Por favor, abram em Efésios, na carta aos Efésios, capítulo 1. Apenas um versículo: Efésios 1:17.
Para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos dê um espírito de sabedoria e de revelação no conhecimento Dele.
Hebreus 8:11:
E não ensinará cada um ao seu concidadão,
Nem cada um ao seu irmão, dizendo: Conhece ao Senhor;
Porque todos Me conhecerão,
Desde o menor até o maior dentre eles.
1 João 1:5:
E esta é a mensagem que Dele ouvimos e vos anunciamos: que Deus é luz, e Nele não há treva alguma.
1 João 1:7:
Mas, se andarmos na luz, como Ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, Seu Filho, nos purifica de todo pecado.
1 João 2:27:
E, quanto a vós, a unção que Dele recebestes permanece em vós, e não tendes necessidade de que alguém vos ensine;
Mas, como a Sua unção vos ensina acerca de todas as coisas, e é verdadeira, e não é mentira, assim como ela vos ensinou, permanecei Nele.
Amado Senhor, ao nos reunirmos em Tua presença, reconhecemos, de fato, o Teu tremendo amor por nós, ao proveres tudo de que precisamos. Senhor, não abrirás o nosso entendimento, para que não apenas vejamos isso, mas também nos apropriemos de tudo?
Desejamos, ó Senhor, que, enquanto vivermos nesta terra, possamos glorificar-Te. Ensina-nos como. Mostra-nos como. Conduze-nos à realidade. Pedimos em Teu precioso nome. Amém.
Temos carregado no coração esta questão do crescimento espiritual. Uma vez que cremos no Senhor Jesus e recebemos Sua preciosa vida, tendo Seu Espírito Santo habitando em nosso novo espírito, devemos crescer em nossa vida espiritual.
Vida espiritual significa simplesmente estar vivo em nosso novo espírito — vivo segundo o Espírito Santo de Deus.
Por que nós, que cremos no Senhor Jesus e recebemos todas as preciosas promessas e provisões que Deus nos concedeu, não crescemos como deveríamos? Por que tantas vezes permanecemos como crianças em Cristo, em vez de chegarmos à maturidade — isto é, de sermos conformados à imagem de Cristo?
Este é o nosso problema urgente. Esta é a nossa busca. Queremos descobrir como podemos realmente crescer espiritualmente, ser transformados e ser conformados à imagem de Cristo.
Sentimos que talvez uma das razões seja não sabermos como exercitar nosso espírito.
Graças a Deus, quando cremos no Senhor Jesus, o Espírito Santo veio e vivificou nosso espírito morto, tornando-o um novo espírito. Assim, toda pessoa salva tem, dentro de si, um novo espírito.
Agora, por que esse novo espírito é tão importante? Porque Deus é Espírito, e não há como nos comunicarmos com Deus senão em nosso espírito e por meio dele.
Mas sabemos que nosso espírito, dentro de nós, não é algo material. Contudo, o fato de não ser matéria não significa que ele não exista. Na verdade, nosso espírito é tão real quanto nosso corpo — ou, podemos dizer, ainda mais real do que nosso corpo.
Mas como sabemos que temos um espírito? Sabemos por suas funções. Não podemos vê-lo, mas podemos experimentá-lo, porque nosso espírito tem suas funções.
Ele tem, principalmente, três funções importantes. A primeira: em nosso espírito, temos a faculdade da consciência — uma consciência que foi purificada pelo sangue de nosso Senhor Jesus, para que possamos viver nesta terra com uma consciência sem ofensa diante de Deus e dos homens.
A consciência nos diz o que é certo e o que é errado. A consciência é a voz de Deus, e é muito importante que nós, os que cremos, prestemos atenção à nossa consciência.
O Espírito Santo fala à nossa consciência, dizendo-nos o que é certo diante de Deus e o que é errado diante de Deus. Precisamos ouvir a voz da nossa consciência. Se pudermos viver com uma consciência pura e boa — que não nos acuse, mas antes nos absolva —, então nosso andar na terra, diante de Deus e dos homens, será aceito por Deus.
Portanto, precisamos exercitar nossa consciência diariamente. O apóstolo Paulo pôde testemunhar, na última parte de sua vida, que vivia diante de Deus e dos homens com uma consciência sem ofensa. Esse deveria ser o nosso testemunho.
A consciência não é algo que desperta somente no momento em que somos salvos. A consciência é uma lei de vida em nossa vida espiritual. Precisamos prestar muita atenção à nossa consciência.
