Muito obrigado, irmão. Estou muito feliz por poder estar com vocês novamente nesta manhã e compartilhar a Palavra de Deus.
Gostaria de ler um salmo. Ele me veio à mente de maneira muito vívida durante a noite. Tenho plena certeza de que Deus tem algo a nos dizer. Tenho certeza de que o Salmo 46 é muito conhecido por muitos de vocês.
Deus é o nosso refúgio e fortaleza,
Socorro bem presente na angústia.
Portanto, não temeremos, ainda que a terra se mude,
E ainda que os montes sejam abalados no coração dos mares;
Ainda que as suas águas rujam e se perturbem,
Ainda que os montes tremam com a sua fúria.Há um rio cujas correntes alegram a cidade de Deus,
O santuário das moradas do Altíssimo.
Deus está no meio dela; não será abalada:
Deus a ajudará ao romper da manhã.As nações se enfureceram, os reinos foram abalados:
Ele fez ouvir a Sua voz, e a terra se derreteu.
O Senhor dos Exércitos está conosco;
O Deus de Jacó é o nosso refúgio.Vinde, contemplai as obras do Senhor,
Que desolações Ele tem feito na terra.
Ele faz cessar as guerras até aos confins da terra;
Quebra o arco e despedaça a lança;
Queima os carros no fogo.Aquietai-vos e sabei que Eu sou Deus:
Serei exaltado entre as nações,
Serei exaltado na terra.
O Senhor dos Exércitos está conosco;
O Deus de Jacó é o nosso refúgio.
Vamos fazer uma breve oração.
Amado Senhor, nós Te agradecemos porque pudemos adorar-Te nesta manhã de maneira tão maravilhosa e livre. Nós realmente Te amamos. Agradecemos por aquilo que nos deste como uma lembrança afetuosa do Teu amor por nós e do preço que ele custou.
Nós Te louvamos e Te adoramos. Agora nos voltamos para a Tua Palavra, Senhor. Dependemos inteiramente de Ti para que nos dês a palavra de que precisamos.
Falamos sobre aquela conferência do próximo ano, que ainda está um pouco distante. Não temos ideia do que vai acontecer daqui até lá. Tudo o que sabemos, Senhor, é que os nossos tempos estão nas Tuas mãos. Sabemos que Tu és uma Rocha eterna, e a Tua Palavra diz:
Confiai no Senhor.
Nós Te louvamos e Te adoramos nesta manhã e pedimos, Senhor, que tornes esta Palavra viva para cada um de nós, do mais jovem ao mais idoso. Senhor, agradecemos pela unção que nos pertence no Senhor Jesus: essa unção de graça e poder para falar a Tua Palavra, para traduzi-la quando necessário e para ouvi-la.
Senhor, ajuda-nos, nós Te pedimos, pois pedimos tudo em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.
Bem, como já disse, este é, creio eu, um salmo muito conhecido. E isso é um problema, porque, quanto melhor conhecemos o salmo, mais facilmente a sua verdade passa por nós sem nos atingir, como água escorrendo pelas penas de um pato. Precisamos realmente ouvir o que o Senhor está dizendo neste salmo incrível.
Qual vocês acham que é a chave deste salmo? Naturalmente, o salmo fala de terremotos, mudanças, tsunamis, montanhas caindo no mar e mares se agitando. Ele fala de enormes mudanças físicas, enormes mudanças sociais, enormes mudanças espirituais, enormes mudanças econômicas. Tudo está incluído neste salmo extraordinário.
Onde está a chave? A chave está no penúltimo versículo, em Salmos 46:10:
Aquietai-vos e sabei que Eu sou Deus;
Serei exaltado entre as nações.
A palavra ali é goyim, e significa simplesmente nações não salvas. “Serei exaltado entre as nações não salvas” — os gentios. Na época em que este salmo foi escrito, era uma palavra dirigida àqueles que criam e conheciam a Deus. E o Senhor diz: “Serei exaltado entre aqueles que não Me conhecem, que não creem em Mim, que Me rejeitam. Serei exaltado na terra” — no planeta inteiro.
A expressão não significa: “Aquietai-vos e conhecei-O academicamente”. Significa que conhecemos o Senhor pela experiência. Uma coisa é saber a respeito de Deus — saber que Ele é infinito, que é todo-poderoso, que sabe todas as coisas, que está em toda parte ao mesmo tempo, e todas essas coisas maravilhosas —, mas, no fim, isso pode deixar você indiferente.
