Por favor, abram em 1 Coríntios 12:14-27. Leremos do versículo 14 ao 27. Eu lerei em inglês, e meu irmão repetirá em chinês.
Porque também o corpo não é um só membro, mas muitos.
Se o pé disser: Porque não sou mão, não sou do corpo; não será por isso do corpo?
E, se a orelha disser: Porque não sou olho, não sou do corpo; não será por isso do corpo?
Se todo o corpo fosse olho, onde estaria o ouvido? Se todo fosse ouvido, onde estaria o olfato?
Mas, agora, Deus colocou os membros no corpo, cada um deles como quis.
E, se todos fossem um só membro, onde estaria o corpo?
Agora, porém, há muitos membros, mas um só corpo.
E o olho não pode dizer à mão: Não tenho necessidade de ti; nem ainda a cabeça, aos pés: Não tenho necessidade de vós.
Antes, os membros do corpo que parecem ser mais fracos são necessários;
E os que reputamos serem menos honrosos no corpo, a esses honramos muito mais; e aos que em nós são menos decorosos damos muito mais decoro.
Porque os que em nós são mais decorosos não têm necessidade disso; mas Deus assim formou o corpo, dando muito mais honra ao que tinha falta dela;
Para que não haja divisão no corpo, mas antes tenham os membros igual cuidado uns dos outros.
De maneira que, se um membro padece, todos os membros padecem com ele; e, se um membro é honrado, todos os membros se regozijam com ele.
Ora, vós sois o corpo de Cristo, e seus membros em particular.
Também leremos 1 Coríntios 13:4-8.
O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não se vangloria, não se ensoberbece;
Não se porta inconvenientemente, não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não leva em conta o mal;
Não se regozija com a injustiça, mas se regozija com a verdade;
Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
O amor nunca falha.
Vamos ter mais uma palavra de oração.
Querido Senhor, queremos de fato agradecer-Te por nos reunires novamente neste dia. Reunimo-nos em Teu precioso nome e Te agradecemos pela certeza de que Tu estás conosco. Se Tu estás conosco, Senhor, quem poderá ser contra nós?
Reunimo-nos aqui nesta manhã, Senhor, porque queremos ouvir a Tua palavra. Queremos que o Teu Espírito leve a Tua palavra às profundezas do nosso ser. Oramos para que, por meio da Tua palavra, sejamos transformados e conformados à Tua preciosa imagem.
Oramos para que abençoes este tempo, para que sejas glorificado e para que a Tua vontade seja feita na terra como é feita no céu. Nós Te adoramos em Teu precioso nome. Amém.
Agradeço de fato ao Senhor por nos reunir aqui nesta manhã. Agradeço a vocês pela coragem de vir a esta sessão, porque estamos entrando na academia de Cristo.
Vocês não vão ouvir algo agradável e bonito, mas espero que ouçam algo real e prático. Quando vocês vão a uma academia, o que fazem primeiro? Relaxam, porque, se não relaxarem, não conseguirão se exercitar.
Então, irmãos e irmãs, espero que todos estejam bem relaxados e prontos para fazer algum exercício — talvez suar um pouco e queimar algumas calorias — para que tenham um espírito saudável.
Nesta manhã, em que vamos nos exercitar? Na cruz — o único caminho para a vida do corpo. Não existe outro caminho. Se queremos realmente viver a vida do corpo, a cruz é um exercício necessário.
No último Dia do Senhor, falamos sobre visão: como precisamos de uma visão da vida do corpo. Somos tão individualistas. Sempre pensamos em nós mesmos e somos todos tão independentes que parecemos perder a visão da vida do corpo.
Mas, quando Deus nos salva, embora nos salve um a um, Seu propósito ao nos salvar é que sejamos um corpo coletivo. Ele quer nos dar, como corpo de Cristo, ao Seu Filho amado.
