Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida;
ninguém vem ao Pai senão por Mim.
Por isso, tendo este ministério, segundo a misericórdia que nos foi concedida, não desfalecemos;
antes, renunciamos às coisas ocultas e vergonhosas, não andando com astúcia, nem adulterando a palavra de Deus; mas, pela manifestação da verdade, recomendando-nos à consciência de todo homem, na presença de Deus.
Mas, se ainda o nosso evangelho está encoberto, para os que se perdem está encoberto;
nos quais o deus deste mundo cegou o entendimento dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o Qual é a imagem de Deus.
Porque não nos pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus como Senhor; e a nós mesmos como vossos servos, por amor de Jesus.
Porque Deus, que disse: Das trevas resplandecerá a luz, é Quem resplandeceu em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus na face de Jesus Cristo.
Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus, e não de nós;
em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desesperados;
perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos;
levando sempre no corpo o morrer de Jesus, para que também a vida de Jesus se manifeste em nosso corpo.
Porque nós, que vivemos, somos sempre entregues à morte por amor de Jesus, para que também a vida de Jesus se manifeste em nossa carne mortal.
De modo que em nós opera a morte, mas em vós, a vida.
E, tendo o mesmo espírito de fé, conforme está escrito: Cri, por isso falei; nós também cremos, por isso também falamos;
sabendo que Aquele que ressuscitou o Senhor Jesus também nos ressuscitará com Jesus e nos apresentará convosco.
Porque todas as coisas são por amor de vós, para que a graça, multiplicada por meio de muitos, faça abundar as ações de graças para a glória de Deus.
Por isso, não desfalecemos; mas, ainda que o nosso homem exterior se corrompa, o nosso homem interior se renova de dia em dia.
Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós um peso eterno de glória, cada vez mais abundante;
não atentando nós nas coisas que se veem, mas nas que se não veem: porque as coisas que se veem são temporais, mas as que se não veem são eternas.
Querido Senhor Jesus, ao nos reunirmos aqui nesta manhã, sabemos que Tu estás conosco. Prezamos a Tua presença mais do que qualquer outra coisa.
Pedimos apenas que removas qualquer véu que possa estar sobre o nosso coração, para que contemplemos a Tua glória, contemplemos a Tua amável face e sejamos transformados e conformados à Tua gloriosa imagem.
Pedimos que nos separes inteiramente para Ti. Leva todo o nosso ser para dentro do véu e permite que Te ouçamos falando ao nosso coração.
Pedimos, Senhor, que verdadeiramente nos prepares para o Teu retorno iminente e que, pela Tua misericórdia, possamos cumprir a missão que nos confiaste.
Que toda a glória, todo o louvor e toda a adoração sejam para Ti. Pedimos em Teu precioso nome. Amém.
Graças a Deus por nos trazer até este ponto. Temos desfrutado de comunhão em torno do tema do serviço centrado em Cristo.
Mas não podemos falar sobre serviço sem primeiro falar sobre vida. É a declaração do apóstolo Paulo que encontramos em Atos 27:23:
O Deus, de Quem eu sou e a Quem sirvo.
Na verdade, essa declaração é a base de todo verdadeiro serviço. A menos que saibamos a Quem pertencemos — de Quem somos —, não há possibilidade de servirmos ao nosso Deus.
É uma declaração poderosa do apóstolo Paulo. Ele a fez a partir de sua própria experiência.
Creio, irmãos e irmãs, que todos conhecemos os antecedentes do apóstolo Paulo. Ele mesmo nos contou, em Filipenses 3, que era judeu — um verdadeiro judeu. Era da tribo de Benjamim e, desde a juventude, aprendeu a lei de Deus.
Ele chegou a ser enviado a Jerusalém para estudar com Gamaliel, porque Gamaliel era o grande mestre daquela época.
Era um jovem admirável. A maioria dos jovens ama o mundo e busca as coisas do mundo, mas esse jovem era diferente dos outros. Embora fosse jovem, buscava as coisas celestiais.
Estudou a lei. Tornou-se fariseu. Guardava toda a letra da lei. Era um jovem muito piedoso.
Além disso, tinha um desejo sincero de servir a Deus. Todos nos lembramos de como ele começou a servir a Deus: servia a Deus perseguindo os que criam em Jesus Cristo.
Segundo a tradição judaica e a tradição dos pais, eles consideravam Jesus um impostor no judaísmo. Por isso, achavam que Jesus precisava ser crucificado. Gritavam:
Fora com Ele! Fora com Ele! Crucifica-O!
