É isso que acontece quando alguém que não é músico tenta escolher o andamento. Enfim.
Vamos abrir novamente, nesta manhã, em 2 Coríntios 11:2-3.
Ao escrever a esses queridos irmãos em Corinto, com quem tinha um relacionamento de longa data, Paulo deixa transparecer, nesses versículos, seu amor, sua preocupação e seu cuidado.
Porque zelo por vós com zelo de Deus: pois vos desposei com um só esposo, para vos apresentar a Cristo como virgem pura.
Mas receio que, assim como a serpente enganou Eva com a sua astúcia, de alguma maneira os vossos pensamentos sejam desviados da simplicidade e pureza da devoção a Cristo.—2 Coríntios 11:2-3
Vamos orar.
Senhor, somos tão gratos porque Tu Te revelaste a nós. Senhor, somos gratos porque, ao participarmos da Tua mesa, lembramos daqueles discípulos no caminho de Emaús: Tu partiste o pão, e eles Te viram; Tu Te revelaste a eles.
Senhor, com esse mesmo espírito de dependência, nós nos achegamos a Ti ao abrir a Tua Palavra. Que, ao abrirmos a Palavra, ao partirmos o pão da vida, Tu Te reveles a nós de maneira muito nova nesta manhã.
Nós nos oferecemos a Ti. Senhor, pela fé, permanecemos firmes em tudo o que Tu tens para nós. Somos também tão gratos pela Tua vitória, porque sabemos quanto o inimigo odeia a Tua Palavra. Podemos dizer não a todas as suas táticas e a todas as suas distrações, e sim à plena provisão que temos em Cristo. Em nome de Jesus, amém.
Já examinamos algumas vezes esses versículos de 2 Coríntios 11:2-3, considerando o relacionamento que Paulo tinha com esses queridos irmãos em Corinto. Ele havia passado dezoito meses com eles e desenvolvido um relacionamento íntimo com eles.
Em suas palavras de despedida, ele escreve que tem uma grande preocupação. Essa preocupação se expressa em um zelo de Deus. Paulo tem tanto zelo para que esses que provaram a bondade do Senhor, que viram e experimentaram a bondade do Senhor, não sejam, nos dias que virão, desviados da simplicidade e pureza de sua devoção a Cristo.
Irmãos e irmãs, creio que todos nós podemos nos identificar, de muitas maneiras, com a grande batalha em que estamos para manter a simplicidade e a pureza de nossa devoção a Ele. Muitas coisas, não apenas no mundo, mas até mesmo na cristandade, dentro da igreja, procuram nos afastar de uma fé simples em Cristo.
Essa é uma das razões pelas quais aprecio tanto nos reunirmos, a cada dia do Senhor, em torno desta mesa: uma lembrança simples da verdade simples acerca do que Ele fez por nós e de Quem Ele é.
É triste que hoje, mesmo quando dizemos “uma lembrança simples” e “uma verdade simples”, isso possa soar quase depreciativo para o homem moderno. Na mentalidade moderna, não gostamos da simplicidade. Pensamos que, quanto mais complicada for alguma coisa, mais poderemos, com nossa grande perspicácia, compreender coisas muito superiores. Precisamos de algo mais.
Essa tem sido, de fato, uma das grandes tragédias dos cristãos ao longo dos séculos: buscar sempre algo mais, em vez de se satisfazer com tudo o que temos em Cristo.
Há uma simplicidade e uma pureza que temos em Sua vida, pelas quais Paulo tem tanto zelo, mas com as quais nós, como povo de Deus, ficamos insatisfeitos tão facilmente. Entramos em alguma realidade simples que temos Nele e, imediatamente, passamos a querer outra coisa. Queremos acrescentar algo a isso.
Que o Senhor, nestes dias em que vivemos, especialmente enquanto aguardamos com tanto anseio Sua breve volta, nos faça retornar a essa simplicidade e pureza: Cristo sendo nosso tudo em todos, Cristo sendo nossa plena suficiência, e, em nosso coração, uma devoção simples e muito pura a Ele.
Sabemos que, ao escrever a esses queridos irmãos, Paulo tinha este encargo:
Vos desposei com um só esposo, para vos apresentar a Cristo como virgem pura.
—2 Coríntios 11:2
Nós também, irmãos e irmãs, fomos desposados com Cristo. Fomos conduzidos à condição dessas virgens puras.
Agora, coletivamente, somos a noiva, mas, individualmente, somos essas virgens puras. É isso que Ele deseja que mantenhamos: que não sejamos afastados dessa pureza. Nestes dias, em que há tanta contaminação e tantas coisas disputando nosso tempo, nossa vida e nossos esforços, podemos permitir que as impurezas deste mundo entrem e nos desviem.
Quando pensamos em pureza e simplicidade, se considerarmos o oposto, chegamos à mistura, às concessões, às complicações e à confusão.
Até mesmo algo que antes era simples podemos tornar muito complicado. Se vocês conversarem com o Roger, ele poderá contar que, muitos anos atrás, quando alguém ia escolher uma cor de tinta, havia apenas algumas cores. Se queria um cômodo branco, pintava de branco. Se queria vermelho, pintava de vermelho. Se queria verde, era verde.
Mas agora, com nosso progresso, temos uma multidão — uma infinidade — de cores que tornam tão complicado algo tão simples. Detesto escolher cores de tinta hoje. É uma das piores experiências que alguém pode ter, porque ficou tudo muito complicado.
Como pegamos algo simples e achamos que estamos em situação melhor ao torná-lo complicado!
