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THAT THE WORD OF THE LORD MAY RUN AND BE GLORIFIED
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    The Exchanged Life #2: Thomas © 2026 Christian Testimony Ministry
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    The Exchanged Life #2: Thomas
    The Exchanged Life #2: Thomas
    Miller, Ed

    A vida substituída: contemplando Cristo pela fé

    Bem, bom dia, irmãos.

    Essa é uma boa maneira de começar: com adoração, simplesmente dizendo ao Senhor que O amamos, porque Ele nos amou primeiro.

    A dependência do Espírito Santo

    Ao voltarmos a este precioso Livro e buscarmos, mais uma vez, a revelação do nosso Senhor, quero lembrá-los daquele princípio de estudo bíblico que é absolutamente indispensável: a dependência total do Espírito Santo de Deus.

    Deus nos deu este precioso Livro, inspirado pelo Seu sopro, e deseja soprar sobre ele novamente. Ele quer Se revelar. Ele quer nos mostrar o Senhor Jesus.

    No fim das contas, precisamos nos apresentar como criancinhas e simplesmente dizer: “Senhor, já passamos pelos estudos acadêmicos. Já estudamos as palavras. Já examinamos tudo o que a natureza humana pode nos oferecer. Mas agora precisamos da Tua iluminação. Abre nosso coração, abre nossos olhos, abre a Palavra, revela o Senhor Jesus”. É disso que precisamos. Somente Ele pode fazer isso.

    Adoração e transformação

    Antes de orarmos, quero compartilhar um pequeno versículo que tocou meu coração. Vocês sabem, no final de Ezequiel, do capítulo 40 até quase o fim, ele tem aquela grande visão do templo — o chamado templo de Ezequiel. Alguns o chamam de templo milenar. Outros não têm certeza se é literal ou se é espiritual e figurado.

    Mas, seja como for, há um detalhe que, a meu ver, é muito instrutivo. Ao descrever esse templo, todo cheio da glória do Senhor, e suas dimensões espirituais, o texto descreve os adoradores entrando nele para adorar o Senhor.

    Ezequiel 46:9 diz:

    Quando o povo da terra vier perante o Senhor nas festas determinadas,
    aquele que entrar pelo caminho da porta do norte para adorar sairá pela porta do sul;
    e aquele que entrar pelo caminho do sul sairá pelo caminho da porta do norte.
    Ninguém voltará pelo caminho da porta pela qual entrou;
    sairá em frente.

    Agora, sei que parte disso se deve ao fato de Deus ser um Deus de ordem, e isso é muito organizado. Acho que esse é um dos aspectos. Mas creio que também há um princípio espiritual: ninguém que vem adorar o Senhor de verdade sai pela mesma porta por onde entrou. Não saímos da mesma maneira como entramos.

    Quando os magos realmente viram Jesus, a Bíblia diz que voltaram por outro caminho. Então, vamos simplesmente confiar no Senhor para que Ele Se revele a nós e depois nos faça sair por uma porta diferente. Vamos orar.

    Oração inicial

    Nosso Pai, mais uma vez Te agradecemos. Obrigado por reunires Teus filhos neste lugar durante este fim de semana.

    Pedimos simplesmente que, ao tocarmos em Cristo uns nos outros, ao termos comunhão, ao examinarmos Tua Palavra e ao inclinarmos os ouvidos para o céu, desejando ouvir uma palavra de Ti, Tu realmente reveles o Senhor Jesus ao nosso coração de maneira viva.

    Faze-nos avançar, individualmente e como corpo, um passo no conhecimento do nosso Senhor Jesus Cristo no coração. Confiamos em Ti para isso e Te agradecemos antecipadamente, porque Tu estás fazendo isso e continuarás a fazê-lo.

    Olhamos agora para Ti nestes momentos de meditação. Pedimos que protejas nossos irmãos de tudo o que é carne e sangue, de tudo o que procede do homem, e que Te agrade revelar a Ti mesmo.

    Pedimos no precioso nome de Jesus. Amém.

    A vida substituída

    Bem, acho que vocês já sabem — ou vão saber agora — que, neste fim de semana, chamei nosso tema simplesmente de a vida substituída. Há alguns meses, Deus tem feito essa realidade arder em meu coração.

    Outra maneira de dizer isso é: união com um Salvador ressurreto e elevado ao céu, que veio habitar em nós, que vive em nosso coração. União com Cristo. Vida do céu para a vida na terra — a vida substituída.

    As aparições após a ressurreição

    Agora, para colocar isso diante do nosso coração, estamos examinando um período que chamamos de quarenta dias, mais um, dois ou três, dependendo de como vocês o consideram. Estou falando daqueles quarenta dias entre a ressurreição do nosso Senhor Jesus e Sua ascensão ao céu.

    Durante esses quarenta dias, Ele apareceu e desapareceu onze vezes diante de alguns de Seus discípulos. Os teólogos chamam isso de aparições do nosso Senhor Jesus após a ressurreição.

    Obviamente, num fim de semana tão curto como este, não podemos examinar todas as onze aparições. De qualquer forma, não tenho luz sobre todas as onze, e muitas delas nem sequer são descritas.

    Agora, eu disse quarenta mais um, dois ou três. Deixem-me ler novamente a passagem de onde tiramos esse “mais um”. É 1 Coríntios 15:3-8. Vou começar a leitura no versículo 3:

    Eu vos transmiti, como de primeira importância, aquilo que também recebi: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras;
    e que foi sepultado;
    e que ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras;
    e que apareceu a Cefas, depois aos doze.
    Depois disso, apareceu a mais de quinhentos irmãos de uma só vez, dos quais a maioria permanece até agora, mas alguns adormeceram.
    Depois apareceu a Tiago, depois a todos os apóstolos.
    Por último de todos, como a um nascido fora de tempo, apareceu também a mim.