Não fizeram isso apenas ao nosso Senhor Jesus; fizeram o mesmo a todos os que seguiam o Caminho.
Esse jovem, Saulo, era mais zeloso do que qualquer outro jovem. Perseguia os cristãos não apenas em Jerusalém, mas também em outras cidades judaicas, até mesmo em cidades estrangeiras.
Ele mesmo nos contou que, quando Estêvão, servo de Deus, foi apedrejado, estava ali guardando as roupas daqueles que atiravam as pedras. Dava seu voto para que todos os crentes fossem mortos.
No entanto, esse homem era um jovem de boa conduta e religioso. Quando percebeu como Estêvão morreu, como o rosto de Estêvão era semelhante ao rosto de um anjo e como Estêvão viu o céu aberto e o Filho do Homem em pé ali — como se o próprio Senhor o estivesse recebendo em casa —, sua consciência foi tocada.
Antes de morrer, Estêvão orou:
Senhor, não lhes imputes este pecado.
Então faleceu.
Vocês podem imaginar? A consciência de uma pessoa tão correta e religiosa poderia permanecer indiferente? Não. Mas Saulo tentou abafar a voz de sua consciência e redobrou seus esforços na perseguição aos crentes.
Entrava nas casas e prendia homens, mulheres e até crianças. Perseguia-os e os condenava à morte. Contudo, durante todo esse tempo, pensava que estava servindo a Deus.
Ele não conhecia o próprio Deus. Sabia muito a respeito de Deus, mas não tinha um relacionamento pessoal com o Deus vivo. Agia segundo a tradição dos pais. Não tinha luz do alto.
Pensava que estava servindo a Deus, mas prestava a Deus um grande desserviço. Estava sinceramente errado.
Saulo recebeu cartas do sumo sacerdote para ir a cidades estrangeiras, prender os crentes em Cristo, trazê-los a Jerusalém e condená-los. Era mais zeloso do que todos os outros jovens.
Mas, enquanto estava a caminho de Damasco, quase chegando à cidade, Deus permitiu que ele fosse tão longe quanto podia. Então, ao se aproximar de Damasco, uma luz mais brilhante do que o sol do meio-dia resplandeceu sobre ele.
Essa luz era tão poderosa que ele caiu por terra. Todos os que o acompanhavam foram atingidos por aquela luz, mas não ouviram a voz.
Esse jovem ouviu uma voz que dizia:
Saulo, Saulo, por que Me persegues?
Duro te é recalcitrar contra o aguilhão.
Ele não conhecia a voz, por isso disse:
Senhor, Quem és Tu?
Sabia que Aquele que lhe falava só podia ser o Senhor, porque era mais poderoso do que ele. “Tu me conheces”, poderia ter dito, “mas eu não Te conheço”.
No entanto, o Senhor o conhecia. O Senhor o chamou:
Saulo, Saulo, por que Me persegues?
Não era uma voz severa e dura; não era uma voz de juízo. Era uma voz de amor e compaixão.
O Senhor estava dizendo, em outras palavras: “Você não sabe o que está fazendo. É difícil para você dar coices contra o aguilhão”.
Antigamente, as pessoas usavam bois ou cavalos para lavrar a terra. O animal era preso ao arado e colocado sob um jugo. O lavrador conduzia o arado.
Mas o animal tinha vontade própria. Quando via algo atraente ao lado, desviava-se, e os sulcos no campo não ficavam retos.
O que o lavrador fazia? Na outra mão, tinha um instrumento pontiagudo chamado aguilhão. Usava esse aguilhão para tocar a pata do animal.
É claro que o lavrador não queria ferir o animal. Queria apenas que ele soubesse quem era o senhor: “Você não é o senhor. Você é o servo. Está fazendo o meu trabalho, então é melhor me ouvir”.
Mas, se o animal era indomável e não entendia o que o senhor queria dizer, dava coices. E, ao dar coices, feria a si mesmo. Depois de se ferir várias vezes, aprendia a lição e sabia como obedecer ao senhor e fazer o trabalho dele.
Foi isso que o nosso Senhor Jesus, no céu, disse àquele jovem, Saulo. Não é verdade que o nosso Senhor ressuscitado usa a mesma palavra para falar a cada um de nós?
Quando Deus nos criou, criou-nos à Sua própria imagem, conforme a Sua própria semelhança. Por que fez isso? Porque tem algo para nós fazermos.
Pertencemos a Ele. Pertencemos a Ele pela criação e pelo nascimento. Por trás de cada pessoa que nasce neste mundo, há um propósito de Deus.
