Por favor, abram no livro de Atos, capítulo 9. Leremos os versículos de 1 a 20. Primeiro, eu lerei em inglês, e meu irmão lerá em chinês.
Saulo, porém, respirando ainda ameaças e morte contra os discípulos do Senhor, dirigiu-se ao sumo sacerdote;
e pediu-lhe cartas para as sinagogas de Damasco, a fim de que, se encontrasse alguns que fossem do Caminho, quer homens, quer mulheres, os levasse presos para Jerusalém.
E, seguindo ele viagem, aconteceu que se aproximou de Damasco; e subitamente resplandeceu ao redor dele uma luz do céu;
e, caindo por terra, ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, Saulo, por que Me persegues?
E ele disse: Quem és Tu, Senhor? E Ele disse: Eu sou Jesus, a Quem tu persegues;
mas levanta-te e entra na cidade, e ser-te-á dito o que deves fazer.
E os homens que viajavam com ele ficaram emudecidos, ouvindo a voz, mas não vendo ninguém.
E Saulo levantou-se da terra; e, abrindo os olhos, nada via; e, guiando-o pela mão, levaram-no a Damasco.
E esteve três dias sem ver, e não comeu nem bebeu.
Ora, havia em Damasco certo discípulo chamado Ananias; e o Senhor lhe disse em visão: Ananias. E ele disse: Eis-me aqui, Senhor.
E o Senhor lhe disse: Levanta-te e vai à rua chamada Direita, e procura na casa de Judas um homem de Tarso chamado Saulo; pois eis que ele está orando;
e viu um homem chamado Ananias entrar e impor-lhe as mãos, para que recuperasse a vista.
Mas Ananias respondeu: Senhor, de muitos tenho ouvido acerca deste homem, quantos males fez aos Teus santos em Jerusalém;
e aqui tem autoridade dos principais sacerdotes para prender todos os que invocam o Teu nome.
Mas o Senhor lhe disse: Vai, porque este é para Mim um vaso escolhido, para levar o Meu nome perante os gentios, os reis e os filhos de Israel;
pois Eu lhe mostrarei quanto lhe cumpre padecer pelo Meu nome.
E Ananias foi e entrou na casa; e, impondo-lhe as mãos, disse: Irmão Saulo, o Senhor Jesus, Que te apareceu no caminho por onde vinhas, enviou-me para que recuperes a vista e sejas cheio do Espírito Santo.
E imediatamente lhe caíram dos olhos como que escamas, e recuperou a vista; e levantou-se e foi batizado;
e, tendo comido, ficou fortalecido. E esteve alguns dias com os discípulos que estavam em Damasco.
E logo, nas sinagogas, proclamava Jesus, que Ele é o Filho de Deus.
Por favor, abram também em Colossenses 2:19. Vamos ler esse versículo na forma afirmativa.
Retendo firmemente a Cabeça, da Qual todo o corpo, suprido e unido por meio das juntas e ligamentos, cresce com o crescimento de Deus.
Querido Senhor, ao nos reunirmos em Teu precioso nome, nós Te louvamos e agradecemos por Tua presença conosco. Tu és verdadeiramente Aquele Que é digno de ser adorado e louvado.
Nós Te agradecemos por Teu maravilhoso amor. Nós Te agradecemos pelo que fizeste na cruz do Calvário. Somos o que somos hoje; tudo é por Tua graça.
Nós Te louvamos e agradecemos porque Tu és Aquele Que fala. Senhor, fala; Teus servos ouvem. Entregamos este tempo em Tuas mãos amorosas. Preenche nossos olhos e nosso coração, para que possamos glorificar-Te. Amém.
Bem, queremos agradecer a Deus por nos reunir nesta manhã. O que gostaríamos de fazer nesta manhã é um pouco diferente.
Quero que todos vocês se juntem a mim para entrarmos em uma academia. Não vamos à escola; vamos a uma academia.
Quando você vai à escola, ouve o ensino e simplesmente fica sentado ali, passivamente. Mas, quando vai a uma academia, a história é outra. Você deve se exercitar.
Trata-se de ginástica, não de estudo acadêmico. Portanto, nenhum de vocês pode ficar sentado ali passivamente. Quero que todos nós nos exercitemos juntos.