Agora, nesta manhã, gostaríamos de considerar juntos como exercitar a próxima faculdade do nosso espírito. Nós a chamamos de intuição.
Por intuição, quero dizer simplesmente conhecimento direto. É um conhecimento que vem diretamente de Deus. Não vem de fora, nem pelo raciocínio humano. Deus fala diretamente ao nosso espírito. Ele nos diz o que é bom e o que é mau.
Vocês sabem, há uma diferença entre certo e errado e entre bem e mal. Nas Escrituras, bem e mal são mais profundos do que certo e errado, porque o bem, segundo o sentido bíblico, significa a vontade de Deus. Tudo o que é a vontade de Deus é bom, e tudo o que não é a vontade de Deus é mau. Não é como o conceito do mundo.
Assim, nossa intuição nos diz o que é bom — a vontade de Deus — e o que é mau — aquilo que não é a vontade de Deus. Não é verdade que, em nossa vida cristã, esta é uma questão importante? Queremos saber qual é a vontade de Deus neste assunto, naquela decisão, neste caminho ou naquele caminho. Queremos saber qual é a vontade de Deus para que possamos obedecer e fazer Sua vontade. Como podemos saber isso? Sabemos por meio da intuição.
Se a consciência está relacionada à justiça de Deus, então a intuição está relacionada à santidade de Deus. O que significa ser santo? Ser santo significa ser separado para Deus. Isso é ser santo.
Como podemos ser santos como Ele é santo? Por meio da intuição. Se não sabemos como exercitar corretamente nossa intuição, não sabemos como ser santos. Aquilo que consideramos bom pode acabar sendo mau, e aquilo que consideramos mau pode acabar sendo bom. Pode ser a vontade de Deus.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, esta questão da intuição é muito, muito essencial. Precisamos exercitá-la diariamente.
Vocês sabem, há dois tipos de conhecimento. Um deles chamamos de conhecimento adquirido. Como adquirimos conhecimento?
Quando somos bebês, quando somos crianças, somos inocentes. Mas é natural que, à medida que crescemos, comecemos a reunir conhecimento. Começamos a reunir informações de fora. As coisas externas começam a nos proporcionar determinado tipo de conhecimento.
Reunimos esse conhecimento, nós o armazenamos, analisamos e chegamos a conclusões sobre aquilo que julgamos certo ou errado, bom ou mau. É assim que adquirimos conhecimento. Tudo vem de fora.
É impressionante. Muitas vezes me maravilho com o cérebro humano — um pequeno cérebro humano, e, no entanto, reúne tantas informações, armazena os dados e consegue fazer tantas coisas: pensar, analisar e exercer suas funções. Maravilhoso! Nossa mente é algo maravilhoso.
Isso é o exercício da nossa alma, porque a mente é uma faculdade da alma. É assim que reunimos informações, por isso chamamos esse conhecimento de conhecimento adquirido. A aquisição de todo esse conhecimento nos dá sabedoria para viver, nos comportar e agir como seres humanos.
Mas há outro caminho, um caminho mais elevado de conhecimento. Nós o chamamos de conhecimento intuitivo, ou conhecimento por revelação. Vocês não reúnem essas informações de fora. Esse conhecimento não é afetado pelas circunstâncias ou informações externas. Ele vem diretamente de Deus.
Ele fala ao espírito de vocês, não à mente. É o exercício do espírito, não o exercício da mente. Mostra-nos o que é a vontade de Deus e o que não é a vontade de Deus. Tudo isso acontece dentro do espírito. Não depende das circunstâncias nem das informações externas.
Esse é o caminho para conhecer o pensamento de Deus, a vontade de Deus.
Posso expressar isso de outra maneira. Temos tido comunhão em torno de Gênesis, e vemos que, quando Deus colocou o homem no jardim do Éden, Ele plantou ali toda espécie de árvores belas e próprias para alimento — toda espécie de frutos. Isso não é maravilhoso para suprir as necessidades do nosso corpo físico?
Mas, no meio do jardim, Ele plantou a árvore da vida e, ao lado dela, a árvore do conhecimento do bem e do mal.
Às vezes, as pessoas pensam que a árvore do conhecimento do bem e do mal era uma árvore má. De modo algum. No jardim do Éden, o jardim de prazer, Deus jamais plantaria uma árvore má. Na verdade, a árvore do conhecimento do bem e do mal era uma árvore melhor do que todas as árvores frutíferas que serviam de alimento.
