Bem, boa noite mais uma vez, irmãos. Espero que tenham tido um bom dia em união com o Senhor.
Ao nos reunirmos novamente nesta noite para examinar Sua preciosa Palavra, somos lembrados daquele princípio indispensável de todo estudo bíblico e da própria vida: a dependência total do Espírito Santo de Deus. De certa forma, expressamos esse princípio indispensável em oração no último cântico que entoamos juntos.
Permitam-me compartilhar um versículo da Bíblia. Depois, gostaria de orar novamente e entregar nosso tempo a Ele. O texto está em João 14:2-3. Lembrem-se: nosso Senhor Jesus estava prestes a ir para a cruz, e disse:
Na casa de Meu Pai há muitas moradas;
se assim não fora, Eu vo-lo teria dito.
Essa expressão tocou profundamente meu coração: “Se assim não fora, Eu vo-lo teria dito.” Se não fosse assim, seria uma notícia ruim, porque a afirmação é:
Na casa de Meu Pai há muitas moradas.
Se isso não fosse verdade, basicamente, eu não gostaria de ouvir. Seria uma notícia ruim.
E Ele disse:
Se assim não fora, Eu vo-lo teria dito.
Se Ele está tão disposto a nos dar notícias ruins, quanto mais nosso Senhor Jesus está disposto a nos dar boas notícias! Se não fosse assim, Eu lhes teria dito. Se fosse assim, Eu lhes teria dito.
Por isso, Ele enche Seu precioso Livro de boas notícias e deseja muito nos comunicá-las. Então, vamos permitir que Ele faça isso. Vamos orar.
Pai, nós Te agradecemos tanto pela Tua Bíblia e pelo Espírito Santo, Que habita em nosso coração para sempre direcionar nossa fé e voltar os olhos do nosso coração para Ele. Como cantamos, agora oramos: Senhor, queremos mesmo ver Jesus. Queremos mesmo ouvir Jesus.
Pela Tua graça, pedimos que, neste período de meditação, possamos realmente ver o Senhor e ouvir o Senhor. Livra-nos dos homens. Mostra-nos Cristo. Pedimos no nome incomparável de nosso Senhor Jesus. Amém.
Bem, como vocês sabem, irmãos, estamos examinando as maravilhas da vida substituída, ilustradas pelas aparições de nosso Senhor Jesus após a ressurreição, ao longo de aproximadamente quarenta dias.
Parece-me que nosso Senhor Jesus organizou essas aparições após a ressurreição para nos ensinar que Ele não está morto. Por muitas provas infalíveis, mostrou que não está morto. Também nos ensinou que não foi embora. Ele proporcionou aquela maravilhosa transição em que eles puderam se acostumar com a ideia de que Ele ainda estava ali, embora invisível, e embora Sua presença fosse espiritual, e não física.
Eles precisavam saber que Ele não havia ido embora. E eu sugeri — e é isso que estamos examinando neste fim de semana — que Ele apareceu todas aquelas vezes, aquelas doze vezes, para prepará-los para essa nova união, esse novo relacionamento.
Quando chegasse o Pentecostes, descobririam que Ele não estava morto nem havia ido embora, mas estava vivo — e estava vivo neles. Precisavam ser preparados para isso. Era algo novo. Era diferente. Nunca haviam experimentado aquilo.
Relacionar-se com um Cristo que habita em nós era algo tão novo que Ele precisava prepará-los. Além de provar que estava vivo e que não havia ido embora, Ele usou aquelas experiências para estabelecer princípios válidos para todas as épocas. Eles não apenas prepararam aqueles discípulos para aquele dia; também preparam todos os que, desde então, têm aberto este Livro para uma união íntima com o Cristo que habita em nós por Seu precioso Espírito Santo.
Cada uma dessas aparições após a ressurreição estabelece um princípio. Ao aparecer a Maria Madalena, Ele nos ensinou a não nos apegarmos a Ele segundo a carne, e conversamos sobre isso.
Ela pensava que poderia servi-Lo sem a vida Dele. Pensava que poderia explicar os acontecimentos à parte da vida Dele. Pensava que poderia realizar, com sua própria força, seu próprio poder e sua própria capacidade, um ministério à parte da vida Dele.
Mas, pela graça Dele, quando Ele lhe apareceu e disse: “Maria”, ela aprendeu que tudo tinha a ver com relacionamento. Ela exclamou: “Mestre! Rabi!” É uma questão de relacionamento.
E, quando ela deixou as páginas da Bíblia, lembrem-se de suas últimas palavras:
Vi o Senhor.
Preparação número um: se eu vou me relacionar com o Cristo que agora vive dentro de mim, preciso ver o Senhor.
E Deus providenciará isso na sua vida e na minha. Ele conduzirá as circunstâncias para que você finalmente chegue a este ponto: “Tenho feito isto. Tenho corrido de um lado para outro. Tenho me envolvido nisso, em todos os programas e em tudo mais. Mas agora quero ver o Senhor”.
Isso não é tudo, mas é o começo. Essa é a primeira preparação.
Depois, Ele apareceu ao nosso querido irmão Tomé, e examinamos isso nesta manhã. Tomé também precisava ser corrigido. Maria pensava que poderia se apegar a Ele segundo a carne. Tomé pensava que ver ajudaria a crer, e precisava ser corrigido dessa ideia.
Tomé recebeu aquele grande privilégio, embora não o tenha aproveitado plenamente, de estar na mesma posição em que estamos: conhecer Jesus como nós precisamos conhecê-Lo, com base em testemunhas confiáveis.
As testemunhas confiáveis Dele — Seus amigos — tornaram-se nossa Bíblia. Assim, com base no testemunho de Maria, de Pedro, de Tiago, de quinhentas pessoas, dos discípulos de Emaús e dos que estavam no cenáculo, nós também dizemos: “Ele não está morto. Está vivo. Temos testemunhas”.
Maria nos ensina que precisamos ver o Senhor. Tomé nos apresenta um novo caminho: precisamos ver o Senhor neste Livro.
Depois, examinamos por um momento os discípulos de Emaús e como o Senhor Jesus tomou este Livro e, por iluminação — por um milagre, pelo Espírito Santo —, abriu as Escrituras e explicou, em todas elas, as coisas a respeito de Si mesmo.
Mais tarde, eles testemunharam:
Porventura não ardia em nós o nosso coração quando Ele nos falava?
Ele lhes mostrava a Si mesmo em todas as Escrituras.
Preparação: Ele não está morto. Não foi embora. Está vivo. Está vivo em você. Como você vai se relacionar com Ele? Preciso vê-Lo. Preciso vê-Lo neste Livro. Preciso vê-Lo neste Livro pelo ministério de revelação do Espírito Santo, à medida que Ele abre minha mente para compreender as Escrituras.
E, quando encerramos, examinamos por um momento aquele cenáculo, quando nosso Senhor Jesus apareceu e soprou sobre eles. O Pentecostes estava chegando; Ele enviaria o Espírito Santo. Mas eles tiveram uma antecipação disso, não tiveram?
Ele soprou sobre eles, ilustrando que, quando vejo Jesus — quando vejo Jesus neste Livro, pelo Espírito Santo —, há uma nova criação. Ele soprou sobre uma nova criação.
Tudo aquilo era preparação. O Espírito Santo ainda nem havia vindo e, mesmo assim, antecipadamente, eles começaram a compreender. Embora estejamos apenas começando a compreender enquanto Ele nos prepara, irmãos, permitam-me anunciar isso novamente, e então seguiremos adiante.