Quando o corpo chegar à maturidade, então nos tornaremos a noiva do Cordeiro. Portanto, a vida do corpo está no próprio coração de Deus, e isso é algo a que precisamos dar especial atenção.
Precisamos de uma visão da vida do corpo. Como mencionamos no último Dia do Senhor, Davi, pela graça de Deus, recebeu uma visão da vida do corpo. Em Salmos 132, ele tinha um profundo anseio pela casa de Deus; depois, em Salmos 133, ele nos apresentou uma visão da vida do corpo.
Na verdade, a própria família de Davi não era um belo retrato. Por causa disso, ele ansiava ainda mais pela beleza da vida do corpo de Cristo.
Oh! Quão bom e quão suave é
Que os irmãos vivam em união!
Fico pensando: quando ouvimos isso, qual é a nossa reação? Sentimos o mesmo que Davi sentia? Ansiamos por isso como Davi ansiava? Ao olhar ao redor, ficamos decepcionados com a chamada vida do corpo que conhecemos hoje?
Realmente vemos irmãos vivendo em união? É por vivermos em união que o óleo desce sobre o corpo — o Espírito Santo? Realmente sentimos o orvalho celestial nos trazendo vida, e vida para sempre? Isso é uma realidade em nossa vida juntos hoje?
Portanto, precisamos realmente de uma visão da vida do corpo. Mas gostaria de fazer uma pergunta: suponha que você tenha uma visão da vida do corpo. Qual é a sua reação?
Por ter recebido uma visão tão maravilhosa, seu espírito fica liberto e você se sente como se tivesse sido elevado ao terceiro céu? Ou sente que está longe disso e, em vez de ficar exultante, sente-se profundamente humilhado?
Muitas vezes, você tem as duas reações. Por um lado, sente-se tão elevado; pouco depois, sente-se rebaixado, muito, muito rebaixado. Por que isso acontece? Vamos encontrar algumas ilustrações na Palavra de Deus.
Lembrem-se do apóstolo João, aquele que escreveu o livro de Apocalipse. Em Apocalipse 19, ele recebeu uma visão das bodas do Cordeiro. Ouviu falar daqueles que foram convidados para as bodas e ficou tão cheio de alegria, tão elevado, que perdeu a cabeça.
Ele começou a adorar o mensageiro em vez de adorar a Deus. Novamente, em Apocalipse 22, foi-lhe dada uma visão da Nova Jerusalém, e ele ficou tão arrebatado por ela que outra vez perdeu a cabeça. Adorou o anjo em vez de Deus.
Por que isso aconteceu? Será porque ele achou que já havia chegado lá, que estava tão satisfeito que se esqueceu de si mesmo — esqueceu quem era e o que Deus iria fazer com ele? De alguma maneira, percebemos que algo não está certo.
Então penso no apóstolo Paulo. Em 2 Coríntios 12, ele foi arrebatado ao terceiro céu e levado ao paraíso. Ouviu coisas que não podiam ser expressas.
Mas o que aconteceu depois que ele recebeu tais visões? Graças a Deus, Deus permitiu que Satanás colocasse um espinho em sua carne para mantê-lo humilde, para mantê-lo fraco, até que aprendesse a lição de que a graça de Deus lhe bastava e de que o poder de Deus se aperfeiçoa na fraqueza.
Irmãos e irmãs, quando recebemos uma visão, podemos nos gloriar em nossa força. Podemos sentir que fomos levados ao terceiro céu e ouvimos no paraíso coisas que não podiam ser expressas. Ficamos exaltados e nos esquecemos de quem somos.
Deus lembrou a Paulo: “Embora você tenha recebido uma visão assim, não pense que já chegou lá. Ainda há um caminho a percorrer”.
Vocês encontram nas Escrituras algumas experiências muito diferentes dessas. Lembrem-se de Daniel. Em Daniel 10–12, foi-lhe dada uma visão do tempo do fim.
Mas, quando viu o Senhor, ele disse:
Transmudou-se em mim a minha formosura em desfiguração, e não retive força alguma.