Por quê? Porque as árvores frutíferas atendiam às necessidades do nosso corpo, mas a árvore do conhecimento do bem e do mal atendia às necessidades da nossa alma, da nossa mente, para que tivéssemos conhecimento do bem e do mal. Era uma árvore boa.
Mas, no meio do jardim, estava a árvore da vida, e a árvore da vida era alimento para nosso espírito. Portanto, vemos que havia provisão para nosso corpo, provisão para nossa alma e provisão para nosso espírito.
Mas por que Deus disse, em Gênesis 2:16-17:
De todas as árvores do jardim podes comer livremente;
Mas daquela árvore, a árvore do conhecimento do bem e do mal, não comerás;
Porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás.
Por quê?
Porque Deus nos ama. Ele sabe que, sem Sua vida, ter apenas conhecimento na alma, embora seja algo maravilhoso e nos torne inteligentes, pode trazer a morte. Como disse o tentador, isso pode nos tornar como Deus, conhecendo o bem e o mal. Mas, infelizmente, esse conhecimento traz a morte.
Vocês podem saber o que é bom, mas não conseguem fazê-lo. Podem saber o que é mau, mas não têm a vida necessária para resistir a isso. Portanto, é morte.
A árvore do conhecimento do bem e do mal é para a alma. Na mente, vocês talvez consigam saber o que é a vontade de Deus e o que não é a vontade de Deus. Mas, infelizmente, não têm a vida necessária para obedecer à vontade de Deus e resistir ao mal. Por isso Deus queria nos proteger dela.
Mas a árvore da vida tem conhecimento em si mesma. Há conhecimento nela porque ela nos dá o conhecimento de Deus. A vida nos dá o conhecimento do próprio Deus.
Muitas vezes dizemos que vocês podem saber a respeito de Deus por meio da investigação, mas, se quiserem conhecer a Deus, precisam receber Sua vida.
Podemos saber que deve haver um Deus em algum lugar. De onde vem o universo? Pelo raciocínio, podemos chegar à conclusão: “Bem, deve haver um Deus”. Vocês podem saber muito a respeito de Deus: Ele deve ser poderoso, deve ser sábio, deve ser amável, ou seja lá o que for. Podem ter todo esse tipo de conhecimento.
Mas esse conhecimento condena vocês, em vez de salvá-los. Se realmente quiserem conhecer a Deus, precisam receber Sua vida. Quando Sua vida vem, então vocês O conhecem intimamente, não apenas intelectualmente.
Antes de crerem no Senhor Jesus, vocês talvez soubessem a respeito de Deus, mas não havia contato nem experiência com Deus. Deus estava a bilhões e bilhões de quilômetros de distância, e o conhecimento a respeito Dele trazia condenação. Se existe um Deus, então vocês estão perdidos, porque Ele é justo e vocês são pecadores.
Mas, graças a Deus, no momento em que vocês creem no Senhor Jesus, o que acontece? Vocês levantam a cabeça e dizem: “Aba, Pai”. Imediatamente, vocês O conhecem — não sabem apenas a respeito Dele. Ele é o Pai de vocês.
As crianças, como vemos em 1 João 2:13, conhecem seu Pai. Vocês talvez não saibam muito sobre outras coisas, mas conhecem seu pai. Isso nos dá aquele conhecimento íntimo de Deus.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, temos diante de nós esses dois tipos diferentes de conhecimento. Por causa do pecado de Adão, tudo o que a humanidade tem é o conhecimento proveniente da árvore do conhecimento do bem e do mal. É só isso. Reunimos todas essas informações e temos toda essa sabedoria, mas todas essas coisas são da alma.
Mas, graças a Deus, depois que cremos no Senhor Jesus, algo acontece. O conhecimento interior de Deus dá vida, e tudo isso está em nosso espírito, na faculdade intuitiva do nosso espírito.
Espero, queridos irmãos e irmãs, que vejamos, segundo a Palavra de Deus, que existem esses dois tipos diferentes de conhecimento. O conhecimento que vocês adquirem pode ajudá-los neste mundo, mas o conhecimento que vem da vida os capacitará a viver diante de Deus e a agradá-Lo. Essa é a diferença.
Agora gostaríamos de nos concentrar nesse conhecimento intuitivo. Na verdade, queridos irmãos e irmãs, todos nós já temos essa experiência. Não é algo totalmente estranho para nós.
Quando vocês creram no Senhor Jesus, algo aconteceu. Intuitivamente, conheceram a Deus como seu próprio Pai. Mas o problema é que, em vez de realmente desenvolvermos esse conhecimento intuitivo, somos conduzidos para fora, para o conhecimento adquirido, porque era isso que conhecíamos antes.