    Essa expressão, “um nascido fora de tempo”, da qual falarei em outro contexto, é a palavra aborto: “como a um abortado, apareceu também a mim”.

    Estou chamando a atenção para isso porque aconteceu cerca de sete anos depois. Após Sua ressurreição, Ele apareceu onze vezes e, sete anos depois, apareceu ao apóstolo Paulo no caminho de Damasco. Paulo inclui a si mesmo na lista.

    Ele apareceu a Maria. Apareceu a Tomé. Apareceu a Pedro. Apareceu a Tiago. Apareceu a quinhentos. E apareceu a mim. Paulo disse: “Por último de todos”. Sabemos que, literalmente, ele não foi o último. Jesus apareceu outras vezes. Apareceu a João na ilha de Patmos, e assim por diante.

    Como Paulo poderia incluir a si mesmo na lista? Ele não estava lá. E por que disse: “Por último de todos”, se não foi o último? Estou sugerindo que essa é a preparação final — “por último de todos” no sentido de conclusão.

    O propósito das aparições de Cristo

    Ontem à noite, examinamos três possíveis razões para Suas aparições após a ressurreição. Vou apenas mencioná-las e depois seguiremos adiante.

    A primeira está em Atos 1:3: por meio de muitas provas infalíveis, Ele Se apresentou vivo. Ele apareceu para provar que não estava morto. Essa é a primeira razão pela qual apareceu. Ele não está morto. Ele está vivo.

    A segunda razão é que Ele continuava desaparecendo. Eles estavam acostumados a vê-Lo com estes olhos, mas agora seria diferente. Teriam de se relacionar com um Deus invisível, e Ele estava acostumando-os a isso. Ele está ali. Ele não está ali, mas continua ali. Está na sala, mas vocês não conseguem vê-Lo; então, Ele aparece, e está ali.

    Eles pensavam: “Ele não está morto, mas foi embora”. Ele estava prestes a ensinar-lhes que não estava morto nem ausente, mas estava vivo — e vivo em mim. Ele está vivo — e vivo em você.

    Eles aprenderiam essa nova verdade no Pentecostes, quando Ele veio na Pessoa do Espírito Santo para batizar Sua igreja, batizar Seu povo e vir habitar neles de uma nova maneira — uma maneira viva. Sua vida em lugar da vida deles.

    Estou sugerindo que Ele apareceu durante esses quarenta e um dias para mostrar que não estava morto, para mostrar que não estava ausente e para prepará-los.

    Essas aparições são uma preparação. Eles precisavam ser preparados para a união com um Cristo que habitaria neles, algo sobre o qual nada sabiam e que nunca haviam experimentado. Aquele que antes ficava diante deles agora viveria dentro deles. Sua vida substituiria a vida deles. Eles não sabiam nada a respeito disso.

    Deus usou essas aparições para prepará-los para aquela maravilhosa união que estavam prestes a experimentar. Selecionamos várias dessas aparições para compreender essa preparação: como isso me prepara para essa união? Como essa experiência me prepara?

    Estou muito ansioso para chegar à expressão: “Por último de todos, apareceu também a mim” — por último porque é a conclusão. A preparação final. Depois de aprendermos o que Maria tem a nos ensinar, o que Pedro tem a nos ensinar, o que Tomé tem a nos ensinar, o que o caminho de Emaús tem a nos ensinar e o que o cenáculo tem a nos ensinar — quando tivermos aprendido esses princípios, Paulo diz: “Vocês precisam saber mais uma coisa”.

    Sem isso, vocês nunca entrarão nessa união vital: “Não estou morto nem ausente, mas vivo — e vivo em vocês”. Vocês precisam dessa preparação final. Todo cristão precisa do caminho de Damasco. Precisamos disso. É a preparação final.

    Se vocês perderem isso, passarão a vida inteira lutando para compreender a vida substituída. Precisamos dessa preparação final. E assim, por último de todos, como a alguém que não merece, alguém que olha para sua vida passada como nada além de um aborto, por último de todos, por Sua misericórdia, Ele apareceu a mim.

    Deus conta a história de Paulo para que possamos receber a preparação final.

    Maria Madalena e a revelação da vida de Cristo

    Ontem à noite, examinamos a primeira história: Maria Madalena. Creio que o princípio está em João 20:17, quando nosso Senhor Jesus disse:

    Deixa de te agarrar a Mim.

    Ela vinha se agarrando a Ele segundo a carne, e precisava ser curada disso, porque, no novo relacionamento, na nova união, não haveria esse apego segundo a carne.

    Nosso Senhor Jesus, em Sua grande misericórdia, não tocou nela. Não segurou sua mão. Não lhe provocou calafrios ou arrepios, nem colocou a mão sobre seu ombro, nem a derrubou. Ele simplesmente disse: “Maria”.

    Ela disse: “Agora eu vejo. Mestre, Tu me ensinaste. Vi algo maravilhoso. É uma revelação espiritual”. Ela correu de volta aos discípulos, e as últimas palavras de Maria Madalena registradas na Bíblia são:

    Vi o Senhor.

    Com isso, ela sai das páginas das Escrituras: “Vi o Senhor”.

    Preparação número um: se vou compreender essa união, não posso ser como Maria era. Ela finalmente foi liberta. Não conhecia a vida Dele como vida para ela; Ele estava morto, e era a vida dela que estava em ação. Ela estava derramando seu ministério e sua vida.

    Pela revelação da vida Dele, ela foi liberta da própria vida. Houve uma substituição. Já não era sua própria vida servindo a Ele. Já não era sua própria vida explicando as circunstâncias. Já não era sua própria vida a fonte de energia e força. Agora ela havia visto a vida Dele.