Deus quer nos usar para cumprir o Seu propósito. Não viemos a este mundo apenas para viver para nós mesmos.
Mas não sabíamos disso. Pensávamos que tínhamos nascido neste mundo para ser nós mesmos, que éramos nossos próprios senhores. Não sabíamos que temos um Senhor e que estamos a serviço desse Senhor.
Por não querermos obedecer a Ele, muitas vezes prestamos a Deus um desserviço, em vez de um serviço. Deus usará o Seu aguilhão para nos tocar. Ele nos disciplinará, lembrando-nos de que não somos de nós mesmos, mas pertencemos a Ele e devemos servir ao Seu propósito.
Quantas vezes damos coices! E, por darmos coices, nos ferimos. Mas essa não é a intenção original de Deus. Quando nos ferimos, murmuramos contra Deus: “Se existe um Deus, por que Ele permite que isso aconteça?”.
Saulo não sabia que Deus queria o seu bem. Deus o lembrou de que ele Lhe pertencia, de que estava incluído em Seu propósito e de que deveria servir a esse propósito. Imediatamente, ele se rendeu.
A primeira coisa que ele passou a saber foi a Quem pertencia. Você sabe quem é? Ainda pensa que é seu próprio senhor e que está ocupado com seu próprio trabalho?
Deus não tem lembrado você disso repetidas vezes? Algo pode ter acontecido em sua vida que você considerou doloroso, mas, na verdade, era a boa vontade de Deus para com você. Era o aguilhão do Seu amor alcançando você.
Oh, que possamos realmente compreender e verdadeiramente nos voltar ao Senhor.
Ali mesmo, naquele momento, esse jovem aceitou Jesus como seu Senhor. Infelizmente, hoje pregamos apenas uma parte do evangelho de Jesus Cristo.
Dizemos às pessoas que Jesus é o Salvador do mundo, que veio nos salvar e buscar os perdidos. Se crermos Nele e O recebermos como nosso Salvador, todos os nossos pecados serão perdoados e nasceremos de novo.
Mas, ao mesmo tempo, devemos saber que Ele é Senhor. Ele não é apenas Salvador.
Como Salvador, Ele é para você. Como Senhor, você é para Ele. No entanto, hoje, no cristianismo, separamos essas duas coisas, e essa é a razão pela qual os cristãos são tão fracos.
Segundo a Palavra de Deus, o momento em que você crê em Jesus como seu Salvador é o mesmo momento em que se rende ao Senhor e diz: “Tu também és o meu Senhor”.
É aqui que devemos começar, queridos irmãos e irmãs. Quando você foi salvo, realmente se entregou a Deus, reconhecendo Jesus como seu Senhor e reconhecendo que estava sendo colocado a Seu serviço?
Talvez alguns de vocês saibam como Watchman Nee foi salvo. Ele vinha de uma família cristã, mas era uma família cristã apenas de nome.
Quando jovem, era muito brilhante. Embora estudasse no Trinity College, que era uma instituição cristã, sua nota mais baixa, entre todas as matérias, era sempre em Bíblia.
Em todas as outras matérias, era o primeiro da turma, mas sua nota em Bíblia era sempre a mais baixa. Não tinha desejo pelo Senhor. Era muito ambicioso e tinha um plano para si mesmo.
Ainda como estudante, escrevia artigos para revistas e jornais para ganhar dinheiro.
Um dia, sua mãe foi salva. Eu conheci a mãe dele; ela me tratava como seu próprio filho. Era muito rigorosa com a família.
Duas meninas nasceram antes de Watchman. Sempre que acontecia alguma coisa na família — algo quebrado ou danificado —, geralmente Watchman levava a culpa. Suas duas irmãs tentavam ajudá-lo a escapar dessas punições.
Certa vez, um vaso precioso foi quebrado, e sua mãe achou que só podia ter sido Watchman. Ela bateu nele e, a partir daquele momento, Watchman passou a odiar a mãe.
Mas um dia sua mãe foi salva. Depois de ser salva, pensou: “Devemos nos reunir em família. Todos os dias devemos ter um momento de devoção em família”.
Comprou alguns hinários e reuniu a família. Quando foi ao piano para tocar a melodia, o Espírito Santo a convenceu: “Levante-se. Confesse seu pecado ao seu filho”.
Ela não conseguia fazer isso. Isso nunca se fazia na China. Os pais estavam sempre certos. Como os pais poderiam pedir desculpas aos filhos?
Mas o Espírito Santo a convenceu profundamente. Ela se levantou, foi até o filho e disse: “Perdoe-me”.
