Por favor, abram em Gálatas 4:19.
Meus filhinhos, por quem de novo sinto as dores de parto, até que Cristo seja formado em vós.
Agora, por favor, abram no livro de Isaías, em Isaías 53:11.
Ele verá o fruto do trabalho de Sua alma e ficará satisfeito:
Pelo conhecimento de Si mesmo, o Meu Servo justo justificará a muitos;
E Ele levará sobre Si as iniquidades deles.
E, por fim, o Evangelho segundo João, em João 16:21.
A mulher, quando está para dar à luz, sente tristeza, porque é chegada a sua hora:
Mas, depois de ter dado à luz a criança, já não se lembra da aflição, pela alegria de haver nascido um homem no mundo.
Vamos fazer uma oração.
Querido Senhor, nós Te louvamos e agradecemos por nos reunires aqui nesta manhã. A oração do nosso coração é, verdadeiramente, que não haja nada entre nós e Ti. Nós Te louvamos e agradecemos porque realizaste essa salvação plena, e não há razão para que exista qualquer distância.
Assim, Senhor, nós nos lançamos sobre Ti, crendo que removes toda distância entre nós e Ti. Tu nos atraíste à Tua própria presença, para que possamos ver a Tua glória, ouvir a Tua voz e, pelo Teu Espírito, ser transformados e conformados à imagem do Teu Filho amado.
Querido Senhor, confessamos que esse tema está além da nossa capacidade. Mas nós Te louvamos e agradecemos, sabendo que Tu, que nos chamaste, és fiel, e realizarás e aperfeiçoarás aquilo que começaste em nós. Com essa confiança, nós nos entregamos a Ti neste momento. Que o Teu nome seja glorificado. Em nome do nosso Senhor Jesus, amém.
Irmãos e irmãs, preciso confessar: quando ouvi pela primeira vez que o tema desta conferência era o trabalho de parto espiritual, fiquei assustado.
Porque imediatamente me veio à mente Moisés, aquele que suplicou diante de Deus pelos filhos de Israel e que estava disposto até mesmo a ter seu nome apagado do livro da vida por amor ao povo.
Depois pensei no apóstolo Paulo: como ele sentia dores de parto diante de Deus e como sofria essas dores até mesmo por seus próprios parentes, disposto até a ter seu nome apagado do livro da vida por amor a seus irmãos.
E, como nosso irmão mencionou ontem à noite, pessoas como Elias e Daniel me vieram à mente. Também me veio à mente Hyde, o homem de oração da Índia — como ele orava diante de Deus —, e ainda Rees Howells, do sul do País de Gales, o intercessor.
Então, quando essas imagens surgiram em minha mente, eu tremi. Quem sou eu para falar sobre trabalho de parto espiritual? Quanto realmente sabemos sobre o que é esse trabalho de parto espiritual? E, mais do que isso, quanto estamos envolvidos nele?
Será que é elevado demais para nós, profundo demais para nós? Será algo além da nossa capacidade, sobre o qual não deveríamos falar?
Então o Senhor me consolou. Ele me disse que eu sou fruto do trabalho de Sua alma.
E não apenas sou fruto de Suas dores de parto, mas também posso me lembrar de pessoas que sofreram dores de parto em oração diante de Deus por mim. E aqui estou.
Vocês se lembram da história. Houve um homem famoso, Santo Agostinho. Ele era um jovem brilhante. Era professor de retórica na universidade, e, naquela época, um professor de retórica ocupava a posição mais elevada na universidade. Mas ele levava uma vida muito dissoluta.
Mas, graças a Deus, ele tinha uma mãe, Mônica. Foram as orações e as lágrimas de sua mãe que o trouxeram de volta ao Salvador.
Irmãos e irmãs, graças a Deus, todos nós somos fruto do trabalho da alma do nosso Senhor Jesus. Se Ele não tivesse sofrido essas dores de parto por nós, onde estaríamos?