Ele caiu como morto.
Isso não aconteceu apenas com Daniel; aconteceu com Ezequiel e aconteceu com João. Há uma verdadeira lição para nós.
Quando uma visão celestial nos é dada, embora em nosso espírito nos sintamos tão elevados, isso não significa que já tenhamos chegado lá. O problema é que, quando recebemos uma revelação, pensamos que já chegamos lá e nos tornamos orgulhosos por causa dela.
Em vez disso, uma visão deve nos humilhar. Quando realmente vemos o que é a vida do corpo, começamos a perceber como estamos longe dela. Como precisamos nos humilhar diante de Deus e permitir que Ele faça Sua obra em nós, para nos levar àquela visão e fazer da visão a nossa vocação.
Entre a visão e a vocação, existe um processo. Há um caminho para isso, e esse caminho é o caminho da cruz. Não se assustem com ele, porque é o único caminho. Não há como contorná-lo.
Pensem em Jacó. Em Gênesis 28, ele fugiu de sua casa e estava no deserto. Pegou uma pedra como travesseiro para passar a noite. Fico pensando: se usarmos uma pedra como travesseiro, conseguiremos realmente dormir? Isso nos mostra uma condição muito lastimável.
No entanto, para sua surpresa, Deus Se revelou a ele e lhe mostrou o que faria por ele. Jacó teve uma visão maravilhosa de uma escada que alcançava o céu, com anjos subindo e descendo por ela. Deus estava no alto, e Jacó estava embaixo. A escada unia os dois.
Deus lhe deu promessas preciosas. Mas aquela visão não mudou Jacó. Ele ergueu uma coluna e fez um voto, mas estava negociando com Deus: “Se Tu fizeres isto e aquilo, então farei de Ti o meu Deus”.
Aquela visão não o mudou, mas, graças a Deus, deu-lhe uma direção. Durante vinte anos, ele esteve sob a disciplina de Deus.
Jacó era uma pessoa forte. Em Gênesis 32, vemos como Deus lutou com ele e tocou sua coxa. Na luta, a coxa é a parte mais importante do corpo. Deus tocou sua coxa, e ele ficou enfraquecido.
Então Jacó se agarrou ao anjo e disse:
Não Te deixarei ir, se me não abençoares.
Ele sabia que estava acabado. Não poderia continuar vivendo, a menos que Deus o abençoasse. Então Deus mudou seu nome.
Irmãos e irmãs, existe um processo em nossa vida. Como podemos passar de Jacó a Israel? Como podemos ser libertos de nós mesmos e conduzidos ao Senhor? Como nossa visão pode se tornar nossa vocação? A cruz precisa fazer sua obra.
A cruz não é uma maldição. Para nós, a cruz é uma bênção. Nesta manhã, gostaríamos de entrar na academia e nos exercitar nessa questão da cruz: como a cruz transforma nossa visão da vida do corpo em uma vocação de vida do corpo.
Quando vocês pensam na vida do corpo, qual é o primeiro princípio que a governa? Abram em Colossenses 2:19. Em vez de lê-lo de maneira negativa, vamos lê-lo de maneira positiva.
Retendo a Cabeça, da Qual todo o corpo, suprido e bem unido por suas juntas e ligamentos, cresce com o crescimento de Deus.
Quando vocês chegam a essa questão do corpo e da vida do corpo, a primeira coisa que percebem é a Cabeça e a posição de Cristo como Cabeça. Sem uma cabeça, não há corpo, porque o corpo, na verdade, procede da cabeça e está unido à cabeça.
Quando Deus criou o ser humano, Ele o criou segundo Sua própria imagem. Criou homem e mulher. O ser humano é uma pessoa coletiva. No verdadeiro sentido, a humanidade é uma união de homem e mulher.