A questão é se conhecemos a Deus. Nós O conhecemos como Pai, nós O conhecemos como o Senhor Jesus e nós O conhecemos como o Espírito Santo. Você não pode deixar de fora nenhum desses elementos. Cada um deles é necessário para que você e eu conheçamos a Deus.
Precisamos conhecer essa paternidade de Deus. Precisamos conhecer o Senhor Jesus, em Quem Deus Pai colocou todas as coisas. E precisamos conhecer o Espírito Santo, porque não há como conhecer o Pai ou o Filho a não ser por meio do Espírito Santo.
Se somos estranhos ao Espírito Santo, tornamo-nos estranhos ao Pai e ao Filho. Pois é pelo ministério do Espírito Santo que você e eu somos conduzidos a uma experiência viva da habitação do Pai e do Filho em nós.
Este salmo, portanto, é extraordinário. Ele fala de enormes mudanças. Bem, certamente já tivemos essa experiência. Estamos entrando cada vez mais em um tempo de mudanças.
Esse foi o tema central da campanha eleitoral do presidente Obama, e acho que agora começamos a entender o que essa mudança realmente significa. É uma mudança que está se espalhando pelo mundo inteiro, pela Europa, pelo Reino Unido e, além deles, por todo o mundo.
É um movimento impressionante em direção ao Anticristo. Não quero dizer com isso que o presidente Obama seja o Anticristo. O que quero dizer é que o mundo está sendo preparado para a vinda do Anticristo.
Não sabemos quando acontecerá o arrebatamento. Sabemos que pode ser hoje. Sabemos que pode ser esta noite. Sabemos que pode ser amanhã. Talvez tenhamos mais tempo. Talvez nos reunamos novamente para a conferência no próximo verão e, quem sabe, para mais algumas conferências.
Mas o fato é este: a mudança já está acontecendo. Enormes mudanças sociais estão ocorrendo na sociedade mundial, especialmente nos chamados países tradicionalmente cristãos. É claro que eles já não são países cristãos.
Onde realmente encontramos a igreja expressa hoje, com todas as suas fraquezas, defeitos e falhas, como no Novo Testamento, é na África, na América do Sul e na Ásia. Não tanto aqui, naquilo que costumava ser chamado de berço do evangelho.
Essa mudança de que lemos neste salmo é algo tremendo. Ele começa com uma declaração de fé, bem no meio de mudanças tumultuosas:
Deus é o nosso refúgio e fortaleza,
Socorro bem presente na angústia.
Há uma tradução que chama bastante a atenção. Ela diz assim:
Deus é o nosso refúgio e fortaleza,
Socorro bem presente em um lugar de aperto.
É exatamente isso, na verdade, que significa a palavra hebraica traduzida aqui como “angústia”: um lugar restrito de aflição e, até certo ponto, uma situação de aperto.
Deus está perto. Isso significa que Ele está bem ali. Você pode não saber; pode não sentir. Mas Ele está bem ali, ao seu lado, pelo Espírito Santo que está em você. É assim que o Senhor está próximo.
E é por isso que o salmista pôde dizer:
Portanto, não temeremos.
Mesmo que todas essas mudanças estejam acontecendo, não temeremos, porque Deus é o nosso refúgio.
A palavra aqui significa fortaleza, lugar fortificado. É diferente da palavra traduzida como “refúgio” nos últimos versículos da segunda e da terceira estrofes. Vou falar sobre isso daqui a pouco.
Mas é realmente impressionante que o salmista, em meio a enormes mudanças, pudesse dizer: “Embora essas mudanças sejam catastróficas, embora estejam virando o mundo de cabeça para baixo, embora chamem a luz de trevas e a liberdade de escravidão, embora o mundo inteiro esteja mudando de atitude, não temeremos”.
Se você olhar para essas coisas, elas são tremendas. Em meio a essa mudança cataclísmica, talvez você não se sinta tão à vontade, especialmente para dizer: “Não temerei”.
Você pode perder sua casa. Tudo o que conhece pode desaparecer. Toda a estrutura da sociedade — política, econômica e financeira — pode mudar. Não é tão fácil dizer: “Não temerei. Não temeremos”, quando você perde o emprego, a renda, os investimentos ou quando uma porção de outras coisas acontece.
Se, pela primeira vez, descobrimos de repente que nossa nação já não é democrática, começamos a nos perguntar: o que isso realmente significa?