E provavelmente todos vocês podem se lembrar de como vieram ao Senhor. Talvez seus pais, talvez algum amigo, talvez alguém que os conhecia — essas pessoas estavam suplicando diante de Deus por vocês. E hoje vocês são fruto do trabalho da alma delas.
Então, quando penso nessas coisas, isso realmente me encoraja. E começo a pensar: por que o trabalho de parto espiritual? Será tão importante assim? É necessário? É absolutamente indispensável na vida de cada um de nós?
Será apenas para alguns poucos escolhidos, como Rees Howells, Hyde, o homem de oração, Paulo e Moisés? Será um direito exclusivo deles, ou um favor que Deus lhes concedeu? E quem somos nós até mesmo para falar de trabalho de parto espiritual, quanto mais para realmente nos envolvermos nele?
Será algo apenas para uns poucos escolhidos? Ah, queridos irmãos e irmãs, será também para nós, irmãos e irmãs comuns? Cada um de nós precisa estar envolvido no trabalho de parto espiritual. Por quê? Porque essa é a vontade de Deus.
Aquele que sofreu dores de parto pela nossa salvação colocou Sua vida em nós, e essa vida traz em si esse elemento de trabalho de parto. Ele colocou Seu Espírito em nós, e Seu Espírito suplica dentro de nós, em nosso espírito, ajudando-nos nessa questão do trabalho de parto espiritual.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, vamos nos lembrar de que o trabalho de parto espiritual não é apenas para quem alcançou determinada estatura espiritual. Não é somente a partir daí que alguém passa a se envolver nele.
Podemos ser apenas um bebê em Cristo, talvez alguém que acabou de ser salvo. Nós também devemos começar a aprender essa lição do trabalho de parto espiritual. Ele deve ser a marca de todo crente, porque essa é a vontade de Deus.
Deus quer que todos e cada um de nós, a quem Ele justificou, sejamos glorificados — todos e cada um de nós, não apenas salvos, mas conformados à imagem de Seu Filho amado.
Mas fazemos a pergunta: como? Ele começou uma boa obra em nós. Como vai completá-la? E, ao completá-la, há algo que Ele requer ou exige de nós, algo em que devemos nos envolver?
Ao pensar nessas coisas, começo a perceber que o trabalho de parto espiritual cabe a todo crente, do menor ao maior. Não se deixem intimidar por alguns irmãos e irmãs que possuem uma experiência tão elevada nesse trabalho de parto espiritual, a ponto de vocês nem sequer começarem a sentir essas dores em seu espírito.
Assim, irmãos e irmãs, isso me encoraja, e espero de fato que cada um de nós também seja encorajado.
Nunca digam, ao ouvir esta mensagem sobre o trabalho de parto espiritual: “Isso não é para mim. É apenas para aqueles que alcançaram determinada estatura espiritual”.
Sim, quanto mais vocês crescerem no Senhor, mais profunda será sua experiência de trabalho de parto espiritual. Mas, se não começarem desde o princípio, não chegarão a ela.
Por isso, encorajo todos os irmãos e irmãs, especialmente os jovens, a abrirem o coração, crendo que Aquele que sofreu dores de parto por vocês na cruz do Calvário tem Sua vida em vocês, e Sua vida é uma vida de trabalho de parto.
Precisamos permitir que essa vida realmente cresça em todos e em cada um de nós.
Estou pensando especialmente na volta iminente do nosso Senhor Jesus. Por que esperamos vinte séculos por Sua volta? Estamos agora no início do século XXI. Por quê? Por que essa demora?
Queridos irmãos e irmãs, a razão não está em nosso Senhor Jesus. Todo noivo está ansioso para receber sua noiva. É a noiva que não está preparada.
Será que a razão pela qual a igreja, a noiva do nosso Senhor Jesus, ainda não está pronta para Ele, mesmo depois de vinte séculos, é que falta um elemento — falta o trabalho de parto espiritual?