    Isso não é tudo. É apenas o primeiro passo na preparação para essa grande verdade que estou chamando de vida substituída.

    Tomé e a vida de fé

    Muito bem, chega de revisão. Isso nos leva, nesta manhã, à segunda história que quero examinar com vocês: a aparição do nosso Senhor Jesus a Tomé.

    Como Sua aparição a Tomé prepara nosso coração e nos faz avançar nessa preparação, para que possamos ter uma união viva com Aquele que não está morto nem ausente, mas vivo — e vivo em nós?

    O registro bíblico de Tomé

    Antes de examinar o princípio espiritual, deixem-me apresentar o contexto. Tenho certeza de que a maioria de vocês já sabe tudo isso, mas, se eu o expuser, estaremos todos acompanhando juntos.

    Se vocês quiserem um relato sobre Tomé, não irão a Mateus. Não irão ao Evangelho de Marcos. Não irão ao Evangelho de Lucas. Eles o mencionam, mas é só isso que fazem. Apenas dizem seu nome. Ele é um dos doze.

    Se quiserem um relato sobre Tomé, terão de ir ao Evangelho de João. Assim como há três histórias de Maria Madalena, há três histórias de Tomé.

    Uma está em João 11, quando, no episódio de Lázaro, Jesus decidiu ir a Jerusalém, e Tomé disse: “Vamos também nós para morrermos com Ele”. Há essa pequena história. Depois, há uma história em João 14, em que Jesus disse: “Eu sou o caminho, e vocês conhecem o caminho”, e Tomé disse: “Como sabemos o caminho? Não sabemos o caminho”.

    Então chegamos a João 20. Vou passar por cima das duas primeiras histórias, embora sejam instrutivas, e gostaria de chegar a João 20.

    João 20:19:

    Ao cair da tarde daquele dia, o primeiro dia da semana, estando fechadas as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, por medo dos judeus, Jesus veio, pôs-Se no meio deles e lhes disse: “Paz seja convosco”.

    Agora, se vocês descerem até João 20:24:

    Mas Tomé, um dos doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando Jesus veio.

    Vocês conhecem o relato. É o dia da Páscoa — a manhã da Páscoa — e, até onde sabemos, a maioria dos comentaristas concordaria que essa foi Sua quinta aparição. Ele apareceu apenas onze vezes em quarenta dias, e cinco dessas vezes foram no primeiro dia.

    Sabemos que Ele apareceu a Maria Madalena. Sabemos que, a essa altura, havia aparecido às mulheres. Sabemos que apareceu a Pedro. Sabemos que apareceu aos dois discípulos no caminho de Emaús. E sabemos que agora aparece aos dez discípulos, estando Judas, naturalmente, ausente, e Tomé também ausente.

    Vocês se lembram da resposta de Tomé. Vejam, por favor, João 20:25:

    Então os outros discípulos lhe diziam: “Vimos o Senhor”.
    Mas ele lhes disse: “Se eu não vir em Suas mãos a marca dos cravos, e não puser meu dedo no lugar dos cravos, e não puser minha mão em Seu lado, não crerei”.

    Tomé como um crente incrédulo

    Foi por causa dessa declaração que ele recebeu a conhecida designação de “Tomé, o incrédulo”. A maioria das pessoas o conhece como Tomé, o incrédulo. Agora, isso não é muito justo, mas é assim que acontece.

    Digo isso porque ele expressou suas dúvidas. Não há dúvida quanto a isso. Mas, segundo o relato, todos eles duvidaram. Ouçam enquanto leio estes versículos.

    Mateus 28:17:

    E, quando O viram, O adoraram; mas alguns duvidaram.

    Marcos 16:9-11:

    Tendo ressuscitado de manhã cedo, no primeiro dia da semana, Ele apareceu primeiro a Maria Madalena, da qual havia expulsado sete demônios.
    Ela foi e anunciou isso àqueles que haviam estado com Ele, enquanto estavam lamentando e chorando.
    E, quando ouviram que Ele estava vivo e que havia sido visto por ela, recusaram-se a crer.

    Portanto, não é apenas Tomé, o incrédulo. Marcos 16:12-13:

    Depois disso, Ele apareceu em outra forma a dois deles, enquanto caminhavam a caminho do campo.
    Eles foram e anunciaram isso aos outros, mas estes também não creram neles.

    Marcos 16:14:

    Depois, Ele apareceu aos próprios onze, enquanto estavam reclinados à mesa; e censurou-lhes a incredulidade e a dureza de coração, porque não haviam crido naqueles que O tinham visto depois de haver ressuscitado.

    Lucas 24:10-11:

    Eram Maria Madalena, Joana e Maria, mãe de Tiago; também as outras mulheres que estavam com elas contavam essas coisas aos apóstolos.
    Mas essas palavras lhes pareceram um disparate, e não creram nelas.

    Lucas 24:36-38:

    Enquanto contavam essas coisas, Ele mesmo Se pôs no meio deles.
    Mas eles ficaram assustados e amedrontados, e pensavam estar vendo um espírito.
    E Ele lhes disse: “Por que estais perturbados, e por que surgem dúvidas em vosso coração?”

    Em outro lugar, diz que eles não criam por causa da alegria. Não é interessante? Bom demais para ser verdade. Bom demais para ser verdade. É terrível não crer, mas não crer por causa da alegria — foi isso que aconteceu. Todos eles estavam incrédulos.

    Então, Tomé não era o único a duvidar, e talvez nem fosse o que mais duvidava. Não sabemos. Mas ele foi escolhido por Deus para representar aqueles que duvidam.