Isso tocou Watchman profundamente. Quando foi convidado a ouvir a dra. Dora Yu pregar, já na primeira noite soube que precisava receber Jesus como seu Salvador. Mas não conseguia.
Percebeu que, se cresse em Jesus, teria de aceitá-Lo como seu Senhor. Mas isso ele não conseguia fazer, porque tinha seu próprio plano. Era seu próprio dono, seu próprio senhor.
Lutou com isso durante alguns dias. Então, certo dia, enquanto orava em seu quarto, conforme testemunhou mais tarde: “Vi a negrura do meu pecado e a vermelhidão do sangue do Senhor Jesus”.
O amor de Cristo o constrangeu, e ele se rendeu diante do Senhor. Naquele momento, recebeu Jesus como seu Salvador e também se entregou a Jesus como seu Senhor.
Queridos irmãos e irmãs, precisamos saber de Quem somos. Ainda pertencemos a nós mesmos depois que Ele nos redimiu, ou percebemos que pertencemos a Ele?
Esse é o primeiro passo. Depois de saber quem você é, então poderá servir Àquele a Quem deve servir.
No caso do apóstolo Paulo, depois de receber Jesus não apenas como Salvador, mas também como Senhor, ele fez a segunda pergunta:
Senhor, que queres que eu faça?
Antes, ele era seu próprio senhor e seu próprio dono. Sabia o que fazer e tinha seu próprio plano. Mas agora tudo isso havia terminado. “Sou Teu servo. Tu precisas me dizer o que queres que eu faça.”
O Senhor o chamou para pregar o evangelho de Jesus Cristo, levar pessoas ao Senhor, fazê-las voltar das trevas para a luz e receber a herança do alto.
Esse princípio básico é o começo do verdadeiro serviço:
De Quem eu sou e a Quem sirvo.
Até que sejamos salvos e tenhamos rendido nossa vida ao Senhor, não teremos verdadeiramente começado nossa vida cristã. A vida cristã não começa apenas com crer em Jesus como Salvador; ela começa depois que você se submete a Jesus como seu Senhor.
Irmãos e irmãs, todos estamos tentando viver uma vida cristã. Como vocês vão vivê-la? Acham que estão conseguindo, ou acham que estão fracassando?
Ouçam o que Paulo disse:
Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero, esse pratico.
Embora tivesse Cristo dentro de si, ainda vivia por sua própria vida.
Com a nossa própria vida, é impossível viver a nova vida. Você já chegou ao ponto de perceber que não consegue viver uma vida cristã? Isso está além de sua capacidade.
Algumas pessoas amam o Sermão do Monte porque ele apresenta a ética cristã, e tentam seguir essa ética. Se você não tenta, acha que consegue. Se tenta, descobre que isso está além de sua capacidade.
Você é um cristão nervoso? Costumo dizer que um cristão nervoso é um bom cristão. Se você não fica nervoso, isso significa que não se importa.
Mas, se você realmente leva isso a sério, se realmente quer viver como Cristo viveu, descobrirá que é impossível. O apóstolo Paulo clamou:
Quem me livrará do corpo desta morte?
Graças a Deus — Jesus Cristo.
Como podemos viver uma vida cristã? Você não pode. Eu não posso. Quem pode? Cristo pode.
A única maneira de viver uma vida cristã é por meio de Cristo. Em vez de tentar vivê-la por si mesmo, você permite que Cristo a viva em você. Isso é a vida cristã.
Da mesma forma, o que é o serviço cristão? Depois de ser salvo, você tenta servir a Deus. Por servir a Deus, você entende que deseja fazer alguma coisa para Deus.
É claro que essa é uma intenção muito boa. Você deve ter esse tipo de desejo. Se você é salvo e não tem desejo de servir a Deus, nenhum desejo de fazer alguma coisa para Deus, eu questiono se você realmente é salvo.
Todo aquele que crê no Senhor Jesus tem o desejo de servir a Deus. Mas, quando você tenta fazer alguma coisa para Deus, pergunta a Ele o que deseja que você faça?
Depois que Saulo foi salvo, sua primeira pergunta foi:
Senhor, que queres que eu faça?
Mas como costumamos agir? Em vez de perguntar ao Senhor o que Ele quer que façamos, simplesmente saímos e fazemos.
Agimos de acordo com aquilo que achamos que Deus apreciaria. É como alguém que quer ir à Mongólia, mas nunca pergunta se é da vontade de Deus que ele vá.
Ouvi uma história. Havia um empregado cujo patrão era cristão — não apenas cristão, mas também pregador. O empregado também era cristão.