Quais são as características desse conhecimento intuitivo? A primeira: encontramos em Efésios 1:17 uma oração de Paulo por todos os que creem:
Para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos dê um espírito de sabedoria e de revelação no conhecimento Dele.
É algo dado por Deus. Isso quer dizer que não o temos em nós mesmos. Vocês se lembram de quando Pedro confessou o Senhor Jesus, em Mateus 16:16:
Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.
Esse era um conhecimento tremendo. Mas de onde veio esse conhecimento?
Nosso Senhor Jesus disse, em Mateus 16:17:
Simão Pedro, não foi carne e sangue que te revelaram isso, mas Meu Pai, que está nos céus.
Portanto, desde o início, quando cremos no Senhor Jesus, isso não depende de conhecimento adquirido. Depende de conhecimento por revelação.
Esse conhecimento por revelação não vem indiretamente de fora. Ele vem diretamente de Deus ao nosso espírito. Por isso podemos dizer: “Eu sei. Eu vejo”.
Revelação significa que algo é revelado a vocês. Graças a Deus, Ele é o Deus de revelação. Se Deus não Se revelar a nós, ninguém O conhecerá. Ele é o maior mistério do mundo. Tudo o que conhecemos de Deus vem Dele mesmo.
Ele Se revela a nós de muitas maneiras, e Se revela em nosso espírito. Ali, em nosso espírito, sabemos. Talvez não consigamos explicar, mas sabemos, porque Ele nos revelou. Como lemos em Gálatas 1:15-16:
Aprouve a Deus revelar Seu Filho em mim.
Isso é Deus.
Quando pensamos em revelação, irmãos e irmãs, talvez tenhamos algum entendimento equivocado. Pensamos na revelação como algo tremendo — algo que só pode acontecer uma ou duas vezes na vida, algo que revoluciona completamente nossa vida. Algo radical.
Bem, isso é revelação. Mas a revelação também é algo que podemos receber diariamente. Pode ser uma luz menor, mas ajuda. Ajuda-nos a conhecê-Lo. Ajuda-nos a conhecer Sua vontade, porque temos essa necessidade todos os dias.
Queremos saber qual é a vontade de Deus. Sem conhecer a vontade de Deus, como podemos viver? Como podemos agir? Portanto, o espírito de sabedoria e de revelação nos é dado por meio de Cristo Jesus. Devemos esperar receber revelação.
Lembro-me de que o irmão Nee disse que, durante a vida, vocês talvez recebam uma ou duas grandes revelações. Talvez sejam apenas essas. São tão radicais que transformam todo o seu ser. Mas a revelação é algo que Deus tem prazer em conceder diariamente, revelando-nos Seu Filho amado.
Aqui encontramos a expressão “o espírito de sabedoria e de revelação”. O que é sabedoria? Sabedoria e conhecimento são diferentes. Conhecimento é, podemos dizer, informação. Sabedoria é a capacidade de usar a informação.
Algumas pessoas têm muito conhecimento, mas não muita sabedoria. Em outras palavras, sabem muitas coisas, mas não conseguem fazer uso do conhecimento que têm. Não têm sabedoria.
Precisamos de sabedoria e revelação. A sabedoria, em certo sentido, é o conteúdo e a capacidade de usar esse conteúdo. Mas há dois tipos diferentes de sabedoria. Se vocês lerem Tiago 3:15-18:
Esta sabedoria não é a que desce do alto, mas é terrena, natural, diabólica.
Porque, onde há ciúme e facção, aí há confusão e toda obra vil.
Mas a sabedoria que vem do alto é primeiramente pura; depois, pacífica, branda, disposta a ceder, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem divergência, sem hipocrisia.
E o fruto da justiça semeia-se em paz para aqueles que promovem a paz.
Há dois tipos diferentes de sabedoria: a sabedoria do alto e a sabedoria de baixo. Quando a sabedoria de baixo opera na vida de vocês, encontram ciúme, inveja, contenda, desordem e coisas más. Ela não é apenas terrena; é natural e até diabólica.
Neste mundo, há muita sabedoria desse tipo ao nosso redor. As pessoas pensam que são sábias, sim, mas são prudentes como as serpentes sem serem inofensivas como as pombas. Essa é a sabedoria de baixo.
Mas a sabedoria do alto é pura, pacífica, branda, disposta a ceder, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade e sem hipocrisia. Essa é a sabedoria de Deus.