    Temos sua história por causa de seu comentário: “Não vou crer, a menos que possa colocar meu dedo em Suas gloriosas cicatrizes, a menos que possa estender a mão e colocá-la na ferida em Seu lado. Não crerei”.

    É importante lembrar que Tomé era um discípulo. Tomé era um crente. De fato, Jesus lhe disse em João 20:27:

    Não sejas incrédulo, mas crente.

    E disse:

    Porque Me viste, creste?

    Portanto, Tomé era um crente.

    Mas existe algo como um crente incrédulo. Há descrentes incrédulos, mas também há crentes incrédulos, e Tomé é um deles.

    Toda vez que ele é mencionado nas listas, aparece junto de Mateus. Vocês sabem que ele é chamado Dídimo, e Dídimo significa gêmeo. Muitos acham que Mateus era seu irmão gêmeo. Não sabemos ao certo, mas ele é sempre mencionado junto de Mateus. A questão é que ele é um crente e, como crente, é um crente incrédulo.

    Mais uma vez, João 20:29:

    Porque Me viste, creste?
    Bem-aventurados os que não viram e, contudo, creram.

    A visão e a fé

    Tomé tinha um problema. Assim como Jesus precisou corrigir o problema de Maria para prepará-la para essa revelação e para a união com o Cristo que habita em nós, agora, no segundo passo, Deus vai corrigir o problema de Tomé e estabelecer na Bíblia um grande princípio de preparação.

    Preciso da revelação de Maria. Não é pela carne. Não me agarro a Ele segundo a carne. Preciso da vida Dele. Preciso vê-Lo. Preciso ver o Senhor. Mas Tomé também tinha um problema.

    O problema de Tomé estava claramente relacionado à visão. Acho que todos podemos concordar com isso. Ele tinha esta ideia: “Se eu pudesse ver, isso ajudaria minha fé”. Essa era sua ideia. Ver ajuda. Se eu pudesse ver, seria mais fácil crer. Então ele disse: “Quero ver”.

    Acho que todos nós já passamos por isso, não é? Milhares de cristãos têm essa ideia: “Se ao menos Deus fizesse algo espetacular, se eu pudesse vê-Lo trabalhando, se pudesse vê-Lo agindo, se pudesse vê-Lo libertando, se pudesse vê-Lo curando, se pudesse vê-Lo provendo, se pudesse vê-Lo abrindo uma porta, se pudesse saber que é Deus — isso ajudaria. Isso ajudaria minha fé”.

    Lembro-me de que, quando era um jovem cristão, passei exatamente por essa questão de querer ver. “Se Tu és real, faz as luzes piscarem”. Sabe, a gente simplesmente quer alguma evidência, algum sinal empírico de que Deus é real.

    Aqui está uma prova de que a visão não pode ajudar a fé. Tomé tinha esta ideia: “Se eu puder vê-Lo, se puder ver Suas cicatrizes, se puder tocá-Lo, se puder colocar minha mão em Seu lado, isso me ajudará a ter fé”.

    Jesus apareceu diante dele e o convidou: “Coloca tuas mãos — coloca teu dedo aqui”. Não há registro de que ele tenha feito isso, mas recebeu o convite.

    Deixem-me perguntar: isso ajudou a fé dele? Pensem nisso.

    O que Jesus disse foi: “Você acha que ver vai ajudar sua fé? Agora você Me vê. Não precisa de fé. Aqui estou. Toque em Mim. Você está vendo. Agora não precisa de fé”.

    A visão não ajuda a fé. É por isso que ela é colocada em contraste com a fé. Vivemos pela fé. Andamos pela fé, e não pelo que vemos. É o oposto. A visão não pode ajudar a fé, nem um pouquinho.

    Agora, os teólogos fazem uma distinção entre crença e fé — a ideia de que preciso de evidências para acreditar em alguma coisa aqui na cabeça. Mas, quando se trata de fé, ver não vai ajudar.

    Tomé ainda não compreendia a presença invisível do Senhor. Essa é toda a questão. Ele disse: “Se Ele está vivo, preciso vê-Lo com estes olhos”. O Senhor vai corrigir isso, porque a visão não ajuda a fé.

    A presença invisível de Cristo

    Deixem-me dar uma ilustração da vida de Tomé. João 20:25 novamente:

    Os outros discípulos diziam: “Vimos o Senhor”.
    Mas ele lhes disse: “Se eu não vir em Suas mãos a marca dos cravos, não puser meu dedo no lugar dos cravos e não puser minha mão em Seu lado, não crerei”.

    Lembrem-se de quando Tomé disse essas palavras: foi em particular. “Não coloquem isso no e-mail. Não contem a ninguém. Não publiquem no boletim. Isso é particular. É entre mim e vocês. É assim que me sinto a respeito disso”.

    Ele estava com seus irmãos cristãos. Eles disseram: “Vimos o Senhor”, e ele lhes disse em particular: “Sim, vou acreditar se puder tocá-Lo, se puder vê-Lo. Até lá, não vou acreditar”.

    Bem, João 20:26: passam-se oito dias. Dessa vez, eles se reúnem novamente, mas Tomé não está ausente.

    Depois de oito dias, Seus discípulos estavam novamente dentro de casa, e Tomé com eles. Jesus veio, estando fechadas as portas, pôs-Se no meio deles e disse: “Paz seja convosco”.

    Imagino que todos tenham ficado de queixo caído quando Ele apareceu na sala. Então Jesus surpreende Tomé. João 20:27:

    Então disse a Tomé: “Estende aqui teu dedo e vê Minhas mãos; estende também tua mão e põe-na em Meu lado; e não sejas incrédulo, mas crente”.