Certo dia, o empregado foi enviado para comprar comida. Quando estava no mercado, sentiu que deveria pregar o evangelho. Então começou a falar com as pessoas e a lhes pregar o evangelho.
Esqueceu-se completamente de comprar comida para seu patrão. Quando voltou, vocês acham que o patrão disse: “Bom empregado, você fez um bom trabalho porque pregou o evangelho”?
Não. O patrão perguntou: “Onde está a comida?”.
Não é assim que servimos a Deus? Não perguntamos o que Ele deseja. Fazemos o que queremos. Pode ser uma coisa boa, mas trabalhamos para Deus; não trabalhamos com Deus.
Esse tipo de serviço é inaceitável.
Vocês se lembram de Mateus 7. O Senhor Jesus disse que, um dia, as pessoas virão a Ele e dirão:
Senhor, Senhor, não profetizamos em Teu nome?
E em Teu nome não expulsamos demônios?
E em Teu nome não fizemos muitas obras poderosas?
O Senhor dirá:
Nunca vos conheci.
Isto é: “Não aprovo vocês, porque não fazem a Minha vontade. Fazem a própria vontade”.
Como servimos? Oramos a respeito. Esperamos no Senhor. Buscamos poder do alto. Não presumimos que temos poder ou sabedoria suficientes para simplesmente agir em nossa própria força, segundo a nossa própria vontade.
Vocês acham que isso é serviço cristão?
Espero que todos se lembrem disto: não podemos viver uma vida cristã por nós mesmos. Da mesma forma, não podemos realizar o serviço cristão por nós mesmos.
Assim como Cristo é o único que pode viver uma vida cristã, da mesma forma somente Cristo pode realizar o serviço cristão.
O apóstolo Paulo disse:
Porque para mim o viver é Cristo.
Da mesma forma, para nós, o servir precisa ser Cristo. Somente Cristo em nós é capaz de servir.
Receio que não aceitemos isso, assim como não conseguimos aceitar que a nossa própria justiça não pode nos salvar. Tentamos acumular méritos.
Esse é o nosso modo natural de pensar. Quando nossa consciência nos incomoda, tentamos fazer alguma coisa boa para aquietá-la. Mas a Bíblia diz que todas as nossas justiças são como um trapo imundo. Elas não podem cobrir a nossa nudez.
É como Adão e Eva: quando pecaram, souberam que estavam nus. Usaram folhas de figueira para fazer uma cobertura para si mesmos. Mas, quando o tempo esfriou e o vento soprou, aquelas roupas poderiam cobri-los? Não poderiam.
Leva tempo para percebermos que não podemos salvar a nós mesmos por nossa própria justiça. Nossos méritos nada significam aos olhos de Deus.
Ainda hoje, muitos dos chamados cristãos tentam salvar a si mesmos por seus méritos. Como sentem que não acumularam méritos suficientes, recorrem a outros que supostamente têm mais méritos para lhes dar.
Como somos tolos! No entanto, todos somos assim. A menos que cheguemos ao fim de nós mesmos, não aceitaremos Jesus.
O mesmo acontece com o serviço espiritual. Sim, precisamos servir a Deus — mas como servimos a Deus? Com a nossa própria sabedoria e o nosso próprio poder?
Tudo o que procede de nós mesmos, quer o mundo considere bom ou mau, é lixo aos olhos de Deus. É madeira, feno e palha e, no tribunal de Cristo, tudo será queimado.
Precisamos edificar com ouro, prata e pedras preciosas. Isso significa que temos de servir com aquilo que procede de Deus.
Queridos irmãos e irmãs, isso pode parecer difícil, mas é verdade. A verdade é muito simples. Muitas vezes sinto que complicamos a verdade, mas a verdade é simples.
A verdade sobre servir a Deus é simplesmente esta: eu não posso servir a Deus, e você não pode servir a Deus.
Posso me dedicar por inteiro — com minha capacidade intelectual e até com minha força física. Posso trabalhar dia e noite, sem cessar. Posso trabalhar até morrer. Posso usar toda a minha inteligência.
Mas, meus irmãos e irmãs, tudo o que procede de nós mesmos — da vida da nossa alma, do velho Adão, da vida do ego — será inteiramente queimado.
O único serviço que Deus aceitará precisa ser Cristo. O serviço centrado em Cristo não é apenas ensinar sobre Cristo; é viver por Cristo e servir por Cristo.
Essa é a maravilha do evangelho. A Bíblia nos fala da glória do evangelho de Jesus Cristo:
Cristo em vós, a esperança da glória.