O povo de Deus recebe a graça de Deus, mas não permitimos que essa graça opere em nossa vida e nos torne pessoas cheias de graça, para que possamos apressar a volta do Senhor. A responsabilidade está sobre nós.
E temo que a razão seja a falta de trabalho de parto espiritual. Porque não temos esse trabalho de parto espiritual, não crescemos espiritualmente. Porque não temos trabalho de parto espiritual, as pessoas não são salvas. Porque não temos trabalho de parto espiritual, o Corpo não é completado.
Será por nossa causa, por causa da falta de trabalho de parto espiritual?
Portanto, queridos irmãos e irmãs, espero de fato que cada irmão e irmã aqui presente — especialmente os jovens — veja realmente a importância e a urgência disso. Eu diria que Deus está suplicando que vocês participem das dores de parto de Seu coração, para que Sua perfeita vontade seja cumprida.
Sinto que gostaria de compartilhar com vocês, queridos irmãos e irmãs, sobre essa questão do trabalho de parto espiritual, começando pelo mais básico. O que é trabalho de parto espiritual? Como podemos nos envolver nele?
Se vocês consultarem o dicionário, verão que a palavra inglesa travail significa esforço físico ou mental, provação; e geralmente é acompanhada de tribulação, angústia e agonia. Ela também é usada para descrever o trabalho de parto.
Agora, graças a Deus, no original grego vocês encontrarão esse mesmo pensamento. É um trabalho de parto, um exercício dentro do nosso espírito; e envolve tribulação, sofrimento e agonia. Mas, graças a Deus, resulta em nascimento.
Se houver trabalho de parto sem nascimento, então isso será algo terrível. Mas, quando vocês pensam que o trabalho de parto levará ao nascimento, isso não é promissor?
Então me lembro de quando nosso Senhor Jesus estava com Seus discípulos antes de Sua crucificação. Depois de instituir a mesa do Senhor, Ele disse:
Isto é o Meu corpo, dado por vós.
Fazei isto em memória de Mim.
Ele tomou o cálice, abençoou-o e disse:
Este é o sangue, o selo da nova aliança.
Lembrai-vos disto.
E, depois da ceia do Senhor, Ele conversou com Seus discípulos. Os discípulos estavam tristes porque percebiam que algo iria acontecer. Percebiam que nosso Senhor Jesus estava deixando-os. Eles haviam deixado tudo para seguir o Senhor, e agora o Senhor os estava deixando.
Então nosso Senhor Jesus procurou consolá-los e disse:
Não vos entristeçais.
Eu vos deixarei, mas voltarei.
Depois Ele disse:
Vós vos entristecereis.
O mundo se alegrará.
Mas, assim como uma mulher, quando está em trabalho de parto, sente dor e tristeza por algum tempo, depois que a criança nasce, tudo isso será esquecido, e ela se alegrará porque um homem nasceu neste mundo.
Portanto, irmãos e irmãs, quando pensamos no trabalho de parto espiritual, trata-se de algo muito positivo. É algo que produzirá nascimento.
Então comecei a pensar em como o Senhor Jesus disse:
No mundo tereis tribulação:
Mas tende bom ânimo; Eu venci o mundo.
Todo aquele que nasce neste mundo passa por tribulação.
Agora, se vocês se lembram do mais sábio dos homens, Salomão, ele escreveu um livro chamado Eclesiastes. Ele se tornou um pregador. Qual era a mensagem que pregava a partir de sua grande sabedoria e de todas as suas muitas experiências? Ele nos disse que experimentou tudo debaixo do sol, e então escreveu esse livro, o livro de Eclesiastes. Ele descreve o mundo e o trabalho de parto mundano.
Todos estão em trabalho de parto — não apenas os cristãos, mas também os não cristãos. O próprio mundo está em trabalho de parto.
Se vocês abrirem comigo em Eclesiastes, mencionarei apenas algumas coisas. Eclesiastes 1:1 diz:
Palavras do Pregador, filho de Davi, rei em Jerusalém.