    Não leiam isso simplesmente como se fosse “lá, lá, lá”. Como vocês se sentiriam se fossem Tomé? Eu ficaria um pouco constrangido e acho que também ficaria um pouco zangado. Olharia ao redor, para os irmãos, e diria: “Quem me dedurou? Quem contou a Ele? Mateus, você contou? André, foi você? Pedro, seu Pedro bocudo. Sei que foi Pedro”.

    Tomé, ninguém contou a Ele. Ele estava lá quando você disse isso. Estava invisível. Estava ouvindo. Estava presente, mas você não O via.

    Você precisa compreender um Senhor invisível, Tomé. Mesmo que não tivesse dito — mesmo que apenas tivesse pensado — Ele estava lá, ouviu e sabia.

    Você não podia vê-Lo naquele momento. Não podia ouvi-Lo. Não podia tocá-Lo. Nenhum de seus sentidos teria percebido coisa alguma, mas Ele estava lá. É essa vida, Tomé, que você precisa compreender. É essa vida que todo cristão precisa compreender se quiser entender a vida substituída.

    Cristo nos encontra onde estamos

    Agora, de passagem, deixem-me dizer uma coisa. Acho extraordinário que nosso Senhor Jesus tenha ouvido Tomé e lidado com ele dessa maneira.

    Tomé pensava que ver ajudaria e que precisava ver. Jesus é tão bondoso. Acho que, em todas as vezes que estivemos juntos, compartilhei este princípio, então vou continuar compartilhando. Não conheço uma verdade que tenha significado mais para mim do que esta:

    Deus sempre lida conosco onde estamos, não onde deveríamos estar.

    Ele sempre encontra Seu povo onde está para levá-lo aonde deveria estar. Como somos, onde estamos — é aí que Deus nos encontra.

    Tomé precisava aprender uma grande lição: a visão não vai ajudar a fé; ele pode se firmar no testemunho confiável de testemunhas confiáveis; e não precisa ver.

    Mas isso aqui é tão precioso. Jesus não o repreende duramente. Jesus não chega e diz: “Qual é o seu problema? Você é apenas um crente incrédulo. Cresça”. Ele não diz nada disso.

    Tomé tem uma grande necessidade, e Jesus o encontra ali. Ele não chega apontando o dedo para o rosto de Tomé e dizendo: “Que vergonha, que vergonha, que vergonha de você. Ver! Você é tão subjetivo. Por que não sai disso? Você deveria ter fé sem precisar ver. Era isso que Eu queria. Você não teve. Não há esperança para você”.

    Irmãos, Jesus nunca vai chamar vocês de burros. Jesus nunca vai chamar vocês de estúpidos. Jesus nunca vai chamar vocês de lentos. Jesus nunca vai gritar com vocês e dizer: “Cresça, seu bebezinho. Pare de ser tão subjetivo. Por que não se firma na verdade objetiva e assume uma posição inabalável?” Ele nunca fará isso.

    Seja qual for sua condição, onde quer que você esteja, seja qual for sua necessidade, Ele aparecerá e o encontrará exatamente onde você está — não porque você esteja no lugar certo, mas para estabelecer essas grandes verdades e levá-lo ao lugar onde, um dia, poderá desfrutar da vida Dele em lugar da sua: a vida substituída.

    Ele lida de maneira tão maravilhosa com Tomé aqui.

    Tomé como representante da igreja

    Bem, isso basta quanto ao contexto. Deixem-me tentar apresentar o princípio. Não vou ler o relato novamente, mas vocês o conhecem. Esta é a pergunta que faço: qual é a contribuição de Tomé para a história da redenção? Ou, dizendo de outra maneira, por que Deus nos contou sua história?

    Por que Deus colocou isso na Bíblia? Que princípio encontramos aqui que não encontraríamos em outra história? Em que o Espírito Santo está concentrando nossa atenção? Por que Deus nos contou essa história? Qual é a mensagem distintiva da vida de Tomé?

    Ao consultar meus comentários bíblicos, encontrei muitas sugestões. Alguns dizem: “Deus nos contou a história de Tomé porque ele representa todas as pessoas do mundo que duvidam”.

    Em outras palavras, por causa de Tomé, os agnósticos — aqueles que dizem: “Não sei” —, os céticos, os cínicos, os subjetivos, os inclinados a precisar de visão, sentimentos e emoções encontram encorajamento nessa história. É por isso que Deus nos deu essa história: para encorajar os que duvidam.

    Acho que isso faz parte, e bendito seja Deus por isso, porque creio que todos nós já passamos por essa situação. Tive dúvidas sinceras. Tive muitas dúvidas, e Deus vem ao encontro de quem duvida. Portanto, louvado seja Deus por essa história, porque ela realmente encoraja os que duvidam. Mas acho que é algo maior do que isso.

    Alguns dizem que Deus nos conta sua história porque ele representa aqueles que sempre chegam atrasados e despreparados. Vocês sabem o que queremos dizer com isso. Para os mais velhos entre vocês, anos atrás havia um programa de televisão de que eu gostava quando estava crescendo. Era sobre um agente chamado Maxwell Smart. Vocês se lembram? Alguns estão sorrindo; vocês se lembram.

    O nome do programa era Agente 86. Ele era aquele agente atrapalhado que sempre fazia tudo errado e acabava fazendo tudo certo. Ele tinha uma frase. Apertava os olhos, apontava o dedo e dizia: “Errei por um tantinho assim”.

    Tomé: “Vimos o Senhor”. “Você não estava lá”. “Ah, perdi por um tantinho assim”.

    Sempre há aquela pessoa que chega atrasada e fica de fora. É frustrante. Já passei por isso. As pessoas à minha frente estão sendo abençoadas pelo Senhor. As pessoas atrás de mim estão sendo abençoadas pelo Senhor. As pessoas dos dois lados estão sendo abençoadas pelo Senhor. E você fica pensando: “Alô? E eu?”