Em Gênesis 2, Deus usou a terra vermelha para formar um corpo. Então Deus soprou Seu fôlego nas narinas daquele corpo, e o homem se tornou uma alma vivente. O corpo foi feito da terra, mas o espírito do homem veio do fôlego de Deus. O corpo e o espírito constituem a alma, que é a personalidade.
A criação do homem estava, então, completa? Não. Deus disse:
Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea.
Deus fez Adão dormir e realizou uma intervenção cirúrgica sem dor, porque ainda não havia pecado. Deus abriu o lado de Adão e tirou algo de Adão para fazer uma mulher.
Quando Deus levou Eva a Adão, Adão disse:
Esta é agora osso dos meus ossos e carne da minha carne.
Ela procedia dele e estava unida a ele, formando uma unidade.
Isso é um tipo, e o antítipo é Cristo e Sua igreja. A igreja procede de Cristo. Ela procede do Seu lado.
Lembramos como João viu um soldado cravar uma lança no lado de nosso Senhor, de onde saíram sangue e água. O sangue nos purifica do pecado, e a água nos dá vida. É de Cristo que a igreja nasce.
O corpo procede da Cabeça, e a Bíblia também diz que, quando o corpo cresce, cresce em direção à Cabeça. Quando vocês pensam no corpo, precisam pensar primeiro na Cabeça.
É errado colocar a igreja antes de Cristo, porque a igreja procede de Cristo e retorna a Cristo. Quando vocês pensam no corpo, imediatamente pensam na Cabeça.
Quando vocês olham para uma pessoa, veem a cabeça; não veem o corpo, porque o corpo está coberto e somente a cabeça se destaca. É assim que deve ser.
Quando vocês procuram ver o corpo e não veem a cabeça, trata-se de um cadáver. A Cabeça é a primeira coisa à qual devemos nos apegar firmemente. Por isso, a posição de Cristo como Cabeça é essencial na vida do corpo.
Se existe um corpo cuja cabeça não é Cristo — se a cabeça é outra pessoa, outra coisa ou até mesmo determinado ensino —, vocês sabem que isso é um desvio da verdade. Cristo é a Cabeça do corpo.
Qual deve ser nossa atitude para com a Cabeça? Precisamos dar-Lhe obediência absoluta. Não começamos a viver a vida do corpo até que entreguemos nossos corpos como sacrifício vivo a Deus. Não começamos a viver a vida do corpo até que a consagração seja uma realidade em nós.
Se você é salvo, mas não entrega sua vida ao Senhor, pode tê-Lo aceitado como seu Salvador, mas não se entregou a Ele nem O reconheceu como seu Senhor. Você não começa a viver a vida do corpo.
A vida do corpo começa depois da nossa consagração. Romanos 12:1 diz:
Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis os vossos corpos como sacrifício vivo, santo, agradável a Deus, que é o vosso culto espiritual.
Observem que “corpos” está no plural. Cada um de nós tem um corpo, e cada um de nós que foi redimido deve apresentar seu corpo como sacrifício vivo.
Um sacrifício vivo significa que, enquanto você viver, será um sacrifício. O que é um sacrifício? Um sacrifício é algo que sai de você e vai para Deus. Antes disso, é seu; depois, já não é mais seu.
Um sacrifício deve ser queimado e consumido até virar cinzas. Isso significa que você perde a si mesmo. Mas, à medida que perde a si mesmo, Cristo é formado em você. Isso é um sacrifício vivo.
Quando você realmente se entrega ao Senhor — quando entrega ao Senhor o direito sobre sua vida e O aceita como seu Senhor e sua Cabeça —, então o corpo aparece. Em Romanos 12:5, o corpo está no singular: o corpo é um só, embora tenha muitos membros.
Sem consagração, você não conseguirá ver o corpo, e não haverá possibilidade de viver a vida do corpo. Embora tenha sido salvo, viverá como um indivíduo. Ainda está centrado em si mesmo, não no corpo nem em Cristo.