Ele não está morto. Não foi embora. Está plenamente vivo. E está vivo em você. Queridos irmãos, Ele nos convida a conhecer o Senhor por meio deste Livro, pelo Espírito Santo, para que haja uma nova criação.
Isso nos leva, então, nesta noite, à testemunha final. Pulamos algumas coisas, mas quero chegar a este texto: 1 Coríntios 15:5-10. Vamos reler esses versículos, por favor. Acompanhem a partir do versículo 5.
Apareceu a Cefas e, depois, aos doze.
Depois, apareceu a mais de quinhentos irmãos de uma só vez,
dos quais a maioria permanece até agora, mas alguns já adormeceram.
Depois, apareceu a Tiago e, então, a todos os apóstolos;
e, por último de todos, como a um nascido fora de tempo, apareceu também a mim.
Porque eu sou o menor dos apóstolos e não sou digno de ser chamado apóstolo,
pois persegui a igreja de Deus.
Mas, pela graça de Deus, sou o que sou;
e Sua graça para comigo não foi vã;
antes, trabalhei muito mais do que todos eles;
todavia, não eu, mas a graça de Deus comigo.
Gostaria de voltar, se puderem, a 1 Coríntios 15:8:
Por último de todos, apareceu também a mim.
Agora, sabemos que o Salvador ressuscitado apareceu a outras pessoas depois de aparecer a Paulo — por exemplo, a João, na ilha de Patmos. Na verdade, Ele apareceu outras vezes ao próprio Paulo.
Como sugeri, é estranho que ele volte sete anos em sua memória, faça uma lista daqueles que viram o Senhor literalmente — que O viram com estes olhos: Tomé, Pedro, Cefas, Tiago e quinhentas pessoas — e então diga: “Eu também O vi”. Ele se inclui na lista como se estivesse presente durante aqueles quarenta dias. Não estava. Isso aconteceu sete anos depois.
Por último de todos, apareceu também a mim.
E estou sugerindo que “por último de todos” significa a preparação final. Ele nos estava preparando por meio daquelas visitas, e esta é a última preparação. Portanto, vamos examinar Paulo como a preparação final.
Agora, os comentaristas fazem a festa com essa expressão, “como a um nascido fora de tempo”, e seguem em muitas direções diferentes. O que mais tocou meu coração foi a maneira como essa palavra era usada. É a palavra que significa aborto.
No mínimo, significa alguém nascido muito prematuramente, com muitos problemas, se é que chega a nascer. Mas, provavelmente, ele olhou para toda a sua vida no judaísmo e disse: “Quando olho para trás agora, vejo que nasci morto. Foi apenas um aborto. Não havia nada ali”.
E alguém tão indigno, um perseguidor da igreja — como Deus poderia ter misericórdia de mim, um aborto? Mas Ele teve. Acho que é nesse sentido que o versículo é usado. Deus teve misericórdia dele.
Assim, aquela experiência na estrada de Damasco é a última preparação de Deus, Sua preparação final. A última coisa que preciso saber; a última coisa que você precisa saber.
Preciso saber que tenho de buscar o Senhor. Preciso saber que tenho de buscar o Senhor neste Livro. Preciso saber que tenho de buscar o Senhor no Livro, pelo Espírito Santo e pela vida Dele. E preciso saber que isso vai produzir uma nova criação.
Mas há mais uma coisa que preciso saber. Agora Deus nos apresenta a última preparação: preciso saber o que é essa nova criação.
O que aconteceu com o apóstolo Paulo naquela viagem de aproximadamente 219 a 257 quilômetros, dependendo da rota que ele seguiu de Jerusalém a Damasco? De que maneira isso é a preparação final?
Irmãos, acho que nem é preciso dizer que a conversão do apóstolo Paulo é a conversão mais famosa de todos os tempos. O inimigo número um de nosso Senhor Jesus, de algum modo, tornou-se o amigo número um de nosso Senhor Jesus.
Não leiam isso superficialmente. Foi algo tremendo. Como o inimigo número um de Cristo se tornou o amigo número um de Cristo? Chamem isso do que quiserem — é extraordinário. É passar da noite para o dia. É passar das trevas para a luz. É passar do inferno para o céu. Algo tremendo aconteceu ali.
Li esta afirmação e tendo a concordar com ela. Um comentarista disse: “A conversão de Saulo de Tarso não o tornou melhor. Tornou-o outro”. É uma maneira interessante de dizer isso.
Ele era uma nova criação. Por isso, precisamos examinar essa conversão.
Agora, sei que vocês já sabem disso, mas, para ilustrar o que aconteceu aqui, permitam-me compartilhar alguns versículos. Esse era um homem perverso. Ele tinha um passado violento. Antes de Damasco, odiava Cristo e odiava todos os que pertenciam a Cristo.
Ele não ficava em cima do muro. Não era neutro. Era ativo. Era agressivo. Não fazia concessões. Odiava o Senhor Jesus. Ouçam estes versículos.
Atos 9:1-2:
E Saulo, respirando ainda ameaças e morte contra os discípulos do Senhor, dirigiu-se ao sumo sacerdote
e pediu-lhe cartas para as sinagogas de Damasco,
a fim de que, se encontrasse alguns que fossem do Caminho, quer homens, quer mulheres,
os levasse presos a Jerusalém.
Atos 22:4-5:
E persegui este Caminho até à morte, prendendo e entregando às prisões tanto homens como mulheres;
como também o sumo sacerdote e todo o conselho dos anciãos me são testemunhas.
Deles recebi também cartas para os irmãos
e fui a Damasco, a fim de trazer presos a Jerusalém os que ali estivessem, para que fossem castigados.
Atos 26:9-11:
Na verdade, eu julgava que devia praticar muitas coisas contra o nome de Jesus de Nazaré.
E foi isso que fiz em Jerusalém:
tendo recebido autoridade dos principais sacerdotes, encerrei muitos dos santos nas prisões;
e, quando eram mortos, eu dava meu voto contra eles.
E, castigando-os muitas vezes em todas as sinagogas, procurava obrigá-los a blasfemar;
e, enfurecido sobremaneira contra eles, perseguia-os até em cidades estrangeiras.
Um sujeito simpático.
Filipenses 3:6 o chama de perseguidor da igreja. Em 1 Timóteo 1:13, ele disse:
Antes, eu era blasfemo, perseguidor e insolente.
Esse homem era perverso.
Sei que vocês sabem disso, mas procurem entrar nessa realidade. Ele perseguia homens, mulheres e crianças. Entrava em suas casas. Arrastava-os para fora. Amarrava-os. Levava-os para a prisão. Espancava-os. Tentava obrigá-los a blasfemar contra o Senhor.
Votava contra eles. Mandava que fossem mortos. Um homem perverso, perverso.
A história de Paulo, no meu entendimento, começa exatamente onde a experiência do cenáculo terminou, quando Ele soprou sobre eles: uma nova criação. Paulo se tornou uma nova criação, e precisamos compreender essa nova criação se vamos nos relacionar com o Cristo que habita em nós, porque é disso que se trata.
Essa é a última preparação. Agora, acho que vocês sabem que a conversão dramática de Saulo é registrada três vezes na Bíblia.
Ela é registrada uma vez em Atos 9, por Lucas, o autor humano do livro de Atos. Esse é o acontecimento, provavelmente por volta de 30 d.C. Depois, em Atos 22, vinte e cinco anos se passaram, e ele dá seu testemunho nos degraus do templo, em Jerusalém, em hebraico.