    Não é que você se ressinta da bênção delas, ou sequer desconfie do testemunho que dão. Mas elas estão contando tudo isso. Estão testemunhando de uma grande libertação, contando um milagre que chegou pela caixa de correio, portas que Deus abriu, oportunidades que Ele proporcionou, circunstâncias que Ele organizou de maneira sobrenatural e coisas extraordinárias que foram se encaixando.

    Você diz: “Louvado seja Deus pelo que aconteceu com você”. Mas, no coração, está dizendo: “Por que isso, Senhor? Todos ao meu redor são abençoados, e eu nunca estou lá”.

    Alguns acham que esse é Tomé: sempre vendo fruto, mas na vida de outra pessoa; são sempre os outros que recebem a bênção. Eles chegam até você e dizem: “Você deveria ter estado lá. Deveria ter visto. Que experiência!”

    Acho que Tomé realmente oferece uma grande contribuição aos espectadores e àqueles que parecem sempre perder a oportunidade, ficar para trás. A chuva está caindo sobre todos, e eles continuam secos e vazios, esperando: “Bem, talvez na próxima vez eu esteja lá”. Tomé realmente ministra a essas pessoas.

    Mas não creio que essa seja sua contribuição principal. Louvado seja Deus pela esperança que ele oferece aos que duvidam. Louvado seja Deus pela esperança que oferece àqueles que parecem sempre ficar de fora. Mas essa não é a principal contribuição de sua vida.

    Depois, há aqueles que dizem que ele é a advertência de Deus aos que ousam faltar a uma reunião. João 20:19 nos conta que ele não estava lá quando Jesus veio. Ele faltou à reunião. Vocês conhecem a ideia: “Viu o que acontece quando você não aparece? De quem é a culpa? Você poderia ter estado lá”.

    Bem, deem um desconto para ele. Era uma reunião à noite. Estou brincando. Não estou sugerindo que devemos deixar de nos reunir, mas não acho que esse seja, de modo algum, o ponto do Espírito Santo aqui. É verdade, ele faltou à reunião.

    Mas a questão não é que ele deixou de se reunir com os santos. Saulo de Tarso não estava se reunindo com os santos quando Deus lhe apareceu. Na verdade, o que ele estava fazendo com os santos? Era o contrário de se reunir com os santos.

    Portanto, não é esse o motivo. Não é apenas para encorajar os que duvidam e os que parecem sempre ficar de fora, nem para advertir os que negligenciam o reunir-se. Não me entendam mal: eles precisam de advertência. Isso faz parte.

    Mas há outra contribuição. Deixem-me apresentá-la, e depois tentaremos examinar o princípio.

    Creio que Deus estava dando a Tomé um dos maiores privilégios — maior do que o dos outros dez. Acho que ele o perdeu, mas Deus estava lhe dando o privilégio de representar a igreja em todas as eras.

    Ele deixou esse privilégio escapar, mas recebeu uma honra maior do que os demais.

    Vejam, como vocês conhecem Jesus? Como eu conheço Jesus? Deixem-me sugerir como vocês não O conhecem.

    Não creio que Ele chame seu nome num jardim, como fez com Maria. Talvez alguns de vocês tenham tido essa experiência; eu não tive. Não creio que, enquanto você caminha pela rua, Ele apareça de repente e lhe dê um estudo bíblico. Não é assim que você O conhece.

    Não creio que Ele apareça numa sala toda fechada, ou quando você está em seu quarto, a sós. Não creio que Ele Se encontre com você ao ar livre. Não creio que Ele caminhe com você por um campo de cereais.

    Não O vemos. Não podemos tocá-Lo. Não podemos nos relacionar dessa maneira. Não ouvimos Sua voz audível. Cada um dos discípulos O conheceu dessa maneira.

    Deus disse: “Depois que a Bíblia estiver concluída, eles não vão mais Me conhecer dessa maneira. Alguém precisa ilustrar isso. Alguém precisa Me conhecer da maneira como nós O conhecemos — não pela visão, mas pela fé”.

    “Bem-aventurados os que não viram”. É assim que precisamos fazer. Ele escolheu Tomé para mostrar isso.

    Todos no cenáculo haviam experimentado a primeira parte de João 20:29: “Porque Me viste, creste?” Todos poderiam dizer: “Sim, de fato. Porque vimos, cremos”.

    Mas somente a Tomé foi dado o privilégio de viver a segunda parte desse versículo: “Bem-aventurados os que não viram e, contudo, creram”. Tomé estava na posição em que estamos hoje, contemplando o Salvador pela fé.

    Tomé insistiu em ver, e assim perdeu o grande privilégio que poderia ter tido: crer no testemunho de testemunhas confiáveis.

    O testemunho de testemunhas confiáveis

    Que testemunhas Tomé tinha? Tinha Maria. Tinha o grupo de mulheres que encontrou o Senhor Jesus. Tinha os dez discípulos. Tinha os dois discípulos de Emaús. Eles não eram mentirosos. Ele tinha essas testemunhas confiáveis.

    O que vocês têm? Têm o testemunho de Maria. Têm o testemunho das mulheres. Têm o testemunho dos apóstolos no cenáculo. Têm o testemunho dos discípulos de Emaús.

    Quando Tomé recebeu esse testemunho, eram seus amigos falando. Quando nós recebemos esse testemunho, é a Bíblia. Seus amigos se tornaram nossa Bíblia. Suas testemunhas confiáveis agora são testemunhas inspiradas e confiáveis.

    Na verdade, fomos levados adiante em toda essa questão. Temos as mesmas testemunhas que ele tinha, só que agora o testemunho é inspirado. Temos a Bíblia.