Que o Senhor, ao considerarmos o chamado que Ele nos faz nesta vida cristã, nos permita retornar à simplicidade que temos Nele: conhecê-Lo simplesmente a cada dia, ouvir aquelas palavras que saem de Sua boca a cada dia: “Segue-Me”.
“Segue-Me” é suficiente para nós a cada dia? “Segue-Me” é simples demais?
Ah, irmãos e irmãs, se observarmos as palavras de nosso Senhor enquanto Ele estava nesta terra, veremos que Seu chamado era marcado pela simplicidade. E havia uma beleza que se manifestava nisso. Que sejamos reconduzidos a essa simplicidade.
Ao considerarmos esse chamado do Senhor para retornarmos à simplicidade e pureza de nossa devoção a Ele, encontramos no Antigo Testamento uma bela figura, uma lição ilustrativa disso.
Sabemos, ao observar a história de Israel, como eles foram desviados da simplicidade e pureza dessa devoção ao Senhor. Foram conduzidos literalmente à confusão. Foram levados cativos à Babilônia — Babel, confusão.
Era ali que viviam fisicamente. Mas o Senhor, em Sua grande misericórdia, porque é um Deus de propósito e cumprirá aquilo que começou, chamou Seu povo para sair. Ele abriu a porta para que alguns retornassem, saindo da confusão, saindo da Babilônia, de volta a Jerusalém.
Eles foram chamados a viver na simplicidade e pureza do chamado que Ele tinha para a vida deles. Tinham um chamado para edificar Sua casa. Tinham um chamado para ser o povo de Deus, para ser o testemunho do próprio Deus nesta terra.
Ao percorrermos os livros de Esdras e Neemias e os profetas Ageu, Zacarias e Malaquias, podemos acompanhar essa história. Como já vimos anteriormente, há lições que podemos aprender.
Não estamos buscando apenas aprender história e adquirir conhecimento, embora isso seja importante. Esses livros foram dados para nossa instrução. Foram dados para nossa admoestação, para que nós, que vivemos nestes últimos dias, realmente saibamos como nos conduzir na casa de Deus. Que o Senhor nos ajude.
Hoje gostaríamos de examinar Malaquias — ou, como vocês ouvem alguns dizerem em italiano, por causa do Lenny, o profeta italiano, “Malachi”. Ah, é o livro de Malaquias. Vamos abrir ali. É o último livro do Antigo Testamento.
Ao chegarmos a esse livro, vamos começar em Malaquias 1:1-2 e ler os primeiros versículos.
Peso da palavra do Senhor a Israel, por intermédio de Malaquias.
Eu vos tenho amado, diz o Senhor.
Todavia, vós dizeis: Em que nos tens amado?—Malaquias 1:1-2
O peso da Palavra do Senhor ao Seu povo, por intermédio de Malaquias:
Eu vos tenho amado, diz o Senhor.
Todavia, vós dizeis: Em que nos tens amado?—Malaquias 1:2
Agora, em Malaquias 3:1:
Eis que Eu enviarei o Meu mensageiro, e ele preparará o caminho diante de Mim.
E o Senhor, a Quem vós buscais, de repente virá ao Seu templo;
e o Mensageiro da aliança, em Quem vos deleitais, eis que Ele vem, diz o Senhor dos Exércitos.—Malaquias 3:1
Mais adiante, nesse mesmo capítulo, em Malaquias 3:16-18:
Então os que temiam ao Senhor falavam uns aos outros; e o Senhor atentou e ouviu, e um livro de memória foi escrito diante Dele para os que temem ao Senhor e estimam o Seu nome.
Eles serão Meus, diz o Senhor dos Exércitos, no dia em que Eu preparar a Minha possessão, o Meu tesouro especial; e os pouparei, como um homem poupa a seu próprio filho que o serve.
Então tornareis a distinguir entre o justo e o ímpio, entre o que serve a Deus e o que não O serve.—Malaquias 3:16-18
Ao chegarmos a esse livro de Malaquias, apenas para situá-lo cronologicamente, sabemos que a história daqueles que retornaram da Babilônia está registrada em Esdras e Neemias. Na verdade, do início de Esdras ao fim de Neemias, esse período inteiro abrange cerca de cem anos.
Sabemos que houve o primeiro retorno, sob a liderança de Zorobabel, para reconstruir a casa. Eles reconstruíram o altar, começaram a edificar a casa e depois pararam. O Senhor, em Sua grande misericórdia e bondade amorosa, levantou Ageu e Zacarias para encorajá-los a continuar a construção. Graças a Deus, o povo respondeu, e o templo foi concluído.
Depois, sabemos que o segundo retorno, cerca de sessenta anos mais tarde, aconteceu sob a liderança de Esdras. Esdras tinha um encargo específico: embelezar a casa.
Irmãos e irmãs, como a casa de Deus é embelezada? Quando Ele é visto nela. Quando ela é conhecida pelo Seu nome. Quando Cristo — quando o Senhor — é visto em Sua casa, isso é o embelezamento da casa. Esse era o encargo de Esdras.
Então, cerca de doze ou treze anos depois de Esdras, Neemias retorna. Neemias retorna com o encargo de reconstruir a muralha.
Somos gratos porque Neemias tinha esse encargo: que a muralha fosse reconstruída, esse testemunho, essa proteção ao redor de Jerusalém — uma cidade separada para o Senhor, uma verdadeira expressão de nossa vida coletiva. Esse era o encargo geral de Neemias.
Assim como o Senhor usou Ageu e Zacarias com Zorobabel, durante o período registrado em Esdras, de modo semelhante o Senhor usou Malaquias com Neemias. Eles atuam juntos para produzir essa plena restauração do povo de Deus.