Dois anos mais tarde, vinte e sete anos depois do acontecimento, em Atos 26 — por volta de 64 d.C., bem perto da época de sua morte —, ele dá seu testemunho pela terceira vez, diante do rei Agripa.
Agora, não leiam isso superficialmente. Isso significa que há mais espaço no texto inspirado dedicado à conversão de Paulo do que a qualquer outro acontecimento no Novo Testamento, com exceção da morte, do sepultamento e da ressurreição de Cristo.
Se Deus dedica tanto espaço inspirado a esse único acontecimento, acho que Ele está dizendo: “Prestem atenção neste acontecimento. Isso é importante, irmãos”. É importante porque é a preparação final de que precisamos para nos relacionarmos com o Cristo que habita em nós.
Se perdermos isso, mesmo que tenhamos passado pelas outras preparações, Deus terá de trabalhar em nossa vida até compreendermos isso, antes de podermos desfrutar dessa doce união com Ele.
Não estou colocando em dúvida o testemunho de ninguém. Vocês provavelmente já chegaram a esse ponto, e eu estou apenas relatando o testemunho de vocês. Mas, se há aqui algum irmão que ainda não foi plenamente preparado pelo Senhor, que ouve falar do Cristo que habita em nós, da vitória no Senhor, do relacionamento com Ele e de conhecê-Lo, mas ainda não tem clareza sobre isso, que Deus use este fim de semana, irmãos, para tornar tudo absolutamente claro para todos nós.
Qual é essa preparação? Como posso conhecer e desfrutar desse Cristo que habita em mim?
Creio que esse acontecimento na vida do apóstolo Paulo é o modelo de conversão. Em outras palavras, toda conversão verdadeira precisa seguir esse padrão. Esse é o modelo de conversão.
Creio que o próprio apóstolo é o modelo de convertido. Agora, o que quero dizer com modelo de conversão? Quero dizer que todos os princípios da verdadeira conversão precisam estar presentes, e eles estão ilustrados aqui.
Não estou sugerindo que, para ser verdadeiramente salvo, você precise ver uma luz brilhante. Não é esse o ponto. Não estou dizendo que você precise ouvir uma voz literal. Não é esse o ponto. Não estou dizendo que você precise estar perseguindo cristãos. Não é esse o ponto.
O que estou tentando dizer é que há princípios aqui. Por exemplo, se houve alguma conversão que foi pura graça, foi a de Paulo. Alguém negaria isso? Tinha de ser pura graça.
Se alguma conversão pode ser atribuída somente a Deus, é esta. Quando leio o relato, vejo que ele não estava em uma reunião de avivamento. Não estava em uma reunião de oração. Não estava em uma conferência como esta. Estava por aí odiando Jesus. Estava odiando o povo de Deus. Estava matando o remanescente de Deus, o rebanho de Deus. E o Senhor o encontrou. Isso é graça. É a graça do Senhor.
Quando Deus fez Saulo parar — aquele que combatia Jesus, odiava Jesus e odiava o povo de Deus —, num instante ele se tornou uma nova criação. O que aconteceu ali? Toda conversão verdadeira precisa ter a graça de Deus.
Outro princípio se encontra em Gálatas 1:15-16. Ele chama sua conversão de uma revelação do Senhor. Toda conversão verdadeira é uma revelação.
Vejam, em nossos dias não dizemos isso. Dizemos: “Uma conversão é uma decisão por Jesus”. Não estou descartando decisões por Jesus, mas isso não é conversão. Você pode tomar todas as decisões do mundo; se não houver revelação de Cristo, não há salvação.
Esse fariseu orgulhoso foi humilhado. Esses são princípios. É isso que quero dizer quando afirmo que esta é uma conversão-modelo. É pela graça de Deus. É pela revelação de Jesus Cristo. É o quebrantamento de uma pessoa. É um despertar. Vemos tudo isso ilustrado aqui.
Mas não quero falar de sua conversão como o modelo de conversão. Quero falar de Paulo como o modelo de convertido. Esse é o ponto. Ele mesmo — como foi Maria, como foi Tomé, como foram os discípulos —, Paulo.
Por último de todos, apareceu também a mim.
É isso que queremos examinar.
Você diz: “Bem, o que quer dizer com ele ser um modelo de convertido? Não há muitos homens e mulheres piedosos que são modelos, exemplos?”
Moisés não é um exemplo de mansidão? Jó não é um exemplo de paciência? Abraão é um modelo de fé? Salomão, um modelo de sabedoria, e Elias, um modelo de coragem? Davi, um modelo de devoção? Pedro, um modelo de santificação progressiva?
Não são todos ilustrações? E por que ficar apenas com os santos da Bíblia? Agostinho não é um modelo? Lutero, Calvino, Whitefield, Wesley, Nee e todos os santos que vocês puderem mencionar? Por que precisam estar mortos? E os santos que estão vivos hoje — pessoas que vocês conhecem? Não são bons exemplos de vida cristã?
A resposta é sim, são modelos, mas todos são modelos incompletos. Há apenas um modelo completo: o apóstolo Paulo. Ele é a ilustração de Deus.
Isso não é ideia minha. Não é ideia de Paulo. É ideia de Deus. Deus disse: “Vou lhes dar uma ilustração e vou conduzir este irmão por todas as experiências cristãs”.
É por isso que ele podia dizer: “Falei em línguas mais do que qualquer outro. Passei por tudo. Conheço todos os dons, conheço tudo isso”. Deus conduziu aquele homem por essas experiências.
Permitam-me compartilhar alguns desses versículos. Atos 9:15-16:
Ele é para Mim um instrumento escolhido, para levar Meu nome perante os gentios, os reis e os filhos de Israel;
pois Eu lhe mostrarei quanto lhe importa sofrer por Meu nome.
1 Coríntios 4:16:
Rogo-vos, portanto, que sejais meus imitadores.
Filipenses 4:9:
As coisas que aprendestes, recebestes, ouvistes e vistes em mim, praticai-as;
e o Deus de paz será convosco.
1 Coríntios 11:1:
Sede meus imitadores, como também eu sou de Cristo.
E 1 Timóteo 1:16-17:
Mas, por esta razão, alcancei misericórdia:
para que, em mim, o principal, Jesus Cristo demonstrasse toda a Sua longanimidade,
como exemplo dos que haveriam de crer Nele para a vida eterna.
Ele foi escolhido com esse propósito. Agora, nós perguntamos: “Posso aplicar isso a mim — ‘Sede meus imitadores, como também eu sou de Cristo’?” Claro que pode, mas não como ele o fez. Ele quis dizer isso literalmente.
Paulo disse: “Sou o principal dos pecadores”, e eu digo: “Ah, ele se enganou. Eu sou o principal dos pecadores”. Não, Paulo era o principal dos pecadores. Isso fazia parte do propósito. Ele era o que mais confiava em sua própria justiça. Ele era o principal.
Quando esse homem veio ao Senhor, bem no início, foi informado de que havia sido escolhido para ser o modelo da experiência cristã, da vida da nova aliança. Ao longo de todo o seu ministério, ele voltava a se referir a isso.
Por que é importante que esse homem, com essa conversão dramática, tenha sido escolhido como modelo? A resposta é: porque esta é a preparação final. Este é o último passo.
Esta é uma explicação completa do Senhor soprando sobre eles e dizendo:
Recebei o Espírito Santo.
Ele é o exemplo de Deus da vida substituída.