Então o salmo diz algo ainda mais extraordinário. Diz em Salmos 46:4:
Há um rio
Cujas correntes alegram a cidade de Deus.
Não é apenas uma questão de fé: “Não temeremos”. A ausência de medo é alegria. Portanto:
Há um rio cujas correntes alegram a cidade de Deus,
O santuário das moradas do Altíssimo.
Parece-me que a única maneira de sermos libertos do medo é conhecer o Senhor, conhecê-Lo profunda e pessoalmente. Se estamos nas moradas do Altíssimo, como as mudanças poderiam afetá-Lo?
Há um sentido em que você está enraizado e alicerçado no eterno. Isso me lembra as palavras de Moisés em Deuteronômio 33:27:
O Deus eterno é a tua habitação,
E por baixo estão os braços eternos.
Você não consegue escapar desses braços. Não importa o que aconteça, por baixo estão os braços eternos. Você fez do Deus eterno o seu refúgio? E eu?
Academicamente e teologicamente, talvez tenhamos feito isso; mas será que, de fato, na prática, na realidade, fizemos do Deus eterno o nosso refúgio? Se o Deus eterno é o nosso refúgio, a nossa fortaleza, então, pela graça e misericórdia de Deus e pelo poder salvador do Senhor Jesus, tornamo-nos tão eternos quanto Ele, tão inabaláveis quanto Ele.
Estamos recebendo, diz o autor de Hebreus, um reino que não pode ser abalado. Portanto, tenhamos graça, pela qual possamos oferecer a Deus o nosso serviço racional — inteligente, espiritualmente inteligente.
Então ele diz, em Hebreus 12:29:
Porque o nosso Deus é um fogo consumidor.
Acho que alguns crentes se sentem um pouco desconfortáveis com isso. Não citam a frase inteira; essa parte normalmente fica de fora.
Mas é bastante interessante. Em meio ao fogo e às mudanças, com tudo sendo abalado, há um serviço que podemos oferecer, que é o nosso serviço espiritualmente inteligente.
Lembro-me da primeira mensagem que preguei. Isso foi há muitos anos. Eu tinha dezoito anos — apenas dezoito. Tinha passado por uma experiência terrível ao pregar. Pediram-me que falasse aos professores da escola dominical, e fiz uma confusão completa.
A melhor coisa foi que eles riram, riram e riram, mas isso não me ajudou em nada. Eu pensava que seria um grande pregador, e ali estava eu, abrindo meu coração para eles. Fiquei com a língua presa, todo atrapalhado, e disse tudo errado.
Ao final daquilo, decidi que não era pregador e que nunca mais pregaria. Para mim, aquilo estava decidido. Eu seria missionário. Iria para a China. Serviria ao Senhor na China, mas não pregaria.
Bem, é claro que fui convocado para a Força Aérea Real — era o serviço militar obrigatório — e enviado ao Egito. A Missão para o Interior da China me colocou à disposição da Missão Geral do Egito.
O superintendente da Missão Geral do Egito em Ismailia — não vou dizer o nome dele — era um maravilhoso irlandês do Norte, e sua esposa era uma pessoa ainda mais maravilhosa, do Sul. Se vocês sabem alguma coisa sobre os irlandeses do Norte e os do Sul, sabem que eles nunca se encontram.
Durante o almoço, ele me disse: “Você poderia, por favor, pregar neste próximo domingo para todos os militares que se reúnem aqui?”
E eu disse: “Senhor Fulano, eu não sou pregador”.
“Mas você é candidato à Missão para o Interior da China.”
“Sim”, respondi, “mas muitos missionários não pregam. Eu não sei pregar de jeito nenhum.”
“Bobagem”, ele disse. “É claro que você tem de pregar.”
“Não”, eu disse, “não consigo pregar.” E ele saiu bastante zangado. Fiquei muito perturbado por um homem tão querido ficar tão zangado.
Sua querida esposa — consigo vê-la em minha mente — estava sentada, servindo chá. “Aqui está uma xícara de chá para você”, ela disse. “Meu marido está muito aborrecido com você. Você não vai pregar neste próximo domingo?”
“Não”, respondi. “Não consigo pregar — de jeito nenhum, nem por todo o chá da China.”
E ela disse: “Sente-se”. E eu me sentei. Ah, diante daquela mulher imponente, sentei-me imediatamente.
Ela disse: “Sua mãe era de Dublin?”
“Sim.”
Ela disse: “Você é ator. Você tem o que é preciso para pregar”. Agora, tudo isso é natural.