Agora, quem era Malaquias? Fazemos essa pergunta, mas, na verdade, não sabemos. Não há mais nada registrado nas Escrituras a respeito dele. Seu nome significa “Meu mensageiro”.
Gosto disso, mais uma vez, até mesmo nessa questão de permanecermos simples em nossa devoção pura a Ele. Vejam como o homem sempre consegue complicar as coisas. O livro diz: “Este é o peso de Malaquias”. É isso que a Palavra diz, então isso é simples o suficiente.
Mas o homem, em sua mente, começa a divagar: quem é Malaquias? Existem todas essas teorias. Malaquias seria um nome fictício para outra pessoa. Talvez “meu mensageiro” signifique que Malaquias é apenas um anjo. Vocês podem ver como imediatamente conseguimos complicar tudo.
Na verdade, podemos simplesmente manter as coisas simples e dizer que Malaquias foi quem escreveu o livro. Somos gratos porque, ao escrevê-lo, ele foi aquele que o Senhor usou.
Uma das coisas belas em Malaquias é que, ao examinar esse livro, a única pessoa que vocês não veem é Malaquias. Muitas vezes, quando pensamos no profeta Isaías, vemos Isaías. Vemos Jeremias. Vemos Esdras, Ageu e Zacarias. Mas, ao chegarmos ao livro de Malaquias, é como se ele saísse de cena.
Ele realmente deseja que vejamos plenamente o Senhor, Seu coração e Seu grande encargo. De certa forma, é semelhante ao escritor de Hebreus. Não sabemos quem escreveu Hebreus, mas ele permanece oculto porque desejava captar o próprio coração e a essência de Deus.
Ao chegarmos ao livro de Malaquias, podemos perguntar: “Qual é o seu encargo? Qual é o verdadeiro coração deste livro?” Creio que o livro está resumido naquele primeiro ou segundo versículo: “Eu vos tenho amado”.
O livro de Malaquias é um livro de amor. É um clamor de amor ao Seu povo.
É um clamor no qual o Senhor chama Seu povo nesta hora — Seu povo que realmente não enxerga sua verdadeira condição. Ele clama a eles: “Eu vos tenho amado”.
É interessante, ao recordarmos Ageu e Zacarias, observarmos o amor de Cristo — o amor de Deus — sendo expresso. Esse livro de Malaquias pode, de certo modo, ser resumido simplesmente como um chamado ao retorno ao primeiro amor.
Esses irmãos haviam abandonado seu primeiro amor. Ele os estava chamando de volta a essa questão do primeiro amor, que era, na verdade, o chamado de Ageu: “Considerem-Me. Considerem os Meus caminhos. Coloquem o coração em Mim. Retornem ao primeiro amor”.
O chamado de Zacarias era: “Retornem a Mim. Retornem a esse lugar de primeiro amor. Retornem a Mim, e Eu retornarei a vocês”.
Sempre que vemos um povo de Deus que se afastou da simplicidade e pureza de sua devoção ao Senhor, por se tratar de um relacionamento de amor, a primeira coisa que acontece é esse abandono do primeiro amor. Há esse afastamento, essa perda do primeiro amor por Ele.
Quando usamos as palavras “primeiro amor”, do que estamos falando? Estamos falando de uma qualidade de amor, não apenas de um momento no tempo. Estamos falando de uma qualidade de amor que governa nossa vida.
Esse era o testemunho de Paulo em 2 Coríntios 5:14: “O amor de Cristo me governa. O amor de Cristo me constrange”. Quando pensamos no primeiro amor, estamos falando da qualidade de um amor que governa nossa vida.
A questão do primeiro amor é que ele não se expressa tanto com nossa boca, embora o expressemos nos momentos de adoração e louvor ao nosso Senhor. O primeiro amor se expressa sobretudo por meio de nossa vida e de nosso coração. Ele se expressa por meio de nossas ações ao longo desta vida.
Podemos ver e reconhecer o que está governando a vida uns dos outros pelas escolhas que fazemos, pelas prioridades que estabelecemos e pelas decisões que tomamos. O que está governando nossa vida? É esse primeiro amor — o amor de Cristo — que nos governa, ou é nosso próprio desejo egoísta?
Esse era o grande encargo de Paulo por esses queridos irmãos em Corinto, e é o encargo de Malaquias: que eles fossem reconduzidos ao reconhecimento de que o relacionamento que temos com o Senhor é um relacionamento de amor.
Ele nos desposou como virgem pura, e devemos ser governados assim como uma pessoa desposada é governada por aquele a quem ama: desejando agradar ao Seu coração, desejando apenas aquilo que Lhe traz glória, não buscando nossos próprios caminhos, não buscando nossas próprias coisas e não nos tornando insatisfeitos.
Uma das grandes tragédias que vemos nesse livro de Malaquias é que, cada vez que o Senhor clama a eles — Ele clama cerca de sete vezes, embora haja diferentes interpretações sobre o número desses chamados —, o povo está em tal condição de falta de realidade e de ilusão que responde: “Como?”
Assim como lemos: “Eu vos tenho amado”, e o povo diz: “Em que nos tens amado?” Quando chegamos a esse ponto de abandonar o primeiro amor, nem sequer temos consciência de nossa condição. Estamos tão iludidos. Há uma cegueira em nós, porque podemos acabar mantendo uma forma de piedade, fazendo exteriormente todas as coisas certas, mas negando seu próprio poder.
Isso nos lembra a carta à igreja em Laodiceia, o espírito de Laodiceia que diz: “De nada temos necessidade”. Eles estavam cegos para sua condição.
Irmãos e irmãs, o Senhor clama a nós hoje. Uma das maiores orações que tenho tido em meu próprio coração recentemente é que eu conheça a realidade de minha condição em Cristo, que eu não esteja cego ao Seu chamado.