Precisamos ter a sabedoria de Deus, em vez da sabedoria do mundo. As pessoas podem ter muita sabedoria do mundo, mas lhes faltar completamente a sabedoria do alto.
Portanto, irmãos e irmãs, como podemos viver nossa vida espiritual sem o espírito de sabedoria e de revelação? Precisamos crescer cada vez mais nessa sabedoria do alto. Precisamos viver cada vez mais nesse conhecimento por revelação, para que possamos verdadeiramente conhecer a Deus e conhecer Sua vontade.
Em João 17:3, Ele disse que conhecer a Ele, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a Quem Ele enviou, é a vida eterna. A vida eterna tem um tipo de conhecimento que é conhecimento espiritual, e é nesse conhecimento que devemos crescer diante do Senhor.
Ele nos ensinará a viver nesta terra, a glorificar a Deus, a viver uma vida santa, uma vida de santificação. Essa é a primeira característica.
Agora, a segunda característica. Vamos abrir em Hebreus 8:10-12. Essa passagem nos diz o que é a nova aliança.
Todos sabemos que, quando partimos o pão e bebemos o cálice, esse cálice é a nova aliança. O Senhor disse: “Este é o sangue da nova aliança. Bebam dele, todos vocês, e lembrem-se”. Temos feito isso e, assim, somos constantemente lembrados de que não estamos sob a antiga aliança; estamos sob a nova aliança.
Deus fez uma aliança, um contrato, conosco, e ela está selada pelo sangue do Senhor Jesus. Não pode ser alterada. O que há nessa nova aliança?
Se vocês lerem Hebreus 8:10-12, verão que é muito simples. Na antiga aliança, temos dez mandamentos, mas, na nova aliança, temos três cláusulas.
Hebreus 8:10 apresenta a primeira:
Porque esta é a aliança que farei com a casa de Israel,
Depois daqueles dias, diz o Senhor:
Porei Minhas leis em sua mente,
E também em seu coração as escreverei;
E Eu lhes serei Deus,
E eles Me serão povo.
Essa é a primeira cláusula. A lei não está escrita em pedra; está escrita em nosso coração. Na antiga aliança, se vocês guardassem os dez mandamentos, Deus dizia: “Então vocês serão Meu povo, e Eu serei seu Deus”. Mas aqui Ele escreve a lei da Sua nova aliança em nosso coração e diz: “Eu serei seu Deus, e vocês serão Meu povo”.
Em outras palavras, Ele assume toda a responsabilidade. Não se trata do que vocês fazem, mas do que Ele faz.
A segunda está em Hebreus 8:11:
E não ensinará cada um ao seu concidadão,
Nem cada um ao seu irmão, dizendo: Conhece ao Senhor;
Porque todos Me conhecerão,
Desde o menor até o maior dentre eles.
Há dois tipos de conhecimento. Um tipo de conhecimento exige que alguém ensine vocês: “Conhece ao Senhor”. No grego, a palavra conhecer, aqui, refere-se ao conhecimento objetivo. Vocês não sabem, e alguém precisa vir e ensinar: “Conhece ao Senhor”.
Sob a antiga aliança, as pessoas precisavam ser ensinadas de que havia um único Deus verdadeiro e de que, além de Deus, não deveriam adorar nenhum ídolo. Sacerdotes e escribas precisavam vir e ensiná-las. Era assim que recebiam informações e chegavam ao conhecimento.
Mas Ele diz que não ensinará cada um ao seu irmão ou ao seu concidadão, dizendo: “Conhece ao Senhor”. Somos concidadãos do reino de Deus; somos todos irmãos. Se ninguém nos ensinar, como poderemos conhecer?
Ele diz: “Porque todos Me conhecerão”. A palavra conhecer, aqui, é oida, que significa conhecimento íntimo. Vocês conhecem intimamente, dentro de si. É conhecimento experimental. Vocês o experimentam porque há algo dentro de vocês que conhecem.
Porque conhecem, não precisam que alguém de fora lhes ensine isso. É um conhecimento interior. Essa é a segunda característica.
Vemos que isso é verdadeiro desde o menor até o maior dentre vocês. Em outras palavras, desde que tenham nascido de novo, vocês já têm esse conhecimento. Ele cresce, sim, mas já está ali. Isso não é maravilhoso?
Desde que tenham nascido de novo, vocês conhecem seu Pai. Mas precisam conhecer seu Pai cada vez mais, até que realmente conheçam o que está no coração de seu Pai, qual é Sua vontade, e até que sejam capazes de compartilhar Sua responsabilidade. Isso é crescimento. É assim que crescemos no conhecimento de Deus.
