Bom dia.
Por favor, abram novamente em Mateus 16. Vamos ler Mateus 16:21-27.
Desde então, começou Jesus a mostrar aos Seus discípulos que Lhe era necessário ir a Jerusalém, e padecer muitas coisas dos anciãos, dos principais sacerdotes e dos escribas, e ser morto, e ressuscitar ao terceiro dia.
E Pedro, tomando-O à parte, começou a repreendê-Lo, dizendo: Deus Te seja favorável, Senhor; isso de modo algum Te acontecerá.
Ele, porém, voltando-Se, disse a Pedro: Para trás de Mim, Satanás; tu és para Mim uma pedra de tropeço, porque não cogitas das coisas de Deus, mas das dos homens.
Então disse Jesus aos Seus discípulos: Se alguém quiser vir após Mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me.
Pois quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a sua vida por Minha causa achá-la-á.
Pois que aproveitará ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua vida? Ou que dará o homem em troca da sua vida?
Porque o Filho do Homem virá na glória de Seu Pai, com os Seus anjos; e então retribuirá a cada um segundo as suas obras.
Querido Senhor, queremos agradecer-Te novamente pelo privilégio de nos reunirmos em Teu nome. Queremos agradecer-Te por Tua presença conosco e desejamos abrir o nosso coração a Ti, Senhor, e ouvir o que Tens a nos dizer.
Querido Senhor, fala. Teus servos estão ouvindo — não apenas ouvindo, mas obedecendo. Que o Teu nome seja honrado no meio do Teu povo. Pedimos em Teu precioso nome. Amém.
Na última vez — ontem à noite —, começamos nosso tempo juntos tratando do aspecto coletivo da nossa vida cristã. Graças a Deus, Ele nos salvou. Graças a Deus por nos dar Sua vida. Graças a Deus pela promessa de que Ele nos transformará e nos conformará à Sua própria imagem. Por todos esses privilégios, por todas essas coisas que Ele fez por nós, somos profundamente gratos.
Mas há outra coisa de que precisamos nos lembrar: Deus não nos salvou apenas para o nosso desfrute, apenas por nossa causa. Ele nos salvou com um propósito. Ele nos salvou para que não apenas sejamos semelhantes ao Seu Filho amado, mas para que, juntos, como um só corpo, possamos cumprir tudo o que Ele determinou para nós.
Ou seja, há um aspecto coletivo da nossa vida cristã ao qual precisamos estar atentos. Ontem à noite, mencionamos como, pela revelação do Pai, o Filho é conhecido. Depois que conhecemos o Filho, ocorre uma transformação em nossa vida — de Simão para Pedro, de pó para pedra.
Por que Ele nos transforma de Simão para Pedro, de pó para pedra? Porque nosso Senhor Jesus disse:
Sobre esta rocha edificarei a Minha igreja.
Caso contrário, quase não haveria sentido em sermos transformados, em termos uma nova vida ou em termos a perspectiva de ser conformados à imagem do nosso Senhor Jesus.
O propósito de Deus é usar-nos como Seu material de construção para a Sua igreja, que é o Seu corpo, a plenitude Daquele que enche tudo em todos. É por meio desse corpo que Ele deseja expressar Suas excelências. É por meio de Seu corpo que Ele cumprirá Seu propósito de derrotar Seu arqui-inimigo e colocar tudo debaixo de Seus pés.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, é muito importante que cada um de nós tenha não apenas uma revelação de Cristo, mas também uma revelação do corpo de Cristo. É isso que chamamos de visão celestial.
Vocês se lembram de quando Saulo, o fariseu, estava indo a Damasco para perseguir os que criam no Senhor Jesus. Ao meio-dia, uma luz mais brilhante que o sol resplandeceu sobre ele e, sob aquela luz, ele foi derrubado ao chão.
Então ele ouviu uma voz:
Saulo, Saulo, por que Me persegues?
Dura coisa te é recalcitrar contra os aguilhões.
E Saulo perguntou:
Quem és Tu, Senhor?