Na verdade, quando Ele nos toca, isso brota desse relacionamento de amor: para que retornemos a Ele e realmente conheçamos a beleza e a glória de tudo o que temos em Cristo.
Malaquias profetizou no tempo de Neemias. Quem eram essas pessoas? Creio que, para realmente captarmos o espírito e a essência daquilo que o Senhor está procurando dizer por meio de Malaquias, precisamos dedicar alguns minutos a olhar novamente para o livro de Neemias e ver quem eram essas pessoas.
Às vezes dizemos que vamos ter uma visão panorâmica, como a de um pássaro. Bem, esse olhar sobre Neemias não será nem mesmo a partir de um pássaro. Será de um avião. Vamos realmente sobrevoar Neemias.
Em Neemias 1, vemos como o livro começa. O próprio Neemias está na Babilônia e ouve um relato sobre a condição daqueles que estão em Jerusalém. A muralha está derrubada.
Neemias fica tão entristecido e sobrecarregado que se prostra diante do Senhor em oração e jejum, buscando o coração de Deus quanto aos Seus interesses em Jerusalém. Graças a Deus, no capítulo 2, Deus responde à oração de Neemias de maneira maravilhosa.
Neemias era copeiro do rei, e o rei lhe concedeu favor e abriu a porta para que ele e outros retornassem a Jerusalém a fim de reconstruir a muralha. Vemos a mão soberana de Deus permitindo que Neemias voltasse a Jerusalém.
Ao chegarmos a Neemias 3, Neemias já retornou a Jerusalém e está buscando os interesses de Deus ali. Esse é um belo capítulo sobre pessoas trabalhando juntas para reconstruir a muralha.
São aqueles que estavam em Jerusalém e responderam ao chamado e à exortação de Neemias para reconstruir a muralha. Eles se levantam e começam a trabalhar juntos. Há um grupo que não participa, mas os demais se levantam. Ao longo do capítulo, lemos repetidamente: “Ao seu lado, este trabalhou”, e: “Ao seu lado, este trabalhou”.
Havia um relacionamento de trabalho conjunto em favor do coração e do propósito de Deus. Eles não apenas terminavam seu trabalho, mas olhavam ao redor e faziam um pouco mais. Havia zelo em seu coração para reparar a muralha.
Ao chegarmos a Neemias 4, enquanto a muralha está sendo construída, vemos a grande batalha que está acontecendo. Sempre que alguém começa a demonstrar interesse pelas coisas do Senhor, o inimigo percebe.
O inimigo tenta muitas táticas. Procura ridicularizá-los, oprimi-los e amedrontá-los. Mas, graças a Deus, o povo tinha disposição para trabalhar. Eles haviam sido conquistados pelo coração e pelo propósito de Deus. Trabalhavam e combatiam juntos.
O texto diz que tinham uma espada em uma mão e uma colher de pedreiro na outra. Trabalhavam e combatiam juntos. Os indivíduos e as famílias estavam se unindo. As famílias estavam ali servindo ao propósito de Deus; não estavam servindo aos próprios interesses. Eles estavam vendo a mão de Deus protegê-los.
Essas pessoas tinham alguma experiência em batalha espiritual.
Então, ao chegarmos a Neemias 5, há uma mudança completa no tom, porque o inimigo não é mencionado ali. O que acontece é que essas pessoas estavam abusando umas das outras. Aqueles que enfrentavam dificuldades financeiras recebiam empréstimos a juros altos.
O que vemos nesse capítulo é uma purificação, uma verdadeira obra santificadora entre o povo de Deus: a restauração de seus relacionamentos pessoais e de seu próprio coração. Essa é uma obra interior.
Vimos a batalha exterior e, depois, no capítulo 5, vemos a atuação e a santificação do Espírito Santo no interior. Essas pessoas tiveram essa experiência.
No capítulo 6, vemos como a batalha continua. Graças a Deus, enquanto a batalha continua, a muralha é concluída. Surge o grande testemunho de que a muralha foi concluída pela mão de Deus. Não foi concluída pela mão do homem. Eles viram e reconheceram isso, e até os inimigos reconheceram o que Deus havia feito.
Então chegamos ao capítulo 7, e eles colocam as portas na muralha. É interessante porque também olham para trás, para aqueles que participaram do primeiro retorno. Recordam os que vieram com Zorobabel.
Eles sabiam que tinham uma grande herança. Não estariam ali se outros não tivessem ido antes deles e aberto o caminho. Estavam simplesmente entrando naquilo que outros haviam preparado.
Irmãos e irmãs, que grande herança temos! Estamos aqui hoje porque outros vieram antes de nós. Será que alguma vez paramos para agradecer ao Senhor por isso? Essas pessoas pararam e reconheceram a grandeza de sua herança.
Então o próprio Esdras se levanta. Todo o povo está reunido no capítulo 8, e Esdras lê a Palavra de Deus. Enquanto Esdras lê a Palavra de Deus, há uma grande resposta do povo de Deus.
Há uma grande renovação de sua consagração. Há uma restauração. Eles irrompem em adoração. Celebram a Festa dos Tabernáculos; as celebrações e as festas são restauradas. O povo está assumindo seu lugar e dando a Deus o lugar que Lhe pertence.
No capítulo 9, a Palavra de Deus produz arrependimento nessas pessoas. Elas confessam seus pecados. Veem como foram infiéis. Permitem que Deus as sonde e apresentam essa grande confissão e renovação de sua consagração ao Senhor.
Essa renovação da consagração continua no capítulo 10. Há um grande testemunho no fim desse capítulo:
Não negligenciaremos a casa do nosso Deus.