Agora ouçam o que ele diz, especialmente vocês, jovens:
Vaidade de vaidades, diz o Pregador; vaidade de vaidades, tudo é vaidade.
Eclesiastes 1:8:
Todas as coisas estão cheias de cansaço; o homem não o pode expressar:
Os olhos não se fartam de ver, nem os ouvidos se enchem de ouvir.
Eclesiastes 1:11:
Não há lembrança das gerações passadas;
Nem haverá lembrança das gerações futuras entre aqueles que vierem depois delas.
Eclesiastes 1:18:
Porque na muita sabedoria há muita aflição;
E quem aumenta o conhecimento aumenta a tristeza.
Depois, em Eclesiastes 2:11:
Então olhei para todas as obras que minhas mãos haviam feito e para o trabalho que me esforçara por realizar;
E eis que tudo era vaidade e correr atrás do vento, e não havia proveito debaixo do sol.
E Eclesiastes 2:22-23:
Pois que tem o homem de todo o seu trabalho e do esforço do seu coração, com que trabalha debaixo do sol?
Porque todos os seus dias são dores, e seu trabalho é aflição; até de noite seu coração não descansa. Também isto é vaidade.
O livro inteiro descreve o que é o trabalho de parto mundano. Todos estão em trabalho de parto. Todos estão se esforçando. Todos estão sofrendo.
Mas qual é o resultado? Se vocês sofrem dores de parto pelo mundo, isso não produz nascimento. Pelo contrário, produz morte. Esse é o trabalho de parto mundano.
Agora, vocês estão nessa categoria? Não deveríamos estar. Mas, graças a Deus, Ele nos tirou deste mundo e nos colocou no reino do Filho do Seu amor. Portanto, nosso trabalho de parto é de outra natureza. É chamado de trabalho de parto espiritual.
E esse trabalho de parto espiritual resulta em nascimento. É por isso que todo crente deve estar envolvido nesse trabalho de parto espiritual.
Irmãos e irmãs, somos fruto do trabalho de parto de Deus. Agora, há algo que muitas vezes me pergunto: é necessário que o trabalho de parto que leva ao nascimento envolva dor, sofrimento, angústia e agonia?
Deus é amor, e, porque nos ama, Ele sofre dores de parto. Mas, no princípio, quando criou os céus e a terra, isso causou a Deus sofrimento, dor e tribulação? Não creio.
Quando Deus fez Adão dormir e tirou de seu lado algo dele para formar uma mulher, costumamos dizer que aquela foi a primeira cirurgia do mundo. Mas foi uma cirurgia indolor, porque Deus fez Adão dormir. Não houve dor.
De onde vem essa dor que sempre acompanha o trabalho de parto?
Vocês se lembram de quando Adão e Eva pecaram contra Deus, e Deus veio ao jardim. Deus pronunciou Seu juízo. Então, em Gênesis 3:16, o que Ele diz? Qual é o juízo sobre a mulher?
Multiplicarei grandemente a tua dor e a tua concepção;
Com dor darás à luz filhos.
Então me pergunto se foi ali que essas duas coisas passaram a estar relacionadas: a necessidade de haver dor no trabalho de parto que leva ao nascimento. Será porque há pecado neste mundo? Quando o pecado entrou, o cenário se tornou completamente diferente.
Assim, isso se tornou uma lei universal: onde há trabalho de parto, há dor. Dito de outra maneira: onde não há sofrimento, não há nascimento.
Isso se tornou uma lei universal. Essa é a razão pela qual o trabalho de parto sempre vem acompanhado de sofrimento.
Agora vamos pensar em como nosso Deus sofreu dores de parto por nós, pela nossa salvação.
Vocês sabem, estamos tão familiarizados com João 3:16:
Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu Filho unigênito,
Para que todo aquele que Nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.
Tudo começa com o amor de Deus. Se não há amor, não há sofrimento.