Vocês se lembram da famosa história de F. B. Meyer. Quando era um jovem e promissor ministro, ele visitou C. T. Studd na Escócia, durante um mês de novembro muito frio.
Certa manhã, bem cedo, F. B. Meyer percebeu que havia uma luz no quarto de C. T. Studd. Esperou e esperou, mas a luz continuava acesa. Com receio de que algo tivesse acontecido, bateu à porta.
C. T. Studd disse: “Entre”. Meyer entrou e o encontrou sentado, envolto em uma manta, lendo a Bíblia.
F. B. Meyer perguntou: “Por que você está acordado tão cedo?”. C. T. Studd respondeu: “Eu amo o Senhor. Estava examinando as Escrituras em busca dos Seus mandamentos, para que eu possa segui-los”.
Nós examinamos as Escrituras em busca de promessas. Somos tão preguiçosos. Temos uma caixinha de promessas e simplesmente tiramos uma promessa. Mas C. T. Studd era diferente.
F. B. Meyer ficou tocado. Disse: “Você tem algo que eu não tenho. Qual é o segredo?”. C. T. Studd lhe perguntou: “Você já se consagrou?”.
Meyer respondeu: “É claro que já me consagrei”. C. T. Studd perguntou: “Você entregou ao Senhor, uma por uma, todas as coisas da sua vida?”. Meyer disse: “Bem, isso eu não fiz”.
C. T. Studd disse: “Faça isso”. F. B. Meyer começou a entregar ao Senhor uma coisa após outra em sua vida. Ele tinha um molho de chaves, e cada chave representava um cômodo da sua vida.
Entregou as chaves uma a uma, mas guardou uma pequena chave. Disse: “Senhor, deixa-me ficar apenas com esta pequena chave. Há um pequeno cômodo para mim”.
O Senhor começou a Se afastar. Desesperado, Meyer clamou: “Senhor, faze-me querer estar disposto. Eu não estou disposto, mas Tu podes me tornar disposto”.
O Senhor voltou e tomou todas as chaves. O Senhor disse: “Se Eu não sou Senhor de tudo, não sou Senhor de nada”.
Irmãos e irmãs, precisamos ver a posição de Cristo como Cabeça. Ver Cristo como Cabeça exige rendição absoluta. Não podemos reter nada da nossa Cabeça.
Vocês sabem o que Pedro fez em Atos 10. Quando ele viu a visão da igreja como um lençol que descia do céu, cheio de animais, a voz disse:
Levanta-te, Pedro; mata e come.
Pedro disse:
De modo nenhum, Senhor; porque nunca comi coisa alguma comum e imunda.
Mas a voz disse:
Não faças tu comum ao que Deus purificou.
Pedro disse: “De modo nenhum, Senhor”. Mas dizer “Senhor, de modo nenhum” é uma contradição. Se Ele é Senhor, não pode haver um “de modo nenhum”. Por três vezes, o lençol foi recolhido ao céu.
Irmãos e irmãs, não é verdade que, mesmo em nossa vida individual, não deixamos Cristo ser nossa Cabeça? Se não permitimos que Ele seja nossa Cabeça, como podemos ser membros do corpo de Cristo?
Em nosso relacionamento com o Senhor, não é nossa fraqueza que nos impede; o problema é nossa força. Isso não é verdade apenas em nosso relacionamento com Cristo. Também é verdade em nosso relacionamento uns com os outros.
Por que não conseguimos nos submeter uns aos outros no corpo? É por causa da nossa força, não por causa da nossa fraqueza. Achamos que estamos certos e não abrimos mão disso. Não queremos ceder.
Por essa razão, não conseguimos nos submeter uns aos outros. A autoridade de Cristo como Cabeça se exerce por meio de todo o corpo. É como um corpo físico: a cabeça controla o corpo inteiro por meio do sistema nervoso.