Pois ele não tinha uma revelação de Jesus. Mas, naquele mesmo dia, recebeu uma revelação do Pai. Ele disse:
Aprouve a Deus revelar Seu Filho em mim.
Em outras palavras, embora seus olhos naturais tenham ficado cegos sob aquela luz, seus olhos interiores foram abertos. Ele começou a ver que o Homem a Quem perseguia, Jesus de Nazaré, não era outro senão o Filho de Deus, o Senhor de todas as coisas. Com essa revelação, ele se rendeu a Ele.
Mas isso é estranho, de certo modo, porque Saulo era fariseu, e os fariseus eram treinados em lógica. Quando Jesus disse: “Por que Me persegues?”, um fariseu poderia facilmente ter dito: “Isso é impossível. Eu nunca Te vi. Nunca toquei em Ti. Agora Tu estás no céu, e eu estou na terra. Como posso perseguir-Te?”. Esse seria o argumento de um fariseu — razão, lógica.
Mas, em vez disso, ele começou a receber outra revelação ao mesmo tempo. Começou a perceber que, ao tocar nos membros do corpo de Cristo, estava tocando na Cabeça. A Cabeça estava protestando quando os membros de Seu corpo eram tocados.
Portanto, em outras palavras, vemos que o apóstolo Paulo, no caminho de Damasco, recebeu, naquela visão celestial, não apenas uma revelação de Quem é Jesus — e isso é fundamental: Ele é a Cabeça —, mas também recebeu a revelação da igreja. Nosso Senhor Jesus disse:
Edificarei a Minha igreja.
Ao lermos a Bíblia, vemos que Paulo teve uma revelação especial a respeito da igreja como o corpo de Cristo. Em Efésios 1:22-23, ele diz que Deus constituiu Cristo como Cabeça sobre todas as coisas para a igreja, que é o Seu corpo, a plenitude Daquele que enche tudo em todos.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, precisamos das duas revelações. Este é o propósito de Deus: que vejamos Cristo como a Cabeça e Sua igreja como o corpo.
Agora, nesta manhã, gostaríamos de dar um passo adiante. Nosso Senhor Jesus disse:
Edificarei a Minha igreja.
Como Ele edifica Sua igreja?
Muitas vezes, pensamos que fomos incumbidos de edificar Sua igreja. Nós somos aqueles que edificam Sua igreja. Por isso, encontramos pessoas que se chamam de plantadores de igrejas. Elas dizem que vão por toda a terra plantar igrejas.
Mas o que nosso Senhor Jesus disse?
Edificarei a Minha igreja.
Em outras palavras, a igreja é tão preciosa para Ele, significa tanto para Ele, que Ele não delega sua edificação a ninguém. Ele próprio é responsável por edificá-la.
Agora, provavelmente diremos: “O apóstolo Paulo não disse, em 1 Coríntios 3, que era um mestre construtor, um arquiteto?”.
A rigor, o apóstolo Paulo não diz que é o arquiteto, aquele que projeta tudo, ou o construtor principal. Não. O que ele realmente quer dizer é que é um encarregado da obra.
Ele está sob a autoridade do Arquiteto, do Construtor da casa de Deus. Pela graça de Deus, ele entende as plantas e procura seguir cada determinação estabelecida pelo Arquiteto. Ele é um encarregado da obra.
Ele não é apenas um encarregado; todos nós somos trabalhadores. Todos estamos envolvidos nessa construção. Mas Outro é o principal responsável pela edificação. Nossa responsabilidade é apenas construir sob Sua direção e segundo Suas ordens.
O salmista disse:
Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam.
Acho extremamente importante enxergar esse ponto.
Hoje, com boas intenções, é claro, muitas vezes sentimos que temos a responsabilidade de cumprir a Grande Comissão — ir ao mundo e plantar igrejas. Mas precisamos nos lembrar de que, embora seja mandamento do Senhor que façamos discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, e ensinando-lhes todas as coisas que Ele nos ordenou, nosso Senhor Jesus é, Ele próprio, o Construtor.
Agora, gostaríamos de fazer esta pergunta: como o Senhor edifica Sua casa?