—Neemias 10:39
Esses queridos irmãos estão se oferecendo, indo até além daquilo que Deus lhes havia pedido. Estão trazendo ofertas voluntárias tão generosas em favor do coração e do propósito de Deus.
Então, nos capítulos 11 e 12, há o registro de quem está morando nas diversas cidades. No capítulo 12, vemos a dedicação da muralha — aquele precioso testemunho do Senhor sendo sua muralha, cercando-os. Eles são um povo separado. A cidade é um testemunho para Ele.
Se Neemias terminasse no capítulo 12, seria uma história gloriosa. Mas há mais um capítulo: Neemias 13.
Se vocês perceberem o espírito dos capítulos 1 a 12, sentirão uma grande tristeza no coração ao olhar para o capítulo 13. O próprio Neemias volta a Jerusalém, e, nesse período, ocorre de repente uma grande deterioração.
Há deterioração religiosa. Eles começam a se afastar. O templo se torna contaminado. Há deterioração moral, com diversas questões mencionadas em Malaquias. Há deterioração social: as famílias estão se desfazendo. Há deterioração material: eles não estão lidando corretamente com os dízimos.
É nesse período que Malaquias profetiza.
Há diferentes interpretações quanto ao momento exato em que Malaquias falou. Alguns pensam que ele falou quando Neemias voltou a Jerusalém. Outros pensam que foi durante o capítulo 13. Outros pensam que foi logo depois. Mas todos concordam que foi por volta desse período.
É então que vemos Malaquias e Neemias trabalhando juntos pela restauração do povo em Jerusalém.
É importante vermos a quem Malaquias está falando, porque essas não são pessoas quaisquer. São pessoas que tinham uma história espiritual, uma caminhada espiritual com o Senhor. São pessoas que tinham muita experiência com o Senhor.
Elas tinham experiência não apenas com o Senhor, mas também em trabalhar juntas. Tinham experiência de vida coletiva e de relacionamento umas com as outras. Tinham muita experiência em batalha espiritual. Haviam combatido juntas pelo coração e pelos interesses de Deus.
Eram pessoas que haviam permitido ao Espírito Santo realizar uma obra de purificação em seu interior. Tinham uma história com o Senhor. Havia muita experiência. Eram pessoas que haviam renovado sua consagração ao Senhor.
Elas haviam se entregado de maneira muito nova, em um espírito de avivamento e restauração, a tudo o que Deus desejava fazer com elas. Disseram: “Toma minha vida e faze dela o que quiseres”. Estavam entregues ao Senhor.
É a essas pessoas que Malaquias está falando. Não eram pessoas que haviam rejeitado Deus exteriormente e seguido seu próprio caminho. Essas ainda estavam na Babilônia.
Eram pessoas que haviam escolhido permanecer em Jerusalém e reconstruir a muralha. Eram pessoas que haviam escolhido permanecer ali e combater pelos interesses de Deus. Eram pessoas que haviam feito escolhas para realmente se ocupar das coisas que estão no coração do Senhor.
A razão pela qual estamos procurando formar esse quadro é que podemos ver como o afastamento do primeiro amor e essa deterioração podem acontecer rapidamente. Às vezes pensamos que isso leva muito tempo — outra geração. Mas eram as mesmas pessoas. Eram aquelas que haviam passado por tudo isso.
Eram essas pessoas que haviam abandonado seu primeiro amor. Continuavam cumprindo as cerimônias exteriores. Tinham todas as ofertas. Podemos ver em Malaquias que ofereciam cordeiros e diversos sacrifícios, embora os animais fossem defeituosos e não fossem os melhores.
Elas ofereciam dízimos. Não traziam os dízimos completos, mas estavam fazendo alguma coisa. Cumpriam certas ações e cerimônias exteriores, mas não havia nenhuma realidade interior nelas. O coração do povo já não estava ali.
O Senhor, em Sua misericórdia, levantou Malaquias.
Irmãos e irmãs, ao aplicarmos isso a nós hoje, a quem essa palavra se dirige? Ela foi escrita ao remanescente. Foi escrita àqueles que haviam retornado a Jerusalém para cuidar dos negócios de seu Pai.
De muitas maneiras, podemos dizer que essa palavra não foi escrita àqueles que chamaríamos de cristãos mundanos ou nominais. Foi escrita a pessoas que se entregaram ao Senhor.
É por isso que esse livro, essa profecia, serve para nossa instrução e nossa admoestação. Diante dele, precisamos ter os ouvidos do coração abertos, para que realmente saibamos o que o Espírito está dizendo nesta hora.
Como dissemos, Malaquias é o último livro do Antigo Testamento. Se pararmos por um momento e compararmos Malaquias, a última palavra no Antigo Testamento antes de um período de cerca de quatrocentos anos, com o livro de Apocalipse, veremos muitas semelhanças.
Malaquias e Apocalipse contêm as últimas palavras registradas em seus respectivos testamentos. Mais uma vez, vemos esse chamado de amor sendo feito. Vemos o Senhor dizer em Malaquias:
Eu, o Senhor, não mudo.
—Malaquias 3:6
Vemos Seu chamado em Malaquias e vemos Seu chamado no livro de Apocalipse. Em Malaquias há sete diálogos, sete conversas, sete debates entre o povo de Deus e o Senhor. Nos capítulos 2 e 3 de Apocalipse há sete cartas.
Há muitas semelhanças entre as sete cartas dos capítulos 2 e 3 de Apocalipse e a maneira como o povo é abordado em Malaquias. Mas, tanto em Malaquias quanto em Apocalipse, o Senhor está buscando a mesma coisa: a expressão de Sua vida entre o povo de Deus.