O sistema nervoso liga cada membro do corpo à cabeça. No corpo de Cristo, Cristo exerce Sua posição como Cabeça de maneira semelhante. Não é que cada membro esteja ligado diretamente à Cabeça, como se cem membros estivessem todos ligados à Cabeça de modo independente.
Meu pescoço está ligado à minha cabeça, e meus braços estão ligados ao meu pescoço. A cabeça, por meio do sistema nervoso, controla cada membro do corpo. Às vezes, a direção precisa passar por outros membros antes de chegar até você.
Se vocês não se submeterem uns aos outros, Ele não poderá alcançá-los. Por isso, precisamos aprender a nos submeter uns aos outros e a dar preferência aos nossos irmãos, em vez de a nós mesmos.
Lembro-me de o irmão Lee dizer: “Quando você chega à igreja, a primeira coisa a fazer não é descobrir quem deve se submeter a você. É descobrir a quem você deve se submeter”.
“Eu me submeto a ele porque Cristo está nele. Há mais de Cristo nele. Eu me submeto a ele porque me submeto a Cristo.”
Somente quando temos esse tipo de espírito conseguimos viver a vida do corpo. Caso contrário, só podemos viver uma vida individualista. A posição de Cristo como Cabeça precisa ser uma realidade no corpo de Cristo.
Esse é o primeiro ponto. O segundo ponto é a unidade do corpo. A maravilha do corpo é que ele é um só corpo com muitos membros. Há muitos membros, mas um só corpo.
Lembrem-se de Efésios 4. Precisamos andar de modo digno da vocação com que fomos chamados.
Nossa vocação é que fomos chamados para ser o corpo de Cristo. Como vamos andar de modo digno dessa vocação? Isso é a vida do corpo.
A primeira coisa, em Efésios 4:3, é esta:
Procurando diligentemente guardar a unidade do Espírito no vínculo da paz.
A unidade do Espírito é algo que já foi dado. Cada membro do corpo de Cristo tem a unidade do Espírito.
A unidade do Espírito é descrita em Efésios 4:4-6:
Há um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação;
Um só Senhor, uma só fé, um só batismo;
Um só Deus e Pai de todos, o Qual é sobre todos, e por todos, e em todos.
Por que há um só corpo? Porque em um só Espírito fomos batizados em um só corpo, quer judeus, quer gregos, e a todos nós foi dado beber de um só Espírito.
O Espírito Santo nos dá um só corpo, e o Espírito Santo que habita em nós é um só Espírito. O mesmo Espírito conduz todos os santos. Essa é a única esperança da nossa vocação.
Qual é a única esperança da nossa vocação? Ser Sua noiva. Quando o corpo chegar à maturidade, então nos tornaremos a noiva do Cordeiro.
Em um só Espírito, somos um. Então há um só Senhor, uma só fé e um só batismo. Nosso Senhor Jesus é um só. Nossa fé é uma só: que Jesus é o Cristo, o Filho do Deus vivo. Fomos batizados em Cristo.
Temos o mesmo Pai. Cremos no mesmo Deus. No Deus Triúno, a unidade do Espírito já foi dada.
Isso é algo que precisamos guardar diligentemente, porque o inimigo procura, por todos os meios, destruir a unidade do Espírito. Se não a guardarmos diligentemente, podemos perdê-la.
Então, em Efésios 4:13, lemos:
Até que todos cheguemos à unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, a um homem plenamente desenvolvido, à medida da estatura da plenitude de Cristo.
Há duas menções à unidade. Em Efésios 4:3, há a unidade do Espírito. Em Efésios 4:13, há a unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus.
A unidade do Espírito já foi dada. A unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus é algo a que precisamos chegar. É como uma vara com duas extremidades: o início é a unidade do Espírito, e o fim é a unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus.
Como vamos passar de uma extremidade à outra? Guardando diligentemente a unidade do Espírito. Nesse processo, há comunhão.
A comunhão não se baseia na luz; a comunhão se baseia na vida. A comunhão se baseia na vida e cresce em luz, mas não depende da luz.