Na verdade, quando nosso Senhor Jesus estava na terra, Ele ainda não havia começado a edificá-la. Quando você vai construir alguma coisa, primeiro precisa reunir os materiais. Como pode construir sem materiais?
Foi isso que nosso Senhor Jesus fez durante os trinta e três anos e meio em que esteve na terra. Ele estava preparando materiais para a casa de Deus. Estava buscando e salvando pessoas. Estava discipulando aqueles que criam Nele — não apenas salvando-os, mas discipulando-os. Discipulá-los significa simplesmente torná-los semelhantes a Ele.
Esses eram os materiais para a edificação da igreja, a casa de Deus.
O verdadeiro início da edificação ocorreu depois que nosso Senhor Jesus ascendeu ao céu. Ali, Ele foi ungido por Seu Pai como Senhor e Cristo. Quando aquela unção, derramada sobre Sua cabeça, começou a fluir para o corpo, isso foi o Pentecostes.
Antes de ascender, nosso Senhor Jesus disse aos Seus discípulos: “Voltem a Jerusalém. Esperem até receberem poder do alto, e então serão Minhas testemunhas”.
Em certo sentido, aqueles discípulos deveriam estar prontos para sair por todo o mundo e proclamar o evangelho. Haviam estado com Jesus. Tinham visto Sua morte, Seu sepultamento e Sua ressurreição. Ele lhes apareceu, e eles estavam bastante preparados para sair e pregar o evangelho individualmente.
Mas o Senhor disse: “Não. Voltem a Jerusalém. Esperem ali. Há algo que precisa ser feito primeiro, antes que vocês possam ser enviados ao mundo”.
Então eles voltaram. Infelizmente, encontramos nas Escrituras que quinhentas pessoas viram nosso Senhor Jesus ascender, mas apenas cento e vinte retornaram a Jerusalém. Elas esperaram naquele cenáculo durante dez dias, orando, aguardando e preparando-se.
No dia de Pentecostes, ouviram uma respiração forte. A Bíblia traduz isso como um vento soprando pela casa, mas, na verdade, era uma respiração forte. Quem estava respirando?
Vocês se lembram de quando Deus criou o homem. Ele usou terra vermelha para formar um corpo humano e, então, soprou o fôlego de vida em suas narinas, e o homem tornou-se uma alma vivente. Da mesma forma, vemos que Deus estava, por assim dizer, soprando, e o Espírito Santo veio.
O que o Espírito Santo fez? Sabem, nós somos atraídos pelo som e pelo que vemos. Isso é o Pentecostes para nós. No Pentecostes, ouvimos o som de uma respiração forte. No Pentecostes, vemos línguas como de fogo descendo sobre a cabeça dos cento e vinte. Eles começaram a falar em línguas, glorificando o Senhor.
Isso é o Pentecostes para nós. Mas, segundo as Escrituras, segundo a Palavra de Deus, o que é o Pentecostes? Não são o som e a manifestação visível, porque o som e a manifestação visível mudam.
O Pentecostes é o início do corpo de Cristo. Em 1 Coríntios 12:13, temos a explicação do Pentecostes:
Pois em um só Espírito fomos todos batizados em um só corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos, quer livres; e a todos nós foi dado beber de um só Espírito.
Isso é o Pentecostes. A maravilha do Pentecostes é que, por um só Espírito, aqueles cento e vinte crentes individuais — uma congregação de cento e vinte membros — tornaram-se um corpo, um corpo vivo com cento e vinte membros.
Foi isso que o Espírito Santo fez. Esse é o início do corpo de Cristo na terra. Que corpo era aquele! Naquele mesmo dia, três mil foram acrescentados.
A Bíblia nos diz que eles perseveravam. Todos os que creram no Senhor Jesus, todos os que foram batizados em um só corpo, já não viviam apenas como crentes individuais. Viviam como membros do corpo de Cristo.
Em Atos 2:42, todos perseveravam no ensino e na comunhão dos apóstolos, no partir do pão e nas orações.
Em outras palavras, eles já não eram apenas crentes individuais. Eram um só corpo. Permaneciam juntos no ensino e na comunhão dos apóstolos.