Há uma diferença entre ser ativo e se exercitar. Você pode ser uma pessoa muito ativa, mas talvez não faça nenhum exercício, porque o exercício é algo específico. É algo planejado de antemão. Você precisa decidir se exercitar.
Quando você se exercita, precisa fazer isso continuamente. Faça todos os dias. E precisa se esforçar, até mesmo a ponto de sentir alguma dor.
Você precisa fazer isso com método. Não pode simplesmente fazer sem nenhuma orientação. Normalmente, precisa de um instrutor que lhe diga como se exercitar.
Antigamente, entre os gregos, o propósito era ter um corpo belo. Era para isso que servia a academia.
Um menino era enviado a uma academia, e ali o instrutor o examinava, estudando seu corpo: onde havia fraqueza, onde havia força e se o corpo era bem equilibrado. Os gregos queriam um corpo perfeito.
Depois de examinar o menino, o instrutor estabelecia uma regra e lhe dizia com que tipo de exercício deveria começar. O menino seguia as orientações do instrutor.
Por meio de exercícios contínuos e prolongados, ele desenvolvia um corpo bem coordenado, bem equilibrado e belo. Portanto, isso é uma academia.
Muitas pessoas querem ir à escola de Cristo. Não estou me opondo à escola de Cristo. Certamente, devemos nos sentar aos Seus pés e aprender.
Mas está faltando algo entre o povo de Deus. O povo de Deus parece ir à escola de Cristo, mas não à academia de Cristo. Por causa disso, temos um problema.
Constatamos que os cristãos de hoje têm cabeças muito grandes, mas pés muito pequenos. Não há equilíbrio.
Portanto, irmãos e irmãs, o que vou fazer desta vez não é tentar levá-los à escola. Estou procurando convidá-los a se juntarem a mim na academia de Cristo.
Graças a Deus, temos um Instrutor perfeito. Quem é Ele? É o Espírito Santo, Que habita em cada um de nós.
Não é o nosso corpo que deve ser exercitado; é o nosso espírito que precisa ser exercitado. Isso não é maravilhoso?
Quando fomos salvos, Deus nos deu vida, e essa vida não é outra senão o próprio Cristo. Mas onde essa vida habita? Onde Cristo está em você?
Quando somos salvos, nascemos do Espírito. Há um novo espírito dentro de nós, e a vida de Cristo habita em nosso novo espírito.
Ao mesmo tempo, Ele nos deu o Seu Espírito, o Espírito Santo, para habitar em nós. Agora tudo está pronto.
Para que serve a vida de Cristo em você? Para crescer. Para viver. E quem vai cuidar desse crescimento espiritual? O Espírito Santo.
É por isso que o Espírito Santo habita em você: Ele deve cuidar para que a vida de Cristo em seu espírito cresça adequadamente e alcance a maturidade.
Esse é o propósito eterno de Deus. Ele quer que cada um de nós seja conformado à imagem de Seu Filho amado.
A Bíblia nos diz com muita clareza que o poder divino de Deus nos deu todas as coisas que dizem respeito à vida e à piedade. Vocês encontrarão isso em 2 Pedro 1:3-4.
Visto que o Seu divino poder nos concedeu todas as coisas que dizem respeito à vida e à piedade, pelo conhecimento Daquele Que nos chamou por Sua própria glória e virtude;
pelas quais Ele nos concedeu as Suas preciosas e grandíssimas promessas, para que por elas vos torneis participantes da natureza divina, havendo escapado da corrupção que há no mundo pela cobiça.
Aqui vocês veem que Deus já providenciou tudo para nós — tudo o que diz respeito à vida e à piedade. Temos todas essas preciosas promessas na Palavra de Deus, para que nos tornemos participantes de Sua natureza divina.
Portanto, irmãos e irmãs, agora tudo está pronto. O que falta fazer? Ir à academia e, sob a orientação do Espírito Santo, exercitar o nosso espírito.
Eu me pergunto, irmãos e irmãs: depois de serem salvos, vocês têm exercitado o espírito? E esse exercício está sob a orientação do Espírito Santo?
