Boa noite, irmãos. É bom estar com vocês novamente, e nossa oração é que contemplemos nosso Senhor Jesus ao examinarmos a Palavra de Deus.
Há um princípio de estudo bíblico que é indispensável — absolutamente indispensável. Não podemos tratá-lo como algo garantido. Nosso coração natural costuma dar por garantido justamente aquilo que é mais indispensável, e isso é muito grave quando se trata deste Livro. Esse princípio indispensável é a dependência total do Espírito Santo de Deus.
Somente Deus pode revelar Deus, e Ele tem prazer em fazê-lo. Ele deseja ardentemente fazê-lo.
Antes de orarmos, quero compartilhar um pequeno versículo para orientar nosso coração na direção certa. Acho que todos vocês conhecem aquele maravilhoso capítulo, Ezequiel 36, porque ele trata da nova aliança do começo ao fim. É inteiramente a graça de Deus. Tudo ali é incondicional. É sempre: “Eu farei, Eu farei, Eu farei, Eu farei”.
Eu jurei.
Eu sou por vós.
Eu Me voltarei para vós.
Eu vos multiplicarei.
Eu vos farei vitoriosos.
Eu vindicarei a Minha santidade.
Eu vos reunirei.
Eu aspergirei água pura sobre vós.
Eu vos darei um coração novo.
Eu porei um espírito novo dentro de vós.
Eu porei o Meu Espírito dentro de vós.
Eu vos farei guardar os Meus estatutos.
Eu vos farei andar nos Meus caminhos.
Eu vos salvarei.
Eu, o Senhor, falei.
Eu o farei; não é por amor de vós que faço isto, mas por amor de Mim.
É assim o tempo todo.
Quando chegamos ao fim de tudo isso sobre a nova aliança, de toda essa graça, lemos este versículo, Ezequiel 36:37:
Assim diz o Senhor Deus: Ainda por isto serei consultado pela casa de Israel, para que lho faça.
Então Ele apresenta todas as coisas que deseja fazer, e a última coisa que diz é: “Eu permitirei que Me peçam para fazer isso por eles”. Embora tudo seja Sua graça, Ele diz: “Peçam-Me. Se vocês querem isso, estou disposto a fazê-lo, se Me pedirem”.
Portanto, vamos confiar no Senhor e pedir-Lhe que faça aquilo que Ele tanto deseja fazer.
Pai, nós Te agradecemos muito nesta noite por Tua preciosa Palavra e pela medida da revelação de Cristo que Tu nos concedeste o privilégio de ver até aqui. Oramos, Senhor, para que, neste fim de semana, mais uma vez, seja do Teu agrado revelar-Te a nós.
Nós Te agradecemos por Teu coração, Teu coração de nova aliança, e por tudo o que desejas fazer por nós. Pedimos agora que, neste fim de semana, cumpras essa aliança em nosso favor. Ministra ao nosso coração, nós Te pedimos. Revela o Senhor Jesus ao nosso coração de maneira transformadora.
Nós realmente desejamos vê-Lo e pedimos que, por Tua graça, nos dês olhos para isso. Entregamos nossas meditações a Ti, no nome incomparável de nosso Senhor Jesus. Amém.
Olhando ao redor, acho que já vi a maioria de vocês antes, e talvez haja umas duas pessoas novas. Então, deixem-me dizer duas coisas como introdução.
Primeiro, vocês vão ver minha Bíblia aqui e provavelmente vão pensar: “Por que ele nunca abre essa Bíblia?”. Bem, tenho todos os versículos anotados aqui em letras grandes, para conseguir enxergá-los. Eu já a abri, então fica esclarecido isso.
Depois, vocês provavelmente me viram chegar com uma pilha enorme de papéis. Não se assustem demais. Não há muita coisa escrita em cada página. É só para eu conseguir enxergar, e é para a proteção de vocês, para que eu não fique divagando.
Lembro-me de uma ocasião em que eu estava ministrando, e estávamos numa pequena cabana. Dana estava ministrando, e um caminhoneiro com uma carreta enorme se perdeu. Enquanto cantávamos e louvávamos ao Senhor, aquela carreta enorme chegou à cabana, lá no meio da mata. Dana olhou pela janela e disse: “Ed, suas anotações chegaram”.
Ele não tem jeito.
Enfim, deixem-me compartilhar com vocês o que está em meu coração para este fim de semana. Oro para que eu tenha percebido o coração do Senhor nisso. A passagem das Escrituras que gostaria de examinar com vocês é, na verdade, muito, muito extensa. Só teremos tempo de tocar numa pequena parte dessa grande porção.
Se vocês imaginarem isso como um terreno de alguns acres, eu gostaria de mostrar o terreno inteiro. Depois, gostaria de ir até um cantinho e cultivar uma pequena horta ali. Vocês precisam ver o campo inteiro para compreender o cantinho que vamos cultivar.
Mas acho que, ao cultivarmos esse cantinho, vocês terão uma amostra do campo inteiro.
A grande porção das Escrituras da qual vou tirar o texto abrange quarenta e um dias. Alguns entendem que são quarenta e dois ou quarenta e três. Não vou discutir isso. Estou me referindo aos dias entre a Páscoa e a ascensão de nosso Senhor Jesus. Estou falando daqueles quarenta dias.
Ouçam, por favor, enquanto leio os três primeiros versículos de Atos 1:1-3.
Fiz o primeiro relato, ó Teófilo, acerca de tudo o que Jesus começou a fazer e a ensinar,
até ao dia em que foi recebido no alto,
depois de haver dado, pelo Espírito Santo, ordens aos apóstolos que escolhera.
A estes também Se apresentou vivo, depois de Seu sofrimento,
com muitas provas convincentes,
aparecendo-lhes durante quarenta dias
e falando das coisas concernentes ao reino de Deus.
Esses são os quarenta dias. Mas vamos examinar quarenta mais um — ou dois, ou três. De onde vem esse acréscimo? Abram em 1 Coríntios 15, por favor. Vou começar a leitura em 1 Coríntios 15:3-8.