Quando vocês leem 1 João 1:5, o que ele lhes diz?
Deus é luz, e Nele não há treva alguma.
Aqui não se diz apenas que a Palavra de Deus é luz. É verdade, a Palavra de Deus é luz. Mas aqui se diz que o próprio Deus é luz.
Em outras palavras, a própria vida de Deus brilha. Isso é Deus.
Então, em 1 João 1:7, diz-se que, se andarmos na luz como Deus está na luz, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, Seu Filho, nos purifica de toda a nossa injustiça.
Irmãos e irmãs, temos uma luz interior dentro de nós. Ela ilumina nosso caminho, e, por essa luz, sabemos o que é de Deus e o que não é de Deus. Se andarmos nessa luz, de acordo com aquilo que conhecemos, então temos comunhão.
Sempre que desobedecemos à luz que está dentro de nós, nossa comunhão com Deus é interrompida. Precisamos confessar nossos pecados e ser purificados pelo precioso sangue do Senhor, para que nossa comunhão com Deus seja restaurada.
Esse tipo de conhecimento é interior. Não vem de fora, e esse tipo de conhecimento é sempre verdadeiro. Em 1 João 2:27, Ele diz que vocês têm a unção dentro de si. Essa unção é o Espírito Santo.
Cada um de nós tem o Espírito Santo em seu espírito, e Sua unção está ali com um propósito: ensinar-nos em todas as coisas — nas grandes e nas pequenas.
Muitas vezes, nas grandes questões da nossa vida, queremos buscar a vontade de Deus, mas, nas pequenas, fazemos as coisas por nós mesmos. Esse é o nosso problema. O Espírito Santo nos ensinará nas grandes e nas pequenas coisas, nas grandes questões da vida e até nas coisas comuns do dia a dia. Ele nos ensinará.
Tudo o que Ele ensina é verdadeiro, e não é falso. Quando as pessoas ensinam vocês, podem ensinar de maneira incorreta. Mas, quando o Espírito Santo ensina, é sempre verdade. Precisamos ouvi-Lo.
Se obedecermos à unção dentro de nós, permanecemos em Cristo. Queridos irmãos e irmãs, como permanecemos em Cristo? Como fazemos de Cristo nossa morada? Somente ouvindo a unção interior.
Vocês experimentam o Espírito Santo todos os dias. Experimentam o Espírito Santo a cada momento. Isso é vida espiritual. Se vocês O ignoram, não têm vida espiritual alguma. Como isso é importante!
A terceira característica: o conhecimento intuitivo é o único caminho para a vida e o serviço. Se vocês querem ver sua vida espiritual realmente crescer, esse é o único caminho.
Não é o ensino exterior que realmente edifica vocês. É o ensino interior do Espírito Santo que verdadeiramente edifica sua vida espiritual.
Em 1 Coríntios 2:14-15, somos informados de que o homem natural não conhece o pensamento de Deus, nem consegue apreciá-lo. Somente o homem espiritual conhece todas as coisas.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, isso diz respeito à nossa vida espiritual e ao nosso serviço espiritual. Servimos ao Deus vivo e, a menos que O sirvamos segundo Sua vontade — e não segundo aquilo que pensamos ser bom para Ele —, não somos aceitos.
Podemos chamá-Lo de “Senhor, Senhor”, mas talvez não entremos no reino de Deus. Podemos dizer: “Senhor, pregamos em Teu nome, fizemos milagres em Teu nome, expulsamos demônios em Teu nome”. Vocês encontram isso em Mateus 7:21-23. O Senhor diz:
Não vos conheço.
“Não reconheço vocês. Não os aceito. Não os reconheço, porque não estão fazendo a vontade de Meu Pai. Estão fazendo sua própria vontade.” Esse é o único caminho para o serviço.
Vocês veem como é importante exercitarmos nossa intuição. Agora, o ponto mais importante é este: como exercitamos nossa faculdade intuitiva? Como?
Um dia, os discípulos vieram ao nosso Senhor, em Mateus 18:1. Fizeram-Lhe uma pergunta: “Quem é o maior no reino?” Era algo que vinham discutindo entre si o tempo todo. Isso é natural e terreno.
Vocês se lembram do que o Senhor fez. Ele lhes deu uma demonstração. Tomou uma criancinha e disse, em Mateus 18:3-4:
Se não vos converterdes e não vos tornardes como crianças, de modo algum entrareis no reino dos céus.