Maria viu Cristo. Tomé viu o Senhor. Os que estavam no caminho de Emaús viram o Senhor. Eles O viram na Bíblia, pelo Espírito Santo, e se tornaram uma nova criação.
Agora Paulo diz: “Sou o último daquela lista. Sou o último. É a preparação final”. Quando vi o Senhor, tornei-me uma nova criação. Ele é a ilustração dessa nova criação.
Deus soprou sobre eles: nova criação. Agora temos a ilustração. O apóstolo Paulo é a nova criação. Como isso aconteceu? Vinte e cinco anos depois, ele disse: “Querem saber como aconteceu? Um dia, vi Jesus”.
Então, precisamos falar sobre isso. Que Deus nos ajude enquanto buscamos essa explicação.
O que gostaria de fazer é, em certo sentido, seguir um caminho um pouco inverso. Precisamos compreender a experiência de Paulo, e Paulo explicou sua experiência. Quero fazer o que fiz com Maria Madalena e Tomé. Quero mostrar a vocês a experiência.
Originalmente, eu planejava percorrer o relato e mostrar o que aconteceu, para depois dizer: “Agora, isto é o que significa”. Mas me senti inclinado a fazer o contrário.
O que gostaria de fazer nesta noite é dizer: “Isto é o que significa”. Então, amanhã, se o Senhor quiser, examinaremos o relato e teremos uma ilustração da experiência.
É um pouco como os ossos de dinossauros. Não podemos negar os ossos, mas podemos contestar a interpretação dos ossos. Não podemos negar o que aconteceu com o apóstolo Paulo, mas há algumas explicações estranhas.
Não conheço nada mais justo do que deixar Paulo explicar sua própria experiência, e ele faz isso sob a direção do Espírito Santo. Portanto, temos esse registro. Se o Senhor quiser, amanhã examinaremos o relato do acontecimento.
Agora, permitam-me dizer apenas isto: se vocês puderem orar por mim durante esta mensagem, eu agradeceria. Em certo sentido, ao apresentar a explicação de Paulo sobre o que aconteceu, acabo seguindo um caminho de que não gosto, mas não sei que outro caminho tomar.
Talvez isso soe como doutrina, como ensino — algo apenas acadêmico, polêmico e exortativo. Não quero isso. Quero vida. Nosso irmão orou, pouco antes de subirmos aqui, para que Deus transformasse isso em vida, e vou confiar em Deus quanto a essa oração.
Sei que vocês não vieram aqui de propósito para me ouvir apresentar um catecismo. Vocês não querem isso, e eu também não. Além disso, sei que já ouviram tudo isso antes. Não vou dizer nada novo. Espero que seja vivo.
Então, permitam-me declarar isso, depois ilustrá-lo na Palavra e, amanhã, se o Senhor quiser, examinaremos o acontecimento. Já declarei isso, mas vou repeti-lo agora como princípio:
Há uma diferença — uma diferença tremenda — entre uma vida transformada e uma vida substituída.
Esta é a última preparação, e o que Deus está dizendo é: “Vocês precisam conhecer essa diferença”. Porque, se não conhecerem essa diferença, estarão correndo pelo caminho errado. Ficarão terrivelmente frustrados e nunca entrarão nessa doce união com o Cristo que habita em vocês.
Vocês precisam conhecer a diferença entre transformação e substituição.
Em certo sentido, olhamos para a conversão de Saulo de Tarso e dizemos: “Que mudança em Saulo!” O inimigo número um de Cristo se tornou o amigo número um de Cristo. Em certo sentido, isso é verdade.
Mas, em outro sentido, a estrada de Damasco não mudou Saulo em nada. Não houve mudança em Saulo. A estrada de Damasco matou Saulo.
Agora, se vocês quiserem chamar isso de mudança, fiquem à vontade. Foi isso que aconteceu. Saulo morreu, e outro se levantou em seu lugar. Isso não é uma transformação. É uma substituição.
O inimigo número um de Cristo morreu, e o amigo número um de Cristo foi ressuscitado.
Agora, sei o que causa a confusão. Durante anos, temos lido sobre mudança, sobre sermos transformados e conformados à imagem de Cristo. Temos lido sobre crescimento. Temos lido sobre maturidade. Temos lido sobre dar fruto. Ouvimos falar de uma nova criação.
Sabemos que as coisas antigas passam. Sabemos que tudo se tornou novo. Isso parece uma mudança.
Quando adoramos, cantamos cânticos sobre mudança. Cantamos: “Muda-me, ó Deus. Muda meu coração, ó Deus. Que maravilhosa mudança se operou em minha vida desde que Jesus entrou em meu coração”.
Depois, ouvimos testemunhos: “Não sou o que serei. Não sou o que deveria ser. Mas, graças a Deus, não sou o que era. Fui transformado”. Vemos isso em camisetas: “Obra em andamento”. “Deus ainda não terminou Sua obra em mim”. “A obra inacabada”.
“Estou sendo moldado. Estou sendo conformado. Estou sendo transformado. Estou sendo mudado.”
Essas expressões e esses sentimentos têm causado certa confusão entre o povo de Deus. Até alguns santos experientes não compreenderam essa preparação final.
Há uma diferença entre uma vida transformada e uma vida substituída. Aqueles que não receberam a luz de Deus sobre essa diferença estão mal preparados para a união com o Cristo que habita neles. Portanto, que Deus nos ajude enquanto examinamos isso. Esta é a preparação final.
Como vocês sabem, Deus usou o apóstolo Paulo para escrever pelo menos treze epístolas do Novo Testamento. Digo “pelo menos” porque não sabemos quanto a Hebreus — não sabemos se Deus o usou para escrever esse livro.
Mas, nas treze epístolas, ele escreveu continuamente sobre o grande mistério da união com Cristo, vez após vez. Nas epístolas às igrejas, temos aquilo que chamamos de exposição plena dessa verdade: a união com Cristo.
Setenta e oito vezes ele repete essa pequena e preciosa expressão: em Cristo Jesus, em Cristo Jesus, vez após vez.
Vou citar apenas alguns versículos. Poderia citar outros, mas estes são os conhecidos. Vocês os conhecem. Poderão recitá-los enquanto eu os leio.
Gálatas 2:19-20:
Porque eu, mediante a lei, morri para a lei, a fim de viver para Deus.
Estou crucificado com Cristo;
e já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim;
e a vida que agora vivo na carne,
vivo pela fé no Filho de Deus,
Que me amou e Se entregou por mim.
Já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim.
Isso não é uma transformação. É uma substituição.
Filipenses 1:21:
Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é lucro.
Morrer é ganhar mais de Cristo, basicamente.
2 Coríntios 1:9:
Na verdade, tivemos em nós mesmos a sentença de morte,
para que não confiássemos em nós mesmos,
mas em Deus, Que ressuscita os mortos.
Romanos 6:11:
Assim também vós considerai-vos mortos para o pecado,
mas vivos para Deus, em Cristo Jesus.
Colossenses 3:3-4:
Porque morrestes, e a vossa vida está oculta com Cristo em Deus.
Isso não é uma transformação. É uma substituição. Vocês estão mortos, e sua vida está oculta.
Uma de minhas passagens favoritas, porque enfatiza a transição para a união, para o relacionamento, é Romanos 7:4:
Assim, meus irmãos, também vós fostes mortos para a lei mediante o corpo de Cristo,
para pertencerdes a Outro,
Àquele Que ressuscitou dentre os mortos,
a fim de que frutifiquemos para Deus.