Porque primeiramente vos entreguei o que também recebi:
que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras;
e que foi sepultado;
e que ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras;
e que apareceu a Cefas;
depois, aos doze;
depois, apareceu a mais de quinhentos irmãos de uma vez,
dos quais a maior parte permanece até agora, mas alguns já adormeceram;
depois, apareceu a Tiago;
depois, a todos os apóstolos;
e, por último de todos, como a um nascido fora de tempo, apareceu também a mim.
O apóstolo Paulo menciona as aparições de nosso Senhor Jesus após a ressurreição, que aconteceram durante os quarenta dias — de Sua ressurreição até Sua ascensão. Então ele diz: “Por último de todos, apareceu também a mim”. Evidentemente, ele está se referindo à experiência no caminho de Damasco.
Se for assim, a cronologia bíblica geralmente aceita situa esse acontecimento por volta do ano 37 d.C. — em outras palavras, cerca de sete anos depois. Ele relaciona aqueles que O viram durante os quarenta dias: Tiago O viu, Pedro O viu, Maria O viu, Tomé O viu, quinhentas pessoas O viram. Ele os relaciona e se inclui na lista, embora sua experiência tenha ocorrido sete anos depois.
Ele disse: “Por último de todos, apareceu também a mim”. É daí que tiro o dia adicional — os quarenta dias mais esse dia. Alguns dizem que essa revelação levou dois ou três dias. Ele ficou cego durante três dias, e é daí que chegam, talvez, a quarenta e dois ou quarenta e três dias. Vocês podem entender isso como quiserem.
Quero examinar esse período. Deixem-me mostrar como esse campo é realmente grande. Durante esses quarenta e um dias, nosso Senhor Jesus apareceu doze vezes: seis vezes a indivíduos e seis vezes a grupos.
É verdade que não temos muita informação sobre várias dessas aparições. Por exemplo, sabemos que Ele apareceu a Pedro em particular. É tudo o que sabemos. Talvez haja um ensinamento nisso. Quando alguém negou o Senhor e está sendo restaurado, talvez o que aconteceu não seja da nossa conta. Talvez seja algo apenas entre essa pessoa e o Senhor. De certo modo, fico contente por não haver muita informação sobre isso.
Ele apareceu a Seu irmão Tiago. É tudo o que sabemos. Também não sabemos muito sobre essa aparição. Ele apareceu a quinhentos de uma vez. Há algumas ideias sobre quando isso aconteceu, mas ninguém tem certeza.
Algumas pessoas acham que Ele apareceu a quinhentas pessoas diferentes que não estavam todas reunidas num só grupo, mas espalhadas por vários lugares, e que apareceu ao mesmo tempo, como uma antecipação:
Todo olho O verá.
Não sei. Não sei.
Sabemos que Ele apareceu doze vezes. Algumas dessas aparições são relatadas em grande detalhe. É claro que, num fim de semana como este, não podemos examinar doze aparições diferentes.
Antes de me concentrar naquele pequeno canto que quero cultivar, gostaria de apresentar três sugestões. Por que Ele apareceu? Por que simplesmente não subiu ao céu, enviou o Espírito Santo e deu continuidade ao plano? Por que precisou aparecer doze vezes diferentes? O que tudo isso significa?
Deixem-me apresentar três sugestões. Vou mencionar as duas primeiras e deixá-las de lado. Vou mencionar a terceira, e é nela que vamos nos concentrar neste fim de semana. Essa terceira sugestão é a nossa pequena horta.
Já lemos a primeira. Está em Atos 1:3.
A estes também Se apresentou vivo, depois de Seu sofrimento,
com muitas provas convincentes,
aparecendo-lhes durante quarenta dias.
A versão King James diz: “Muitas provas infalíveis”. Kenneth Wuest diz: “Muitas provas indubitáveis”. A New English Translation diz: “Muitas provas abundantes”.
Uma razão pela qual Ele continuou aparecendo foi comprovar, de maneira infalível, que não estava morto. Por meio de muitas provas infalíveis, muitas provas convincentes, muitas provas abundantes, muitas provas indubitáveis, Ele mostrou que não está morto. Ele está vivo.
É verdade que Ele apareceu somente aos eleitos. Atos 10:40-41:
A Este Deus ressuscitou ao terceiro dia e Lhe concedeu que Se manifestasse,
não a todo o povo,
mas às testemunhas anteriormente escolhidas por Deus,
a nós, que comemos e bebemos com Ele depois que ressuscitou dentre os mortos.
Falo como um insensato, mas, se fosse eu, não teria aparecido apenas aos crentes. Acho que teria batido à porta do governador e dito: “Olá, Pilatos. Você se lembra de Mim?”. Ou teria ido ao palácio de Herodes: “Ei, vim devolver sua veste”.
Eu teria ido à guarda pretoriana e dito: “Lembram-se de quando Me vendaram os olhos, fizeram-Me girar, jogaram-Me de um guarda para outro, bateram em Meu rosto e disseram: ‘Se consegues enxergar através dessa venda, dize-nos quem Te bateu’? Eu enxerguei através daquela venda”.
Eu teria procurado o fariseu orgulhoso. Teria ido à casa do sacerdote, ao conselho do Sinédrio. Teria aparecido à porta de Anás, ou à porta de Caifás, ou algo assim.
Mas nosso Senhor Jesus é mais sábio do que eu, e apareceu a Seus filhos. Ele apareceu porque queria comprovar que estava vivo.
Muitos de Seus discípulos precisavam de provas infalíveis de que Ele estava vivo. Eles sofreram muito. Estavam arrasados.
As mulheres não conseguiam parar de chorar. Marcos 15:47 diz que elas observavam quando Jesus foi retirado da cruz. Segundo Mateus 27:61, quando a grande pedra foi colocada diante do túmulo, as mulheres se sentaram ali e choraram até o pôr do sol. Estavam arrasadas.
Pedro tentou, durante seis meses, impedir Jesus de ir à cruz. Foi quando Jesus precisou repreendê-lo e dizer:
Para trás de Mim, Satanás.
Lembrem-se dos discípulos de Emaús, em Lucas 24. Quando Jesus apareceu, eles estavam conversando e discutindo, e o próprio Jesus Se aproximou e começou a caminhar com eles. Mas os olhos deles foram impedidos de reconhecê-Lo.
E Ele lhes disse: Que palavras são essas que trocais entre vós enquanto caminhais?
E eles pararam, com o semblante triste.