“Sério?”, eu disse. “Bem, da última vez fiz uma confusão terrível.”
Ela disse: “Posso lhe dizer o que fazer? Escreva cada palavra em pequenos pedaços de papel e coloque-os na sua Bíblia. Depois leia”.
Ela disse: “Você é tão bom em atuar que todos vão pensar que está pregando normalmente. Não saberão que está lendo cada palavra”.
Pensei por um momento e disse: “Vou fazer isso”.
E, se não fosse por aquilo, por aquela tarde, eu nunca mais teria pregado. Fiz isso, e vários militares foram salvos.
Eu não conseguia acreditar. Tinha lido cada palavra. Eu pensava: “Ah, se o Espírito Santo está sobre você, você não lê”. Mas li, e li todas as mensagens que preguei durante os três anos em que estive no Egito.
E pessoas eram salvas por toda parte. Era impressionante, e outras eram ajudadas. É por isso que me estendi nessa história: porque me lembrei do versículo. É o último, ou o penúltimo, versículo da segunda carta de Pedro, em 2 Pedro 3:18:
Crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.
Essa foi a primeira mensagem que preguei. E a preguei novamente em Port Said, para a tia Smith, a tia Liblick e os santos egípcios — aqueles santos maravilhosos, grandiosos, piedosos e honrados. E eles ficaram encantados. Eu não conseguia acreditar.
Tudo o que eu disse foi simplesmente isto: o conhecimento do Senhor Jesus Cristo não é acadêmico. É conhecê-Lo como Pessoa, conhecê-Lo pessoalmente.
É disso que trata este salmo. Há um rio cujas correntes alegram a cidade de Deus, em meio a todas essas mudanças semelhantes a terremotos, essas mudanças cataclísmicas, tsunamis catastróficos — tudo isso nesses poucos versículos.
Há um rio cujas correntes alegram a cidade de Deus,
O santuário das moradas do Altíssimo.
Onde Ele habita, você não pode ser abalado. Se você habita onde Ele habita, se está em união com o Eterno, quanto mais houver Dele em nós, menos haverá para ser abalado.
O que há em você e em mim que é abalado? Vou dizer imediatamente: o que é abalado em você e em mim é a carne. Nosso conhecimento acadêmico do Senhor, nosso conhecimento teológico do Senhor, nosso conhecimento do Senhor que não se traduz em prática — tudo isso é abalado até os alicerces.
Mas aquilo que realmente conhecemos do Senhor em nosso próprio espírito, aquilo que experimentamos do Senhor em nosso ser interior, isso permanece para sempre.
É o que encontramos naquele livro extraordinário, Eclesiastes, onde nos é dito que tudo é vapor:
Vapor de vapores, tudo é vapor.
Vaidade de vaidades, tudo é vaidade.
Então temos esta palavra: Deus colocou a eternidade no coração do homem.
Depois o texto prossegue e diz, em Eclesiastes 3:14:
Tudo quanto Deus faz durará eternamente.
Portanto, há em cada um de nós um vazio com o formato de Deus. É aquilo que o pregador de Eclesiastes chamou de eternidade. Preencha-o com sexo: isso não satisfaz você. Preencha-o com dinheiro: isso não satisfaz você. Preencha-o com esportes: isso não satisfaz você. Preencha-o com uma carreira: isso não satisfaz você. Preencha-o com amizades: isso não satisfará você.
Em seu coração há um vazio com o formato de Deus, que somente Deus pode preencher. Mas, quando Deus o preenche, Ele começa a fazer algo naquele ser humano que permanece para sempre. Tudo o que o Senhor faz nos seres humanos permanece para sempre.
Eu poderia manter vocês aqui por bastante tempo, apenas contando as diferentes experiências da minha vida em que algo que eu considerava banal e simples se tornou real para mim.
Estou tentado a contar pelo menos uma história. Eu estava me recuperando na casa de Lady Ogle, uma bela casa com vista para a floresta de Ashdown, no sul da Inglaterra. Lembro-me de estar sentado sozinho na bela sala de visitas e de ver um texto na parede.
Pensei: “Meu Deus, imagine Lady Ogle colocando aquele texto tão banal ali. Todos os cristãos o colocam na parede:
A Minha paz vos dou.
“Será que ela não poderia ter encontrado algo melhor para colocar na parede?”
Não pensei mais no assunto. Em certo momento, Lady Ogle me contou como, em determinada fase da vida, não conseguia encontrar paz. Seu marido morreu na grande epidemia de gripe. Ela tinha vinte e três anos e estava casada havia um ano.