Portanto, aquele que se humilhar como esta criança, esse é o maior no reino dos céus.
Em outras palavras, uma criancinha, naturalmente falando, tem muito pouco conhecimento adquirido por informações. Como uma criança vive? Uma criança vive pela intuição.
Vocês ficarão admirados ao ver como uma criança sabe se aproximar de uma pessoa e evitar outra. Naturalmente, uma criança pode sentir-se atraída a se aproximar de alguém e ter plena confiança nessa pessoa, mas, diante de outra, ela se retrai.
Como? Com base em quê? Na intuição. Muitas vezes, isso funciona. Impressionante.
Mas, à medida que crescemos, dependemos cada vez menos da intuição e cada vez mais das informações. Começamos a viver cada vez mais por nós mesmos, em vez de viver cada vez mais por Deus. Nossa maneira de viver muda.
Negligenciamos aquilo que Deus providenciou para nós. Começamos a obter informações de fora, e pensamos que isso nos torna sábios e instruídos. É assim que nos comportamos. Não usamos nossa faculdade intuitiva.
Na infância, a faculdade intuitiva ainda está presente, embora talvez não seja absolutamente correta, porque lhe falta um padrão. Mas, quando somos salvos, é o Espírito Santo dentro de nós Quem nos ensina. Isso é verdadeiro.
Infelizmente, negligenciamos isso e dependemos de todo o nosso exercício mental — nossa lógica e nosso raciocínio. Vivemos por essas coisas. É assim que perdemos o uso da nossa capacidade intuitiva.
Em chinês, temos um provérbio difícil de traduzir, mas seu sentido é este: quanto mais sábios vocês são segundo o mundo, mais embotada se torna sua percepção interior — sua intuição.
Se vocês são sábios segundo o mundo, quanto mais sábios forem, menor será sua capacidade intuitiva. É verdade. O Senhor Jesus disse, como vocês se lembram em Mateus 11:20-24, que havia feito muitas coisas em Cafarnaum, mas eles não creram.
Nosso Senhor disse, em Mateus 11:25:
Pai, graças Te dou, porque ocultaste estas coisas aos sábios e entendidos, e as revelaste aos pequeninos.
Isso não é verdade? A menos que nos convertamos e nos tornemos como criancinhas, não podemos ver.
Quando somos sábios segundo o mundo, dependemos de nós mesmos. Usamos nossa lógica e nosso raciocínio para decidir o que devemos fazer e o que devemos evitar. Quanto mais sábios somos, mais fingimento temos. Já não somos autênticos. Temos uma fachada.
Mas uma criancinha não tem esse tipo de disfarce. As crianças são muito autênticas e simples.
Irmãos e irmãs, precisamos nos converter e nos tornar como criancinhas. Diante de Deus, somos apenas criancinhas — não infantis, não, mas semelhantes às crianças. É disso que precisamos.
Quanto mais semelhantes às crianças formos, mais humildes seremos, e menos dependeremos de nós mesmos e nos apoiaremos em nossa própria lógica. Então olharemos para Deus e permitiremos que Ele revele Seu pensamento.
Irmãos e irmãs, esse é o segredo. Vocês se lembram de que, no Sermão do Monte, o Senhor Jesus disse, em Mateus 5:3 e Mateus 5:8:
Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus.
Bem-aventurados os puros de coração, porque eles verão a Deus.
Não O vemos porque nosso pobre coração não é puro. Somos tão complicados pelo conhecimento que acumulamos do mundo, de fora. Não somos puros diante de Deus, olhando firme e fixamente para Ele. É por isso que perdemos a capacidade de intuição.
É muito simples. Mas, para chegarmos a esse ponto, precisamos aprender, como encontramos em Mateus 11:29:
Tomai sobre vós o Meu jugo, e aprendei de Mim;
Porque sou manso e humilde de coração;
E encontrareis descanso para as vossas almas.
Em outras palavras, o caminho para realmente exercitar a intuição, libertar a faculdade intuitiva de sua escravidão e permitir que ela se desenvolva e cresça é este: irmãos e irmãs, precisamos tomar a cruz.
É a cruz que trata com nosso homem natural, nos liberta do nosso homem natural e nos capacita a aprender de Cristo. Esse é o caminho.
Muitas vezes penso que a intuição em nosso espírito é a faculdade mais misteriosa. Mas não é por ser misteriosa que ela é complexa. Na verdade, é a coisa mais simples. É conhecimento simples e direto.
Nós a tornamos tão complicada. Porque somos tão complicados, nossa faculdade intuitiva não se desenvolve bem.