Por que tinham o semblante triste? Porque estavam tristes. Estavam tristes porque Ele estava morto.
Mas nós esperávamos que fosse Ele Quem havia de redimir Israel.
Nossas esperanças acabaram. Ele está morto. Estávamos esperando, mas Ele está morto. Temos provas. Vimos Seu corpo. Estava dilacerado. Nós O vimos ser retirado da cruz. Observamos enquanto José de Arimateia e Nicodemos ungiam Seu corpo. Nós O vimos ser colocado no túmulo. Ele está morto. Acabou. Estávamos errados. Ele não é o Messias.
Essa é uma das razões pelas quais Ele continuou aparecendo, continuou Se manifestando. Ele não está morto. Que alegria eles descobriram quando Ele apareceu!
Lembrem-se de como o coração de Jacó reviveu quando soube que seu filho não estava morto, mas vivo — exaltado como senhor e como o pão da vida para o mundo inteiro. Vocês se lembram da alegria em seu coração? Bem, foi isso que aconteceu.
Durante quarenta dias, a notícia começou a se espalhar: “Ele não está morto. Ele não está morto. Ele está vivo. Ele não está morto”.
Acho que há uma segunda razão pela qual Ele continuou aparecendo. Ela é expressa em Mateus 28:18-20, especialmente no versículo 20.
E Jesus, aproximando-Se, falou-lhes, dizendo:
Toda a autoridade Me foi dada no céu e na terra.
Ide, portanto, e fazei discípulos de todas as nações,
batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo;
ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado;
e eis que Eu estou convosco todos os dias, até à consumação dos séculos.
Aqueles quarenta dias foram uma espécie de período de transição — uma transição entre um Salvador visível, fisicamente presente, e Alguém que estaria com eles de maneira invisível. Eles precisavam se acostumar com isso.
“Eis que Eu estou com vocês todos os dias”, embora vocês não possam Me ver, embora não possam Me tocar. Eu estou com vocês.
Literalmente, é: “Eu estou com vocês todos os dias”. Em outras palavras, nunca haverá um dia em sua vida, nunca haverá um dia em minha vida, em que Ele não esteja conosco.
Eles tiveram outro problema depois de descobrirem que Ele estava vivo. Ele não está morto. Ele está vivo. Ele Se senta com eles. Parte o pão. Eles O veem. Ele está vivo.
Então Ele desaparece.
Ele não está morto, mas desapareceu. Eles estão andando juntos pela rua, e Ele está ali. De repente, não está mais. Estão numa sala, com todas as portas fechadas, e Ele aparece. Ele está ali. Depois, não está. Ele desapareceu.
Durante quarenta dias, Ele está aqui; não está aqui. Ele está aqui; não está aqui. Ele está aqui.
Isso chegou ao ponto culminante no quadragésimo dia. Vocês se lembram do relato em Atos 1:6-8.
Então, os que se haviam reunido perguntaram-Lhe, dizendo: Senhor, restaurarás Tu neste tempo o reino a Israel?
E Ele lhes disse: Não vos compete conhecer os tempos ou as épocas que o Pai estabeleceu por Sua própria autoridade.
Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo;
e sereis Minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria, e até aos confins da terra.
Agora, observem isto, irmãos, em Atos 1:9-10:
E, tendo Ele dito estas coisas, enquanto eles olhavam, foi elevado;
e uma nuvem O recebeu, ocultando-O de seus olhos.
E, estando eles com os olhos fitos no céu, enquanto Ele subia,
eis que dois homens se puseram ao lado deles, vestidos de branco.
Coloquem-se no lugar deles. Ele não está morto. Ele não está morto. Ele está vivo. Ele desapareceu. Ele está aqui. Ele não está aqui. Ele desapareceu.
Então, um dia, Ele desaparece, e uma nuvem vem e O tira de vista.
Não pensem que eles não estavam esperando que Ele aparecesse outra vez. Estavam, sim. Era isso que Ele vinha fazendo durante quarenta dias. Ele está aqui. Ele não está aqui. Ele está aqui. Ele não está aqui.
Não sei como foram aqueles dez dias. Sei que a Bíblia diz que receberam a ordem de se reunir em Jerusalém, e assim fizeram. Estavam no cenáculo, e temos um registro disso. Não temos registro de suas conversas.
Acho que foi mais ou menos assim: “Alguém O viu? Ele apareceu? Pedro, você O viu?”.
“Ah, da última vez que O vi, uma nuvem O tirou de vista.”
“E você, André? Você O viu? Tomé?”
Ele foi embora.
Ele está morto. Ele não está morto. Ele está vivo. Ele foi embora. Primeiro dia, segundo dia, terceiro dia, primeira semana. Acho que concluíram: “Ele foi embora de vez”. Acho que era isso que estavam pensando.
Mas vocês conhecem o relato: o maravilhoso dia de Pentecostes, a promessa de nosso Senhor Jesus de enviar o Senhor na pessoa do Espírito Santo. Naquele momento, eles fizeram uma descoberta.
Ele não está morto nem foi embora; Ele está vivo. E está vivo em mim.
Que dia! Que descoberta fizeram naquele dia! Ele não está morto nem foi embora; está vivo, e está vivo em mim. Ele não está morto nem foi embora; está vivo, e está vivo em você. Ele não está morto nem foi embora; está vivo, e está vivo em nós.
Glorioso, glorioso evangelho.
Embora esteja sentado à direita do Pai, Ele não está longe. Na verdade, não poderia estar mais perto. Ele está em seu coração. Ele está em sua vida. Ele está em minha vida.
Esse novo relacionamento — Deus em mim, Deus em você —, o fato de que Ele não está morto nem foi embora, mas está plenamente vivo e plenamente presente, e agora habita em nós por Seu Espírito, era algo novo para eles.
Nós simplesmente colocamos por cima disso tudo o que já ouvimos e tudo o que sabemos. Para eles, aquilo era inteiramente novo. Estavam acostumados a se sentar aos Seus pés, olhar para Ele e ouvi-Lo ensinar. Estavam acostumados a vê-Lo partir o pão. Estavam acostumados a levá-Lo para o barco e deixá-Lo ir dormir ali.
Estavam acostumados a se sentar no campo gramado e ser alimentados com peixes e pães. Estavam acostumados a caminhar com Ele pelas plantações de cereais no sábado. Estavam acostumados com isso.