Ele procura ver a Si mesmo — não apenas que eles saibam coisas a Seu respeito. Graças a Deus, eles podem conhecê-Lo e ter conhecimento Dele. Mas o que Ele busca é que Sua vida seja vivida entre Seu povo nesta terra, onde Ele os colocou como testemunho para Si.
Ele tinha aquelas pessoas em Jerusalém com um propósito e buscava que Sua vida fosse expressa por meio delas, para que muitos fossem atraídos ao Senhor. Ele olha, nos capítulos 2 e 3 de Apocalipse, para aquelas sete igrejas, buscando a expressão de Sua vida.
O que Ele sempre procura hoje ao olhar para nós? Ele procura a expressão de Sua vida — essa vida sendo vivida, essa vida operando de tal maneira que as pessoas sejam conformadas à imagem de Seu Filho amado.
Ele deseja que a imagem de Seu Filho, o próprio caráter, a natureza e a vida de Seu Filho sejam expressos entre Seu povo nestes dias. É isso que Ele busca tanto em Malaquias quanto em Apocalipse.
Tanto Malaquias quanto Apocalipse falam de Sua vinda — de vindas diferentes, mas falam de Sua vinda. Ele diz: “Eu venho. Estejam prontos”.
Em Malaquias, Ele fala da vinda do Sol da justiça. Em inglês, sun, “sol”, tem a mesma pronúncia de son, “filho”. O Sol da justiça é o Filho da justiça. Em Apocalipse, vemos a Estrela da Manhã. Há Aquele que está vindo.
Como o Senhor deseja que tenhamos os olhos do coração abertos!
Tanto em Malaquias quanto em Apocalipse, o povo não tem nenhuma consciência da realidade de sua condição. Em Malaquias, dizem: “Como fizemos isso?” Nos capítulos 2 e 3 de Apocalipse, o povo igualmente não tem consciência.
Éfeso não percebia que havia abandonado seu primeiro amor. Eles continuavam fazendo tudo corretamente. Discerniam o certo e o errado e muitas outras coisas, mas haviam abandonado aquele primeiro amor.
Os de Laodiceia diziam: “Somos ricos. De nada temos necessidade”. Estavam cegos para sua condição. Ah, que conheçamos a realidade de nossa condição Nele!
Ao examinarmos esses dois livros, Malaquias e Apocalipse, vemos que a resposta à condição do povo de Deus é a mesma em ambos: arrependimento.
O chamado ao arrependimento está presente nos dois. O chamado ao arrependimento está sobre a vida de todos nós nesta hora. É esse passo de nos voltarmos, de retornarmos a Ele e não sermos desviados.
Um dos testemunhos preciosos tanto em Malaquias quanto em Apocalipse é que, em cada um deles, há um pequeno grupo fiel, que permaneceu fiel ao Senhor em meio a um povo infiel.
Embora tantos em Malaquias tivessem abandonado seu primeiro amor, havia alguns fiéis que permaneceram naquele lugar de primeiro amor. Eles não permitiram que a infidelidade dos outros afetasse sua fidelidade.
Eram aqueles que se reuniam — aqueles que temiam ao Senhor, aqueles que estimavam Seu nome. Como eram preciosos!
Em Apocalipse, essas pessoas são chamadas de vencedores. Qual é o testemunho dos vencedores? Eram simplesmente aqueles que venceram pelo sangue do Cordeiro, reconhecendo sua condição pecaminosa e respondendo com arrependimento.
Tinham uma preciosa palavra de testemunho: “Jesus é Senhor”. Não amaram a própria vida até a morte. Não viviam para si mesmos, mas para Ele.
Tanto em Malaquias quanto em Apocalipse, a questão central é esse chamado ao primeiro amor. Quando o primeiro amor é abandonado, quando o Senhor já não tem a primazia em nossa vida, surgem muitos outros sintomas e consequências.
Há muitas repercussões, mas tudo remonta a essa questão de mantermos esse relacionamento de amor com Ele.
O que nos sustenta, irmãos e irmãs, não é nosso amor por Ele. Graças a Deus, temos amor por Ele, mas o que nos sustenta é Seu amor por nós.
Seu amor por nós jamais nos abandonará. Seu amor por nós é o que nos governa. É Seu amor por nós, enquanto nos lembramos Dele nesta mesa, que nos capacita a atravessar as dificuldades, as provações e as coisas que não compreendemos.
É um amor que não nos abandonará. Entregamos a Ele nossa alma cansada. Graças a Deus por Seu amor.
Tanto em Malaquias quanto em Apocalipse, em Seu grande amor, é Sua grande bondade que fala conosco em nossa condição.
A bondade de Deus te conduz ao arrependimento.
—Romanos 2:4
Que bondade a de um Deus amoroso, ao falar com aqueles que O haviam abandonado e estavam fazendo sua própria vontade! Ele não desistiu deles. Em Sua bondade, levantou um Malaquias. Em Sua bondade, enviou cartas àquelas sete igrejas.
É a bondade de Deus, irmãos e irmãs, que nos conduz ao arrependimento. Quando realmente percebemos a bondade? Quando tudo está indo muito bem e não enfrentamos problemas, alguém pode ser bondoso conosco, e nem percebemos isso de verdade.
Mas, quando as coisas ficam difíceis, e talvez tenhamos errado feio ou simplesmente não compreendamos o que está acontecendo, então o amor de Cristo se manifesta por meio de alguém, e a bondade do Senhor nos alcança. Ela nos toca e nos conduz a Ele.