    Agora, o que está acontecendo aqui, enquanto Deus apresenta esses princípios? Maria diz: “Vocês precisam ver o Senhor”. Tomé nos leva um passo adiante: “Vocês precisam ver o Senhor pela fé, com base no testemunho de testemunhas confiáveis, que se tornará sua Bíblia”.

    Vocês precisam ver o Senhor neste Livro. Deus está nos levando adiante. Está nos preparando. Como vou me relacionar com Aquele que não está morto nem ausente, mas vivo — e vivo em mim? Preciso vê-Lo pela fé, com base no testemunho de testemunhas confiáveis, que se tornará a Bíblia.

    Isso não está exposto de maneira completa em Tomé, mas é um passo nessa direção.

    João 20:29:

    Porque Me viste, creste?
    Bem-aventurados os que não viram e, contudo, creem.

    Tomé pensava que ver ajudaria a fé. Estava errado. A visão não ajuda a fé. Então Jesus lhe mostrou, quando apareceu: “Agora você não precisa de fé, porque está vendo”.

    Depois, Jesus fez algo mais. Isso é tão extraordinário. João 20:28:

    Tomé respondeu e Lhe disse: “Meu Senhor e meu Deus!”

    Entendam o que está acontecendo aqui. Tomé disse: “Preciso ver com estes olhos”. Jesus disse: “Esses olhos não vão ajudá-lo. Vou provar. Aqui estou. Agora você Me vê com esses olhos, mas isso não ajudou sua fé. Você não precisa de fé, porque está vendo”.

    Então, de repente, Deus abriu os olhos dele, e ele O viu — não com estes olhos. Vocês não podem ver “Senhor” com estes olhos, e não podem ver Deus com estes olhos.

    Quando ele disse: “Meu Senhor e meu Deus”, recebeu uma revelação que estes olhos jamais podem proporcionar. Deus estava dizendo: “Bem-aventurados os que não precisam ver”.

    Sabemos, de acordo com 1 Coríntios 12:3, que ninguém pode chamar Jesus de “Senhor” de verdade, a não ser pelo Espírito Santo. Tomé teve esse grande privilégio.

    O Senhor está dizendo a Tomé: “Não é com esses olhos”. Maria disse: “Preciso ver o Senhor. Vi o Senhor”. Tomé disse: “Preciso ver o Senhor com os olhos da fé, por meio do testemunho de testemunhas confiáveis”. É mais um passo adiante. Ele está nos preparando.

    O caminho de Emaús e a abertura das Escrituras

    Você diz: “Bem, então estou pronto. Agora posso me relacionar com o Cristo que habita em mim”. Ainda não. Ele disse: “Vou preparar você. Você precisa ver o Senhor. Precisa ver o Senhor pela fé. Precisa ver o Senhor pela fé neste Livro, com base em testemunhas inspiradas e confiáveis”.

    Deixem-me concluir tudo isso e acrescentar mais um ponto. Não vou desenvolver a história; vocês a conhecem. Lucas 24, o caminho de Emaús: aqueles discípulos são vocês, aqueles discípulos sou eu, aqueles discípulos somos nós. Eles nos representam.

    Eles estavam nessa situação. Vocês se lembram de que, em Lucas 24:21, estavam sem esperança:

    Nós esperávamos que fosse Ele.

    Estavam tristes. Estavam sofrendo. Vocês conhecem a história.

    Deixem-me chamar a atenção para duas verdades maravilhosas, e vamos concluir.

    Lucas 24:16:

    Seus olhos estavam impedidos de reconhecê-Lo.

    Lucas 24:27:

    Começando por Moisés e por todos os profetas, Ele lhes explicou as coisas referentes a Si mesmo em todas as Escrituras.

    Lucas 24:31:

    Então seus olhos foram abertos, e eles O reconheceram; e Ele desapareceu de sua vista.

    Lucas 24:45:

    Então Ele lhes abriu a mente para compreenderem as Escrituras.

    Vocês se lembram do testemunho deles em Lucas 24:32:

    Disseram um ao outro: “Não ardia nosso coração dentro de nós enquanto Ele nos falava no caminho, enquanto nos explicava as Escrituras?”

    Maria diz: “Vocês precisam ver o Senhor”. Tomé diz: “Vocês precisam ver o Senhor pela fé, com base nas testemunhas confiáveis cujo testemunho se tornou sua Bíblia”.

    Agora, o caminho de Emaús apresenta mais um passo. Preciso ver o Senhor. Preciso ver o Senhor pela fé neste Livro. Mas agora preciso que Deus abra meus olhos para a revelação que está neste Livro. Preciso que Ele abra meu entendimento e me mostre Cristo em todas as Escrituras.

    Mais uma vez, tento me colocar na situação. Tentem imaginar isso. Nosso Senhor Jesus acaba de realizar a redenção. Nosso Senhor Jesus havia Se tornado pecado por toda a humanidade. Ele suportou a maldição do pecado, o inferno, a morte e o juízo; levou ao fim a ira de Deus; satisfez Seu santo Pai; esgotou a indignação de Deus; satisfez a lei; e glorificou a justiça para sempre.

    Ele acaba de vencer Satanás, de tornar possível que tenhamos uma vida substituída e de tornar possível que sejamos novamente conformados à imagem de Cristo. Isso é uma grande vitória.

    Se eu tenho uma pequena vitória — se pesco um peixinho —, tirem uma foto minha: “Aqui está meu peixe. Vejam o que pesquei”. Nós fazemos um certo alarde disso. Colocamos nossos troféus em exposição.

    Agora, não quero ser irreverente, mas Jesus não ficou alardeando Sua própria vitória. Isso é extraordinário.