Isso é verdade não apenas para a sua vida, mas também para o seu serviço.
Como Cristo, sendo vida, pode ser liberado como poder em nosso serviço? Esse é o propósito de Deus.
Quando Deus criou o homem, queria que cada pessoa servisse ao Seu propósito. Esse é o pensamento original de Deus. Mas o homem falhou e, por termos falhado, não somos capazes de cumprir o propósito de Deus.
O que nos tornamos? Tornamo-nos carne. O que é carne? Carne significa que você tem alma e corpo sem o espírito. A partir daí, você vive pela vida do ego em sua alma, e seu corpo se torna o corpo do pecado e da morte.
Mas graças a Deus: quando você crê no Senhor Jesus, seu espírito morto é vivificado. A vida de Cristo entra em você, e o Espírito Santo vem habitar em seu espírito renovado.
Essa é a provisão de Deus, não apenas para a sua vida, mas também para o seu serviço.
Vocês se lembram de 2 Pedro 1:3. Deus já nos deu todas as coisas que dizem respeito à vida e à piedade. Piedade significa ser semelhante a Deus.
Em outras palavras, Deus já nos deu uma nova vida, e essa nova vida é Cristo em nós. Ele não nos deu apenas uma nova vida; deu-nos o Seu Espírito Santo.
Qual é a missão do Espírito Santo? É cuidar para que essa vida cresça até a maturidade — para que Cristo em nós cresça até a maturidade.
Isso é a vida cristã. Quando essa vida amadurece e é liberada, torna-se o nosso serviço cristão.
Seja na vida, seja no serviço, é Cristo. É Cristo. Espero que todos nos lembremos disso. Eu diria que essa é a mais básica de todas as coisas básicas.
Houve apenas um Homem na terra que viveu uma vida perfeita e serviu a Deus perfeitamente. Enquanto Ele estava na terra, o céu se abriu três vezes, e houve uma voz do alto:
Este é o Meu Filho amado, em Quem Me comprazo.
“Tenho prazer Nele. Estou satisfeito com Ele. Sou glorificado Nele.” Sabemos Quem era essa pessoa: Cristo.
Cristo viveu Sua vida na terra, e essa vida foi perfeita. Ela agradou ao Pai completamente.
Enquanto estava na carne, fez muitas coisas e disse muitas palavras. Como o apóstolo João diz em seu Evangelho, se tudo o que o nosso Senhor Jesus fez e disse fosse registrado, o mundo inteiro não poderia conter os livros que seriam escritos.
Pensem nisso. Ele viveu apenas trinta e três anos e meio e trabalhou apenas três anos e meio. No entanto, tudo o que disse ou fez encheria a terra inteira.
Ele era o Homem que Deus tinha em mente. Sua vida e Seu serviço satisfizeram o coração de Deus.
No final, quando o nosso Senhor Jesus orou, tinha o Calvário em vista:
Pai, glorifica-Me.
O Pai disse:
Já o glorifiquei e outra vez o glorificarei.
Ele é o único que viveu e serviu a Deus plenamente. Graças a Deus, Ele está em você e está em mim.
Ele voltará a viver Sua vida em você e por meio de você. Continuará a realizar Sua obra de servir a Deus em você e em mim. Esse é o segredo.
Como podemos servir a Deus? Servimos a Deus não por nós mesmos, mas pelo Cristo que está em nós. Ele fará as mesmas coisas que fazia enquanto estava na terra.
Somente o que procede Dele satisfaz o coração do Pai.
Voltemos a 2 Coríntios 4. Sabemos que 2 Coríntios é uma carta que nos mostra o ministério de Paulo, assim como Filipenses nos mostra sua vida.
Toda a carta de 2 Coríntios fala sobre ministério. É claro que o ministério de Paulo era um ministério apostólico, mas, quanto ao princípio do serviço, é o mesmo para todos nós. Todos somos chamados a esse ministério, a esse serviço.
O que é esse serviço? Se vocês lerem 2 Coríntios 3, descobrirão que é o serviço da nova aliança.
Não é da letra, mas da vida. Não estamos a serviço da antiga aliança. Não é um serviço de condenação.
Todos estamos envolvidos no serviço da nova aliança. Ele já não está na letra, nem nas coisas exteriores; está no espírito e na vida.
Essa é a natureza do nosso serviço. Nosso serviço se baseia na vida. Nosso serviço é realizado por essa vida.
Enquanto servimos, a vida é liberada e flui para fora. Vida gera vida. Vida toca vida. Essa é a natureza do nosso serviço.