Creio que essa é a razão pela qual o povo de Deus parece não crescer adequadamente. É sobre isso que gostaríamos de conversar juntos: o exercício espiritual e a visão da vida do Corpo.
Quando se trata das coisas espirituais, há um princípio básico que precisamos compreender. É muito simples: nas coisas espirituais, tudo depende da revelação de Deus.
Deus precisa dar início a tudo. Se Ele não revelar, não podemos ver. Se Ele não nos atrair, não correremos.
Eu me pergunto se o povo de Deus realmente enxergou esse princípio básico. Às vezes pensamos: “Agora vamos ser espirituais. Agora vamos entrar em contato com a esfera espiritual. Queremos conhecer isto e fazer aquilo”.
Queremos tentar aumentar o nosso chamado conhecimento espiritual, que é apenas conhecimento mental. Queremos nos envolver em uma obra ou serviço espiritual, mas, na verdade, é a nossa própria atividade.
Tudo parece depender de nós mesmos. Como você vai viver como cristão? Você tem de fazer isso. Como vai conhecer? Você tem de aprender. Tudo parece estar centrado em nós mesmos.
Mas isso é absolutamente contrário ao caminho de Deus. Podemos estar familiarizados com as coisas deste mundo e saber muito a respeito delas, mas, quando se trata da esfera espiritual, somos completamente incapazes e não temos nenhum recurso em nós mesmos.
Qualquer coisa que iniciarmos está fadada ao fracasso. Deus não pode aceitá-la. Quando entramos na esfera espiritual, irmãos e irmãs, lembrem-se de que somos zero. Tudo depende de Deus. Ele precisa tomar a iniciativa, e então nós simplesmente O seguimos.
Sabem, quando vocês leem 1 Coríntios 2:14:
Ora, o homem natural não recebe as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode conhecê-las, porque são discernidas espiritualmente.
O homem natural não recebe as coisas do Espírito de Deus, porque são loucura para ele. Não pode conhecê-las, porque são discernidas espiritualmente.
Há outra passagem em Romanos 8:7-8.
Porque a inclinação da carne é inimizade contra Deus; pois não está sujeita à lei de Deus, nem, em verdade, o pode estar;
e os que estão na carne não podem agradar a Deus.
Aqui vocês encontram o veredito de Deus. Deus nos deixa muito claro: a inclinação da carne é inimizade contra Deus. Ela não pode estar sujeita à lei de Deus. Tudo o que vem de nós mesmos é rejeitado por Deus.
Quando se trata da esfera espiritual, tudo precisa depender da revelação de Deus. Isso não é verdade também em relação à nossa salvação?
Tentamos salvar a nós mesmos. Tentamos lavar os nossos pecados. Tentamos acumular méritos para chegar ao céu.
Depois de fracassarmos, fracassarmos e fracassarmos, olhamos para o alto e dizemos: “Senhor, não conseguimos”. O Senhor diz: “Eu estava esperando por vocês. Eu já fiz isso. Por que vocês não creem em Mim?”.
Então você crê e é salvo. Você acha que, depois de ser salvo, pode agir de outra maneira? Acha que agora pode começar a trabalhar por conta própria e depender de si mesmo para ser espiritual?
Como somos tolos. Deus já nos ensinou essa lição, e ainda assim não aprendemos. Não desistimos de nós mesmos; não nos rendemos a Deus. É por isso que não estamos crescendo adequadamente.
Em primeiro lugar, gostaria de deixar isto muito claro: Deus nos introduziu na esfera espiritual. Nessa esfera, tudo precisa começar com Deus.
Deus revelará e, se Ele revelou, então podemos seguir. Não podemos tomar a iniciativa. Graças a Deus, Ele é o Deus Que revela a Si mesmo.
Se Deus não revelar a Si mesmo, não saberemos nada a respeito Dele, porque Ele está muito além de nós. Mas aprouve a Deus revelar Seu Filho em nós.
Quando Ele revela Seu Filho em nós, ao mesmo tempo também nos revela o Corpo de Cristo.
Ontem já tocamos nesse assunto. Depois que você é salvo, há um relacionamento vivo com Deus, porque você nasceu do Espírito.