Deus amou o mundo de tal maneira, e o mundo aqui se refere especialmente às pessoas deste mundo. Deus amou de tal maneira as pessoas que havia criado que deu Seu Filho unigênito.
Pensem por um momento. Deus tem apenas um Filho unigênito. Eles estavam juntos desde o princípio. Não eram apenas iguais, mas eram um. Nunca haviam Se separado.
Eles Se amavam. Eles Se compreendiam. Em tudo estavam em perfeita harmonia. E esse amor entre Eles é crescente.
Foi por causa desse amor por Seu Filho amado que Ele criou o universo e, especialmente, o homem. Vocês sabem, o homem é uma criação especial de Deus.
Não há nenhuma outra criatura feita à Sua imagem, segundo a Sua semelhança. Tudo foi criado por Deus, mas foi criado por Sua sabedoria e por Seu poder. Somente o homem, em todo o universo, foi criado à Sua própria imagem, segundo a Sua própria semelhança.
Por quê? Porque Ele quer dar o homem a Seu Filho como um companheiro de vida. Para ser um companheiro semelhante ao Filho, o homem precisa ser como Seu Filho; caso contrário, não haverá correspondência entre eles.
Portanto, foi por amor que Deus criou o homem. Mas, infelizmente, nós, seres humanos, que recebemos a maior dádiva de Deus na criação, nos rebelamos contra Ele.
Por causa disso, estamos separados de Deus. Nós até nos voltamos contra Deus como Seus inimigos. Como pecamos contra Ele! A Bíblia nos diz:
Todos pecaram e carecem da glória de Deus.
O que é a glória de Deus? A glória de Deus é Ele mesmo. Carecemos de Sua glória porque não somos como Ele. Somos exatamente o oposto do que Ele é, e isso O fere mais do que qualquer outra coisa.
Vocês sabem, irmãos e irmãs, às vezes, quando pregamos o evangelho aos incrédulos, costumamos mencionar Romanos 1, enumerando todos aqueles pecados terríveis que os homens cometeram, a fim de convencê-los de que são pecadores. Mas o que a Bíblia diz?
A Bíblia diz:
Do pecado, porque não creem em Mim.
Esse é o maior pecado do mundo. Se vocês não creem no Senhor Jesus, esse é o maior pecado do mundo, porque Ele é a maior dádiva que Deus concedeu aos homens. Tudo está incluído Nele, e, se vocês resistem a Ele, resistem ao Seu amor.
Mas, graças a Deus, Ele não nos abandona. Nós, que pecamos, deveríamos ser deixados para trás, julgados para sempre. Mas foi por amor — pelo amor de Deus — que Ele nos deu Seu Filho unigênito. Pensem nisso.
Vocês sabem, quando falamos disso, sempre pensamos em Abraão. Abraão teve um filho quando estava com cem anos.
Quando vocês têm um filho aos trinta anos, como ficam felizes! E, quando têm um filho aos cem anos, ah, ele é o tesouro do seu coração — Isaque, aquele que alegra seu coração e o faz rir.
Então vocês se lembram de que Deus disse:
Toma teu filho, teu único filho.
Deus tornou aquilo muito difícil.
Viaja por três dias.
Certamente, dando bastante tempo para pensar.
E oferece-o a Mim.
Se vocês não conhecem a Deus, pensarão que Deus é muito severo. Mas Abraão conhecia a Deus. Ele se levantou de madrugada, tomou seu filho, preparou tudo para o sacrifício e foi ao monte Moriá.
Ele iria sacrificar seu filho porque amava a Deus mais do que qualquer outra coisa e cria que Deus traria Isaque de volta à vida.
Irmãos e irmãs, quando lemos essa história, como vocês se sentem?
Mas, se vocês puderem multiplicar isso milhões e milhões de vezes e pensar em Deus — o que Ele sentiu quando nos deu Seu Filho unigênito?
Seu amor é bilhões e bilhões de vezes mais profundo do que o amor de qualquer pai ou mãe. E Ele sofre dores de parto por nossa alma. Ele estava disposto a dar Seu Filho amado, que não pode ser comparado a nenhum filho ou filha de seres humanos.