Ele lhe deixou uma fortuna, e ela já tinha sua própria fortuna, mas era a pessoa mais infeliz da terra. Conhecia o Senhor, mas era tão infeliz.
Então ela disse: “Sabe o que aconteceu? No mais profundo da minha infelicidade, veio ao meu coração esta palavra de João 14:27:
Deixo-vos a paz;
A Minha paz vos dou.
“E, em um único instante, entendi que a paz que Ele me deixou não era a paz Dele. Ele nunca a chamou de ‘Minha paz’. Disse: ‘Deixo-vos a paz’. Era a paz dos pecados perdoados. Ele não precisava dela.
“Mas ‘a Minha paz’ — essa era a paz que Ele tinha no Getsêmani. Era a paz que Ele tinha na cruz quando disse:
Deus Meu, Deus Meu, por que Me desamparaste?
“E depois disse:
Pai, nas Tuas mãos entrego o Meu espírito.”
Naquele momento, entendi algo. Aquilo que eu considerava tão banal não era banal de modo algum. Alguém o havia experimentado.
Há um rio cujas correntes alegram a cidade de Deus. Você está na cidade de Deus? Você faz parte da cidade de Deus? Entende o que significa sermos edificados juntos como a casa de Deus, a cidade de Deus, a noiva do Cordeiro?
Esta Palavra — estes sessenta e seis livros — pode parecer, para alguns de vocês, sem sentido e entediante. Mas quero lhes dizer uma coisa: nunca encontrei uma palavra de Shakespeare que saltasse da página e libertasse um alcoólatra, ou que saltasse da página e libertasse um dependente de drogas, ou que saltasse da página e conduzisse uma pessoa a um novo nascimento espiritual.
Este Livro é a coisa mais incrível que vocês têm nas mãos. Ele é vivo. Goethe, Schiller, Shakespeare — gênios, gênios humanos — podem nos ensinar muito. Mas este Livro é diferente. Ele não apenas ensina; entra em você e torna prática a sua união com Deus no Messias.
É uma Palavra implantada. É uma Palavra que penetra profundamente em você e se torna parte de você.
Há um rio cujas correntes alegram a cidade de Deus,
O santuário das moradas do Altíssimo.
Deus está no meio dela; não será abalada.
Se o Senhor realmente toma este Livro e o coloca dentro de você, de modo que ele se torne a sua vida, o seu próprio ser, e se torne realidade, há um sentido em que Deus está em você. Você não será abalado.
Este grupo não será abalado. Nós, como crentes, não seremos abalados. Deus está no meio de nós.
Agora, há uma noite pela qual precisamos passar. É uma expressão bonita. Na antiga versão inglesa, a King James, era “bem cedo”, mas o hebraico é bastante simples: “ao romper da aurora”.
Para entendermos: ao romper da manhã, quando a noite dá lugar a um novo dia.
Deus está no meio dela; não será abalada:
Deus a ajudará ao romper do dia.
Portanto, às vezes há uma noite pela qual precisamos passar. Não me perguntem por quê, mas tantas vezes é por meio da tribulação que conhecemos o Senhor. Por que precisa ser assim, eu não sei.
Só sei que, quanto mais confortáveis ficamos, como se estivéssemos viajando para o céu sobre um mar de rosas, menos avançamos. É nesses lugares escuros que encontramos o Senhor. Então o Senhor torna algo real em nós, de modo que, quando lemos essas coisas, pensamos: “Ah, lembro-me dessa palavra. O Senhor fez dela a minha palavra”.
Sempre me lembro da tia Liblick. Ela era estoniana e muito pouco emotiva, mas era uma senhora extraordinária — missionária no Egito. Perdeu seus irmãos e sobrinhos na guerra.
Lembro-me muito bem dela porque eu era muito arrogante. Acho que vocês talvez achem isso muito difícil de acreditar, mas eu era muito arrogante. Costumava dizer as coisas como eram, e descobri que os britânicos e outras pessoas ficavam muito aborrecidos com isso.
Então eu dizia as coisas de uma maneira terrível. Costumava dizer à tia Liblick: “Não entendo este versículo”.
E ela dizia: “Bem, pergunte ao Senhor”.
“Mas eu já perguntei ao Senhor e continuo sem entender”, eu dizia. “Por que Ele não faz alguma coisa?”
Então ela me dizia: “Você é muito arrogante”.