Ouçam o que Paulo diz a respeito de como realizava esse serviço:
Por isso, tendo este ministério, segundo a misericórdia que nos foi concedida, não desfalecemos.
Queridos irmãos e irmãs, se compreendêssemos o que é o nosso serviço, todos desfaleceríamos. Hoje, as pessoas, enquanto estão servindo, muitas vezes têm muita segurança em si mesmas. Têm confiança em si mesmas e ousadia em si mesmas.
Isso mostra que não sabem o que estão fazendo. Se você está realmente envolvido no serviço cristão — se está servindo a Deus —, perguntará: “Como posso fazer isso? Está além de minha capacidade”.
Quanto mais tento, mais fracasso. Quanto mais faço, mais presto um desserviço a Deus. Por que Paulo não desfalecia? Ele disse: “Há a misericórdia de Deus”.
Somente pela misericórdia de Deus ousamos servir, reconhecendo a seriedade desse serviço. É um serviço que comunica vida.
O que deve ser feito de nossa parte? Paulo diz:
Renunciamos às coisas ocultas e vergonhosas, não andando com astúcia, nem adulterando a palavra de Deus; mas, pela manifestação da verdade, recomendando-nos à consciência de todo homem, na presença de Deus.
Que obra precisa ser feita em nossa vida? Reconhecendo a santidade do serviço cristão, precisamos tratar das coisas ocultas dentro de nós.
Podemos saber que há algo errado em nossa vida e, ainda assim, mantê-lo escondido dentro de nós. Ou podemos andar com engano. Precisamos ser verdadeiros.
Também não podemos falsificar a Palavra de Deus. Tentamos ajustar a Palavra de Deus a nós mesmos; então rebaixamos o padrão da Palavra de Deus. Fazemos concessões com a Palavra de Deus. Não, não podemos fazer isso.
Precisamos nos apresentar à consciência de todos. Em outras palavras, esse ministério, esse serviço, exige pureza sem mistura, para que resplandeça a luz da glória do evangelho de Jesus Cristo.
Para que Cristo seja liberado como o poder do serviço, há um processo pelo qual precisamos passar. O apóstolo Paulo usa uma parábola.
Em 2 Coríntios 4:7, ele diz:
Temos, porém, este tesouro em vasos de barro.
O vaso de barro representa a nós mesmos. À medida que vocês continuam a leitura, ele representa o homem exterior.
O homem exterior é principalmente a alma, embora também inclua o corpo. Irmãos e irmãs, somos feitos de terra. Somos vasos de barro.
Quanto à nossa natureza, somos como o pó. Somos de pouco valor, frágeis e escuros. Não temos glória em nós mesmos. É isso que somos.
Quanto à nossa alma e ao nosso corpo independentes — nossa carne, nosso velho homem, nossa vida do ego —, somos como o vaso de barro.
Mas graças a Deus: Deus coloca um tesouro no vaso de barro.
Se você tivesse um tesouro, onde o colocaria? Você o colocaria em um vaso de barro? Não. Provavelmente o colocaria em uma caixa de ouro ou em um cofre de banco.
Mas essa é a maravilha do evangelho. Deus faz algo maravilhoso: coloca o tesouro no vaso de barro.
Não há tesouro mais precioso do que esse. O que é o tesouro? É Cristo. É a Sua vida.
Ele colocou Cristo em nós como vida. Qual é a expectativa de Deus? Qual é o Seu propósito? É que o brilho da luz desse tesouro resplandeça.
Mas, infelizmente, ele está escondido no vaso de barro. Vocês sabem, queridos irmãos e irmãs? Vocês são o problema. Vocês são o problema.
Não culpem outras pessoas. Pensem em vocês mesmos. O tesouro está em vocês e, quando a luz do tesouro resplandece, comunica vida às pessoas.
Como Deus liberará a vida de Cristo dentro de nós? Aqui vocês encontram a maravilha do caminho de Deus.
A passagem diz:
Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus, e não de nós.
O que o vaso de barro pode fazer? Só pode encobrir a luz. Mas é a luz que está dentro dele que pode resplandecer.
Para que essa luz saia, uma coisa é necessária: o vaso de barro precisa se quebrar. O vaso precisa ser quebrado; então a luz sairá.
O nosso problema é que somos tão fortes e tão duros. Não permitimos que Cristo se manifeste. Quando as pessoas entram em contato conosco, entram em contato com o vaso de barro; não conseguem entrar em contato com a luz que está dentro dele.
Por essa razão, Deus vai quebrar o homem exterior. Isto é, Deus vai quebrar você. Ele o quebra por uma única razão: para que Ele possa ser liberado.