Agora, em Atos 2:42, “ensino” está no singular, “apóstolos” está no plural, e “comunhão” está no singular. O que isso pode significar?
Temos pelo menos doze apóstolos. Cada um desses doze apóstolos tinha seu próprio ensino? Não. Há apenas um ensino, e é o ensino do nosso Senhor Jesus — o ensino que receberam do Senhor e transmitiram a nós.
O ensino dos apóstolos não é outro senão o ensino de Cristo: “O que recebemos, transmitimos a vocês”.
O mesmo acontece com a comunhão. Os apóstolos não tinham suas próprias comunhões. Os crentes de Corinto pensavam que os apóstolos tinham suas próprias comunhões. Alguns diziam: “Eu sou de Paulo”; outros: “Eu sou de Apolo”; outros: “Eu sou de Cefas”; e alguns chegavam a dizer: “Eu sou exclusivamente de Cristo”.
Não, Cristo não está dividido. Todos foram chamados à comunhão do Filho de Deus, Jesus Cristo. Eles têm comunhão com o Pai e com o Filho e compartilham conosco o Pai e o Filho, para que possamos ter comunhão com eles e nossa alegria seja completa.
Portanto, irmãos e irmãs, embora houvesse doze apóstolos, havia apenas um ensino. Embora houvesse doze apóstolos, havia apenas uma comunhão. Esse é o ensino que recebemos, e essa é a comunhão na qual estamos.
Não estamos nesta ou naquela comunhão. Estamos na comunhão do Filho de Deus, Jesus Cristo. Somos um. Há apenas um corpo, assim como há apenas uma Cabeça.
Como eles expressavam sua consciência disso? No partir do pão.
Muitas vezes, damos pouca importância ao partir do pão. Mas, se vocês lerem Atos 2, verão que a igreja primitiva, os primeiros crentes, já naqueles dias partiam o pão diariamente, em cada refeição. Sempre que faziam uma refeição, partiam o pão para lembrar o Senhor.
Mais tarde, vemos que, no primeiro dia da semana, o dia em que nosso Senhor Jesus ressuscitou dentre os mortos, eles partiam o pão juntos. Por causa dos abusos nas refeições, posteriormente separaram a festa de amor do partir do pão. Mas, na igreja primitiva, partiam o pão semana após semana para lembrar o Senhor e aguardar Sua volta. Era o testemunho deles ao mundo.
Ao mesmo tempo, encontramos as orações. Não se tratava de oração pessoal, particular. Eles se reuniam para orar como um só. Era oração coletiva; era a oração da igreja, para que pudessem cumprir a comissão que Deus lhes havia dado.
Essas duas coisas são expressões do corpo de Cristo. Mostram como eles eram um, como não apenas viviam juntos como um só, mas também trabalhavam juntos como um só. Esse foi o início do corpo de Cristo na terra.
Graças a Deus, em apenas trinta e poucos anos, vemos que Seu corpo se expandiu de Jerusalém por toda a Judeia, até Samaria e até os confins da terra — que, naquele tempo, eram Roma. Essa é a história do corpo de Cristo.
Mas o que queremos compartilhar nesta manhã é isto: como nosso Senhor Jesus edifica Sua igreja?
Vocês se lembram de que, depois que nosso Senhor revelou a igreja aos Seus discípulos —
Edificarei a Minha igreja sobre esta rocha, e as portas do Hades não prevalecerão contra ela.
—, Ele começou a dizer-lhes: “Vou a Jerusalém. Serei rejeitado, perseguido e morto; mas, no terceiro dia, ressuscitarei dentre os mortos”.
Quando Pedro ouviu isso, por boa intenção, fez algo. Sabem, ele era uma pessoa que reagia muito depressa. Segurou o Senhor. Pensem nisso. Segurou o Senhor, pôs as mãos sobre Ele e provavelmente O sacudiu. Disse: “Senhor, tem compaixão de Ti mesmo. Não faças isso. De modo algum serás morto”.