Por fim, uma advertência.
A alma e o espírito estão tão entrelaçados que é muito difícil distinguir o que é do espírito e o que é da alma.
Em nossa alma está a mente; em nosso espírito está a intuição. Mas essas duas coisas são tão semelhantes, embora suas origens estejam tão distantes uma da outra quanto o céu e a terra. Na experiência, estão tão próximas que é muito difícil distinguir o que é da mente e o que é do espírito.
Assim, enquanto aprendemos, temos a tendência de cometer erros. Às vezes temos uma impressão em nossa mente e a tomamos como uma impressão em nosso espírito. Agimos com base nela, e fica demonstrado que era errada. Em outras palavras, aprendemos com os erros.
Recentemente, tenho lido uma biografia em dois volumes do maior evangelista do século XVIII na Inglaterra, George Whitefield. Quando começou, ele era muito jovem, tinha pouco mais de vinte anos. Deus o usou grandemente.
Mas ele cometeu erros. Por quê? Porque buscava orientação por meio de impressões. Quando sentia uma impressão dentro de si — e sua natureza era tal que, quando uma impressão vinha, ele conseguia vê-la quase como uma visão —, simplesmente agia com base nela, porque pensava que vinha de Deus. E cometeu erros.
Mas, graças a Deus, ele era humilde o suficiente para que, quando as pessoas apontavam seus erros, ele os reconhecesse, se humilhasse e aprendesse uma lição.
É muito fácil interpretar equivocadamente uma impressão que vocês encontram dentro de si. Não sabem se ela está no espírito ou na mente, porque ambos estão tão próximos, e então agem com base nela.
Essa é uma lição que precisamos aprender gradualmente. Onde está a salvaguarda?
Dissemos que vocês não precisam que ninguém lhes ensine. Isso significa que vocês se recusam a ter qualquer mestre ou a aceitar qualquer ajuda ou correção de outras pessoas? Nesse caso, vocês estão em perigo.
É por isso que a Bíblia nos diz isso. Mesmo em 1 João 2:18, quando se fala desse assunto, é como se dissesse: “Filhinhos, vocês ainda não têm conhecimento do mundo; contudo, o mundo está cheio de anticristos. O espírito do anticristo já está presente”. Como vocês sabem que é anticristo?
Sabem porque têm a unção dentro de si. Lembro-me de que, quando eu estava em Nova York, havia um irmão recém-convertido. Ele não tinha nenhum conhecimento das Escrituras, e foi a Boston e participou de uma reunião.
Na reunião, as pessoas ensinaram algo que ele não conseguia explicar muito bem. Mas ele disse que, ao ouvir aquele sermão, sentiu dentro de si que aquilo estava errado. Não sabia onde estava o erro.
Quando voltou a Nova York, conversei com ele. Ali, havia pessoas ensinando: “Nós somos deuses”, assim como Eva quis ser Deus.
Irmãos e irmãs, como uma criança, vocês sabem. Mas, ao mesmo tempo, encontramos em 1 João 2:24 a afirmação de que vocês ouviram a palavra. Em outras palavras, a Palavra de Deus é importante.
Precisamos verificar nossas impressões à luz da Palavra de Deus. Se não concordam com a Palavra de Deus, estão erradas, porque a Palavra de Deus e a direção interior vêm do mesmo Espírito — o Espírito Santo. Ele não pode dizer uma coisa dentro de vocês e outra na Palavra de Deus.
É por isso que precisamos da Palavra de Deus e precisamos de mestres. Os mestres não estão ali para governar nossa vida. Estão ali para ajudar — às vezes para corrigir, às vezes para confirmar aquilo que o Senhor está realizando na vida de vocês.
Portanto, irmãos e irmãs, esta é uma advertência que precisamos levar a sério. Não é porque vocês são filhos de Deus e a unção lhes ensina todas as coisas que não precisam de ajuda alguma. Vocês precisam de ajuda.
Irmãos e irmãs, a igreja nos diz: quando vocês tiverem uma impressão, tenham cuidado. Precisamos ser humildes, aceitar a correção, aprender e nos arrepender. Que o Senhor nos ajude.
Amado Senhor, colocamos estas palavras dispersas em Tuas mãos. Se elas vêm de Ti, Senhor, abençoa-as em nosso coração e faze com que fiquem gravadas. Que não fiquem apenas gravadas, mas que Teu Espírito Santo as vivifique, para que possamos aprender a andar intuitivamente em Tua vontade. Pedimos em Teu precioso nome.