Isso não é uma transformação. É uma substituição. Saulo está morto, e a Pessoa que agora vive nele, segundo ele diz, já não é ele, mas Outra Pessoa.
Agora, se vocês lutaram como eu lutei no início da minha vida cristã, lendo todos aqueles livros sobre a vida vitoriosa, lendo todos os místicos e aquelas pessoas tão próximas do Senhor, enquanto seu coração ansiava e dizia: “Por que isso não funciona para mim?”, provavelmente estarão familiarizados com algumas destas expressões.
Cada um tem seu próprio nome para isso. Estamos falando da união com Cristo, mas todos têm seus nomes especiais. Então, escrevem livros, e eu olho para todos esses nomes e penso: “Isso é diferente. Isso é diferente. Preciso ler esse”. Assim, passei por tudo isso.
Alguns dos antigos místicos a chamam de vida de união ou vida de Cristo. Alguns que foram um pouco mais longe nessa linha a chamam de superalma ou rompimento, de vida sacramental ou de vida no Santo dos Santos.
E eu fico ali dizendo: “Sim, é isso que eu quero”.
O dr. A. J. Gordon escreveu um livro e o chamou de A Vida Dupla. O major Ian Thomas escreveu um pequeno livro chamado A Vida Salvadora de Cristo. Miles Stanford a chama de vida de identificação.
Watchman Nee a chama de vida cristã normal. É simplesmente uma vida normal.
Os primeiros escritores de Keswick — Boardman, Smith, Evans, Moule e alguns outros — a chamavam de vida superior. Eles têm muitos livros sobre a vida superior. Ruth Paxton escreveu um pequeno livro chamado Vida no Plano Mais Elevado.
O dr. Maxwell, ex-presidente do Prairie Bible Institute, escreveu um livro chamado Nascido Crucificado. É uma vida crucificada.
E assim por diante. Os escritores posteriores de Keswick a chamam de vida vitoriosa, vida centrada em Cristo, vida de consagração ou vida de plena consagração.
Ela tem sido chamada de vida vencedora, vida cheia do Espírito, vida abundante, vida triunfante, vida mais profunda, segunda bênção, santificação e batismo do Espírito Santo.
Não me importa como vocês a chamam. Todos estão falando da mesma coisa. Como posso conhecer Jesus? Como posso me relacionar com Ele? Como posso ter intimidade com Ele? Como podemos ser um? Como posso ter comunhão com o Senhor? É disso que se trata.
Todos esses livros, embora apresentem nuances diferentes e abordem o assunto de maneiras um pouco distintas, estão falando disso. Então vem a grande guerra: todos combatem os livros uns dos outros, dizendo que aqueles se desviaram e que estes também se desviaram. Passei por muito disso.
Mas há uma expressão — embora venha de um homem — que comunicou isso ao meu coração com mais clareza do que qualquer outra. É por isso que a estou usando aqui: a vida substituída.
Recebi essa expressão de Hudson Taylor. Acho que todos vocês conhecem Hudson Taylor. Ele a tornou famosa. Não vi nenhum dos escritores anteriores usar a mesma expressão, mas não há nada novo debaixo do sol. Ele a recebeu de alguém, provavelmente de McCarthy, porque disse que McCarthy foi o instrumento humano que o levou a ver o Senhor.
Ele usou essa expressão em uma carta que escreveu à sua irmã Amelia. Vocês conhecem a história. Ele havia sido um missionário em escravidão — um cristão que amava o Senhor, servia ao Senhor e entregava sua vida para servi-Lo —, mas nada sabia dessa união íntima com o Senhor, até que Deus fez Sua luz raiar em seu coração.
Ele escreveu essa carta em outubro de 1869. Vocês provavelmente a conhecem como o segredo espiritual de Hudson Taylor. Esse é o seu segredo espiritual. A biografia foi escrita por seu segundo filho, o dr. Howard Taylor.
Anotei um trecho da carta:
Ah, minha querida irmã, é maravilhoso ser realmente um com um Salvador ressuscitado e exaltado.
Ser um membro de Cristo — pense no que isso envolve.
Pode Cristo ser rico, e eu ser pobre?
Pode sua mão direita ser rica, e a esquerda ser pobre?
Pode sua cabeça estar bem alimentada, e o corpo passar fome?
Querida irmã, vi não apenas que Jesus jamais me deixaria,
mas que eu era membro de Seu corpo, de Sua carne, de Seus ossos.
Agora vejo que a videira não é apenas a raiz,
mas tudo: a raiz, o tronco, os ramos, os pequenos galhos, as folhas, as flores, o fruto.
E Jesus não é apenas isso; Ele é o solo e a luz do sol,
o ar e as chuvas, e dez mil vezes mais do que jamais sonhei,
do que jamais desejei, do que jamais precisei.
Toda a alegria dessa maravilhosa verdade sobre o fruto.
Ele continua. Deixei muita coisa de fora.
A parte mais doce, se é possível falar de uma parte como sendo mais doce que outra,
é o descanso que essa identificação com Cristo traz.
Querida irmã, já não fico ansioso por coisa alguma,
à medida que compreendo isso, pois sei que Ele é capaz de realizar Sua vontade.
Sua vontade agora é minha vontade.
Não importa onde Ele me coloque, nem como.
Todos os Seus recursos são meus.
Ele é meu, está comigo e habita em mim,
e tudo isso brota da união do crente com Cristo.
E, desde que Cristo veio habitar em meu coração pela fé, como tenho sido feliz!
Gostaria de poder ir lhe contar isso, em vez de escrever.
Então ele acrescenta:
Não sou melhor agora.
Posso dizer, em certo sentido, que não desejo ser melhor, nem estou me esforçando para isso.
Mas aprendi que estou morto e sepultado com Cristo —
e também ressuscitado e elevado com Ele —,
e agora Cristo vive em mim.
E a vida que agora vivo na carne,
vivo pela fé no Filho de Deus,
Que me amou e Se entregou por mim.
Agora, diz Hudson Taylor, creio que estou morto para o pecado.
Deus me considera assim e me diz que eu também devo me considerar assim.
A essa ênfase ele deu o nome de vida substituída.
Agora, o problema com uma expressão é que todos abusam dela. Então fiz o que muitos fazem hoje em dia: pesquisei no Google por “vida substituída”. Meus olhos inocentes — eu não conseguia acreditar em algumas das coisas que apareceram entre as centenas de milhares de resultados para “vida substituída”.
Há um movimento da vida substituída em andamento. Não quero me identificar com ele. Há um ministério da vida substituída. Há um serviço de aconselhamento da vida substituída. Nem todos querem dizer o que Hudson Taylor queria dizer quando usam “vida substituída”.
Um grupo usa “vida substituída” para ilustrar que a velha natureza foi completamente erradicada. Outro diz que a vida substituída significa que você já não é corpo, alma e espírito, mas que agora existe apenas uma natureza.
Outro diz que a vida substituída é o primeiro passo para o homem se tornar Deus. Estão usando minha expressão. Estão destruindo tudo o que estou tentando comunicar. Amo essa vida substituída no sentido em que Hudson Taylor usou a expressão.
Outro usou a vida substituída para provar uma perfeição sem pecado deste lado da sepultura. Havia também muitos outros erros. Mas, apesar de tudo isso, essa expressão, como Hudson Taylor a usou, continua ministrando ao meu coração.
Mas basta de Hudson Taylor. Vamos ouvir Paulo novamente. Vamos voltar a Paulo. Como Paulo explicou sua própria experiência?
