viver sem Ele e de Ele não poder viver sem mim; ele disse que deveríamos chegar ao ponto de perceber: “Não posso viver sem você, e você não pode viver sem mim”. Isso é a vida do Corpo.
Quando começa essa vida do Corpo? Somente com a consagração. A consagração é a chave para isso.
Se você ler Romanos 12:1, encontrará:
Apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo.
Está no plural: “os vossos corpos”. Cada um tem seu próprio corpo.
Aqui, o corpo representa o ser inteiro, porque o texto se refere à conduta. Quando se trata de comportamento e conduta, é o corpo que os expressa. Portanto, não significa apenas o corpo físico; significa o ser inteiro.
Cada um de nós precisa se apresentar como sacrifício vivo. Quando você faz isso, há uma transformação em sua mente. Sua mente será renovada. Então, em Romanos 12:5, você começa a perceber que é um membro do Corpo. Não está sozinho.
A rigor, começamos a enxergar o Corpo — isto é, começamos a perceber que, sem o Corpo, não podemos viver — depois da consagração. Não posso viver sem o Corpo, e o Corpo não pode viver sem mim.
Se vocês leram o livro Servindo no espírito, o irmão Nee deu algumas mensagens em 1949, e há um capítulo sobre consagração. Pensamos que a consagração acontece de uma vez por todas. Não é assim.
A consagração é uma questão diária. É como o holocausto: precisa continuar dia e noite. Você se consagra de acordo com aquilo que compreende.
Quando nos consagramos ao Senhor pela primeira vez, só nos consagramos até onde nossa compreensão alcança. Não é uma consagração plena.
Então, depois que você se consagra, o Senhor começa a trabalhar em sua vida. Ele começa a conduzi-lo a algumas crises e, por meio delas, prova sua consagração. Você descobrirá que sua consagração não é perfeita.
É depois dessas provas que sua consagração começa a se tornar real. Depois que ela novamente se torna real, o Senhor continua a conduzi-lo pelo caminho da consagração, até que você alcance aquilo que Madame Guyon chamou de entrega absoluta.
Portanto, é um processo. Mas, graças a Deus, a consagração realmente começa a abrir seus olhos para que você veja que não pode viver sem o Corpo. Será a primeira vez que você perceberá que pertence ao Corpo.
Caso contrário, você pode saber disso mentalmente, mas, espiritualmente, ainda está sozinho. Precisamos olhar para o Senhor, para que Ele realmente nos conduza pelo caminho da consagração. Cada vez mais, você começará a ter um encargo pela casa de Deus, em vez de se preocupar apenas consigo mesmo e com suas necessidades imediatas.
Agora há outra pergunta de O segredo da vida cristã, com base em Lucas 9:23:
Se queremos seguir o Senhor, precisamos negar a nós mesmos e tomar nossa cruz diariamente. O que é considerado nossa cruz, já que se trata de um exercício diário? Como reconhecemos nossa cruz para não perder a oportunidade? Saberemos disso em nosso espírito, ou é algo a que precisamos estar atentos e vigilantes?
Se Deus quiser, falarei mais sobre isso amanhã. Mas acho que está claro por que o Senhor disse:
Se alguém quer seguir-Me, negue-se a si mesmo,
tome diariamente a sua cruz e siga-Me.
É porque a vida da nossa alma é o problema. É porque queremos salvar a vida da nossa alma. Enquanto a vida da nossa alma for preservada, não poderemos ser transformados e conformados à imagem de Cristo. Vocês podem ver como isso é sério.
Quem é seu inimigo? O mundo, Satanás ou você mesmo? Não percebemos que o eu é o maior inimigo da nossa vida espiritual. É aquilo de que é mais difícil ser liberto.
Essa é a razão pela qual o Senhor diz: “Você precisa negar a si mesmo”. Isso é algo pelo qual você precisa passar; caso contrário, não pode seguir o Senhor, porque foi assim que Ele viveu enquanto esteve na terra.
Agora, o que é uma cruz? Não escolhemos nossa cruz. Não criamos nossa própria cruz, nem para nós mesmos nem para outras pessoas. É o Espírito Santo Quem cuida disso.
Ele nos conhece tão bem. Sabe como tratar a vida da nossa alma — em que estágio e em que área. Ele preparará as cruzes que devemos carregar.
Quando a vontade de Deus e sua vontade se cruzam — isso é uma cruz. Quando a vida da sua alma e aquilo de que Deus Se agrada se cruzam, essa é sua cruz. Aquilo que você ama e aquilo que Ele ama se cruzam: você tem uma cruz.
Todos os dias, em nossa vida cotidiana, encontramos cruzes, sejam elas pessoas, coisas ou acontecimentos. A razão é que Deus quer tratar diariamente a vida do nosso eu.
O que é visível pode ser uma pessoa que contraria você, coisas que o contrariam, ou um acontecimento ou ambiente que o contraria. Mas, na realidade, por trás disso estão o espírito e a carne, o espírito e a alma, Deus e você mesmo. Essa é a cruz que o Espírito Santo prepara.