Vemos a bondade de Deus expressa para com Seu povo neste livro — nesta profecia. Será que alguma vez paramos para realmente enxergar e permitir que esse amor de Cristo, essa bondade, entre em nós?
Quando vemos Deus falando em Malaquias — não sei quantos de vocês tiveram a oportunidade de lê-lo antes de hoje —, qual foi sua impressão de Deus? Vocês acharam que Deus estava bravo? Que Deus estava irado? “Ah, vocês são todos tão terríveis. Já não Me amam, e aqui estão todos os seus defeitos.”
Bem, esse não é o nosso Senhor. O que há ali é um coração ferido. Alguém chama isso de “o lamento de um amante ferido”, clamando à Sua amada — o lamento de um amor ferido. Em Sua bondade, Ele clama a nós.
Vemos Seu coração amoroso ao longo de todo esse livro.
Como lemos em Malaquias 1:2, Ele diz: “Eu vos tenho amado”. Para mim, isso é algo que nos humilha profundamente. Será que alguma vez paramos para pensar em como é bondoso da parte Dele vir e dizer: “Eu vos tenho amado”?
Essas pessoas não têm nenhuma consciência disso. Provavelmente todos nós já vivemos relacionamentos — qualquer pessoa que tenha filhos, qualquer pessoa que seja casada, qualquer pessoa que tenha amigos próximos, qualquer pessoa que faça parte de uma família. Isso inclui a maioria de nós.
Em algum momento, aparece esta frase: “Como você tem me amado?”
Creio que a maioria de nós poderia testemunhar que conhece muito mais o amor de seus pais aos sessenta e dois anos do que aos doze. Hoje conheço o amor de meus pais de maneiras que não conhecia naquela época. Mas posso olhar para trás e vê-lo.
Posso olhar para trás e ver pessoas que, ao longo da vida, demonstraram amor que eu não reconheci na ocasião. Naquela época, eu nem achava que aquilo era amor. “Se realmente me amassem, não apontariam todos os meus defeitos. Se me amassem, deixariam que eu fizesse isso. Se realmente me amassem, deixariam que eu saísse e fizesse aquilo.”
Mas não — essas pessoas tão malvadas! Depois vemos que era a misericórdia de Deus. Vemos Sua grande bondade e Seu amor.
É realmente impressionante, quando paramos para pensar no fim do Antigo Testamento, que o amor de Deus fosse questionado. Olhamos para trás e refletimos sobre como o povo havia sido infiel e como Deus, repetidas vezes, levantou pessoas para ajudá-lo.
Estamos aqui hoje por causa do amor imutável e incansável de Deus.
Se olharmos para Malaquias 3:6, veremos Seu amor:
Porque Eu, o Senhor, não mudo; por isso, vós, ó filhos de Jacó, não sois consumidos.
—Malaquias 3:6
Esse é o amor de Cristo. Esse é o amor de Deus, irmãos e irmãs. Ele não muda. Apesar de nós, Seu amor é eterno. É isso que Ele é.
Deus é amor — não o amor deste mundo. Deus é amor. Ele não muda.
Gosto de como o Senhor escolhe Suas palavras com tanta precisão. A quem Ele se refere aqui?
Eu, o Senhor, não mudo; por isso, vós, ó filhos de Jacó, não sois consumidos.
—Malaquias 3:6
Sabemos que Jacó foi transformado em Israel. Quando penso em como Jacó foi transformado em Israel, podemos ver, como se fala em Efésios, as alturas do amor de Deus — aquilo a que Ele nos conduz, aonde Ele nos eleva. Ele nos toma e faz de nós um Israel. Ele nos conduz a esse lugar glorioso.
Mas, quando pensamos em Jacó, vemos as profundezas do amor de Deus: as profundezas às quais Deus, em Sua bondade e misericórdia, desce para nos elevar. “Ó filhos de Jacó” — as profundezas às quais Ele foi para nos levantar.
Ah, as alturas e as profundezas de um amor tão grande! E como nós o questionamos!
Vemos neste livro que, porque Ele não muda, há muitas promessas de Sua grande bênção. Podemos examinar uma delas em Malaquias 3:10.
Ele falou de como O haviam roubado nos dízimos e nas ofertas, e eles disseram: “Em que Te temos roubado?” É claro que esse é o versículo que todo mundo sempre usa para conseguir dinheiro, mas não vamos usá-lo dessa maneira hoje. Nada de dízimos aqui. Não é uma mensagem sobre dízimos.
Mas, se olharmos para o versículo 10, esta é a promessa de Deus, apesar da maneira como eles haviam agido:
Trazei todo o dízimo à casa do tesouro, para que haja alimento na Minha casa; e provai-Me nisto, diz o Senhor dos Exércitos, se Eu não vos abrir as janelas do céu e derramar sobre vós uma bênção para a qual não haja espaço suficiente.
E por vossa causa repreenderei o devorador, e ele não destruirá os frutos da vossa terra; nem a vossa vide lançará seu fruto antes do tempo no campo, diz o Senhor dos Exércitos.
E todas as nações vos chamarão bem-aventurados: porque vós sereis uma terra deleitosa, diz o Senhor dos Exércitos.—Malaquias 3:10-12
Que promessa! O Senhor tem esse desejo em Seu coração: que atravessemos tudo isso e sejamos essa terra deleitosa. Ao nos rendermos a Ele, Ele nos conduz a essa realidade, para que possamos experimentar toda a Sua bondade.
Ah, vemos que Malaquias é uma carta de amor, assim como Apocalipse é uma carta de amor. Vemos o amor de Deus se manifestando nesse chamado.
Dissemos que há sete chamados em Malaquias, assim como há sete cartas às igrejas nos capítulos 2 e 3 de Apocalipse. Não vamos examiná-los em detalhes hoje, mas quero apresentá-los.