Que sacrifício! Que sofrimento isso deve ter sido para Deus!
Durante toda a vida do nosso Senhor Jesus na terra, repetidas vezes os céus se abriram e uma voz veio do céu:
Este é o Meu Filho amado, em Quem encontrei o Meu prazer.
Vocês podem ver quanto Deus amava Seu Filho amado.
E, no entanto, se vocês lerem Isaías 53:10, verão que Deus O esmagou na cruz do Calvário. Será algo fácil de fazer?
O Filho que Lhe agradara durante toda a Sua vida, e até mesmo por toda a eternidade — e o Pai O esmagou.
Não é de admirar que, quando nosso Senhor Jesus foi crucificado, das nove horas ao meio-dia, foram os homens que O crucificaram. Os homens zombaram Dele. Satanás O cercou.
Mas, durante aquelas três horas, nosso Senhor Jesus nunca disse uma palavra a respeito de Si mesmo. O Pai estava com Ele. Ele pôde orar:
Perdoa-lhes; porque não sabem o que fazem.
Mas então o cenário mudou de repente. Mateus 27 nos diz que, do meio-dia às três horas da tarde, houve trevas por toda parte. Foi durante esse período que nosso Senhor clamou:
Deus Meu, Deus Meu, por que Me desamparaste?
Irmãos e irmãs, o Pai virou o rosto para não ver o sofrimento de Seu Filho amado. Que amor! Que sacrifício! Que agonia! Que dores de parto!
E lembrem-se: somos fruto das dores de parto do coração de Deus Pai.
Então pensem em nosso próprio Senhor Jesus. Ele estava diante de Seu Pai como Seu prazer, alegrando-Se diante Dele e criando todas as coisas segundo a vontade de Seu Pai.
E, no entanto, a Bíblia nos diz que, antes mesmo da fundação do mundo — vocês podem encontrar isso em 1 Pedro 1 —, antes mesmo da fundação do mundo, Ele era o Cordeiro de Deus.
Em outras palavras, antes que Deus criasse tudo, nosso Senhor Jesus, o Filho amado de Deus, já havia oferecido a Si mesmo para ser o Cordeiro de Deus. Porque Deus sabia de tudo. Deus sabia o que aconteceria se o mundo fosse criado, se o homem fosse criado — o que aconteceria com o homem e o que aconteceria com este mundo. Deus viu tudo.
Posso usar palavras humanas? Deus hesitou um pouco, e o Filho Se apresentou e disse: “Pai, vá em frente. Se é isso que Tu queres fazer, faze. Estou disposto a oferecer a Mim mesmo para ser o Cordeiro de Deus”.
Nosso Senhor Jesus era o Cordeiro de Deus antes de vir a este mundo. João Batista olhou para Ele e disse:
Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.
Mas, antes mesmo de vir a este mundo — na eternidade passada, antes de o tempo começar, antes de o mundo ser criado —, Ele já havia oferecido a Si mesmo para ser o Cordeiro.
Por isso, a Bíblia nos diz que Ele era o Cordeiro morto desde a fundação do mundo. Foi sobre essa base — a de que Ele havia oferecido a Si mesmo ao Pai para ser o Cordeiro — que Deus começou a criar o universo.
E, quando o universo teve início, nosso Senhor Jesus, como o Cordeiro de Deus, estava morto desde a fundação do mundo.
Vocês conseguem imaginar o amor por trás disso? Conseguem imaginar as dores de parto, o sofrimento, a dor, a angústia e a tristeza?
E, no entanto, na plenitude do tempo, nosso Senhor Jesus veio, nascido de mulher, nascido sob a lei, para nos libertar da maldição da lei e para que recebêssemos a filiação.
O Verbo Se fez carne e habitou entre os homens, cheio de graça e de verdade. Durante toda a vida do nosso Senhor Jesus, como Ele agradou ao Pai! Ele não dizia nada por Si mesmo; não fazia nada por Si mesmo.