“Uma só fé” e “a fé” são coisas diferentes. “Uma só fé” se refere àquela fé simples no Senhor Jesus: cremos que Ele é o Cristo, o Filho do Deus vivo, e isso nos salva.
“A fé” se refere à verdade completa — tudo o que nos foi revelado na Bíblia. Temos uma só fé, mas ainda não chegamos à unidade da fé.
Algumas pessoas entendem a verdade de uma maneira, enquanto outras a entendem de outra. Ainda não chegamos à unidade. Isso é algo a que precisamos chegar.
Ainda não chegamos à unidade do conhecimento do Filho de Deus. O conhecimento aqui é o pleno conhecimento — epignosis. Sua experiência de Cristo é limitada, e minha experiência de Cristo é limitada. Temos diferenças.
Como podemos passar da unidade do Espírito à unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus? Precisamos guardar diligentemente a unidade do Espírito.
Não permitam que diferenças de ensino, doutrina e experiência nos dividam. Continuem em comunhão com todos aqueles que creem no Senhor Jesus.
Sejam fiéis ao que Deus lhes mostrou, mas nunca insistam que os outros precisam crer ou fazer exatamente a mesma coisa. Se insistirmos nisso, não teremos comunhão e nunca chegaremos à unidade da fé.
Sejam abertos. Sejam fiéis ao que Deus lhes mostrou, mas não fechem a porta para o que ainda não receberam. Continuem em comunhão uns com os outros, mantendo a unidade do Espírito, e, por fim, chegaremos à unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus.
Isso é importante na vida do corpo. O corpo de Cristo está tão dividido, não porque nossa fé básica e nossa experiência de Cristo sejam diferentes, mas porque nossa interpretação da Bíblia e nossa experiência de Cristo são diferentes.
Por causa dessas diferenças, rompemos os vínculos uns com os outros. Não queremos ter comunhão. Irmãos e irmãs, isso é a carne. Ela precisa ir para a cruz. Então vocês encontrarão a vida do corpo.
Em terceiro lugar, há o sacerdócio universal dos crentes. Abram em 1 Pedro 2.
Vós também, como pedras vivas, sois edificados como casa espiritual, para serdes um sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais, aceitáveis a Deus por Jesus Cristo.
Mas vós sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade de Deus, para que anuncieis as excelências Daquele Que vos chamou das trevas para a Sua maravilhosa luz.
Irmãos e irmãs, todos sabemos que, como membros do corpo de Cristo, somos todos sacerdotes. Não há divisão entre leigos e uma classe sagrada. Somos todos sacerdotes e devemos oferecer sacrifícios espirituais.
Em outras palavras, como membros do corpo de Cristo, todos temos funções. Nosso propósito não é edificar nossa própria obra; é edificar o corpo de Cristo.
Nosso sacerdócio não é algo separado, individual. É um sacerdócio coletivo. O que é um sacerdócio? Significa simplesmente que há um Sumo Sacerdote e que, sob a direção do Sumo Sacerdote, todos os sacerdotes servem juntos.
Antigamente, no serviço do templo, os sacerdotes se reuniam de manhã cedo e lançavam sortes. Conforme o resultado, aquela era a tarefa que o sacerdote realizaria naquele dia, porque, naqueles dias, o Espírito Santo não habitava neles.
Mas hoje estamos sob o sumo sacerdócio de nosso Senhor Jesus. Como Ele exerce Seu sumo sacerdócio? Por meio do Espírito Santo.
O Espírito Santo enche o corpo, e Ele está em cada membro do corpo. Sob a direção da Cabeça, o Sumo Sacerdote, trabalhamos juntos de acordo com Sua ordem.
O serviço cristão não é independência. O serviço cristão é servir no corpo segundo a ordem do Sumo Sacerdote. Nosso serviço é no corpo e para o corpo; não é fora do corpo nem independente.