Já lemos o primeiro, em Malaquias 1:2:
Eu vos tenho amado, diz o Senhor.
Todavia, vós dizeis: Em que nos tens amado?—Malaquias 1:2
O Senhor diz: “Eu vos tenho amado”, mas o povo responde: “Em que nos tens amado?” Como eles se afastaram desse lugar de primeiro amor, começamos a ver muitas outras consequências e sintomas de sua condição.
Em Malaquias 1:6, o Senhor diz:
O filho honra o pai, e o servo, o seu senhor: se Eu sou Pai, onde está a Minha honra? E, se Eu sou Senhor, onde está o temor de Mim? Diz o Senhor dos Exércitos a vós, ó sacerdotes, que desprezais o Meu nome.
E vós dizeis: Em que temos desprezado o Teu nome?—Malaquias 1:6
Sem consciência. Sem consciência.
O versículo 7 apresenta o terceiro:
Ofereceis pão contaminado sobre o Meu altar; e dizeis: Em que Te temos contaminado?
—Malaquias 1:7
“Em que Te temos contaminado?”
Então podemos ir a Malaquias 2:17, o quarto diálogo:
Tendes cansado o Senhor com vossas palavras.
Todavia, dizeis: Em que O temos cansado?—Malaquias 2:17
O Senhor responde que eles dizem:
Todo aquele que faz o mal é bom aos olhos do Senhor, e Ele Se agrada deles.
Onde está o Deus da justiça?—Malaquias 2:17
“Tendes cansado o Senhor com vossas palavras” — com todas as suas ações exteriores. Mas eles perguntam: “Em quê? O que queres dizer, Senhor? Olha todas as orações que fizemos. Olha tudo isso que fizemos. Como assim, nós Te cansamos?”
Então o quinto diálogo está em Malaquias 3:7:
Tornai a Mim, e Eu tornarei a vós, diz o Senhor dos Exércitos.
Mas vós dizeis: Em que havemos de tornar?—Malaquias 3:7
“Nós não Te abandonamos.” Totalmente perplexos. “Como havemos de retornar?” Ninguém pode retornar se não se afastou. Ah, como Ele os chama a retornar a Ele!
Em Malaquias 3:8, o sexto diz:
Roubará o homem a Deus? Todavia, vós Me tendes roubado.
Mas vós dizeis: Em que Te temos roubado?—Malaquias 3:8
“Em que Te temos roubado?”
Finalmente, o sétimo chamado, debate e confronto está em Malaquias 3:13:
As vossas palavras têm sido duras contra Mim, diz o Senhor.
Todavia, vós dizeis: Que temos falado contra Ti?—Malaquias 3:13
Mais uma vez, eles dizem: “O quê? Como temos falado contra Ti? O que queres dizer?”
Aquelas pessoas nessa situação, em Neemias, estavam tão cegas para sua própria condição. Não enxergavam. Não conseguiam saber o que realmente estava acontecendo.
Uma das coisas que percebo ao examinar o livro de Malaquias é que estou certo de que essas palavras não foram pronunciadas com a boca. Eles sabiam o suficiente para não dizer essas coisas com a boca. Mas seu coração, sua vida e suas ações estavam dizendo tudo isso.
Dentro deles, essas coisas estavam sendo ditas e expressas.
Talvez hoje tenhamos usado este tempo simplesmente como uma introdução a Malaquias. Jerry vai compartilhar na próxima semana, e talvez, se o Senhor quiser, eu possa continuar na semana seguinte. Podemos examinar esses sete chamados específicos que o Senhor faz ao povo.
Gostaria apenas de encorajá-los, se tiverem oportunidade durante esse período, a voltar e reler Malaquias. Familiarizem-se com o livro e permitam que o Espírito Santo realmente nos sonde.
Creio que, ao fazermos isso, o Senhor nos reconduzirá àquela frase simples com a qual começamos em Malaquias: “Eu vos tenho amado”.
Que o amor de Deus se torne muito novo para cada um de nós. Onde permitimos que ele esfriasse, onde permitimos que outras coisas tivessem prioridade em nossa vida, que o Senhor use Sua Palavra para falar ao nosso coração e nos capacitar a retornar à simplicidade e pureza de nossa devoção a Ele.
Porque esse é o lugar. É nesse lugar de simplicidade e pureza de devoção a Ele que Sua volta é apressada. É ali que a noiva está se preparando.
Não nas coisas complicadas deste mundo, nem mesmo nas coisas complicadas dos cristãos, mas, ao retornarmos à simplicidade de Cristo — Cristo sendo tudo em todos —, Sua volta é apressada, e a noiva é preparada.
Que o Senhor opere em todos nós.
Senhor, somos gratos porque Tu, em Tua bondade e em Tua misericórdia, colocaste esse profeta diante de nós para nossa admoestação e nossa instrução.
Senhor, ao examinarmos quem eram os destinatários dessas palavras, vemos que eram pessoas que tinham uma caminhada Contigo. Eram pessoas que tinham grande experiência Contigo e, ainda assim, tão depressa haviam abandonado seu primeiro amor.
Senhor, que o Teu Espírito Santo possa operar em nós.
Senhor, onde temos um desejo, ainda que seja um desejo vacilante, sopra sobre essas brasas até que se tornem chama. Faz com que as brasas se tornem chama.
Que possamos ser aqueles que retornam a esse lugar de primeiro amor em Ti, Senhor — conhecendo Tua plena suficiência e conhecendo a grande bondade amorosa do Senhor, que dura para sempre.
Em Teu nome oramos. Amém.