Vejam a reação do nosso Senhor Jesus. Ele Se voltou e disse: “Pedro, para trás de Mim, Satanás, porque não cogitas das coisas de Deus; cogitas das coisas dos homens”.
Agora, isso é realmente revelador. Por quê? Porque nosso Senhor Jesus enxergou além das palavras de Pedro.
Pedro disse aquilo por boa intenção, por seu amor natural ao Mestre. Mas nosso Senhor Jesus pôde ver que Satanás estava usando Pedro, tentando dissuadi-Lo de ir à cruz.
Ele veio a este mundo exatamente para esse propósito. Veio para morrer, não para viver. Nasceu para morrer — não por Si mesmo, porque Ele é Aquele que não tem pecado e jamais deveria morrer —, mas veio para morrer por nós.
Ele foi feito pecado por nós, para que nos tornássemos justiça de Deus. Isso é salvação. Foi para isso que Ele veio. É isso que faz Dele o Cristo.
Se Ele não fosse à cruz, não poderia cumprir Sua missão e jamais seria o Cristo.
Logo depois desse episódio, Ele levou três discípulos ao monte, e ali foi transfigurado. A glória emanou Dele. Seu rosto resplandeceu, e até Suas roupas resplandeceram.
Moisés e Elias vieram e conversaram com Ele sobre Sua partida. Em outras palavras, o Verbo Se fez carne e veio a este mundo por meio do ventre de Maria, a virgem. Foi obra do Espírito Santo.
Mas agora Ele iria partir deste mundo e voltar ao Pai. Esse era o assunto da conversa deles: como Jesus partiria deste mundo?
Suponham que nosso Senhor Jesus tivesse partido daquele monte da transfiguração. O que teria acontecido? Haveria apenas um Homem diante de Deus — Jesus. Ele era o único digno de estar na presença de Deus, por causa da justiça, pois foi para o Pai.
Em outras palavras, ninguém mais está apto a ir ao Pai. Se ousássemos nos aproximar do trono, seríamos fulminados. Mas ali estava um Homem que podia permanecer diante do Pai e viver, porque Ele é o Justo. Ele cumpriu toda a justiça.
Mas, se Ele tivesse partido do monte da transfiguração, todos nós teríamos ficado para trás, mortos. Ele não poderia nos salvar, porque não havia morrido por nós.
O que fez de Jesus o Cristo? A cruz. Sem a cruz, Ele nem sequer poderia ser o Cristo. Não seria capaz de cumprir Sua missão. Essa é a Palavra de Deus.
Irmãos e irmãs, Satanás está o tempo todo tentando tirar a cruz de Cristo. Se ele pudesse tirar a cruz de Jesus, não haveria Cristo, não haveria salvação e não haveria fundamento para a edificação da igreja.
Sobre esta rocha edificarei a Minha igreja.
No que diz respeito a Cristo, a cruz é indispensável. Foi para isso que Ele veio, e foi isso que Ele realizou por nós.
Não é lamentável que hoje, até mesmo no cristianismo, as pessoas estejam proclamando um Cristo sem cruz? Proclamam apenas Jesus, aquele Homem perfeito. Enfatizam o Sermão do Monte como a mais elevada ética deste mundo: “Vamos tentar imitá-Lo”.
Irmãos e irmãs, um Cristo sem cruz apenas nos condenará; jamais nos salvará.
Nosso Senhor Jesus enxergou o que havia por trás de Pedro. Pedro, com sua carne bem-intencionada, foi usado por Satanás numa tentativa de frustrar a obra de Deus. É algo terrível.
Graças a Deus, nosso Senhor Jesus não partiu do monte da transfiguração. Ele desceu do monte, foi a Jerusalém, foi ao Calvário e morreu por nós. Irmãos e irmãs, foi assim que Ele lançou o fundamento.
Mas isso não era apenas para Ele. Ele começou a falar aos Seus discípulos:
Se alguém quiser vir após Mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me.
“Se vocês tentarem salvar a vida da alma, irão perdê-la. Se estiverem dispostos a perder a vida da alma por Minha causa, irão ganhá-la. Que proveito terão se perderem a alma e ganharem o mundo inteiro? Não há nada que possam dar em troca dela.”