Ele sempre agia segundo o tempo determinado pela vontade do Pai. Seu rosto estava voltado para Jerusalém. Ele veio; Ele nasceu não apenas para viver, mas para morrer.
E, irmãos e irmãs, todos nos lembramos da cena do Getsêmani. Ele era um Homem perfeito.
Ser um Homem perfeito significa, por um lado, que Ele era sem pecado. Ele nunca havia conhecido o pecado. Nunca havia cometido nada pecaminoso; não conhecia o pecado.
Mas, sendo um Homem perfeito, Seus sentimentos, Seus sentidos, Sua vontade e a vida de Sua alma devem ter sido centenas, milhares, bilhões de vezes mais sensíveis do que os nossos. Quanto Ele sentiu ao ter de Se tornar pecado por nós!
O pecado do mundo inteiro foi colocado sobre Ele. A Bíblia diz que Ele foi feito pecado por nós — não apenas levou nossos pecados, em certo sentido, mas foi feito pecado por nós. Aos olhos de Deus, Ele era o próprio pecado. Como isso foi terrível!
Não é de admirar que nosso Senhor não pudesse suportar aquilo. Como Ele orou:
Pai, se for possível.
Mas Ele disse:
Para isto vim a esta hora.
Pai, glorifica o Teu nome.
No jardim do Getsêmani, a Bíblia nos conta como Ele estava oprimido em Seu espírito, como estava profundamente triste em Sua alma, como orou em agonia até que Seu suor se tornou como gotas de sangue.
Pai, se for possível, passa de Mim este cálice;
Todavia, não se faça a Minha vontade, mas a Tua.
E, irmãos e irmãs, quando Judas veio com a multidão para prender o Senhor, nosso Senhor disse:
Não hei de beber o cálice que o Pai Me deu?
Ele foi para a cruz.
Mas, como dissemos, do meio-dia às três horas da tarde foi o período em que Ele foi feito pecado por nós. E Deus, que é o Justo, o Juiz do mundo, O esmagou, O entregou à morte e O condenou à morte para abrir um caminho para nós.
Irmãos e irmãs, que agonia, que dores de parto nosso Senhor Jesus suportou! E foi por vocês e por mim. Somos fruto do trabalho de Sua alma.
Pensem no Espírito Santo, a Pessoa perfeita em nós. Como o Espírito Santo sofre dores de parto no homem!
Muitas vezes agradeço a Deus. Quando somos salvos, o que Deus fez por nós? Provavelmente, nosso primeiro pensamento será: “Bem, graças a Deus, meus pecados foram lavados. Estou perdoado. Estou justificado. Agora tenho paz em minha consciência. Agora posso estar diante de Deus. Agora, um dia, irei para o céu”.
Mas, irmãos e irmãs, essas coisas são a menor parte da graça de Deus em Sua salvação. Sim, graças a Deus, quando sou salvo, não apenas meus pecados são perdoados, mas Ele nos dá Sua própria vida. Agora a vida de Deus, a vida de Cristo, é minha vida. Ele está aqui em mim. Graças a Deus por essa vida.
E, graças a Deus, quando Ele nos deu essa vida de Cristo, ao mesmo tempo colocou Seu Espírito em nós. O Espírito Santo vem e habita em nosso novo espírito.
O Espírito Santo vem como o guardião da nova vida, como Aquele que é responsável por levar essa vida à maturidade, por assegurar que sejamos transformados e nos tornemos semelhantes a Cristo.
Tudo o que não é semelhante a Cristo, Ele julgará. Ele tocará nossa consciência e nos deixará incomodados até que estejamos dispostos a nos arrepender e voltar para Ele.
Ele realiza essa grande obra dia após dia — na verdade, minuto após minuto —, porque nunca nos deixará nem nos abandonará. Ele está sempre ali, dentro de nós. Por qual razão?