A isso eu nunca respondia. Então ela dizia: “Sabe o que eu faço? Leio algo que não entendo e digo: ‘Senhor, Tu vais me mostrar?’”
“E, se Ele não me mostra, escrevo um ponto de interrogação e a data na minha Bíblia de estudo.”
Ela dizia: “E sabe o que descubro? Dentro de um ou dois anos, volto àquilo e pergunto: ‘Por que coloquei um ponto de interrogação aqui? É perfeitamente óbvio’”.
Desde então, adotei esse remédio simples. Isso já faz muitos, muitos anos. Apenas coloco, em minha mente, um ponto de interrogação e digo: “Naquela época, eu não entendi”. Ainda há coisas que não entendo.
Mas louvo ao Senhor pelo que Ele mostra: o espírito de sabedoria e revelação no conhecimento do Senhor Jesus. Isso é muito mais importante do que o conhecimento acadêmico.
Sei que estou sempre falando de teologia e conhecimento acadêmico como se não fossem nada. Eles têm valor real. Mas o conhecimento teológico e o conhecimento acadêmico não são a parte essencial de conhecer o Senhor. O essencial é conhecê-Lo.
Deus está no meio dela; não será abalada:
Deus a ajudará ao romper do dia.
Ao romper da manhã. Portanto, às vezes há uma noite pela qual precisamos passar, mas depois vem a gloriosa aurora e, de alguma maneira, ela nos pertence.
Então o texto diz algo mais:
As nações se enfureceram.
Bem, todos nós sabemos disso. As nações estão enfurecidas. Acho que, neste momento, o Senhor tem uma enorme controvérsia com as nações. É algo terrível estar em rota de colisão com Deus.
Mas as nações estão em rota de colisão com Deus.
As nações se enfureceram.
Que expressão maravilhosa. A palavra “enfureceram” é dramática, emotiva, cheia de sentimento. Elas não disseram apenas: “Ah, somos contra o propósito de Deus”. Elas se enfureceram contra o propósito de Deus.
Enfureceram-se contra a lei de Deus, contra os Seus princípios, os Seus preceitos, as Suas ordenanças. Enfureceram-se contra tudo isso. O Senhor falou; os reinos se derreteram. É impressionante. A palavra descreve algo como cera derretendo.
Ele fez ouvir a Sua voz, e a terra se derreteu.
O Senhor dos Exércitos está conosco.
Não consigo entender a NIV aqui. Espero que nem todos vocês tenham exemplares da NIV. Meu querido irmão Johannes a chama de “Versão Quase Inspirada”.
Ela muda todas as palavras aqui. Diz apenas:
O Senhor Deus Todo-Poderoso está conosco.
Não é isso que o texto realmente está dizendo. Não é preciso. Não é claro.
O que ele diz? O Comandante dos exércitos do céu está conosco. É um termo de guerra.
O Comandante dos exércitos do céu está conosco. Não tenha medo. Não tenha medo do Anticristo. Não tenha medo se o mundo estiver cheio de demônios. Não tenha medo se principados e potestades se manifestarem abertamente. O Comandante dos exércitos do céu está conosco.
Então vem esta palavra maravilhosa:
O Deus de Jacó é o nosso refúgio.
Agora, esta é outra palavra em hebraico. Significa “torre alta”. Vocês se lembram da palavra de Provérbios 18:10?
O nome do Senhor é uma torre forte;
O justo corre para ela e está seguro.
Torres altas são coisas muito interessantes. Não parecem muito fortes. Não se parecem com um grande castelo. Mas já mostrei a muitos desses rapazes diferentes torres altas. Elas parecem uma espécie de edifício de três ou quatro andares do mundo antigo.
Todas as janelas ficam nos andares superiores, e nenhuma no andar de baixo. Eles costumavam tocar um sino assim que chegavam piratas, um exército invasor ou qualquer outra ameaça. Tocavam um sino ou batiam em um pedaço de madeira cujo som ressoava claramente por toda uma região.
Todos os habitantes daquela região corriam para a torre alta, e então fechavam a porta. Ali havia água e comida suficientes para algumas semanas.
Portanto, a Escritura toma esse termo maravilhoso: torre alta. Deus é o nosso refúgio, a nossa torre alta, o nosso lugar de abrigo, de modo que, quando há uma dificuldade realmente séria, ouvimos o sino, ouvimos o som de alerta e corremos para o Senhor. E estamos seguros.