Mas Aquele — o mesmo — que caminhava com eles agora está vivendo dentro de mim. Isso é novo.
Eles precisavam ser preparados para isso. Então, proponho a terceira razão: por que Ele continuou aparecendo e desaparecendo durante aqueles quarenta dias?
Uma razão era mostrar que Ele não está morto. Outra era mostrar que Ele não foi embora. Outra era prepará-los para o novo relacionamento.
Eles precisavam ser preparados para um relacionamento inteiramente novo. Como me relaciono com Ele? Como posso ter união com este que não está morto nem foi embora, mas agora está vivo em mim? Como posso desfrutar Dele?
Estou sugerindo que cada uma dessas aparições estabeleceu um grande princípio de preparação. Ele precisava prepará-los para isso.
Irmãos, o que eu gostaria de fazer neste fim de semana — aqui está nossa pequena horta — é examinar vários relatos. Trata-se de uma grande porção das Escrituras, e não podemos examinar tudo. Então selecionei alguns relatos, e vamos observar o princípio: como isso me prepara para ter união com o Cristo que habita em mim?
Neste fim de semana, vou falar sobre o que chamarei de a vida substituída.
Quando descobriram que Ele não está morto nem foi embora, mas está plenamente vivo e vivo neles, descobriram que havia uma nova vida — uma troca de vida.
Muitas vezes pensamos na vida cristã como uma mudança. Não é uma mudança. É uma troca.
Era isso que precisavam estar preparados para aprender. Vamos conversar durante todo o fim de semana sobre a vida substituída.
Vamos examinar várias histórias, e cada uma nos leva mais adiante. Ele não explica tudo na primeira história. Apenas introduz o assunto. Depois, faz uma transição para a história seguinte, apresenta outro princípio e, quando chegamos ao fim, tudo foi apresentado.
Quero examinar Maria Madalena, porque ela é a primeira. Acho que isso é importante. Ela é a primeira.
No final, vamos examinar: “Por último de todos, apareceu também a mim”, porque ele é o último. Quero mostrar como a aparição de nosso Senhor a Maria Madalena apresentou o grande princípio: como posso ser preparado para me relacionar com Aquele que veio oferecer Sua vida em troca da minha?
Depois, vou agrupar alguns desses relatos. Quero examinar Tomé, o caminho de Emaús e o cenáculo — não tudo, apenas o grande princípio.
Mas o que mais desejo, irmãos, é chegar a isto: “Por último de todos, apareceu também a mim”.
Vamos ter duas lições sobre o caminho de Damasco — não o caminho de Emaús, o caminho de Damasco. Uma lição explicará a vida substituída, e a outra a ilustrará.
Como ele é o último, essa é a preparação final. A última coisa que alguém precisa saber para se relacionar com o Cristo que habita em nós é apresentada claramente nessa experiência. É por isso que ela vem por último.
Não é a última literalmente, porque Ele apareceu a João depois disso, e assim por diante. Não foi a última. Mas ele disse: “Por último de todos”. É a última porque é a preparação final. Ele vai nos preparar, nos preparar e nos preparar, e a preparação final é esta: ninguém pode se relacionar com o Cristo que habita em nós sem essa preparação.
Que Deus os ajude. Vocês sabem onde estamos e para onde estamos indo. É isso que gostaríamos de examinar neste fim de semana. Orem por mim enquanto examinamos esse assunto, e orem para que nosso coração realmente entre nessa preparação.
Vou começar com Maria Madalena. Abram em João 20, por favor. Vamos ler João 20:1-2.
No primeiro dia da semana, Maria Madalena vem cedo ao túmulo, sendo ainda escuro,
e vê a pedra retirada do túmulo.
Corre, pois, e vai a Simão Pedro
e ao outro discípulo, a quem Jesus amava,
e diz-lhes: Tiraram o Senhor do túmulo,
e não sabemos onde O puseram.
Vou pular a corrida entre João e Pedro e passar para João 20:10-13.
Assim, os discípulos voltaram para suas casas.
Maria, porém, estava junto ao túmulo, do lado de fora, chorando;
e, enquanto chorava, abaixou-se e olhou para dentro do túmulo;
e vê dois anjos vestidos de branco, sentados,
um à cabeceira e outro aos pés,
onde estivera o corpo de Jesus.
E eles lhe dizem: Mulher, por que choras?
Ela lhes diz: Porque tiraram o meu Senhor,
e não sei onde O puseram.
E, tendo dito isso, voltou-se para trás
e vê Jesus em pé,
mas não sabia que era Jesus.
Jesus lhe diz: Mulher, por que choras? A Quem procuras?
Ela, supondo ser Ele o jardineiro, diz-Lhe: Senhor,
se Tu O levaste daqui, dize-me onde O puseste,
e eu O levarei.
Jesus lhe diz: Maria.
Ela, voltando-se, diz-Lhe em hebraico: Raboni;
que quer dizer: Mestre.
Jesus lhe diz: Não Me toques;
porque ainda não subi ao Pai;
mas vai a Meus irmãos e dize-lhes:
Subo para Meu Pai e vosso Pai,
Meu Deus e vosso Deus.
Maria Madalena vai e anuncia aos discípulos: Vi o Senhor;
e conta que Ele lhe dissera essas coisas.
Antes de mostrar a aparição de nosso Senhor Jesus a Maria e me concentrar nesse princípio de preparação, quero observar uma coisa: se vocês têm a New American Standard — não sei quanto às outras traduções —, vão notar um asterisco em João 20.
O texto diz que Maria veio, e há uma estrelinha. Diz que estava escuro, e há uma estrelinha. Diz que ela viu a pedra, e há uma estrelinha. Se vocês consultarem o início da Bíblia, onde essas coisas são explicadas, encontrarão uma explicação sobre o tempo presente histórico no grego.
Não temos isso no inglês, mas eles tinham no grego. Em outras palavras, trata-se de algo passado: estava escuro, ela veio. Mas, na verdade, a forma como está escrito é: “Ela está vindo”. Está no presente, embora já tenha acontecido, porque Deus quer que entremos nessa cena e nos envolvamos. Coloquem-se no lugar dela. Ela está vindo.