Permitam-me apresentar isso desta maneira. Há uma palavra na qual aqueles que se esforçam, como eu me esforçava, para conhecer Jesus em doce união geralmente tropeçam. Como Paulo a usou de duas maneiras diferentes, permitam-me mostrar isso a vocês. Estou falando da palavra carne.
Somente em Romanos, ele usa a palavra carne vinte e oito vezes. Ele a usou de duas maneiras, e nós a usamos praticamente da mesma forma.
Primeiro, às vezes ele quer dizer apenas esta vida presente. Carne: estou vivo.
João 1:14 diz:
O Verbo Se fez carne.
Isso não é carne pecaminosa. O Verbo Se tornou humano. Trata-se simplesmente de uma pessoa. Ele Se tornou homem.
1 Timóteo 3:16 diz que Cristo foi manifestado na carne. Isso significa apenas que Ele era homem. 1 Pedro 4:1 diz que Cristo sofreu na carne. Não há nada pecaminoso na carne conforme a palavra é usada ali.
Quando Paulo disse, em Filipenses 1:24:
Permanecer na carne é mais necessário por causa de vós.
Não acho que estivesse dizendo: “É necessário para vocês ter um pecador aqui com vocês”. Ele estava simplesmente falando de permanecer vivo.
Quando escreveu, em Colossenses 2:1, que muitos não haviam visto seu rosto na carne, não estava dizendo: “Vocês não me viram pecar”. Estava dizendo: “Vocês nunca me viram”.
É isso que Jó quis dizer quando afirmou:
Em minha carne verei a Deus.
É isso que Davi quis dizer quando afirmou:
Toda carne bendiga Seu santo nome.
São apenas pessoas. É apenas estar vivo. É o que Isaías quis dizer quando afirmou:
Toda carne é erva.
É essa ideia de que estamos vivos.
Mas, irmãos, há outro uso, e é esse que queremos examinar.
Quando nosso Senhor Jesus disse a Pedro:
O espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca.
O que é essa carne?
Gálatas 5:24:
E os que são de Cristo Jesus crucificaram a carne, com suas paixões e seus desejos.
Romanos 7:18:
Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum;
pois o querer o bem está em mim,
mas não o realizá-lo.
Filipenses 3:3:
Porque nós somos a circuncisão, nós que adoramos pelo Espírito de Deus,
nos gloriamos em Cristo Jesus
e não confiamos na carne.
É esse uso da palavra carne. Agora, o que Paulo quer dizer com isso? É ele que estamos examinando. É ele que foi convertido. Ele é a nova criação.
Eis o que pensei durante anos. Está errado, mas pensei assim durante anos. Eis o que muitos cristãos pensam.
Como fico um tanto enclausurado no meu pequeno escritório de estudos em Rhode Island, não tenho uma visão ampla do corpo de Cristo como Dana e alguns desses outros irmãos têm. Mas, na pequena visão que tenho tido entre os cristãos, a partir da minha experiência limitada, a maioria dos cristãos pensa assim.
Eis o que eles acham que a carne é: pensam que a carne é uma propensão ao pecado. Pensam que há algo em mim — Deus quer que eu vá para aquele lado, e essa coisa quer que eu vá para este. É uma tendência. É uma disposição. É uma inclinação para fazer o que é errado.
É um impulso embutido na minha natureza, não para fazer a vontade de Deus, mas para fazer minha própria vontade. Para provar isso, pegam um dos capítulos mais mal compreendidos da Bíblia — Romanos 7, na minha opinião — e o usam para sustentar sua ideia.
Dizem: “Tenho essa inclinação para fazer o que é errado”. Em outras palavras, esta é a ideia que têm de vitória: “Sou egoísta por natureza. Escolho o que eu quero. Deus, muda-me. Não quero mais ser egoísta. Quero ser generoso. O Senhor poderia fazer uma obra em mim e me mudar, para que eu não tenha essa inclinação, mas seja o contrário disso?”
“Tenho esse orgulho dentro de mim e estou sempre pensando em mim mesmo. Odeio isso. Senhor, muda-me para que eu não seja orgulhoso. Torna-me humilde em vez de orgulhoso.” Essa é a ideia que eles têm.
“Tenho essa inclinação. Odeio isso. Eu me alimento de imundície. Não quero me alimentar de imundície. Não quero que minha mente esteja cheia dessas coisas carnais, dessa sujeira. Muda minha direção, Senhor. Muda-me. Preciso ser mudado porque tenho esse impulso.”
“Não tenho amor. Quero ter amor. Não perdoo. Não consigo controlar meu temperamento. Não consigo parar de me afligir. Não consigo parar de me preocupar. Não consigo parar de odiar. Não consigo parar de guardar rancor. Não consigo parar de mentir. Não consigo parar de exagerar. Não consigo parar de fazer fofoca. Não consigo parar de falar palavrões. Não consigo parar de me gabar.”
“Essa é minha carne. Tenho essa inclinação. Tenho esse impulso e, Senhor, por favor, muda-me. Sou impaciente. Sou teimoso. Sou inflexível nas minhas opiniões. Sou insensível. Sou intolerante. Sou preguiçoso. Não presto. Senhor, muda-me.”
Isso é o que muitas pessoas pensam que a carne é. A vitória, então, acontece quando Deus vem, toma aquela inclinação e, por um poderoso milagre, faz algo em você e a inverte, de modo que você já não se incline naquela direção. Agora você quer fazer a vontade de Deus. Quer honrá-Lo. Quer agradá-Lo.
Se é assim que você pensa, ainda não está plenamente preparado para ter união com o Cristo ressuscitado. Essa não é a mensagem da vida cristã. Não é uma transformação. É uma substituição.
Que Deus nos ajude enquanto examinamos isso agora. Ele não está falando de alguma mudança de disposição ou de direção no meu coração.
Não tenho uma inclinação que precisa ser mudada. Sou eu. Não é uma inclinação em mim — sou eu que preciso ser tratado.
Mencionei apenas alguns dos lados negativos da carne. Sabem, a carne também tem um lado muito refinado, e isso continua sendo carne. Todos nós somos carne, mas trata-se de mim.
Jesus disse a Nicodemos, em João 3:6:
O que é nascido da carne é carne.
Sempre será carne. Nunca será nada além de carne. Jesus não veio aperfeiçoar isso. O que é carne é carne, e sempre será carne.
Não é uma notícia ruim eu dizer ao meu irmão caído: “Deus nunca vai mudar você”. Isso soa como uma notícia ruim. “Por que está dizendo isso a ele? Ele precisa ouvir que há esperança e que Deus vai mudar isso.”
Não, ele precisa ouvir a verdade. Precisa ouvir que não há transformação para isso, mas há uma substituição — uma substituição gloriosa: uma vida que não é dele, uma vida que é de Deus.
Precisamos compreender o que aconteceu com o apóstolo Paulo. Não se trata apenas de uma ou duas tendências. Nasci carne e continuarei sendo carne. Deus não prometeu mudar minha carne. Prometeu fazer algo muito maior do que isso.
Irmãos, não estou olhando para o coração de vocês. Nem sequer conheço muitos de vocês. Apenas olhei para meu próprio coração. Conheço os irmãos e as irmãs que entraram na minha vida, aqueles com quem tenho lidado.
Alguns deles, digo a vocês, partem meu coração. Estão completamente frustrados porque Deus não está agindo como esperavam. Têm clamado ao Senhor. Estão enredados. Têm sido escravizados por essas coisas: cobiça, paixão, orgulho, egoísmo, materialismo.