    Se fosse eu — acabei de vencer o pecado, a morte, o inferno, o juízo e a ira de Deus; tornei possível que todos sejam salvos; ressuscitei a mim mesmo dentre os mortos —, eu não teria aparecido dessa maneira.

    Eu teria descido num feixe de luz do céu. Teria descido com uma comitiva de anjos ao meu redor. Percebam como isso é maravilhoso, irmãos.

    Aqui está Cristo em Seu corpo ressurreto, andando e conversando. Ele está vivo. Ressuscitou a Si mesmo dentre os mortos. Em vez de dizer àqueles discípulos de Emaús: “Aqui estão Minhas mãos. Toquem em Mim. Aqui está Meu lado. Coloquem a mão”, em vez de aparecer numa limusine por causa de Sua grande vitória, em vez de vir com vinte mil anjos, em vez de fazer soar uma trombeta — é isso que eu teria feito.

    Ele fará isso quando vocês ressuscitarem, mas não o fez quando Ele ressuscitou. Ele ressuscitou tão silenciosamente quanto o sol nasce pela manhã.

    Para Se dar a conhecer, Ele toma um Livro.

    Eu teria dito: “Tcharam! Aqui estou”. Ele disse: “Não. Vocês querem Me conhecer?” Então toma um Livro e começa a abri-lo.

    Começando por Gênesis e passando por todas as Escrituras, Ele lhes mostrou a Si mesmo em todas as Escrituras. Tanto que, mais tarde, disseram: “Não ardia nosso coração?” Ele poderia ter feito isso de outra maneira, mas está estabelecendo um princípio.

    “Não estou morto. Não estou ausente. Estou vivo novamente e vivo em sua vida para substituir sua vida. Se vocês vão Me conhecer, precisam ser preparados para isso”.

    A preparação para a união com Cristo

    Maria diz: “Preciso ver o Senhor”. Essa é a primeira preparação. Tomé diz: “Preciso ver o Senhor com base em testemunhas confiáveis, pela fé neste Livro”. Essa é a segunda preparação.

    Os discípulos de Emaús dizem: “Isso não basta. Agora preciso que Deus me dê revelação neste Livro para ver o Senhor”. Ele está estabelecendo grandes verdades sobre como conhecê-Lo.

    Há dois relatos de Emaús. Um está no Evangelho de João; o outro, em Lucas 24. O Evangelho de João acrescenta algo que Lucas 24 não traz.

    Em João 20:22, enquanto estava na sala, Ele soprou sobre eles — lembram-se? — e disse:

    Recebei o Espírito Santo.

    Se estou entendendo corretamente, quando João diz que Ele soprou sobre eles e disse: “Recebei o Espírito Santo”, é exatamente o momento em que Lucas diz: “Ele lhes abriu a mente para compreenderem as Escrituras”.

    Há uma conexão maravilhosa aí. Tenho uma ideia do que Ele estava dizendo. Há apenas duas ocasiões na Bíblia em que Deus sopra sobre pessoas. Vocês se lembram da primeira? Quando foi? Com Adão.

    Quando Adão não passava de uma massa informe, quando era barro, tinha olhos, mas não podia ver. Tinha ouvidos, mas não podia ouvir. Tinha boca, mas não podia falar. Era incapaz de fazer qualquer coisa. Era apenas uma imagem de barro.

    Até que Deus soprou Sua vida nele, e ele passou a viver.

    O que Deus está dizendo é — agora prestem atenção: este não é o próximo passo, mas uma introdução ao próximo passo — que preciso ver Jesus: Maria. Preciso ver Jesus no Livro: Tomé. Preciso ver Jesus no Livro pela revelação do Espírito Santo, pela Sua luz: os discípulos de Emaús.

    Preciso vê-Lo de tal maneira que haja uma nova criação, que Ele me dê vida. Os cristãos estão tão mortos quanto Adão estava antes de Deus soprar nele, até que aprendam essa vida substituída.

    A preparação final

    Por último de todos, diz Paulo — a conclusão. Vamos pular muita coisa, mas, por último de todos, vem a preparação final. Se o Senhor quiser, começaremos isso hoje à noite.

    Vou fazer isso na ordem inversa. Eu deveria tomar o caminho de Emaús e dizer: “Foi isso que aconteceu. É isso que significa”. Mas creio que Deus me conduziu a fazer o contrário.

    Hoje à noite, vamos olhar para Emaús: aqui está o que significa, nas palavras de Paulo. Paulo explicará a experiência. Precisamos entender: o que é a vida substituída?

    Depois disso, se o Senhor quiser, amanhã de manhã examinaremos a preparação final: aqui está o que aconteceu. Vamos examinar isso, porque é isso que sempre acontecerá. Agora vocês estão prontos.

    Síntese

    Muito bem, é nesse ponto que estamos. Preciso ver Jesus.

    Preciso ver Jesus neste Livro.

    Preciso ver Jesus neste Livro mediante a revelação que o Espírito Santo faz Dele.

    Preciso ver Jesus neste Livro mediante a revelação que o Espírito Santo faz Dele, de tal maneira que Deus sopre sobre mim e Sua vida se torne minha vida.

    Que Deus nos ajude. Vamos orar.

    Oração final

    Pai, obrigado mais uma vez por Tua Palavra — não pelo que pensamos que ela talvez signifique, mas por tudo o que Tu sabes que ela significa. Por favor, opera essas coisas em nosso coração.

    Se há aqui algum irmão, jovem ou idoso, que não está plenamente preparado para a união com o Cristo que habita em nós, prepara-nos, Senhor, ainda neste fim de semana.

    Para que saibamos como nos relacionar com nosso Senhor Jesus, que vive em nosso coração pelo Espírito Santo.

    Obrigado porque Tu realizarás isso em nós, pois és tão bom. Em nome de Jesus, amém.