Por uma única razão: assegurar que a vida, a nova vida, a vida eterna, a vida de Cristo em nós, receba toda a ajuda necessária para ser levada à maturidade.
Isto é, para que sejamos transformados e conformados à imagem do Filho amado de Deus, para que Ele seja o primogênito entre muitos irmãos. Essa é a razão pela qual o Espírito Santo está em nós.
E, graças a Deus, Ele diz que o Espírito Santo nunca nos deixará nem nos abandonará. Nosso Senhor Jesus, quando estava na carne, precisou nos deixar para voltar ao Pai. Mas outro Consolador, da mesma vida que Ele, veio e habita em nós para sempre.
Agora, vocês acham que o Espírito Santo em vocês está livre de dores de parto — com dor, com sofrimento, com angústia?
Pensem por um momento, irmãos e irmãs. Desde que nasceram de novo, desde que receberam o Espírito Santo, quanto vocês têm cooperado com Ele? Quanto têm ouvido Sua voz mansa e suave? Quanto têm andado na luz da vida? Quanto têm obedecido a Ele?
A Bíblia diz, em Efésios:
Não entristeçais o Espírito Santo.
Não entristeçam o Espírito Santo. Quanto devemos tê-Lo entristecido!
Se vocês tentassem somar todas as tristezas que acumulamos sobre Ele, o que aconteceria? Humanamente falando, Ele morreria. Mas Ele nunca morre.
Embora O entristeçamos, Ele não nos deixará nem nos abandonará. Ah, irmãos e irmãs, como O entristecemos sem medida!
Nós O entristecemos porque queremos seguir nosso próprio caminho. Queremos viver nossa própria vida. Não permitimos que a vida de Cristo cresça em nós; queremos crescer por nós mesmos.
Em 1 Tessalonicenses:
Não apagueis o Espírito.
Quanto O temos apagado! Não queremos ouvi-Lo.
Vocês sabem que, quando fazemos isso, não apenas o Espírito Santo sofre dores para produzir nascimento, mas somos nós que sofremos a perda? Pensem nisso.
Mas, por mais que O entristeçamos, por mais que O apaguemos, por mais que Lhe desobedeçamos, Ele não irá embora. Ele ainda está aqui, em mim e em vocês, perseverando em Suas dores de parto para produzir nascimento.
Pensem nisso, irmãos e irmãs. Quando vocês pensam em todas as dores de parto, em todos os sofrimentos que causamos a nosso Pai, a nosso Senhor Jesus e ao Espírito Santo, isso não nos leva a sentir vergonha?
Como fruto do trabalho de Sua alma, o que devemos fazer?
Por um lado, não seria correto reconhecer com verdadeira gratidão todas as Suas dores de parto por nós, entregando-nos totalmente a Ele, para que o amor complete Sua obra?
E, por outro lado, não deveríamos procurar cooperar intimamente com Ele? Isto é, por tudo aquilo que Ele sofre dores de parto, nós também sofremos essas dores com Ele.
E essa é a razão pela qual sinto que essa questão do trabalho de parto espiritual é a nossa porção. Cada um de nós precisa estar envolvido.
Que o Senhor nos mostre um caminho: como podemos nos envolver no trabalho de parto espiritual? E o que isso significará para Deus e para Seu propósito?
Vamos orar?
Querido Senhor, sentimos de fato que estamos pisando em terra santa.
Senhor, revela Tuas dores de parto a todos e a cada um de nós aqui.
Que Tuas dores de parto nos deem forças para responder, não apenas para obedecer, mas para seguir.
Ah, Senhor, que o Espírito da Tua natureza venha sobre nós, para que nos tornemos um povo que sofra dores de parto Contigo, a fim de que Teu propósito eterno seja cumprido.
Estamos aqui nos oferecendo a Ti, porque Tu nos chamaste. Nós não podemos fazer isso, mas Tu és capaz de aperfeiçoar essa obra. Oramos em Teu precioso nome. Amém.