Como Ele faz isso? É o que chamamos de disciplina do Espírito Santo.
O Espírito Santo, que habita em nós, nos dá luz e revelação. Mas uma grande revelação é rara. Podemos recebê-la uma ou duas vezes em toda a nossa vida.
Pequenas revelações devem vir todos os dias. Por exemplo, quando estamos lendo a Palavra de Deus, a luz pode brilhar sobre a Palavra e torná-la viva para nós.
Mas uma revelação maior pode vir apenas uma ou duas vezes em nossa vida. Deus nos mostra o Seu propósito e a glória de Cristo, para que sejamos elevados.
Em nossa vida diária, porém, o Espírito Santo nos disciplina. Não tenham medo da palavra disciplina, porque ela significa simplesmente a formação de uma criança. Deus está nos educando para que cresçamos.
Como Ele faz isso? Ele organiza nossas circunstâncias diárias: quem encontramos, quem está conosco, qual é o nosso ambiente naquele dia e o que nos acontece.
Lembrem-se disto: para um crente, nada é acidental. Deus organiza tudo para a nossa vida.
Até os cabelos de nossa cabeça estão numerados — não apenas contados, mas numerados. Quando vocês pentearem o cabelo pela manhã e alguns fios caírem, pensem no amor de Deus. Seu cuidado amoroso é tão delicado.
Ele sabe exatamente como quebrar o seu homem exterior. Portanto, não murmure. Submeta-se à poderosa mão de Deus e aprenda a lição.
Aqui vocês encontram como isso funciona, em 2 Coríntios 4:8:
Em tudo somos atribulados, mas não angustiados.
Gosto da tradução de J. B. Phillips, porque é muito expressiva:
Cercados, mas não impedidos de sair.
Não é verdade que muitas vezes você se sente encurralado, cercado, sem saída? No entanto, a saída não lhe está impedida, porque há um caminho para cima.
Então Paulo diz:
Perplexos, mas não desesperados.
Phillips traduz assim:
No limite dos nossos recursos, mas não no fim da nossa vida.
Quanto aos seus recursos, você chegou ao fim. Parece não haver saída. Mas sua vida ainda não chegou ao fim. A vida de Cristo é liberada.
Perseguidos, mas não desamparados.
Você pode se encontrar perseguido, mas Deus não o abandonou.
Abatidos, mas não destruídos.
Phillips traduz assim:
Derrubados, mas não nocauteados.
No boxe, você pode ser derrubado, mas pode se levantar e lutar novamente. Mas, quando é nocauteado, está acabado.
É assim que Deus procura quebrar o seu homem exterior — o seu ego, sua energia, sua vontade e sua força. Ele procura quebrantar você para que o resplendor de Cristo seja manifestado.
Em termos espirituais, Paulo diz que levamos em nosso corpo o morrer de Jesus — não a morte de Jesus, mas o morrer de Jesus.
A morte de Jesus ocorreu há dois mil anos. Por Sua morte, Ele levou à morte o pecado, Satanás e Adão. É um fato consumado, verdadeiro para sempre.
Isso é o que Cristo fez em Si mesmo e o que realizou por nós. Está fora de nós, mas é o fundamento da nossa experiência.
Dessa morte consumada procede o morrer de Jesus. Em outras palavras, aquilo que Cristo realizou no passado é trazido a nós pelo Espírito Santo.
Pela morte de Cristo, morremos. Ela nos leva à morte. Quando o morrer de Jesus opera sobre nós, a vida de Jesus é manifestada — não apenas em nós, mas também nos outros.
Em você há vida. Quando essa vida chega aos outros, é ministério; é serviço.
A morte de Cristo é aplicada à nossa vida para levar à morte tudo o que procede de nós mesmos e liberar a vida de Cristo para os outros.
Esse é o verdadeiro serviço cristão.
Queridos irmãos e irmãs, a questão é esta: é você ou é Jesus Cristo? É você quem vive, ou é Cristo quem vive? É você quem serve, ou é Cristo?
A oração do meu coração é que, nestes últimos dias, haja uma grande mudança no serviço: que aquilo que procede de nós mesmos seja removido e que o serviço proceda puramente de Cristo.
Esse é o serviço centrado em Cristo.
Querido Senhor, reconhecemos que isso é difícil de dizer. Mas queremos ser como Pedro, que disse:
Senhor, para quem iremos nós?
Tu tens as palavras da vida eterna.
E nós temos crido e sabemos que Tu és o Santo de Deus.
A Quem mais podemos ir?