Irmãos e irmãs, como o Senhor vai edificar Sua casa? Pelo mesmo caminho que Ele próprio percorreu. Para nos edificar como parte de Sua casa, precisamos negar a nós mesmos, tomar nossa cruz diariamente e segui-Lo. Esse é o único caminho.
Infelizmente, hoje vemos que, até mesmo entre os crentes, circula um ensino que diz que não precisamos de cruz alguma. Por quê? Porque somos salvos. Deus nos dará tudo. Ele nos abençoará com toda bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo Jesus.
A cruz não é necessária. Vocês ouvem falar do evangelho da prosperidade. Porque você crê no Senhor, agora é filho de Deus, e Deus vai abençoá-lo. Em vez de um Chevrolet, terá um Cadillac. Aproveite a vida. Vocês são filhos de Deus. Não existe essa história de cruz ou sofrimento. Não há necessidade disso.
Irmãos e irmãs, se é assim, onde estarão os materiais de construção para a casa de Deus?
Nosso Senhor Jesus disse:
No mundo tereis aflições; mas tende bom ânimo; Eu venci o mundo.
Em outras palavras, os cristãos, aqueles que pertencem ao Senhor, aqueles que têm a vida de Cristo Jesus, passarão por tribulações.
Por quê? Porque não pertencem ao mundo. Se você pertencer ao mundo, o mundo lhe será favorável. Mas, se não pertencer a ele, será odiado, rejeitado e perseguido pelo mundo. Você terá de sofrer neste mundo porque é diferente.
É por meio do sofrimento que nossa alma é salva.
Agora, irmãos e irmãs, vocês creem que sua alma precisa ser salva?
Acho que os crentes de hoje muitas vezes têm uma ideia muito equivocada. Pensam que, quando são salvos, está tudo resolvido. Não há mais salvação pela qual precisem passar. Está concluído.
No que diz respeito à salvação realizada pelo Senhor, ela está concluída. Na cruz do Calvário, antes de morrer, Ele disse:
Está consumado.
A obra de salvação realizada por nosso Senhor Jesus na cruz está concluída. Está tudo feito. Nada pode ser acrescentado a ela. Isso é verdade.
Mas, no que diz respeito a recebermos tudo o que Ele fez por nós, ainda há muito a ser feito.
O que chamamos de ser salvo refere-se ao nosso espírito. Nosso espírito morto — morto em pecados e transgressões, separado de toda comunicação com Deus — é vivificado pelo Espírito Santo, renovado pelo Espírito Santo e trazido à vida pelo Espírito Santo.
Quando cremos no Senhor Jesus, temos um novo espírito. Com esse novo espírito, podemos nos comunicar com Deus e clamar: “Aba, Pai”. Sua vida pode habitar em nosso espírito e ser a vida do nosso espírito, e o Espírito Santo habita em nosso espírito para assegurar que essa vida cresça até a maturidade.
É isso que experimentamos quando cremos no Senhor Jesus. Mas e a sua alma? E o seu corpo?
A alma é o que somos. A alma representa a nós mesmos, porque somos uma alma vivente. Sentimos, pensamos e decidimos. É ali que está nossa personalidade. Ela representa o nosso eu.
Mas, infelizmente, quando nossos antepassados pecaram e o pecado entrou neste mundo, a vida do nosso eu tornou-se uma vida caída — contaminada e dominada pelo pecado. A vida da nossa alma, o eu, é um eu caído. Está debaixo da lei do pecado e da morte.
Essa alma precisa ser salva, e a salvação da alma acontece hoje.
Vocês se lembram de que, em 2 Coríntios 1:10, nosso Senhor Jesus nos livrou de tão grande morte, está agora nos livrando e ainda nos livrará.
Em outras palavras, nosso espírito foi salvo quando cremos no Senhor Jesus. Nossa alma está sendo salva hoje. Nosso corpo será salvo na vinda do Senhor, quando este corpo mortal se tornar um corpo imortal e este corpo físico se tornar um corpo espiritual. Essa é a redenção do nosso corpo, quando receberemos nossa adoção como filhos. Isso acontecerá no futuro.