Antes de ser salvo, você pode ter aprendido a orar. Mas, depois de nascer do Espírito, há um relacionamento vivo. Quando você ora, ora a Deus como seu Pai.
Ao mesmo tempo, quando você encontra outro crente, imediatamente existe um vínculo entre você e aquele crente. Esse vínculo é mais forte do que o sangue.
De onde ele vem? Vem da revelação do Corpo de Cristo. Quando cremos no Senhor pela primeira vez, a revelação já nos foi dada.
A revelação não diz respeito apenas ao nosso Senhor Jesus; diz respeito também ao que o Senhor busca. Ele quer um Corpo. Isso já foi implantado em nosso espírito.
Se seguirmos essa revelação, cresceremos — não apenas em direção ao Senhor, mas também em direção uns aos outros.
O caminho do crescimento é um caminho interior. Não é algo exterior. Em nosso espírito, no íntimo, recebemos a revelação, e seguimos e obedecemos a essa revelação.
Se seguirmos essa natureza, por assim dizer, então realmente cresceremos na graça e na verdade. Não apenas amaremos o Senhor Jesus, mas O veremos em grandeza cada vez maior.
Começaremos a obedecer-Lhe cada vez mais, e é aí que a vida cresce. Veremos nossos irmãos e irmãs, e nosso relacionamento será não apenas ampliado, mas aprofundado.
Cresceremos juntos em Cristo. Isso será sobrenaturalmente natural.
Infelizmente, as coisas exteriores começam a se acumular: os rudimentos do mundo e o ensino tradicional do cristianismo. Todas essas coisas nos levam a andar exteriormente, em vez de andar interiormente.
Em vez de ouvir a voz do Espírito Santo, obedecer a Cristo Jesus e seguir a nova natureza dentro de nós, fomos desviados.
Quanto mais continuamos nesse caminho, mais a nossa visão se apaga. Esse é o nosso problema.
Deus não faz acepção de pessoas. Ele trata todos os Seus filhos da mesma maneira. Mas por que alguns crentes parecem ter mais revelação, enquanto outros parecem ter menos?
Se você não tem revelação, não pode crescer espiritualmente. Por que isso acontece?
Em nossa família, havia uma senhora americana que morava conosco. Ela era da Virgínia e havia ido à China como missionária durante a dinastia Qing.
Quando chegou a Xangai, ela fundou uma escola. Meu avô enviou meu pai àquela escola para estudar inglês, porque trabalhava no ramo da construção e queria fazer negócios com estrangeiros.
Meu pai, sendo o filho mais velho, foi enviado àquela escola para que, depois de aprender inglês, pudesse ajudar meu avô nos negócios.
Felizmente — ou infelizmente —, meu pai adoeceu. Depois que meu pai foi salvo, veio uma crise à família. Meu avô achou que havia perdido a honra, porque, naqueles dias, os que criam em Jesus eram chamados de “cristãos da religião estrangeira”. Pensava-se que buscavam ajuda dos estrangeiros.
Meu avô impediu meu pai de ir à escola. Para encurtar a história, por fim meu avô permitiu que ele continuasse.
Quando aquela missionária envelheceu, em vez de voltar aos Estados Unidos, ficou conosco. Nós a chamávamos de vovó.
Meu pai tinha sete filhos, e ela gostava mais do meu irmão caçula. Muitas vezes queríamos provocá-la e dizíamos: “A senhora tem preferência, porque ama meu irmão caçula mais do que todos nós”.
Ela ficava exasperada e dizia: “Não, não, eu amo todos vocês da mesma maneira”. Mas depois dizia: “Seu irmão é mais próximo de mim do que todos vocês. Essa é a razão”.
Essa não é uma boa explicação? Deus ama cada um de nós da mesma maneira. Ele quer revelar a Si mesmo a nós igualmente. Ele quer nos mostrar Cristo e o Corpo de Cristo.
Por que algumas pessoas parecem receber uma visão maior e mais clara, enquanto outras parecem ter uma visão menor e imperfeita?
Não há nenhum problema da parte de Deus. Ele está disposto a revelar Seu Filho. Ele está disposto a nos revelar o Corpo de Cristo.