Estão envolvidos nisso, presos a muitas dependências — cigarro, drogas, álcool, pornografia, trabalho, tédio e todas essas coisas. São escravos dessas coisas e estão clamando de verdade. Amam Jesus e dizem: “Por favor, muda-me. Estou perdendo minha vida. Estou perdendo meu testemunho. Muda-me. Não consigo mudar. Não consigo parar. Preciso de ajuda”.
E estão clamando em vão, porque Ele nunca prometeu mudar isso. É claro que Ele lidará com você onde você está e ministrará a você. Mas vai conduzi-lo a esta mensagem.
Algumas das pessoas com quem tenho o privilégio de compartilhar nosso Senhor Jesus vêm a mim e dizem que leram todos os livros de orientação prática. Visitaram todos os sites. Ouviram todas as gravações. Foram a todos os conselheiros. Receberam mentoria.
Vão de igreja em igreja, de conferência em conferência, porque estão cansadas da carne. Estão fartas dela. As pessoas falam de vitória. Falam de conhecer o Senhor. E elas dizem: “Por que isso não funciona? Por que não funciona para mim?”
“Por que todos os outros falam dessa doce união e de vitória sobre isso, e eu não consigo parar de pecar?” Elas querem saber.
Deus nos dá o apóstolo Paulo. Ele diz:
Por último de todos, apareceu também a mim.
Naquele dia, morri, e houve uma substituição — uma nova vida, uma verdade empolgante.
Gosto da maneira como o major Ian Thomas disse isso em seu livro A Vida Salvadora: “É preciso Deus para ser homem. É preciso Deus para ser mulher. É preciso Deus para ser o marido que você deve ser. É preciso Deus para ser o pai que você deve ser. É preciso Deus para ser o irmão que você deve ser. É preciso Deus para ser o presbítero que você deve ser”.
Você precisa de uma vida que não é sua.
Diante de vocês, posso testemunhar: nunca fui alcoólatra. Isso é um fato. Nunca fui dependente de drogas. Nunca fui assassino.
Já fui hipócrita. Até onde sei — exceto talvez em meu coração e em minha mente —, nunca fui um pervertido. Nunca encostei um dedo em Lillian para agredi-la. Nunca fui idólatra, exceto no sentido de 1 João.
Tenho um testemunho maior do que esse. Não posso dizer que Deus me livrou da sepultura de um alcoólatra. Posso estar diante de vocês hoje e dizer: “Deus me libertou de mim mesmo”.
Esse é um testemunho melhor. Ele me libertou de mim mesmo, e pode libertar você de você mesmo.
Agora, o potencial para todo pecado está no meu coração. Está no seu coração. Está em todos nós. Mas foi isso que aconteceu naquele dia, na estrada de Damasco.
Um dia, como Maria, ele viu Jesus. Um dia, como Tomé, ele viu Jesus. Um dia, como os discípulos no caminho de Emaús, ele viu Jesus. Um dia, como aqueles que estavam no cenáculo, ele viu Jesus.
Quando viu Jesus, ele morreu, e houve uma nova vida.
Permitam-me tentar explicar isso de mais uma maneira e, depois, encerrar minha tentativa de explicação. Amanhã examinaremos o relato.
Permitam-me explicar isso pela vida de Jesus em Seus dois corpos. Quando esteve na terra pela primeira vez, Ele tinha um corpo. Era um corpo encarnado. Chamam-no de Seu corpo encarnado.
João 1:14:
O Verbo Se fez carne.
Gálatas 4:4:
Quando veio a plenitude do tempo, Deus enviou Seu Filho, nascido de mulher.
Ele viveu na terra por trinta e três anos e meio. Andava por aí em um corpo. As pessoas podiam olhar e dizer: “Lá vai Ele. Esse é Seu corpo. Esse é Jesus. Sei onde Ele mora. Conheço Sua família. Esse é Seu corpo”.
Livros inteiros foram escritos na tentativa de compreender Jesus em Seu corpo. Filipenses 2:7 diz:
Esvaziou-Se a Si mesmo.
Vocês precisam ver os livros escritos sobre “esvaziou-Se a Si mesmo”. O que está envolvido em tudo isso?
Os teólogos, como não conseguem explicar isso, dão a vocês uma palavra rebuscada e um nome. “Vamos estudar a Pessoa teantrópica. Vamos estudar o Deus-Homem. Isso é encarnação.”
Depois dizem: “Agora vamos examinar outro mistério. Uma Pessoa — Ele é Deus, Ele é homem, duas naturezas. Vamos discutir isso”.
Você lê o relato, e nosso querido Senhor Jesus diz:
Mostrai-Me onde o pusestes.
Como se Ele não soubesse. Ele é homem. Então, de repente, Se levanta e diz:
Lázaro, vem para fora!
Opa, Ele é Deus.
Ele está em um barco, dormindo profundamente. Ele é homem. Fica em pé no convés, levanta a mão e diz:
Cala-te, aquieta-te.
Ele é Deus.
Eles O empurram até a beira de um precipício porque Ele é homem. Ele passa pelo meio deles porque é Deus.
Perguntam: “Quando o Senhor vai voltar?” Ele diz: “Não sei. Isso não Me compete. Meu Pai sabe; Eu não sei”. Pouco depois, diz: “O Filho do Homem virá nas nuvens do céu com todos os…”
Os teólogos, estudando Jesus em Seu corpo encarnado, não sabem o que fazer com isso. Então lhe dão um nome: união hipostática. Isso ajudou? Agora vocês têm um nome. É a união hipostática.
Depois olham novamente para Sua vida e coçam a cabeça. Dizem: “Não entendo essas vontades Dele. Parece que Ele tem duas vontades”.
Segundo os teólogos, esse mistério de Deus e homem é sem composição e sem confusão. Eles começam a tentar explicá-lo.
Agora, não quero ser irreverente, mas parece que, se dependesse da vontade Dele — vocês se lembram do Getsêmani:
Não se faça a Minha vontade, mas a Tua.
Parece que há duas vontades. O Pai tem uma. Ele tem outra. Se dependesse de Sua vontade, Ele não faria daquela maneira, mas entrega Sua vontade.
Ah, mas os teólogos nos corrigem aqui. A vontade divina age, e Sua vontade humana se submete e age conjuntamente.
Eis a tentativa de um teólogo de explicar isso: “É a inclinação e a volição infinitas que tornam isso voluntário, mas isso nunca deve ser incompatível com uma única autoconsciência”.
Muito bem. Isso esclarece tudo.
Vocês entendem o que estou tentando dizer, irmãos. Estou tentando dizer que, quando Jesus esteve aqui em Seu primeiro corpo, havia um mistério tremendo. Tudo o que podiam fazer era dizer: “Isso é encarnação. Isso é união hipostática. Este é o mistério do Logos”. Dão essas palavras a vocês e dizem: “Pronto. Agora vão viver com isso”.
Irmãos, Ele voltou. Não está morto nem foi embora. Está vivo.
Só que agora Ele tem um novo corpo. Certo? Um novo corpo. Qual é Seu novo corpo? É você. Sou eu. Somos nós. Somos Seu corpo.
Agora é o mesmo Jesus vivendo novamente, mas em Seu novo corpo.
Os cristãos coçam a cabeça como os teólogos. Dizem: “Como funciona essa vida cristã? Não entendo. Chamam de vida de permanência, vida abundante, vida superior, vida inferior. Como me aproprio disso?”