Vocês verão esse asterisco em João 20:2, João 20:5-6 e João 20:12-18. Ele está enfatizando isso.
Ele conta a história de modo que vocês entrem nela: Maria está vindo, Maria está falando com Jesus, Maria está correndo de volta para casa, Maria está vindo, e Maria está chorando. Embora seja “Maria chorou” e “Maria veio”, está no tempo presente.
Quando vocês veem isso, o Espírito Santo está dizendo de maneira especial: “Tragam isso para o presente e entrem nessa cena”.
Dito isso, é importante saber quem é Maria. Estou falando espiritualmente. Vocês sabem que Madalena não era seu sobrenome. Não sabemos seu sobrenome. Não é como Maria Smith, Maria Jones ou Maria Russell. Não é assim.
Dizem que Magdala é o lugar onde ela morava. É sua cidade de origem. É como Jesus de Nazaré. Meu nome seria Ed de Waterbury — Waterbury, Connecticut, entendem? Não sabemos seu sobrenome, mas, como todos a conhecem como Maria Madalena, é assim que vocês serão chamados neste fim de semana, está bem?
Quanto ao registro bíblico, há catorze referências diferentes a Maria Madalena na Bíblia. Embora haja catorze referências, existem apenas três histórias, e duas delas são bem curtas: quando ela encontrou Jesus pela primeira vez, quando esteve junto à cruz e quando Jesus a encontrou na manhã do domingo de Páscoa.
Ouçam, por favor, Lucas 8:2. Este é o primeiro registro.
E também algumas mulheres que haviam sido curadas de espíritos malignos e enfermidades:
Maria, chamada Madalena, da qual haviam saído sete demônios.
O único registro que temos sobre sua condição anterior é que ela tinha sete demônios em seu corpo. Aquele a quem muito se perdoa muito ama, e ela foi muito perdoada. Ela tinha sete demônios. Considero Maria Madalena uma das pessoas que mais amaram Jesus em todo o registro bíblico. Ela amava o Senhor Jesus.
Esta é uma mulher salva. Sete demônios — ela foi liberta, foi posta em liberdade, foi resgatada, foi redimida.
Agora, é um pouco lamentável que Lucas 8 e Lucas 7 estejam tão próximos. Em Lucas 7, lemos sobre uma mulher de vida imoral que se prostrou aos pés de Jesus, derramou unguento e enxugou Seus pés com seus cabelos e suas lágrimas. Como os capítulos estão tão próximos, alguns dizem que é a mesma mulher — que Maria Madalena era aquela mulher de vida imoral.
Não sabemos disso. Não está claro. Não estou sugerindo que alguém com sete demônios não pudesse ter baixos padrões morais. Tenho bastante certeza de que, se alguém tem sete demônios, é capaz de qualquer coisa. Não sei. Só estou dizendo: vamos dar a ela o benefício da dúvida. Não sabemos.
Sabemos que ela foi maravilhosamente liberta, porque tinha sete demônios. Mas nosso interesse está na manhã de Páscoa, em João 20.
Ela recebeu a maior honra que alguém neste planeta já teve. É isto que quero dizer: isso só poderia acontecer com uma pessoa. Não poderia acontecer com duas — apenas com uma. Alguém precisava ser o primeiro.
Alguém precisava ser o primeiro a ver Sua figura. Alguém precisava ser o primeiro a ouvir Sua voz. Alguém precisava ser o primeiro a receber uma missão Dele. Maria Madalena recebeu esse privilégio.
Li estes pequenos versos. Não sei quem escreveu o poema:
Não foi ela quem feriu seu Mestre com um beijo traidor,
Nem O negou com língua infiel;
Quando os apóstolos fugiram, ela enfrentou o perigo,
A última junto à cruz, a primeira junto ao túmulo.
Essa é Maria Madalena.
Como nosso Senhor Jesus, por meio de Sua aparição a Maria, estabelece nas Escrituras a primeira preparação? Ele não está morto nem foi embora. Ele está vivo. Está vivo em você, e você precisa se relacionar com Ele. Que Deus nos ajude.
Quero que vocês tenham clareza de que Maria amava muito Jesus. Ela não é rebelde. Não é alguém que se afastou do Senhor. Precisa acertar algumas coisas, mas não se afastou do Senhor. Não é hipócrita.
Se há alguém que quer acertar, é ela. Ela ama o Senhor Jesus. Foi liberta pelo Senhor Jesus. Mas ainda não está preparada para ter união com um Salvador que habita nela.
O amor pelo Senhor Jesus e a gratidão não são suficientes.
Acho que todos já fomos ensinados pelo Espírito de Deus o suficiente para saber que não é pelas obras de justiça que fizemos. É pela graça. Ninguém aqui, ninguém nesta sala, diria: “Vou conquistar o céu com minhas obras”. Vocês sabem que não é pelas obras.
Mas talvez vocês tenham se machucado como eu me machuquei. Alguém diz: “Não é pelas obras. Você não pode merecer o favor de Deus. É por amor e gratidão”.
Deixem-me dar uma ilustração. Suponham que Deus dissesse a vocês: “Se você conseguir levantar este peso de duas mil libras acima da cabeça, poderá ir para o céu”. Quantos aqui acham que conseguiriam conquistar o céu dessa maneira?
E se Ele dissesse: “Muito bem, você não pode merecer a graça. Faça isso simplesmente porque ama Jesus. Faça por gratidão. Faça com um coração agradecido por tudo o que Ele fez por você. O que importa é a motivação do seu coração”?
Vocês têm mais capacidade de levantar duas mil libras porque amam Jesus?
Era isso que as pessoas me diziam, e era isso que eu pensava. Diziam: “Não, não faça pelas obras. Você não pode merecer isso. Faça porque ama Jesus”.
Você continua tão incapaz de fazer isso por amor a Jesus quanto era quando tentava merecer alguma coisa. Faça por gratidão. Faça por causa de tudo o que Ele fez por você.
Você precisa de uma vida substituída. É disso que Maria também precisa.
Agora veremos Maria agindo por amor, por gratidão, a partir de sua própria vida. Ah, é tão angustiante vê-la assim.
Uma razão pela qual Maria significa tanto para mim é que ler sua história é como ler meu diário, minha biografia, como olhar num espelho. Já me machuquei tantas vezes da mesma maneira que Maria se machucou aqui.