O problema está em nós. A nossa condição espiritual é o problema. Ele quer revelar, mas não pode. Ele quer falar, mas não pode, por causa da nossa condição espiritual.
Se a nossa condição espiritual estiver correta, deveremos ser capazes de receber cada vez mais revelação do alto, e poderemos realmente crescer espiritualmente. Mas é a nossa condição espiritual que limita a revelação de Deus.
Vocês já leram o chamado Sermão do Monte, em Mateus 5? No versículo 3:
Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus.
Aqui vocês encontram uma condição espiritual: ser pobre de espírito. Agora, lembrem-se: ser pobre de espírito não significa ter um espírito pobre ou um espírito errado. Deus quer que sejamos pobres de espírito.
Quando o espírito é pobre? É quando estamos muito cheios que podemos ser pobres. Precisamos estar muito cheios para sermos pobres de espírito.
É assim que é o nosso Senhor Jesus. No que diz respeito ao Seu espírito, Ele é o mais rico. Ele era igual a Deus, e isso não era algo a que precisasse Se apegar.
Contudo, Ele esvaziou a Si mesmo. Tornou-Se tão pobre que até assumiu a forma de um servo. Isso é ser pobre de espírito.
Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus.
Irmãos e irmãs, porque somos tão ricos, supostamente ricos, Ele não pode revelar a Si mesmo a nós. Achamos que temos tudo. Somos como Laodiceia: temos tudo; somos ricos.
Quando estamos com esse tipo de espírito, Deus não pode revelar a Si mesmo a nós.
O mesmo acontece quando chegamos a Mateus 5:6.
Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos.
Por que não somos fartos? Porque não temos fome e sede. Estamos tão satisfeitos; por isso, não podemos ser fartos.
E então chegamos a Mateus 5:8.
Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus.
Por que você não vê Deus? Porque seu coração não é puro. Está cheio de mistura. Você ama Deus, mas também ama o mundo. Como pode ver Deus dessa maneira?
Vocês veem que a nossa condição espiritual realmente afeta a revelação. Quando leem a Bíblia, podem encontrar muitos, muitos exemplos disso.
A Bíblia nos diz que precisamos ser diligentes. Se formos diligentes, então poderemos entrar no reino de maneira abundante. Essa é a nossa responsabilidade.
Temos a responsabilidade de cuidar para que o nosso espírito esteja na condição correta — para que realmente tenhamos um coração que busca e sejamos diligentes em buscá-Lo.
O apóstolo Paulo diz:
Eu prossigo. Eu me estendo. Busco aquele alvo que está diante de mim, o prêmio da soberana vocação de Deus.
Não é de admirar que ele fosse uma pessoa cheia de revelação.
Irmãos e irmãs, o que precisamos é de revelação. Quando a revelação vem a nós, ela é luz. Nós vemos; isto é, recebemos uma visão.
Gostaria de usar o apóstolo Paulo como exemplo. Todos sabemos que Paulo, antes de ser salvo, era um jovem extraordinário.
A maioria dos jovens busca as coisas terrenas, mas esse jovem, Saulo, era diferente. Ele buscava as coisas celestiais.
Infelizmente, em sua busca, ele foi conduzido à tradição dos pais. Era extremamente zeloso, e, segundo o ensino dos pais entre os judeus, eles consideravam Jesus um impostor, porque Ele não correspondia à ideia que tinham do Messias.
Assim, ele começou a perseguir os crentes, pensando que estava servindo a Deus. Mas, graças a Deus, Deus olhou para o seu coração. Ele era sincero, mas estava sinceramente errado. Por isso, Deus teve misericórdia dele.
Ele estava indo a Damasco para prender os crentes. Quando se aproximava da cidade, de repente veio uma luz do céu.
Era uma luz irresistível, e esse homem orgulhoso caiu por terra.
Saulo, Saulo, por que Me persegues?
Não sabes que duro te é recalcitrar contra o aguilhão?
Não era uma voz irada. Era uma voz cheia de amor e compaixão. “Você não sabe o que está fazendo.” Havia amor e compaixão naquela voz.
Então Saulo disse:
Senhor, Quem és Tu?