Encarnação: Deus na carne. Não entendo. Estou vivo. Não estou vivo. Estou morto.
Vivo; todavia, não eu, mas Cristo vive em mim.
É Ele que faz, mas sou eu que faço. Não entendo.
Certo? É isso mesmo. É a mesma coisa.
Sou eu que escolho? É Ele que escolhe? Preciso esperar até sentir vontade? E se eu não estiver com vontade de ler a Bíblia? Devo esperar até que Ele coloque fome e sede dentro de mim? Devo desejar? E se eu não tiver o desejo? Como minha vontade funciona com a vontade Dele?
O mistério é exatamente o mesmo. Cristo em Seu corpo místico é o mesmo mistério que Cristo em Seu corpo encarnado.
Irmãos, parei de tentar explicar isso. Não consigo explicar. Acho que ninguém mais consegue, pelo menos não de uma maneira que me satisfaça. Não consigo explicar. Posso declarar.
Então, permitam-me declarar: Deus vive em você. Cem por cento da Trindade vive em você. É verdade.
Não consigo explicar. Você está morto, mas não está morto. Está vivo. É Ele, mas é você. É Ele, mas é — hipostaticamente —, não consigo explicar. Só sei que é verdade. Ele vive em mim.
Você não pode querer até ser atraído, mas precisa querer e desenvolver sua própria salvação. Não consigo conciliar tudo isso. Só sei que é verdade.
Você pode chamar isso do que quiser. Deus vive em você. Não é você; é Ele. Você está vivo, mas está morto. Aceite isso pela fé, independentemente do que sente.
Permitam-me terminar com isto. Como é Ele em você, ainda é você. Para todos os que observam, parece uma mudança. Não é uma mudança. Apenas parece uma mudança.
Você continua pensando, mas agora, segundo 1 Coríntios 2:16, tem a mente de Cristo. Continua raciocinando. Continua pesando os prós e os contras. Continua tentando ser prudente. Faz o que considera certo e entrega isso ao Senhor. Entrega seus caminhos a Ele, e Ele está pensando por meio de você.
Aceite isso pela fé.
Continuo tendo minhas mãos. Continuo tendo meus pés. Continuo tendo meus membros. Assim como antes os apresentei como instrumentos de injustiça, agora os apresento a Ele.
Pedro, junto à porta chamada Formosa, disse:
Olha para nós.
Depois, no mesmo capítulo, disse ao povo:
Por que fixais os olhos em nós, como se por nosso próprio poder ou piedade o tivéssemos feito andar?
“Olhem para nós.” Que tal porque você mandou? Mas o que ele estava dizendo era: “Olhem para Cristo em nós”.
A Bíblia diz que ele estendeu a mão e disse:
Em nome de Jesus Cristo de Nazaré, anda.
Mais tarde, no mesmo capítulo, foram orar e disseram:
Senhor, estende Tua mão para curar.
Bem, de quem era a mão? Era a mão Dele ou a mão de Pedro? A resposta é sim. A resposta é sim.
Você continua tendo suas emoções, mas Romanos 5:5 diz que o amor de Deus é derramado em seu coração. Sabe como é o amor de Deus?
Alegria. Paz. Paciência. Benignidade. Bondade. Mansidão. Domínio próprio. O eu não está na lista do fruto do Espírito. De fato, porque é Ele. Mas não é Ele; é você.
Seu vizinho olha para você. Seu irmão olha para você. Sua irmã olha para você e diz: “Ele já não tem inveja”. Vejam, o amor não tem inveja. É a vida Dele. É Ele.
Parece uma mudança, mas você não foi mudado, e sabe disso. Você sabe.
Ele não tem inveja e já não se gaba. Já não busca seus próprios interesses. Não se irrita facilmente. Está perdoando a todos. Não leva em conta o mal que sofreu.
Tudo sofre, tudo suporta, tudo crê. Todos os que olham para você dizem: “Nossa, você mudou”.
Você não mudou em nada. Cristo está Se manifestando por meio de você. É uma vida diferente. É uma nova vida. É a vida Dele.
Por fora, parece uma mudança, mas a realidade é que não é uma mudança.
Permitam-me dar esta última ilustração, e então encerrarei.
Todos os que me conhecem sabem que mecânica não é um dos meus dons. Entre as muitas coisas para as quais não tenho dom, essa é uma delas. Fico tão frustrado porque, além de não saber onde estou, não sei fazer coisa alguma.
Meu vizinho é mecânico. Entende de tudo isso. Imaginem meu vizinho olhando pela janela, do outro lado da rua. Ele me vê ali, com o capô aberto, mexendo no meu carro.
Tudo o que ele consegue ver — felizmente a janela está fechada, então ele não pode me ouvir — sou eu chutando o pneu. Depois, ele me vê pegar a chave de fenda, dizer alguma coisa para ela e bater no teto do carro.
Ele diz: “É, Ed. Puxa vida, ele precisa mudar”.
Mas vamos supor que eu tenha um amigo mecânico. Ele vem, abre o capô do carro, e eu fico ali ao lado. Agora estou feliz. Ele está examinando meu carro e sabe o que fazer.
Pega as ferramentas certas. Pega meu pé de cabra e o joga lá para dentro; já não precisa daquilo. Pega suas ferramentas e começa a trabalhar no carro.
Meu vizinho diz à esposa: “Ei, querida, venha dar uma olhada nisso. Que mudança em Ed Miller! Ele já não está chutando o pneu. Não está dizendo coisas feias para a chave de fenda e não está batendo no carro”.
Eu mudei? Eu mudei? Não, não mudei. Se meu amigo for embora, vou chutar o pneu de novo. Aquilo continua ali.
Mas, naquele momento, estou feliz. Estou em paz. Parece uma mudança.
Aqui está o mistério. Eles estão olhando pela janela. E se esse amigo não estivesse em pé diante do capô, mas estivesse vivendo dentro de mim?
Agora sou eu ali, mexendo no carro, e ele já não está chutando o pneu. “Ele deve ter mudado. Será que aconteceu alguma coisa com Ed?”
Não houve transformação. Houve substituição.
Irmãos, precisamos ver o Senhor. Maria nos ensina isso. Precisamos ver o Senhor neste Livro. Tomé nos disse isso. Precisamos ver o Senhor pela luz do Espírito Santo. O caminho de Emaús nos ensinou isso.
Precisamos que Jesus sopre sobre nós para que haja uma nova criação. O cenáculo nos ensinou isso. Precisamos nos considerar mortos e vivos para Deus em Cristo Jesus.
É a vida Dele, não a nossa.
Agora, amanhã, vamos examinar o acontecimento propriamente dito. Esta foi uma explicação do acontecimento. Vamos examinar o acontecimento e acompanhar Paulo vendo Jesus.
Porque ele viu Jesus, o que mais viu? É nessa direção que vamos.
Vamos orar.
Pai, obrigado pela Tua Palavra. Grava-a profundamente em nós, pedimos.
Obrigado porque, embora não usemos essas palavras difíceis, agradecemos pela encarnação. Obrigado pela união hipostática. Obrigado pelo mistério do Logos.
Obrigado por viveres em nós, em nosso lugar, como nosso substituto. Senhor, aceitamos pela fé que Tu desejas viver por nós tanto quanto desejaste morrer por nós.
Perdoa-nos, Senhor, por Te pedirmos que faças aquilo que nunca vieste fazer. Ensina-nos a nos apropriar da Tua vida. Pedimos em nome de Jesus. Amém.