Maria ama Jesus sinceramente. Foi verdadeiramente redimida, mas não está pronta. Precisa de outra libertação.
De que alguém que ama Jesus sinceramente precisa ser liberto para estar preparado para se relacionar com Ele?
Creio que a resposta está em João 20:16-17.
Jesus lhe diz: Maria.
Ela, voltando-se, diz-Lhe em hebraico: Raboni;
que quer dizer: Mestre.
Jesus lhe diz: Não Me toques;
porque ainda não subi ao Pai;
mas vai a Meus irmãos e dize-lhes:
Subo para Meu Pai e vosso Pai,
Meu Deus e vosso Deus.
“Não Me toques.” A NIV diz: “Não te agarres a Mim”. Acho que nessa passagem temos o princípio que estamos procurando.
Quase parece injusto, porque em Mateus 28:9 lemos sobre as mulheres. Depois que Maria se separou delas, seguiram seu caminho e viram Jesus. A Bíblia diz que se prostraram aos Seus pés e abraçaram Suas pernas, abraçaram Seus pés. Ele não disse às mulheres: “Não Me toquem”. Mas a Maria disse: “Não Me toques”.
Depois, em Lucas 24:39, quando apareceu no cenáculo, Ele disse:
Vede as Minhas mãos e os Meus pés, que sou Eu mesmo;
apalpai-Me e vede.
E, em João 20:27, disse a Tomé:
Põe aqui o teu dedo e vê as Minhas mãos;
estende também a tua mão e põe-na no Meu lado.
A Tomé, Ele disse: “Toque em Mim”. Mas a Maria diz: “Não Me toque”.
Rejeito boa parte do que li sobre isso. A ideia de duas ascensões, acho que não posso adotá-la. Alguns dizem que Ele subiu, desceu e tornou a subir. Também não posso aceitar o que diz o comentarista Paulus. Ele afirmou que Cristo ainda estava sofrendo por causa da crucificação: “Não encoste um dedo em Mim, porque Minhas feridas ainda doem”. Não, não vamos por esse caminho.
Um comentarista disse que Jesus estava sozinho com Maria, e isso não parecia bem. Seria um mau testemunho. “Não Me toque”, porque seria um mau testemunho. Não é disso que se trata.
Alguns sugerem que Maria tinha sentimentos ou intenções imorais em relação ao Senhor Jesus. Também não é disso que se trata.
A palavra grega aqui é muito forte. Segundo o léxico, significa prender-se, agarrar-se, segurar com firmeza. Christopher Wordsworth, o estudioso de grego, disse que a palavra grega não proíbe apenas o ato de se agarrar; proíbe também o hábito de se agarrar.
Maria tinha o hábito de se agarrar a Jesus segundo a carne. Jesus estava dizendo: “Agora estou subindo para Meu Pai. Haverá um novo relacionamento. Você não pode mais se agarrar a Mim segundo a carne. Haverá um novo relacionamento. Não é na carne; é no Espírito”.
É um pouco semelhante ao que Paulo disse em 2 Coríntios 5:16:
Assim que, daqui por diante, a ninguém conhecemos segundo a carne;
e, ainda que tenhamos conhecido Cristo segundo a carne,
contudo, agora já não O conhecemos desse modo.
Jesus estava corrigindo essa mulher que O amava, preparando-a para o novo relacionamento que ela teria.
Acho que seria útil descrever a experiência de Maria naquele momento, para vermos do que ela está sendo liberta. Ao examinarmos sua história, veremos uma ilustração vívida de alguém que se apega a Cristo segundo a carne.
Para fins de análise, vou dividir isso em princípios. Gostaria de mostrar três aspectos do que significa apegar-se a Jesus segundo a carne.
Primeiro, como Maria ilustra: o foco estava no amor dela por Ele. O foco estava em ela servi-Lo. O triste era que ela podia fazer isso sem a vida Dele, porque, para ela, Ele estava morto.
Em seu entendimento, Ele está morto. Portanto, ela podia servi-Lo sem a vida Dele. E começa a tentar fazer exatamente isso.
Outra maneira de dizer é esta: naquele momento, Maria havia chegado à cruz, mas não havia passado além da cruz. Vocês veem isso ilustrado na vida de Maria. Ela não passou além da cruz. Era tudo o que conhecia.
Como era tudo o que conhecia, era tudo o que esperava. Esperava vê-Lo exatamente como O havia visto antes. Na última vez em que O viu, Ele estava morto, e essa era toda a sua expectativa.
Lucas 23 diz que Maria observava quando O retiraram da cruz. Ela os acompanhou quando ungiram Seu corpo e colocaram sobre Ele cem libras de unguento. Ela viu isso. Conhecia o Senhor crucificado. Naquela manhã de domingo, era exatamente a Ele que estava procurando.
Deixem-me dizer de outra maneira: para Maria, Jesus estava morto. Para Maria, Jesus estava morto.
Se você vai servir alguém que, para você, está morto, terá de usar sua própria vida, porque não pode usar a Dele. Para você, Ele está morto.
Agora ela está servindo a partir de sua própria vida e experiência. Está tentando fazer isso porque ama Jesus e é agradecida, porque Ele a libertou de sete demônios. Ela ama muito o Senhor. Foi redimida. Foi salva. Quer servi-Lo.
No primeiro dia da semana, Maria Madalena veio cedo ao túmulo, sendo ainda escuro. Viu que a pedra já havia sido retirada do túmulo. Correu e foi a Simão Pedro e ao outro discípulo, a quem Jesus amava, e disse:
Tiraram o Senhor do túmulo,
e não sabemos onde O puseram.
Maria não estava sozinha. As outras mulheres também estavam ali, mas João se concentra em Maria. É claro que ela esperava encontrar um Salvador morto. Em João 20:13, diz a mesma coisa aos anjos. Em João 20:15, diz a mesma coisa ao Senhor Jesus. Ela não sabe que é Ele, mas Lhe diz a mesma coisa.
Jesus aparece, e ela não sabe Quem Ele é. Os comentaristas tentam explicar isso. Dizem que Ele apareceu de outra forma. É por isso que ela não O reconheceu? Outra pessoa diz que ela estava chorando, seus olhos estavam cheios de lágrimas, e não O reconheceu porque sua visão estava embaçada.