Muitos irmãos e irmãs se esquecem de que estamos sendo salvos diariamente pela graça de Deus. O que nosso Senhor Jesus realizou na cruz está se tornando nossa experiência dia após dia.
Como nossa alma é salva? Não é pela aniquilação da nossa alma.
Às vezes, as pessoas dizem: “Não pense. Não sinta. Não tome decisão alguma”. Se fosse assim, você já não seria uma pessoa. Teria perdido sua personalidade.
Deus nos deu todas essas faculdades para que fossem úteis. Deus não tem a intenção de eliminar nossa alma, porque isso seria eliminar a nós mesmos. Mas Ele vai entregar à morte a vida da nossa alma, para que a vida do nosso eu não faça uso de todas as faculdades da nossa alma.
Em outras palavras, seus pensamentos, sentimentos e decisões procederão de Deus, e não de você mesmo. Expressarão Deus em vez de expressar você. Essa é a salvação da alma. É assim que somos transformados e conformados à imagem de Cristo.
Nesse processo, o que você precisa fazer? Precisa negar a si mesmo, assim como nosso Senhor Jesus negou a Si mesmo. Ele não fazia coisa alguma simplesmente para agradar a Si mesmo. Negou a Si mesmo completamente para obedecer ao Pai, a fim de que a vontade de Seu Pai fosse feita.
Ele Se dispôs a morrer na cruz do Calvário. Esse foi o caminho que Ele percorreu, e é o caminho pelo qual deseja que O sigamos. Esse é o caminho estreito, mas o caminho estreito conduz à vida.
Muitos cristãos hoje desprezam a cruz. Pensam que ela não é necessária. Escolhem o caminho largo, e ele conduz à destruição.
Portanto, irmãos e irmãs, como o Senhor edifica Sua igreja? Aqui estamos nós, Seus materiais, e Ele vai nos usar para edificar Sua igreja. Mas esses materiais têm mistura e impurezas. Precisam ser purificados e santificados, para que Ele possa nos usar.
Ele quer que percorramos o mesmo caminho que Ele percorreu: o caminho da cruz. Negue a si mesmo. Não viva para si mesmo. Não insista em manter sua própria opinião. Não ande segundo seus próprios pensamentos ou seu próprio raciocínio. Não expresse a si mesmo por meio de suas próprias emoções e sentimentos.
Deixem que todas essas coisas sejam cobertas por nosso Senhor Jesus. Deixem que a vida do nosso eu seja substituída pela vida de Cristo.
À medida que somos fortalecidos em nosso espírito, como vemos em Efésios 3, o Espírito Santo dentro de nós fortalece nosso homem interior. Quando nosso homem interior é fortalecido, então Cristo vem e habita em nosso coração.
Em outras palavras, Sua vida já não está apenas em nosso espírito. A partir do nosso espírito, ela entra em nossa alma e substitui o eu por Ele mesmo. Ele reina em nossa alma. Nossos sentimentos são purificados, nossos pensamentos são santificados, e nossas decisões passam a expressar Sua vontade, não a nossa vontade.
Essa é a salvação da nossa alma. O processo está acontecendo hoje, e o resultado final é que, por meio disso, Ele edificará Sua igreja.
Se for assim, as portas do Hades não prevalecerão contra ela. Hoje encontramos reuniões que se dizem igreja, nas quais as portas do Hades prevalecem. Isso acontece por causa da mistura que existe ali.
Se essas misturas forem eliminadas pela purificação, então vocês verão que as portas do Hades não prevalecerão contra ela. É isso que a igreja deve ser.
Portanto, irmãos e irmãs, como o Senhor edifica Sua igreja? Ele edifica Sua igreja primeiro salvando nossa alma e libertando-nos de nós mesmos, mostrando-nos o caminho pelo qual podemos ser santificados e purificados.
Irmãos e irmãs, não tenham medo da cruz. Não tentem criar cruzes para outras pessoas, nem para vocês mesmos.