Em Juízes 18, está registrado que os filhos de Israel estabeleceram, pela primeira vez, um culto idólatra enquanto a casa de Deus estava em Siló. Naquele tempo, o tabernáculo estava em Siló.
Mas o neto de Moisés, Jônatas, deixou seu lugar para procurar um lugar de serviço. Tornou-se sacerdote de uma família e, mais tarde, tornou-se sacerdote de uma tribo.
Um sacerdote deve estar ligado ao templo. Estar separado do templo é desastroso, porque, quando você serve no templo, há coordenação. O serviço não é independente e está sob a direção do Sumo Sacerdote, Cristo.
Para que isso seja verdade, a cruz precisa trabalhar profundamente em nossa vida: para que não desprezemos outros membros, não vivamos como se não precisássemos de ninguém, demos preferência uns aos outros, nos submetamos uns aos outros e aprendamos a trabalhar juntos, aceitando limitações.
É assim que a vida do corpo se manifesta.
Por fim, há o vínculo da perfeição. Vocês encontram em 1 Coríntios 13 um ensino sobre o amor — mas é o amor no corpo.
Sabemos que Deus é amor, mas aqui o amor está relacionado ao corpo. 1 Coríntios 12 fala do corpo. 1 Coríntios 14 fala de como o corpo se reúne. 1 Coríntios 13 nos mostra o caminho mais excelente.
Irmãos e irmãs, quando pensamos na vida do corpo, o amor — o primeiro amor — precisa estar por trás dela. Se perdermos aquele primeiro amor, então, embora possamos continuar e continuar, Deus considera isso inaceitável, porque tudo se tornou algo exterior.
O mais importante é ter essa Pessoa. É o amor de Cristo que nos constrange. É estarmos cheios do amor de Deus.
O amor humano é limitado, mas o amor de Deus é eterno. A descrição desse amor é muito clara:
O amor é sofredor, é benigno.
Achamos que, quando nos reunimos, é para desfrutar de momentos agradáveis. Mas a verdade é que, quanto mais próximos estamos, mais sofremos. Pisamos uns nos outros, discordamos uns dos outros e ferimos uns aos outros. O que vocês fazem?
Para haver vida do corpo, precisa haver amor. Quando vocês comem, já morderam a língua? A língua desiste? Não. Ela suporta e continua ajudando.
Achamos que a língua serve apenas para falar. Não, ela serve para mais do que isso. Quando vocês comem, precisam da língua. Se não tiverem língua, terão de usar os dedos para mover o alimento. Pode parecer que a língua não está fazendo nada, mas ela está trabalhando.
Quando a língua é mordida, pode ficar ferida, mas não desiste. Graças a Deus, minha língua ainda está na minha boca.
O amor é benigno. Você não apenas sofre, mas retribui com bondade. Não é olho por olho. Não é cerrar os dentes e dizer: “Vou me vingar”. Não, você diz: “Sou bondoso com você. Não importa como você me trate, ainda amo você”.
Isso é a vida do corpo. O princípio mais importante na vida do corpo é o amor.
Não temos esse amor em nós mesmos, mas Ele o tem. Então vamos a Ele e permitamos que Seu amor nos encha, para que possamos amar o Senhor de todo o coração e amar uns aos outros como Ele nos ama.
Queridos irmãos e irmãs, sem exercício espiritual, sem carregar a cruz, não há possibilidade de vida do corpo. Mas, com exercício espiritual e com disposição para tomar a cruz e seguir o Senhor, nossa visão se tornará nossa vocação.
Não é para nós mesmos. É para a glória de Deus. Vamos orar.
Querido Senhor, oramos para que não venhamos aqui para ouvir em favor de outras pessoas ou orar por outras pessoas. Oramos para que possamos ouvir para nós mesmos.
Oramos para que nos humilhes sob Tua poderosa mão, para que, no devido tempo, nos exaltes. Que Tu recebas toda a glória. Em Teu precioso nome, amém.