Alguém diz que ainda estava escuro. Era de manhã cedo, e ela não sabia Quem Ele era. Alguém diz que Ele apareceu perto do muro, nas sombras.
Vou dizer a vocês por que ela não sabia Quem Ele era. Eu sei por quê.
Porque Ele estava em pé ali.
Ela não esperava que Ele estivesse em pé. Ele está morto. É por isso que ela não sabia Quem Ele era. Estava esperando um Salvador morto.
Se Ele tivesse aparecido deitado no chão, então ela teria acreditado. Acho que teria ficado emocionada se visse um corpo deitado entre os arbustos. Isso a teria deixado feliz, porque era o que estava procurando.
Irmãos em Cristo, não sei se vocês conseguem entrar nessa experiência, mas já estive onde Maria esteve naquele dia: na presença de um Salvador vivo que eu não sabia que estava vivo, porque, para mim, Cristo estava morto. Eu O amava e tentava servi-Lo a partir de minha própria vida e experiência.
Eu estava inteiramente envolvido com Sua obra consumada. Vocês poderiam me perguntar sobre Cristo crucificado, e eu teria dito: “Sei o que Ele fez. Sei como morreu. É uma obra consumada. Quando eu morrer, não vou para o inferno; vou para o céu. Vou estar com o Senhor”.
Acho que todos já estivemos nessa situação, tentando nos apegar a Cristo segundo a carne, concentrando nosso amor Nele — felizes em servir um Salvador morto.
A segunda característica do apego a Cristo segundo a carne não é apenas se prender a um credo, a uma compreensão teológica: “Sei que Ele está morto. Conheço a cruz. Sei o que Ele fez por mim”.
Agora ela está tentando explicar tudo à parte da vida Dele. “Não preciso da vida Dele para explicar o que está acontecendo.”
Então começa a racionalizar e a tentar entender tudo. Não sei qual era a aparência dos anjos quando apareceram a ela. Segundo João 20:11-13, eles eram bastante luminosos e resplandecentes quando apareceram às outras mulheres, e elas ficaram assustadas. Quando apareceram aos soldados, eles caíram como mortos. Deve ter sido algo muito impressionante.
Mas, quando Maria vê os anjos, é como se estivesse conversando com um carteiro. Ela simplesmente não percebe. Não é algo impressionante para ela. Não sei se mudaram de aparência para ela ou o quê, mas ela simplesmente não consegue passar além da cruz. Não reconhece a voz Dele e está explicando tudo.
Como não precisa da vida Dele para explicar as coisas, entende tudo errado. Por exemplo, a pedra foi removida. Isso é uma boa notícia ou uma má notícia?
A pedra foi removida. “Sim, isso é uma boa notícia.”
Não para Maria. Para Maria, é uma má notícia. “Eles vieram. Eles O roubaram. Eles O levaram.”
A pedra removida a lançou numa confusão absoluta. Ela perdeu completamente o sentido daquilo. Não está compreendendo nada espiritual aqui. Aquilo deveria ser uma boa notícia. Mas a única maneira de ser uma boa notícia seria se a vida de Cristo explicasse o acontecimento.
Você precisa da vida Dele para explicar a pedra removida. Se não tiver a vida Dele, não vai entender. Será uma má notícia. A única explicação que poderia ter trazido paz a ela seria a vida Dele.
Irmãos, deixem-me tentar aplicar isso e depois seguir adiante. Se sua vida cristã pode ser explicada em termos de você mesmo, se você não precisa da vida Dele para explicar o que está acontecendo em sua vida, se consegue enxergar as marcas das ferramentas — isso aconteceu por causa deste programa, isso aconteceu por causa destas disciplinas espirituais, isso aconteceu porque fiz isto, fui até ali ou recebi estes recursos —, se você consegue explicar tudo, ainda não compreendeu a vida de Cristo que habita em nós.
Quando Ele faz a obra, a única explicação para sua vida é a vida Dele. É preciso Deus para explicar a vida de um cristão.
Se seu vizinho olha para sua vida e diz: “Bem, eles gostam de amigos, e eu gosto de amigos — só que eles gostam de amigos religiosos. Eles gostam de músicas, e eu gosto de músicas — só que eles gostam de músicas religiosas. Eles gostam de se reunir, e eu gosto de me reunir — só que eles gostam de se reunir com pessoas religiosas. Eles gostam de comer, e eu gosto de comer — só que eles gostam de comer com pessoas cristãs”.
Se as pessoas veem sua vida cristã apenas como um passatempo religioso, se não conseguem dizer: “A única maneira de explicar essa vida é Deus”, então você ainda não entrou nessa realidade.
Era disso que Maria precisava. Naquele momento, ela não está compreendendo. Está tentando servir um Cristo morto. Está tentando viver com seus próprios recursos. Está tentando explicar tudo. Tudo é racional, e ela não precisa de Deus para explicar nada.
Ela consegue explicar tudo por alguma influência filosófica, por sua própria força, por um ambiente favorável ou por qualquer outra coisa. Que Deus nos ajude a ir além disso.
Deixem-me dar uma última ilustração, e vamos encerrar. Esta é, na verdade, a principal evidência do apego a Cristo segundo a carne.
Apegar-se a Cristo segundo a carne não é apenas não precisar da vida Dele para servi-Lo e não precisar da vida Dele para explicar as coisas. Ela também não precisava da vida Dele como poder, como força, para servi-Lo.
Quando olho para a vida de Maria, vejo que ela está se esforçando tanto por amor e gratidão. Tudo o que fez, segundo o relato, acabou na pilha de lixo.
Se vocês querem falar de alguém patinando sem sair do lugar, é essa querida, querida santa que amava Jesus. Tenho de admirá-la. Tenho de admirá-la do ponto de vista humano.
Em João 20:1, ela se levantou cedo, quando ainda estava escuro. Alguns cristãos têm dificuldade de fazer até isso — levantar cedo por Jesus. Foi isso que ela fez. Levantou cedo por Jesus.
Marcos 16 diz que elas levaram especiarias para ungir o corpo de Cristo. Não sei quanto Maria dormiu naquela noite. Não sei o que foi necessário para preparar as especiarias. Não sei quanto ela dormiu naquele fim de semana, talvez até num período maior.