Quem vai providenciar a cruz para carregarmos diariamente? O Espírito Santo. Ele é perfeitamente sábio. Sabe como nos purificar. Ele organizará nossas circunstâncias, as pessoas que encontramos e os acontecimentos da nossa vida diária.
Nada em nossa vida é casual ou acidental. Até mesmo os cabelos da nossa cabeça estão contados.
Agora, muitas vezes me maravilho com isso. Ninguém jamais contou quantos fios de cabelo você tem. É impossível. Provavelmente você perde cabelo todos os dias, e, ainda assim, a Bíblia diz que nosso Senhor, nosso Deus, numerou cada fio.
Nesta manhã, quando você penteou o cabelo, Ele não apenas sabia quantos fios caíram, mas também sabia quais eram os números daqueles fios. A atenção aos mínimos detalhes, o cuidado do nosso Pai celestial, está além da nossa imaginação.
Se é assim, por que você está preocupado? “O que vou comer? O que vou beber? Com que vou me vestir?” Seu Pai celestial sabe dessas coisas.
Buscai primeiro o reino de Deus e a Sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas.
Irmãos e irmãs, o Espírito Santo está organizando nossas circunstâncias, e Ele é a força dentro de nós, capacitando-nos a carregar nossas cruzes e seguir o Senhor.
Carregar uma cruz significa simplesmente isto: estamos dispostos a abrir mão de nossos próprios sentimentos, pensamentos e vontade, e permitir que os pensamentos, os sentimentos e a vontade do nosso Senhor Jesus se expressem por meio de nós. É isso — muito simples.
O Senhor disse:
Tomai sobre vós o Meu jugo e aprendei de Mim, porque sou manso e humilde de coração;
e encontrareis descanso para as vossas almas.
Graças a Deus, é assim que Ele está edificando Sua igreja. Ele está nos refinando, purificando e santificando, para que sejamos edificados como parte de Sua casa.
Enquanto Ele faz isso, as portas do Hades não prevalecerão contra ela. Pelo contrário, vocês verão que o inimigo será expulso.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, esse é o caminho que o Senhor abriu diante de nós.
Recentemente, tenho recebido cartas e visitas de pessoas que me contam sobre sua vida gloriosa. O que é isso? Elas dizem que agora estão livres de tudo.
Não estão se reunindo com ninguém; estão se reunindo com todos. Em outras palavras, em vez de se reunirem com determinados irmãos e irmãs dia após dia, agora não se vinculam a ninguém. São livres para ir aonde quiserem. Visitam igrejas diferentes a cada domingo e têm comunhão com todo o povo de Deus. Ah, estão tão livres!
Agora, o que posso dizer a elas? São como borboletas. Não são como abelhas. Não produzirão mel algum.
Não apenas isso: ao fazerem isso, onde está a cruz? Se você não convive de perto com seus irmãos e irmãs, não tem cruz para carregar.
Você vive mantendo distância, não é? “Não toque em mim, e eu também não tocarei em você. Divirta-se.” É uma artimanha do inimigo.
Elas pensam que estão vivendo algo glorioso; agora estão livres. Minha pergunta é: onde está a cruz? Onde está a edificação conjunta?
Vejam como o inimigo é astuto. Às vezes, quando nos aproximamos demais, pisamos no pé uns dos outros. Não é fácil. O melhor, pensamos, é manter distância. Mas onde está o corpo?
Irmãos e irmãs, precisamos estar juntos. Precisamos aprender a conviver uns com os outros. Precisamos sofrer uns por causa dos outros.
É assim que seremos libertos. Seremos salvos. Seremos capazes de vencer e de ser edificados juntos. Esse é o caminho de Deus.
Portanto, que o Senhor nos abençoe.
Querido Senhor, nós nos maravilhamos com Tua sabedoria, porque Tu fazes coisas que estão além do nosso raciocínio. Que obra maravilhosa! Tu nos colocaste juntos para que pudesses nos libertar juntos, purificar-nos e santificar-nos juntos e, ao mesmo tempo, edificar Tua igreja para o louvor da Tua glória. Em Teu precioso nome. Amém.