Quando a cruz chega, se você negar a si mesmo, poderá carregá-la. Se não negar a si mesmo, poderá escapar dela. Mas, se escapar, a vida do seu eu, sua alma, será salva. Há algo bastante singular nisso.
Sabemos disso em nosso espírito? Sim. Não é algo que você apenas procura descobrir pelo raciocínio. Em seu espírito, você sabe o que é.
Muitas vezes, quando algo assim acontece, você tenta encontrar argumentos para escapar: “Isso não é justo”, ou: “Deus tem Seus próprios motivos”. Por um lado, você precisa vigiar e orar para não cair em tentação; isso é verdade.
Mas, por outro lado, não é algo que você só percebe porque está atento à sua chegada. Mesmo que não esteja procurando perceber isso, em seu espírito você sabe. É algo interior; acontece dentro de seu espírito.
Se seu espírito está ativo e é exercitado normalmente, você sabe que tem uma cruz. Mas, se seu espírito está entorpecido, o Espírito Santo pode preparar uma cruz, e ainda assim você não a percebe. Se não a percebe, não a toma.
Portanto, tudo depende da condição do seu espírito. Não pense que deve ficar feliz porque hoje não tem nenhuma cruz. Talvez seu espírito não esteja alerta.
Mas não tente criar cruzes. Madame Guyon — muitas pessoas a admiram muito — amava a cruz e até procurava criar cruzes. Mas isso é ir além da medida.
Simplesmente coloque-se nas mãos de Deus. Ele tem a sabedoria para saber como tratar você e quanto você pode suportar em determinado momento. Ele sabe.
Se a cruz chegar, tenha certeza de que Ele já lhe deu força suficiente para carregá-la, porque Ele a mede de acordo com o que já depositou em sua vida. Graças a Deus por isso. É maravilhoso.
A última pergunta é: “Quando um cristão enfrenta uma crise ou provação, é normal que fique alegre e triste ao mesmo tempo? Por que alguém pode se sentir assim?” Bem, isso é verdade.
Quando você está em uma crise, quando uma cruz atravessa seu caminho, tem sentimentos mistos. Quanto à sua alma, há tristeza; quanto ao seu espírito, se você obedecer, há alegria.
Até nosso Senhor Jesus, vocês se lembram, quando entrou no jardim do Getsêmani, disse, em Mateus 26:38:
Minha alma está triste até a morte.
Por quê? Porque aquela alma sem pecado haveria de ser feita pecado, e Ele precisava provar a morte. Ele estava triste até a morte.
Mas, em Seu espírito, Ele disse, em Lucas 22:42:
Não se faça a Minha vontade, mas a Tua.
Portanto, quando você passa por uma crise assim, descobre que essa é sua experiência.
Voltando à pergunta anterior: “Como podemos experimentar a plenitude de Cristo se não O conhecemos bem? Como podemos conhecer Cristo melhor e com mais clareza, de maneira prática?”
A plenitude de Cristo é sempre algo que está além de nós. Dito de outra maneira, quem pode sondar a plenitude de Cristo? A plenitude de Cristo é a plenitude de Deus.
Nenhuma pessoa, sozinha, pode apreender toda a plenitude de Cristo. É necessário o Corpo inteiro para apreendê-la. É isso que encontramos na segunda oração de Paulo na carta aos Efésios.
Efésios 3:14-21 contém a segunda oração de Paulo. A primeira oração é por revelação: para que Deus nos dê o espírito de sabedoria e de revelação para conhecê-Lo. A segunda oração é para que possamos apreender — não apenas para que Ele revele, mas para que você apreenda aquilo e se aproprie disso.
Como você se apropria disso? Em Efésios 3:16, Paulo ora:
Para que Ele vos conceda, segundo as riquezas da Sua glória,
que sejais fortalecidos com poder por Seu Espírito no homem interior.
Em outras palavras, você não poderá experimentar Cristo e Sua plenitude enquanto seu espírito não se tornar forte. Como nosso espírito pode ficar forte o suficiente para vencer a nós mesmos? Precisamos ser fortalecidos pelo Espírito Santo no homem interior. O homem interior é o espírito.
Quando o Espírito Santo capacita nosso espírito e o fortalece, o que acontece? Efésios 3:17 diz:
Que Cristo habite, pela fé, em vossos corações.
O coração, aqui, é a alma.
O coração é a passagem entre o espírito e a alma. Ele inclui as três funções da alma, mais uma função do espírito: a consciência.
Como seu espírito está forte, a vida do Espírito — Cristo — começa a penetrar na alma e a expulsar, por assim dizer, o eu, que é a vida da alma. Quando isso acontece, você começa a experimentar Cristo.
Então você começa a apreender a plenitude de Cristo juntamente com todo o Corpo. É assim que entra na experiência de Sua plenitude.
Em resumo, isso ajuda vocês um pouco? Se não, olhem para o Senhor, porque somente Ele pode nos salvar até esse ponto.