É maravilhoso. O Comandante dos exércitos do céu está conosco — isso é colossal. E o Deus de Jacó é a nossa torre alta.
Agora, por que o Deus de Jacó? Por que Ele não disse o Deus de Abraão? Não. Por que não disse o Deus de Isaque? Não. Por que não disse o Deus de José? Não. Por que não disse o Deus de Moisés, de Davi ou de Samuel? Não. O Deus de Jacó.
Jacó significa “enganador”. O pobre Jacó era um enganador. Não conseguia evitar; era da sua natureza. Uma das expressões mais extraordinárias da Bíblia é esta:
Amei a Jacó.
Esta é uma expressão impressionante: o Deus de Jacó é a nossa torre alta, o nosso refúgio. Por mais impossível que você seja por natureza, seja o que for que tenha herdado de sua linhagem ou de sua família, é o Deus de Jacó Quem é essa torre alta, esse refúgio para o qual você pode correr e estar seguro.
Não poderia haver nada mais maravilhoso do que essa expressão: o Deus de Jacó. Você não tem desculpa se não correr. O Senhor manterá os Seus braços bem abertos.
Deus está empenhado em transformar Jacós em Israel. Não pense que o Senhor vai rejeitar você. Ele vai recebê-lo, porque tem um interesse pessoal em transformá-lo.
Bem, precisamos terminar. Mas ainda há esta última estrofe:
Vinde, contemplai as obras do Senhor,
Que desolações Ele tem feito na terra.
Ele faz cessar as guerras.
Como vem a desolação? Por meio da guerra. No fim, Ele faz cessar as guerras. Então o texto continua dizendo que Ele quebra o arco e essas outras armas de guerra e queima os carros no fogo. Hoje diríamos tanques.
Queridos, não quero, bem no final desta mensagem, deixá-los mais abatidos do que o necessário. Mas acho que uma guerra está chegando.
Creio que algo precisa ser feito em relação ao Irã. E, se o senhor Obama não fizer isso, acho que Israel provavelmente fará. E isso lançará todo o Oriente Médio em uma conflagração colossal.
Essa será a gota d’água que faltava para quebrar a estrutura econômica e financeira. Todos os indicadores atuais são os mesmos do período que antecedeu a guerra, nos anos trinta do século passado — todos eles.
Temos Ahmadinejad dizendo cinco ou seis vezes que vai apagar Israel do mapa do mundo. Temos suas declarações: “Nós os reunimos todos em um só lugar; vamos destruí-los de um só golpe” — e, obviamente, ele está falando de um ataque nuclear.
As pessoas dizem: “Ah, sim, não se preocupe. É só conversa. Ele não está falando sério. Se conseguir instalações nucleares para uso civil no Irã, tudo ficará bem”. Isso não é verdade.
Todos disseram a mesma coisa sobre Adolf Hitler quando ele falou da solução final para o problema judaico, quando chamou os judeus de vermes e ratos da sociedade, de veneno da sociedade europeia. Quando ele disse: “Vamos lidar com eles. Vamos exterminá-los”, todos riram. Disseram: “Não, não, não, ele não está falando sério”.
Quando ele tomou o Sarre, não fizeram nada. Quando tomou os Sudetos, não fizeram nada. E quando Neville Chamberlain foi até lá — chamado de grande cavalheiro cristão; ele era unitarista —, assinou a entrega da Tchecoslováquia para preservar a paz no mundo.
Dentro de um ano, começou a Segunda Guerra Mundial, com a aniquilação de cinquenta e cinco milhões de pessoas.
Por que digo isso? Porque todos os sinais são os mesmos. Todas as nações estão adotando uma política de apaziguamento em relação ao Irã. Todas estão falando de diálogo. Todas dizem: “Bem, talvez possamos fazer assim. Talvez possamos fazer de outro jeito”. Exatamente como fizeram com Adolf Hitler.
O que isso significa? Há uma profecia em Zacarias 12:3 na qual o Senhor diz, a respeito de Israel, que todas as nações da terra se reunirão contra ela.
E todas as nações da terra se ajuntarão contra ela.
Então Zacarias 12:9 diz:
E acontecerá naquele dia
Que procurarei destruir todas as nações
Que vierem contra Jerusalém.
Agora, acho que estamos exatamente nesse ponto. O Relatório Goldstone basicamente condenou Israel, o que significa que agora provavelmente serão impostas sanções a Israel, a menos que os Estados Unidos usem seu veto. É duvidoso que o senhor Obama faça isso.