Na verdade, ele estava dizendo: “Eu Te conheço, mas não Te conheço”.
E a voz disse:
Eu sou Jesus, a Quem tu persegues.
Aprouve a Deus revelar Seu Filho nele. Esse é o seu testemunho em Gálatas 1:16.
Imediatamente, ele percebeu que Aquele a Quem perseguia era o Senhor de todos. Imediatamente, rendeu-se. Então veio a segunda pergunta:
Senhor, que queres que eu faça?
“Eu era senhor de mim mesmo, mas agora Tu és o meu Senhor. Tu precisas me dizer o que fazer.”
Vocês acham que Saulo realmente esperava que o Senhor lhe dissesse o que fazer? É claro. “Meu Senhor e eu” — quem mais? Aos seus olhos, deveria ser “meu Senhor e eu”. Isso é espiritualidade.
O Senhor disse:
Vai a Damasco, e ser-te-á dito o que quero que faças.
Aqui vocês veem que, naquela visão, Deus não apenas revelou Seu Filho em Paulo; Ele também revelou a Paulo o Corpo de Cristo.
Saulo foi educado como fariseu e era muito lógico. Sabia argumentar. Poderia muito bem argumentar: “Eu nunca Te persegui. Tu estás no céu, e eu estou na terra. Como posso Te perseguir?”.
Mas, pela revelação, sua boca foi fechada. Ele sabia que perseguir um crente é perseguir Cristo. Recebeu uma revelação do Corpo de Cristo.
Não é assim também conosco? A revelação de Cristo como a Cabeça e da igreja como o Corpo de Cristo vem ao mesmo tempo.
Mas aqui há algo mais. O Senhor não apenas ensinou Paulo acerca da revelação da Cabeça e do Corpo; Ele também conduziu Paulo à vida do Corpo.
Se o Senhor tivesse dito diretamente a Paulo: “Agora vá e pregue o evangelho”, Paulo teria feito isso imediatamente. Qual teria sido o resultado?
Teria sido “o Senhor e eu”. Aos seus olhos, não haveria mais ninguém. “Sou forte o bastante e farei tudo o que o Senhor quiser que eu faça.” Ele teria sido um individualista.
Ele poderia ter a verdade do Corpo, mas nunca teria vivido a vida do Corpo. Isso não é verdade a respeito de muitos de nós?
Precisamos de uma visão do Corpo de Cristo. Não apenas de uma visão do Corpo de Cristo, mas precisamos de uma visão da vida do Corpo.
Que humilhação para esse grande homem, Saulo, quando Deus enviou um pequeno irmão para lhe dizer qual era a vontade de Deus.
Esse grande homem ouviu uma pequena criança. Mas esta é a lição: no Corpo de Cristo, até o maior membro precisa do menor membro, porque somos membros uns dos outros.
Não é apenas o Senhor e eu; é também o Senhor, meus irmãos e irmãs, e eu. Paulo aprendeu essa lição da vida do Corpo desde o princípio.
Precisamos aceitar isso? Sem o Senhor, não podemos viver. Sem meus irmãos e irmãs, também não posso. Precisamos do Senhor e precisamos uns dos outros. Essa é a visão da vida do Corpo.
Davi tinha uma visão da vida do Corpo. Quando abrimos no Salmo 133, sabemos que o Salmo 132 é um salmo que expressa o anseio de Davi pela casa de Deus.
Mas, no Salmo 133, encontramos algo mais. É o seu anseio pela vida do Corpo.
Davi tinha uma família grande, mas não era uma família feliz. Havia tantos problemas na família. Por causa disso, ele teve uma visão daquela família feliz — a família de Deus, o Corpo de Cristo.
Com essa visão, ele escreveu seu salmo:
Eis.
É algo a ser contemplado. Muitas vezes vemos coisas indignas, mas há algo digno não apenas de ser visto, mas de ser contemplado com todo o coração.
O que é tão digno de ser contemplado?
Eis quão bom e quão agradável é
que os irmãos vivam em união!
Ele não conseguia descrever. Disse: “Quão bom! Quão agradável!”. Está além de qualquer descrição.
O que é bom? Segundo as Escrituras, a vontade de Deus é boa. Tudo o que não é a vontade de Deus, por melhor que pareça, é mau.