Mas sei que trabalhou muito porque amava Jesus. Estava preparando as coisas. Ia ungir o corpo. Nunca chegaria a prestar aquele serviço. Não importa quanto tempo tivesse dedicado a isso, nunca chegaria a usá-lo. Ele não precisava das especiarias.
Ela estava preparando um serviço que nunca seria prestado ao Senhor Jesus.
Depois, João 20:2 diz que ela correu à casa de Pedro. Segundo o relato, foi basicamente algo assim: todas as mulheres chegam ao alto da colina, olham para baixo e dizem: “Ah, a pedra foi removida”.
Maria diz: “Ah, eles O levaram”. Ela sai correndo, e as outras descem. Foi quando encontraram o anjo, e depois foram embora. Mas Maria disse: “Preciso correr. Preciso correr”.
Agora ela corre à casa de Pedro. Passou a noite acordada. Trabalhou a noite inteira. Chega ali pela manhã e agora está correndo. Corre todo o caminho até a casa de Pedro.
“Fizeram o quê?”
Pedro e João saem correndo, e Maria vai atrás deles. Ela está correndo, correndo e correndo. Está chorando. Sentou-se e está chorando. Está chorando. Está cansada. Está exausta.
Por quê? Porque ama Jesus. Está servindo a Ele com todas as suas forças e está ficando esgotada porque faz isso a partir de sua própria vida. Está tentando servir ao Senhor que ama e que a libertou.
Jesus disse:
Mulher, por que choras? A Quem procuras?
Ela supôs que Ele fosse o jardineiro e disse:
Senhor, se Tu O levaste daqui…
Agora ela está acusando Jesus de esconder Jesus dela. Antes, disse: “Foram eles. Eles fizeram isso, sejam eles quem forem”. São sempre eles. Eles fizeram isso. Mas agora Jesus leva a culpa porque ela não consegue encontrar Jesus.
Vocês ouviram o que ela disse? Querida Maria, você se levantou tão cedo. Trabalhou tanto. Ficou tão cansada. Correu até não poder mais. Patinou sem sair do lugar. Tem nas mãos um serviço que nunca chegará a prestar. Tudo isso porque ama o Senhor Jesus.
Agora, ouça o que você está dizendo, Maria:
Dize-me onde O puseste,
e eu O levarei.
Ah, sim. Claro.
Não sei quanto Maria pesava. Tenho a impressão de que corria bastante, então provavelmente estava em boa forma. Não sei quanto pesava. Não sei quanto Jesus pesava. Imagino que tivesse um peso médio.
Sei disto: quando O envolveram e ungiram, havia cem libras adicionais de especiarias. Duzentas e cinquenta libras? Trezentas libras?
Maria diz: “Mostre-me onde O colocou. Eu O levarei”. Vocês conseguem imaginar isso? Conseguem imaginar Maria, que amava o Senhor Jesus, carregando Jesus com enorme esforço?
Ela está tão cansada. Tão esgotada. Tão fraca. Passou a noite acordada, trabalhando sem parar, trabalhando com outras pessoas, levantando cedo, correndo até não poder mais, voltando, chorando sem parar.
E agora quer colocar sobre si o peso de Cristo.
Em vez de Cristo carregá-la, ela quer carregá-Lo.
Não pensem que isso não pode acontecer. Os cristãos fazem isso o tempo todo. Durante sete anos de minha vida, fiquei carregando um Cristo morto — levando-O à escola, levando-O ao trabalho, levando-O à igreja, levando-O às prisões, levando-O à casa de repouso.
Eu não fazia ideia de que era a vida Dele que Ele queria trazer para dentro de mim, e de que, a partir de Sua vida, eu poderia servi-Lo. Não fazia ideia de que Sua vida se tornaria a explicação da minha vida. Não fazia ideia de que Sua vida seria a energia, a força e a fonte de meu serviço a Ele.
Muito bem, encerramos aqui. Jesus lhe disse: “Maria”. Ela se voltou e disse: “Mestre”. Naquele momento, ela aprendeu alguma coisa.
Maria — é você. É para isso que serve um nome: identificar você. Isso diz respeito a você.
Num instante, ela compreendeu: Ele não está morto nem foi embora; Ele está vivo.
As últimas palavras de Maria que ouvimos nas Escrituras são: “Vi o Senhor”. “Vi o Senhor.” E, com isso, ela sai das páginas da Bíblia.
Princípio número um: se vamos ser preparados para ter união com o Cristo que habita em nós, algum dia, de alguma forma, de algum modo, precisamos chegar ao ponto em que tudo se resume a ver o Senhor.
Não se trata de ministério. Não se trata de serviço. Não se trata de mais nada. Chegamos a esse ponto.
Essa é a primeira preparação. Ele apareceu doze vezes. Isso ainda não resolve tudo; é apenas o começo. Preciso ver o que Ele mostrou a Tomé. Preciso ver o que mostrou no caminho de Emaús. Preciso ver o que aconteceu naquele cenáculo. Preciso examinar: “Por último de todos, apareceu”. O que tudo isso significa? Como sou preparado?
Primeiro: você não pode se apegar a Jesus segundo a carne. Precisa da vida Dele. Quando Deus prepara Seu povo para ter essa união, começa aqui. Eles chegaram ao ponto em que dizem: “Mestre, só quero conhecer o Senhor. É só isso”.
Esse é o começo. Vocês estão chegando perto. Então vamos avançar nessa revelação.
Irmãos, que Deus nos ajude neste fim de semana. Vocês provavelmente ouviram isso a vida inteira. Se ainda não estão firmados nessa realidade, que Deus lhes ensine neste fim de semana: o que é essa vida substituída, e como ela pode ser real em minha vida?
Porque eu lhes asseguro isto: Ele não está morto nem foi embora; Ele está vivo. Está vivo em vocês.
Pai, obrigado por Tua preciosa Palavra. Obrigado por esta querida irmã e por seu testemunho, e por como Tu a libertaste, num instante, de sua própria vida, mostrando-lhe a Tua vida.
Faze isso por nós, nós Te pedimos. Prepara-nos para ter essa união íntima com o Salvador que habita em nós. Pedimos em nome de Jesus. Amém.
Obrigado.