Portanto, isso significa simplesmente que chegamos a essa etapa do plano profético, por assim dizer. Essas nações estão contra Israel. Nunca vimos nada parecido: essa representação distorcida de Israel, essas votações contra Israel nas Nações Unidas e todas as outras coisas que estão acontecendo agora.
É muito interessante observar isso. O texto diz isso duas vezes. Agora, em Zacarias 14:2, diz novamente:
E ajuntarei todas as nações contra Jerusalém para a batalha.
As palavras “para a batalha” são acrescentadas. Nas duas primeiras referências, não há batalha; são apenas nações contra Israel e, provavelmente, sanções de vários tipos — como aconteceu na África do Sul —, contra os correios, contra as comunicações, contra o transporte aéreo, contra todo tipo de coisa.
Mas a terceira é guerra. Então o texto diz que o Senhor sairá para lutar.
Portanto, acho que estamos agora em uma situação extraordinária. Perdoem-me por estas palavras, mas elas colocam tudo isso em contexto. Todos pensam que estamos saindo da crise. A Grã-Bretanha acha que talvez estejamos saindo. A Alemanha acha que talvez estejamos saindo da recessão. Os Estados Unidos acreditam que talvez estejamos saindo dela.
Basta que algo exploda no Oriente Médio. E, se vocês me permitem, direi mais uma coisa sobre isso. É o seguinte: o crescimento do islã na Europa e na Grã-Bretanha é fenomenal.
O relatório divulgado recentemente — e este é um relatório do governo — diz que, nos próximos dez anos, a população da Grã-Bretanha crescerá dez milhões. Ela tem sessenta milhões de habitantes, mas uma grande parte desse aumento será de muçulmanos, crianças muçulmanas.
Um quarto da Dinamarca agora é muçulmano. A Suécia tem hoje uma enorme população muçulmana; a Noruega também. Os Países Baixos sempre tiveram. Há mais cidadãos muçulmanos na Alemanha do que em toda a Síria. Há vinte e cinco milhões de cidadãos muçulmanos na Europa.
Agora, a maioria desses muçulmanos é formada por pessoas decentes, que amam a paz. Não querem se envolver em terrorismo. Mas, escondido nessas comunidades, está o islã militante.
Portanto, quando você lê essa palavra sobre o Senhor quebrar o arco e queimar os carros, começa a entender: algo vai acontecer.
Por que isso aconteceu? Porque funcionários anônimos, altos funcionários da Grã-Bretanha e depois da Comissão Europeia, se reuniram para planejar. Não há um país na Europa em que a população de origem não esteja sendo substituída.
Até mesmo a Grécia, a Itália e a Espanha estão abaixo do nível de reposição populacional, e estão muito preocupadas com os serviços de saúde — e não apenas com a saúde, mas também com as aposentadorias. Não haverá contribuintes suficientes nesses países para custear os serviços.
Eles se reuniram para planejar. Nunca levaram isso a nenhum parlamento, nunca discutiram abertamente e abriram as portas ao islã porque queriam o islã. Sabem que os muçulmanos têm famílias enormes. É bastante comum nos países islâmicos ter doze, treze, quatorze, até dezenove filhos.
Isso significa que, dentro de poucos anos, se o Senhor tardar, a Europa e a Grã-Bretanha enfrentarão um problema enorme. Vivi três anos no Egito. Eu vi isso. Quando os muçulmanos formam uma minoria suficientemente grande — e Deus nos livre de uma maioria —, começam a pressionar o governo.
Portanto, não sei o que acontecerá, mas a situação é sombria.
Agora, então, voltamos a isto:
Aquietai-vos e sabei que Eu sou Deus:
Serei exaltado entre as nações,
Serei exaltado na terra.
A expressão é: “Deixem estar”. Aquietem-se. Descansem. E saibam que Eu sou Deus.
Então o salmo termina novamente com estas palavras maravilhosas. Sempre que a Bíblia disser algo duas vezes, prestem atenção:
O Senhor dos Exércitos está conosco;
O Deus de Jacó é o nosso refúgio.
O Comandante dos exércitos do céu está conosco. O Deus de Jacó é o nosso refúgio.
Não temos absolutamente nada a temer se estamos seguindo o Senhor, se somos dedicados ao Senhor, se somos nascidos de Deus e se estamos prontos para ser um sacrifício vivo para Ele.
Há um rio
Cujas correntes alegram a cidade de Deus.
Que o Senhor torne estas minhas palavras reais para todos vocês. Obrigado.