Nada está mais de acordo com a vontade de Deus do que isto: Deus ama ver os irmãos vivendo em união.
Como isso fere o Seu coração quando Ele vê os irmãos lutando uns contra os outros, incapazes de perdoar uns aos outros, incapazes de suportar uns aos outros.
Mas, se há esse viver juntos em união, como é agradável.
Deus quer que os irmãos vivam em união. Esse é o desejo do coração de Deus.
Não apenas entrar em contato uns com os outros de vez em quando. Podemos ser bons uns com os outros em certas ocasiões. Tenho um bom relacionamento com meu irmão na África, porque nunca o vi.
Mas viver juntos, estar tão próximos uns dos outros, é exatamente como um corpo. Todos os membros vivem juntos.
Quando como, às vezes mordo a língua. Minha língua não diz: “Vou embora. Não vou mais sofrer. Já chega”. Não devemos ser borboletas.
Uma abelha voa até uma flor, entra nela, retira o néctar e imediatamente voa para outro lugar. Mas não somos borboletas. Devemos viver juntos em união.
O que acontecerá? Há duas metáforas.
É como o óleo precioso sobre a cabeça,
que desceu sobre a barba,
a barba de Arão;
que desceu até a orla das suas vestes.
Essa é uma imagem de Arão quando foi ungido sumo sacerdote. Ele estava vestido com as vestes sacerdotais, e então o óleo foi derramado sobre sua cabeça.
O óleo escorreu até a barba, e depois até a orla das vestes, cobrindo o corpo inteiro.
O Sumo Sacerdote ungido é o próprio Cristo. Quando Cristo ressuscitou dentre os mortos e subiu ao céu, a Bíblia diz que Deus O ungiu como Sumo Sacerdote.
Ele foi ungido como Senhor e Cristo. No dia de Pentecostes, tudo o que estava sobre a Sua cabeça escorreu até a barba, e continua a escorrer até a orla das vestes.
Em outras palavras, todo o Corpo é ungido.
Irmãos e irmãs, quando os irmãos vivem juntos em união, seremos cheios do Espírito Santo. Seremos capazes de servir a Deus. Caso contrário, como poderemos servir a Deus?
Então há outra metáfora:
É como o orvalho de Hermom,
que desce sobre os montes de Sião;
porque ali o Senhor ordenou a bênção,
a vida para sempre.
Hermom fica ao norte da Palestina. É uma montanha alta. Aqui vocês veem o orvalho de Hermom descendo sobre os montes de Sião.
É como se o vento tivesse levado o orvalho de Hermom aos montes de Sião. Hermom representa o que é celestial, e Sião representa o trono de Davi; portanto, representa a autoridade.
Quando a autoridade de Cristo como Cabeça é honrada, então o orvalho celestial — que é vida — vem sobre esse lugar. Ali o Senhor ordena a bênção: vida para sempre.
Sempre que os irmãos viverem juntos em união, não apenas o Espírito Santo encherá o Corpo para que possamos servir a Deus, mas também haverá vida enchendo o Corpo, e haverá alegria para sempre.
Essa é a visão da vida do Corpo.
Se tivermos essa visão, deverá haver um anseio dentro de nós. É isso que Deus quer; é isso que eu quero.
Irmãos e irmãs, vocês têm um verdadeiro anseio por essa vida do Corpo? Já sofreram o suficiente na igreja para ansiar por esse Corpo, ou desistiram?
Qual é a nossa condição hoje? Vocês desistiram? Como podemos chegar a essa vida do Corpo?
Essa é a nossa oração. Esse é o nosso anseio. Estamos dispostos a dar tudo por isso?
No próximo sábado, gostaríamos de descobrir o segredo: como podemos, por meio do exercício espiritual, entrar nessa realidade?
Querido Senhor, sentimos que estamos tocando em algo muito precioso ao Teu coração.
Por favor, cria em nós esse mesmo anseio. Dá-nos visão, para que possamos enxergar a vida do Corpo, e dá-nos um anseio por ela.
Cria em nós a disposição de sofrer por ela. Pedimos em Teu precioso nome. Amém.